História Bad Habits (taekook) - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Hábitos


Fanfic / Fanfiction Bad Habits (taekook) - Capítulo 1 - Hábitos

Jeongguk não se lembrava de seus pais. Tudo que sabia é que sempre morou em um orfanato e nunca viu nada além daquelas paredes. Ele tinha vivido de forma agradável até completar seus dezoito anos, quando foi despojado do orfanato por ter alcançado a idade máxima. Era viável dizer que sua vida virou uma montanha russa depois daí. 

Sem saber o que fazer e muito menos por onde começar, Jeongguk passou a viver nas ruas. Não podia existir nada pior do que aquilo, e depois de quase um mês vivendo de restos e de forma desumana, ele preferia desistir da vida bem ali, afim de não sofrer mais.

Com isso em mente, ele tinha se aproximado de uma avenida movimentada no subúrbio de Seoul, apenas criando coragem para terminar com aquilo.

E quando seus pés ameaçaram dar o próximo passo que acabaria com tudo, ele sentiu o braço ser segurado com força, forçando-o a voltar para trás.

Seus olhos assustados haviam encarado alguém que ele nunca tinha visto antes, mas levando em consideração os acontecimentos, aquele deveria ser considerado seu salvador.

— Está tentando se matar, garoto? — sua voz não era nada mais do que fria e julgadora, um balde de água fria contra sua pele. 

— Por que me impediu? — murmurou, sentindo o braço ser finalmente solto, como se o homem não mais se importasse. 

— É o que se espera que alguém faça, não é? Ajudar os outros.

Jeongguk mordeu o interior da bochecha ao encarar o homem mais firmemente, ignorando a clara ironia usada em sua resposta.

— Deixe-me em paz. — falou, virando as costas ao homem e passando a caminhar para longe. Não havia mais como tentar fazer algo com alguém ciente por perto.

— Você não tem para onde ir?

Seus passos pararam. De certa forma, a esperança de conseguir ter um local para dormir foi suficiente para fazer com que esquecesse da ideia de outrora. Ele não queria morrer, no final das contas. Virou-se, olhando o homem nos olhos. O desconhecido tinha um sorriso de canto nos lábios, olhos tão tranquilos que Jeongguk imaginou que aquele homem já tinha passado por essa mesma situação muitas vezes.

— Não. — respondeu.

— Posso te arranjar um lugar, se quiser. — Foi tudo que ele disse antes que o sinal de trânsito fechasse e o homem passasse atravessar a avenida.

Jeongguk estava incerto do que fazer. Ele não queria passar mais um dia na rua, mas seguir aquele desconhecido também poderia trazer problemas. Ignorou tudo que tinha em mente e nos últimos segundos, passou para o outro lado da rua.

O homem não olhou para trás para conferir se ele o seguia, mas pelo modo como ele diminuiu os passos em certo momento, deveria imaginar.

Jeongguk o seguiu até que ele estivesse adentrando um grande hotel, sentindo certo receio de continuar porque teriam olhos julgadores para si devido sua condição. Mas assim que estava quase desistindo, seu pulso foi segurado pelo homem, induzindo-o a prosseguir. Eles pararam em frente ao balcão onde o homem solicitou a chave do seu quarto. Depois de todo o processo, Jeon o viu pegar a chave e seguir para o andar dezoito, onde estaria seu quarto. Ele agradeceu por isso, suas costas queimando pelos olhares que tinha recebido. 

Assim que chegaram no quarto, o desconhecido abriu a porta e deu a ele espaço para entrar. Jeongguk achou tudo tão grandioso, mais do que já tinha visto antes. O quarto possuía uma enorme cama, guarda-roupa, além de escrivaninha e banheiro. Jeongguk também pode perceber que estava equipado com televisão e telefone. 

Havia vista para a cidade, e Jeon foi até lá. O céu estava escuro e sem estrelas devido a enorme quantidade de luzes na cidade, o som dos automóveis eram vagamente escutados naquela altura.

— Você pode ir tomar um banho e escolher qualquer roupa minha para usar, vou pedir o serviço de quarto. — O homem falou, passando a afrouxar a gravata do pescoço. Jeongguk só conseguiu prestar atenção nele agora, atrapalhado antes pelo nervosismo e iluminação baixa. Ele estava de terno totalmente bem ajustado em seu corpo; seus braços não eram musculosos mas ele era forte. Ombros largos, apenas um ou dois centímetros maior que si. Sua pele era caramelizada, seus cabelos eram pretos e sedosos, o rosto bem esculpido. Não queria encará-lo demais e parecer rude, era tudo que não seria naquele momento.

— Qual o seu nome? — Jeongguk perguntou com a voz baixa. Naquele ponto, o homem havia jogado seu paletó e gravata na cama, ficando apenas com a camisa social. Ele o olhou por um instante, como se analisasse se deveria dizer ou não. Por fim, suspirou.

— Kim Taehyung.

Jeongguk assentiu, sorrindo pequeno.

— Obrigado, Taehyung-ssi. — disse, caminhando em direção ao banheiro. Suas roupas cheiravam muito mal, ele se perguntou se isso não tinha incomodado Taehyung. Colocou-as no lixo, ciente de que elas não poderiam ser salvas. Após isso, tomou um banho digno depois de um longo tempo. Ele esperava que Taehyung não se importasse com quantas vezes ele usou o sabonete, mas isso foi o necessário para tirar do seu corpo o cheiro da precariedade. Enxugou-se bem assim que terminou, colocando a toalha na cintura e abrindo a porta do banheiro. Taehyung estava sentado na cama, verificando o celular, olhando para ele assim que o percebeu. 

Jeongguk manteve o olhar por alguns segundos antes de desviar sua atenção para o guarda roupa. Ele abriu uma das portas, observando as peças antes de escolher uma camiseta branca e uma calça jeans — ele não havia se importado em procurar outra coisa. Timidamente, ele procurou pelas roupas íntimas do homem, selecionando uma antes de retornar ao banheiro. Depois de vestir as roupas, ele percebeu que a calça serviu bem, apesar de ficar um pouco apertado nas coxas. Não era grande coisa, até porque ele sabia o quão magro estava.

Quando voltou para o quarto, Taehyung estava na porta recebendo o serviço de quarto. Ele esperou que o homem que trouxera tudo saísse antes de se aproximar. Vendo toda aquela abundância de comida, Jeongguk sentiu o estômago roncar. Há quanto tempo ele não comia direito? Mal lembrava.

— Você pode comer. — Taehyung disse.

Jeongguk o olhou, inseguro.

— Você não vai?

— Logo.

Jeongguk mordeu o lábio inferior, concordando. Taehyung arrastou a cadeira da escrivaninha até Jeongguk, que sentou-se em silêncio. Com cuidado, ele passou a comer. Porções pequenas de tudo, ele garantiu.

— Você não vai conseguir matar sua fome se comer apenas isso. — Taehyung falou assim que notou o quão pouco ele pegava. Jeongguk negou.

— Mas você também-

— Eu posso pedir vários iguais a esse se precisar. — Garantiu. — Apenas coma direito. 

Então Jeongguk concordou, passando a pegar porções maiores. Seus olhos ameaçavam fechar a cada nova mordida, maravilhado pelo sabor que sentia. Ele também sabia que Taehyung o observava, mas tentou não se intimidar com isso.

— Você está muito magro. Há quanto tempo não se alimenta direito? — Taehyung perguntou minutos depois, quando Jeon ingeria todo o líquido de um copo de água. 

— Muito tempo... — limitou-se a dizer. Taehyung pareceu satisfeito com a resposta, não perguntando mais nada sobre o assunto. Ele escolheu algumas coisas para comer depois disso, sem nenhuma pressa. 

Jeongguk não conseguiu parar de olhá-lo também. Quem ele era? Por que o havia ajudado? Aquele era seu verdadeiro eu ou apenas uma fachada? Ele não conseguia parar de pensar. 

— Por que você continua me encarando? — ele perguntou, indo em direção ao banheiro. Jeongguk negou rapidamente. 

— Eu só... curiosidade.

— É melhor não tentar se aprofundar muito nisso.

E Jeongguk entendeu o recado.

— Venha escovar os dentes — Taehyung chamou, e Jeongguk rapidamente foi até ele. O Kim ofereceu a escova reserva, ambos tendo feito sua higiene bucal.

Em sua mente, Jeongguk não conseguia entender porque era fácil conviver ou até mesmo falar com Taehyung. Eles não se conheciam há algumas horas, e aqui está Taehyung, indo dormir com alguém que encontrou na rua. Era realmente curioso, mas Jeongguk também consideraria uma bênção. Só de pensar que poderia ter pela primeira vez em semanas uma boa noite de sono...

— Você pode ir se deitar. Eu vou tomar um banho agora. — Taehyung disse, e sem esperar por uma resposta, ele fechou a porta do banheiro. Jeongguk assentiu para si mesmo antes de ir em direção a cama. Os panos brancos e limpos estavam totalmente adequados na cama. Parecia macio. Jeongguk apoiou um dos joelhos na cama, vendo-a afundar com o peso. Calmamente, ele virou e deitou-se sobre as costas, guardando um gemido de satisfação ao sentir a maciez contra o corpo. Era como deitar em nuvens. 

Usando um dos cobertores para se cobrir, ele esperou que Taehyung saísse do banho ansiosamente. Assim que ele o fez, estava de toalha na cintura, andando calmamente até o guarda roupa e vestindo-se ali mesmo. Suas costas eram trabalhadas, pareciam conter excesso de esforço em algo que Jeongguk não sabia. 

Quando Taehyung abandonou a toalha no banheiro e foi em direção a sua cama usando apenas uma calça moletom, Jeongguk ficou um pouco nervoso. Fosse por nunca ter dormido ao lado de um desconhecido, fosse por ele ser um homem, fosse por tudo aquilo ainda ser uma utopia, fosse por tudo, ele não sabia, mas quando Taehyung deitou ao seu lado na cama, foi rápido em perceber.

— O que foi? — ele indagou, puxando o outro cobertor até a barriga. 

— Não tem mesmo nenhum problema eu dormir aqui? — Jeongguk perguntou, seriamente. — Posso dormir no chão, mesmo, isso não seria problema. 

— Apenas vá dormir, garoto, você precisa disso. — e então, ele estava de olhos fechados, dormindo. Jeongguk não deixou de observá-lo por um tempo. Taehyung provavelmente sabia que ele estava fazendo isso também, mas não disse nada. 

Por fim, Jeongguk voltou suas costas na cama e puxou o cobertor até o pescoço, fechando os olhos. Ele tentaria dormir. Mesmo com todas as coisas boas que haviam acontecido só naquele dia, o medo de que logo o tapete em que estava em cima fosse puxado não deixava  de atormentá-lo. Mesmo com uma boa cama, ele teve dificuldades para agarrar no sono.

Com as horas que passaram, o sol passava a clarear o quarto pela janela. Jeongguk piscou os olhos devagar, acostumado a acordar cedo desde o orfanato, impedido de apreciar o quão quente em mãos aconchegante aquela cama pareceria por mais algumas horas. 

Quando ele finalmente abriu os olhos, sentiu as bochechas esquentarem por perceber que seu rosto estava pressionado contra o ombro de Taehyung, além de que eles estavam muito próximos. Levando em consideração o quão espaçoso estava do seu lado, tinha certeza que o único que havia se movido pela noite tinha sido ele.

Com o menor dos movimentos, ele tentou voltar a sua posição inicial, mas mesmo o mínimo movimento na cama foi capaz de despertar o Kim.

Seus olhos caíram sobre os do Jeon segundos depois. Primeiro, ele pareceu confuso ao ver o outro ali, todavia, a lucidez voltou rápido a ele, logo voltando a fechar olhos os olhos, como se ignorasse a presença alheia. Jeongguk suspirou silenciosamente quando finalmente voltou ao seu local, afastando-se até sair da cama. O toque gelado ao conectar os pés no chão fizeram arrepios correrem seu corpo. Ignorando a sensação, ele levantou e caminhou devagar até a janela do quarto. 

O sol, em toques suaves, iluminava os prédios e casas. O céu estava límpido, e Jeongguk não se lembrava da última vez que olhou o céu e pode apreciá-lo. 

Ouvindo movimentos na cama, Jeongguk rapidamente olhou para trás, vendo o Kim apoiar os pés no chão, ainda sentado na cama. Era uma imagem matinal bonita.

Caminhou até ele, sendo notado rapidamente quando sentou na beirada da cama, do outro lado. O silêncio não era incômodo, mas havia muito a ser dito e Jeongguk não conseguia controlar sua ansiedade.

— Você pode ficar aqui o quanto precisar, garoto. Até conseguir um lugar para dormir ou um emprego, tanto faz. Eu não me importo. — Foi tudo que Taehyung disse, como se resumisse o que iria falar naquela resenha de informação. Jeongguk sentiu o peito apertar, um bom sentimento enchendo-o de algum tipo de tranquilidade. 

Havia boas pessoas no mundo, e Taehyung com certeza deveria ser uma delas. 

— Obrigado, Taehyung-ssi. Prometo não dar problemas a você. Conseguirei um emprego também... Logo... Sim, um emprego... — Jeongguk encheu-se de devaneios, feliz demais. 

Taehyung não esboçou nada mais que um sorriso pequeno e um assentir de cabeça, saindo da cama e indo em direção ao banheiro em seguida. Provavelmente iria trabalhar, voltando apenas pela noite, como imaginava levando em conta sua roupa de trabalho e horário que se encontraram. Ele deveria fazer o mesmo. Naquela manhã mesmo procuraria um emprego.

Longos minutos depois, Taehyung havia terminado de tomar banho, e Jeongguk pediu para usar também. Taehyung sorriu, dizendo que ele poderia usar quando quisesse, sem pedir. 

Quando tinha terminado, o serviço de quarto já havia chegado e Taehyung estava se servindo. Jeongguk o acompanhou. Não houve nenhuma conversa nesse meio tempo.

— Escute, não posso deixá-lo aqui o dia todo. Então, você precisa me esperar chegar — Taehyung falou quando eles estavam saindo do quarto, e Jeongguk o ouviu atentamente. O Kim retirou a chave da porta, continuando. — Vou deixar esse dinheiro com você, compre algo para almoçar. Quando der oito horas, encontre-me na frente do hotel, entendeu?

Jeongguk assentiu veemente.

— Procurarei um emprego o dia inteiro.

— Não exagere, vá com calma nisso. — Taehyung alertou antes de deixar a chave com a atendente no balcão e sair de fora do estabelecimento. Jeongguk o acompanhou até ele se despedir e sumir de vista. 

E assim que ele se foi, Jeongguk passou a provar sua palavra de que não daria trabalho. Ele conseguiria um emprego.


Notas Finais


continua


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