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História Bad Guy - Capítulo 2


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Notas do Autor


em itálico são contando dias antes do dia atual em que a fic se passa!!

obrigado à todos vocês que leram e comentaram; eu fico sem palavras e muito feliz, pois nem coloquei fé nessa fic e mesmo assim está se saindo melhor do que eu imaginei. ademais, muito obrigado pelo apoio que eu recebo aqui. <333

!não betado¡

Capítulo 2 - Issues.



Ainda era cedo quando saiu de casa. Seus pequeninos pés andavam suavemente pela calçada, mesmo sendo bem mais cedo do que costumava sair; ainda sim encontrava muitas pessoas pela rua. Carros iam e vinham, pessoas e mais pessoas desconhecidas passavam por si. Tóquio era uma metrópole, afinal. Todos pareciam com muita pressa, enquanto ela mesma parecia tranquila o suficiente para não se importar com horários, nem compromissos. Ainda que fosse cedo, sentia-se bem disposta após uma ótima noite de sono – o que era raro, já que não conseguia dormir bem normalmente. Se entupir de remédios era um hábito, mas por algum motivo, depois de bastante tempo, finalmente teve uma noite inteira de sono. Isso por si só a deixava mais radiante que o normal, e facilmente era notável como ela parecia bem mais disposta que o habitual.

Em seus lábios levemente rosados, um simples sorriso traçavam sua boca delicada; seus olhos rubis em contraste fortaleciam a delicadeza natural da mesma. O céu ainda estava amarelado, mas olhando bem, conseguia facilmente ver o mesmo começar a se misturar com o azul, mostrando que provavelmente esse seria mais um dia quente, como a estação atual pedia – não era muito fã de verão, admitia. Mas gostava de praias, e pelo menos uma vez ao ano gostava das viagens para outra cidade nessa época do ano. Também floriam diversos tipos de flores, e como uma amante das mesmas, suportava a estação um tanto conturbada em prol delas. Seu hobby favorito era jardinagem. Sua mãe havia lhe ensinado desde cedo, sendo impossível não desenvolver amor por uma prática tão delicada e com muitos significados. Flores eram especiais para si.

Mais alguns passos, um tanto quanto despreocupados foram dados e finalmente havia chegado na faixa de pedestres; o sinal havia acabado de fechar, então parou perto das pessoas que estavam ali, apertando levemente a alça de sua bolsa. Sua estatura, comparada à de adultos possuia uma grande e desconfortável diferença; e mesmo que logo também fosse atingir a maioridade, se incomodava com o fato de ainda ter a mesma cara de sempre. Ninguém a leveria à sério; nem ela mesma levava, sendo bem sincera. O uniforme escolar feminino lhe dava ainda mais um ar infantil; somado aos seus longos cabelos prateados, traços gentis e olhos grandes – e intensos –, de maneira não tão incomum era confundida com uma criança. Isso sem contar fatos mais estéticos ainda, como curvas ou volume; o pesadelo de Nene era ter que conversar sobre isso, com qualquer pessoa. Com o tempo e términos um tanto conturbados, a mesma acabou desenvolvendo problemas de autoestima, mesmo que não fale com ninguém à respeito. Nem sua melhor amiga.

Só percebeu que deveria seguir quando os outros tomaram à frente, se desligando um pouco de seu mundinho depressivo por ser baixinha. Deu um suspiro frustrado e caminhou pela faixa de pedestres com as várias outras pessoas, que provavelmente iriam para seus trabalhos e afins. Era tão cedo, nem mesmo ainda era seis horas, mas ainda sim muitas pessoas e comércios estavam abertos. A rotina de muita gente começava antes mesmo do sol nascer, e Yashiro pensava no quanto era sortuda por apenas estudar, fazer alguns cursinhos e estágio. Sua rotina era bem tranquila, todavia. Não era uma adolescente que gostava de sair para festas e afins, então não ficava pesado fazer algumas coisas para garantir seu futuro mais tarde. Era uma garota que pensava bastante no futuro, e em como deveria cuidar de quem já cuidou dela tão bem; afinal, morava com seus avós, e como estes mesmo estão já velhinhos, Nene pensa sempre em dar do bom e do melhor para eles quando tiver seu emprego fixo.

A mesma não era uma jovem lá muito atenta, caminhando de forma meio lerda pela calçada, passando por várias lojas sem se importar demais com elas. Não sabia se era por ser tão cedo, mas costumava ficar mais lenta que o normal quanto mais cedo era. Quando escutou ao fundo alguém lhe chamando, primeiro parando e olhando pros lados apertando os olhos: pensando estar doida, voltaria a andar normalmente se não tivesse escutado de novo, porém com mais nitidez dessa vez. Foi ali que olhou para trás, não demorando muito à achar seu kouhai* em meio às pessoas. Sua expressão surpresa foi adorável; ele sorria para si. Um sorriso genuíno e animado, acenando de forma não tão discreta, mas que o deixava incrivelmente fofo. Quando se aproximaram, o loiro deu um longo suspiro, deixando sua pasta escorrer pelos ombros, enquanto se apoiava nos próprios joelhos.

— Bom dia, Senpai — disse falho, pegando o ar com a boca de forma meio desesperada. — Pensei que iria só me ignorar... — a mesma riu, balançando as mãos.

— Eu jamais faria isso, Kou-kun. Desculpe — riu mais um pouco, sorrindo logo após. O mesmo se recompõe e a olha. — Bom dia, aliás. Vamos?

— Huh? — ele sacudiu a cabeça, sorrindo — Claro!

E os dois trocaram um último olhar antes de seguirem o mesmo caminho. Minamoto Kou e Yashiro Nene eram amigos de longa data; desde que o mesmo foi transferido, à pelo menos quatro anos, eles se apegaram muito um ao outro. Mesmo que seja muito nítido que o rapaz gosta dela – não como amigo, para sua infelicidade –, ela nunca de fato percebeu e ele também nunca teve a coragem suficiente para dizer. Acabava se contentando apenas com os sorrisos dela e em ser seu melhor amigo. Nunca seria realmente o que ele deseja de verdade, mas não era como se ele pudesse escolher. Tinha medo de perder a amizade que construiram, então apenas ignorava a maior parte do que sentia. Como sua adorável Senpai, já teve alguns relacionamentos, mas nunca conseguiu de fato a esquecer, o que lhe atormentava sempre que pensava sobre isso.

Os anos foram bons o suficiente para que Kou estivesse diferente, mas que ainda carrega-se traços de quando era mais novo; parecia cada vez mais com Teru, seu irmão mais velho, e era incrível como estes não podiam negar que possuiam o mesmo sangue. O mais novo era um pouco mais baixo e mais imaturo, mas até mesmo os sorrisos deles conseguiam aquecer qualquer um. Yashiro havia tido um pequeno crush no Minamoto mais velho, porém, acabou simplesmente esquecendo de quando a notícia do mesmo ser gay lhe ultrapassou como uma flecha. Não ficou mais de uma semana mal e logo depois acabou criando uma amizade com o mesmo, mesmo que não se falem muito no cotidiano, são bons amigos apesar de tudo. Havia saído ganhando no final das contas; um amigo precioso vale bem mais do que qualquer coisa.

O loiro possuia um jeitinho mais largado, e isso soava como um charme em contraste à personalidade mais decidida que este possuia. Nene sempre tinha um ar mais leve e tímido, e era engraçado como eles, tão diferentes, eram tão próximos e até mesmo um pouco íntimos.

— Senpai? — a mesma soltou um: "hm?" enquanto erguia a cabeça para olhar Kou, que olhava a mesma de forma séria. — Sabe o que aconteceu com o Mitsuba?

— Sousuke-kun? — inclinou levemente a cabeça, pensativa. Não era muito próxima dele, mesmo que este estivesse em sua roda de amigos por causa do loiro. — É bem incomum eu vê-lo normalmente — outrem denunciou sua apreensão suspirando de forma frustrada. A menor franziu o cenho, preocupada. — O que houve?

— Faz três dias mais ou menos que ele vem à escola — desviou o olhar. Nene parou de andar quase de imediato, olhando o rapaz parar um pouco mais à frente. — E eu não sei o que aconteceu.

— Isso é complicado... — suspirou — Pense positivo, tá? Provavelmente ele foi viajar de última hora — deu alguns curtos passos, mas os suficientes para estar ao lado do maior — Os pais dele são empresários, não? Às vezes ele tá passando um tempo com eles, já que eles sempre estão fora.

Kou estava desconfortável. Conhecia bem o amigo e justamente por isso estava tão tenso.

— Só fica tranquilo — pegou gentilmente a mão deste, sorrindo — agora vamos!! A Aoi-chan vai matar nós dois se nos atrasarmos! — e começou a puxá-lo.

—S-Senpai!

— Sem enrolar!

O pouco que conhecia de Mitsuba era o suficiente para saber que ele possuía tendências sérias, mas conversar sobre isso naquele momento não lhe era agradável; e também não seria à Kou. Acabou apenas cortando o assunto, fugindo com rastros deste mesmo enquanto corria pelas ruas cada vez mais cheias de Tóquio. Conforme os segundos passavam, eles diminuiam o ritmo. Estavam bem perto do destino, e não tinha a menor pressa no momento. Andavam em um ritmo lento, ainda de mãos dadas. A mão do de olhos verdes claros quase engolia a sua, que parecia bem mais pequena e delicada em contraste com as dele. Não era incômodo para nemhum dos dois, então continuaram daquela forma. Kou sentia seu coração bater mais forte que o normal, enquanto parecia bem normal para Nene segurar a mão de seu amigo. Se ela soubesse tudo o que sentia... Será que ainda seriam tão próximos como eram? Esse era o medo mais profundo do rapaz.

O resto do caminho foi bem silencioso. Nenhum dos dois comentou sobre o assunto passado, e preferiram estar quietos à tocar em algum outro assunto complicado. Ao lado de Nene, Kou sentia muitas coisas tão perigosas, que às vezes quase não conseguia controlar suas palavras. Quando menos esperaram, finalmente viram a cafeteria que era o destino dos dois. Os olhinhos de Nene brilharam, e essa apertou um pouco a mão do amigo, animada. Acabou por arrastar este mesmo pela rua, quase sendo atropelados por um carro. Foi apenas um susto e passaram alguns momentos rindo antes de prosseguirem. O café era a alguns metros dali.

Quando finalmente estavam à frente do estabelecimento, não demoraram a entrar. O sininho anunciou a entrada, e ali o ambiente calmo e cheiroso lhes deu um novo ar. Era bem simples, mas ainda sim aconchegante. Com uma declaração acústica e uma musiquinha de fundo que lhe dava uma sensação de paz. Quem avistou o restante do grupo foi Kou, que ainda de mãos dadas, dessa vez puxou a menor até eles.

— Bom dia!! — o mesmo disse primeiro assim que estava perto o suficiente. Em seu tom animado, nem parecia que momentos atrás estava tão sério. Nene também os cumprimentou, soltando suas mãos das dele para abraçar Aoi. Na mesa, além da roxeada estavam: Akane – o namorado da mesma –, Lemon, Mei, Yokoo e Satou. Nene sentou-se ao lado da amiga, já Kou ficou entre Satou e Yokoo. Costumavam estar ali cedo para tomarem juntos alguns dias da semana. Era incrível como todos, mesmo bem diferentes, podiam se dar tão bem.

Nene sorriu de forma boba, observando Minamoto e seus amigos fazendo algumas brincadeiras bestas, junto de Lemon, tirando riso de todos na mesa. Sentia-se renovada juntos de seus amigos.


~*~


Mais tarde, naquele mesmo dia, não possuia nada à tarde além do clube de jardinagem na escola. Estava pronta para ir embora, mas antes teve que recolher seus materiais na sala de aula e acabou encontrando com seu professor de matemática, Tsuchigomori. Estranhou, pois ele sempre ia embora mais cedo e ali provavelmente já eram uma da tarde, quase duas, na verdade. Não possuiam aulas naquela sala naquele horário, muito menos aulas daquele professor.

— Tsuchigomori-sensei? Licença! — disse antes de entrar. O mais velho olhou para a mesma e acenou com um curto sorriso; ela devolveu o sorriso, adentrando lentamente a sala. — O que aconteceu? — perguntou ao vento assim que chegou em sua pasta — O senhor quase nunca fica aqui à tarde.

A pequena o olhava com curiosidade, ele suspirou, tomando uma pose um pouco séria. Yashiro logo viu que boa coisa não era.

— Um rapaz do segundo ano me dando problemas — massageou os olhos por cima dos óculos, parecendo cansado.

— Eu o conheço? — alguns passos foram dados pela mesma. Ela pareceu bem, bem curiosa.

— Yugi Amane — o nome fez a pequena arregalar os olhos e parar, se apoiando em uma das carteiras da primeira fileira, perto da mesa do professor.

— Eu dizer que ele é um furacão — disse risonha. Seu Sensei estava sério, e isso a fez arquear a sobrancelha. — Sensei?

Tirou os óculos, mexendo em seu cabelo bicolor. Tsuchigomori era sempre extrovertido, e o ver assim era bem raro. De certa forma, o peso de seus olhos agora quase tiravam todo o equilíbrio de Nene.

— Mais complicado que isso — deu outro suspiro. — Ele tem comportamentos rebeldes e sempre aparece machucado. O irmão dele também, Tsukasa. Mas a diferença é que o outro não se tem uma única reclamação.

— Acha que eles brigam? — sentou-se sobre a mesa, colocando a pasta no colo.

— Não sei. Amane parece me odiar e não me conta nada — deu um riso baixo e desanimado. — Mal me deixa tratar os machucados dele. Tsukasa também não fala sobre, mas é bem mais fácil de lidar.

— Que complicado  — cruzou os braços. — Será que não tem alguma forma de ajudar ele? Quer dizer, nitidamente ele tem problemas de controlar raiva pelos boatos que correm por ai. Isso é sério.

O homem resmungou, ficando em silêncio por um tempo.

— Ele às vezes pode se abrir com alguém da idade dele — observou, fazendo o mais velho a olhar por um momento. Continuou: — Provavelmente problemas fora daqui estão o deixando assim. Mas criar teorias não dá certezas.

— Nene, e se você fosse esse alguém? — a mesma soltou um: "eh?" piscando os olhos, sem entender.

— Eu? Sensei, eu sou a pior pessoa do mundo para interagir — sorriu de forma sem graça. A ideia de estar junto de um pseudo delinquente não era das melhores.

— Ele tem dificuldade na minha matéria e toda matéria de exatas, na verdade — voltou a colocar os óculos. — E você é uma das minhas melhores alunas. Além de ser muito paciente. Ninguém melhor do que você pra essa missão.

— Sensei... — sussurrou, desviando o olhar. Aquilo era no mínimo difícil.

— Eu só posso pedir isso para você — disse, atraindo a atenção da mesma. — Não posso os expor, me entende? — a menina acenou positivamente — Eu entendo se não quiser, mas sei como você é.

Brincava com os polegares. Nene era uma das crianças mais genuínas e puras que já conheceu; ela possuia empatia por todos e sabia que nesse caso não era diferente.

— Ele provavelmente vai me odiar — riu. — Eu não sei se isso vai dar certo — levantou o olhar ao professor.

— Algo me diz que talvez não — sorriu. — O que acha de algumas aulas? Você uma vez me disse que queria cursar pedagogia, não? Lidar com adolescentes problemáticos faz parte.

Ele tinha um ótimo argumento. Yashiro sempre quis ser professora e, querendo ou não, ele estava certo. Mas ainda sim algo lhe dava medo. Havia se encontrado poucas vezes com ele, no corredor mesmo, nunca esteve em sua sala, mas era o suficiente para ter receio do mesmo. Suspirou.

— Posso usar tranquilamente minhas segundas, quartas e quintas — começou, atraindo a atenção do outro. — São os dias que não tenho curso, nem estágio. Geralmente fico mofando em casa, de qualquer forma.

— Então tudo bem mesmo? — não escondeu o sorriso de satisfação.

— Sim — levantou da carteira, rindo um pouco nervosa — já me afundei nisso mesmo — "e não sei dizer não pro senhor" completou mentalmente.


E foi assim que acabou metida nessa história toda. Era engraçado como sua curiosidade apenas a levava para encrenca. Suspirou. Era ainda o primeiro dia, o primeiro contato, mas tanta pressão a fazia querer desistir. Deitou a cabeça sobre a mesa, por cima de alguns papéis, olhando rapidamente para Amane, que não parecia tão horrível quanto falam, mas ainda sim possuía uma presença que a deixava meio desconfortável. Nesses poucos minutos com ele percebeu realmente sua dificuldade na matéria, e em como estava um pouquinho satisfeita em ajudar. Sempre foi do tipo que estava disposta pelos outros, mas nunca soube ser ajudada. Na verdade, nunca teve realmente pessoas para a ajudarem até seus amigos, mas quando eles chegaram, já havia se fechado em uma bolha emocional. Difícil demais para ser falada.

Levantou, esticando o corpo ainda na cadeira, soltando um grunhido baixo. Estava sonolenta naquele dia, e o silêncio da sala apenas piorava sua situação. Cruzou as pernas, pegando o celular em cima da mesa e checando duas e quinze. Estavam ali proximadamente vinte e cinco minutos, e definitivamente não pareceu tudo isso para Nene. Amane não media palavras para lhe perguntas as coisas e isso era bom! Talvez tivesse começado com o pé direito! Estava minimamente feliz pelo possível progresso. Ele parece um rapaz que precisa de atenção, e só olhando agora ele pôde reparar. Provavelmente, algo de muito sério vem acontecendo. Ouviu relatos dele ter sido uma criança doce até o momento em que mudou drasticamente; o mesmo com o irmão dele. Parece que ambos haviam trocado os postos – Nene se perguntava o que havia acontecido.

Ele era bem bonito, deveria admitir. Seus cabelos curtos combinavam junto de seu olhar um tanto selvagem. Naqueles olhos acastanhados muita coisa não parecia certa; muitos mistérios pareciam estar pedindo para serem desvendados. Quase não reparou quando viajou olhando o mesmo. Ele parecia um enigma; achava brega esse tipo de expressão, mas ela fazia total sentido nele. Sentia mais do que tudo que deveria ter cuidado com ele. 

— Por que? — a voz deste a pegou de surpresa. Sentiu todo o seu corpo travar e tremer. Olhou o rapaz assustada.

— O que?

— Porque ta fazendo isso? — apoiou o cotovelo na mesa e apoiou a bochecha na mão destra, olhando para a mesma. — Você tá sendo legal demais comigo. Ninguém me trata dessa forma.

Naquela afirmação havia pego no coração de Yashiro. Ninguém? Era óbvio, que de alguma forma alguém deveria dar atenção à ele... Não é? Quer dizer, droga! Ele é um adolescente. Provavelmente está apenas aumentando, não é possível. Diante do que sabia até o momento, não conseguiu o responder. Estava um pouco abalada.

— E então? Não vai falar nada? — chamou a atenção dela outra vez.

— Eu quis — disse simplista, desviando o olhar. — Eu não sou ninguém, e tenho um nome. Eu só achei que pudesse te ajudar...

— Por que ajudaria alguém como eu? — arqueou a sobrancelha; sua expressão era o mais puro deboche que já pôde represenciar. 

— Eh?

— Não se faça de desentendida — bateu fortemente as mãos na mesa, assustando a garota, que o olhou sem reação e um pouco encolhida. — Você sabe bem do que eu tô falando.

O silêncio se dependurou por alguns momentos e antes que pudesse insistir em repostas, Amane foi surpreendido com uma visita um tanto quanto fora de hora. A porta entreaberta foi completamente aberta, e ali, uma cópia um pouco mais alta de si entregou chamando por si.

— Amane! — como o citado estava na primeiro fileira, foi bem fácil o outro chegar em si, abraçando-o por trás de forma carinhosa. A expressão satisfeita do recém-chegado de estar próximo ao irmão, definitivamente não condizia com a de aversão que o mais velho fazia. Na verdade... Se quer sabia o que aquela expressão era. Eles não se odiavam, em teoria?

— Tsukasa — saiu mais seco do que o esperado e isso não pareceu incomodar o outro. A mão canhota de Amane descansava na destra do maior, que havia passado ambos braços pelo seu pescoço e jogava um pouco do seu peso nele.

— Vamos pra casaaa — de forma manhosa, arrastou a frase. — Fiquei te esperando pra irmos juntos. Você pode ir, não pode? 

O Yugi mais mais velho olhou para Yashiro, e ela logo entendeu.

— É-É... Claro que podem ir.

— Obrigado — responder da mesma forma seca. Os irmãos se separaram e Amane guardou suas coisas. Antes de sair, parou ao lado da mesa onde a menor estava. Lhe dizendo apenas para que ela pudesse ouvir: — Ainda não terminamos a conversa.

E saiu. Saiu deixando Nene nervosa e um pouco arrependida de ter se metido naquilo.



Notas Finais


espero que tenham gostado. <3

• kouhai/senpai: kouhai é basicamente alguém mais novo, ou em ano escolar inferior. senpai é o contrário: é quem está avançado, ou é mais velho.


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