História Bad Girl VS Good Girl - Capítulo 9


Escrita por:

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Assassinato, Suspense, Terror Psicológico
Visualizações 7
Palavras 2.712
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 9 - Capítulo IX


Fanfic / Fanfiction Bad Girl VS Good Girl - Capítulo 9 - Capítulo IX

Quando olho o computador está manhã, as notícias transbordam de você. Pedacinhos de informação vazados e devorados pelos jornalistas. 

Um dos artigos diz: 

O júri deve ouvir não só a mãe de Daniel Carrington, a última criança encontrada morta na casa de Thompson, como também um perito que responderá perguntas tanto sobre a morte do menino quanto sobre a cena do crime, o quarto da casa de horrores de Thompson que ela chamava de playground. Não está claro, no momento, se esse é o procedimento padrão ou se o perito foi convocado a pedido da defesa. Atualmente, Thompson encontra-se detida na prisão de Low Newton e a data do julgamento ainda será divulgada.

Queria conseguir racionalizar isso na minha cabeça. Que o motivo de a defesa querer se concentrar em Daniel é porque ele foi a última vítima e porque as provas ainda estão frescas. Mas conheço você bem demais para isso. Foi você. Você os mandou concentrarem os esforços nisso porque sabe que é o que mais vai me machucar. Eu conhecia Daniel do abrigo de mulheres. Ele e a mãe. Penso nela o tempo todo e nas outras mães também. Em como devem ter se sentido quando se deram conta do que você havia feito. Para quem haviam entregado  os filhos. Maridos perversos, mas você era pior ainda. Você também deve estar pensando nisso, só que relembrando de maneira diferente. De um jeito que alimente essa sua queda pelo macabro, adorando todo o caos à sua volta, vendo até onde as suas mentiras conseguem chegar. Penso no júri, também, em quem vão ser, no tipo de gente que são. E na pena que sinto deles. As coisas que vão ouvir, as imagens que serão mostradas. Vai levar meses, talvez mais, para tirarem isso da cabeça. Para deixarem de imaginar. Se é que algum dia vão conseguir.

A foto que a imprensa usa, não sei da onde tiraram, eu nunca tinha visto. O público vai olhar para o seu rosto, dentro dos seus olhos e dizer: olha só para ela, dá para ver que é má, me dá arrepios, essa daí. Você não vai ligar, você acredita na sua beleza, na sua simpatia, mesmo agora. Os homens e mulheres de uniforme wue fazem a sua guarda, alguns vão esquecer, vão conversar sobre o tempo com você. Talvez até contém uma piada. Você, encantadora. 

O interesse de profissionais - dos muitos que vão querer entrevistar você, fazer exames de imagens do seu cérebro na tentativa de decodificar você - só vai crescer na proporção que mais detalhes forem surgindo. Assassinas que agem sozinhas (sim, eu estava junto, mas mesmo assim) são raras. Além disso, tem os outros, como os que você convidou para o meu aniversário, espreitando, rastejando em meio às sombras. Admiradores seus. Mandando cartas, quem sabe até uma proposta de casamento, ou duas. A rainha de um submundo que ninguém quer admitir que existe. Gente comum. Uma maldade extraordinária por dentro. O cérebro de um psicopata é diferente do da maioria, eu já vi as estatísticas. Oitenta por cento genética, vinte por cento influências do meio. 

Eu. Cem por cento fodida. 


Estou contente por ser fim de semana, não tenho que me preocupar com a escola. Terminei minha primeira semana completa. Sobrevivi. Mike deixou um celular novo do lado de fora da minha porta na sexta feira à noite. Me abaixo e o desligo do carregador. Quando me levanto e abro as cortinas da sacada, o céu está limpo e azul. Nas próximas semanas, com a chegada de outubro, o sol vai ficar mais baixo no céu. Quando eu era pequena, com três, talvez quatro anos, gostava da escuridão do inverno. Nós acendiamos a lareira da sala de estar e, às vezes, tostávamos marshmallows. Não éramos só nós duas em casa, naquele tempo, papai e Louis também estavam lá. Não gosto de pensar no meu irmão, em como ele achou uma maneira de escapar e me deixou para trás. Os sentimentos, enterrados lá no fundo. É algo que você devia pensar em enfrentar em algum momento, disse o psicólogo do abrigo, mas como parte de um plano de terapia de longo prazo, depois do julgamento. Eu me lembro de ficar observando como você era com Louis e de querer que fosse daquele jeito comigo também, um desejo do qual acabei me arrependendo. 

Um pedacinho de papel enfiado por trás de um dos vasos de plantas na sacada chama a minha atenção. Destranco a porta, saio, pego. Um número de celular, a letra A embaixo. Menina esperta. Mas arriscado, chegar tão perto da casa. Envio uma mensagem para o número dizendo que sou eu. Ela responde na mesma hora, pergunta se quero me encontrar com ela mais tarde. Quero, respondo. Ela diz que vai me esperar às três lá embaixo no quintal e para eu usar um casaco com capuz. Volto para a cama, me encasulo debaixo do edredom, fico contente com a mensagem da Alle. Eu não tinha muitas amigas na minha escola antiga, os convites para dormir nas casas delas iam deixando de ser feitos quando não eram retribuídos. Não podiam ser. 

Durmo em paz, me sinto descansada uma vez na vida, e faminta. Procuro Rosie, mas sua caminha, que fica ao lado do aquecedor, no corredor da entrada, está vazia e me lembro de Mike ter dito que às vezes a leva para o trabalho. Mais atenção do que em casa. 

Tem um bilhete em cima da mesa da cozinha. "Olhei para ver como você estava: DORMINDO PESADO! mande mensagem para mim e para a Normani com o seu celular novo, por favor. Vou passar o dia todo no trabalho, mas Norm vai estar em casa." 

Pego uma tigela de cereal matinal e como de pé, próxima ao calor do forno. Ouço a porta da frente abrir, o sino antigo que fica por cima dela tilinta e quem quer que tenha entrado sobe as escadas direto. 

- Oi! 

Mas não respondem, então vou até o corredor. Uma bolsa atirada no chão, o conteúdo despejado para fora. Normani. Ando até a bolsa, dá para ver a carteira logo em cima, explodindo de tantos recibos enfiados dentro. Ela gosta de fazer compras, se sente melhor por um tempo. Já estou saindo quando vejo uma coisa saltando para fora da parte onde ela guarda os cartões. Olho mais de perto, então volto à cozinha para guardar as coisas do café da manhã. Quando ouço passos no andar de cima, volto para o corredor, me assegurando de que chegamos lá no mesmo tempo. 

- Oi, não tinha me dado conta de que você estava aqui embaixo. Aproveitou bem a soneca prolongada? - pergunta ela

Um tapete de ioga atirado por cima do ombro, bem guardado dentro de uma bolsa de seda feita à mão, sem dúvida um presente di Mike ou talvez de Benji, o professor. 

- Aproveitei, sim, obrigada 

- O que vai fazer? Se estiver a fim, pode fazer a aula de ioga comigo, quer?

Pernas finas como as de um gafanhoto, brilhosas numa Lycra bem esticada por cima da região genital. Delineados. Raspados, provavelmente. Ela não é recatada. 

- Não, obrigada, tenho um monte de deveres para fazer. Todo mundo parece estar tão adiantado na Wetherbridge. 

- Eu não me preocuparia com isso, logo, logo você alcança as outras. Vai ficar bem sozinha? Posso ficar, se quiser. 

- Não, tudo bem 

- Eu volto daqui a mais ou menos uma hora e meia, se você quiser fazer alguma coisa depois. 

- Acho que vou me encontrar com uma amiga

- Alguém da escola? 

- É 

Ela olha para um relógio de pulso que não existe. Anciosa para ir embora.

- Tenho que ir - diz 

Já está com metade do corpo do lado de fora quando a chamo 

- Normani? 

- Sim? 

- Eu não gosto de pedir, você e o Mike têm sido tão bons comigo, mas será que você podia me dar algum dinheiro, caso eu queira comprar um chocolate quente ou algo assim?

- É claro, deixa eu pegar a carteira. Temos que estabelecer uma mesada para você, Dinah tem uma. Vou conversar com Mike hoje à noite.

Vou até onde ela está, na varanda

- Vinte está bom? 

Eu faço que sim. 

- Aqui, tome 

- Muito obrigada 

- Imagina! 

- E boa foda 

- Desculpe, o que foi que disse? 

- Boa ioga

- claro - replica ela 

Deve estar sentindo um frio na barriga enquanto sai de ré da pista de acesso. Deixa de ser paranóica, vai dizer a si mesma. Só que ela tem todo o direito de ser, porque, por mais que eu tente, às vezes não consigo me conter. 

Quando chega a hora, vou lá no fundo do quintal para me encontrar com a Alle. Destranquei o portão na mesma noite em que dei o celular a ela, que deve ter sido comoela descobriu a escada de incêndio que sobe até a minha sacada. Está com pressa de sair, quer me levar a algum lugar. 

- Coloque o capuz na cabeça - diz ela - venha comigo 

Quando chegamos ao fim da rua sem saída, atravessamos e entramos no conjunto onde ela mora. Somos imediatamente apequenadas pela altura dos prédios, tem algumas pessoas por perto, mas ninguém nem pisca. Luzes acessas em algumas janelas, o céu de fim de tarde já escurecendo um pouco. Varandas empilhadas até o topo com bicicletas de crianças, máquinas de lavar e tralhas. 

- Aperta o passo, lerda - ralha ela

Caminhamos até o prédio que fica bem no fim do conjunto, chegamos a uma escadaria nos fundos 

- Aonde estamos indo - pergunto 

- Até lá em cima - e ela aponta para o topo do prédio - Vamos ver quem chega primeiro?

Ela sai correndo na frente, mas eu logo a alcanço. Dezesseis lances, nenhuma luz nas escadas, uma porta lá em cima, tinta azul-cobalto descascando, a cor se destaca do concreto cinza das paredes. Paramos um pouco para recuperar o fôlego, sorrindo uma para a outra. Ela tira o capuz, eu faço o mesmo. 

- Venha - diz 

Ela abre a porta, o vento nos recebe faminto quando pisamos do lado de fora. Chega subindo, nos varre com golpes intensos. Ela segura a manga do meu casaco, me puxa para a esquerda. Quando nos aproximamos da beirada do telhado, vejo o mundo lá embaixo. Carros e ônibus, gente, ninguém tem a menor ideia de que estamos aqui em cima os observando. Ela aponta para uma parte do parapeito que está faltando e diz: tenha cuidado. 

Eu faço que sim. Caminhamos em direção a uma enorme saída de ar, uma hélice gigantesca protegida por grades.

- Venta menos aqui - comenta ela 

Tem vidro quebrado no chão ao lado da saída de ar, uma garrafa vazia de Coca-Cola. Um engradado de plástico, dois, talvez mais. Guimbas de cigarro espalhadas. Feio, mas lindo, um lugar onde podemos ser anônimas. 

- Quem vem aqui em cima? 

- Quase ninguém, normalmente só eu. Não moro nesse prédio, mas às vezes venho aqui só para fugir

Entendo o que ela quer dizer, a necessidade de fugir de vez e quando.

Tiro do bolso dos jeans o papelote que roubei da carteira da Normani e dou a ela.

- Não acredito, onde arrumou isso? 

- Achei na bolsa da minha mãe adotiva 

Fico olhando ela enquanto desfaz dobrinha por dobrinha até estar todo aberto na mão dela. Ela se agacha, protege o conteúdo, me conta que já usou umas duas vezes em festas do conjunto habitacional. Usa o mindinho para colocar um pouco do pó branco no dedo, chega o corpo para a frente, fecha uma das narinas, funga a droga pela outra. Passa o papelote para mim e se deita imediatamente, uma estrela do mar no concreto. Quando ela fecha os olhos eu finjo cheirar um pouco. Dobro o papelote outra vez, me deito ao lado dela. 

- Porra, é da boa - comenta ela

- É 

- E aí, como vai a vida com a loirinha? 

- Tento não ficar no caminho dela

- Faz bem, não acredito que ela tenha um pingo de bondade naquele corpo

- Provavelmente, não

- Porque você estava xeretando as coisas da sua mãe adotiva? 

- Tava entediada, eu acho, fora que ela é meio fácil de provocar

- Você gosta de provocar as pessoas, então?

- Na verdade, não, eu não devia fazer isso com ela. Acho que ela tem um pouco de medo de mim 

- Medo de você? Até parece. O que você tem de tão assustador? 

O meu passado é que é assustador 

- Nada. Toma, cheira mais um pouco 

A pergunta da Alle me perturba, me faz pensar no que mora dentro de mim e se é possível fugir disso. Traços enterrados no fundo do meu DNA me perseguem. Me assombram. 

Ela cheira uma carreira, fica de pé com um salto, me pergunta se eu quero ter a sensação de voar 

- Vem, vou te mostrar - diz 

Caminhamos até a beirada do telhado, o vão no parapeito, o vento mais forte, o céu mais escuro. Ela está atrás de mim, me empurra para a frente, perto da beirada. Sobe aí, diz, na borda. Meu corpo fica duro, minhas pernas não obedecem. A sensação é a de um jogo que não quero jogar. 

- Vai, sobe, você não cai, não. Eu faço isso sempre. Abre os braços 

- Não, está ventando demais

Ela me chama de covarde, chega para a frente, passa para a borda, leva um instante para se equilibrar antes de desdobrar o corpo da posição em que está, de cócoras, e ficar de pé. 

Um passo em falso.

E.

Algo se acende dentro de mim 

- Viu só - diz ela, rindo - Não é difícil, pelo menos para alguns de nós 

Sua voz me alcança agora, está zangada, desapontada. Ela está rindo de você, Lauren, isso não está certo, encontre uma forma de fazer com que ela pague. Não, não quero fazer isso. Quero me afastar, mas em vez disso me aproximo ainda mais dela. Uma corrente elétrica sobe e desce pela minha coluna, tão morta desde que deixei você, nem sei quem sou. Sabe, sim, Lauren, sabe, sim, me mostre. Dou outro passo, meus braços se estendem tão perto dela, ali na beirada, e talvez eu fosse, talvez seja, capaz. De coisa pior. Mas ela pula para baixo, se vira para mim sorrindo, um pedacinho do dente da frente quebrado. Uma enorme sensação de culpa quando olho para ela 

- Covarde - diz ela - O que quer fazer agora? 

- Qualquer coisa 

- Vamos voltar para a saída de ar, cheirar mais pó 

- Beleza 

Quando estamos deitadas no chão outra vez, eu pergunto a Alle por que ela queria voar, por que queria ser como uma águia 

- Para fugir, eu acho, ir para algum outro lugar

- Alguém me contou uma história uma vez sobre uma menina que estava com tanto medo que rezou para ganhar asas de uma águia 

- Do que ela estava com medo?

Da pessoa que estava contando a história para ela

- Ela estava sendo perseguida por alguma coisa, mas, por mais rápido que corresse ou por mais longe que fosse, aquilo sempre estava bem atrás dela

- Aquilo o quê?

- Uma serpente. Ela esperava até a menina cansar de correr, esperava até ela cair no sono, então aparecia 

- Por que ela estava atrás da menina? 

- Não era uma cobra de verdade, só estava fingindo ser

- O que era então? 

- Era uma pessoa, deixando claro para a menina que, se alguma vez ela tentasse ir embora, iria atrás dela

- Como uma pessoa pode se transformar em cobra? 

- Às vezes, as pessoas não são o que dizem ser

- A menina consegue fugir? 

Não na versão que você me contou, mamãe 

- Não sei

- Por quê? 

- Porque a menina desapareceu e não foi vista desde então, nem a cobra

- Você acha que ela ainda está perseguindo a menina? 

- É possível 

Provável 

- Você sabe um monte e outras histórias?

- Sei 

- Pode me contar mais? 

- Quem sabe da próxima vez 

Consegui o que queria, que a Alle e eu ficássemos amigas, agora estou com medo.

Um passo em falso. 

Você zombou de mim dentro da minha cabeça, disse: Você não vê, Lauren? Não vê quem você é? 




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...