História Backfire by the sea - Capítulo 9


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Categorias Got7
Tags Crime, Ficção, Got7, Jackson Wang, Máfia, Policial, Romance
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Palavras 2.334
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 9 - Se juntasse a uma parte do meu obscuro ser


Tinha saído para andar para que sua raiva passasse, que seu sangue esfriasse. Bom, tinha funcionado, agora só estava se sentindo extremamente envergonhada. Para ser sincera, Johnny tinha exagerado. Certo?

Um ataque emocional sem precedentes como aquele, no meio de uma situação complicada como a que estavam, não levaria ninguém a nada. É por isso que ele nunca seria bom nessa área de investigações. Não porque ele não era esperto, inteligente, esforçado... mas porque era... genuíno demais. Se doava para todos ao seu redor e via tudo com inocência e honestidade. Era incapaz de esconder seus sentimentos. Mesmo sabendo de tudo isso, sabendo que tinha apenas sido racional ao ser cuidadosa com o tipo de informação que compartilhava com ele, não podia deixar de se sentir culpada. Magoá-lo era como magoar uma criança. Ela não sabia que ele havia levado tão a sério as histórias que ela contava a ele, que havia achado que eram algum tipo de ensinamento.

A verdade é que o pouco que o ajudava era para o manter fora de perigo. Era fácil manipulá-lo, convencê-lo a fazer exatamente o que queriam que ele fizesse, sem que ele ao menos soubesse que estava sendo manipulado. Sua vontade de agradar, de se provar capaz, o cegava. Apesar de o usar de certa forma para conseguir informações, ela tinha um senso de proteção para com ele. Ela jamais poderia imaginar alguém como ele passando pelo tipo de situação que ela passava. Vendo o tipo de merda que a escória da raça humana era capaz de fazer. Tortura, assassinato, drogas, prostituição, mentiras, nada daquilo era para ele. Ele era melhor que aquilo. Ela não gostava de como ele se sentia na obrigação de ser como o resto de sua família, homens calculistas, forjados ao fogo de um mundo cruel, calejados e incapazes de confiar em alguém. Johnny era um garoto brilhante que estava sempre inventando algo novo. Se ele pudesse ao menos se dedicar à ciência, se ao menos conseguisse ver isso como uma perspectiva, tudo seria mais fácil. Mas para ele, provar sua honra e seguir os passos de seus antepassados era o único objetivo que importava.

Ela não sabia quando havia começado a se importar tanto com a integridade do garoto. Talvez fosse uma forma subconsciente que havia encontrado de se convencer de que era possível se manter bom, se manter inocente em meio ao caos. Talvez fosse uma forma de ela dizer a si mesma que para poupar e salvar pessoas como ele valia a pena se sacrificar. Talvez fosse uma forma de explicar seus pecados no final do dia e o sangue que não conseguia tirar de suas roupas. Se conseguisse mantê-lo como era, poderia conseguir acreditar nessas desculpas rasas e espantar seus fantasmas. Ela gostava de imaginar que se a vida tivesse sido diferente com ela, ela poderia ter sido como Johnny. Invejava sua falta de malícia. Haviam conhecimentos que ela preferia não ter adquirido.

Todo esse pensamento sobre inocência, perda de confiança, endurecimento de caráter, a fez pensar em como Johnny havia dito que a relação do Wang mais novo com seu pai funcionava... Talvez aquela briga toda com Johnny servisse para algo, afinal. Se o garoto era realmente considerado fraco pelo pai, que o transformou em um monstro, ela podia tentar encontrar sua personalidade antiga em algum lugar perdido e se aproveitar disso.

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Ao chegar em casa, viu seu pai sentado em uma cadeira em frente ao antiquário, lendo um livro e bebendo chá calmamente. Parecia que estava distraído, para olhares inexperientes, mas aquele era um lugar perfeitamente calculado de se estar: se Wang decidisse sair pela janela de qualquer um dos quartos, acabaria inevitavelmente ali, uma vez que as janelas pelas quais se podia sair ficavam todas de frente para a rua. A porta de saída localizada nos fundos, na cozinha, estava inacessível e escondida por um grande e pesado armário de mogno. Então só restava a porta da frente, do antiquário. Seu pai também havia preparado a casa para quando o convidado indesejado acordasse, se livrando de qualquer evidência que não queria que fosse vista pelo mesmo. Se ele decidisse se levantar e se aventurar pelos cômodos, o dono da casa com certeza ouviria os passos com seus ouvidos aguçados, mas fingiria não perceber, sentado ali fora. De qualquer forma, o garoto não acharia nada que não pudesse ver.  

-E então, como estão os seus humores? – Perguntou o pai, sem levantar a cabeça enquanto lia. Ela tinha chegado pelas sombras, e antes mesmo de pisar no jardim, ele já reconhecia sua presença.

-Modificados. Não bons, mas modificados.

-Seus humores nunca estão bons, mas creio que seja um começo.

-Encontrei com Johnny por aí. – Ela comentou, se aproximando e recostando em um pilar em frente ao pai. Permaneceu em silêncio por algum tempo, esperando alguma pergunta. Ela sempre fazia isso só para se decepcionar. Dizia algo que achava que poderia despertar curiosidade e esperava que ele ficasse inquieto, que perguntasse algo. Ela adorava causar suspense. Mas não funcionava com seu pai e ela sempre acabava perdendo o jogo. Então suspirou. –Ele fez algo enquanto estive fora?

-Fui até seu quarto ver se ele precisava de algo. Não houve nada além de uma ou outra ameaça indireta. Expliquei a ele o que aconteceu e como veio parar aqui. Não houveram maiores interações. – Explicou a história que deveria se tornar uma verdade momentânea. Ela assentiu. Mentir bem é sobre viver como se acreditasse em sua própria mentira até que ela não seja mais necessária, dizia seu pai.

-Vou me lavar e dormir. Boa noite, pai. Chame se precisar de algo.

-Boa noite.

Ela entrou no antiquário escuro e foi em direção ao segundo andar. Para acessar o lavatório, devia passar pelo próprio quarto. Pensando sobre isso, levantou a cabeça e limpou a garganta enquanto andava pelo corredor. Entrou no quarto e foi em direção ao guarda-roupas para pegar um de seus vestidos brancos que usava para dormir, fingindo não notar a atenção indesejada do homem em sua cama. Pegou a roupa e foi ao lavatório, enchendo a banheira para um banho longo. Quando ia começar a se despir, ouviu passos laboriosos pelo quarto em sua direção. Abriu a porta do lavatório em alerta, de repente. Wang estava ofegante e segurando um dos lados de seu corpo, encostado no guarda-roupas, que ficava ao lado da porta na qual ela estava. Ele olhou para ela como se estivesse irritado consigo mesmo por quase se matar só para chegar até onde estava.

-O que está fazendo fora da cama? – Ela perguntou, indo até ele e apoiando seu braço rapidamente em volta de seus próprios ombros.

-Você não veio me buscar. Não acho que seja uma serviçal muito boa. – Ela deveria mostrar para ele o tipo de serviços que costumava prestar para que calasse a boca.

-Te buscar...?

-Para o banho. – Ele disse, olhando para ela como se ela fosse extremamente lenta de raciocínio.

-Mas eu... – Então ele achava que ela estava preparando um banho para ele. Que ótimo. Ela suspirou e decidiu que seguiria o andar da carruagem, já que ele achava que ela era uma espécie de empregada que havia achado um patrão excepcionalmente caridoso para cuidar de uma criança órfã.

-Seu pai deixou algumas roupas masculinas limpas no guarda-roupa. Não foi isso que você pegou antes de vir para cá? – Nunca ninguém havia chamado seu pai de “seu pai”, tirando os poucos homens da polícia com os quais trabalhavam e que sabiam a verdade sobre os dois. Era sempre “seu... bem-feitor”, “seu patrão”, “seu guardião”, qualquer coisa do tipo, como se fosse ofensiva, a ideia de os dois serem parentes. Johnny devia estar certo sobre o fato de não existirem regras sobre paternidade legítima no mundo do crime. Pelo menos um ponto positivo.

-Mas é claro que foi. – Ela resmungou, o puxando até o banheiro consigo. Ele a surpreendeu, andando praticamente sozinho, apoiando o mínimo de peso possível em seus ombros. Aquilo realmente devia doer, mas ele não expressava. Quando chegou ao banheiro, o ajudou a sentar-se à borda da banheira. Ao se afastar, ele a olhou mais uma vez como se fosse uma idiota.

-O que foi agora?

-Pessoas com menos dinheiro realmente tem uma ideia completamente diferente do que significa servir alguém. – Respondeu, enquanto tirava a camisa. Ela arregalou os olhos e saiu rapidamente de volta para o quarto. –Como diabos eu vou tomar banho sozinho com três tiros recentes na merda do meu corpo, garota?!

-Eu... Peguei a roupa errada! Vou pegar a certa, espera aí. – Com o rosto corado como se fosse uma donzela nobre de 12 anos, foi até o guarda-roupas para pegar as roupas limpas deixadas ali e uma toalha. –Mas que pervertido de merda. – Murmurou entre os dentes. Ele estava se divertindo às suas custas? Se ele tentasse alguma gracinha, ela não estava nem aí para quem diabos ele era e quem diabos ela estava fingindo ser, ela cortaria o pênis dele fora como se fosse feito de manteiga. Pegou uma de suas adagas e a escondeu dentro da bota, só por precaução, antes de voltar ao banheiro. Tudo bem que ela já tinha visto muitos homens nus por aí e até mesmo já tinha visto mais do que deveria do corpo do próprio Wang enquanto cuidava das feridas de seu tronco, mas agora ele estava acordado e tirando a roupa perto dela por livre e espontânea vontade. Quando voltou, ele estava com seu vestido branco nas mãos, o que tinha levado para o banheiro para tomar o seu banho. Ele o observava, com um sorriso sarcástico no rosto.

-Você ia me vestir com isso? Ou talvez essa sua mente pervertida estivesse planejando um banho conjunto. – Disse, voltando seus olhos para ela, arqueando a sobrancelha.

-Definitivamente não. – Respondeu ela, colocando as roupas dele dobradas sobre a tampa do cesto de roupas sujas.

-Certo. – Ele disse, retirando suas calças sem pudor algum ainda sentado onde ela havia o deixado. Ela afastou o olhar, fingindo observar algo diligentemente nas roupas que estavam sobre o cesto. Ele se despiu completamente e entrou na banheira. Quando já estava lá dentro, com a água cheia de espuma cobrindo a parte inferior de seu corpo e boa parte do tronco, a garota levantou o olhar. Ele estava de olhos fechados, com a cabeça recostada. –Ouvi dizer que faz uma semana que não saio daquela cama.

-Sim. – Ela se aproximou e pegou uma bucha. Lá estava um dos assassinos mais cruéis já conhecidos, nu em sua banheira, de olhos fechados, parecendo a pessoa mais inofensiva do mundo. Marina molhou a bucha e esfregou o sabonete contra a mesma para produzir alguma espuma. Logo em seguida, começou a passa-la com cuidado pelos ombros do imbecil. Ele suspirou sob suas mãos, ainda de olhos fechados.

Durante os próximos minutos tudo o que se pôde ouvir foi o barulho do movimento da água e da bucha sendo esfregada contra pele humana. Ela se mantinha tensa, esperando qualquer comportamento estranho, mas ele nem ao menos abriu os olhos. Mesmo que se esforçasse para manter seu tronco limpo para não haver infecções em seus ferimentos, não era o mesmo que um banho de verdade e logo a água se tornou levemente mais escura pela poeira e suor de uma semana. Ela também lavou seus cabelos, que estavam desgrenhados e oleosos. Ao terminar seu trabalho, pegou a toalha. Quando tirou suas mãos de Wang, ele abriu os olhos.

-Vou ficar aqui por mais alguns momentos. A água ainda está morna. – Ela olhou para ele com vontade de o afogar. Tudo o que ela queria era tomar um banho quente naquele momento.

-Como quiser. Estarei no quarto, aguardando. – Ele não respondeu, apenas voltou a fechar os olhos. Ela se dirigiu ao quarto e se sentou na própria cama, que não era mais dela por sabe-se Deus quanto tempo, e pegou um dos livros da estante eu ficava próxima de si. Leu durante algum tempo e então...

E então a luz do sol a acordou.

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Depois de algum tempo na banheira, começou a sentir arrepios pelo corpo. A água tinha esfriado e era hora de sair. Ele podia fazer aquilo sozinho, sem perder sua honra chamando a garota mais uma vez. Assim sendo, retirou a tampa do ralo e se levantou com mais dificuldade do que gostaria de admitir. Se enxugou com a toalha limpa trazida para si, e sua visão se obscureceu por um momento, fazendo com que se recostasse na parede de olhos fechados antes de começar a se vestir. Mesmo antes de qualquer perda de sangue causada pelos tiros, - que após uma semana já havia sido reposta por seu próprio corpo, sem sombra de dúvidas - algo que ninguém podia saber era o quão fraco seu sangue era. Sua saúde não era das melhores. Não era um acontecimento raro para ele sentir tonturas, que remediava com vitaminas específicas. Após se vestir por completo, foi andando até o quarto sentindo os ferimentos de bala se repuxarem a cada passo, até mesmo a maldita ferida da nuca. Quando chegou ao quarto, avistou uma Marina mais que apagada na cama, com um livro sobre a barriga, ainda meio sentada. Ele se aproximou dela e se sentou na cama, devido a fraqueza e a dor, para pensar em como proceder. Poderia simplesmente a acordar. Com toda certeza não conseguiria movê-la da cama na situação atual de seu corpo. Também não queria dormir no chão estando completamente fodido de tronco, de ombro, de tudo. Lembrou-se de seus objetivos. E então, suspirando, olhou para a garota que ainda estava de botas e tudo. Tirou uma delas e encontrou algo que já esperava encontrar. Sentiu um misto de decepção e satisfação ao ver que Marina carregava uma adaga dentro de sua bota, por medo de qualquer ação sua. Decidiu voltar a bota para onde estava e fingir que nunca tinha visto a arma. E então, novamente com muito esforço, deitou-se ao chão, na cama improvisada de sua cuidadora.



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