História Backfire by the sea - Capítulo 10


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Categorias Got7
Tags Crime, Ficção, Got7, Jackson Wang, Máfia, Policial, Romance
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Palavras 2.455
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 10 - Criando caos desde o princípio


Ela sentou-se de sobressalto e olhou ao redor, percebendo que estava na cama. Wang estava dormindo no chão. Pulando da cama um tanto confusa, foi até ele e se abaixou ao seu lado. Porque ele não tinha a acordado? Será que ele tinha desmaiado ou algo assim? Será que ele tinha morrido? Bem em cima da sua cama improvisada? Que lugar estratégico. Ela estendeu a mão para colocar dois dedos em seu pescoço e sentir seu pulso, mas uma mão se ergueu do nada e segurou seu braço. Ele nem abriu os olhos, simplesmente a conteve mantendo a expressão de quem dormia como um bebê.

-Não ouse. – Para quem tinha sugerido de bom grado noite passada que ela lhe desse um banho de espumas, era uma reação engraçada.

-Por que você está aí?

-Eu estava com calor e decidi dormir no chão, já que você estava desmaiada na minha cama.

-Na sua cama?! – Ele soltou o braço dela. Não tinha apertado como da última vez, apesar de ter segurado com firmeza.

-Já que acordou e devolveu minha cama, gostaria de saber se você tem como preparar um chá de salgueiro-branco com freixo e macela. – É o quê?

-Não existe erva conhecida pelo homem que o senhor Argentum não tenha em casa. Fique à vontade. – Imbecil. Não era como se ela precisasse pedir que ele ficasse à vontade, uma vez que ele já estava. Ela se levantou e saiu do quarto. Seu pai era viciado em chás e ela com certeza encontraria aquele monte de ervas por aí em algum lugar. Argentum, fazia um bom tempo que ela não usava aquele nome, já que não costumava falar com as pessoas da região com frequência. Era uma forma de piada, de sarcasmo, a escolha do nome. Uma vez que seu sobrenome original significava ouro e seu pai havia o deserdado, ele havia escolhido uma nova identidade como Arion Argentum. O sarcasmo estava no fato de Arion ser um nome de origem antiga que significava tanto “prata” quanto “aquele que nasceu nobre”, e Argentum também significar prata.

Chegando à cozinha, procurou no armário de chás pelas ervas requisitadas. O problema com Marina é que as únicas ervas em que tinha se interessado eram as venenosas de seu jardim pessoal, que ela mesmo cuidava. Ervas essas que, dependendo da dose, poderiam tanto fazer alguém apagar, ter amnésia e alucinações por um curto período de tempo, quanto enlouquecer de vez, morrer rápida ou lentamente. Depois de procurar pelo armário como uma maníaca por alguns minutos, decidiu desistir e pedir o auxílio de seu pai. Foi até o antiquário e lá estava ele, limpando o balcão com o mais perfeito zelo.

-Pai?

-Sim?

-Eu precisava de algumas ervas.

-Que tipo de ervas?

-Nosso convidado solicitou muito educadamente um chá de salgueiro-branco, freixo e macela. Não faço ideia de como são essas coisas e onde estão. Juro que procurei por tudo! – Por tudo, não. Mas valeu a tentativa. No momento em que ela terminou de falar o nome das ervas que procurava, seu pai parou os movimentos que estava fazendo com o pano sobre o balcão.

-Ele pediu especificamente isso?

-Sim. – Seu pai largou o pano para trás e se apressou até a cozinha. Vendo que o termo “se apressar” não fazia parte de seu vocabulário rotineiro, Marina se sentiu um pouco assustada.

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Assim que a garota saiu do quarto e seus passos ficaram distantes, Wang tentou se levantar seu muito sucesso. Suas feridas doíam como uma amostra grátis do inferno, latejavam. Conseguindo se sentar, pelo menos, ele estendeu o braço e tentou pegar as bandagens e remédios usados para esterilizar suas feridas diariamente. Esse tão leve esforço fez com que começasse a ofegar, seu braço estava tremendo demais para que conseguisse pegar o que fosse. Com a visão levemente turva, decidiu fechar os olhos por um momento e se recostar na parede para tentar novamente em breve.

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Se movendo pela cozinha da mesma maneira fluída e ágil que se movia em combates, Arion Argentum logo encontrou todas as ervas solicitadas e acrescentou mais algumas à infusão. Tendo em vista que Marina não conhecia nenhuma delas, ele não tinha o intuito de envenenar Wang. Enquanto a água esquentava e ele macerava as ervas juntas, disse:

-Marina, pegue uma bacia com água gelada e coloque dentro três colheres da mistura que está no frasco vermelho na parte superior direita do armário.  – Ela o obedeceu prontamente, pegando a bacia e colocando-a sobre a pia, enchendo-a.

-O que está acontecendo?

-Algo aconteceu ontem à noite que pode ter ocasionado a abertura ou infecção dos ferimentos? – Ela olhou para o pai, enquanto fechava o armário após pegar o frasco solicitado. –Ele conhece algo sobre ervas. Acabou de pedir um chá de três ervas diferentes, todas elas com o intuito de conter sangramentos, infecções e abaixar febres altas. A combinação de ervas como essas é tão forte que caso a febre não esteja alta o bastante, o paciente pode ter um choque hipotérmico.

-Ele não parecia... – Ela se lembrou de momentos atrás, quando ele segurou sua mão para que não tocasse sua pele.

-Você terá que ficar muito atenta a pequenos sinais quando se trata dele. Alguém como ele não simplesmente pede a ajuda de algum curandeiro quando sente algum sintoma qualquer. Ele sabe quantas pessoas querem a cabeça dele e não deve demonstrar fraqueza. – Explicou Arion, ainda trabalhando na infusão. –Ontem ele fez uma pequena excursão pela casa, depois que você saiu. Ele deve ter visto o armário de ervas, então sabe o que tem por aqui. Mesmo assim, estava mal o suficiente para não tentar te distrair e se virar sozinho por aqui. A esperança dele devia ser a de que eu sou só um colecionador viciado em chás. Pessoas bebem chá de salgueiro-branco, ou chá de freixo, ou chá de macela por simples gosto. Mas não os três juntos. – Marina já havia preparado a bacia com o medicamento e o guardado. –Essa água contém uma mistura que ajuda a baixar a temperatura corpórea em contato com a pele, você deve colocar isso sobre a pele dele com um pano. E então, apenas depois de a febre abaixar, vamos cuidar dos ferimentos dele. Vá para o quarto imediatamente enquanto termino de preparar o chá.

-Certo. – Ela respondeu, pegando um tecido de algodão branco e limpo, e indo até as escadas.

-Mais uma coisa. –Ela voltou a olhar para ele. -Se ele está tão mal quanto acho que está, deve estar sem consciência uma hora dessas, ou delirando. Então você vai cuidar dele, eu vou dar esse chá a ele, vamos cuidar das feridas, e se ele acordar e não mencionar nada disso, fingiremos que nada aconteceu. Podemos falar apenas que ele tomou o chá e adormeceu e que você limpou as feridas dele normalmente como faz todo dia no final da tarde. Não é possível prever o tipo de reação que ele pode ter se descobrir que sabemos mais do que ele quer que saibamos. –Ela assentiu e correu até o quarto.

Seu pai estava certo, ele estava desacordado. Estava recostado contra a parede, parecendo um homem morto. Ela sentou à sua esquerda e percebeu que sua respiração estava pesada e instável. Sua pele estava coberta por uma camada de suor que ela havia tomado há momentos atrás como a falta de costume com as temperaturas do começo do verão naquelas partes da cidade. Colocando o balde sobre o chão e retirando a camisa dele, humedeceu o pano e começou a passá-lo contra sua pele, que estava ardendo. Eventuais tremores passavam pelo corpo febril em intervalos de tempo curtos. Depois de resfriar o pano na bacia e repetir o processo de passá-lo sobre a pele ardente algumas vezes, seu pai chegou com o chá, se sentando ao lado direito de Wang.

-Não pare o que está fazendo. – Disse para a filha, e, segurando o rosto do homem desacordado, encostou a xícara contra seus lábios. Derramou o líquido aos poucos dentro de sua boca, depois de se certificar que seus dentes não estavam travados e que sua garganta respondia ao estímulo, engolindo a infusão. Quando todo o conteúdo da xícara havia sido consumido, ele se levantou. –Vou preparar uma pomada mais concentrada para as possíveis infecções. – E então, retirou-se.

Ela não sabia dizer se suas tentativas de abaixar sua temperatura estavam funcionando, já que os tremores permaneciam e ele ainda estava muito quente. Depois de consumir o chá, ele começou a suar ainda mais, o que a ajudaria a estabilizar a temperatura dele. Ela continuou tentando seu melhor, de qualquer forma. Era o máximo que podia fazer. Meu Deus, não podiam deixar ele morrer ali. E depois, o que faria? Onde deixariam o corpo? Se sentira apreensiva quando o trouxeram para cá, sangrando, com balas pelo corpo, mas a adrenalina correndo em suas veias tinha sido tanta que não parou para pensar em morte. E então, depois que o médico o tratou e foi embora, ele parecia tão forte e tranquilo dormindo sobre a cama. Não teve febres em momento algum, sua respiração era estável e sempre que o médico o examinava, dizia que ele deveria acordar em breve. Agora não tinha nenhum médico, e seu conhecimento sobre ferimentos e morte nunca tiveram o intuito de salvar os envolvidos. Agora não havia adrenalina, só um homem tremendo e suando, com o coração acelerado e a respiração ofegante a sua frente. Seu corpo parecia tentar desesperadamente se livrar de algo, sem sucesso.

-Pelo amor de Deus, Wang, não faz isso comigo. – Ela falou, em um tom baixo e levemente desesperado.

No penúltimo inverno, ela teve pneumonia e quase deixou esse mundo. Johnny viera a visitar para cuidar dela enquanto seu pai estava fora. Quando estava nervoso, começava a falar sobre assuntos aleatórios como o clima, livros, qualquer trivialidade. Ele dizia que ter pensamentos sobre morte e doença só atraía tais coisas, pois energia emanada era algo poderoso. Em seu desespero atual, pensou se ele podia estar certo. Provavelmente não estava. Na época que ele lhe falou sobre aquilo, ela apenas riu e disse que aquele tipo de baboseira não a faria melhorar. No momento, ela só conseguia pensar que qualquer ação era melhor que nada.

-O dia está bom lá fora. – Ela começou, olhando pela janela. –Na verdade, ainda não saí para ver de perto, mas o céu está azul, sem nenhuma nuvem. Deve estar muito quente, principalmente nas ruas comerciais. – Tirando da cabeça que tinha um candidato a cadáver nas mãos, começou a ser mais cuidadosa e paciente enquanto molhava e torcia o pano mais uma vez. Voltou a olhar para ele, tirar o cabelo que estava colado contra sua testa suada e encostou o pano sobre a pele. –Daqui de dentro, com a janela aberta, só conseguimos sentir a brisa do mar, e, por isso, muitas vezes nos enganamos, achando que o clima é de primavera. Tenho algumas plantas muito sensíveis ao calor e devo tomar cuidado com elas durante essa época. Ter um jardim diversificado é complicado. Durante o inverno, tenho que proteger as plantas que são sensíveis ao frio. E então, vem o verão. Sei que minhas plantas não foram feitas para serem bonitas, mas eu sou uma pessoa fútil o bastante para me sentir feliz na época que alguma delas floresce. A maioria delas tem folhas roxas ou purpúreas. Acho que você também gostaria delas, trabalhando com... O que você trabalha. E bem, como uma pessoa rica e extravagante, você também sempre está com aquelas roupas escuras e caras, se mantendo arrumado. Você seria como uma flor de erva-moura. – Enquanto ela continuava sua tarefa, com o pano agora em seu peito, uma mão cobriu a sua com leveza. Ela, distraída como estava, quase afastou a mão pelo susto. Porém, controlou-se antes de reagir por impulso. Levantou os olhos de suas mãos para o rosto de Wang. Ele ainda estava de olhos fechados. Mesmo assim, sua mão, agora fraca, conduziu a mão de Marina até seu pescoço, entre o ombro e a nuca. E então a soltou, voltando o braço para a posição de antes. Ela o fitou em silêncio por algum tempo, mantendo sua mão onde fora deixada, até que seu pai retornasse ao quarto, com um recipiente nas mãos.

-Como ele está agora? – Devido a conversa e a ação inesperada que a distraíra, não tinha percebido que, aos poucos, os tremores se foram. Ele ainda estava quente, mas sua temperatura tinha abaixado consideravelmente. Seus batimentos se mantinham acelerados, mas sua respiração parecia menos laboriosa.

-A febre abaixou.

-Vamos cuidar dos ferimentos agora.

Demoraram cerca de meia hora para, cuidadosamente, inspecionarem as feridas e verificarem que seus pontos tinham se rompido, abrindo as feridas mais uma vez. Estavam sangrando e pus estava começando a se formar. Após esterilizarem as áreas afetadas, refizeram os pontos e aplicaram a pomada feita por seu pai. Por fim, fizeram novos curativos e então o colocaram sobre a cama.

-Por que ele estava no chão?

-Hã... Ele disse que quis dormir no chão porque estava com calor. – Seu pai a olhou com a sobrancelha arqueada.

-Você já foi mais sagaz. De qualquer forma, eu também deveria ter sido. Os pontos devem ter se rompido quando ele saiu andando por aí. Mas é algo peculiar... O único ferimento que teria recebido a influência do andar dele seria o do lado esquerdo do corpo. Ele deve ter feito mais esforços para afetar o resto. – Marina preferiu ficar quieta e não admitir que tinha sido uma idiota e deixado ele tomar banho de banheira e embeber as feridas em uma água consideravelmente suja por uma semana de falta de higiene básica.

-Já faz uma semana. Os ferimentos dele já deveriam estar bem o bastante para ele conseguir andar e fazer outras coisas sem causar toda essa reação.

-Você tem razão. Há algum problema com a cicatrização, então devemos ter mais cuidado. Fique de olho nele. – Disse, indo em direção a porta e saindo do quarto.

-Pai, espera. – Ela o seguiu e segurou seu braço. Ele a observou. Sussurrando, ela começou a falar. –Quando eu estava cuidando dele, pouco antes de o senhor chegar pela segunda vez, ele segurou minha mão e a moveu para seu pescoço. O senhor acha que ele estava consciente o bastante para se lembrar?

-O pescoço é uma região frágil do corpo. Ao senti-la se resfriar, pode-se sentir alívio no resto do corpo também, em caso de febre. Deve ter sido apenas uma reação instintiva do próprio corpo.

-Certo.

-Agora permaneça ao lado dele para ver se há alguma alteração em seu quadro. Não há muito que eu possa fazer, não conheço tanto assim sobre medicina. Se ele piorar, voltarei a chamar o médico.



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