História Bad Liar - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Jungkook, Suga, V
Tags Jeonmin, Jikook, Jimin, Jungkook, Kookmin, Tokkistar
Visualizações 103
Palavras 9.058
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, Fluffy, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


E AÍ, MEUS ANJOS? como vocês se sentem? eu me sinto uma estrela prestes a explodir de tanta animação e ansiedade (da boa pra variar). e claro que comigo vem o meu xodó, pODE ENTRAR BL (bad liar), MINHA NOVA PRECIOSIDADE!

o que tenho a dizer pra vocês é que o que eu escrevi aqui foi feito para animar o dia de quem quer que tenha se atrevido a chegar aqui; se a tentativa foi falha, me perdoem, a melhora está por vir.

o básico do básico: o mais dezoito é sim apenas pelo yaoi, mas não se surpreendam caso haja alguns parágrafos um pouco mais duvidosos. não tem como falar do colegial, com adolescentes cheios de hormônios e aquela vibe sex inspiration toda que vem com a idade do perigo, né?

essa ideia veio muito de repente e o que me fez me atirar no plot foi a música da seleninha <3

queria agradecer a todo mundo que me apoiou, vocês são meus pãezinhos doce do café da manhã; sim, eu tenho MUITA insegurança e medinho de compartilhar as minhas obras, mas muita gente vem me ajudando a encarar o desafio e enfim EU TOMEI VERGONHA NA CARA, CÊS ACREDITAM?

não poderia esquecer que claro, sou 100% grato a @Sisterx pela betagem <3

e sobre nosso casalzinho amor, jikook, não tem o que falar apenas sentir.
ESTÃO PREPARADOS? EU ESPERO QUE SIM, PORQUE A ENROLAÇÃO JÁ ACABOU POR AQUI MESMO.

boa leituras, pupilos <3

Capítulo 1 - O fruto da mentira.


Fanfic / Fanfiction Bad Liar - Capítulo 1 - O fruto da mentira.

Jeongguk era um péssimo mentiroso e ele mesmo sabia disso, tinha comprovado o que era óbvio naquela manhã tentando convencer a mãe de que estava doente demais para ir ao colégio.

 

Ele tinha tentado pelo menos, o que rendeu numa correria incomum para o horário. A senhora Jeon saiu correndo atrás do garoto com uma panela nas mãos e uma carranca horrorosa que fez Jeongguk se lembrar dos seus piores pesadelos quando era criança.

 

Plena sexta-feira, cinco da matina — isso sim é que é preparo para mais um dia.

 

Contudo, se trancou no banheiro e tomou um banho de gato, vestindo o uniforme limpinho e penteando o cabelo de modo que não fosse fácil ser bagunçado.

 

Deu uma conferida no espelho e soltou um sorrisinho cheio de si — o senhor lá de cima havia caprichado na hora de criá-lo e a cegonha que o trouxe era abençoada.

Sim, Jeongguk preferia continuar acreditando nas cegonhas.

 

E sim, amor próprio sobrava para ele, além de ser essencial para uma vida amena, ter ele não faz mal nenhum. Não que Jeon fosse um cara metido a besta, de modo algum. Mas não ficava deprimido por não ser “bom o bastante” e estar desencaixado nesses padrões palermas.

 

Para ele era tudo papo furado!

 

Na garagem, ele tirou as correntes que prendiam sua bicicleta e com a mochila nas costas ele seguiu o caminho pelas montanhas para a escola.

 

Morava parcialmente longe, como um interior da cidade, o que era estressante. Ou ele pedalava com vontade ou teria que aguentar algazarra do ônibus escolar — sem contar a fumaça preta que o fazia tossir o pulmão para fora, além dos chicletes grudados no banco.

 

Tirar chiclete da calça era complicado e recebia uns tapas por isso.

 

A brisa tocava-lhe a pele, e a vista que era composta de um grande Sol e de nuvens rasas ao redor, tirava um pouco de sua atenção. E como Jeongguk havia se tornado distraído nos últimos meses.

 

Não que estivesse o atrapalhando nas atividades de classe, mas estava interferindo no mundinho em que vivia.

 

Em tempos passados, numa tarde após as aulas, ele provavelmente chegaria em casa e passaria o dia trancado no quarto jogando, vendo séries e até mesmo ajudando a mãe na faxina.

 

Mas Jeongguk só queria saber de sair de casa.

 

Os mangás já estavam ficando empoeirados e velhos na sua estante, o Playstation mais desligado do que nunca — o que foi ótimo para Jeongyeon, que aproveitou a paranoia de seu irmão para zerar todos aqueles jogos doidos de terror. E o computador quase nem tocado; Jeongguk nem sentia falta das partidas de League of legends e até havia esquecido da letra que se concentrou em decorar horas em frente do monitor.

 

Mas, bom, ele ainda continuava falando com seus action figures e com as pelúcias também, só que os assuntos haviam desviado, mudado bruscamente de foco.

 

Ficar no quarto por muito tempo o fazia pensar e divagar sobre coisas que no momento preferia deixar de lado; mas estava sendo impossível obliterar, visto que estava acumulando tudo aquilo na cama, e por isso começou a evitar a calmaria eminente que era estar sozinho.

 

A senhora Jeon ouvia pretextos cada vez mais criativos que o filho dava para zarpar da zona habitual, e mesmo que gostasse da mudança —  pois ficava preocupada com a “falta de convívio social” que o menino tinha — estava estranhando o comportamento.

 

Ele até sorria sozinho, cantarolava algumas músicas cafonas, melosas, e estava vendo muita comédia romântica.

 

Pensou que o filho havia sofrido algum acidente, perdido a memória ou que alguém havia feito lavagem cerebral, mas não, ela estava errada.

 

Eram só efeitos colaterais que martirizava Jeongguk. 

           

Era como ver água virar vinho — ou algo não tão drástico, já que a senhora Jeon adorava encher linguiça com seus exageros.

 

Entretanto, nunca pensou que veria seu filho — vulgo viciado em coisas mais do universo paralelo geek —, ver Como se fosse a primeira vez e muito menos Esposa de mentirinha.

 

Mas era o que acontecia quando o moreno não pegava sua bike e descia a ladeira até a cidade, fazendo sabe-se lá o que!

 

Não que desconfiasse do filho, afinal, confiava bastante nele, mas talvez algo o fez ficar... confuso.

 

Ou alguém.

 

E, bom, ficar rindo das piadas do Adam Sandler com o filhote não era tão ruim, cozinhar em sua companhia também não. Caso alguém tivesse realmente feito alguma lavagem cerebral, a senhora Jeon agradeceria depois.

 

Jeongyeon, a irmã mais velha, igualmente reparou na aura de bobo apaixonado do irmão, e foi pega de surpresa quando viu Jeongguk pedindo conselhos amorosos para si.

 

 “— Jeongguk, o que fizeram com você? — ela riu, totalmente desacreditada no que estava ouvindo.

 

 — Como assim, Jeongye? Não tem nada de errado comigo. — perguntou para a garota com uma expressão interrogativa.

 

 —  Vem, senta aqui que eu vou saciar suas curiosidades. Mas, vamos com calma. — ela disse. — Quem é o garoto?

 

 — O quê!? —  ele indagou indignado com o que a irmã havia dito. — G-garoto? Como assim?

 

 — Jeongguk, para de palhaçada, eu sei que você é gay. A mamãe me contou. Você sabe que ela faz o que for preciso para alguém lavar o carro dela. — a garota disse na maior calmaria, enquanto a surpresa e espanto no olhar — praticamente em todo o rosto — de Jeongguk continuava a oscilar.

 

 — Traiçoeira! — foi o que disse ao se sentar ao lado da irmãzinha e sentir todo o nervosismo por estar naquela situação... delicada, e também por ter que confessar a alguém coisas tão bobas e... íntimas.

 

 — Me diga uma novidade, irmãozinho. — riu junto do outro enquanto colocava uma almofada no colo. — Ou melhor, me diga o nome do sortudo.”

 

 

 

 

Ele estava andando pela rua outro dia, tentando se distrair, mas então viu o rosto que o perseguia até mesmo em sonhos. Balançou a cabeça e olhou novamente para o mesmo lugar.

 

Oh, espera, é outra pessoa — foi o que ele pensou, admitindo para si mesmo que aquilo estava ultrapassando os limites — assim soube que estava tentando esconder, fazendo aquilo desaparecer, mas nada colaborava.

 

Nem mesmo seu coração.

 

Para esfriar a cabeça, ele teve que tomar quase dois litros de milk-shake e se afundar nas revistas de viagem que a lanchonete disponibilizava.

 

Ver todo aqueles lugares bonitos o fez imaginar como seria estar passeando em um deles, curtindo umas ondas — mesmo que não soubesse surfar ou sequer nadar — bebendo alguns drinks, ainda que tivesse dezessete anos, e indo naquelas montanhas russas loucas!

 

Quem me dera. — pensou e riu sozinho.

 

E enquanto sua imaginação seguia livre, leve e solta sem interrupção — num sonho distante para o bolso — alguém sentou ao seu lado, e como normalmente faria, ignorou aquele que se atreveu.

 

O dia estava fervendo, dando para fritar bacon na calçada e fazer marquinha de biquíni só de sair de casa com roupas de banho. Era inevitável que o estabelecimento — com o melhor sorvete — estivesse lotado.

 

Então seus ouvidos captaram, lá longe, um pigarro conhecido. O mesmo pigarro que o fazia prestar atenção nos exercícios, no ritmo das corridas e para amarrar os cadarços do tênis.

 

Abaixou a revista e teve que segurar milhões de palavrões que ficaram na ponta da língua para formar um belo sorriso, sendo educadinho como a mamãe ensinou.

 

 — Jeongguk, você por aqui... sua casa não é meio longe? — perguntou aquele que Jeon evitava pensar, e ajeitou-se na cadeira.

 

 — Oi hyung, sim. Bem longe. Mas está muito quente, não podia deixar de tomar milk-shake. — apontou para os vários copos vazios e o mais velho riu, desacreditando que aquela criança havia conseguido tomar aquilo tudo.

 

 — É... um bom dia para nadar também. — pensou um pouco e voltou a sorrir e encarar Jeongguk, que estava fascinado pela beleza natural de seu hyung e pela expressão que se iluminou. — Ei, que tal irmos na piscina do clube, soube que hoje é exclusivo para os sócios. É chato ir sozinho, então... não quer ir comigo?

 

 — Oh, e-eu? — Jeongguk gaguejou um pouco e ficou meio atônito com o convite. O outro acenou positivamente e disse algo sobre sungas e carona em que Jeon apenas assentiu. —  Tudo bem, deixa eu só ligar para minha mãe.

 

 — Te espero no carro, Jeongguk. — o professor deu uma piscadinha para si e assim que terminou de pagar o que havia comido, saiu pela porta de vidro.

 

Jeon suspirou e sacou o celular do bolso, discando o número da progenitora à cobrar pois no seu entender: crédito é só pra rico.

 

Depois de explicar que estava em boas mãos, que qualquer coisa era só ligar para ele, Jeongguk ouviu o discurso sobre a atenção que ele deveria ter. Principalmente com pedófilos que, segundo sua mãe, estavam por toda a parte com um saco de doces imenso nos ombros, encantando as criancinhas com os pirulitos.

 

“Filho se você quiser um pirulito, é só pedir para mim.” — ela disse, preocupada com seu bebê, realmente temia que roubassem de si o ser mais precioso que tinha.

 

Ah, e Jeongyeon já era crescidinha. Era capaz de nocautear um tarado três vezes maior que ela com dois golpes; depois daquelas aulas de muay thai, ninguém ousava enfrentá-la.

 

Após mandar um eu te amo, encerrou a ligação já na calçada, avistando Park Jimin em um short apertado estampado por abacaxis e uma camiseta de botões clara, encostado num belo veículo encarando o nada.

 

Ele parecia estar posando para uma foto, seria isso instinto de modelo?

 

Afinal, seu professor de educação física era bonito demais para não estar desfilando por uma passarela. Poderia se tornar o novo rosto de Dolce & Gabbana na moda masculina.

 

Tudo que Jeongguk podia ver era a gentileza e aqueles olhos solenes o encantando cada dia mais.

 

Estava perdido.

 

 — Vamos? — ele disse abrindo a porta, como o cavaleiro que era, para Jeongguk. — Ansioso?

 — Sim... — disse, se acomodando e passando o cinto pelo torso. Olhou para Park ao seu lado fazendo o mesmo procedimento que fizera e dando partida. — Mas tem uma coisa…

 

 —  E o que é? —  perguntou, tirando seu Audi prata da vaga e entrando na avenida.

 

 — Eu não sei nadar.

 

Jimin riu, mas não em deboche e sim em choque, arrumando o pequeno topete que os fios fundaram.

 

 — A partir de hoje, Jeongguk, você saberá nadar, confie em mim.

 

 

A palavra do Park de alguma coisa valia…

 

Jeongguk não sabia como, mas pelo menos o básico do básico havia aprendido; ao menos agora não iria se afogar toda vez que fosse jogado no mar.

 

Sim, aquele dia estava fresco na sua mente; Jimin o ajudando a nadar, segurando ele sob a água e incentivando-o a deslizar e bater os braços e pernas no submerso.

 

Jeongguk até conseguiu fazer nado estilo cachorrinho. Foi uma gracinha.

 

E quando ele pelo menos conseguia ficar sozinho dentro da piscina, passaram a brincar adoidados; fazendo competições de quem segurava o ar por mais tempo, mini competições de nado e bomba!

 

Jimin era jovem de espírito e não muito velho no físico; oras vivia praticando esportes e Jeon apostava suas economias que a dieta dele era balanceada, tendo algumas tréguas para lanches gordurosos.

 

Jeongguk quase engasgava toda vez que seu hyung ficava pertinho de si e fazia movimentos artísticos como numa olimpíada — esbelto, Jeon confirmou com um risinho bobo. E também no momento em que aquele sorriso apolíneo e cintilante era direcionado para o seu próprio; os dentinhos saltando para fora da boca como se não coubesse lá.

 Aprendeu a nadar e também aprendeu que, Park Jimin não era apenas atraente, era uma pessoa simpática e que adorava abacaxis.

 

Como ele soube do último? Além da roupa e do abacaxi que ele levava dentro da bolsa, por algum motivo que Jeongguk não arriscou perguntar, ele tinha o apelido com o nome da fruta, pingente do colar, anel, chaveiro e até mesmo uma foto dele e de um abacaxi na praia.

 

Bom, talvez Jimin fosse meio estranho com o lance do abacaxi, mas que era uma boa pessoa, ele era. E talvez Jeongguk aprendesse lidar com aquela fruta pra ficar bem pertinho do hyung.

 

 

 

 

Descendo a ladeira, ele já podia ver a escola e o amontoado de pessoas ao seu redor.

 

Entrou no pátio ao ar livre e guardou sua bicicleta junto das outras, colocando o cadeado e ajeitando a manga da camisa.

 

Caminhou pelos corredores chegando até o seu armário, pegando alguns livros de química; a aula o aguardava.

 

O resto do percurso fora como todos os dias; algumas pessoas o encarando feio, outras o cumprimentando, e os caras do basquete com toda a euforia logo de manhã, dando o aperto macho para macho, puxando assunto com o garoto.

 

Mesmo sendo geek, Jeongguk participava do time de basquete e fazia por merecer. Seu jeito desajeitado nem era perceptível na quadra e todo seu lado inseguro e caseiro desaparecia quando a vitória era dos Tigers.

 

Ele adorava ser carregado pelos colegas; era uma sensação de alívio e satisfação. Claro, adorava ver todos alegres e tomados pela fome, decidindo que sabor de pizza iriam pedir. O público animado gritando o nome de todos os jogadores e... Park Jimin abrindo o sorriso quilométrico, atingindo-o mesmo distante, sinalizando orgulho e felicidade.

 

Sim, odiava o ônibus escolar, com exceção de quando era ele que o levava para a pizzaria gigante e antiga que lá tinha. O dono já era conhecido e sendo um senhor baixinho e muito animado, cativava qualquer um apesar da idade pesar nos ombros.

 

E como toda boa história de romance adolescente, Jeongguk também tinha suas lembranças no escolar amarelo.

 

 

 

 

Eram vencedores mais uma vez, estavam classificados para as eliminatórias que logo chegariam. Mas os caras não estavam pensando nisso, de jeito nenhum.

 

A pizza clamava por atenção, e eles pela pizza, fora tudo isso, estavam se divertindo, bebendo coisas leves e cantando a vitória.

Jeongguk estava no meio dos fortes e suados Tigers; na mão segurava uma fatia de mozzarella e na outra uma lata de refrigerante gelado. O bom do lugar, era que tinha um deque grande e para fora do empório.

 

O vento refrescava e, mesmo que o corpo estivesse cansado, Jeongguk estava imensamente eufórico com a conquista de primeiro lugar.

 

 Era como zerar Dragons Lair ou Ghosts n Goblins, jogos difíceis de triunfar. E conseguir com êxito era surpreendentemente uma calmaria interna.

 

Jimin estava ao seu lado comentando sobre algumas coisas idiotas que estava lendo, e de artigos que prendiam a atenção de Jeongguk. Enquanto os outros faziam o escândalo costumeiro e riam como se houvesse gás de felicidade pela atmosfera.

 

Jeon não sabia quantas vezes havia prendido seu olhar no do hyung, não sabia mesmo de tantas que fez. Não sabia dizer também o porquê daquilo.

 

As aparências, sinceramente, não valem em tal grau que devam ser primeiramente consideradas. Só não conseguia se livrar daquela hipnose pancada que tomava-o todinho.

 

 “É preciso de calças idiotas e uma bunda gorda para jogar tênis.” — como dizia Mr. Sandler, dito cujo possuía sabedoria como os monges.

 

Dotes da comédia, tudo bem, mas ainda é um conhecimento, e dos bons.

 

Mas enfim, Jeongguk realmente estava se divertindo e esse é ponto – se divertia efetivamente ao lado de seu professor.

 

Professor…

 

Respirou fundo, e deu uma abocanhada só para acabar com o pedaço da pizza e os indícios de drama que começavam;

 

Feito a tradição, o grupo voltou para o ônibus, dessa vez com mais pessoas do que quando foram — os rapazes tinham encontrado alguns conhecidos e como bom professor que Jimin era, permitiu que fossem com eles.

 

O ônibus lotou; Jeongguk não acreditou que aquele negócio poderia ficar cheio até o último lugar, estava impressionado e pensando se sentar no chão era uma opção a se considerar.

 

23:49 —  a mãe provavelmente estava em seu décimo quinto sono e Jeongyeon ocupada demais estudando ou sendo a Jeongyeon de sempre.

 

Talvez se soubesse dirigir, se tivesse um carro ou pelo menos forças para caminhar até a casa…

 

Não, seria perigoso demais.

 

Chão, lá vamos nós! — encorajou-se e quando as pernas já fraquejavam perante o “piso” ouviu um “psiu” e viu que se tratava de seu hyung.

 

 —  Senta aqui. — disse o moreno dando tapinhas nas coxas.

 

Oh, não.

 

 — Eu vou no chão, profe-

 

 — Pra pegar um resfriado e não poder participar do próximo jogo? Nem vem, que não tem Jeongguk-ah! Você foi nossa peça chave hoje, vamos, não deve ser tão pesado. — falou enquanto gesticulava com as mãos.

 

Tudo bem, Park Jimin já tinha pontos com a senhora Jeon por ser competente.

Jeongguk se sentou receoso nas almofadas que as pernas de Jimin eram e como pensou; macias, porém firmes.

 

 — Viu? Bem melhor que o chão. — riu, passando os braços pela cintura do mais novo e apoiando a cabeça em suas costas.

 

A cabeça de Jimin estava virada para o corredor dando acesso para conversar com seus outros alunos e também Jeongguk, que respondia com uma ou duas palavras no máximo.

 

Se antes estava suado e fervendo, agora se sentia um fósforo aceso queimando da cabeça aos pés, como se realmente estivesse com fogo incendiando-o.

 

Jimin parecia pensar em novas estratégias com o objetivo arquitetar um plano para outra partida, aceitando opiniões e piadinhas engraçadas que escorregavam vez ou outra.

 

Já Jeongguk estava envergonhado demais para pensar em piadas legais, em passes de peitos ou em qualquer outra coisa que não fosse pássaros migrando para sul.

 

Falando em pássaros, sua mãe cuidava de uma Agapórnis e de um Bem-te-vi que assustava Jeongguk toda vez que abria o bico pra cantar. Pelos deuses, aquele pássaro era irritante demais e fazia coisas repentinas demais!

 

Ambos eram livres, mas sempre voltavam para o quintal deles em busca de alpiste.

Foi pensando nisso que Jimin chamou sua atenção, perguntando se ele estava bem.

 

Respondeu com um aceno positivo e voltou a se portar como o colega que era. Não muito animado, mas em hipótese alguma: quieto.

 

Acabou esquecendo do embaraço e se soltou, como paraquedista se solta para o mundo, naquela conversa.

 

O coral de risadas era deveras satisfatório, vale reforçar.

 

Jeongguk podia jurar que sentiu os dedos de Jimin fazendo um carinho singelo em sua cintura e uns beijinhos na nuca vez ou outra.

 

Bobeira sua.

 

E no final, chegando em casa, Jeongguk não teve tempo para ficar constrangido pelo acontecimento, apenas capotou no colchão e deixou o ventilador ligado e as luzes que acendeu até chegar no quarto também.

 

A conta daquele mês iria aos ares de tão alta.

 

 

 

 

De fato, aula de química não veio à Terra para o bem, seus objetivos eram diabólicos; era nisso que Jeon acreditava.

 

Mas Jeongguk não é inteligente e centrado nos estudos? Ele se esforça, mas não é porque você estuda e tira boas notas que automaticamente gosta da matéria.

 

Ou a suporta.

 

Ficar misturando um líquido com outro não era pior que as aulas teóricas, isso ele tinha que admitir. Mas química é química.

 

Cheia de informação e transformação.

 

Ele poderia se interessar mais caso existisse uma poção que o fizesse rico, talentoso e maneiro. Não que sua fundação fosse nisso, mas com isso garantido, ele teria “mais tempo” para quesitos morais.

 

A turma saiu do laboratório e foi para a sala “normal”, e a professora nem esperou todos se acomodarem para começar a passar matéria no quadro.

 

Vendo todas aquelas palavras se formarem em frases, e as frases em textos completos demais, Jeongguk descansou a cabeça nos próprios braços.

 

Suspirou e olhou através da janela à sua esquerda, vendo o professor chegando no estacionamento e trocando papo com uma mulher que não lhe parecia estranha.

 

Oh, aquela pessoa.

 

Apresento-lhes Seulgi, uma moça de características femininas ao seu máximo, que provocou uma inesperada situação.

 

Melhor dizendo: o primeiro ataque de ciúmes em Jeongguk.

 

 

 

 

O que é melhor que karaokê na primeira semana de férias?

 

Jeongguk podia pensar em várias outras atividades melhores, porém, por enquanto, era o bastante para tirá-lo do sofá – que já estava com a marca do seu traseiro.

 

De repente, Jeongguk pareceu desanimado além da medida e, seguindo a linha de como seus dias eram levados, o que deveríamos ter era um sorrisão no rosto e não aquelas olheiras pesadas.

 

Digamos que nem tudo é uma maravilha, e que a notícia que chegou até ele era o completo oposto de maravilha.

 

Jeongyeon iria se mudar.

 

Iria morar com o pai... na Austrália. E caramba, Jeon nunca se imaginou tão longe da mana! Saber que logo isso sairia de ideias para se tornar realidade, o assustava.

 

Essa era a causa de um rostinho todo aborrecido. Os irmãos brigam feito gato e rato, mas são inseparáveis.

 

 

Jeongguk conferiu o horário novamente; dentro daquele ônibus lotado parecia que o tempo passava arrastando.

 

Depois de muita insistência de sua coroa, ele levantou da cova para tomar um bom banho e ir se distrair com os amigos. Esperava que desse certo.

 

Para seu azar, ou sorte, Jimin não havia sido convidado.

 

Mas diferente do que ele imaginou, Park estava lá.

 

O shopping era amplo e tinha um dos karaokês mais populares e probos, claro que seria a primeira escolha da classe.

 

Jeon estava num grupinho de garotas e garotos, comentando sobre novos filmes que estavam sendo lançados, quando viu a cabeleira ruiva desbotada quase loira na fila do karaokê.

 

Inevitavelmente um sorrisinho surgiu, não obstante ele desmanchou vendo Jimin acompanhado de alguém.

 

“Tá de brincadeira.” — foi a única coisa que conseguiu pensar sobre aquilo, pois no segundo seguinte, Jimin olhou para direção que ele estava e acenou.

 

Em retribuição, Jeongguk apenas curvou os lábios e desviou o olhar para o garoto que tomava a fala na rodinha.

Jeon nunca pareceu tão... frio.

 

Aquela aura negativa vindo dele não cheirava coisa boa — por mais que não parecesse estar... afetado com alguma coisa, assim perceptivelmente.

 

O menino era caloroso, tímido, porém boa pinta e, educado como era, tinha uma relação amigável com os que conhecia.

 

Nenhum rival.

 

Até aquele momento.

 

Num vestido floral —  que Jeon julgava ser jeca para um encontro — a mulher vestia-se, trajando também um smile contagiante, cabelo caramelo e pele nácar.

 

Talvez os demais pensariam:  — Uma princesa, digna de uma coroa; mas Jeon não entendia essa de porque é bonita é melhor, está acima.

 

Talvez não só as mulheres sofressem no machismo, a opressão também apela para os garotos — os que discordam de seus princípios de “macho”, vivem naquela insegurança e apoiam (não se tornando as estrelas) os novos conceitos das mulheres.

 

Quem merecia uma coroa era sua noona que estava pegando e pagando bebidas para ele. Não só um chazinho gelado, mas uma vodca pirata e aquilo que, pela idade, ele estava privado.

 

Jeongguk bebeu tudo que podia e não podia — a bexiga estava a ponto de estourar. Foi por isso que ele correu para o banheiro fazer o número um e se lamentar, um pouco que fosse.

 

Aquela semana não estava sendo uma boa semana e ter que aguentar mais informação na sua cabeça estava sendo explosivo, de certa forma, insuportável.

 

Além da irmã — que era um fator importante — havia também os testes vocacionais que deveria fazer e os vestibulares.

 

Último ano não é brincadeira.

 

Agora mais essa que seu... afeto platônico, podia estar mais em risco que antes e suas chances mais pisoteadas pelo salto agulha de Seulgi.

 

Kang Seulgi era a conselheira da escola; Jeongguk não podia dizer muito dela, afinal, foram uma ou duas vezes que precisou conversar com ela. Pelo jeito parecia ser uma pessoa legal.

 

Jeongguk saiu da cabine e ficou com os braços apoiados na pia, encarando o rosto vermelho por diversos motivos e algumas lágrimas bisonhas.

 

Jeon não era de chorar, e se chorava era porque estava realmente difícil.

 

O peso do futuro era bem pertinente, e o peso de Jimin num abraço por trás era, no mínimo, confortante.

 

 —  Ei, por que está chorando, Jeongguk-ah? — perguntou, virando o menino de frente e limpando delicadamente suas lágrimas.

 

O semblante tristonho daquele jeito até apertou o coração de Jimin.

 

 — Algumas coisas aconteceram. — disse, segurando o choro.

 

 — Se sente confortável em me contar? — o Park foi cauteloso ao lhe indagar, e as mãozinhas que passeavam pelas madeixas escuras de Jeon passavam uma brandura veraz.

 

Com um aceno positivo, eles saíram do banheiro e Jimin disse para ficarem num corredor mais vazio.

 

Sentaram no banco e Park escutou tudo de bom grado, sem comentar nada; estava ali para ouvir e robustecer Jeongguk, seus conselhos viriam depois.

 

Extravasou tudo a Jimin — ocultando a parte em que o próprio dito atuava —  que lhe deu bons conselhos e inclusive risos que pensou suspender por um tempo.

 

Ali, com a cabeça no colo de Jimin e recebendo carinho de muitas formas, ele soube que estava ainda mais perdido naquilo.

 

Aquilo partia de um simples gostar para um apaixonar;

 

Odiava chamar atenção, porém ter a atenção do loirinho era insigne, ter suas palavras dóceis e compaixão era ótimo.

 

Não tinha alguém como Jimin.

 

Papo vem, papo vai, e Jeon já tinha esquecido do que o havia feito chorar, estava distraído na risada e na parla envoltória. Se sentia feliz ali.

 

 — E aí, preparado para uma sessão de músicas românticas? — disse Jimin em seu tom animado. — Por onde começamos? Tears in Heaven ou My heart will go on?

 

Jeongguk riu pelas propostas de música e já imaginava ele e Jimin, cantando daquele jeito!

 

Mas espera... cadê a acompanhante de Jimin?

 

Jeon só se lembrou da bendita quando já estavam se levantando do banco robusto — que já estava fazendo doer o bumbum — após um período longo trocando assunto fora.

 

Diria que se passaram uma hora desde então;

 

Mas não, haviam se passado três horas.

 

Se o tempo passasse rápido assim dentro do ônibus...

 

 — Jimin-hyung! — pararam bruscamente na caminhada a procura de uma sala vaga. — V-você não estava com alguém?

 

 — Oh, estava sim. —  falou se aproximando de Jeon, meio desentendido do que se “tratava”. — O que tem?

 

 — Hum, ela não está te esperando? Quer dizer, — riu de nervoso. — você estava lá com ela, não é? E aí você veio falar comigo. Ela não está lá sozinha? Apesar de que o camarão daqui é bem gostoso e dividir ele com alguém é decepcionante, não que eu seja mão de vaca-

 

 — Já entendi, Gukkie-ah! — riu do garoto, que estava meio bêbado e embolado no que dizia. — Ela já foi, agora vamos que eu não quero perder mais um segundo. Minha alma pede por Celine Dion. —  teatralizou.

 

 — Tudo bem. Vamos lá, Jimin Dion.

 

 — Every night in my dreams I see you, I feel you. That is how I know you go on. — Jimin cantarolou com caras e bocas, naquela encenação hilária.

 

(Toda noite em meus sonhos, vejo você, eu sinto você. É assim que eu sei que você continua.)

 

Era o que dava a se entender com a chacinada alta que Jeon fazia.

 

Ao som das mais vetustas canções, eles seguiam naquela batida amistosa, cantando e dançando.

 

Entretanto, uma coisa ali passou despercebida pelo mais velho; Jeongguk tinha um cantil com uma bebida forte, amarga —  na sua vista uma delicinha.

Quando Jimin dava as costas, Jeongguk bebia.

 

Então, sobre reflexo, Jeon estava superintendido.

 

Sobre “desconfiar do aluno legal-porém-inconsequente” Jimin nem sabia da existência.

 

Mas o garoto ali devia saber o que é limite; agora quem estava lidando com o adolescente bebum e as consequências era o coitado do bom professor.

 

  — Vamos lá, Jeongguk, me dê o seu celular. Antes que sua mãe mande a polícia atrás de você. — pediu Jimin, que estava ficando desesperado com a situação do menino.

 

Todo mole, corado e abobalhado em pensamentos, que vez ou outra saiam em resmungos. Além do horário ultrapassando o recomendado estar fora de casa.

 

 — Alô, senhora Jeon? — pausa. — Sim, seu bebê está ótimo, só tem que aprender a... — então Jeon de supetão pareceu ter acordado e sacudia as mãos em negação. Entendido o recado, Jimin continuou — a não cochilar numa reunião com os amigos. — riu e assentiu. — Tudo bem, ele pode dormir na minha casa? Eu vim a pé e os ônibus já devem ter parado de circular. — mordeu os lábios. — A senhora não precisa se preocupar em buscá-lo ou pagar um táxi, como professor e seu amigo eu faço esse favor. E Jeongguk é bom garoto, vai chegar em casa e dormir. De manhã ele já vai estar na frente de casa.

 

E depois foram rezingas em confirmação até a outra largar mão de insistir de buscar Jeon.

 — Vamos, honey. — Jimin disse, pegando o mais novo no colo e o assustando, mas não o fazendo reclamar, nem nada assim.

 

Apenas entrelaçou as pernas em volta da cintura do mais velho e segurou firme, aspirando o perfume fraco que impregnava naquelas roupas quentinhas.

 

Se sentia uma princesa sendo carregada por seu príncipe, e sentia sua pélvis esfregar contra a barriga de Jimin, as mãos segurando suas coxas com possessão.

 

Nossa, Jeongguk estava doido e boa parte da culpa não era do álcool.

 

Jimin pagou tudo aquilo que consumiram e entraram no carro, Park no banco do motorista e Jeongguk lá trás.

 

Espera.

 

 — Hyung, você não disse que veio a pé?

 

 — Se eu dissesse que estava com carro, sua mãe iria querer que você fosse pra casa. E nessa situação, eu não acho que seja uma boa ideia. —  sorriu, olhando o garoto pelo retrovisor.

 

Jeongguk se encolheu e deitou no estofado durante o caminho e ao silêncio.

 

 — Obrigado, Jimin-hyung.

 

 — Por nada, Jeonggukie.

 

Jeon fechou os olhos e imaginou longe no romance fictício, chegou até a esconder risadinhas muito suspeitas com as mãos.

 

Do nada ele estava com Jimin em um barco no meio do mar aberto e com tubarões em volta. Então Jimin pegou um remo do bolso e começou a afastar o animal, dando pancadas na água e às vezes na cabeça dele. E o doido foi que o tubarão virou um abacaxi e Jimin o pegou e começou a comê-lo.

 

De uma hora para outra eles estavam deitados numa cama gigante.

Jeon virou-se para o lado e viu Jimin de costas, pelo jeito, pelado. Assim que o cutucou e ele virou para si, tomou susto de curar soluço.

 

Jimin tinha uma cabeça de abacaxi.

 

Mente de bêbado não dá pra entender.

 

O caminho foi bem biruta; pelo menos pra Jeon, que a cada cinco minutos tinha um sonho diferente e macabro com Jimin. Alguns surreais com ele e seu hyung tendo momentos quentes…

 

Sim, Jeongguk acreditava mais que Jimin viraria um abacaxi em uma partida de futebol do que Jimin aceitando-o como algo a mais.

 

Pobre Jeongguk, nem esperança havia plantado naquelas terras.

 

Pra Jimin o caminho foi normal, as vezes ele verificava se Jeon estava bem, se não ia vomitar do nada ou se estava com frio. Mas toda aquela bebida o fizera não sentir nada além de calor interior.

 

As ruas estavam vazias e era bem fácil dirigir por aí, despreocupado. O difícil mesmo foi subir com Jeongguk perna de gelatina para o apartamento. Teve que pegá-lo novamente no colo e dessa vez o garoto não parava quieto. Tentava dançar em seus braços, rebolando e cantarolando umas letras musicais emboladas.

 

 — Vai hyung, baila comigo no estilo Se ela dança eu danço, vai ser divertido você não acha? — disse manhoso enquanto Jimin clicava no botão de seu andar, os dois já dentro do elevador. — Nossa Jimin-hyung como você tá lindo, parece até aqueles modelos mesquinhos de nariz empinado, o que me leva a pensar naquela moça que estava com você hoje. Ela era bem bonita, né? Vocês dois dariam um belo casal. Tipo Brad Pitt e Angelina Jolie. Se vocês tiverem filhos vão ser crianças abençoadas, quero ser padrinho delas, sabe? ... Wa, que sono! — ele dizia tudo fazendo umas caretas, franzindo o cenho e mudando gradativamente o tom de voz e gesticulações.

 

Acabou deitando a cabeça no ombro do hyung e brincando com seu irmão gêmeo. Quer dizer... seu reflexo no espelho do elevador.

 

Jimin fez chacota, tentando não achar aquilo tão tentador e adorável.

 

A voz aguda ficava manhosa e puxava as letras manhosamente, como se fosse um teste para Jimin. Jeongguk era o tipo bêbado grudento e bipolar, vira e mexe estava falando sozinho, fazendo carinho no seu ombro e soprando seu queixo como se fossem coisas extraordinárias para se fazer.

 

Park deu um beijo delicia na bochecha e na testa do mais novo, fazendo ele rir bobão.

 

O sino anunciou que tinham chegado no andar e saíram rapidamente do cubículo espelhado até a porta do apartamento 409 — Jeongguk riu da plaquinha de bem vindo do Kumamon e do tapete floral enfeitando a entrada.

 

Estava tudo escuro e assim que Jimin ligou a luz da sala Jeongguk deu uma olhada devagar e era como pensou ser: cheio de bolas de diferentes esportes e um sofazão que substitui uma cama king.

 

Era arrumadinho e cheirava a eucalipto, como também cheirava a vitamina de frutas que Jimin bebia todos os dias.

 

O hyung colocou-o ali no estofado com cuidado, e quando Jeon já estava sentado, encarou-o meio perdido.

 

 — Está se sentindo bem?

 

 — Melhor do que nunca! — ele disse com um espírito hiperativo demais e olhinhos semicerrados.

 

 — Certeza? — perguntou novamente, sendo respondido por um joia da parte do mais novo. — Tudo bem, eu vou fazer um café e você me espera aqui, beleza?

 

 — Sim, sim.

 

Park riu e concordou, indo lá pra cozinha. Pegou todos os ingredientes e os utensílios para fazer um café forte como sua avó o ensinara — o cura ressaca nunca falhava, fazia você por tudo para fora. E como era bem simples, não demorou muito para estar pronto.

 

Jimin foi caminhando até o menino que estava sentado, mexendo nos dedinhos e rindo de alguma que Jimin tinha certeza não ser boa coisa.

 

 — Aqui, Jeonggukie. — entregou-lhe a xícara e manteve os olhos fixos no garoto, quase se esquecendo de pegar o balde para secreções fétidas como vômito.

 

Foi num pulo até a lavanderia e voltou correndo a tempo de Jeon não soltar sua consequência pela boca, antes de jorrar no seu tapete limpinho.

 

Depois de um tempo acariciando as costas de Jeongguk enquanto ele vomitava, finalmente acabou-se a carga para ser solta e então Jimin o guiou para o banheiro, para ele tomar uma ducha.

 

 — Levante os braços. — ele pediu para Jeon com o rostinho cansado e atordoado por ter colocado tanta coisa pra fora, aquele sabor horrível na boca o dava nojo e ele só queria capotar na cama, esquecer daquilo tudo. Mas, bom, ele estava na casa de Jimin. — Agora vai parecer o fim do mundo, mas depois de um banho e de uma sopa, vai ficar tudo bem. — sorriu simpático colocando alguns dos fios rebeldes de Jeongguk para trás.

 

Totalmente despido, Jeongguk se pôs embaixo do chuveiro de água quentinha, nem dando bola para o fato de que estava peladão na frente de seu professor/projeto-de-paixão-platônica, de olhos fechados, sentindo as gotas limparem sua pele.

 

O fato a se ressaltar é que ele estava tão grogue que Jimin estava passando sabonete por seu corpo, ali dentro daquele box ainda com suas roupas, e conversando consigo como se a cena não fosse constrangedora.

 

Não, pra Jimin só era mais uma ocasião.

 

O banho pareceu despertar Jeongguk e aliviar aquele mal-estar, logo o sorrisinho dele abriu, e várias... coisas passaram por sua mente. Mas ficou só na imaginação abraçar seu hyung e encher ele de beijinhos, porque a timidez teimava que era uma péssima ideia e a razão estava do seu lado.

 

De banho tomado, Park o ajudou a se vestir com o pijama largo de carrinhos — parecia ser de um bebê gigante — e escovou seus dentinhos para tirar o gosto ruim do paladar.

 

 — Vem, neném. Agora é a sopa. Prefere ela com macarrão ou pedacinhos de frango? — indagou-o com um sorriso sem dentes, segurando sua mão como se fossem atravessar uma avenida.

 

— Prefiro macarrão, hyung. Obrigado. — disse para ele, envergonhado com tudo aquilo e percebendo a sanidade voltar aos poucos.

 

Na cozinha foi tudo tranquilo, os legumes cortados e o famoso aroma de sopa gostosa pegando Jeongguk e fazendo sua barriga roncar — o que gerou várias risadas e um papo nostálgico de infância e galinhas.

 

Jimin estava com as mangas da camisa dobradas e um avental verde escrito “Melhor cozinheira da família” que descobriu ser da vovó Park.

 

E quando a sopa ficou pronta eles comeram juntos na mesa, em silêncio que vez ou outra era cortado pelos elogios e agradecimentos da parte de Jeong.

 

 Os pés de Jimin esbarravam vez ou outra na perna forte de Jeongguk, fazendo ele retribuir o toque por instinto. Os dentes saltando sem sua permissão e o coração acelerado, quase nem cabendo no peito.

 

O dia foi uma reviravolta que só!

 

Bem alimentados, Jimin arrumou sua cama e disse para Jeong dormir ali mesmo.

 

Tudo bem, aquele sofá era uma coisa linda e confortável, mas a cama de Jimin... bom, era a cama de Jimin!

 

Estava cheio de sono, por mais que continuasse meio alucinante, e foi só Park insistir mais uma vez que ele se deitou na cama deixando o mais velho mimá-lo.

 

Além de cobri-lo com uma manta fofa e fazer carinho em seu cabelo, ele deu um beijinho e cantou alguma musiquinha leve em seus ouvidos.

 

 — Neh, hyung... — disse com a voz carregada de cansaço. — Por que não dorme aqui comigo?

 

Jimin deu uma risada e disse: — Não precisa, tem um sofá gigante lá na sal-

 

 — Vamos, hyung. É que você tá com esse pijama de cachorrinho ai eu lembro do Mike, meu dog de pelúcia, não de verdade, porque minha mãe não queria mais um bagunceiro em casa. Ai eu fico com vontade de te abraçar com força. — ele fechou os olhos e deu um espacinho pra Jimin, supostamente, se deitar e deu uns tapinhas. — O Mike dormia comigo e me trazia calmaria. Por que você não? — resmungou.

 

Jimin tinha cento e um (dálmatas) motivos para recuar e deixar o aluno ali, já estava passando dos limites trazendo ele para casa e mais essa?

 

 Estava fora da linha de ética, porém juntamente, fora do seu controle total; porque fala sério, Jeong era um amor e precisava de carinho. Talvez Jimin não fosse a pessoa certa pra fazer isso, mas ele pouco se importava.

 

Jeongguk riu e disse: — Eu sabia que você era um hyung legal, Jiminie. — agarrou-se ao usurpador do Mike e acomodou-se do jeito mais confortável. Deu um boa noite e sussurrou um pedido desculpas.

 

Desculpas por várias razões, mas vamos só citar o estorvo que ele pensava estar sendo aquela implicância de bêbado mirim e também estava puxando Jimin pra sua doideira de paixão colegial.

 

Mas, numa hipótese distante, Jimin queria se deixar levar pela maluquice que Jeongguk propunha.

 

 — Boa noite, Jeonggukie. Durma com os anjos.

 

 — Já tem um aqui do meu lado. — ele disse, tendo nem mais tempo para raciocinar; Morfeu já tinha levado sua cabeça para as nuvens.

 

 

 

 

Pelos corredores, Jeongguk vagava com as alças da mochila presa nos ombros e um chiclete de tutti frutti adocicando seu paladar. Mascava despreocupado e o local totalmente calmo, dando só pra escutar os professores explicando matéria, colaborava para que ele pudesse aproveitar o silêncio — e também, ele nem precisava se esforçar para parecer que estava apenas indo no banheiro quando na verdade, estava indo matar aula na cara dura.

 

Não teve alguém que suspeitasse, nem mesmo de mochila nas costas? Inacreditável, sim, mas por que não aproveitar aquela oportunidade?

 

Tirou o boné para ajeitar seu cabelo escuro e o colocou de volta, levando as mãos para os bolsos da calça jeans.

 

Olhou ao seu redor e certificou que ninguém estava pelas redondezas mesmo, então pôde finalmente subir dois lances de escada e encontrar a sala de prática culinária vazia.

 

Haviam alguns ingredientes, recipientes e livros de receitas arrumados nos armários e em cima da bancada gigantesca que percorria quase todo o perímetro do cômodo. Jeon jogou a bolsa numa cadeira e espreguiçou-se para trancar a porta.

 

Ele não contava que fosse sentir vontade de “liberar sua urina” de fato; era só um pretexto para sair daquela aula entediante de história em que a voz da professora era tão devagar que parecia seguir a frequência do andar de uma tartaruga. E ele só faltava dormir lá mesmo com o braço segurando o rosto pra que não desse de cara na carteira.

 

Pôs só sua cabeça pra fora e fez vista grossa, tentando até sentir alguma ventania inconstante com seu sensor de presença humana ou não —  um dom misterioso ou dote divino que desenvolveu com todos os anos vivendo de esconde-esconde pelo seu bairro e fugindo da humilde residência quando o negócio esquentava pro seu lado.

 

Foi de fininho, por mais que parecesse um brutamonte correndo, involuntariamente desesperado, e movimentando quase todo o corpo na missão fácil que era chegar até o final daquele andar.

 

Então, escorrendo pelo piso ele cantou conquista ao dispensar o piu-piu da gaiola e sentir o alívio de soltar o xixi no toalete.

 

Tirou o excesso do líquido e lavou suas mãos, dando uma olhadinha no espelho pra ver sua situação horrenda de sono e preguiça aguda com o último bimestre; mas desistir não era uma opção, seguiria firme até o final por mais que só quisesse ter uns meses de descanso.

 

Ajeitou as calças e já partia para o encontro com o “desconforto” (não pior que tolerar a matéria histórica por mais uma hora naquele pique maçante) de tirar um cochilo breve no colchão provisório que seria o chão com sua mochila de travesseiro.

 

Porém, antes que cumprisse o imaginado, ele escutou vozes ao longe, não muito mas o suficiente para percebê-los e insuficiente pra ouvir direito o que diziam; eram duas pessoas, e pelo pouco que escutou, discutiam pacificamente, não havia gritaria nem nada assim.

 

Suspirou com seu coração dando um tremelique; não queria ser pego cabulando aula quando nem tinha começado. Mordeu os lábios em nervosismo, respondendo aos comandos do seu instinto, fazendo o mínimo de movimento e o máximo de silêncio possível.

 

Em menos de alguns minutos, pôde perceber que a ladainha havia cessado, combinado o fim do falatório a sua quietude ele até pôde ouvir um grilo inquieto na janela, e com isso se suspendeu novamente no batente para visualizar o campo minado.

 

Soltou o ar com vontade, o alívio presente no ato, e andou calmamente mantendo o olhar atento.

 

Conseguiu voltar para a salinha e ficou mais uma vez animado com a brecha para poder cochilar sem ter que levar uma advertência — isso caso o professor Park Jimin fosse um cara muito bom ou quem sabe estivesse sobre efeito de drogas para alegar que na realidade não estava vendo o aluno Jeon Jeongguk fechando a porta minimalista na força para não chamar atenção, enquanto um sorriso maligno enfeitava os lábios e em sua mente provavelmente acontecia uma festa por estar livre de um bilhetinho que daria mais uma manchada no seu documento escolar.

 

É, bom, Jeongguk provavelmente estava ferrado pois Jimin não se envolvia com drogas.

 

E talvez estivesse furioso demais para mostrar-se alguém bonzinho, como fazia no cotidiano.

 

Ops.

 

 — Jeon Jeongguk, o que faz fora da sua sala? — o professor usou um tom severo, desconhecido e simplesmente arrepiador. Os pelinhos da nuca de Jeon se sentiram ameaçados e o alívio foi embora tão rápido quanto chegou.

 

O moreno levantou as mãos em rendimento, virando devagar como se estivesse sido pego cometendo um crime; e pela carranca do prof’ as duas coisas pareciam no mesmo teor de proibição.

 

— Bom dia, Sr. Park. — sorriu amarelo. — Um bom, bom dia, não é?

 

O outro apenas coçou os olhos, visivelmente cansado e esvaziou o pulmão com a mente trabalhando no que faria agora. Encarou o aluno com aquelas pérolas pidonas, as bochechas coradas e também a circunstância que estavam.

 

Ambos fartos, prezando até pela mais proibida chance para se deixar dormir, descansar e não se preocupar com mais nenhuma coisinha.

 

 — Você tem sorte que fui eu quem achou... reconheci essa bolsa. A senhora Hirai não mediria esforços para te dar uma lição. — Jeongguk ouviu atentamente e pôde perceber que o hyung estava tenso, com umas veias saltadas, mas não parecia exaltado de tal forma que fosse explodir.

 

A bomba ainda podia ser desarmada.

 

 — Ei, hyung você não está muito cansado? — perguntou, não por chantagem, mas porque realmente se preocupou. — Quer conversar?

 

 — Acho que não, Jeongguk. Não é hora e nem lugar pra isso, não acha? E antes que diga qualquer outra besteira, pode me explicar por que não está na aula? — foi rígido, ele tinha que ser.

 

Foi a vez de Jeongguk eliminar oxigênio dos pulmões — okay, isso realmente está ficando dramático, quantas vezes eles já não bufaram?

 

 — Só estou sendo um adolescente, eu acho. Assassinando uma aula por estar sobrecarregado mais uma vez em pouco tempo. Não é nenhuma desculpinha e com todo o respeito, nenhuma besteira. — ressaltou o termo usado para desmerecer certas palavras que usava para demonstrar que queria ajudar o seu hyung.

Mas ele estava o bloqueando.

 

 — Entendi, Jeon. Me desculpe pela grosseria, tô bem chateado com algumas coisas e, por mais que você continue errado por estar fugindo da sua aula, não é motivo para descontar. Eu não sou assim, certo? — disse mais ameno e revendo todo aquele cenário onde ele estava jogando pedras enquanto Jeongguk oferecia flores.

Seus pensamentos o deram um tempo, só para não o desgastar mais um tanto, e ele pôde raciocinar com mais clareza sem ser uma pulga na orelha em ninguém.

 

 — Tá tudo bem, mas falando sério não quer soltar o que tá ruim pra se sentir melhor? É que nem eliminar fezes, mas pela boca, quer dizer, não exatamente... o que eu tô querendo dizer é que você precisa eliminar o que tá pesando sua consciência, tipo desabafar, não cagar... ou não sei né. Ô hyung, você tá assim porque comeu algo que não veio a calhar? Bem que eu sabia que abacaxi ia te fazer mal por ser tão ácido, mas não me escutam mesmo. Eu já comentei que quero ser nutricionista então... recomendo água de coco. Ah, desculpa me perdi aqui. — ele se aproximou do mais velho, o vendo se apoiar com os cotovelos na bancada sem desviar de si.

 

O outro riu bastante como se a piada do ano fosse o que tinha escorregado da boquinha vermelha do mais novo, quase como se não tivesse limites e nem garganta pra segurar a gargalhada.

 

 — Ah, eu não aguento! — disse com um restinho de riso na língua e sentindo a barriga doer por ter sido forçada a soltar tudinho. Ele não pôde se conter. — Entendi, entendi. Então você vai ser o meu confidente?

 

Jeongguk, que até agora estava mantido em hipnose pela maneira fofa que seu hyung ria, por um triz não caindo e acabando se contorcendo pelo assoalho gelado, acordou, assentindo com um manear.

 

 — Então eu vou aceitar, acho que não existe pessoa melhor pra desabafar do que o amazing Jeongguk. Sei que você é maduro o bastante pra manter isso só entre a gente, mas promete que o que for dito aqui não sai daqui?

 

  — De dedinho se for preciso! — sorriu com todos os dentinhos e estava com uma postura ereta e o mindinho também.

 

 — Desse jeitinho eu duvido que tenha mais de cinco anos. — riu novamente, mas cedendo ao juramento bobinho. — Bom, sabe que toda família é complicada, né? A minha não é diferente, e esses dias eles me ligaram me perguntando do pequeno Park que eu tô cuidando... e, caramba, que menininho difícil de lidar, ele não para quieto e faz birra demais. — parou um pouco pra encarar Jeongguk surpreso com a revelação que seu professor tinha um filho. Um filho! Ele mal sabia que seu hyung estava com alguém.

 

Mas então, por que não haviam vestígios de criança em seu apartamento na última viagem que fora até lá? É, estranho.

 

 — Não sei como a minha irmã aguenta aquela cria que colocou no mundo. Mas ainda bem que eles só ficarão por algum tempo. Não sendo egoísta a esse ponto mas eu tô com saudade da calmaria de casa, de poder chegar e ver tudo no seu lugar e não papinha no teto, brinquedo pra lá e pra cá e eu nem vou te contar das fraldas que estão mais para bombas! — disse tudo isso com uma entonação prestes a explodir e indignado com o que acontecia, parecendo mais idiota em voz alta, ele acabou por gargalhar da situação. Jeon não demorou pra rir também, afinal, aquela ainda parecia ser uma parte razoável... pelo menos iria passar.

 

Ufa, Jimin não tinha nenhum filho, nem esposa. Nem uma mania de ficar penteando o cabelo diversas vezes com um pente pequenino que tinha no bolso.

 

Tá, o último ele tinha sim.      

                                  

 — Eu não quero nem imaginar o fedum que fica o apê. Se bem que suas vitaminas de brutamonte não tem um cheirinho diferente. — comentou descontraindo ainda mais pertinho do loiro.

 — Você não sabe o que diz, garoto! — riu o Park, dando um soquinho frágil no peito de seu aluno, que apenas acenou para que ele prosseguisse com seu desabafo, totalmente atento. — Tirando isso, tem uma parte mais chata que sinceramente está me tirando o sono, Jeongguk, não consigo mais pregar os olhos. — e mais uma vez o tom cansado se mostrava nímio. O moreno se permitiu imaginar, enquanto não era dito por palavras, o que acontecera para o mais velho estar cabisbaixo.

 

Não tinha notado nesses dias anteriores talvez por estar no mesmo barco; talvez fosse alguma reclamação da diretora, ou algum caso mal resolvido ou até quem sabe…

 

  — Estou sendo acusado de assédio. — soltou por fim, largando-se de qualquer maneira e achando naquele momento que sua vergonha podia ser transmitida para "o nada" caso ele o encarasse; estava vazio. — Uma garota de outro colégio conseguiu o meu número e num dia ela acabou decidindo me mandar uma foto... comprometedora para conseguir atingir sua meta de nota na matéria. Mas eu recusei, obviamente. E ela não ficou feliz com o "não" rude que eu dei, afinal, não é todo dia que isso acontece e você se sente tão... invadido. Ela bolou todo um plano contra mim, o que não surtiu efeito por alguns meses até que ela apelou por mostrar provas falsas e envolver os pais. — uou, aquilo era pesado e demais.

 

Não somente tenso como inacreditavelmente um absurdo que poderia acontecer com Park Jimin, um cara tão bacana e um docente competente que independente de sua intimidade com os seus alunos, era dedicado ao seu emprego.

 

 — Só não foi considerado pedofilia por ela ter mais de dezoito. — finalizou, com o lábio inferior preso em seus dentes, uma ardência imperceptível pelo seu estado miserável de emoções.

 — Hyung... isso é muito injusto, eu não consigo acreditar que eles engoliram essa mentira cabeluda. — murchou como uma rosa sem cuidados e, delicado como ela antes do abandono, ele ultrapassou a barreira de tristeza de seu hyung e o abraçou bem gostoso. — Você é uma pessoa incrível, não se preocupe tanto. A verdade sempre prevalece no final. — alisou as costas cobertas apenas por uma camada fina da blusa roxa alheia e sentiu ser retribuído, isso lhe tirou um sorriso. — Eu vou te apoiar e vou estar aqui pro que der e vier, nem pense em ficar tristinho. — afastou o suficiente para encará-lo e passar veracidade no que dizia.

 

O brilhinho que surgiu bem no canto da íris castanha, quase como um poço de caramelo, foi o estopim para Jeongguk se sentir completo.

 

Tão completo que não poderia conjecturar.

 

Ah, essa paixão o custava muito do coração.

 

Deixou que sua cabeça caísse entre o ombro e o pescoço do hyung, em pura vergonha de seus pensamentos — como se o loiro pudesse lê-los.

 

 — Você é incrível também, Jeonggukie.

 

Oh, poderiam congelar a Terra por alguns segundos só para que ele pudesse aproveitar a enrascada que havia caído.

 

 — Tipo, eu achava que você era um banana quando te vi, mas tô surpreendido. —  e o timbre todo cheio de charme voltou para acudir e sacudir o espírito animado que estava quase extinto ali.

 

 — Hyung! Como você é um traíra, eu te venho no apoio e você me joga uma dessas? Eu tô indignado. — ai, Jeongguk e sua famosa performance teatral, digno de novelas mexicanas e dramas tristes de filmes franceses.

 

O garoto no final era uma comédia e Jimin sabia bem usufruir da brincadeira que o propunha.

 

E iniciaram algo muito legal chamado: papo naquele cômodo vazio, até que o professor lembrou-se do que o encrenqueiro do Jeong estava indo fazer antes daquele momento de ajuda.

 

 — Não pense que se livrou do intimado viu, bobinho. — articulou num fraco severo e puxou Jeongguk pela manga do uniforme. — Ah não ser que eu avise à Hirai que você tem sido péssimo nas aulas de culinária e eu possa estar te dando umas aulinhas extras. Mas aí você vai ter que fingir que quer ser um confeiteiro, viu? Ou sei lá, desiste de ser nutricionista e vai cursar isso mesmo pois do jeito que ela é, vai te perseguir até a faculdade pra ver se isso aqui não era pretexto. — fisgou o moreninho com a sua piscadinha e foi até do outro lado para pegar o necessário para preparar uma coisa muito, muito boa!

 

Jeong quase tirou uma fotinho de Jimin concentrado e com um rabinho de cavalo formado pelos fios da franja — que o atrapalhavam a cozinhar —, como uma cascatinha capilar.

Só não fez pois o hyung pescou sua mão atrevida indo até o compartimento onde repousava seu celular e que tinha uma faca afiada na mão — perigosíssimo.

 

Sua pose pensativa era interessante; um biquinho em cotejo com seu sopro austero. Tipo ver um monstro no meio do filme de terror com fantasia de frango, sabe? Que você fica intrigado mas perturbado? É assim mesmo que ele se sentia.

 

Se Jimin não escolhesse logo, ele iria se descontrolar com tamanha fofura e a pose máscula se enrolando numa só.

 

 — Hum, bolo de abacaxi, vai ser o prato perfeito, mui delicioso!

 

 —  Por que será que eu não estou surpreso?

 

 — Porque você já admitiu pra si mesmo que abacaxi é a melhor fruta e combina com tudo. Até com carne de pato.

 

 — Eu não vou nem perguntar como descobriu isso.

 

E o cômodo foi tomado por risadas e a afeição aumentando conforme os dois bobinhos iam se divertindo (fora da lei do colégio) e se deslumbrando mais do como poderiam ser bons amigos.

 

 

 

Sobre isso, Jeongguk não podia mentir: amava.


Notas Finais


joguei a bomba e saí correndo.

E DEPOIS DE UMA TONELADA DE INFORMAÇÃO, DE JIKOOK INTERAÇÕES (que não fica só na ficção, rsss) E DE MUITO HUMOR EM DECADÊNCIA, venho finalizar o primeiro capitulo!

opa, opa não se apressem que logo o segundo capitulo vai estar disponível e cheirosinho. prometo de dedinho que não vai demorar.

aliás, eu quero muito saber o que vocês acharam! não deixem de comentar e de me mandar piadas, galera.
eu adoro <3

VENHAM JUNTOS COMIGO ENALTECER ESSA RELAÇÃO CHEIA DE FLORES, PODE VIR.

ah e logo aviso que não vai ter nada relacionado a pedofilia. ou seja, nosso jungkook aqui não vai entregar o doce do seu mel inocente para jimin antes "da hora".

e é com honra e muita felicidade que eu me despeço de vocês, anjinhos.
não se esqueçam da revelação que veio com essas nove mil palavras: aBACAXI É FRUTO DO PECADO, TODOS ESSES ANOS VOCÊS CULPARAM A COITADA DA MAÇÃ.

xoxo <3


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