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História Bad Liar - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


agora que Percy Jackson está em alta novamente, venho por meio desta fazer um MERCHANDISING
por favor, se sentirem curiosidade, leiam minhas outras fanfics Percabeth para adultos, do universo do livro mesmo. elas são ''goodbye'', ''aquela que foi embora'', ''fantasma'', ''primeira vez'' e ''go fuck myself''. estão aí embaixo, depois do capítulo :)

Capítulo 5 - 05. daddy issues


Havia mais de um mês que eu não falava com Atena. Não conseguia me sentir culpada pela falta de interesse em estabelecer contato já que ela nunca ficou feliz com as minhas tentativas. Era como se ela não quisesse lembrar da minha existência mais do que o necessário. E fora assim durante toda minha vida, desde as creches até os colégios internos.

Eu não conseguia me sentir triste com isso. Não mais. Principalmente pois Atena era muito rígida com a minha educação, e nunca deixou de pagar por ela e pelo auxílio. Pelo menos uma vez no mês ela me ligava para me falar do dinheiro das mensalidades, o que me confortava. Me dizia que ao menos com isso ela se importava. 

E, no entanto, ali estava eu. Pela primeira vez na vida, matando aula. O pé batendo de forma irritante contra o chão, o telefone nas mãos e o coração palpitando.

Talvez fosse uma reação exagerada. Talvez eu estivesse exagerando para quem não conhecesse Atena, mas eu sabia que ela não atrasava. Ela ligava no mesmo dia em todos os meses. Mesmo que ela parecesse me odiar enquanto falava comigo, ela ligava. 

— Você está mesmo matando aula, Annabeth? — Percy parou do meu lado no corredor, me avaliando de cima. 

Sequer tinha paciência para mandá-lo tomar no cu. Ele já tinha tido o que queria, não tinha nada que tentar interagir comigo. Só me meteria em mais problemas. 

Talvez ele tenha conseguido ver o desespero nas minhas linhas de expressão, pois o sorriso de seu rosto rapidamente sumiu e ele perguntou, com a voz mais baixa: 

— O que houve?

— O dia de pagar a mensalidade está chegando e eu não consigo falar com Atena — Olhei para a tela do celular, observando todas as ligações que eu já tinha feito para ela. — Eu sei que ela me odeia, mas ela nunca deixa de me ajudar com as mensalidades. 

— Ela não te odeia, Annabeth — Percy abaixou e se ajoelhou do meu lado, colocando uma das mãos no meu ombro. — Por Deus, ela é sua mãe. 

— Nós já tivemos uma breve conversa sobre quão maternal ela foi, Percy — Funguei, tentando segurar as lágrimas que começavam a se formar nos olhos. — Ela não é minha maior fã, mas nunca deixou de me ajudar — Repeti. — Será que aconteceu alguma coisa com ela? 

— Não sei... O que poderia ter acontecido? — Ele sentou ao meu lado, o ombro encostado no meu. 

— Ela mora em um bairro miserável no subúrbio, e está quase alcançando a terceira idade. Não seria difícil alguém invadir a casa dela ou, sei lá, ela ter um AVC. 

— Não tem ninguém morando com ela? Seu pai, algum irmão?

— Não. Atena conseguiu fazer com que todas as pessoas ao redor dela simplesmente desistissem de se aproximar — Uma lágrima solitária escorreu pela minha bochecha esquerda, e eu rapidamente a enxuguei. 

— Você tem o endereço, certo? — Percy olhou para mim, o semblante cheio de preocupação. — Você pode tentar ir até ela e ver o que aconteceu. 

— Não sei, Percy... Ela pode não gostar de me ver lá. Da última vez que fui, só peguei umas roupas e fui embora. 

— Ela é sua mãe, Annabeth. O que pode acontecer de tão ruim? 

Talvez por eu saber que nós não éramos íntimos o suficiente, o deixei me convencer. Por nós não termos ligação nenhuma, o deixei ver o que acontecia dentro da minha casa. A forma como eu vivia, a maneira como minha mãe me tratava. Seria fácil para ele esquecer, afinal.

[...]

Ninguém nos atendeu quando chegamos lá, e não parecia haver sinais de arrombo. Era apenas a casa na qual eu havia crescido, com as cortinas cobrindo as janelas e a mesma cor morta nas paredes. 

— Talvez ela tenha viajado, ou saído para uma consulta médica — Percy tentou me consolar, há alguns passos de distância de mim, avaliando o bairro com os olhos brilhando de curiosidade. — Podemos voltar mais tarde, se você quiser. 

— Sei onde fica a chave reserva — Caminhei pelo jardim extremamente acabado e alcancei um dos vasos nojentos que ficava espalhado por ali. — Faz meses que eu não venho aqui para fazer uma visita, então sempre evito vir em um horário em que sei que ela estaria.

— Seus problemas familiares fazem os meus parecerem piadas — Ele comentou enquanto eu abria a porta da frente com um pouco de esforço. Era uma porta velha e cheia de cupins. 

— Não pareceram piadas quando você me contou sobre. 

— Pensei que estaria drogada demais para se lembrar deles. 

— Foi uma conversa profunda, Percy. Nunca esqueço de conversas profundas — Caminhei para dentro da casa, dando espaço para ele passar pela porta. 

Não era tão ruim por dentro quanto era por fora. Atena costumava ser uma arquiteta famosa na nossa cidade natal, então ela tinha um gosto esplêndido para decorações e uso adequado de espaços. As paredes eram tingidas com cores modestas, mas fortes, e o corredor era decorado por quadros simples e um aparador de chaves. 

— Mãe? — Chamei, de forma mais cautelosa do que pretendia. Era estranho chamá-la de ''mãe''.

Não obtive resposta, então caminhei ainda mais para dentro da casa. 

As decorações da sala, no entanto, estavam diferentes. Os sofás e o raque continuavam ali, mas não havia televisão, os livros da estante, o rádio antigo que nós nunca usávamos. Arqueei uma sobrancelha, e parti em uma caminhada rápida até a cozinha.

Não havia fogão, geladeira ou microondas.

E eu comecei a entrar em pânico. 

Virei para Percy, os olhos arregalados, o coração batendo rápido mais uma vez. 

Ele me olhava preocupado e parecia dividido entre falar alguma coisa que, com certeza, não seria boa, ou permanecer quieto. 

— Talvez tenha alguma coisa no andar de cima — Tentei parecer otimista, forçando um leve sorriso no canto dos meus lábios, e disparei escada acima. 

Não havia nada no quarto de Atena além de um armário velho que ela costumava odiar, o que me deixou momentaneamente sem reação. 

Percy entrou no quarto logo atrás de mim e assobiou ao observar o quarto vazio.

— Talvez ela... Talvez ela tenha saído para comprar móveis novos... 

Coloquei a mão acima do peito, sem saber direito como reagir. Para onde olhar, para onde caminhar. 

Não sabia o que fazer comigo mesma. 

— Annie... — Virei para trás, para ele, e o vi segurando uma carta nas mãos. — Estava pendurada no armário. Está escrito ''Annabeth''. 

Ficarei fora por algum tempo, embora eu tenha certeza que você não vai ligar.

Era tudo o que a carta dizia e, dentro dela, havia dois mil dólares. Não era nem o terço da mensalidade. Era o básico para eu conseguir viver por um mês ou dois. 

— O que isso significa? — Perguntei para Percy, os olhos cheios de lágrimas enquanto ele começava a entrar em pânico, sem saber o que dizer. — Ela... Ela me deixou? 

— Não... Ela... Ela disse que vai ser só por um tempo — Ele tentou dizer, se atrapalhando com as palavras. 

Então me encostei em uma das paredes, observando o quarto vazio. 

— O que eu faço agora, Percy?

— Não sei. Digo, sem sua mãe e sem um pai... 

— Eu tenho um pai —Disse, o interrompendo, e instantaneamente me arrependi.

— Nós podemos ir falar com ele, também. 

— Não. 

— Como não, Annabeth? Você está meio sem opções agora. 

— Ele não vai me receber. Não vai querer me ver. 

Apertei os punhos ao lado do corpo, pensando na última vez que eu havia o visto. Pensando nos anos que haviam se passado sem que eu desse notícias, sem que ele se importasse em procurar por mim. 

— Você precisa tentar, certo? — Percy agarrou meus ombros, erguendo meu queixo com uma das mãos. — Não tem outra opção. 

O bairro do meu pai era um dos melhores da cidade. Ele vivia em uma casa grande e bonita, bem no centro, com um jardim cuidado por profissionais e paredes pintadas das cores mais alegres. Era um contraste interessante, realmente, da vida que minha mãe levava naquela época da vida. De tudo que ela havia abrido mão por ele, tantos e tantos anos atrás. 

Quando hesitei em bater na porta, Percy se colocou na frente e deu duas batidas educadas. Ele me olhou preocupado o caminho todo, e eu podia ver quão inseguro ele estava sobre como me consolar e se deveria me consolar. Eu não o culpava, é claro. O que você fala para alguém cuja mãe acabou de abandonar?

Escutei a voz de minha madrasta do lado de dentro da casa e senti o corpo ficar imóvel de tensão. E quando ela abriu a porta, não consegui encará-la. 

— Annabeth! — Madeline exclamou, e pelo tom de sua voz percebi que estava feliz. — Há quanto tempo, querida! — Ela saiu da casa e me abraçou apertado, bagunçando meus cabelos cacheados.

Sorri para ela, dando meu melhor para não sair correndo. 

— Desculpe aparecer sem avisar. 

— Não tem problema, meu amor — Ela sorriu de forma calorosa antes de virar para Percy. — E quem é você, querido? 

— Hã, eu sou... 

— Ele é meu namorado, Percy. — O interrompi, pedindo desculpas com os olhos. — Madeline, meu pai está por aí? Eu precisava... 

— Frederick está trabalhando, querida — Consegui ver os ombros de Percy caírem em desânimo. — Mas você pode entrar e esperar por ele. Seus irmãos estão morrendo de saudade. 

Mordi a língua, a raiva começando a tomar lugar dentro do peito. 

— Nós adoraríamos. É uma emergência — Percy falou por mim, pegando minha mão e nos levando para dentro da casa. 

Madeline nos levou até a sala de estar, sentando em um dos sofás bonitos e com certeza muito caros. Nós imitamos seu movimento, claramente desconfortáveis. Percy, é claro, por estar na casa da madrasta de uma garota aleatória que havia dito ser sua namorada. Eu por não querer ver meu pai. 

— Então, como vai sua mãe? — Madeline perguntou, em um claro esforço em ser simpática.

— Na verdade, é sobre isso... — Percy começou, pronto para derrubar todas as recentes desgraçadas da minha vida na minha madrasta.

— Ela está bem. Mandou lembranças — O interrompi novamente, encarando meus sapatos. 

— Mãe, o Matthew... — Bobby entrou na sala, os pés sujos de lama, uma bola de futebol embaixo do braço. Ele me olhou com uma sobrancelha arqueada antes de sorrir, um sorriso largo. — Annabeth! — Exclamou, todo alegre, antes de tentar andar até mim. 

— Nada disso, mocinho. Estes tapetes são novos. Vá trocar de sapato para poder falar com sua irmã — Madeline o segurou pelo pulso, fazendo-o bufar e revirar os olhos.

— Faz décadas que eu não vejo minha irmã, mãe! — Ele tentou debater, claramente contrariado, o que me fez sorrir. 

— Ela não vai desaparecer, certo, Annabeth? — Confirmei com a cabeça, sorrindo para o garotinho de treze anos. Não tinha apego emocional por ele. Nenhum. Nem pelo garoto que o seguiu pela sala, os olhos arregalados ao me ver. — Nem comece, Matthew. Vá trocar de roupa com seu irmão. 

Acenei para eles conforme eles saíam da sala, tentando ao máximo ser simpática. Eles não tinham culpa de nada, afinal. Não precisavam saber de todo meu rancor. 

Então, escutei a porta da frente bater. Um arrepio cruzou minha espinha, e apertei a mão de Percy com mais força do que o necessário, fazendo-o me olhar. 

— Você está bem, Annabeth? — Ele tirou alguns fios de cabelo da minha testa. — Parece que vai passar mal.

 — Querida, cheguei — A voz de Frederick fez com que eu respirasse fundo. 

Madeline logo se colocou em pé, e foi até a porta para recebê-lo. 

— Não sabe quem veio nos visitar, Frederick — Ela disse, a voz cheia de ânimo. — Annabeth está aqui, e disse que quer te ver. Não é ótimo? 

Eu conseguia ver nas expressões dela, no tom de sua voz, que era sincero. Que ela estava dando seu melhor para que eu não me sentisse mal e para que eu não me sentisse uma estranha. Embora ela não tenha sido sempre assim, eu conseguia reconhecer seu esforço. 

— Mande-a embora — Frederick respondeu, sem rodeios e sem tentar baixar o tom de voz. Ele sabia que eu conseguia ouvir. Queria que eu escutasse. 

— Frederick, é sua filha...

— É uma desgraçada. É a cópia idêntica da vagabunda da mãe dela. Não quero vê-la, mande-a embora ou eu mesmo mandarei. 

Percy se mexeu, e eu perguntei como ele conseguia parecer ainda mais desconfortável. Levemente irritado, também. Os olhos fixos em mim como se estivesse com medo de que eu desabasse naquele momento. 

Embora eu estivesse terrivelmente desconfortável com toda situação, não conseguia me chocar. Não conseguia me chocar com a brutalidade nas palavras de Frederick, não conseguia me chocar com as atitudes de Atena. Por mais que fosse um novo nível de crueldade, não era algo que eu deixara de esperar.  Não era algo improvável vindo dos meus pais. E, no entanto, o fato de eu não me chocar não queria dizer que eu não estivesse me sentindo incrivelmente triste. 

— Ela está aqui para foder minha vida de novo, entendeu? — Frederick continuou. — Está aqui para arruinar tudo. É tudo que ela sabe fazer, desde o momento que ela nasceu. — E foi o ódio nas palavras dele que fez com que uma lágrima caísse de meu olho. 

Percy fez menção de levantar, mas segurei seu pulso. O mantive ao meu lado, a respiração pesada, até que Madeline voltasse. Sem o sorriso no rosto, sem conseguir encarar meus olhos. 

— Nós já estamos indo — Anunciei, me colocando em pé. 

— Espere para ver seus irmãos... — Ela pediu em um sussurro. — Frederick não vai se importar se for alguns minutos. 

Coloquei a mão sobre seu ombro, apertando-o de leve. Caminhei em direção a porta dos fundos, ainda segurando a mão de Percy, evitando esbarrar em Frederick. 

Nós caminhamos em silêncio pela calçada, a noite caindo sobre nós. 

— Sinto muito por tudo isso... — Ele murmurou, baixinho. 

— Desculpe por ter te feito ver tudo isso. Desculpe por ter te arrastado para essa merda toda. Nós só íamos ver se minha mãe estava bem e olhe tudo que aconteceu... — Sorri, seu humor. — Desculpe, de verdade. Não é problema seu — Dei de ombros. 

— Você não precisa agir assim, certo? — Percy parou no lugar, me fazendo virar para encará-lo. Ele tinha as mãos nos bolsos e uma expressão realmente séria no rosto, o que me pareceu incomum. Bonito, como sempre, mas incomum. — Eu sei que as coisas não são fáceis para você, mas você não precisa agir como se todo mundo no mundo quisesse te sacanear ou tirar algo de você. Não estou sendo legal com você porque quero transar de novo, ou porque me sinto compelido. Só estou sendo legal. Aceite isso. 

Suspirei. 

— Desculpe ter te dito aquilo ontem. — Quando nós transamos, quando disse que era a única coisa que ele queria. — É estranho ver alguém me ajudando tanto sem pedir nada em troca. 

— Está tudo bem — Ele disse, se aproximando. — Eu também tinha muitos problemas em ser vulnerável com as pessoas. Quando minha mãe ainda estava com aquele meu padrasto, acabei me envolvendo com Calypso e tudo virou uma grande bola de neve dentro de mim. Jason e Leo começaram a reclamar sobre quão distante e sem vida eu parecia, e não conseguia deixar de me sentir irritado com eles por tentarem se meter. 

Percy colocou as mãos em meus ombros e antes que eu pudesse impedi-lo, ele estava me abraçando. Uma mão sobre a minha nunca, a outra segurando minha cintura. 

— Entendo como pode parecer assustador deixar alguém ver você de verdade, quando você precisa de alguém de verdade. Entendo como é assustador quando alguém quer te ajudar e você realmente precisa de ajuda — Ele aninhou o rosto no meu pescoço, sussurrando contra minha pele. — Você teve um dia de merda hoje, Annabeth. E eu sinto muito por tudo. 

E talvez tenha sido as batidas melódicas de seu coração, o calor do seu corpo, que me fizeram sentir confortável o suficiente para deixar o fluxo de sentimentos correr para o meu corpo. E eu me deixei pensar sobre as coisas que haviam acontecido comigo. Sobre o peso que recaía sobre meus ombros. 

De um segundo para o outro, estava molhando sua camisa com minhas lágrimas grossas. 

— Ela me abandonou, Percy — Murmurei contra seu peito, me aninhando tanto quanto podia contra ele. — Minha mãe me abandonou. Eu sabia que não podia contar com meu pai, que nunca poderia contar com ele, mas... Mas ela estava ali por mim. Mesmo que me batesse e me arranhasse e jogasse facas contra mim, ela estava ali... — E me permiti sentir a dor dos inúmeros pedaços de meu coração quando ele acariciou meus cabelos. 

— Você tem uma concepção muito errada do que é ''estar ali'' por alguém, querida. — Ele sussurrou, ainda aninhado em mim. 


Notas Finais


por favorrr, comentem ~coração
beijão achocolatado~


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