1. Spirit Fanfics >
  2. Bad Guy >
  3. Uma Boba e Um Ciumento

História Bad Guy - Capítulo 13


Escrita por:


Notas do Autor


Sim, eu saí do hiatus. A questão é: consegui, mesmo que por pouco tempo, organizar os roteiros das minhas fanfics. Além disso — o mais importante —, tirei toda a pressão que eu mesma colocava em mim.

Diante disso, deixo avisado que não temos nada fixa para postagem. Vou escrevendo em horários vagos, mas não garanto nada rápido. Vai ser tudo mais leve.

Boa leitura!

Capítulo 13 - Uma Boba e Um Ciumento


C A P Í T U L O  T R E Z E

Uma Boba e Um Ciumento

 

 

— Você está bem? Tem certeza que não se sente mal?

Suigetsu repetira essas perguntas umas cinco vezes, juntando as suas sobrancelhas até, quase, virarem apenas uma. Sasuke o encarou, fechando minimamente o seu olho esquerdo e, em seguida, umedecendo os seus lábios. Estava quase pedindo aos céus para que o platinado só aceitasse o que havia acabado de falar.

— Eu estou ótimo.

— Me diga, o que consta no artigo 12 da Constituição Japonesa?

— Que os direitos e liberdade do povo estarão garantidos pelos esforços dos mesmos. — o moreno o respondeu, ainda não entendendo para onde Suigetsu queria ir com aquela ladainha. Para falar a verdade, Sasuke estava quase se irritando. — O que caralhos isso tem a ver?

— Bem, você poderia ter me dito qualquer coisa que eu acreditaria facilmente que era o artigo 12. — Suigetsu assumiu, mirando o teto daquele refeitório,  o que parecia que ele mais falava para si. Após ouvir um pigarreio nada paciente de Sasuke, o platinado voltou a sua atenção para o mesmo. — Só queria saber se você estava lúcido.

— E por que eu não estaria, Hozuki?

— Porque acabou de me assumir que está apaixonado. Acha isso pouco?

— O que há de tão anormal nisso? Eu não sou um monstro.

Bem, de fato, exigir que as pessoas simplesmente lidassem com essa confissão, da melhor forma, seria pedir demais. Afinal, nem mesmo Sasuke se lembrava de quando teve essa conversa com algum amigo. Aliás, não fazia a mínima ideia se havia tido.

— Não, você é Sasuke Uchiha. — Suigetsu se remexeu ainda mais sobre a cadeira, aproximando-se de Sasuke. O moreno só visualizava a maneira focada e obsessiva que seu amigo falava aquilo, querendo provar ao universo o quão absurdo tudo isso era. — Pelo o que eu fiquei sabendo, você não costuma gostar de pessoas. Você só fode, Sasuke.

— E o que ficou sabendo, exatamente? — Sasuke arqueou uma sobrancelha, abrindo minimamente a sua boca em um sinal de desconfiança. Não gostaria nenhum pouco que Suigetsu soubesse de seu passado.

— O óbvio. Que se você procurar a palavra galinha em um dicionário, consegue achar o seu nome e uma de suas fotos.

— Idiota.

O moreno jogou o palito de dente que, antes, estava entre os seus dentes, em Suigetsu, arrancando uma risada baixa e debochada do mesmo. Estava claro que o platinado queria zombar Sasuke ao máximo, fazendo-o se amaldiçoar por nutrir qualquer coisa por Sakura.

— O que pretende fazer? — a pergunta, agora, seria, de Suigetsu fez o Uchiha juntar as sobrancelhas e encará-lo com uma cara de pamonha, deixando a sua cabeça tombar para o lado direito.

— E eu tenho que fazer algo?

— É lógico. — pela expressão de Suigetsu, Sasuke esperou vir um “é claro, seu otário”. Ele só não conseguia entender o que caralhos aquilo significava, o que fez o platinado soltar o resto de ar pela boca, derrotado. — Espera que ela, por um milagre, descubra isso sozinha e venha falar com você?

— Eu pensei que você havia me dito, há cinco minutos atrás, que Sakura era muito inteligente para mim.

— Entenda, eu falei sobre inteligência, não sobre adivinhar algo que, pelo o que percebi, não há como. Você é um bunda mole o bastante para não deixar claro o que sente.

— Hozuki, não complica.

— Quem está complicando é você, Sasuke. Porra, você é um cara tão crânio... 

— Então, me fale o que isso significa.

— Eu estou falando, seu paspalho, que você tem que falar isso à Sakura. Precisa abrir o jogo e ver no que dá.

— Resumindo, você quer me ver levando um fora.

Se Sasuke pudesse mensurar o medo de ser rejeitado por Sakura, depois de entender o quão apaixonado estava por ela, passaria qualquer número já conhecido pelo ser humano. Era algo que o deixava em uma zona de conforto nada confortável. Não podia sair dali, mas sentia suas pernas doerem, clamando por algo que não fosse a inércia.

— Sasuke, presta atenção, — o platinado inclinou o seu tronco para mais perto do amigo, como se fosse contar um segredo. Pôs uma mão em seu ombro e outra ao lado de seu rosto, fazendo Sasuke estranhar aquilo tudo. Porra, ele iria contar algo sobre a Sakura ou assumir que era um foragido da polícia? — se você não agir, alguém o fará. Foi a mesma coisa com a Karin. E, assim, pouco vai importar o fora que você vai levar, porque, só de pensar que pode perdê-la, isso será o suficiente para fazer de tudo para ter aquela mulher contigo.

Foi como um soco. As palavras de Suigetsu fizeram Sasuke perceber o quão covarde estava sendo, principalmente com Sakura, a pessoa que ele mais via força. Não podia ser assim, não com ela. Caralho, era um homem ou não? Que porra de comportamento era aquele?

Mas, no fundo, não era algo que o surpreendia, porque sempre, em qualquer ocasião, Sakura o fazia sair de seu habitat. Ele não duvidava que o Diabo teria uma filmagem de todos esses momentos, mostrando-a para Sakura, a fim de servir como uma diversão diária para os dois.

Ela era a própria diaba.

— Você é um frouxo mesmo. — Suigetsu zombou e soltou uma risada anasalada após ver o estado de Sasuke. Parecia até que ele teria que decidir sobre o futuro da nação, pois era visível o quão apavorado estava. Quando percebeu que já era hora de voltar, pensando na próxima aula daquela manhã, levantou-se e se despediu de Sasuke, num suspiro: — Vou indo, Sasuke Paixão.

— Sasuke Paixão? — o moreno virou o rosto ao amigo, tentando entender que caralhos ele queria dizer. 

— É. Só há paixão em você, agora. 

— Vai se foder.

O platinado riu, seguindo rumo à saída do refeitório. Sasuke quase viu o sorriso ordinário no rosto do amigo, o que o fez revirar os olhos e se levantar, arrumando forças para seguir a sua última aula daquela manhã.

É claro que Suigetsu tinha razão, e isso só causava ainda mais raiva em Sasuke. O que ele queria? Passar o resto de sua vida e não falar nada à Sakura, esperando alguma intervenção divina? Não poderia ser tão tolo assim. Tinha que ser corajoso o suficiente, e ele seria.

Quando chegou em sua sala, percebeu que o único canto seria ao lado de Mia. 

Depois do que Sakura o disse, perdeu — o que quase não tinha — toda vontade que tinha de ficar com a loira. Era uma idiota, e, provavelmente, isso o faria ficar mal com Sakura, a última coisa que ele queria.

Por isso, não falou com a Senju e concentrou os seus olhos na tela de seu celular, esperando a chegada de seu professor. Mas isso não foi o suficiente, pois a dita cuja o chamou, fazendo Sasuke achar que não existiria uma forma mais melosa e agonizante de pronunciar o seu nome.

Virou o seu rosto em direção à ela, demonstrando nenhuma emoção.

— Oi, Mia.

— Oi, Sasuke. — sorriu da maneira mais doce que Sasuke pôde ver, o que o fez sentir um certo enjoo. Ela só poderia estar forçando esse comportamento, pelo amor de Deus. — Você sumiu.

— É. Ando ocupado.

— Eu percebi... você parece ter esquecido sobre a nossa saída.

— Não, eu não esqueci.

O rosto de Mia se esticou em um enorme sorriso, parecendo uma menina de doze anos cheia de esperanças com o garoto que gostava. Sasuke até quis se sentir mal por ela, mas não conseguia. Só não tinha mais saco para aquela mulher.

— Jura?

— Sim. — ele soltou um longo suspiro, encolhendo os ombros de uma maneira mais relaxada. Fechou os olhos por alguns segundos, pensando em como faria para afastá-la, mas só vinha a ideia de Suigetsu a sua cabeça: tinha que ser direto. — Eu só não estou mais a fim, entende?

— O que? Por quê? — ela arqueou sua sobrancelha, repuxando o canto de seus lábios, o que Sasuke acreditou ser um tique.

— Não dá.

— Pode ser mais claro e objetivo? Porque, há umas três semanas atrás, você sempre procurava uma maneira de flertar comigo.

Sasuke achou, no mínimo, um grande exagero, porque não era como se ele esperasse todos os dias apenas para dar em cima de Mia. Ele era um jogador, por isso aproveitava qualquer mísera oportunidade de pontuar, e isso se somava ainda mais com o fato dela ser uma gata.

Talvez, ele fosse um fútil do caralho. Não daria tanta importância para isso agora.

Por isso, diante de tanta comoção por parte da loira, Sasuke apenas direcionou os seus olhos aos dela, mantendo uma expressão séria. Mia podia jurar que nunca tinha visto aquele semblante em Sasuke — e ela já havia presenciado vários estados de espírito por parte dele, principalmente quando a aula era um tédio.

— Vou ser claro e objetivo, desta vez, sim? — umedeceu os lábios rapidamente, endireitando a sua postura. Era uma calma que surpreendia até ele mesmo. — Perdi a vontade. Simplesmente, eu não quero mais ficar com você... é tão difícil de entender?

— Tem alguém? — ela continuava insistindo, mas não olhava para Sasuke. Passava os seus olhos por cada canto daquela sala, pensando e analisando a situação de uma forma minuciosa, o que fez Sasuke juntar as sobrancelhas completamente abismado com a insistência daquela mulher.

Que chatice!

— Mia, nós dois — apontou com o indicador para ela e para si, atraindo a sua atenção. — nunca tivemos algo, então esse lance de “tem alguém” não se encaixa. Eu nem cheguei a te beijar, no mínimo. Só entende o que está rolando.

— Foi a Sakura, né? — Mia insistiu ainda mais, fazendo com que a sua pergunta soasse mais como uma afirmação. Virou o seu rosto em direção a Sasuke, soltando uma risada anasalada enraivecida. Ele não podia falar nada, porque, de fato, conseguiu se surpreender ainda mais com a loucura de Mia. — É claro que foi! Olha a sua cara.

— Só porque Sakura fodeu, ou sei lá o quê, com o seu namoradinho da época, não significa que ela tem algo a ver com isso.

— Então, se ela não tem, como você sabe disso? Recebeu essa informação do além?

— É, Sakura me contou, mas o verdadeiro motivo de eu não ficar com você é porque eu te acho uma chata. Porra! Só cala a boca, o mundo não gira ao seu redor. — Sasuke bradou, ainda conseguindo manter o tom de voz razoável. Não queria que a sala toda ouvisse uma discussão tão idiota e sem fundamento.

— Você é um babaca!

Mia pegou a sua bolsa de qualquer jeito pela alça, colocando em seu ombro enquanto saía do lado de Sasuke. Ela finalmente havia entendido, o que era suficiente para ele comemorar. Não estava preparado para explicar — algo que não havia necessidade — caralhos nenhum à Mia.

Nisso, percebeu que seu professor ainda demorava, o que levou a pensar se não estava acontecendo alguma reunião entre o corpo docente da instituição.

Pelo tédio, procurou algo para fazer em seu celular, mas já não havia nada de muito atrativo. Os jogos já perderam a graça, porque ele havia zerado a maioria. Mexeu pela galeria e encontrou uma foto de duas semanas atrás, onde ele fazia skincare com Sakura.

Isso o fez soltar um riso anasalado, parando para admirar a foto ainda mais. Nesse último mês, já que estavam em junho, havia feito muita coisa com Sakura. Sasuke até acreditava que havia passado mais tempo com no apartamento das Haruno do que na própria casa, mesmo com Ino ou não.

Ele se sentia bem, principalmente por poder conhecer ainda mais Sakura. Por exemplo, ela tem uma mania extremamente esquisita de falar sozinha, o que já levou Sasuke a pensar se ela era sonâmbula ou louca. Outra coisa, ela ronca enquanto dorme.

Não era algo alto, mas ele achava adorável...

Porra, adorável?

Caralho.

Mas era, o que podia fazer? Estava ainda mais apaixonado e dependente por cada parte de Sakura, o que resultou em Sasuke efetuar uma chamada.

Precisava falar que o almoço, que já havia sido remarcado, finalmente tinha uma data definida. Seria nesse sábado, e Sakura não poderia fugir, já que ele avisaria naquele momento — uma quarta-feira.

Você sabe o que significa a palavra trabalhar?

A voz de Sakura preencheu a saída de som do aparelho, fazendo Sasuke sorrir naturalmente. Ele não se lembrava de quantas vezes havia sorrido tanto para uma única pessoa.

— Não, e você?

Eu estou conhecendo a escravidão, o que o Deidara está fazendo comigo agora. — ela o confessou em um sussurro. Sasuke quase pôde vê-la olhar para os cantos, parecendo uma foragida.

— Muito trampo?

Demais. Nossa! — ele conseguiu ouvir um longo suspiro, seguido por um barulho de estofado. Parecia que Sakura havia se jogado em alguma superfície confortável. — Passei a manhã toda fotografando Karin. Parece que esse álbum dela é de caráter internacional... acho que Deidara está muito confiante sobre ela.

— E não deveria?

É claro que deveria! Karin merece tudo isso. Só estou dizendo que isso irá chamar atenção de agências maiores, principalmente as de outros países.

— Essa coleção está tão boa assim? — Sasuke voltou a ficar com uma postura relaxada, rabiscando algo em uma folha vazia que ele carregava consigo.

Está! Deidara disse que contou com quase dez patrocinadores de grande porte. — ela parecia animada e, ao mesmo tempo, cansada. Sasuke podia imaginar que a Haruno não parara quieta, principalmente se levasse em conta a sua preocupação com os detalhes. — Pensei que o seu ensaio fosse hoje. Não vem?

— Vou na parte da tarde, igual os outros três modelos. Você que vai nos fotografar, não está lembrada?

Sim, eu estou, por isso perguntei. — depois de uns segundos, ele pôde ouvir um resmungo. — Hum, vem cá, você não tem aula?

— Tenho, mas, aparentemente, os professores não ligam muito para isso.

Como se você não gostasse... — ela debochou, fazendo Sasuke rolar os olhos. — Falando nisso, conseguiu arranjar alguma empresa para finalizar esse seu estágio VI?

— Parece que meu pai quer que eu vá para a da nossa família.

E você quer?

Ele soltou o ar dentro de si de forma cansada, umedecendo os lábios para responder:

— Bom, eu não vou reclamar. Vai me dar experiência na área de advocacia, mesmo eu não tendo o título ainda. Não pretendo seguir eternamente como advogado, e você sabe disso.

E ela sabia, já que Sasuke fazia questão de arrancar o máximo de informação sobre Sakura, nos momentos que estavam juntos. Mas não era só isso, pois ele também queria que ela soubesse coisas sobre ele. Ele queria que ela também sentisse vontade de conhecê-lo e tê-lo.

Eu sei. — ele ouviu um barulho, como se fosse alguém falando com Sakura. — Só um segundo. — pôde perceber que ela pôs a mão sobre o microfone do aparelho, o que dificultou a sua compreensão sobre o que estava acontecendo ali. — Sasuke, eu preciso desligar. Deidara quer conversar comigo sobre o ensaio da tarde.

— E eu vou aproveitar para fazer algo que preste. Não se esqueça do almoço. Será sábado.

É interessante fazer isso, levando em conta que está em uma faculdade. — a voz dela saía ácida como o veneno de uma cobra, e ele quase pôde visualizar o sorriso dela a sua frente. — Vou colocar esse almoço na minha agenda. Beijo! A gente se vê mais tarde.

— Beijo.

Ela desligou a ligação, mas Sasuke ainda continuou encarando o teto. “Beijo”? Quem manda um “beijo”? Aliás, quando ele fazia isso? Bom, era automático. Não tinha muito controle sobre suas ações, aparentemente.

Antes de morrer internamente por se achar ridículo, o professor chegou, o que fez Sasuke soltar um suspiro de alívio.

 

¥

 

— Por que você está aqui mesmo?

— Porque eu não tenho nada melhor para fazer. — Suigetsu deu de ombros, acompanhando Sasuke rumo à entrada do estúdio fotográfico, já fora do carro.

— Sua vida deve ser uma merda.

— A sua consegue ser pior. Não é à toa que eu me preocupei e vim te acompanhar.

— Você é um imprestável, Hozuki.

Suigetsu apenas riu, passando pela recepção junto a Sasuke. Ele havia se apegado ao moreno, nesses quase três meses, de uma maneira legal. Era uma amizade sadia, porque Sasuke não mantinha aquela camada de hipocrisia igual a todos daquele lugar. Era errado mesmo, e assumia as consequências por isso.

Passaram pelo elevador, onde Suigetsu percebeu uma certa agitação em Sasuke. Será que a conversa de mais cedo teria feito efeito?

— Se sugar o ar desta maneira, mais uma vez, nós morremos com insuficiência de oxigênio.

— Por que você não vai se foder, hein? — o moreno resmungou, dobrando os braços sobre o peito. Estava aparentemente irritado com as caçoadas de Suigetsu, porque, no fundo, o paspalho tinha razão.

Desde a conversa de mais cedo, Sasuke não parava de pensar no quão fodido estava. Além de gostar de Sakura, falou para Suigetsu. Em que momento de loucura achou que seria uma decisão maravilhosa?

Poderia acreditar, diante daquilo, que o seu cérebro estava disposto a acabar com todo o seu próprio sossego. Talvez Sasuke fosse masoquista, se levássemos para esse lado, mas ele não saberia com toda a certeza.

— Não precisa ficar tão ansioso, Sasuke. — o platinado encarou o mesmo de maneira séria, umedecendo os lábios antes de continuar. — Você vai contar para ela?

— Que eu estou fodidamente apaixonado por ela? Não, não. No momento em que eu ouvir a risada dela, eu vou querer me matar, e então não terá valido nada todos esses anos na faculdade.

— Qual é, Sasuke. — Suigetsu desmanchou toda a sua paciência em uma careta, passando as palmas das mãos por seu rosto em uma forma de descontar a raiva que sentia. Virou-se para o amigo, aproveitando que ainda faltava algum tempinho para as portas do elevador abrirem. — Ela não vai esperar por você para sempre, está entendendo?

— Se vai me chamar de covarde novamente, sugiro que o faça bem longe de mim. — Sasuke pôde finalmente sair daquele cubículo, que parecia ainda mais sufocante pela conversa que habitava ali. — Estou cansado dos seus conselhos.

— Você que sabe.

Suigetsu deu de ombros, voltando a acompanhar o moreno. Eles passaram por algumas salas até chegar no local do ensaio, onde havia uma grande transição de pessoas. Pelo o que se mostrava, parecia, de fato, ser coisa grande, o que levou Sasuke a pensar que ganharia uma boa grana.

Receberam alguns empurrões, mas conseguiram chegar no local onde as fotos realmente estavam acontecendo, longe do espaço do figurino e das maquiagens. Quando esticou um pouco o seu pescoço, Sasuke conseguiu visualizar Karin encostada em uma coluna do prédio, bebendo, provavelmente, algum drink alcoólico.

A ruiva rodou os olhos e viu os dois, abrindo um sorriso enquanto andava em direção ao namorado. Sasuke não pôde deixar de perceber a cara de bobo que Suigetsu fazia quando estava com Karin, o que o fez revirar os olhos. Mas, no minuto seguinte, pensou se parecia assim quando se tratava de Sakura, fazendo uma careta logo em seguida.

Era patético.

— Não sabia que vinha, Sui. — Karin falou, após deixar um beijo estalado na bochecha do mesmo. Ela lhe dava um sorriso que mostrava os dentes, e Sasuke quase pensou se havia algum tipo de hipnose no que ela fazia, pois era como se Suigetsu tivesse entrado em alguma outra dimensão.

— Nem eu sabia que ele vinha. — Sasuke se meteu, podendo ouvir Karin rir baixinho. Suigetsu apenas o deu a língua, sustentando uma birra irritante para Sasuke.

— Eu não tinha nada para fazer, então resolvi acompanhar esse mané aí.

— Uma péssima escolha, devo confessar.

— O que foi? Ele brigou com a Sakura? — Karin perguntou para o namorado, mas conseguiu chamar a atenção de Sasuke que mantinha o cenho franzido. Não entendia o que Karin queria dizer.

— O que Sakura tem a ver com isso?

— Ué, vocês passam mais tempo juntos do que separados. É como se você sincronizasse o seu ciclo menstrual com o dela, entende? — pela careta que Sasuke fez, a ruiva percebeu que isso só havia piorado a situação. Ela se permitiu a rir.

— Não, não entendo.

— Mulheres, quando passam muito tempo juntas, tendem a sincronizar o seu ciclo.

— Não sei se percebeu, porque deve ser muito difícil, mas eu não sou mulher.

— Não? Porra, o cabelo me enganou. — o platinado zombou, ganhando o dedo médio do moreno. Sasuke bufou, mostrando-se indisposto para aquela conversa que não tinha o mínimo sentido.

— Hozuki, vai arranjar alguma foda com a sua namorada por aí, por favor.

— Vamos? — Karin quase riu pela cara animada e sem o mínimo de decência vinda de Suigetsu. Era cômica demais.

— Não, não podemos... Mas, falando em período fertil, não sou eu quem está com esse fogo pelo estúdio.

Quem falou em período fertil, por Deus? — Sasuke teve que se meter na conversa, perguntando meio incrédulo. Karin só poderia ser louca, o que explicava os surtos de Suigetsu. O namorado dela apenas riu, passando seu braço pelos ombros da mesma.

— Por que você está falando sobre essas coisas femininas, meu bem?

— Eu só estou esperando o momento em que Karin falará que é alguma ginecologista atrás de cliente, querendo nos mostrar alguma promoção imperdível. — Sasuke foi sarcástico, acabando com a chance de Karin responder a pergunta que seu namorado havia feito. Ela apenas colocou um bico em seus lábios, soltando uma rabiçaca para o moreno. — O que é uma pena, porque minha irmã tem vergonha de falar sobre qualquer coisa comigo. Minha mãe, acho até que já entrou na menopausa.

Porra, cala a boca. Eu não quero te vender uma consulta, droga. — Karin bradou, fazendo Suigetsu morder o interior de suas bochechas para não rir, porque ela trataria aquilo como uma traição. — Só estou falando que eu não sou a mais provável entre as pessoas daqui para querer transar. Apenas.

— E quando você se tornou um detector de tesão? 

É, aparentemente, Sasuke estava disposto a infernizar e tirar qualquer mínima paciência vinda da ruiva, pois ele ostentava uma calmaria invejável diante da expressão de ódio que se formava no rosto dela.

Porém, os deuses não estavam a seu favor naquele dia, pois Karin direcionou um olhar totalmente maquiavélico sobre o ombro de Sasuke, fazendo-o franzir o cenho e virar o seu pescoço para descobrir o que estava acontecendo.

Nunca se sentiu tão arrependido quanto aquele momento, onde conseguia visualizar perfeitamente um marmanjo loiro de um metro e oitenta — ou algo perto daquilo — dando em cima de Sakura. Mas, meus amiguinhos, o pior, para Sasuke não era aquilo. Sakura estava trocando sorrisos e flertes, como a boa jogadora que ele havia conhecido.

Droga!

— Bom, parece que o meu detector de tesão estava certo. Não dou quinze minutos para o próximo destino dos dois ser aquele banheiro feminino.

Banheiro feminino? Aquele mesmo onde os dois haviam se pegado pela primeira vez? Porra, pro inferno, então Sakura já tinha tudo planejado desde o princípio. E pensar que Sasuke fora algo fora do habitual... que nada. Ele não sabia se sentia com raiva ou frustrado, porque não queria imaginá-la levando aquele cara até aquele maldito cômodo do estúdio.

— Foda-se.

— Karin. 

Sasuke ainda pôde ouvir Suigetsu repreender a namorada, mas ele já seguia em direção à Sakura.

Quando a mesma virou o olhar em sua direção, pôde sentir a garganta arder pela maneira que engoliu a seco. Os olhos com certeza estavam arregalados, isso ela já sabia, mas não havia como ser diferente. A imagem de Sasuke com as sobrancelhas juntas e uma expressão de ódio, indo até ela e focando os seus olhos negros no rapaz, Shi, e em si, era o suficente para deixar as suas pernas na mesma consistência de uma gelatina.

No momento em que Sasuke parou e encarou os dois, umedecendo os lábios, Sakura sorriu amarelo para o loiro.

Nossa, oi, Sasuke! — ela riu, nervosa, fazendo Shi rir junto. Já Sasuke não achou tão engraçado assim, então continuou com um olhar duro.

— Está surpresa com a minha presença? Achei que soubesse que eu viria.

— Não, claro que eu sabia que você viria... — ela subiu as palmas da mão até a altura de seus peitos, num ato de puro nervosismo. Estava na cara que ela não se encontrava em uma boa situação, mas o que poderiam exigir? Sakura nunca havia passado por isso, porque nunca houve um cara antes. Pigarreou, antes de continuar. — Bom, eu só estava falando para o Shi sobre como vai funcionar o ensaio de vocês...

— Shi? — Sasuke perguntou, encarando-o. Esticou a mão em sua direção, não deixando de olhá-lo por nenhum minuto. Pareciam dois cachorros brigando por quem marcaria aquele poste, e, no caso, o poste seria Sakura, de um metro e sessenta e cinco. — Sasuke Uchiha, prazer. Acho que já deve ter ouvido falar.

— Sasuke Uchiha? Não. — o loiro até fingiu pensar por alguns segundos, mas estava claro que ele havia entrado no jogo de Sasuke. Ora, qualquer homem percebia quando um cara estava interessado em uma mulher. — Eu estava conversando com Sakura sobre alguns lugares para fazer um book independente. Ela é muito talentosa.

— Sim, ela é bastante. — Sasuke muito provavelmente havia garantido de uma maneira muito suspeita, o que fez Sakura arquear as sobrancelhas. — Já me fotografou independentemente, inclusive. O lugar foi Now Is Forever.

Now Is Forever é um lugar muito aberto. Eu gostaria de algo mais fechado, entende? Sem muitas pessoas por perto. Eu sou o modelo, mas Sakura é a estrela. — Shi, dessa vez, devolveu olhando diretamente para Sakura, ostentando um sorriso de canto nada confiável. Ela só pôde abrir minimamente os seus lábios, procurando por alguma resposta.

Porém, a sua falta de palavras deixou Sasuke altamente irritado. O que ele poderia fazer ali? Pegar na mão de Sakura, tirá-la dali e dizer ao mundo que ela era sua? Lógico que não. Por isso, se permitiu soltar uma risada enraivecida, porque a situação era cômica.

— Eu vou me preparar.

Ele não deu tempo de Sakura responder, saindo dali com mais ódio ainda. Ela quase pensou que o chão fosse se abrir, diante da força que ele colocava. Virou o rosto em direção ao loiro, umedecendo os lábios.

— Eu vou precisar tomar uma água.

— Vai lá. Eu vou falar com Juugo e Omoi. — ele deu de ombros, nenhum pouco abalado com o que havia acontecido. Sakura quase o perguntou como conseguia ser tão debochado assim, além de incrivelmente gostoso, claro. Ela gostava de Sasuke, mas não havia virado cega.

Por isso, encarou a sua garrafinha de água numa mesinha bem ao lado de Karin, que olhava para Sakura com um sorriso contido. Óbvio que a ruiva tinha gravado toda a cena, para a infelicidade de Sakura.

Foi andando até onde estava o casal, inclinando a cabeça para cima enquanto fechava os olhos em um cansaço quase palpável. Isso quase fez Karin sentir pena.

Quase.

Porém, a Uzumaki não era tão má assim. Tudo bem que seria maravilhoso zombar da cara de Sakura, mas as coisas ficariam ainda melhores se Karin desse uma mãozinha. Estava na cara que Sakura e Sasuke não chegariam em lugar nenhum daquele jeito.

Diante disso, Karin esticou a mão em direção a rosada, terminando por fazê-la sentar em seu colo.

A visão era jocosa demais: Sakura em cima de Karin, que estava sobre Suigetsu. E, aparentemente, os três não se incomodavam com aquela situação.

— O que foi aquilo? — Karin quebrou o silêncio, fazendo surgir um bico de frustração em Sakura. A amiga soltou um suspiro, antes de respondê-la.

— Eu não sei.

— Você parecia nervosa... 

— Eu sei.

— Por quê?

— Eu não sei.

— Queria transar com aquele loirinho?

— Não sei.

— Acho que Sasuke te fez ficar daquele jeito.

— Eu sei.

— Será que dava para você responder algo que não tenha "eu", "não" e "sei", por favor? — Suigetsu se meteu, sustentando uma expressão agoniada enquanto intercalava olhares para cima, já que as duas estavam acima de si.

— Não... — Sakura ia efetuar uma resposta, mas percebeu que não conseguia dizer nada que não composse aquelas três palavras que o platinado citara. Soltou o ar de seus pulmões e pensou, antes de concluir: — Impossível.

— O que está te incomodando, Sakura?

— Não tinha nada me incomodando, Sui.

Lógico que tinha. — Karin bradou, ganhando a atenção dos dois.

— Karin não tem razão. — Sakura até tentou se defender, mas aquilo não alterava em nada o que estava acontecendo, e os três sabiam disso.

Aka te conhece melhor do que eu, Sakura. — o platinado encarou a melhor amiga da namorada, mas o seu olhar não era duro nem zombeteiro, simplesmente carregava empatia. Ele pediu licença à Karin e se levantou. — Vou deixar vocês conversarem.

— Espera. — Sakura pediu, parando Suigetsu antes que ele pudesse dar mais algum passo. Ele virou o seu pescoço, encarando-a sobre o ombro esquerdo. — Você sabe do que está rolando aqui, não é?

— Sei.

E foi o que ele disse, saindo de lá sem esclarecer coisa alguma à ela. Porém, a sua pergunta, por mais que direta, ainda era muito subjetiva. Suigetsu sabia sobre a parte de Sasuke e suspeitava da de Sakura, mas não tinha certeza alguma. Já Sakura, sentia-se frustrada por deixar os seus sentimentos tão óbvios assim.

— Anda, me fala, o que está acontecendo?

— Eu não sei, Ka. — Sakura apoiou a cabeça sobre o ombro da amiga, recebendo um afago enquanto tentava processar alguma resposta. — Eu estava ótima. Provavelmente, ficaria com o Shi após o ensaio e pronto. Mas Sasuke chegou de supetão e tirou toda a minha base, me deixando parecida com uma adolescente de quinze anos. Que vergonhoso.

— Você não ficaria com Shi.

Lógico que eu ficaria.

— Sabe que não. — Karin foi mais enfática, ganhando total atenção daquele par de olhos esmeraldinos brilhantes. — Tudo bem, você poderia beijá-lo, mas, quando chegasse naquele momento, você se lembraria de Sasuke e travaria.

— Eu não travaria. — juntou as sobrancelhas, quase podendo ler um "tem certeza?" na testa de Karin. 

— Você travou.

— Porque eu vi o Sasuke. Com certeza, não lembraria e, então, não travaria.

— Você lembraria porque é a fim dele e gostaria de fazer aquilo com ele. Independente de qual momento e de qual ordem seguisse, você não conseguiria. — a ruiva pôs uma mecha rosa para trás da orelha de Sakura, fazendo movimentos circulares sobre a bochecha dela com o polegar, o que a fez ronronar, como um gato, pelo carinho. — Sabe disso, não sabe?

Sakura voltou a encarar a ruiva, pensando o quanto de inteligência e manipulação aquela mulher guardava em si. Com toda certeza, não julgaria Suigetsu por ser tão submisso à Karin, porque o poder sensitivo e controlador dela era algo de outro mundo.

— Por que você sempre tem razão? — perguntou, em um resmungo. A ruiva apenas rui, dando um beijo estalado na bochecha da rosada, como se fosse uma criança precisando de colo e de carinho. 

E Karin daria sem ao menos pensar, porque Sakura era a sua família. Era a sua pessoa, no fim das contas.

— O que pretende fazer?

— E há algo que eu devo fazer?

— O que acha de uma noite só entre nós duas? Faz tempos que não dançamos... — Karin sugeriu, ganhando um sorriso aberto por parte de Sakura. Era uma ótima ideia.

— Leve as cervejas. Eu ainda tenho alguns mantimentos.

— Como nos velhos tempos?

— Como nos velhos tempos, Ka.

No fundo, Sakura sentia falta de ter Karin constantemente em sua vida. Parecia que Sasuke tinha reivindicado uma parte sua, algo enorme, que fez com que a sua amiga não tivesse o tanto que merecia. Mas não havia culpados, pois Sakura apenas o deu o que já era dele.

Porém, antes de ser apaixonada por Sasuke, ainda era Sakura Haruno, e viveria por ela também.

— Bom, como minha sessão já acabou, acho que vou para o estúdio de tatuagem com Sui. Tudo bem para você?

— Sim, vai lá. Eu vou começar a fotografar aqueles quatro. — Sakura se levantou, acompanhada pela ruiva. A sua amiga apenas soltou uma risada anasalada, analisando Sakura.

— Boa sorte.

— Acho que vou precisar.

— Vai mesmo.

A ruiva brincou, já seguindo para onde Suigetsu havia ido. Agora, Sakura precisava encerrar aquele dia exaustivo.


 

¥

 

— Omoi, por favor, incline o seu pescoço um pouco mais para a diagonal superior. — Sakura pedia, agradecendo por ser o seu penúltimo modelo daquela tarde, que já entrava para o anoitecer.

— Direita ou esquerda?

— Esquerda. — assim, ele o fez, fazendo Sakura repuxar o canto dos lábios em um sorriso satisfeito. Já estava cansada, mas agradecia por Omoi ser uma pessoa tão meiga, gentil e atenciosa, porque, muito provavelmente, aquele ensaio demoraria mais que o esperado.

Enquanto ela batia foto de seus melhores ângulos, pelo visor, ela percebia o quão bonito ele era. O seu cabelo meio platinado contrastando com a pele negra deixava Sakura ainda mais atraída.

Talvez, também, pudessem ser os olhos negros, só não eram tão atraentes e dominadores que o de Sasuke Uchiha.

Pensando nele, ela mordeu o lábio inferior ao lembrar que ele ainda era o seu último modelo. Mas o problema não era aquilo, de fato.

Além de Sasuke, ela teria a companhia de Shi, que prometera quase com a própria vida que esperaria até o fim do book, a fim de conversar com ela.

— Preocupada, Sakura?

Omoi a tirou de seus devaneios, fazendo a mulher dar um leve salto para trás. Ele apenas riu de sua reação, fazendo-a ficar com as bochechas ruborizadas.

— Está tão na cara assim?

— Hum, digamos que sim. — ele lhe deu um sorriso calma, tirando quase cem por cento da agonia que habitava nela. Soltou um suspiro e encarou os dois rapazes que estavam próximos à mesa de alimentos dali, voltando a fixar os seus olhos em Sakura. — Qual dos dois é o seu namorado?

— Namorado? — Sakura quase riu, o que evitou tal ato foi a mordida no interior de suas bochechas. Era uma piada? — Nenhum, eu não namoro.

— Isso é ótimo, porque eu lhe chamaria para sair, mas acho que um deles já terá esse privilégio, não é?

— Na verdade, não. — ela riu, deixando a máquina fotográfica completamente livre em seu pescoço. Arqueou as sobrancelhas para Omoi, mandando-lhe um olhar divertido, e se aproximou dele. — Por que acha isso?

— Sasuke está quase colocando uma foto dele na sua bunda e dizendo que você tem propriedade. E, Shi, bem... não falta muito para ele te levar para a primeira sala e fazer o que está planejando. — a confissão de Omoi, mesmo que divertida, tinha um fundo de verdade, o que fez Sakura rir, não sabendo se era de nervosismo ou não.

— Não é verdade.

— Sakura, eu sou homem. — ele a fez concordar, disfarçando o sorriso que crescia em seus lábios. — Por mais que eu ache isso uma atitude dos neandertais, eu conheço o comportamento de um homem quando está com ciúme.

— É para eu ficar com medo? — ela brincou, podendo ouvir uma risada baixa de Omoi.

— Não, mas eu sugiro que deixe claro com quem vai sair daqui. 

— E se eu quiser sair sozinha?

— Saia. Só devo deixar claro que isso acende alguma esperança dentro desse meu pobre coraçãozinho. — ele colocou a mão sobre o peito esquerdo, recebendo um tapinha divertido no ombro por parte de Sakura.

Que dó. — ela revirou os olhos, voltando para a posição que estava. Voltou a olhar para as fotos que já havia tirado e gostou do resultado. Encarou Omoi e lhe deu um sorriso. — Terminamos.

— Que rápido.

— Pois é.

— Bom, eu já vou, Sakura. Preciso falar com Deidara antes de ir embora. — ele pegou a sua jaqueta de material sintético e foi até Sakura, dando-lhe um abraço.

— Te vejo por aí, Omoi.

— Eu estou contando com isso. — mandou-lhe uma piscadela e se retirou, o que foi o suficiente para Sakura voltar a sua realidade: teria que fotografar Sasuke.

Reclamou para si mesma em um muxoxo, virando-se para o moreno. Porém, não foi preciso chamá-lo, pois ele já seguia para o fundo branco onde seria realizado o seu book.

Sakura até pensou em dizer algo, mas perdeu a voz quando viu Sasuke tirar a sua camisa branca para o ensaio. De repente, um calor subiu pelas pernas de Sakura, onde ela não sabia processar o que estava acontecendo. 

Passou os seus olhos pelo corpo de Sasuke, gravando cada parte daquela pele leitosa onde ela gostaria de marcá-la com suas unhas e dentes. Puta merda, que saudade estava de sentar naquele homem, e não fazia mero três dias que isso havia acontecido.

Quando fixou sua visão no rosto dele, sentiu suas pernas tremerem, mas não sabia se era de raiva ou de desejo. O maldito estava com um sorriso altamente cretino e cafejeste em seus lábios, de uma maneira convencida que quase acabou com a sanidade mental de Sakura.

Se ele queria afetá-la, havia conseguido cumprir a sua meta.

— Então, como fica melhor para você? — ela perguntou, após pigarrear.

Estava óbvio para Sasuke que ela se mostrava minimamente perturbada, o que aumentava ainda mais o seu ego, mas ele não estava satisfeito por completo. Gostaria de prender Sakura no caralho daquele banheiro feminino e fazê-la pensar apenas nele em todas as vezes que entrasse ali, acompanhada ou não — ele torcia pela última opção, contanto que não fosse com ele.

— Eu pensei em algo mais...

— Sensual? — a maldita pergunta que havia feito foi no momento que decidiu voltar a passear os seus olhos pelo corpo de Sasuke novamente, arrependendo-se, no fim. O cretino apenas riu.

Sensual? — repetiu, arqueando alguma de suas sobrancelhas.

— É, acho que faria mais o seu tipo.

Sakura conseguiu formular uma frase que não fizesse dela uma boba e idiota, o que a fez soltar fogos de alegria internamente.

Sasuke apenas repuxou o canto de seus lábios, andando até a parede branca, onde pôde encostar uma parte de suas costas, enquanto inclinava o seu quadril para frente.

— Pensei nessa posição, primeiramente. O que acha?

A voz de Sasuke saiu com um duplo sentido quase palpável, fazendo Sakura engolir o seco. Ela voltou a encará-lo e não sabia dizer como alguém havia nascido tão lindo assim.

Os olhos profundamente negros, exalando um oceano que ela já havia reparado há tempos atrás, juntamente com os seus cabelos bagunçados pela testa, eram o bastante para deixá-la ali por um dia, apenas admirando-o. Além disso, um caminho mínimo de pelos que iam até o interior da calça preta, onde a mesma era contornada por um cinto que Sakura imaginou Sasuke a prendendo com ele, deixavam-o ainda mais receptivo para Sakura.

Num gesto involuntário, ela passou a língua pelos seus lábios, inebriada de desejo por aquele homem.

Quando ouviu uma risada anasalada de Sasuke, ela voltou a sua realidade, pigarreando.

— Hum, o que disse?

— O que acha de me fotografar assim? — ele olhou no fundo dos olhos dela, fazendo a concordar quase que imediatamente. Se Sakura soubesse que, na verdade, era Sasuke que se sentia perdido diante de sua presença, ela não se acharia a tola que estava se sentindo naquele momento.

— Acho perfeito.

Perfeito?

Não era possível, ele só podia estar fazendo de propósito. Sakura quase o mandou ir a merda, porque o desgraçado já estava acabando com o mínimo de controle que ela estava tendo.

— Cala a boca, Sasuke.

Ela preferiu ignorá-lo, podendo ouvir Sasuke soltar um riso baixo. Voltou a fixar os seus olhos no visor da câmera, posicionando-se para tirar o melhor de Sasuke — o que não era nada difícil. A cada momento que ele direcionava os seus olhos para as lentes da câmera, Sakura sentia como se aqueles olhos estivessem perfurando a sua alma. Que intensidade!

De fato, estava fodida.

Quando já estava voltando a ficar concentrada, observou Sasuke se movendo até duas caixas brancas e médias de madeira, onde ele sentou em cima e juntou as mãos, subindo-as até a altura de seu queixo, e apoiou os seus cotovelos nos respectivos joelhos. 

Além de misterioso, a imagem, pelo visor de sua câmera, passava em demasiado o imo de Sasuke, mas ela não fazia ideia de que ele direcionava aquele tipo de olhar à mesma. Ninguém era dono daquela atenção, endeusamento e desejo emanado pela parte de Sasuke há muito tempo, além de Sakura.

E assim seguiu aquele ensaio, onde Sakura torcia ferventemente para que acabasse logo, pois já estava virando uma tortura psicológica. Tirou fotos de todos os ângulos e ainda teve que ouvir piadinhas de Sasuke, onde sentia ainda mais vontade de socá-lo. 

Quando havia, de fato, acabado, conseguiu ver que ainda estava cedo. No seu relógio, não passava das seis da noite. Pôde soltar um suspiro de cansaço e de alívio, porque ainda conseguiria aproveitar a noite em seu apartamento com Karin. 

— Já está livre, Sakura? — Shi, que ela mal sabia que ainda continuava ali, havia aparecido ao seu lado, rodando a chave do carro entre os seus dois dedos, indicador e médio. — Pensei em darmos uma volta.

— Estou livre, Shi, mas eu não vou poder te acompanhar. Karin já exigiu a minha presença no meu apartamento. — ela fez uma careta, deixando o clima mais descontraído. Ele só pôde rir e arquear sua sobrancelha direita, divertido.

— É uma intimação peculiar.

Peculiar?

— É, eu nunca vi alguém ter que comparecer no seu próprio apartamento. — observou, sorrindo. — Você não consegue furar.

— É verdade. — Sakura concordou, rindo baixinho. 

— Bom, então, da próxima vez, eu vou fazer esse tipo de intimação. Não poderá sumir do seu próprio apartamento, não é?

Antes que Sakura pudesse responder, ela escuta um catarreio nada paciente atrás de si. Quando vira minimamente o seu rosto sobre o ombro, consegue visualizar um Sasuke com expressões faciais nada simpáticas, encarando ela e Shi.

— Estou interrompendo algo? — ele mete, fazendo o sorriso de Shi se alargar ainda mais enquanto coloca os seus olhos em Sakura.

— Bom, Sakura iria me responder quando eu poderia ir ao apartamento dela. Apenas isso mesmo.

— Presumo que não seja nesse próximo sábado, porque ela vai ao almoço da minha família.

— Hum, acho que pode ser depois, então.

— Bom, ela não tem hora para voltar. Acho que pode se cansar de esperar.

Se os dois se fuzilassem apenas com o olhar, Sakura não ficaria surpresa. A situação, para falar a verdade, estava lhe irritando, porque os dois estavam a tratando como um pedaço de carne, algo que ela nunca se sujeitou a ser.

Por isso, em seu momento de raiva, puxou Sasuke pelo pulso até o banheiro, após se desculpar com Shi que não entendia caralho nenhum do que acontecia.

Os passos dela eram apressados, até mesmo para Sasuke que tinha pernas longas. Ela estava bem irritada, foi o que ele pensou.

Quando entraram no banheiro feminino, Sakura rodou as chaves e trancou o cômodo, virando-se para Sasuke com as sobrancelhas juntas em uma carranca.

— O que caralhos você acha que estava fazendo?

Ela perguntou, fazendo o rosto de Sasuke se enrugar em uma careta. Sakura realmente estava interessada na proposta de Shi? Mas que merda! Bem, o que ele poderia fazer? Ela era uma mulher livre, e talvez fosse isso que o tivesse prendido à mesma.

Mas, de fato, ele estava irritado. Isso não anulava a sua raiva, era humano, o que poderia fazer?

— Você iria mesmo sair com ele?

Céus, em que nível estava chegando? Por que ele se rebaixava tanto? Era vergonhoso para ele próprio.

Quando Sakura apenas juntou as sobrancelhas e abriu a sua boca minimamente, ele soube que aquele era o momento para ir embora. Seria humilhante demais se fizesse algo que ultrapassasse o que já fora dito.

— O quê? — no momento em que ele conseguiu ouvir a risada de Sakura, completamente incrédula, ele parou e a encarou. Não sabia dizer o que aquilo significava, mas era o bastante para fazê-lo ficar. — Isso não pode ser sério.

O que não pode ser sério? — ele perguntou, profundamente confuso e com raiva.

Sakura umedeceu os lábios rapidamente, indo em direção a Sasuke a passos largos.

— Você.

— Eu?

— Sim. — ela riu mais uma vez, jogando uma mecha de seus cabelos róseos e curtos para trás da orelha, e voltou a encará-lo. — Você não pode estar sugerindo seriamente que é um problema eu sair com outros caras.

— Eu nunca falei isso. — ele juntou as sobrancelhas, semicerrando os seus olhos.

— Ah, não? E o que caralhos a sua pergunta significa? "Você iria mesmo sair com ele?", é sério, Sasuke? Porra.

— Eu apenas perguntei, Sakura.

— E o que era aquilo lá fora, então? Você parecia que iria começar uma briga com Shi, Sasuke. Eu não gosto disso.

A maneira que Sakura falou e o modo como colocava Shi em posição de vítima, irritava ainda mais Sasuke, fazendo-o rir em completo escárnio. Em que situação merda ele estava.

Já estava com tanta raiva que não existia mais nenhum filtro entre o que pensava e o que falava, portanto, soltou verbo, pouco se importando com o que Sakura pensaria. Ele estava cansado.

— Você quer que eu assuma que fiquei com ciúmes? Eu assumo, Sakura. Eu faço o que você não fez na porra daquela noite. Eu fiquei com ciúmes de você, porque eu tenho. Mas a única coisa que não tenho é o direito de te impedir de ficar com alguém, porque eu não sou o seu dono. Você é uma mulher livre! E isso, de maneira nenhuma, é algo ruim para mim, apenas me dá medo...

Sasuke fora interrompido por Sakura, que atacou os lábios com a maior vontade do mundo.

Ela não sabia por que tinha feito aquilo, considerando que os dois estavam no meio de uma briga. Porém, os lábios de Sasuke pareciam ficar ainda mais interessantes se tivessem juntos aos seus, em vez de falarem tantas coisas que — muito provavelmente — não sairiam de sua cabeça.

E, com toda certeza, havia tomado a melhor decisão.

A maneira que Sasuke apertava a carne de sua coxa e puxava ainda mais a sua cintura para si quando ela sugava o seu lábio inferior, após tê-la levantado e a colocado sentada em cima da pia, era completamente excitante.

E aquilo já era previsível, considerando o quão intenso Sasuke era. Os dois eram fogo, tornando-se algo impossível de apagar, principalmente quando estavam com os sentimentos assim: a flor da pele.

Falando em pele, a sua com certeza ficaria marcada, seja pelos dedos possessivos ou pela boca ousada de Sasuke, que fazia questão de reivindicar por cada parte de seu pescoço e busto, fazendo Sakura arfar auditivamente.

— Não dá. — ele confessou após sentir a calcinha molhada sob o vestido dela. Soltou um suspiro pesado, subindo a sua visão para ela. Sakura achou a coisa mais bela do mundo: os lábios inchados e avermelhados de Sasuke, juntamente com os cabelos bagunçados. — Não podemos.

— Por quê? — Sakura indagou, visivelmente chateada e triste. 

Ele a encarou e se sentiu culpado por fazer aquilo, algo que nunca imaginou fazer em sua vida: negar uma boa foda. Mas era Sakura. Ele não iria conseguir, porque sua cabeça estava uma bagunça. Precisava entender o que sentia, porque nunca, jamais, gostaria de ser esse mesmo cara: o ciumento descontrolado. 

Não podia culpá-la, mesmo que isso só acontecesse quando a envolvia. Sakura merecia algo melhor vindo dele.

Por isso, repuxou minimamente o canto de seus lábios em um sorriso meigo, passando o seu polegar em movimentos circulares pela boca e pelo queixo dela, o que fez Sakura estranhar.

— Eu preciso ir, linda. A gente se vê no almoço?

Sakura apenas acenou, processando como Sasuke havia saído de alguém furioso para esse cara carinhoso. E, puta que pariu, esse lado dele a fez perder totalmente a pose que estava sustentando. Era um Sasuke novo, diferente do felino e cafajeste que ela conhecia.

E ela sentia medo disso.

Sentia porque não havia como rebater algo vindo dele. Ela voltaria a ser aquela Sakura de quinze anos.

Então, quando pensou em voltar a encará-lo, ele já não estava mais lá.

Merda!

Arrumou os seus cabelos e saiu da pia, seguindo para onde estava o seu carro, a fim de voltar para casa. Além disso, Sakura precisava de uma noite cheia de doces e nada de filmes românticos, porque surtaria.

Queria colo, e Karin era a única que poderia dar isso.

Tinha que se preparar para esse almoço, no sábado. Aliás, ela tinha que decidir muita coisa até essa data, porque não aguentaria manter as coisas como estavam.

Definitivamente, não aguentaria Sasuke Uchiha.

 


Notas Finais


O que acharam desse capítulo?

Sim, Sasuke falou para Suigetsu. E, sinceramente, se ele não achasse algo importante, não falaria disso logo para o platinado. Pse, nosso garoto tá todo perdido.

Sobre o ciúmes: eu NUNCA quero trazer um relacionamento onde tenham atitudes abusivas ou repressivas. Esse Sasuke, em questão, tem um pai merda, então ele nunca quer colocar a Sakura na mesma situação onde sua mãe está.
Além disso, ele admira bastante a mulher que ela é, então nunca, jamais, gostaria de mudá-la. Ele pode ser tudo, menos essa cara.

Bjo, até o próximo capítulo! s2


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...