História Backfire by the sea - Capítulo 8


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Categorias Got7
Tags Crime, Ficção, Got7, Jackson Wang, Máfia, Policial, Romance
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Palavras 2.155
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 8 - Fazendo com que uma parte do seu obscuro ser


Sentou-se ao lado da cama, perto dele novamente, pronta para ajudá-lo a tomar água, quando ele fez menção de pegar o copo e tentar se sentar. –Não! Não se mexa.

-Por que diabos você vai me dar água na boca? Meus braços estão... – Quando ele tentou levantar o pescoço para se levantar, logo fez uma expressão de dor e voltou a recair o pouco que tinha se levantado.

-Eu disse, foram três tiros! Um na nuca, um na parte de trás do ombro, e o do lado do corpo. Se se apoiar com força sobre esse braço ou forçar a nuca, pode piorar os ferimentos. – Ela colocou a mão sob a cabeça dele, levantando a cabeça dele devagar, apenas o bastante para que os lábios dele pudessem encontrar a borda do copo sem derramar água. Ele a observava com aqueles olhos escuros como os de uma serpente enquanto bebia a água. Depois de alguns goles, ele parou de beber. Ela afastou o copo alguns centímetros, mas continuou o segurando, imóvel, sem saber bem o que dizer, esperando perguntas ou um ataque de raiva, ou ambos. Depois de um bom tempo em silêncio, ela disse. –E então, não vai perguntar? Perguntar onde está, quem eu sou, ou qualquer coisa assim? - A impaciência dela ainda a mataria.

-Isso não importa muito. Se eu não estou aqui com o conhecimento do meu pai, já pode se considerar uma mulher morta.

-Você é bem confiante. – Ela ainda estava com o copo perto de sua boca e talvez sua guarda estivesse baixa demais, por se tratar de um homem doente ao seu lado. Não deveria ter sido tão estúpida. O homem-serpente moveu o braço saudável rapidamente e agarrou seu pulso, o apertando enquanto ainda a olhava. Ela se sobressaltou. Podia revidar de alguma forma, mas devia fingir ser uma órfã indefesa, então apenas o observou com os olhos arregalados.

-Ferido ou não, eu mesmo posso acabar com a maioria das pessoas dessa cidade em um piscar de olhos. Espero que sua frase não tenha sido algum tipo de ameaça. – Ele fitava seus olhos fixamente como se pudesse ver sua alma enquanto dizia isso. –Por outro lado... – Soltando seu pulso, deixando marcas vermelhas contra sua pele pálida para trás, ele gentilmente tocou uma mecha de seu cabelo que estava caída sobre seu rosto e a ajeitou por trás de sua orelha. –Não sou ingrato e estar ao meu lado pode ser bem mais agradável do que estar do lado oposto, eu garanto. Então não é sobre ser confiante. Apenas sei que tenho muito a oferecer e muito a tirar. E também sei que você sabe com quem está lidando, por essa expressão em seu rosto. Quem quer que tenha me tirado da minha casa e me trazido até aqui te contou quem sou. Seja lá onde eu estiver, conheço cada milímetro dessa cidade. Então não seja idiota tentando bancar a esperta, ok? Assim nos daremos bem. – Ela não se moveu um centímetro sequer. Podia ter que fingir que era fraca, mas não conseguiria pisar em seu próprio orgulho dessa forma, deixando-o assustá-la. Manteve seu olhar firme enquanto ele falava. –Estou faminto. Tem alguma comida de onde essa água veio? – Perguntou Wang, afastando sua mão e mudando sua expressão facial totalmente, como se nada houvesse acontecido.

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-Psicopata sádico maldito. – Marina resmungava enquanto fazia a merda de uma sopa para a merda do herdeiro do crime da merda do continente todo. Tudo o que ela queria naquele momento era poder ter revidado aquele idiota na mesma moeda, mesmo que isso significasse uma morte lenta e dolorosa. Estava começando a se questionar sobre o valor de sua honra – ou o que restara dela – e se o que seu pai e ela receberiam era o bastante para aguentar esse tipo de situação. Pensou em envenenar a sopa com alguma de suas plantas venenosas cultivadas no jardim da frente como uma plantação de inocentes adornos naturais. Adornos inocentes que poderiam matar um boi em minutos sem muito esforço. Respirou fundo e pegou uma tigela, despejando conchas de sopa dentro da mesma. Olhou para a mesa e viu pedaços de queijo e pão frescos, que incluiu à bandeja que levaria até o quarto. Entrou e se sentou sobre a cama cuidadosamente, com a bandeja no colo. Estendeu uma colherada de sopa em direção ao seu karma.

-Você acha que sou idiota, é?

-Perdão, a comida não apetece seu paladar? – Disse, tentando conter seu sarcasmo ácido, sem sucesso.

-Coma primeiro. Misture a sopa com a colher, coma uma colherada, um pedaço razoável de pão e queijo. – Ela suspirou para não o mandar para lugares obscuros. Misturou a maldita sopa, mordeu um pedaço de pão e um de queijo com a mesma raiva que arrancaria a bochecha daquele homem com a força de seus dentes, pegou parte da sopa com a colher e enfiou tudo junto em sua boca, mastigando. –Não foi a cena mais agradável que já vi, mas pelo menos a comida não parece estar envenenada. – Concluiu o imbecil após observá-la mastigar e engolir tudo aquilo de uma vez só. –Eu consigo comer sozinho.

-Como quiser. – Ela colocou a bandeja sobre seu colo e o recostou devagar sobre os travesseiros para que ficasse em uma posição em que realmente não precisasse dela, mas que ainda sentisse alguma dor. Nada mais justo. Assim, saiu do quarto como uma tempestade, sem ver a reação de seu paciente. A suas costas, ele sorriu sobre sua tigela de comida.

-Eu estava certo, ela tem fogo nas veias. – Disse a si mesmo, enquanto começava a comer com dificuldade.

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Seu pai chegou após o anoitecer e ela implorou para que ele vigiasse Wang para que ela desse uma volta. Disse que tinha que ir comprar alguns mantimentos na feira. Seu pai não questionou o fato de ser tarde demais para encontrar qualquer feirante nas ruas de uma cidade portuária e ela estava irritada demais para inventar uma desculpa melhor, então só fingiram acreditar um no outro.

Saiu para andar, sem rumo. Para sua infelicidade, a cidade era pequena demais para ela.

-Marina! Ei, Marina! – Johnny veio correndo como um fiel animal de estimação saltitante até si enquanto ela andava pela ponte principal da cidade, sob à luz da lua.

-Johnny.

-O que faz sozinha andando por esse lado da cidade à noite? – Seus passos se juntaram aos dela enquanto ela mantinha seu ritmo lento, os braços cruzados contra o vento noturno trazido pelo mar, nunca distante demais para ser sentido de alguma forma.

-Às vezes acho que você se esquece que não sou uma dama indefesa.

-Na verdade eu saber que tipo de dama você é faz com que me sinta ainda mais preocupado ao te ver andando distraída por aí. Metade do submundo do crime gostaria de te matar.

-Pena que poucos que sabem quem eu sou ainda estejam vivos.

-Como vão as coisas em casa? Seu paciente já acordou?

-Tudo indo bem por lá, na mesma. – Ela evitou a pergunta sobre seu custodiado ter acordado ou não. -E na delegacia?

-Nada novo. Bom, Kris está dando uma olhada no histórico familiar do Wang para saber se algo sobre eles pode nos ajudar com a investigação.

-E ele achou algo interessante até agora?

-O interessante não foi o que ele achou, e sim o que ele não achou.

-O que quer dizer?

-Não há ninguém, absolutamente ninguém, que tenha tido contato com os herdeiros do senhor Wang até seus respectivos 8 e 16 anos de idade. É como se eles simplesmente tivessem surgido. A senhora Wang sempre teve dificuldades para gerar filhos, então Kris está cogitando a ideia dos garotos serem bastardos. Se é que existe esse tipo de formalidade no meio em que eles vivem. A questão é que isso explicaria os rumores do comportamento hostil da senhora Wang para com os dois. - Ao falar do título de "bastardo", Marina sabia que Johnny não via como isso a afetava. Ela mesma era uma bastarda. Por saber que não existia maldade nas palavras de Johnny, ela simplesmente empurrou seus sentimentos para a caixa dentro de si onde mantinha seu passado.

-Isso é interessante, mas não passa de uma teoria por hora. E o relacionamento deles com o pai?

-O garoto mais velho parece sempre ter se adequado muito bem aos negócios da família. Seus interesses parecem coincidir muito bem com os do pai. Já o garoto mais novo parece ter tido alguns problemas com o pai ao longo dos anos, e por isso é responsável por tarefas consideradas baixas, para provar seu valor e lealdade. Dizem que o pai o apunhalou uma vez na barriga e várias vezes contratou pessoas para se aproximarem dele só para o traírem, por o considerar muito fraco. Basicamente, ele foi criado como um cão de briga treinado para matar.

-Que relação familiar saudável. – Enquanto caminhavam, passaram por baixo de um poste com luz à gás. Johnny olhou em sua direção para fazer algum comentário quando de repente franziu o cenho.

-O que é isso? – Perguntou, apontando para o seu punho.

-Isso o que, garoto? – Ela replicou, fingindo não entender a pergunta e movendo o braço para esconder o que ele havia visto.

-Isso. – Ele persistiu, pegando seu braço com uma das mãos de maneira firme, mas gentil, e puxando para si. Parando de andar, observou de perto a marca de dedos que envolvia o punho de Marina. –Você não saiu de casa hoje. Ele acordou, não acordou? – Ele voltou seus olhos novamente para o rosto dela.

-Sim. – Não havia motivos para negar. Ela não havia contado, pois não achava que seria benéfico. Ele provavelmente tentaria ajudar de alguma forma, se apressar, e meteria os pés pelas mãos tentando mostrar seu valor. Ela queria reportar a situação para Kris pessoalmente.

-Ele... te machucou.

-Ele só apertou meu braço, Johnny, não foi nada. – Ela puxou o braço de volta, com persistência. –O que você pode fazer sobre isso, de qualquer forma?

-Por que você não me contou que ele tinha acordado? – Ela não respondeu. O tom de voz de Johnny costumava ser sempre gentil, atrapalhado e empolgado. Mas naquele momento ele só soava decepcionado. Ele sabia que ninguém confiava nele, que ninguém o levava a sério. Kris, os outros policiais, o pai de Marina, todos sempre desencorajavam seu engajamento em missões de uma forma ou de outra – alguns mais sutilmente, outros de forma cruel e ríspida. Marina sempre foi dura com ele, ela era dura com todo mundo. Ele havia ouvido seu comentário na noite em que levaram Wang para sua casa, sobre como ele deveria ter achado que Kris só o pediu para manter as luzes desligadas para economizar energia. Ouviu esse comentário e muitos outros, mas ele sempre dizia a si mesmo que ela falava esse tipo de coisa quando estava nervosa, que explodia, mas que não era por mal. Que ela falava da boca pra fora. Ele sentia que ela o apoiava, muitas vezes. Que ela o ajudava a crescer, com suas explicações que ele sempre anotava, com sua ajuda durante seus reportes. Mas no final das contas, talvez sua aspereza não fosse só uma forma de humor negro para aliviar o estresse, e sim  o que ela pensava de verdade. Talvez ela também fizesse piadas sobre seu desempenho por suas costas, também pensasse que ele jamais conseguiria ser como seu pai, seu tio, toda sua família. Talvez ela concordasse com todo mundo que achava que ele era só um mascote engraçadinho.

-Johnny, está ficando tarde, você deveria ir para casa. Seu pai deve estar...

-Sei que para os outros, para você, eu só pareço uma criança fraca, um completo imbecil, uma piada. Mas mesmo assim achei que você estava me apoiando de alguma forma, me incentivando a melhorar, disposta a me dar uma chance. A questão é que não é a primeira vez, e sei que não será a última, que você simplesmente esconde algo de mim e desconversa quando é questionada. Entendo que muitas vezes são ordens superiores, de manter a investigação restrita. Mas e agora, qual é sua desculpa? – Ele esperou uma resposta, mas ela permaneceu quieta. –Eu sempre estou aqui como seu cão de estimação, te contando tudo o que você tenta descobrir me sondando, enquanto tem a coragem de olhar em meus olhos e não me levar a sério. Sei que não sou tão esperto, tão rápido, tão forte quanto os outros, mas achei que talvez... que estava começando a ser considerado parte de algo por alguém. Creio que meus sentimentos também sejam muito patéticos para você, mas não posso deixar de dizer que de todas as vezes que fui desconsiderado por alguém, nunca me senti tão estúpido quanto me sinto quando vem de você. Quanto me sinto agora mesmo. – Disse ele, a olhando nos olhos uma última vez antes de se virar e seguir em direção a sua própria casa com as mãos nos bolsos.



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