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História Bad Blood - Capítulo 2


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Notas do Autor


que venha a bomba 🗣️ boa leitura gentekkkkkkkkkj

Capítulo 2 - One; angel death




O corpo de Luffy estava debruçado no chão. A respiração pesada tresspassava seus lábios como se, mesmo adormecido, ele continuasse sentindo dor. Trafalgar achou tudo aquilo muito platônico, traços queimavam a pele, formando desenhos delicados que corriam por toda sua extensão como tatuagens pré-definidas. Algemas intocáveis desenhadas ao redor dos pulsos, como em uma metáfora que dizia que Luffy estava preso a ele.

E Law queimou.

Como se o universo quisesse contrária-lo, "se você acha que é só com ele, tome a dor também". E então, os traços se formaram em sua pele em uma ardência surreal que fazia os berros saírem lisos da sua garganta.

As tatuagens de Luffy, no mais vergonhoso tom já imaginado, completamente rosas, enquanto traços vermelhos cobriam o corpo de Law em vários formatos. Não forte o bastante para que perdesse a consciência brevemente, mas para fazer todo seu interior tremer.

Luffy sentia a tontura ainda presente no corpo quando abriu os olhos, focando em nada além de suas próprias roupas agora convertidas quase inteiras em poeira, e sua própria pele denúnciando sua origem socialmente suja.

Uma pessoa rosa tem duas opções, seguir no caminho da prostituição ou ocultar eternamente sua cor. Eles são considerados sujos e enxergados como objetos de puro prazer, se você assume sua cor, se torna automáticamente alguém sem valor que merece cada assédio como se fosse sua única função do mundo. E por isso Luffy não queria contar para ninguém. Não se tratava de vergonha, mas ele sabia o que aconteceria quando soubessem. Ele havia lutado para conquistar seu posto, seu poder, sua vida, e por mais que se orgulhasse até seu último tom rosado, sabia que aquela pequena parte sua era capaz de estragar completamente sua vida.

— Você é filho de uma prostituta? — Law murmurou, torcendo o lábio com certo desgosto quando pronunciou aquela palavra. — ... um rosa.

A mágia dele era algo plenamente sexual ou que causasse atração, algo que Luffy recusava completamente usar, mas que o ajudou a conquistar simpatia entre as almas do éter.

— Sim. — Ele respondeu baixo, tentando ignorar o incômodo que a careta causou em si. Não queria brigar com ele.

— Eu também não contaria pra ninguém no seu lugar, não precisa ficar com vergonha, eu guardo segredo. — Disse, evitando se mexer, sentindo a pele ainda formigar pela queimação recente. — Isso foi tão irresponsável... uma prostituta engravidar de um clien-

— A minha mãe, ela é dona de casa. — Ele cortou, encarando Law. — Ela me criou com muito carinho. Já não tem mais idade nem saúde para prostituição, e hoje trabalha em casa vendendo casacos de lã. — Ele se sentou, com um pouco de dificuldade. — Ela é uma mulher incrível, e ter vendido o corpo ou não, não te dá o direito de falar sobre isso com tanto desdém. Eu nunca teria vergonha da minha descendência, a única coisa que eu tenho é medo de acabar sendo rótulado e estereótipado por um idiota preconceituoso, como você está parecendo ser.

Trafalgar calou a boca com razão depois de ouvir isso, passando a língua pelos próprios lábios. Ele não tinha a intenção de ofender seu colega de trabalho, não mesmo, mas isso era... senso comum. Era uma imagem suja e imoral, tentar enxergar aquilo como algo normal era uma realidade estranha que ainda não entendia.

Seu corpo ainda formigava, muito, quase trêmulo. Algo como instinto queria que ele se aproximasse de Luffy, da mesma forma que Luffy praticamente se segurava para não se empurrar contra ele. Os dois sabiam que aquilo era seu corpo ansiando pela condição, para que pudessem tornar o contrato completo. Luffy parecia prestes a entrar em colapso, porque sentia medo do que exatamente iria acontecer.

Mas antes que pudesse falar algo, Law havia se abaixado em sua frente e o encarava. Luffy fechou a boca, em silêncio, sem saber qual a forma correta de reagir diante aquilo.

Delicadamente, Trafalgar apoiou a palma em sua bochecha e arrastou o polegar pelo seu lábio inferior. Luffy tremeu levemente, e o formigamento em seus corpos pararam no mesmo segundo.

Tocar em seus lábios. A condição para o contrato fortalecer, era que tocasse em sua boca.

Constrangedor como Luffy imaginou que seria. Uma condição intíma, como normalmente não acontece, despertada por conta da sua descendência sensual e afetiva.

Luffy quis sumir.

— Você já pode ir embora. — Murmurou, esfregando a própria nuca e quebrando a troca longa de olhar que havia se enterrado entre eles.

— Uh, sim. — Trafalgar respondeu, já se levantando e indo até a porta e se afastando sem sequer acenar uma despedida, ignorando a própria camisa chamuscada. Provavelmente, seu carro estaria por perto.

Assim que ele se foi, Luffy pensou sobre o que Kid havia falado anteriormente. Pensou se valia a pena se expor tanto pelo bem do colega. Aquela situação era louca, mas ter seu superior implorando fez com que não tivesse escolha.

Afinal, Trafalgar era alguém que precisava da proteção dos deuses, assim como Luffy às tinha.

Aquela noite foi especialmente conturbada. Para ambos.

Law sentiu como se estivesse trancado dentro de um cubículo. Enxergava apenas preto na iluminação falha e era um espaço tão apertado que sentia como se apenas seu corpo coubesse ali. Era esmagador e agoniante, enquanto cobria os ouvidos com toda a força do mundo.

Não sabia por que, apenas sabia que deveria cobrir. Alguém havia mandado cobrir.

Foi a primeira vez que teve um sonho como aquele, questionando à si mesmo se havia acontecido algo em sua infância da qual não lembrava.

Luffy, por sua vez, não lembrou dos seus sonhos. Ele apenas acordou com os olhos marejados e um peso sombrio em seu peito, como se estivesse sendo esmagado.

Ele abriu os olhos e ficou olhando para o teto atônito, seu corpo inteiro parecia ter dormido com uma grande rocha em cima tamanho seu mal-estar.

Mas não importa o quanto tentasse, ele não conseguia se lembrar de nada além da cor azulada dos céus que decoravam a paisagem do penhasco.

Era um lugar famoso na ilha, onde proíbiam a entrada de todas as formas possíveis.

Afinal, foi o lugar em que um dos maiores traumas do povo se realizou.

Cinco anos atrás, um belo penhasco decorado por folhas e estrelas, onde um anjo se suícidou.

Não era difícil perceber o humor caído de ambos na base marinha na próxima manhã. O clima era tão pesado ao redor, que provavelmente caso se encontrassem, o universo entraria em colapso tentando decidir qual aura estava mais depressiva.

Não era propriamente apenas pelos sonhos desagradáveis, era porque receber o sonho de outra pessoa havia sobrecarregado de verdade seus corpos. O contrato ainda era muito recente, e qualquer miníma ação dele era nova e causava um impacto no qual não estavam acostumados.

Talvez por isso aquela terceira voz ondulando entre suas mentes causava tanta dor de cabeça. "Na direita" Luffy ouviu, bufando ao ver Law vir do corredor que aquela maldita voz havia indicado.

Não era realmente algo definido que pudesse descrever como a voz de alguém, era algo sem som, que apenas falava, como as vozes constantes dos próprios pensamentos.

— Eu ouvi que você estava aqui. — Law murmurou assim que se aproximou, massageando a própria têmpora. — Parece acabado. Dormiu mal?

— Um pouco. Só preciso comer e fico bom. — Respondeu, preguiçoso. — Você tá tão acabado que só nascendo de novo pra parecer vivo. — Brincou, com um curto sorriso.

Trafalgar suspirou curto e soltou uma risada soprada, repetindo o ato da noite anterior e estendendo a palma para acariciar seus lábios com o polegar. Luffy ficou em silêncio, piscando rapidamente algumas vezes antes de afastar a mão dele e soltar uma risada sem graça.

— Foi mal... é mais forte que eu. — Disse, recebendo um breve acenar de cabeça por parte de Luffy.

— Não se preocupe, eu entendo... É tudo estritamente profissional! — Disse, sorrindo grande e dando um soquinho em seu ombro. — Isso só vai ser estranho se a gente continuar agindo estranho quando fazer. — Disse, tentando relaxar um pouco o clima. — Você quer almoçar comigo hoje? Talvez um pouco de proximidade ajude a gente a parar de... hn, estranhar.

— Definitivamente não. — Law respondeu, breve. — Agradeço seu convite.

Luffy coçou a própria bochecha e murmurou um "ok", antes de se afastar. Seria difícil fazer aquilo se Trafalgar não ajudasse um pouco.

Quer dizer, sabia os motivos que ele tinha para não querer se isolar. Talvez, soubesse mais sobre Law do que ele mesmo, mas se dissesse isso, Trafalgar acabaria ficando puto e se afastando ainda mais.

Ele suspirou curto, e no mesmo segundo, viu Kid também andar no corredor em que estava. Ele abriu um sorriso animado para o superior que quase riu debochado. Era engraçado ver como Luffy era bobo mesmo em um posto tão alto.

— Kid, ei! — Chamou, Eustass coçou a nuca preguiçosamente.

— Você deveria me chamar de "senhor" ou algo assim. — Comentou, sem realmente ligar. — O que é quer?

— Hm, bem. — Luffy murmurou, se aproximando ainda com aquele sorrisinho bem humorado. — Você é um amigo próximo do Tral, né? Então pode me dizer onde ele costuma almoçar?

— Ele gosta do brown, aquele do centro. Mas por q-

— Valeu ruivo!

E rápido assim, o vice-almirante saiu da vista do seu superior e correu para o próprio carro.

Morning brown. Luffy conhecia aquele lugar, o qual abreviavam apenas como brown por puro costume.

Era um dos restaurantes mais elegantes da ilha, mas mantinha certa simplicidade também. As paredes eram feitas de madeiras polidas em um marrom escuro, quase preto, assim como tudo que fosse embutido. Como o balcão, as prateleiras e os suportes de tochas nas paredes. Assim que chegou, Luffy esperou na frente do restaurante por alguns segundos, Law não havia chegado ainda. Mas o familiar porsche preto não demorou para estacionar ali.

O uniforme caía bem em Trafalgar. Se ajustava ao seu corpo de maneira elegante e era sempre muito bem passado e abotoado. O Monkey, por sua vez, tinha o costume de deixar desabotoado e não ligava quando estava torto, o que fazia sua imagem ficar meio desleixada.

— Que coincidência, Tral. — Murmurou, com um sorrisinho, atraindo o olhar de Law.

Ele suspirou.

— Você quer sair comigo tanto assim? — Perguntou, tirando o chapéu e segurando ao lado do corpo.

— Sim. — Luffy respondeu, sorrindo.

— Entra logo. — Murmurou, empurrando sua testa levemente. — Vamos sentar, Luffy.

— Sabia que eu estaria aqui quando chegasse? — Perguntou, tocando o lugar empurrado e entrando no restaurante.

— Do jeito que você é teimoso, imaginei que daria seu jeito. — Riu curto. — Além disso, eu sei onde você está direto. Pelo contrato.

— Isso é meio constrangedor. — Murmurou. — Você vai saber sempre onde eu estou.

— É. — Law o olhou de canto, sentando em uma das cadeiras e esperando que se sentasse também. — Mas pelo lado bom, se você estiver... preso... em algum lugar, eu vou conseguir te ajudar a sair.

Luffy o olhou em silêncio, dessa vez a expressão séria tomou seu rosto brincalhão. Estava prestes a perguntar o que Law quis dizer, no entanto, o garçom chegou oferecendo-lhes um cardápio e prendeu sua atenção. O sorriso voltou aos seus lábios, e Trafalgar decidiu fingir que não havia notado a reação suspeita.

Luffy provavelmente havia visto algo de noite também. Algo particular, e trazer a conversa para esse rumo acabaria vindo a se tornar uma faca de dois gumes.

Se não fosse por Luffy, a refeição inteira seria no completo e desconfortável silêncio. Law não se dava ao trabalho de falar, apenas levava os hashis até os lábios e mastigava quieto, ouvindo sem tanto interesse o que seu colega tinha a dizer.

— Você quer ir comigo? — Murmurou Luffy, ao terminar de comer. Law levantou o olhar para ele. — Ao penhasco. Quer ir comigo?

— Eu... não. — Respondeu baixo, virando o próprio refrigerante para ocupar os lábios, como uma desculpa para que não ter que prolongar a resposta.

— Você tem medo? Por causa do suicí-

— Vamos apenas comer? — Law interrompeu, suspirando e abaixando a taça. — Não terei estômago se você decidir falar de morte justo agora.

— Você tem estômago pra morte. — Luffy murmurou. — Talvez não tenha pra dele...?

— Onde você está querendo chegar?

— Onde você não quer que eu chegue.

Outro suspiro saiu de Law. Ele largou as coisas na mesa e esfregou o próprio rosto. A irritação era tão evidente que Luffy chegou a ficar em silêncio para que ele ao menos se acalmasse um pouco.

— Era por isso que eu não queria vir com você. — Disse baixo. Luffy mordeu o canto do lábio.

— Eu quero saber, porque dói em mim também agora. — Ele se inclinou um pouco sobre a mesa. — Sabe, hoje eu acordei realmente triste. — Murmurou, passando a língua pelo interior da bochecha. — Eu acordei muito triste mesmo, mas não lembrava do motivo. Porque a única coisa que eu consegui ver de noite foi a merda do penhasco. E, caramba Tral, é ruim carregar uma dor sem sequer saber o significado dela.

— Nesse caso, eu posso também, né? — Ralhou, aumentando um pouco o tom de voz. — Posso perguntar o que significa o que eu sonhei?

Luffy hesitou, comprimindo os lábios.

— Pode. — Falou, ainda mais baixo. — Se me falar do penhasco, você pode.

Trafalgar preferiu ignorar aquilo, apenas deixando a mesa e Luffy sozinhos para trás enquanto saía do restaurante.

Realmente não queria lidar com aquilo. Não aquele dia, não com alguém que mal conversava.

Mas ele sabia quando a noite chegou, que deveria cobrir os ouvidos e se prender no pequeno armário dos seus sonhos.

Outre vez, Law estava trancado.

Outra vez, Luffy sonhou com o penhasco.

E então, novamente.

Como um loop interminável, que os perseguia noite após noite. Como se tivessem trocado suas dores e seus medos. Trafalgar sentia agora que se ficasse trancado em um lugar pequeno, acabaria tendo um ataque de pânico.

E Luffy, que costumava admirar acima de tudo, o céu, estava com medo das alturas.

Por isso ele foi até lá.

Por não aguentar mais aqueles sonhos pesados que faziam sua mente turbilhar, ele foi, sozinho, até o penhasco.

E Law sabia. No fundo da sua mente, havia aquela consciência de cada passo que Luffy dava, havia a voz constante dizendo que ele estava . Havia o medo. Medo esse que o guiou diretamente para aquele lugar. Você vai deixar acontecer de novo?

Apesar dos avisos que proibiam todo o caminho. Ele sabia decifrar aquele lugar com a palma da sua mão. Cada rota, cada árvore, cada trilha. Ele havia decorado, tantas vezes que esteve ali durante seus sonhos, percorrendo todo o caminho e chegando todas as noites a tempo de ver o corpo caindo como se estivesse em câmera lenta, lágrimas pendidas no ar.

Quando chegou, Luffy estava fungando e esfregando o nariz.

Sentado na ponta do penhasco, olhando até onde lhe era permitido, ele chorava.

— Você conhecia ele. — Murmurou, um pouco falhado. — Você conhecia o anjo que se matou.

Law engoliu o bolo em sua garganta.

— Você é intrometido pra caralho. — Disse baixo, sem se atrever a ficar mais próximo. — Eu conhecia.

— Você amava. — Murmurou, desviando o olhar da paisagem para levar até Law. — Você amava Sanji, não amava, Tral?

— Eu... amava. — Completou baixo, apoiando a mão na árvore ao seu lado.


Notas Finais


KKKKKK eai, espero que tenham gostado da att eh isto


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