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História Back To Me (Jungkook) - Capítulo 5


Escrita por: jeontaste

Notas do Autor


Depois de 18 anos, 8 meses, 5 dias, 3 horas e 27 segundos, eu voltei. Oh yeah...
Enfim...
Boa leitura e perdoem qualquer xx

Capítulo 5 - Conceito líquido vs sólido


"Estive para baixo, me dê algum espaço. Você não sabe o que se passa no meu cérebro." — Antisocial (Ed Sheeran feat Travis Scott) 

Jungkook não sabia dizer ao certo em que momento da sua vida passou a ter aversão de pessoas e suas relações e comportamentos líquidos

Ele tinha lido sobre Bauman quando ainda era criança e os pensamentos do filósofo eram reais demais para que ele não concordasse. 

Nos tempos contemporâneos, tudo ia e voltava com uma facilidade absurda, os relacionamentos eram superficiais, montados a partir de uma base líquida, sem qualquer tipo de estrutura. Não havia uma construção sólida entre duas pessoas, as emoções eram demasiadamente escorregadias. As pessoas eram tratadas como objetos

Jungkook pensava que as relações entre pessoas eram como o capitalismo. Quando aquele objeto ficava fora de moda, velho ou gasto, simplesmente trocavam por um novo. 

Esses relacionamentos, sejam de amizade, amor, eram influenciados pelo padrão capitalista da sociedade que impunha esse eterno comportamento de desapego. A vida atual era baseada em recomeços, vistos como versatilidade, onde o mundo nunca deixava de evoluir. Ridículo, seria você se continuasse na mesmice dos tempos antigos. Mas Jungkook achava veementemente que toda essa modernidade de sentimentos e uniões sendo facilmentes superadas deixava a vida vazia e fútil, sem qualquer profundidade. 

Um dia, você se relacionava sério com alguém, então terminavam e dias depois já estavam com outra pessoa nova, como se pessoas e sentimentos fossem coisas a serem substituídas. Como peças com defeitos trocadas por novas. 

 Jungkook odiava toda essa merda. 

O excesso de barulho, as conversas paralelas e sem sentido, os toques desnecessários, a intimidade que as pessoas achavam que tinham com ele para puxar assuntos que para ele eram pessoais. Ele sempre notava como as pessoas saiam dizendo eu te amo por aí, para qualquer um que conhecessem a dois dias, invalidando a real profundidade dessas palavras. Era patético. Definitivamente, as pessoas eram fúteis

Não foi algo de criação, nem cobranças, sua mãe sempre foi adorável e carinhosa, seu pai sempre prestativo e amoroso, seus irmãos seguiam o mesmo padrão extrovertido, mas Jungkook não. 

Ele sempre teve a impressão de que havia nascido com algo errado, algo faltando ou quem sabe, ele só tinha uma visão muito diferente desse mundo tecnológico e de emoções e sentimentos imediatos. 

Jungkook sempre foi sem jeito demais, apático demais, suas emoções eram seu cantinho de proteção mais secreto. Expor-se era tão, tão, tão vergonhoso. 

Sua mãe já o tinha levado em inúmeras psicólogas, mas ele nunca se abriu, nem uma vez e todas as assistências foram em vão. 

Com a faculdade, essa parte em si havia melhorado um pouco, estudar o fazia bem. Ele era um cara sólido, pé no chão. O tipo de pessoa que busca construir uma base verdadeira, estabilidade. Financeira ou amorosa. Acreditava em um relação para a vida inteira. 

E quando Lana chegou, tinha bagunçado tudo, seus conceitos, seu estilo de vida, como pensava. 

Ela era como um furacão e Jungkook foi arrebatado por ele. 

As sutis investidas dela foram ganhando Jungkook de um modo que quando ele percebeu, suas mãos já suavam perto dela e ele ficava tão nervoso que pensou diversas vezes que estivesse passando mal. E aquelas vontades dentro dele, secretamente guardadas, quase o deixaram maluco. Mesmo assim, todas as iniciativas foram dela, o primeiro beijo, o primeiro toque mais íntimo, o sexo, o pedido de namoro. 

Ele nunca foi muito ativo, apesar de possuir desejos como qualquer outra pessoa. Era só... Muito embaraçoso ter que fazer isso. Ser o primeiro. Deixava as iniciativas para Lana que já era muito expansiva, muito carinhosa. 

Até aquele momento, Jungkook não percebeu a importância e muito menos o quão bom era tomar a iniciativa, sentir ela se desarmando em seus braços, sentir aquela coisa primitiva que serpenteava por sua pele e o deixava todo quente. 

Mesmo após horas daquele beijo, ele ainda não tinha conseguido parar de pensar e era muito vergonhoso. Mas ninguém estava ali para o ver de bochechas coradas encarando o teto. Então, estava tudo bem. 

Teve que se obrigar a parar de pensar nas sensações, porque seu corpo estava respondendo e isso também era vergonhoso. E não foi difícil se sentir menos quente, foi só se lembrar da expressão de Lana ao dizer que ele era muito pior do que ela pensava. 

A culpa o perseguiu. Ele iria dizer apenas para que ela não ficasse perto do Park porque doía demais nele vê-los tão próximos, vê-lo tão extrovertido fazê-la sorrir como ele nunca fez. 

Não era orgulho masculino, não. 

Mas como sempre, ele não soube como se expressar. 

Esse definitivamente era seu maior defeito. 

Porque Jungkook podia ser excelente, perfeito apresentando seminários, criando discussões com bases impecáveis com seu professor de direito penal, ele podia ser perfeito palestrando, falando sobre o assunto da prova, mas quando se tratava de sentimentos, tudo faltava. Era como se ele não soubesse como falar. As palavras se perdiam dentro dele, as emoções o subjulgavam,  deixavam sua mente em branco, confusa, caótica e ele metia os pés pelas mãos e dane-se, estragava tudo. 

De pé, encarando seu próprio reflexo no espelho, se perguntou o que havia de errado consigo. 

Passou as mãos pelos fios, colérico. 

Desde que Lana tinha terminado consigo, não havia tido mais um dia de paz. 

Seus trabalhos interminados continuavam ali, sob a escrivaninha, completamente bagunçados. 

Jungkook apenas desviou o olhar da bagunça e se jogou em sua cama. Silêncio o recepcionou de volta e pela primeira vez, ele o odiou. 

Taehyung bateu na sua porta cedíssimo. Jungkook tinha acabado de tomar banho e se vestido, quando o amigo extravagante de sua ex quase arrombou a porta de seu quarto. 

— Hoje, nós vamos tomar café fora e não aceito um não como resposta. 

O moreno apenas colocou uma touca nos cabelos e se gostasse de óculos escuros, teria os colocado, porque o dia lá fora estava claro demais, pra quem estava todo escuro por dentro. 

A cafeteira ficava próxima ao campus, Jungkook já havia visto, era bem comum entre os universitários passarem o tempo ali. 

O Kim observou o garoto. Estava mais soturno que o normal, a expressão sempre tão apática parecia reflexiva e melancólica. Imaginou como conseguiria arrancar alguma coisa do mesmo, mas não custava tentar. 

Se sentaram numa das mesas da frente, Jungkook todo de preto parecia e rosto enfezado era um ponto destoante da manhã bonita de domingo. 

— Então… — O Kim começou, balançando a colher dentro do seu chá. — O que rolou ontem? 

O moreno encarou o próprio café preto intocado, fumaça espiralava do mesmo. 

— Podemos não falar sobre isso? 

— Até podemos. Mas como posso te ajudar sem entender? 

— Kim… 

— Ok, vamos fazer um exercício então. Eu vou fazer perguntas simples para você e você me responde com sim ou não. 

— Com qual intuito? 

— Não questiona o professor e escuta. Você se considera alguém orgulhoso? 

Jungkook pensou. 

O Kim continuava fitando-o atentamente com as orbes cor de café. 

— Seja honesto. 

Umedeceu os lábios. 

Orgulhoso? Não, Jungkook era seguro, mas orgulhoso não. 

Não. 

— E você acha que a Lana é orgulhosa? 

Foi impossível, não colocar sua ex namorada como parâmetro. 

Quantas vezes eles não haviam discutido e Lana sempre, sempre era a que voltava atrás primeiro? 

Bom, na maioria das vezes os motivos eram banais ou… Não, definitivamente não eram banais. 

Atenção. Era o tópico principal das brigas entre eles.

Jungkook se lembrava de achá-la dramática. Não eram adolescentes brincando de namorar, não tinha todo o tempo do mundo para isso. Ele se lembrava de falar uma vez para que Lana crescesse. Passaram sete dias sem se falarem. 

Mas, no fim, não era ele quem precisava crescer? Uma relação sólida a qual ele tanto defendia em sua tese mental, era sobre isso. Cultivar laços verdadeiros, reais, que não são passageiros. 

A saliva ficou difícil de engolir 

Taehyung cruzou as mãos sobre a mesa. O silêncio do Jeon dizia muito. 

— Eu não devia estar te dizendo isso, já que faz parte do código de melhores amigos, mas eu sei que você não fez por mal. Só que a Lana não imagina, porque você nunca voltou atrás, entende? — O tom do loiro era suave. Jungkook sabia que ele estava tentando não machucá-lo. — Ela acha que… Porque você é competitivo, viu em Jimin um competidor a altura. Por essa razão, a beijou, como se… Fosse para marcar um território. 

— Não era isso. Não era nada sobre isso. — Jungkook negou com a cabeça. 

Ela tinha pensado aquilo dele. Óbvio, que já imaginava desde ontem depois de tudo que Lana falou, mas ouvir com estas palavras e clareza, machucou Jungkook. O fez perceber o quanto tinha sido ruim pra ela. 

É claro que ele era orgulhoso. Nunca pediu desculpas sequer uma vez a ela, nunca refletiu sobre como suas ações apáticas que, eram práticas para ele, estavam caindo sobre ela como gelo puro. 

Talvez, Lana pensasse que ele só esteve com ela todo esse tempo porque era cômodo. 

— O que faço para concertar, Taehyung? — O moreno parecia transtornado. — Não consigo… Eu não sei o que fazer. — Era terrível admitir que algo não estava sob seu controle, que não sabia como resolver uma situação.

 Porque não era simples como trabalhos, era sobre sentimentos e mágoas. Era sobre vocacionar como se sente e arrancar lá de dentro o que sentia e mostrar. Ele sabia que tinha de se mostrar, mas não sabia como. 

— A Lana vai estar na defensiva agora, então temos ter de dar um tempo para ela. Vamos pensar em como você pode conseguir dizer o que verdadeiramente sente. O primeiro passo para isso é admitir para si mesmo. Hoje, você só vai pensar nisso, na relação de vocês, momentos bons e ruins e todas as coisas que você sentiu e vai me mostrar isso de alguma forma, pode ser naquela carta que você está escrevendo. E sei que não se sente confortável em me mostrar, mas pode tentar falar em voz alta pra mim algumas coisas. Tudo bem? 

Jungkook assentiu. Encarar a si mesmo parecia um desafio e tanto. 

— Bom, isso mais tarde. Eu quero te perguntar algo antes. 

O moreno arqueou uma sobrancelha sutilmente. 

— O que? 

— Você gosta de overwatch? 

Passaram o dia inteiro jogando. 

Jungkook não acreditava que o Kim poderia ser tão… Legal. Quer dizer… Ele tinha sido muito crítico com o amigo de sua ex namorada, confessava. Ver as coisas por outra perspectiva, era algo que ele estava começando a treinar. 

Jungkook definitivamente tinha problemas em confiar nas pessoas, era uma característica dele. Sempre foi muito crítico com o mundo a sua volta, pondo tudo em questão. Ver-se mudando de ideia, definitivamente era novo. 

Kim Taehyung tinha gostos bastante parecidos com os seus e eles poderiam ter sido amigos antes, se Jungkook não fosse tão azedo. 

Era engraçado ver a carranca do loiro após perder em todas as partidas. Overwatch era a zona de conforto de Jeongguk. Passara muitos dias de sua infância brincando com seus irmãos. 

E quando Tae foi embora, o moreno estava com um sorriso contido nos lábios.

Jungkook tomou um longo banho e se permitiu apenas relaxar. Precisava disso para o que faria a seguir. 

Tinha trancado bem a porta para evitar transtornos. Os cabelos ainda estavam úmidos, ele mal notou tal detalhe agonizante, pois seu travesseiro ficaria molhado.

Encarou o teto e fechou os olhos. Então, pois-se a pensar. 

Lana. 

Eles tinham muitas memórias felizes, agora Jungkook percebia. 

Naquele dia do cinema, ele nunca tinha ficado tão feliz em não entender nada do filme, porque os beijos de Lana eram muito mais interessantes e deixavam-no todo mole de uma maneira nunca sentida antes. Mas o primeiro… o primeiro beijo o deixou tão vermelho que, Jungkook achava que ia morrer de vergonha, mesmo assim, ele deixara que ela roubasse outro e outro. Ela tinha sido dona de todas as suas primeiras vezes. 

Era muito constrangedor relembrar porque Jungkook era tão inexperiente exatamente como um virgem poderia ser. 

Eles namoravam a quatro meses e naquele dia, era o… Aniversário dos dois, tinha batido em um sábado e Lana insistiu que eles fossem acampar numa das propriedades dos pais dela. 

Jungkook se lembrava de listar todos os perigos que acampar sozinhos poderia trazer, mas não adiantou muito. Ela o convenceu com muitos beijos. 

E no fim, mesmo contrariado a ajudou a montar a barraca. Na verdade, ele tinha montado, enquanto Lana o dava às instruções. 

Ele tinha passado da época de ficar nervoso demais ao lado dela. Com quatro meses de namoro, já estava mais acostumado, ainda que aquele frio na barriga ainda persistisse e um novo tipo de calor o deixasse ainda mais fraco. Era facilmente manipulado quando aquele calor dava as caras. Parecia que todos os seus sentidos ficavam terrivelmente mais aguçados e arght… Era muito perigoso. Na semana passada tinha ficado muito quente e isso resultou em uma terrível… Coisa estimulada, porque Lana, sua namorada manipuladora e esperta tinha se sentado ali e… Ele teve de praticamente fugir para dentro do banheiro. 

É, Jungkook estava esquentando de novo. 

Quando o frio ficou insuportável lá fora, eles entraram para a barraca. 

Ele tinha se deitado entre os edredons e ela pousara a cabeça ali, em seu peito, ouvindo suas batidas cardíacas. 

— Kookie, posso perguntar algo? — O tom amistoso não disfarçava a ansiedade. Esteve mais elétrica do que o habitual, tinha notado. 

— Uhum. — Murmurou. Disfarçadamente, bem disfarçadamente, acariciou as pontas do cabelo dela que tocavam em seu braço. 

— Você… Você me deseja? 

Não havia um músculo em seu corpo que não tivesse ficado tenso e ele se sentou de repente, encarando-a com os enormes olhos castanhos e todo corado. 

Mas que tipo de pergunta era aquela? 

O próprio rosto dela estava enrubescido, o lábio inferior preso entre os dentes pelo receio. 

— L-Lana… 

— Eu sei que é constrangedor para você, mas eu preciso saber. É que… Eu nunca sei o que você quer e eu posso estar forçando a barra ou sei lá. — Ela estava com vergonha também. 

— Do que você está falando? 

Ela esfregara o próprio rosto pela agonia. 

— Sexo. Estou falando de sexo. 

Jungkook virou o rosto e então o corpo, a respiração ficando errática. 

Sexo. A palavra o aterrorizava. 

Ficar sem roupas na frente de outra pessoa, se expor, ficar vulnerável… EraEra como um filme de terror. 

Não era que Jungkook não quisesse, porque é claro que ele tinha pensado muito nisso, especialmente nos últimos dias, porque Lana… Lana era muito bonita e muito provocadora. Ao mesmo tempo que queria, era mais do que vergonhoso, parecia quase humilhante ficar nu e nossa… 

— Jungkook, desculpa. — E era ela quem estava pedindo desculpas. — E-eu não devia ter tocado no assunto, é só que… 

— Você quer, não é? — Ele perguntou, a voz comedida. Os olhos não deixavam seus próprios pés juntos. 

— Não quero se você não quiser. E não precisamos fazer isso hoje, amanhã ou nunca, se você não quiser. Eu… Só quero entender. 

Ele estava gelado. O coração batia forte como um tambor. Sentia suas orelhas quentes e as mãos estavam trêmulas. 

— Você… — Ele engoliu em seco. — Você já fez isso antes? — Indagou baixinho. 

Por que não podia ser como uma pessoa normal e perguntar se achar que fosse morrer por causa disso? 

— Sim. — Ela disse baixinho. 

Era pior. Jungkook não tinha tido nenhum contato assim na sua vida e Lana devia ter tido boas experiências. Ele estragaria? Porque não fazia a menor ideia de como agradá-la. 

— Eu… Eu não… 

— Eu sei. — Ela sussurrou carinhosamente. 

Ele ouviu o farfalhar dos lençóis quando ela deslizou suavemente para seu lado e delicadamente plantou um beijo em sua bochecha. — Você quer? 

Ele podia sentir os batimentos chegando nas orelhas. 

Estava vermelho e com tanta vergonha, ainda assim seu corpo o denunciava. 

— E-eu não sei como… 

— Você quer, Kookie? — Ela repetiu mais suavemente. 

Jungkook fechou os olhos e assentiu. 

— Pode… Apagar a lâmpada? 

Um clique foi o suficiente para ele abri-los novamente. O quase breu o deixou mais tranquilo. 

Ele encarou Lana. Ela continuava parada o olhando cheia de carinho. 

— Podemos só dormir, Kookie. Já está perfeito para mim. 

— Eu quero. — Disse com mais convicção. 

Lana sorriu suavemente e acariciou seu rosto com a mão direita, antes de aproximar seu rosto e buscar sutilmente por seus lábios. 

Calmo. O beijo somente entre as bocas foi calmo e o trouxe para o presente, para ela. 

Tocou seu cabelo com as mãos, enquanto as línguas entravam em cena também e foi quente. 

Seu corpo ficou quente e não notou quando ela já estava sobre si, cada perna ao redor do seu quadril, apertando-o entre seus braços, desbravando seu paladar com o próprio gosto dela. 

Jungkook a segurou perto. Suas mãos geladas seguiam aqueles instintos, passeando por suas formas. Na cintura, nas costas, nas pernas, cuidadosamente resvalando por sua bunda. 

O calor o fez suar. Mas os lábios de Lana não se importavam coma fina camada orvalhada em sua pele. Ela beijou com os lábios e lambeu com a língua seu pescoço inteiro e o fez pulsar. 

Era ali, naquele ponto em que eles sempre paravam, porque era o limite de Jungkook, até onde ele podia controlar a si mesmo, porque o descontrole sempre pareceu aterrorizador para si. 

— T-tudo bem? Quer parar? — Lana indagou, ofegante e seu rosto estava espetacular, cheio de desejo, mas de preocupação também. 

Jungkook se sentiu seguro. 

— Não, não quero parar. — A disse tão ofegante quanto e desligou aquele botão de regras dentro de si, deixou-se apenas… Ser.

E apesar da vergonha, não houve receios quando Lana desabotoou sua camisa xadrez e tateou com extremo anseio seu peito e seu abdômen. Desejado, bonito. Ele se sentiu tudo isso. E quando ela o tocou ali, suavemente entre as pernas, Jungkook deixou. Porque aquilo era confiança. 

E era tão bom, tão íntimo, tão eles. 

Ela o fez querer xingar um palavrão. 

Parecia que ele estava vendo estrelas e Lana sorriu, como se Jungkook fosse a coisa mais bonita que ela tivesse visto nesse mundo.

E beijaram de novo, mais forte dessa vez, com dentes e língua por fora dos lábios. 

Ela levou a mão dele ao espaço fervente embaixo de seu vestido floral e Jungkook experimentou outro tipo de prazer. A satisfação por saber que ele tinha lhe causado aquilo, todo aquele calor, o molhar, totalmente ensopada. 

E quando Lana se despiu para ele, mostrando-se totalmente, Jungkook soube que aquilo também era confiança.

E ela era linda. Com as clavículas marcadas, a pele beijada pelo divino, os mamilos amarronzados, os seios pesados entre suas mãos, entre seus lábios, sua língua e seus dentes. E seus gemidos eram delicados, tão manhosos e carentes. 

Ele estava fervendo por ela. 

E rolaram entre os lençóis, o corpo de Jungkook agora sobre o de Lana, as peles nuas se encostando, atritando, causando arrepios. 

Seu coração ainda continuava retumbando como um louco, mas o dela também, então, estava tudo bem.

Ela parecia tão ansiosa quanto ele, tão trêmula quanto ele. Porque era especial, para os dois. Não importava se Lana tivesse tido outras experiências antes, era como se fosse a primeira vez dela de novo. 

Foi ela quem lhe vestira o membro com o preservativo, as mãos suaves quase o fazendo desmanchar. Mas foi ele, quem a penetrou. Dificultosamente no começo, pois pincelar a entrada pequena e conseguir empurrar seu tamanho para dentro, enquanto a cabeça do mesmo sempre deslizava para o lado, fora uma missão e tanto. 

Por fim, quando conseguiu e se encaixou finalmente, ele não estava preparado. 

Enterrado até o fim em Lana, seu corpo tremendo forte demais, ele não conseguia respirar direito e traído pelo próprio corpo, se desmanchou na terceira estocada. 

Fora o cúmulo da vergonha, mas pacientemente, ela sorriu e o estimulou de novo com seus beijos, sua voz e seu corpo. Dessa vez, o montou e se esbaldou. 

Jungkook, mal conseguia segurar seus quadris rápidos. As sensações e a visão eram superestimulantes, ainda mais porque já tinha tido um orgasmo.

Ela sorriu, o beijou e o disse que amava. As palavras ficaram travadas na garganta dele, mesmo que quisesse dizer, elas não saiam. Mas achou que Lana sentia que ele também… A amava. 

O corpo dela brilhando, os seios saltando com cada movimento, os lábios inchados, seu íntimo o engolindo e devorando-o. Ele a segurou pelas pernas e impulsiou o quadril para cima e ela gemeu alto seu nome e então pulsou e pulsou e o apertou devastadoramente. 

Jungkook viu as estrelas de mais perto dessa vez quando chegou ao clímax quase que ao mesmo tempo dela. 

Com as testas unidas, se entreolharam, sentindo toda aquela conexão vinda de um lugar muito profundo. 

Jungkook sentiu, porra. Porque aquilo, era amor. 

Abriu os olhos, sentindo cada parte sua quente e recheada… Recheada com aquele sentimento exorbitante. Ignorando o incômodo entre as pernas, Jungkook pegou o primeiro caderno à vista, assim como uma caneta e escreveu. 

Escreveu durante horas, folhas intermináveis, até que seu pulso doesse e seus dedos começassem a formar calos. 

Colocou todas aquelas coisas para fora, sem pensar, sem hesitar, cada lembrança vindo com mais e mais força. Era a parte mais sincera de si mesmo, aquela que jamais tinha admitido, mesmo sentindo, sempre sentindo. 

Decidido, ligou para seu irmão mais velho. Sabia o que iria fazer para Lana finalmente acreditar em si, para que também finalmente ela soubesse dos seus verdadeiros sentimentos. 

A ansiedade mal cabia em seu peito quando o contou tudo, todos os detalhes. Junghyun ficara chocado, a última vez que Jungkook tinha se aberto consigo fora aos dez anos, quando seu cachorrinho tinha morrido.

Após uma hora inteira falando com o mais velho, Jungkook também mandou mensagem para Taehyung, precisava falar aquilo para ele também. Porque confiava no Kim. Ele tinha se mostrado uma boa pessoa, diferente do tipo o qual  o moreno tinha pensado. Jungkook nunca tinha ficado tão feliz em estar errado. 

O mesmo tinha chegado dez minutos depois, meio descabelado por ter vindo correndo. 

— Achei que você estava sendo assassinado, ou sei lá. — Se justificou. — Mas o que você tem aí?

— Por favor, não ria. — O Jeon lhe entregou os papéis. 

— O que é isso? — Franziu o cenho. 

— Leia.

Taehyung o fez. 

E teve de se sentar. 

Vinte e cinco minutos inteiros de silêncio, enquanto lia e relia o que Jungkook escreveu, às vezes parando mais de uma vez para reler a mesma linha. 

Era tudo muito intenso, íntimo, muito real. 

E Deus, Taehyung nunca pensou que Jungkook pudesse gostar de alguém daquele jeito. Não com toda aquela pose de sério e o jeito incisivo. 

Terminou de ler todas aquelas coisas, corado. 

— E então? — O moreno perguntou ansioso. 

Nunca tinha visto Taehyung tão encabulado com algo. Ele até mesmo coçou o pescoço e pigarreou.

— Olha, se a Lana não te quiser depois disso, vou ter que furar o olho da minha amiga. — Riu, ainda chocado. 

— Taehyung… — Bufou o moreno. 

— Sério, isso aqui está muito bom. Mas como você vai fazer? 

E Jungkook explicou tudo que tinha pensado. Falou sobre Junghyun e como ele iria ajudá-lo, mas que também precisaria da ajuda de Taehyung para conseguir um encontro com Lana. 

Seria… Seria a última tentativa de Jungkook e se ela não o quisesse mais por tudo que fez, então ele a deixaria ir. 

Alguém bateu na porta no exato momento em que Taehyung explicava como tentaria fazer isso. 

— Tá esperando alguém? 

Jungkook negou. 

— Yoongi hyung só vem na segunda, espere aqui. 

Não sabia quem seria, já que seu ciclo de visitas era minúsculo. Consistia em Yoongi e bem, antes Lana. 

Não sabia quem poderia ser. 

Ajeitou o moletom sobre a cabeça e abriu parte da porta, pondo seu corpo na frente do espaço em um aviso mudo de: Não entre. 

Teve de ocultar o desagrado nas feições. 

Park Jimin em sua porta com um sorriso desprezível. 

— Jeon, como está? 

— Estava bem até dois segundos atrás. 

Ele empurrou uma caixa sobre o peito de Jungkook. O moreno teve que ranger os dentes para não deixar que Jimin visse que o tinha atingido. Ali, dentro da caixa, estavam todas as suas coisas, coisas que antes estavam com Lana. Como seus moletons, toucas e camisas que ela sempre pegava jurando devolver. Presentes que ele tinha a dado, todas as pequenas lembranças que haviam construído juntos estavam ali naquela caixa. 

— Lana pediu que eu te entregasse essas coisas, acho que do jeitinho dela, está te dando um pé na bunda. 

O moreno sorriu, cético. 

— E você, como um abutre, está se aproveitando desse momento de fragilidade dela para tentar algo. 

— Jamais. — Ele pôs a mão sobre o peito, falsamente ofendido. — Ela que me convidou para pegar um cinema, tão desesperada pra te esquecer. —Negou com a cabeça. — Aposto que vai estar na minha cama até o fim da noite. 

Jungkook avançou, jogando a caixa no chão. Iria quebrar todos os dentes do Park sem nenhum remorso, se não fosse por Taehyung. 

Jimin fechou o sorriso lentamente. 

— É ótimo descobrir quem você é de verdade, Jimin. 

— Taehyung… — O mais baixo suspirou. — Que surpresa. 

— Lana vai ficar muito feliz em saber que você só quer levá-la para a cama. 

O Park riu. 

— Difícil ela acreditar em você agora que… Está andando com o esquisito. 

Jungkook fechou os punhos. 

— Você é escroto. — Taehyung cuspiu.

Jimin deu de ombros. 

— Me bata, Jungkook. Eu sei que você quer. Vai ser muito propício, óbvio, porque vou usar isso para manipular a Lana. Só vai tornar o caminho mais fácil para mim. — Sorriu, se aproximando. — Eu esperei muito por esse momento em que eventualmente... — fez um floreio com a mão. — Você estragasse tudo, então é bom que o que quer que esteja tramando com Taehyung seja ótimo e você consiga colocar um pouco dessa sua esquisitice para fora. Vai ser incrível vê-la rindo da sua cara e te chutar para longe da vida dela, finalmente. Mas tente aí, irmão. Seja rápido! — Avisa, dando passos para trás. — Porque vou foder com ela em breve.

Taehyung teve de usar toda a força para segurar Jungkook dessa vez, enquanto Jimin saiu sorrindo e jogando o cabelo liso para trás. 

— Calma. — Pediu, sentindo toda a raiva que Jungkook estava sentindo. Mas sabia que se usasse da violência, o maldito Park usaria isso ao seu favor. — Vamos desmascará-lo, Jungkook. Calma.

O moreno se voltou para trás e Kim pode ver os olhos avermelhados do mesmo. 

— Ela devolveu as minhas coisas.

— Jungkook...

— Ela devolveu a porra das minhas coisas, mandando esse cara! — Gritou. 

O tão comedido e calculado estudante de direito, estava gritando. 

— Ela está com raiva, Jungkook... Me escuta. — Segurou nos ombros do outro. — Continue o que estava fazendo, eu tenho certeza que ela vai gostar... 

— Eu não sei mais... 

— Continue! — Grunhiu. Não deixaria sua amiga cair naquela enrascada. — Se Jimin acha que Lana é uma posse, alô a ser ganho, não dê o se braço a torcer. Você a ama e ela ama você. 

— E o que eu vou fazer? — Choramingou, não suportava olhar para aquela caixa sem se sentir patético. 

— Vai fazer melhor que o Park, vai ser verdadeiro. 

Jungkook nunca viu tanta certeza nos olhos do Kim, quando ele garantiu:

— O restante, deixa comigo. 




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