História Bad Girl VS Good Girl - Capítulo 13


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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Assassinato, Suspense, Terror Psicológico
Visualizações 6
Palavras 2.556
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 13 - Capítulo XIII


Fanfic / Fanfiction Bad Girl VS Good Girl - Capítulo 13 - Capítulo XIII

Os últimos dias não têm sido bons. Um sonho repetido sobre estar no tribunal, abrir a boca e em vez de palavras o que sai voando é uma colônia de morcegos. Guinchando a verdade. A vergonha de dizer aquilo em voz alta, as coisas que eu deixei você fazer comigo. As coisas que deixei você fazer com eles. Acordei sem ar está manhã, como no jogo do travesseiro que você costumava jogar.

Alle não respondeu às minhas mensagens durante o fim de semana. Às vezes ela ajuda o tio, então sei que deve ser por isso, mas tenho me perguntado com frequência o que aconteceria se ela descobrisse sobre mim. Se ela compreenderia, se ainda ia querer ser minha amiga. Já pensei em contar a ela. É a pessoa de quem me sinto mais próxima e, às vezes, o peso de carregar você é demais para mim. A necessidade de compartilhar, de me sentir normal. Mas não sei se ela guardaria segredo e tenho medo de que, se os pais das crianças que você raptou não conseguirem chegar a você, acabem vindo atrás de mim. Uma criança por outra.

Escolho um casaco preto com capuz e jeans. Botas australianas. Hoje vamos fazer um passeio com o Brookmere College e isso tem me apavorado desde que foi anunciado. Me sinto em evidência, por todos os motivos errados; as outras meninas, confiantes. Sabem se comportar na presença de meninos. Na cozinha, um bilhete de Mike junto a um prato de croissant: "Um mimo de segunda feira, divirtam-se no passeio, meninas."

O jeito como ele se refere a mim e a Dinah. Como se fôssemos uma equipe. Eu não me importaria se fosse verdade, formaríamos mesmo uma boa equipe. Normani entra, pergunta se estou animada com o passeio.

- Mais ou menos.

- Certamente é melhor do que ter aula, não?

Na verdade, não.

- Tome, leve um croissant para você.

- Obrigada. Dinah já foi?

- Há uns cinco minutos, acho.

- Está bem, até mais tarde.

Jogo o croissant no lixo no caminho para a escola, meu estômago dá cambalhotas. Espero que dê para eu ver a SK hoje à tarde quando a gente voltar, para mostrar a ela mais trabalhos. Ela faz um aceno com a cabeça e sorri sempre que me vê na escola. Na sexta feira passada, parou na minha mesa na hora do almoço e me desejou um bom fim de semana. Eu me peguei imaginando como teria sido a minha vida se tivesse crescido com ela em vez de com você. Me senti culpada logo em seguida. 

O ônibus está do lado de fora da escola quando chego, assinamos a lista de presença a bordo. Rápido, rápido, todos vocês, subam já, diz o Sr. Cooler, um dos professores de estudos clássicos. Escolho me sentar perto da porta, menos provável que alguém se sente ao meu lado. Fones no ouvido, mas nenhuma música tocando. O ônibus enche rápido, a energia máxima, intensa. As meninas estão radiantes com uma camada a mais de iluminador aplicada sobre a pele, perfume generosamente borrifado. Os meninos, como macacos, fazem barra fixa nos bagageiros do teto. Um zoológico. Atordoante. Fazem uma contagem, alguém berra lá detrás: falta o Joe, uma piada sobre ele ter ido soltar um barro. O Sr. Dugan, professor dos meninos, estabelece alguns limites.

- Olha ele ali, senhor, está chegando.

- Vamos logo, Joe. Não, não pode, já esperamos demais, sente aí no primeiro lugar que encontrar, por favor.

Ele olha para o fundo do ônibus, dá de ombros, se joga no assento ao lado do meu. Vaias e assovios se seguem, ele ergue o dedo do meio no ar.

- Quietos, todos vocês - diz o Sr. Dugan pelo microfone. - Devemos chegar lá daqui a uns quarenta minutos, dependendo do trânsito. Quando chegarmos, não é para vocês saírem vagando por conta própria, entendido? Desembarquem do ônibus, entrem e esperem em grupos na bilheteria. Lembrem-se, por favor, mesmo sem uniforme vocês representam as duas escolas. Perguntas?

- Podemos parar no McDonald's?

- Alguma pergunta pertinente? Não? Excelente. Sentem e aproveitem a paisagem e, pelo amor de deus, Oscar Feltham, tire os pés de cima da  poltrona, você tem modos de um porco.

Noto que Joe está me observando com pequenas olhadinha de viés, como se procurasse pela minha segunda cabeça. Eu me viro ainda mais em direção à janela, pra longe dele, mas o seu cheiro me persegue. Uma essência condimentada, algum tipo de desodorante aerossol; não é desagradável, mas pensar nisso me deixa sem jeito. Ele me pergunta alguma coisa. Meu instinto é ignorar, mas ele me pergunta outra vez, inclinando o corpo para a frente no assento e invadindo meu campo de visão. Afasto um dos fones de ouvido, me viro para ele. Cabelos castanhos. Olhos azuis.

- Desculpa, o que foi que você disse?

- Você quer um chiclete?

- Não, obrigada.

- Ah, qual é, pega aí, é daqueles de mentol, forte pra caramba.

Ele estende a embalagem em minha direção. Não, obrigada, volto a dizer, tentando relaxar, agir de forma mais normal, mais aberta. Preciso de mais prática. Ele recolhe a mão, dá de ombros, coloca um chiclete na boca e deixa escapar o ar com exagero instantes depois, quando o mentol faz efeito. Ele sorri e diz que provavelmente teria recusado também, abre a boca, ofega um pouco. Não quero ver a língua dele, então desvio o olhar.

- Você já foi ao Calabouço de Londres? - pergunta ele.

A um lugar bem parecido.

- Não.

Ele fala baixo, não quer que a parte de trás do ônibus saiba que estamos conversando.

- Nem eu, mas deve ser bem engraçado.

Não respondo; não concordo.

- Você não parece muito animada. 

- Não estou mesmo.

- Por quê?

- Não estou me sentindo muito bem.

- Não vai vomitar, vai? - ele sorri quando diz isso.

- Não, acho que não.

- Ufa. Você não é daqui, né? Sei que está morando com a Dinah e os pais dela por um tempo.

Eu faço que sim.

- De onde você é?

- Eu me mudei muitas vezes.

- Legal, eu sempre morei aqui. Sou o Joe, aliás.

- Camila.

- Então, como é a vida na casa da família Newmont?

- Legal.

- Quer dizer que a Dinah não está sendo um pé no saco? 

A surpresa estampada no meu rosto dura tempo o bastante para ele notar. Ele pisca para mim. Oh, deus.

- Fala sério, eu conheço a Dinah há anos, ela sabe ser uma verdadeira filha da puta. Gostosa, mas ainda assim filha da puta.

- Ela não é tão ruim assim. 

- Sério? É difícil acreditar, ela não é do tipo que aceita bem qualquer tipo de concorrência.

- Eu não estou competindo com ela.

- Na opinião dela, está sim, pode acreditar, e como você é diferente, ela não vai ficar nem um pouco feliz.

Não tenho coragem de perguntar o que ele quer dizer com diferente. Suspeito de alguma armação entre a Dinah e ele, uma conversa tarde da noite na qual ela pediu a ele que fingisse gostar de mim para depois me fazer de trouxa. 

- Ser diferente é bom, aliás. Pode confiar, Eu era ruivo.

Ele sorri outra vez, então pergunta.

- Você vai à festa do Marly no fim do semestre?

Outro assunto quente na página da turma. Casa liberada, carnificina. O mecanismo padrão dos adolescentes. Festa. Não sei bem se tenho esse gene.

- Não fui convidada. 

- Eu estou te convidando. 

- Não sou muito de festas.

- Todo mundo vai, vai ser divertido. Você e a Dinah deviam ir juntas, a casa do Marly fica a poucas ruas da de vocês.

- Não sei, talvez. Acho que vou escutar música agora, se você não se importa. 

-Beleza, vou tirar um cochilo antes da gente chegar lá.

Fico aliviada quando termina. A conversa. E quando o ônibus para do lado de fora do Calabouço de Londres, saltamos todos e Joe se junta ao seu grupo outra vez. As meninas ficam perto dos meninos, ou do menino que "reservaram" há semanas. O que acontece menos de vinte minutos depois é culpa minha. Baixei a guarda depois da conversa com Joe. A gentileza é letal.

Planejei ficar na frente do grupo, perto dos professores e do nosso guia, com sua fantasia manchada de sangue e dentes marrons, mas acabei ficando mais lá para trás. Dinah e sua turma estão juntos, além de Cláudia, a aluna de intercâmbio alemã, mais interessada em beijar o garoto que está com ela do que na exposição. Dinah a xinga de vagabunda e passa por ela aos empurrões. A iluminação do túnel é fraca, projetando sombras pequenas e grandes na parede. De vez em quando gritos saem de caixas de som escondidas em algum lugar, e risadas. Risadas maliciosas - um torturador se deliciando com o próprio trabalho. Uma cabeça decepada. Tenho a sensação de estar sendo seguida. Observada. Olhos ocultos na escuridão, o meu couro cabeludo parece repuxar. Lampejos de um lugar onde estive e que se parece com isto aqui, um lugar aonde nunca mais quer voltar.

Tento me concentrar nos sons à minha volta, tento não ouir a sua voz. Me espezinhando. Você também estava lá, Lauren. Observo o prazer que os meninos sentem em fingir que vão fazer as meninas tropeçarem. Em as agarrarem. As apalparem. As meninas dão risadinhas e os afastam, voltam para o lado deles instantes depois. Mais gritos emitidos, ratos correm acima das nossas cabeças. Uma mulher desdentada mendigando, um bebê morto ao seu lado, um corvo bicando o olho dele. Você repete: Você também estava lá, Lauren.

Olhos como poças. Ameaçam transbordar. Lágrimas. Quentes. Vou me empurrando, abrindo caminho por entre o grupo, tento chegar lá na frente, encontrar um pouco de ar. De luz. Nem noto que já não sou eu que estou empurrando. É a Dinah, outras mãos também. Elas me empurram para dentro de uma das celas, embarricam a porta e eu sei que não adianta gritar.

Socorro.

Números me fazem sentir segura, mas não quando sei que quase sessenta alunos me separam dos professores e da saída. Tento recordar meus exercícios de respiração, os ataques de pânico que tive nas primeiras semanas depois que deixei você. Inspire pela boca, expire pelo.. não, ao contrário, é para inspirar pelo nariz e soltar o ar pela boca.

Um breu absoluto.

Tento a porta da cela outra vez, mas tem alguém segurando o trinco por fora. Sinto alguma coisa se mexer às minhas costas. Três pequenas luzes embutidas no chão acendem, iluminam uma sombra. Um boneco, não é real.

Está tudo bem, eu aguento.

Um vulto perto da parede, uma mulher. Tapo a boca com as costas da mão, não quero gritar. As lágrimas espetam as minhas pálpebras. Lembranças me beliscam, me agarram, como peixes comendo pão num lago. Olá, Lauren. Não, vá embora, você não é real. Vire-se, Lauren. Não. Eu me encosto na porta, fecho os olhos, esmurro o metal com os punhos.

- Me tirem daqui, por favor.

Martelo a porta. A cabeça gira. Imagens de mim mesma carregando alguma coisa nos braços, abrindo uma porta. Escuro, tão escuro. O cheiro. Podre e doce ao mesmo tempo. Um zumbido bem baixinho de coisas se mexendo, ratos arranhando.

Eu não queria. Não queria, não.

Você. Me. Forçou.

Nem sempre, Lauren.

Vejo os rostos que me esforço tanto para não ver, pequenos e assustados. Não consigo chegar a eles. Chorando. Fecho os olhos. Grito.

- Alguém me deixa sair, por favor.

Por favor.

Mãos me tocam.

- Você está bem, relaxa, está tudo bem. Abra os olhos.

Risos quando abro. Estou encolhida num dos cantos da cela, is braços segurando a cabeça, cobrindo os ouvidos.

- Rápido, o Sr. Cooler está chamando a gente - diz uma voz feminina.

Lá está Joe; ele estende a mão para mim. Eu a recuso, não sei se ele participou daquilo.

- Você está bem? Está com cara de quem vai surtar.

- Ela já nasceu surtada - Diz Dinah 

- Cala a boca, caralho, não está vendo que ela está em pânico?

- Oooooh, alguém está a fim do estrupício.

- Estrupício? Você tem se olhado no espelho ultimamente?

- Bela tentativa, Joe, todos nós sabemos o que você disse na festa da Lucille.

- Pois é, mas eu não estou bêbado agora, estou?

- Só pode estar, para querer ajudar essa daí.

- Eu acho que você está com ciúmes.

- Com ciúmes? Dela? - enquanto vou me levantando, ela aponta para mim

- É o que está parecendo, sim.

- Vai se foder, Joe.

Ela o empurra para cima de mim e segue pelo corredor em direção à atração seguinte. Ouço o Sr. Dugan mandar a gente se apressar, pois tem outro grupo para entrar depois do nosso. Minha narina esquerda fica quente e entupida. Estresse, ansiedade, qualquer tipo de emoção mais forte é capaz de provocar isso. Digo a Joe que me deixe em paz, viro o rosto.

- Vamos subir juntos. - diz ele.

- Não, por favor, vá embora.

Ele hesita, mas se afasta, um pouco antes de o meu nariz começar a sangrar.


Voltamos para a escola a tempo de almoçar e passamos o restante da tarde arrumando o auditório para a noite. Acadêmica, uma oportunidade para os pais irem à escola discutir opções de carreira para os filhos. Uma avaliação geral de como estamos nos adaptando às primeiras semanas do semestre. Mike e Normani vão e pedem para conversar com Dinah e comigo quando chegam em casa. Dinah vai primeiro, eu espero na sala de TV. Depois de um tempo, ela sai da cozinha, bate a porta ao passar e me encara com ódio quando me vê.

Mike abre a porta, eu pergunto a ele se a Dinah está bem. Ele explica que ela pegou detenção dupla por ter perdido o trabalho de química. Que pena, penso, eu poderia ter dito a ela onde estava: na gaveta debaixo da minha cama. Um preço muito baixo para ela pagar pelo "acidente" da Georgie.

É Mike quem mais fala. Relatos de que estou entre as cinco melhores da minha turma, academicamente; do ponto de vista social, um pouco insegura, mas progredindo. Normani aperta o meu ombro; a sensação não é boa, me faz pensar em você. Reunião de pais e professores no fim do semestre passado, eu estava lá para ajudar. Você usou um vestido, flores vermelhas e azuis. Uma das professoras comentou sobre o quanto eu era educada e obediente, quis saber qual era o seu segredo. Você apertou o meu ombro e respondeu sorrindo: não sei, acho que tenho sorte.

- A Srta. Ken nos contou que incentivou você a se inscrever no concurso de artes.

- Na verdade, eu não queria, mas ela acha que eu tenho uma boa chance de ganhar. Estou preparando uns desenho para o concurso.

- Parece que você e ela formam uma ótima dupla - comenta Mike.

- Eu gosto muito dela.

E, quando digo isso em voz alta, me dou conta de que é verdade.

Quando olho meu celular mais tarde, Alle respondeu: 

Desculpa não ter falado nada o merdinha do meu irmão escondeu o celular, não posso ver você essa semana mais vamos fazer alguma coisa no fim de semana. Algo divertido.

Você costumava dizer a mesma coisa quando a gente voltava de carro da escola nas tardes de sexta. Algo divertido. Uma vez eu pensei em me jogar do carro em movimento, mas de alguma forma você pressentiu. Travou as portas. Grande erro, Lauren, você disse. Achei que você seria menos dona de mim depois que eu a entregasse, mas às vezes tenho a sensação de que é ainda mais. Uma coisa inocente como um passeio de escola vira uma viagem ao meu passado com você. Correntes invisíveis. Vibram quando ando.






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