História Bad at Love - Capítulo 3


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Categorias The Flash
Personagens Barry Allen (Flash), Cisco Ramon (Vibro), Dra. Caitlin Snow (Nevasca / Killer Frost)
Visualizações 54
Palavras 4.986
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - A destinada Daphne Silver


Fanfic / Fanfiction Bad at Love - Capítulo 3 - A destinada Daphne Silver

“Eu não estou bravo por você não me querer. Eu só estou preso aqui imaginando, eu quero saber.” - Strip no more, Lukas Graham

Cisco não o viu até entrar no bar, ele parou alguns metros atrás de Barry pensando seriamente no que fazer. Fazia quase quatro dias desde o encontro com Joan, e ele ainda conseguia se sentir culpado por ter levado uma freira ao bar, mas obviamente aquilo era culpa de Barry. Cisco sabia que era uma vingança contra o dia em que ele havia invadido seu apartamento interrompendo seu coito.

Havia muitas coisas que poderia fazer para se vingar de Barry, mas naquele momento a única coisa que ele queria era bater nele, com força. Tomou impulso antes de correr até ele e pular em suas costas o derrubando no chão, Caitlin por centímetros não foi pega também.

-Cisco! - Barry o empurrou tentando se levantar, mas Cisco o puxou novamente e envolveu o braço ao redor do pescoço dele.

-Seu filho de uma puta! Seu miserável! - gritou apertando ainda mais o braço, Barry tentava bater nele para se livrar do aperto. Cisco agradeceu por ser pequeno. - Eu vou pro inferno, mas te levo junto!

-Não… exagera. - Barry pediu, embora aquelas palavras saísse mais como monossílabas “nã… ex… ra.”.

-Cisco, não seja infantil. - Caitlin pediu já sentada na mesa de costume que eles sempre ocupavam. Ela estava pouco se importando se Barry iria morrer ou não. Bela esposa que seu amigo havia encontrado. - Foi apenas uma brincadeira.

-Eu trouxe uma freira ao bar! - berrou finalmente soltando-o.  Barry ofegou sem fôlego, Cisco riu do desespero dele e por se sentir finalmente vitorioso, mas então parou assim que Barry o atingiu no estômago com um soco. Se curvou para frente sentindo a vista turva e a dor se instalar pelo seu corpo.

-Se você não pararem com isso terei que chamar a segurança. - Cisco ergueu os olhos encarando Gypsy, ou pelo menos a imagem borrada dela.

-Deixa eles, Gypsy. São apenas crianças que ainda não cresceram. - Caitlin disse. - Homens são idiotas.

-Eu sei. - Gypsy afirmou apontando para a própria blusa. Cisco conseguiu identificar as palavras “man's” e “stupid”, mas o resto se perdeu já que ele estava evitando olhar para os peitos dela. Não queria levar uma segunda bronca em menos de uma semana. - Agora levantem daí.

Cisco se levantou se apoiando na cadeira vazia de uma das mesas, então estendeu a mão para Barry que aceitou.

-Você é um idiota. - murmurou caminhando até a mesa. A barriga ainda doía pelo soco de Barry.

-Você nos interrompeu tantas vezes que eu achei justa uma pequena vingança. - Barry disse massageando o pescoço. - E onde você aprendeu essa chave de braço? Quase não consegui sair.

-Sério que essa é sua melhor vingança? Por favor Barry, você já fez coisas melhores do que essa. - falou já pegando um dos palitos de queijo que tinham na cesta em cima da mesa. - Você vai pro inferno por deixar uma freira ir para um bar.

-Não foi grande coisa, Cisco. - Caitlin deu de ombros, ele sabia que ela só estava fingindo não se importar porque já havia brigado com Barry sobre aquilo.

-Ela faz parte das irmãs da Caridade.

Caitlin arregalou os olhos. Ela conhecia muito bem aquela congregação, sua tia-avó fez parte dela até morrer. Caitlin sabia o quão rígidas elas podiam ser.

-Porra. Vocês não vão mesmo para o céu. - ela afirmou. - Vão ser recebidos com festa pelo diabo.

Cisco passou a mão pelo cabelo tentando manter a calma, estava muito tentado a ir a um padre e confessar seus pecados, não que acreditasse muito no céu ou inferno, era uma cientista, um engenheiro físico, sabia muito que esses lugares nunca poderiam existir de verdade, mas havia sido criado por católicos e estava levemente tentando a acreditar que talvez existisse sim outro plano para onde as almas iam, como em “The Good Place”, o lugar bom e o lugar ruim. Bem, contando com os últimos acontecimentos, talvez ele não fosse para o bom lugar.

Tentou desviar a atenção dos pensamentos sombrios e focou Gypsy que se aproximava deles com uma bandeja com bebidas, ela então as deixou em cima da mesa.

-Mas ainda nem fizemos os pedidos. - disse, ela deu de ombros.  

-É sexta-feira, vocês sempre pedem bebidas que começam com “C”, Cuba Livre para você, Cosmopolitan para Caitlin e uma cerveja hipster para Barry. Volto daqui a pouco com o chips picantes.

Cisco sorriu surpreso com a boa memória dela e a seguiu com o olhar até ela desaparecer atrás do balcão e do paredão de pessoas que se formou implorando por cerveja barata que estava em promoção.

-Então como foi o encontro? - Caitlin indagou pegando alguns palitinhos de queijo e os mordendo apenas com os dentes da frente, como um esquilo, aquilo fez um barulho irritante.

-Foi bem. Pedi desculpa por tudo o que fiz, acho que foi um bom começo. - disse. - Mas então ela disse que a culpa era minha dela ter decidido entrar para o convento, porém depois que a raiva passou ela percebeu que havia feito a escolha certa em seguir Deus e ajudar as pessoas, então não acabou sendo ruim. Não é?

Caitlin e Barry se entreolharam antes de cair na gargalhada, Cisco revirou os olhos, mas parou no meio do ato, aquilo era uma mania ridícula que ainda lhe causaria problema com sua mãe. Lupita Ramon sempre dizia que revirar os olhos deixava a pessoa vesga, o que era ridículo e completamente ilógico, mas ele nunca contrariava sua mãe.

-Acabou a sessão risada? - indagou tentando chamar a atenção de seus amigos, mas tanto Caitlin quanto Barry apenas continuaram a rir ainda mais. - Vocês são idiotas. Não sei porque ainda sou amigo de vocês.

-Porque somos os únicos que ainda te suportam e que te entendem. - Caitlin disse recuperando o fôlego perdido. - Mas não se preocupe, se você for para o inferno a gente vai junto.

Cisco riu, aquela era a declaração mais estranha e fofa que Caitlin já havia feito para ele.  

-Mas o que ela disse? Você fez as perguntas? - Barry indagou, ele assentiu.

-Sim. Ela disse que gostava de mim porque eu era fofo e engraçado. Não que isso seja uma novidade, eu ainda sou fofo e engraçado.

-E bastante modesto. - Caitlin afirmou enquanto movia o copo com sua bebida intacta para o lado.

-Totalmente. Joan também disse que meu erro foi ter dito aquilo na frente dela e por causa disso ela perdeu a fé nos homens, pelo menos foi isso que eu entendi. - falou ainda lembrando do olhar de Joan, talvez se ela não fosse uma freira fiel a Deus, ele não estaria ali para contar aquela história. - E disse que meu outro erro foi ter demorado quinze anos para pedir desculpas e eu concordo totalmente com ela.

-Você não é o único. - Caitlin afirmou. - Mas e agora, o que vai fazer?

-Ir para a próxima.

-Daphne Silver. - Barry sorriu para ele com a sobrancelha arqueada em divertimento, Cisco revirou os olhos com aquele gesto. Barry estava se divertindo mais que o necessário com aquela situação e isso o irritava.

-O que tem Daphne Silver? E por que somente agora estou ouvindo falar dela? - Caitlin indagou olhando de Barry para ele. Cisco desviou o olhar, Silver era um assunto que ele definitivamente não estava preparado para tratar na frente de Caitlin.

-Foi a prostituta por quem Cisco se apaixonou. - Barry disse sorrindo ainda mais.

-Ela não era prostituta, era striper, a uma grande diferença nisso. - falou um tanto sério, Caitlin arregalou os olhos em sua direção. - E ela deixou de ser striper para se formar na universidade. Patologia ou paleontologia, ou algo a ver com isso. Achá-la talvez seja um pouco difícil.

-Podemos ir nos clubes para saber se ela voltou ao seu antigo trabalho. - Barry sugeriu, porém acabou recebendo um tapa no braço vindo de Caitlin. - Hey!

-Ninguém vai a clube nenhum, tem outras maneiras de encontrar Daphne. - ela disse olhando desconfiada para o marido, Cisco focou em seu bebida usando o copo para encobrir o sorriso de satisfação em seu rosto, adorava ver que era Caitlin quem mandava na relação. - Quando você a conheceu?

-No segundo ano, pouco depois de ter ido morar com Barry. Era meu aniversário e o idiota aí. - apontou para Barry que tinha um sorriso presunçoso nos lábios. - Disse que seria um ótima hora de irmos ao clube que tinha perto da universidade para festejar. Então entramos e a primeira pessoa que vi foi ela, Destiny, que era o nome artístico que Daphne usava, não foi amor à primeira vista, mas foi quase como uma atração unilateral, ela era legal, divertida e hipnotizante. - suspirou ao lembrar do sorriso dela, o jeito como chamava seu nome e murmurava pedidos ao pé do seu ouvido.

-Você amou ela? - Caitlin indagou.

Cisco negou o cabeça.

-Acho que estava mais para uma paixão platônica um pouco recíproca. Daphne me achava um amor de pessoa, mas nenhum de nós parecia disposto a levar o relacionamento além do ponto que estávamos.

-Você se lembra daquele natal quando Cisco foi para minha casa e você passou duas horas o xingando pelo telefone por não ter dito isso antes? - Barry indagou a Caitlin, ela assentiu em afirmação. - Ele só foi para minha casa porque não queria ficar depressivo na casa dele, Daphne tinha terminado com ele alguns dias antes e ele não queria que os pais o questionassem para saber porque ele estava tão triste.

-Só não foi o pior natal da minha vida, porque o peru da Nora estava uma delícia. - disse e os outros dois concordaram. - Eu sabia que se voltasse para casa Dante não me deixaria em paz até eu dizer a verdade, mas eu não podia dizer que estava deprimido porque a striper tinha me dado um fora. Isso seria munição o suficiente para o resto do ano todo, ou da vida.

-Mas por que ela terminou com você? - Caitlin questionou.

Cisco deu de ombros, Gypsy se aproximou da mesa deles trazendo as batatas com molho picante.

-Ela não me explicou, apenas disse que seria o melhor para nós dois. - disse.

-Então você deve ter feito uma enorme burrada. Nenhuma mulher fala que é melhor para os dois sem alguém ter feito merda. - Gypsy opinou deixando a cesta com as batatas na mesa.

-Tenho que concordar com ela. Que merda você fez? - Cait perguntou olhando diretamente para ele, assim como Barry e Gypsy.

-Eu não sei. - disse se sentindo pressionado com aqueles olhares julgadores. Parecia um almoço de sua família, todos o encaravam parecendo querer algo ou dizendo o quanto ele não era bom o suficiente como seu irmão era.

-Então tente descobrir e trate de pedir desculpas, isso é um bom começo. - Gypsy falou e ele assentiu, então sentiu seu celular tocar no bolso, o retirou e clicou na mensagem que aparecia na tela.

Dante: Preciso que você fique com Hector semana que vem.

Bufou encarando a mensagem, daquela vez ele nem tinha pedido por favor.

-O que houve? - Barry indagou.

-Dante e a esposa vão sair e ele pediu para eu ficar com Hector. Vou começar a cobrar por meus serviços de babá. Cem dólares para cada palavra com mais de sete letras que sai da boca de Hector.

xxx

Cisco adorava seu emprego, era como um sonho de criança realizado, o único problema talvez fosse seus colegas chatos, Hartley era o principal motivo para ele acordar mais tarde e sempre chegar atrasado. Havia um certo prazer em fazer o aluno exemplar revirar os olhos e grunhir irritado a hora certa de entrada, Cisco apenas sorria e caminhava até o seu laboratório sem dar a mínima para o que Hartley falava. Atualmente ele vinha trabalhando em um projeto com o Dr. Harry Wells, seu chefe, embora realmente não tivesse se dado bem no início, Cisco acabou percebendo que por baixo daquela arrogância Harry era um cara bem legal de se conviver, eles haviam virado grandes amigos e era isso que mais irritava Hartley.

Mas naquele dia, Harry havia insistido para que eles terminassem aquela etapa do projeto. Então ele havia ficado até mais tarde, bem mais tarde do que o esperado. Já eram onze da noite quando ele finalmente entrou em seu carro, sua barriga roncava implorando por comida não saudável, a maioria dos restaurantes que ele gostava já estavam fechados, então tudo que lhe restava era os bares e pubs. Seguiu direto para Duke's torcendo para que as asinhas de frango não tivessem acabado.

Quando chegou ao bar ele já estava lotado, até sua mesa favorita estava ocupada, então seguiu direto para o balcão Onde se sentou em um banco vazio e desconfortável.

-O que faz aqui tão tarde e sozinho? - Gypsy indagou. - Onde estão seus amigos?

-Em casa curtindo a vida de casados. - disse. - As asinhas de frango já acabaram?

-Ainda não, temos o suficiente para mais um porção.

-Ótimo, então traga-as para mim, por favor. Acabei de sair de uma massante maratona mental com meu chefe e preciso de algo gorduroso para fazer meu cérebro andar mais lento.

Gypsy riu antes de se virar e gritar pela janela que dava acesso a cozinha. Pediu um porção de asinhas e batata fritas. Cisco sorriu agradecido.

-Você sempre trabalha até mais tarde? - ela indagou tirando uma cerveja do freezer que ficava abaixo do balcão e colocando a frente dele.

-Só em ocasiões que meu chefe coloca na cabeça que estamos atrasando o mundo sem nossos projetos e invenções.

-Onde você trabalha?

-No S.T.A.R. Labs, meu sonho de criança que virou realidade. - sorriu tomando de sua cerveja. - O único, na verdade.

-Bem, você tem sorte. - Gypsy disse e se virou para atender algum bêbado que berrava perto de Cisco, então voltou para onde ele estava e continuou. - Alguns não tem a chance de conseguir realizar seus sonhos de crianças.

-E qual era seu sonho?

-Ah não, clichê demais para falar.

-Vamos lá, não deve ser tão ruim. - ele insistiu. Gypsy suspirou se dando por vencida.

-Eu, assim como noventa e cinco da população feminina e gay dos Estados Unidos nos anos 2000, sonhava em me casar com Justin Timberlake, mas Jessica Biel chegou primeiro.

Cisco colocou a garrafa na boca tentando impedir o riso.

-Você não realmente a única, querida. - afirmou e ela riu. O riso de Gypsy soou como uma doce melodia para Cisco, um melodia um tanto quanto esquecida. - Mas fora isso, qual era o emprego dos seus sonhos?

-Eu queria ser detetive. Prender os vilões da história, salvar o dia. - ela disse e então deu de ombros. - Mas então eu percebi que isso não era pra mim, eu não podia atirar na cara das pessoas que me faziam passar raiva e sair impune. Desisti e cursei administração.

-E agora trabalha como barman.

Gypsy sorriu, um sorriso que poderia facilmente derreter a terra.

-A vida acontece.

-E às vezes da pior maneira possível.

-Com certeza. - Gypsy afirmou e então se virou para pegar o prato de asinhas dele. Cisco sorriu e seu estômago roncou de felicidade. - Hora do jantar, não é mesmo?

-Com certeza. - afirmou atacando o prato à sua frente. Cisco poderia afirmar com toda a certeza, que nunca havia sido tão feliz quanto naquele momento.

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Ele abriu a porta tentando manter o sorriso nos lábios embora tivesse quase certeza que estava fazendo uma careta ridícula.

-Obrigada mesmo por cuidar dele hoje. - Dante disse entregando a mochila de Hector.

-É isso que a gente faz pela família. - falou se despedindo do irmão e fechando a porta. Então se virou para Hector. - Não tire o casaco, já vamos sair.

-Para onde? - Hector indagou voltando a fechar todos os botões do seu casaco amarelo.

-Para um lugar. - afirmou correndo janela, se apoiou no parapeito e olhou para baixo a tempo de ver Dante entrar no carro. Três segundos depois ele saiu da vaga e seguiu reto na rua. Cisco sorriu e se virou para o sobrinho. - Preciso que não diga para seu pai aonde vamos.

-Você quer que eu minta para os meus pais? - Hector arqueou as sobrancelhas. Cisco se aproximou dele.

-Se lembra daquele kit de pintura em aquarela que você implorou desde o natal passado para ganhar, mas ninguém quis te dar?

-Mamãe diz que ultrapassa o orçamento que eles têm para os meus presentes.

-Eu te dou e ainda compro um novo collant, apenas não conte nada do que acontecer esta noite para seus pais. Ok?

-OK. - Hector afirmou com um grande sorriso no rosto.

-Ótimo. Agora vamos. - pegou as chaves do carro e empurrou Hector em direção a porta.

Obviamente Dante e a esposa o matariam se soubessem para onde ele estava levando Hector, Cisco arriscava dizer que caso seu irmão descobrisse eles cortariam relação e ele provavelmente cortaria sua cabeça.

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-Aí meu Deus, você trouxe uma criança! - Caitlin gritou olhando para ele incrédula e irritada. Cisco olhou para Barry, descrente.

-Aí meu Deus, você trouxe a Caitlin!

-Ela não me deixaria sair sem ela. E ela também nunca viu um strip club por dentro. - Barry se defendeu, uma defesa fraca na opinião de Cisco. - Mas por que você trouxe ele?

-Hector vai passar a noite comigo. E hoje vai aprender como os adultos se divertem.

-Cisco! - Caitlin gritou em repreensão, ele revirou os olhos.

-Se acalme, a boate só abre às dez, ainda é sete e meia. Não é ilegal, eu pesquisei. Mas se você quiser, pode ficar no carro com Hector, então eu e Barry entramos, assim você fica com a consciência tranquila. - disse com um sorriso cínico no rosto, Caitlin apenas arqueou levemente a sobrancelha antes de girar seus calcanhares e seguir em direção ao clube, Cisco riu e então a seguiu com Hector ao seu lado.

-Por que vamos entrar nessa boate? - seu sobrinho indagou.

-Tenho que resolver um assunto com uma antiga namorada, tinha perdido contato com ela, mas Barry conseguiu encontrá-la trabalhando aqui. Vai ser rápido. - assegurou, Hector assentiu.

O Clube La’Lula era um tanto mórbido naquele horário, as lâmpadas estavam acesas revelando o lugar ricamente decorado que era ignorado quando as luzes néon eram ligadas, a música alta soava e as pessoas só ligavam para as danças e as mulheres seminuas ou completamente nuas. Haviam alguns funcionários da limpeza varrendo o chão e polindo os postes de pole dance, também havia um barman que organizava as bebidas, mas parou o que estava fazendo apenas para encará-los, porém ele não foi o único. Cisco puxou Hector o abraçando pelos ombros tentando mantê-lo perto.

Uma mulher alta e negra se aproximou deles, ela usava uma peruca verde com um topete alto e flores coloridas, e um roupão de seda vermelho vivo, em seus pés saltos plataformas dourados.

-Posso ajudá -los em algo? - sua voz era um pouco grave o que fez Cisco perceber que ela era uma transformista.

-Sim, estou procurando Daphne Silver. - disse dando um meio sorriso para ela.

-Destiny? - ela indagou.

-Pelo visto ela ainda usa o mesmo nome.

A mulher sorriu.

-É um lindo atrativo. Mas se quiser saber sobre Daphne, ela está ali. - a mulher apontou para um pequeno grupo que estava perto do palco.

-Obrigada.

-De nada, querido. - ela disse piscando para ele e se afastando.

Barry ao seu lado riu, mas Cisco o ignorou e seguiu direto para onde Daphne estava. Foi fácil reconhecê-la, ela ainda tinha os mesmos cabelos escuros e a tatuagem de uma rosa em sua panturrilha esquerda quase coberta pelo vestido justo a denunciava

-Daphne? - a chamou, ela então se virou para ele e foi como em um filme. Tudo aconteceu em câmera lenta, seus cabelos voaram emoldurando seu rosto, seus olhos castanhos escuro se arregalaram levemente ao vê-lo, sua a boca entreabriu em surpresa, ela ainda continuava tão linda como quando ele havia a conhecido. Ele sorriu, mas seu sorriso começou a se desfazer ao ver a enorme barriga dela.

-A striper tá grávida. - Barry sussurrou ao seu lado, um tanto alto e desnecessário.

-Calado. - Caitlin rosnou.

-Mazal tov? - indagou ainda perplexo. Daphne sorriu de maneira sensual, ela não fazia aquilo por querer, era uma mania dela adquirida com o tempo.

-Olá querido. Quanto tempo.  

-Ou. - murmurou soltando Hector, aquilo tudo era um choque para ele. - Parabéns pelo bebê.

-Pelos bebês. São dois meninos. - ela disse acariciando a barriga. - E obrigada. Mas por que está aqui? E por que trouxe uma criança? Tenho certeza que isso é ilegal.

-Apenas se vocês estiverem em horário de trabalho, caso contrário não a problema. Eu pesquisei - afirmou. - E eu estou aqui pois precisava conversar com você, podemos falar a sós?

-Claro. Vamos lá pra cima onde está mais calmo. - Daphne girou os calcanhares e começou a caminhar em direção a escada. Cisco se virou para Caitlin e Barry.

-Fiquem de olho no Hector ou eu mato vocês. - ameaçou, fazendo seus amigos revirarem os olhos. Então seguiu Daphne.

Subiram a escada até o segundo andar Onde ficava os sofás e outro bar, aquele era o lugar onde as pessoas que apenas queriam curtir a boate sem precisar olhar para peitos iam. Daphne se sentou em um dos bancos e ele se sentou à sua frente.

-Então, por que está aqui? - ela indagou com um brilho de curiosidade no olhar.

-Sei que você nunca gostou de enrolação, então vou direto ao ponto. Preciso saber algumas coisas sobre nosso relacionamento, estou tentando ser uma pessoa melhor, um namorado melhor para minha futura ainda não conhecida namorada, tenho que saber Onde errei para não errar mais.

Daphne jogou a cabeça para o lado.

-Entendo. Esta revendo seus erros para não voltar a cometê-los. Não esperava menos de você.

Cisco franziu a testa.

-Levo isso como um elogio ou não?

-Apenas digo que você sempre tentou programar tudo, todos os mínimos detalhes. Mas a gente não programa a vida, não podemos controlar o resultado de nossas ações. - ela disse. - Você era apenas um garoto que não sabia de nada da vida, mas pensava que sabia de tudo.

-Eu era um tolo, um pirralho mimado. - disse lembrando das palavras de Joan, certas coisas não mudavam tão facilmente. - Mas foram bons tempos.

-Os melhores, mas já passaram e a vida seguiu. - Daphne acariciou a barriga novamente, um sorriso ansioso surgiu em seus lábios.

-Daphne, eu tenho algumas perguntas para lhe fazer, são rápidas e simples, apenas me responda com sinceridade, está bem?

-Ok. Pode mandar.

-Quando terminamos, quer dizer, quando você terminou comigo, você disse que era o melhor para nós dois, e segundo algumas opiniões femininas que me foram apresentadas, você só falou isso porque eu fiz alguma burrada e você não quis que eu me sentisse culpado. Se isso for verdade a única coisa que preciso saber é o que foi o meu erro?

Daphne umedeceu os lábios e se ajeitou no banco, o vestido apertado e a barriga avantajada dificultavam a ação. Mesmo grávida Daphne conseguia ser mais bonita e elegante do que muitas meninas de vinte.

-Elas estão certas. Você cometeu um erro, você me machucou e eu fiquei arrasada por ter deixado isso acontecer. Eu sempre fui uma mulher decidida e forte, sempre me orgulhei de ter minha vida na palma da minha mão, de manter meus sentimentos apenas para mim. Mas então você chegou, todo atrapalhado e perdido, um garotinho precisando de atenção e eu me deixei levar, meu maior erro. Você foi, durante um bom tempo, meu cavaleiro de armadura reluzente, meu salvador, o que poderia me levar para longe daquela vida, mas para você eu não passava de um entretenimento, você nunca quis me apresentar para seus pais, você nunca me amou de verdade. E isso me destruiu, eu já não conseguia mais trabalhar direito. Eu nunca pensei que ter o coração partido fosse doer tanto.

Cisco suspirou, era engraçado como o cérebro às vezes pregava peças na gente. Ele havia jurado que Daphne não queria nada oficial, mas não era isso. Agora ele percebia seu erro, agora percebia o que devia ter feito.

-Sinto muito. - disse a encarando. - Eu pensava que você assim como eu não queria nada sério, sua vida mostrava isso. Mas, se tem uma coisa que eu aprendi é que não se deve julgar antes de conhecer. Eu devia ter perguntado, devia ter conversado sério com você. Mas eu apenas agi como um idiota. Sinto muito Daphne. Me desculpa se eu fiz te sentir assim. Mas se serve de consolo, eu já tive meu coração partido duas vezes, é como um soco no meio do estômago sucessivas vezes.

Ela riu.

-Mas mesmo com isso tudo, eu tenho muito a agradecer a você. Eu aprendi que nenhum cavaleiro em um cavalo branco vai me salvar, porque eu não preciso ser salva. Eu me formei em psicologia pouco depois de sair da boate, então trabalhei em um consultório até conhecer Marcus, o dono desse lugar, foi amor à primeira vista, nos casamos alguns meses atrás quando descobri que estava grávida. Hoje eu trabalho como psicóloga particular para as dançarinas daqui, é um ótimo emprego para falar a verdade.

-Então você não faz mais striper?

-Não mais. - ela riu e ele também.

-Por que você gostou de mim?

-Eu não sei. Você sempre foi tão impulsivo, agia sem pensar e muitas vezes se tornava instável. Eu era atraída por garotos problemáticos, Cisco. Você não pode me culpar por me apaixonar por um bobo eloquente como você. Sua espontaneidade imprudente, me atraiu.

Cisco sorriu. Daphne ainda era a adorável garota de antes, era a mesma pessoa que ele havia gostado e admirado.

-Obrigada por me receber e não jogar nada em mim. - disse fazendo-a rir. Eles se levantaram.

-Fiquei muito feliz em lhe ver. De verdade, me fez relembrar todos os momentos bons que passamos. Foi um enorme prazer te ver novamente. - Daphne o puxou para um abraço desajeitado por conta da barriga, então o beijou na bochecha. - Lembrasse que não podemos controlar o amor, ele é como uma folha balançando ao vento, não sabemos quando ela vai cair. E boa sorte com a sua futura ainda não conhecida namorada.

Cisco riu.

-Boa sorte com seus bebês.

-Obrigada e da próxima vez que aparecer aqui e trazer mais dois amigos, você tem um desconto.

-Vou lembrar muito bem disso. - afirmou já se afastando em direção a escada. Desceu até o primeiro andar e buscou Caitlin e Barry, os encontrou sentados em um dos bancos tomando algum drink, se aproximou deles se sentando entre eles.

-Como foi? - Caitlin indagou estendo o copo com um drink vermelho escuro, Cisco aceitou, precisava de um pouco de álcool, mas se frustrou ao perceber que não havia álcool naquela bebida.

-Bem, pedi desculpas por tudo e descobrir que entre os meus quinze e vinte e dois anos eu era um completo babaca. - disse e então subitamente notou a falta de seu sobrinho. - Onde está Hector?

-Ali. - Barry indicou com a cabeça em direção ao palco, Cisco seguiu seu olhar encontrando Hector conversando com algumas stripers, ele parecia ensinar alguns passos de dança clássica para elas. - Ele é um ótimo dançarino, sabia?

-Acho que está na hora de irmos embora. - declarou já se levantando. - Hector, vamos agora.  

-Agora? Não podemos ficar um pouco mais? Vamos dançar Beyoncé. - ele indagou decepcionado por ter que ir.

-Se demorarmos mais, eu vou acabar sendo preso, vamos lá.

Hector suspirou e então desceu do palco, mas parou se virando para as stripers e disse.

-Foi um prazer conhecê-las meninas. Pena que não poderemos dançar. E Mia não esqueça de erguer um pouco mais a perna esquerda, dará uma graça maior a sua apresentação.

-O prazer foi nosso, querido. - uma disse.

-Nos vemos depois Hector. - outra falou.

-Só daqui à vinte anos. - Cisco murmurou empurrando seu sobrinho porta a fora.

xxx

-Primeiro o strip club, agora um bar.  Essa noite está sendo demais! - Hector comemorou assim que eles entraram no Duke's, Cisco riu.

-Apenas vamos pegar a comida que encomendei e vamos para casa. - disse seguindo direto para o balcão, Gypsy sorriu para ele, mas seu sorriso se desfez ao ver Hector.

-Crianças não são permitidas.

-Ele não pode ficar sozinho no carro ou é capaz de dar perda total no veículo. E Além do mais apenas vim pegar o que encomendei. - disse estendendo o dinheiro para Gypsy, ela pegou as notas e o entregou as sacolas com as comidas. - Pode ficar com o troco.

-Obrigada. Agora vá. Não quero levar uma multa por ter um menor de idade no meu estabelecimento. - ela disse se curvando sobre o balcão e o empurrando. Cisco riu.

-Se não quiser levar uma multa é melhor checar a identidade daqueles dois perto da jukebox. Tenho certeza que as mães deles já estavam preocupadas. - falou apontou com a cabeça para os dois garotos de gorro. Gypsy revirou os olhos. - Quê? Só estou tentando ajudar.

-Seu bobo, cai fora. E só volta com ele quando fizer vinte e um ou tiver uma falsa carteira de identidade que pareça verdadeira. - ela brincou fazendo Cisco rir.

-Você gosta dela? - Hector indagou com a sobrancelha arqueada, Cisco revirou os olhos.

-Cala a boca.



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