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História Backstage - Capítulo 17


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Notas do Autor


oi :D tudo bem com vcs?

depois de ter dado essa fic como incompleta 250 mil vezes, cá estou eu de novo. vcs devem querer me matar, eu sei. mas eu vou explicar.
tá chegando o mclennon day né (06/07) e eu tenho dois capítulos dessa fic escondidos aqui. o próximo está bem legal e emocionante, então pensei que seria interessante postar ele pra homenagear o casal mais lindo do brasil e tbm encerrar essa fic. vai ficar muita coisa sem explicação sim, tinha mais um monte de coisa pra acontecer, mas eu n vou mais escrever mesmo, então melhor dar um ponto final definitivo. postarei esse hoje e o próximo semana que vem, no mclennon day ;)

eh isto espero que, quem ainda tiver a coragem de ler isso, que goste kshdksjd coloquei um trecho do capítulo anterior no início pra se, caso vcs n lembrem o que tava rolando, refrescar a memória. boa leitura galero o/

Capítulo 17 - 16. Dá o endereço agora!


Anteriormente

 

A Asher queria ter certeza que não estava sonhando.

Ela começou a empurrar a porta bem devagar, tentando não fazer nenhum ruído. Mas para sua sorte, ou completo azar, não precisou de muito, já que logo a visão estava bem clara para ela. Paul, o mesmo Paul de quem ela foi noiva durante anos, o mesmo pelo qual se apaixonou, de joelhos em frente a um homem que ela nunca tinha visto. Paul estava chupando o pau daquele cara sem o menor pudor, como se já fosse extremamente acostumado a isso, ao mesmo tempo que uma mão sua estava dentro de sua própria calça, massageando o próprio pênis, sentindo tesão com aquilo. O homem desconhecido gemia razoavelmente alto e dizia umas putarias que faziam Jane querer vomitar. A vontade de chorar tomou conta dela, bem como a raiva. Sentiu-se suja por ter se entregado para aquele maldito pederasta, bem mais de uma vez. Paul não era quem ela pensava, nunca foi. Aquilo explicava muita coisa.

Sentiu vontade de gritar.

─ MAS QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO AQUI?! ─ ela deixou a vontade de gritar tomar conta dela, ao mesmo tempo que escancarou a porta. Paul imediatamente largou o pau do cara e se sentou no chão, olhando com os olhos arregalados para a porta, bem como o homem, que nem se deu o trabalho de botar o pinto pra dentro da roupa de novo. Um silêncio tomou conta do ambiente, Jane só podia ouvir sua própria respiração.

E Paul nem sabia o que pensar. Estava simplesmente arruinado.

─ J-Jane?!

 

 

Paul quis muito ter uma arma naquele instante para poder dar um tiro na própria cabeça e morrer de vez. Ou quem sabe cavar um buraco e se enterrar vivo, se bem que essa seria uma morte muito dolorida, preferia algo que o levasse de uma vez. Não estava entendendo nada do que acontecia ali, há dois segundos estava tudo bem, chupando o pau de Pete e achando aquilo bom, ouvindo seus gemidos prazerosos e se deliciando com isso. E agora, estava sentado no chão, com Jane na porta o encarando com os olhos azuis arregalados e cheios de lágrimas, e mais branca do que de costume, a pressão da garota devia ter caído. E em pé, encostado a parede, estava Pete, que também não tinha nenhuma reação, nem erguer as calças ainda ele havia feito. Paul estava tão assustado que sua ficha não tinha caído, não tinha entendido que sim, Jane havia o pego chupando um cara, e isso poderia significar o fim de sua vida. Seu coração estava acelerado, bem como sua respiração, mas era pelo susto mesmo. O quarto ficou em silêncio por cerca de um minuto desde o berro de Jane.

─ Então era por isso que você tinha nojo de mim? Você é a porra de uma maricas?! ─ Jane finalmente voltou a falar. O McCartney engoliu seco, não sabia o que responder, o que falar, o que fazer. Parecia que havia perdido a capacidade de raciocinar. A falta de resposta dele irritou Jane. ─ ME RESPONDE, CARALHO!! ─ ela gritou. Paul fechou os olhos por dois segundos, sua ficha estava caindo aos poucos.

─ Jane, por favor, fica calma... ─ ele tentou iniciar uma conversa civilizada. Mas Jane não estava nem um pouco a fim de falar calmamente com ele, ela queria explodir.

─ Calma?! Como é que você quer que eu fiquei calma?! Eu venho aqui pra tentar falar contigo, e o que eu encontro? Você mamando um cara?! ─ a ruiva olhou com nojo para Pete, que já tinha perdido todo o tesão, seu pênis estava flácido. A garota o encarou de cima a baixo. ─ Enfia esse pau pra dentro da calça antes que eu corte fora!! ─ Pete, sem entender direito que merda estava acontecendo, só fez o que a mulher mandou, erguendo suas roupas. Então, Jane voltou a olhar Paul, com a mesma expressão enojada. ─ Como foi que eu nunca suspeitei antes? ─ falou, questionando a si mesma, e então saiu, repentinamente e sem falar mais nada. Ela provavelmente iria embora, mas Paul não podia deixar que ela se fosse, não sem antes conversarem direito. Ele se ergueu do chão e correu atrás de Jane, ela já estava na sala quando ele conseguiu segurar seu braço, mas ela o tomou para si, não o deixando tocá-la. ─ NÃO ENCOSTA EM MIM, SEU DOENTE DO CARALHO!

─ Porra, Jane, será que você poderia me ouvir?! ─ tentou falar, mas ela aparentemente não estava para conversa. Ficou de frente para ele, enfrentando-o.

─ Ouvir o que, hein? Que o que eu vi foi um engano?! Que você não estava chupando um pinto? Que você não é gay, Paul McCartney?! ─ ela o perguntava, e Paul simplesmente ficou sem saber o que dizer. Ele queria que ela o escutasse, mas sinceramente, o que poderia dizer? Não havia desculpas, não tinha como mentir. Jane tinha descoberto tudo, e ele teria que lidar com isso. ─ Você tinha razão, sabia? Quando disse que eu iria descobrir que eu não te amo. Pois é, eu descobri. Pois o Paul que eu amava era um homem de verdade, um homem que me levava a loucura quando transava comigo, um homem que gostava de mulheres! Como é que você fazia para transar comigo, hein? Imaginava um cara enfiando um cabo de vassoura nesse teu rabo?! Porque acho que só assim pra você ter algum tesão, certo? ─ ela falava tudo com um deboche enorme, e Paul não se aguentou de ouvir aquelas palavras, não aguentou tanta humilhação.

─ CALA A BOCA, SUA VADIA!! ─ virou as costas de sua mão no rosto de Jane com uma força que não deveria, expressando toda sua raiva. Aquilo machucou a frágil mulher imediatamente, Paul era mais forte do que ela, apesar de tudo. Quando ela voltou a encará-lo, sua boca sangrava, enquanto ele tinha lágrimas nos olhos. Porém, a Asher não se sensibilizou nem um pouco, ainda mais depois deste tapa. Paul iria pagar muito caro por tudo o que a fez passar. A respiração do McCartney estava extremamente acelerada, e tremia por inteiro. A ruiva riu.

─ Além de ser acusado de ser um pederasta filho da puta que transa com homens, você quer ser acusado de agressão, Paulie? Quer ir pra cadeia por bater numa mulher? Se bem que há um ano você iria preso de qualquer jeito por dar o rabo.

─ Eu mandei você ficar calada. ─ Paul voltou a dizer entre os dentes. E agora que o susto tinha passado, Jane estava achando aquilo tudo muito divertido.

─ Você me paga, McCartney. ─ ela chegou mais perto dele. ─ Pode ter certeza, você e Brian vão me pagar por terem me feito passar por essa situação. Agora tudo faz sentido, era por isso que Brian queria tanto esse namoro de fachada de nós dois. Aposto que é outra bicha também. ─ Paul apertava suas mãos para não bater mais em Jane, e continuava tremendo muito. Estava com tanto ódio que sequer sabia descrever. ─ Agora eu vou pra casa lavar minha buceta com água sanitária, pra desinfetá-la desse teu pau nojento. E amanhã, eu te juro que tua casa vai cair! ─ a garota disse as últimas palavras cutucando o peito de Paul, e então saiu, virando-se de modo a jogar seu cabelo contra o rosto dele. Ela saiu pela porta, batendo-a fortemente. Paul fechou os olhos com o barulho.

Neste mesmo momento, ele sentiu uma mão tocar-lhe o ombro e o apertar de leve. Sabia que era Pete, por isso sequer se deu o trabalho de abrir os olhos. Este era outro que Paul queria mais era que fosse pro inferno.

─ Ei, cara... ─ Pete ia dizer alguma coisa, mas depois dessa, Paul não queria ouvir mais nada. Só apertou mais os olhos.

─ Por favor, vai embora. Não fala nada, e tira essa mão de mim. Quando eu abrir os olhos eu não quero mais ver sombra tua na minha casa. ─ foi o que conseguiu dizer. Pete então engoliu seco e só fez o que lhe foi ordenado, tirando a mão do McCartney e seguindo para a porta, e quando Paul escutou novamente a porta se fechar, mas dessa vez devagar, tudo caiu como uma bomba sobre ele.

Gritou. Um grito alto, vindo do fundo de seu âmago, ao mesmo tempo que puxou seus próprios cabelos. Assim que parou de gritar, abriu os olhos e pegou o primeiro objeto de vidro que viu naquela sala, o jogando contra a parede. E depois outro, e mais outro, todos na mesma direção, sua sala estava ficando uma enorme bagunça, mas nada mais daquilo importava. Martha, assustada, foi se esconder no quarto do dono, enquanto este continuava a destruir a própria casa. Uma pessoa então entrou pela porta, quase sendo acertado na cabeça por um vaso, ainda bem que seu reflexo tinha sido rápido e ele conseguiu desviar. George não estava entendendo nada do que via, logo do jardim já pôde ouvir que um barraco estava rolando, mas não imaginava que era Paul sozinho fazendo aquela algazarra toda.

─ Que merda é essa que tá acontecendo aqui?! ─ o Harrison perguntou. Paul estava pronto para jogar mais um objeto na direção de George, mas parou, ofegante. Largou o objeto no chão e foi se sentar no sofá, apoiando os cotovelos nos joelhos e as mãos na sua testa, massageando suas têmporas. Precisava se acalmar. ─ Pelo amor de Krishna, Paul. Dá pra ouvir lá de fora você quebrando a casa! O que foi que aconteceu aqui?! ─ o mais novo caminhou até o melhor amigo, se sentando do seu lado e segurando seus ombros.

─ A Jane descobriu tudo, George. ─ a voz de Paul saiu embargada. Agora que tinha conseguido se acalmar um pouco e a raiva do momento anterior passou, sentiu vontade de chorar. A ficha tinha caído como uma bomba para ele. Jane descobriu seu segredo e muito provavelmente amanhã mesmo essa seria a grande notícia dos jornais. Ele não sabia o que fazer.

─ Tudo...? ─ George não entendeu de imediato do que ele estava falando. Tinha tanta coisa que Paul escondia de Jane. O McCartney tirou as mãos de suas têmporas e entrelaçou os dedos, olhando para seu amigo.

─ Tudo. Você sabe do que estou falando. ─ sim, agora George sabia do que Paul estava falando, e seus olhos castanhos ficaram do tamanho de pratos.

─ Ai não. ─ o lábio de Paul tremeu. Se um minuto atrás estava completamente surtado destruindo a própria sala, agora ele iria desabar em choro. Sua vida era um inferno, ou pelo menos era o que tinha se tornado nos últimos tempos. ─ Céus, Paulie. Como isso foi acontecer?

─ Eu não quero falar dos detalhes. Me abraça, por favor. ─ Paul se agarrou a George como uma criança se agarrava à mãe, e começou a chorar. Harrison ainda estava meio perdido, queria entender melhor o que estava acontecendo, como Jane foi descobrir aquilo, Paul sempre foi tão bom em esconder... Mas fez o que ele lhe pediu, abraçou-o de volta enquanto ele soluçava e molhava toda sua camisa na região dos ombros com suas lágrimas. Fez carinho no cabelo do amigo, e o deixou chorar o quanto quisesse, despejar toda sua dor.

As coisas não seriam nada fáceis agora.

─ Eu tô pouco me fodendo pra você e o Paul. Eu vou contar tudo sim e tomara que vocês explodam!

Brian olhava fixamente para Jane de sua cadeira giratória, ambos estavam trancados na sala deles. O empresário comia as próprias unhas e se perguntava como foi que aquilo aconteceu.

Eram mais ou menos dez da manhã. O Epstein estava pronto para mais um dia normal de trabalho, pensando que novamente teria que dar um esporro em Paul por ele estar atrasado mais uma vez. Brian sinceramente já tinha desistido de lançar o álbum novo de Paul naquele ano, já que o rapaz estava a fim de tudo, menos de se empenhar em seu disco. Entretanto, logo que chegou ao Abbey Road e entrou em sua sala, viu Jane plantada ali, aparentemente o aguardava há bastante tempo. Estranhou encontrar a moça ali tão cedo, e bem, ela estava com uma cara de pouquíssimos amigos, e logo que começaram a conversar, ela jogou em sua cara que descobriu tudo o que eles escondiam dela, que Paul era gay e o caralho a quatro. Ele sequer tinha conseguido processar as informações direito, e somente se perguntava como Paul pôde ser burro ao ponto de dar uma brecha dessas. Se bem que Brian estava ligeiro, sabia que, depois que os dois terminaram, era questão de tempo até Jane descobrir por que Paul resolveu terminar com ela. Deus, Brian havia cuidado tanto pra que isso não acontecesse... Parecia que, ao invés do McCartney tomar vergonha na cara e voltar a ser aquele músico produtivo que era antes, aquela muralha que não se abalava com nada, ele cada dia que passava jogava mais merda no ventilador. E Brian, como empresário do infeliz, era obrigado a concertar todas as cagadas que o desgraçado fazia. E dessa vez Paul tinha conseguido se superar.

─ Calma, Jane. O que exatamente você viu? ─ indagou o homem, parando de roer as unhas para apoiar os cotovelos na mesa e entrelaçar os dedos. A ruiva suspirou, lembrando daquela cena repulsiva da noite anterior.

─ Eu fui na casa dele ontem de madrugada. Eu sabia que Paul mandou os seguranças me proibirem de entrar, mas o segurança da noite estava praticamente dormindo e eu acabei entrando sem grandes problemas. ─ ela começou a contar. ─ Me bateu uma saudade, sabe? De quando eu achei que ele era homem? Mas aí eu chego no quarto dele e encontro ele mamando um cara que eu nunca vi na vida. ─ a ruiva falava tudo com um tom de deboche e nojo imenso. Brian não mudou sua expressão, ficou do mesmo jeito, mas em sua cabeça, queria matar Paul. Sério que ele era burro ao ponto de levar os amantes para dentro de casa? Ele não devia estar nem aí para mais nada mesmo. ─ Vai me dizer que isso não é coisa de bicha? Não sabia que homens heterossexuais gostavam de pintos! E além disso, eu escutei o cara que tava com ele dizer que ia foder o Paul até ele esquecer o próprio nome enquanto era chupado... ─ sua cara tomou uma expressão de completo nojo. ─ Céus, tenho náuseas só de pensar!

Brian suspirou enquanto encarava os olhos azuis de Jane. É, realmente não havia como defender Paul nesse caso. Tentava pensar em algo para dizer, esperava que algo viesse à sua mente para convencer Jane a não fazer uma loucura. Mas realmente não lhe vinha ideia alguma. Por fim, respirou fundo e voltou a encostar as costas na cadeira, olhando o chão.

─ Olha, Asher, eu entendo que você esteja puta, ok? ─ falou, antes de voltar a encará-la. Jane franziu o cenho, indignada com a tranquilidade de Brian.

─ Puta?! Eu não estou simplesmente puta, eu estou me sentindo uma idiota! ─ a garota falou praticamente gritando. ─ Faz quase quatro anos que eu estou com o Paul, quatro anos que vocês dois me fazem de palhaça pelas costas! Eu não vou mais aceitar isso!! ─ ela dizia em um tom que qualquer pessoa de fora seria capaz de ouvir. Brian apenas torcia para que ninguém tivesse passando perto de sua porta agora, ou escutaria todo aquele escândalo.

─ E o que você está pensando em fazer, hein?! ─ o Epstein também aumentou o tom de voz, estava começando a se irritar com aquela garota insuportável berrando em sua sala. ─ Vai chamar a imprensa toda e contar que o Paul é gay?! Já parou pra pensar que vão te questionar se você sabia disso o tempo todo, e você ficará com imagem de corna mansa? ─ não, Jane não tinha pensado nisso. Mas sinceramente, não se importava. Se isso significasse a desgraça na vida de Paul, ela não ligava de ficar conhecida como corna. ─ Presta atenção no que você vai fazer, garota! Pensa na sua imagem também, cacete! ─ e a sala ficou em silêncio com isso. Brian começou a sentir um pouco de alívio, achando que tinha convencido a ruiva a ficar de bico calado. Porém, logo em seguida, ela começou a rir.

─ Eu to pouco me fodendo pra minha imagem, se for pra destruir vocês dois. ─ ela respondeu, fria e debochada. Brian segurou a respiração. Jane apoiou as duas mãos na mesa do empresário e se aproximou mais dele. ─ Eu não vou perdoar o que vocês fizeram comigo. Gente como vocês me causa nojo, e saber que eu dormi na mesma cama que alguém assim durante esse tempo todo, que eu... ─ pensar nisso fez um refluxo voltar na garganta de Jane, que o engoliu. ─ Transei com uma pessoa dessas todos esses anos, me deixa com repulsa de mim mesma. Vocês acabaram com a minha vida, e eu vou acabar com a vida de vocês!

Sem mais nada para dizer, Jane simplesmente pegou sua bolsa que estava sobre a cadeira onde ficou sentada esperando por Brian e saiu, deixando um clima gelado no ar. O Epstein ficou um tempo somente olhando para o vazio, antes de se levantar e utilizar o antebraço de um de seus braços para derrubar tudo o que estava sobre sua mesa, num ato de raiva. Ele não sabia o que fazer para resolver aquela situação... Será que se desse um dinheiro pra Jane sumir e não falar nada, ela iria concordar? Talvez não. Nunca tinha visto aquela garota tão determinada.

O cerco estava se fechando, e ele sentia que estava sozinho nessa.

Eram quase onze da noite quando John ouviu sua campainha tocar. Ele havia acabado de sair do banho, não tinha sequer vestido roupas ainda, e pensou em não atender. Porém, a insistência da pessoa do lado de fora foi tanta ─ ela não tirava o dedo do botão da campainha ─ que ele resolveu ir ver o que estava acontecendo. Levantou da cama, vestiu uma cueca e foi até a porta, abrindo-a com desinteresse. Entretanto, as pessoas que estavam ali o deixou bem confuso, fazendo-o prender a respiração.

Era Ringo. Até aí tudo bem, seu melhor amigo sempre aparecia do nada em sua casa, ainda mais nesses horários nada a ver. Mas ele não tinha vindo sozinho desta vez, estava acompanhado de uma pessoa que John conhecia, só não se lembrava de onde. E bem, os dois estavam aparentemente muito aflitos, e isso só deixou Lennon mais apreensivo. Tentava se lembrar do nome do cara ao lado de Richard, mas por enquanto tinha falhado.

─ Boa noite? ─ John falou, ainda sem entender nada. ─ O que está fazendo aqui essa hora, Ringo? E por que trouxe esse cara? ─ disse encarando o outro de bigodes. John tinha mesmo uma memória de peixe, não conseguia se lembrar de onde conhecia o amigo de Ringo.

─ Erm, John... ─ Ringo coçou a nuca. ─ Você e George já se conhecem, não é? ─ como uma luz se acendendo em seu cérebro, Lennon conseguiu se lembrar do esquisitão acompanhando o amigo. Sim, era George o nome dele, havia o visto no Abbey Road no dia que foi até lá junto do Starkey. Não se recordava de ter trocado duas palavras com esse cara.

─ Sim, sim... Eu te vi no Abbey Road, certo? Naquele dia que o Ringo se perdeu por lá? ─ George riu ao se lembrar do dia que viu Ringo pela primeira vez. Parecia que já fazia tanto tempo, Ringo e ele tinham se tornado tão próximos nesses últimos meses. Mas não era por Ringo que estava ali agora. Tinha o chamado para o ajudar com uma coisa.

─ Pois é, John. ─ falou o nome do quase ruivo, mostrando que se lembrava dele. ─ E bem, eu pedi pra Ringo me trazer até aqui porque preciso da sua ajuda! ─ Lennon franziu o cenho. Sua ajuda? Mas por que, se mal se conheciam? Imediatamente pensou em Paul, e seu coração falhou uma batida.

─ Da minha ajuda? ─ indagou.

─ Será que podemos entrar, John? ─ perguntou Ringo. ─ Pelo o que Geo estava me contando, a situação é bem séria, e acho que só você pode resolver!

John engoliu seco. Ainda pensando em Paul, e torcendo para realmente não ser nada com ele, já que sabia como ele estava mal nos últimos tempos, ele deixou os dois entrarem, um tanto quanto aflito. George e Ringo nem fizeram questão de se sentar ou coisa assim, era muito rápido o que o Harrison tinha a dizer. Esperava muito que seu plano funcionasse, estava muito preocupado, e sabia que John era quem tinha o poder de fazer aquilo mudar. Paul estava precisando de ajuda, e George jamais viraria as costas para seu melhor amigo. Lennon fechou a porta, ficando novamente de frente para os dois.

─ Muito bem. Sou todo ouvidos! ─ o ruivo disse.

George não fez grandes cerimônias antes de começar a falar. Apenas encarou Ringo por dois segundos, e começou a despejar tudo na cara de John. Contou tudo, desde o que tinha visto na última madrugada quando chegou em casa e viu Paul praticamente destruindo a sala, depois a notícia e, por fim, a decisão que o McCartney tinha tomado para fugir daquilo tudo, já que ele estava sem a mínima coragem de encarar qualquer pessoa que fosse, ou pior, a imprensa quando essa mensagem chegasse até eles, já que Jane deixou bem claro que ia tacar o foda-se e falar tudo e mais um pouco. A cada palavra que George falava, John ficava mais perplexo, abismado e preocupado. Ele não acreditava que um dia as coisas chegariam naquele ponto, para ele Paul nunca daria qualquer brecha para descobrirem seu segredo. Mas tinham descoberto, e agora Lennon só queria ir até Paul e abraça-lo, assim como dize-lo que permaneceria do seu lado, não importando o que acontecesse. Assim que Harrison terminou de falar, John deu um longo suspiro, e massageou as têmporas. Não sabia o que dizer.

─ Então ele simplesmente se escondeu para não precisar lidar com as consequências? ─ John indagou, vendo George dar os ombros. Sorriu sarcástico. ─ É bem a cara dele fazer isso... ─ mais um suspiro. John estava apavorado, sim, mas também sem reação. Só queria ver Paul. ─ Mas então, o que vocês querem que eu faça quanto a isso?

─ Vá atrás dele. ─ agora foi Ringo que falou, e John piscou um par de vezes. ─ Vocês se amam, John. Só você pode ajudar o Paul agora, o dar coragem para enfrentar tudo isso! ─ o ruivo ficou encarando os dois, principalmente George, queria saber o que ele achava disso tudo. E o Harrison parecia concordar com o baixinho. John deu risada da situação.

─ Claro, vocês querem que eu vá atrás dele, sendo que eu não faço a mínima ideia de que buraco ele tenha se enfiado! ─ afirmou um tanto quanto irritado. Porém, ele esqueceu que George era a pessoa que Paul mais confiava no mundo. Era óbvio que ele sabia onde o melhor amigo estava.

─ Paul está na Escócia, John. ─ o acobreado novamente piscou um par de vezes. Escócia? ─ Não sei se você sabe, mas Paul tem uma fazenda lá. Ele nunca divulgou pra mídia que tem essa propriedade, justamente porque ele gosta de ficar em paz ali. É pra lá que ele vai quando está mal. Eu posso te passar o endereço. ─ John prendeu a respiração. É, as coisas mudaram de figura. Agora ele sabia onde Paul estava. Respirou fundo.

Seria um saco achar essa fazenda, mas ele iria achar, nem que tivesse que ir até o fim do mundo. E Paul iria recebe-lo na marra, nem que essa seja a última coisa que John faça.

─ Dá a porra do endereço agora! ─ foi só o que John disse, arrancando um suspiro de alívio de George. Harrison sabia que era uma ideia arriscada, mas nada seria melhor para Paul do que aquilo.

John acreditava ter andado um dia inteiro. Logo que soube que Paul estava na Escócia, ele já fez uma pequena mala e partiu, era rápido chegar ao país vizinho de trem. Porém, o problema estava logo depois de chegar. A Escócia tinha diversas fazendas e campos, achar a de Paul naquele meio seria uma tarefa difícil, mesmo com o endereço fornecido por George. Endereços de propriedades rurais nunca eram cem por cento exatos. Na verdade, John achou mais pelo nome do que pelo endereço, foi perguntando para as pessoas que viviam ao redor até que enfim estava na porta. Olhou para a fachada e respirou fundo, sentindo-se cansado.

“Penny Lane”. Esse era o nome da fazenda. Nunca tinha escutado esse nome antes, não sabia de onde Paul tirara inspiração para tal. E bem, se ele queria que aquele lugar fosse isolado, não faria sentido colocar um nome que todos soubessem fazer referência a ele. Mas enfim, o problema aqui era que os muros da fachada eram muito altos, e não tinha uma campainha sequer, nada para chamar quem estava lá dentro. Paul realmente gostava de se esconder ali. Mas isso não ia impedir John, não depois de ele andar tanto. Precisava ver a cara do McCartney agora.

O rapaz então simplesmente foi se apoiando nos tijolos do muro, e com isso foi subindo. Aquilo deveria ter pelo menos três metros, John era completamente maluco de tentar subir, mas não iria desistir. Quando estava quase no final, achou que fosse escorregar, mas conseguiu agarrar sua mão no final do muro e subiu, então se sentando ali com as pernas abertas, uma de cada lado da parede. Ofegou, se sentindo cansado, e então olhou para dentro da fazenda de Paul. Ficou tão encantado com aquilo que sorriu.

Ainda tinha um caminho para andar até chegar na casa. Ao redor, havia uma grama não tão alta, aonde caminhavam alguns animaizinhos, cabritos e galinhas. Havia também flores espalhadas por todos os lados. Dava pra se perceber que aquele era apenas um pedaço da fazenda, que havia um pedaço de terra muito maior atrás da casa. Só esperava que Paul não tivesse se emaranhado pelo meio do mato para realmente não ser encontrado por ninguém.

John analisou a altura que tinha que pular até o chão e engoliu seco. Teve um leve medo de se machucar, mas fechou os olhos e se jogou, e caiu deitado sobre a grama, batendo as costas e grunhindo com isso. Os animais ali próximos tomaram um grande susto com aquilo e saíram correndo para longe, e o ruivo se levantou logo, limpando a roupa e seguindo até a casa, caminhando a passos rápidos para chegar logo de uma vez. E conforme mais se aproximava da casa, mais forte seu coração batia. Aonde Paul poderia estar?

E foi quando John estava próximo à escadinha que dava para a porta da casa, Paul surgiu de trás dela, com uma roupa que John nunca tinha visto antes, umas vestes um tanto quanto velhas; e Lennon percebeu também na mesma hora que o McCartney tinha criado uma barba expressiva e seu cabelo estava maior. Mesmo que tivessem se falado há última vez há alguns meses, ainda se viam quase todos os dias no estúdio, e John não havia reparado em como ele se descuidou nesse tempo. O ruivo prendeu a respiração, bem como o mais novo, que havia escutado um som de algo caindo no seu quintal e foi ver o que era, e não, Paul não esperava que fosse um invasor. Ainda mais aquele invasor. Paul engoliu seco, aquilo era um tanto quanto assustador. Como raios ele tinha o encontrado ali?

─ J-Johnny? ─ indagou, gaguejando um pouco, não estava entendendo nada. Os dois estavam muito confusos.

─ Macca. ─ o ruivo respondeu, no mesmo tom baixo de voz.

Eles tinham muito o que conversar.


Notas Finais


hmmmm q q será que vai rolar nesse mato hein


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