História Bad Lucky - Capítulo 33


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Original, Policial, Romance, Yaoi
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Palavras 3.492
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Policial, Romance e Novela, Seinen, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Suspense, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 33 - Results


-Sabe aonde ele está? — Era tudo o que eu gostaria de saber, desde que Mikael me mandou vir sozinho e sumiu, sem dar qualquer notícia.

-Não. Ele só disse que iria vir sozinho e não falou mais nada. — Respondo eu, passando as mãos pelos cabelos, enquanto tento não pensar no pior.

-Será que ele vai aparecer?

-Tem que aparecer. — Inclino o tronco para frente, tendo que resistir a vontade de ficar em posição fetal neste banco de madeira e chorar. — É o advogado dele.

-Não me disse que ele era um dos exs?

-Eu não conheço ele direito, mas sei que ele não faria isto.

Poderia brigar com Hunter por insinuar isto, mas eu mesmo tenho minhas preocupações e uma delas, é se algo aconteceu e Mikael está escondendo, ou se algo aconteceu com ele, que eu acho que não foi o caso. Espero que não ao menos.

-Nem sou ninguém para falar isto, não é?! — Hunter comentou, eu não me importei em corrigi-lo. Não tenho cabeça para isto no momento. — Até pesquisei um pouco sobre ele, é um advogado bem mais famoso do que pensei. Famoso e polêmico.

-Darel me contou que depois de terminarem, eles fizeram uma promessa de ajudarem um ao outro se fosse preciso e eu tenho certeza que ele vai cumpri-la.

-Uma promessa que veio a calhar.

-Darel sempre me disse que tinha muitos inimigos, mas eu nunca pensei que seriam tantos. — Digo atordoado. — E nem que chegaria a tanto.

-Complicado isto.

-Gostaria que fosse menos. — Ergo o tronco, encostando a cabeça e costas na parede fria.

Com tantas acusações e dizeres muito ruins sobre Darel, e sobre o que eles o acusaram de ter feito, eu comecei a ficar realmente preocupado e com medo, por ele. Se antes, eu não estava conseguindo dormir direito, hoje que é o último dia do julgamento, sequer conseguir pregar o olho. Estou aterrorizado com a ideia do que pode acontecer com ele, caso todos os dizeres ditos por aqueles homens, forem aceitos como verdade. E só piora ver como o próprio Mikael também está preocupado e alarmado, além dele ficar sem dormir também, o vi conversando no celular todo o dia de ontem e madrugada de hoje.

Ele não me disse o que era, e eu não perguntei também. Ele é o advogado, e ele sabe o que está fazendo, não cabe a mim questionar mais nada. Ele tem que fazer o trabalho dele, e eu tenho que aceitar e apoiar. Pois, apesar do meu desespero, eu sei que ele está fazendo o suficiente, e eu tenho que manter isto em mente.

Só não posso confiar na justiça que está para julgá-lo, pois desde do princípio, todo este julgamento está errado. E não deveria nem mesmo ter começado, mas como começou, eu espero que ao menos, termine bem, do jeito que é certo e justo. E eu quero acreditar que isto vai acontecer, mas ao mesmo tempo, me veja aterrorizado que não seja o que aconteça. Ainda assim, eu não escolha a não ser vir e dar todo o apoio que eu puder, embora de longe. Já que nem perto dele, eu posso chegar.

É cruel, e eu me sinto pior por não poder fazer nada por ele. Tudo que podia fazer, eu fiz, e agora, não depende mais de mim. Isto me aterroriza, e cada pensamento que tenho sobre, me faz tremer por completo. Quero chorar, mas não posso, quando tenho que ser forte, por ele mesmo e por mim.

Meu desespero ficou maior quando ouvi uma voz no autofalante chamando para o julgamento. Hunter olhou para mim, após esticar o pescoço para um relógio na parede próxima a nós.

-Já está na hora?

-Eu acho que sim. — Murmuro eu preocupado. — Cadê ele? — Procuro olhar envolta e nada dele aparecer.

-Ligou para ele?

-Vou tentar. — Meu celular já estava na mão, liguei para ele, caiu só na caixa postal. — Não atende.

-Será que algo aconteceu com ele?

-Eu espero que não.

Houve mais chamada, que fora a última. Não tinha mais como esperar.

-Vamos.

Sem entender porque Mikael ainda não apareceu, tive que seguir com Hunter para dentro do tribunal. Todos já estavam sentados em seus lugares e o guarda na porta, nos lançou um olhar de advertência, sem dizer nada no entanto. Sentamos na frente, no mesmo lugar de sempre e a juíza já em seu lugar, bateu o martelo na madeira.

-Vamos dar início a audiência.

-Meritíssima, o advogado de defesa não está presente. — O promotor fez questão de dizer, antes de mais nada, apontando para Darel, que estava sozinho sentado na cadeira.

-Não? — Ela o procurou com os olhos e para meu desespero, também não o encontrou. — Se não há mais provas ou argumentos a serem apresentados, então...

Antes ela terminasse a frase, a porta foi aberta abruptamente por Mikael que carregava uma maleta preta e um material em um envelope grosso marrom.

-Me perdoe pelo atraso, meritíssima. — Veio apressado, tomando o seu lugar o mais rápido que pôde.

-Acha que está num picadeiro, advogado?

-De forma alguma, meritíssima e tenho boas razões para ter me atrasado.

-Me diga quais são.

-São novas provas, já periciadas e apresentadas a promotoria esta manhã. Provas que eu tive um devido trabalho para conseguir.

-Se aproxime. — Ele foi para frente, apresentando para ela o conteúdo dentro do envelope.

-Não tivemos tempo para analisar a veracidade das provas. — O promotor protestou, me deixando apreensivo.

-Se aproxime também.

Com apreensão, os assisti discutir com a juiza. Não podia ouvir nada, já que ambos falavam baixo, a forma como ambos se encaravam, dava para perceber que discutiam. E a tensão ficou no ar, e parece que só piorava com o silêncio que havia em todo o tribunal. Inclusive as famílias das vítimas permaneceram em silêncio, embora o olhar de ódio continuasse ainda, mas misturado a um ar de tensão, que os prendiam totalmente a frente de nós. Até mesmo Darel estava com o olhar fixo neles.

Quando eles terminaram, Mikael se virou com um curto sorriso de triunfo no rosto, e o promotor com uma careta de raiva pintada em sua face dura. Ambos tomaram os seus lugares. Mikael cochichou algo no ouvido de Darel, que assentiu.

-Sessão iniciada. — Ela bateu o martelo de novo, o silêncio continuou. — O réu tome seu lugar para iniciar o depoimento.

Darel se pós de pé, um dos guardas o encaminhou para o banco dos réus. O promotor logo se levantou, ajeitou seu terno caro preto e foi para frente de Darel, colocando ambas as mãos para trás.

-Você que era um detetive que se dizia tão sério, o que diria se alguém viesse e lhe contasse que alguém fez uma armação elaborada para culpa-lo de um assassinato que não cometeu, o que faria?

-Investigaria. — Respondeu ele.

Eu olhava direto para ele, mas ele não olhava para mim.

-Mas acreditaria?

-Se houvesse indícios e provas, sim.

-E o que diria se estivesse diante de famílias que tiveram antes queridos brutalmente assassinados?

-Que sinto muito pela dor deles, que terão justiça.

-Pode dizer o mesmo para as famílias presentes aqui? Para aquela mulher com um bebê que nunca vai conhecer o pai? Ou para aquela senhora que perdeu o filho do qual dependia?

-Eu entendo a dor de vocês e fiz o que pude para trazer justiça. Os culpados estão presos, mas eu não faço parte dos criminosos que mataram eles.

-Bastante ousado você, não acha? Talvez possamos dizer que temos um psicopata diante de nós.

O promotor continuou, fazendo perguntas invasivas e grosseiras para Darel, que se manteve calmo o tempo todo. E respondia a tudo, sem perder o controle uma única vez. Uma calma que o promotor tentava usar contra ele e que eu rezava para que não desse certo.

Dez minutos depois, ele terminou e Mikael tomo ou seu lugar, fazendo perguntas mais objetivas e simples, mas que iam direto ao ponto, as quais, ele respondeu com a mesma tranquilidade, que embora fosse forte e firme, não guardava todo o desespero que o olhar perdido e sem foco dele mostravam.

Mais dez minutos depois, e ele terminou de dar o depoimento devidamente. Um guarda o retirou de lá, e o guiou de volta para o mesmo lugar de antes. A juíza bateu o martelo novamente. Mikael se pós de pé de novo.

-Tenho permissão para prosseguir? — Mikael perguntou.

-Prossiga.

Ele pegou o material que havia trazido antes, junto com um notebook que tirou rapidamente da sua maleta e foi para frente, de onde todos podiam ver. Mais duas pessoas vieram e o ajudaram a conectar o notebook no que seria um telão que foi abaixado no meio do tribunal. Levou alguns minutos, mas logo tudo estava pronto e os dois homens saíram, o deixando fazendo algo no notebook, até se erguer.

-Pronto, meritíssima.

Ficava cada vez mais nervoso, pois não sabia o que era isto.

-Que fique nos altos: o que será apresentado nesta corte agora não tem validade de provas, e está sendo apresentado exclusivamente com valor simbólico, devido à gravidade do caso. Pode dar início, advogado.

-Sim, meritíssima.

Mikael apertou um botão e logo imagens de Darel começaram a serem passadas no telão. Eram imagens de câmeras de segurança. Dele na sala dele, ou interrogando alguém. Mas era claramente Darel, e nestas imagens, embaixo, estavam o nome, data e hora em que foram gravadas. Foram passadas várias, de dias e horas diferentes. Mas era ele que estava nas imagens.

E inclusive, foi mostrado um vídeo da conversa que Darel teve com o homem que matou o promotor e ele nem estava sozinho, como foi alegado antes, mas tinha um colega de trabalho ao lado dele, ao canto, observando o interrogatório. Enquanto ainda estes vídeos eram passados, Mikael mexeu em algumas pastas e mostrou para todos vários papéis que pareciam ser de bancos, falou um pouco sobre eles, para depois, deixar os vídeos passando, por cerca de meia-hora. Quando acabaram, ele se virou para o corpo de jurados com as duas mãos juntas na frente do corpo.

-Estas são as maiores provas de que meu cliente não cometeu estes crimes. E estas provas foram ocultadas por seus colegas que por inveja e puro preconceito resolveram deixar que um homem inocente fosse preso e levado a julgamento por um crime que não cometeu. Peço ao júri que leve em consideração tudo que ele perdeu e o quanto tem sofrido por estar preso por crimes que nunca cometeu e quero que pensem: este homem merece ser condenado por uma infeliz coincidência com o passado dele?

Os jurados apenas o fitavam, sem expressarem nada, facilmente. Mikael continuou.

-Ele merece ser condenado só porque é um policial e homossexual? Por que o pai foi vítima de um erro da justiça? Por ter herdado o dinheiro do avô que o criou? É assim que a justiça funciona neste país? Meu cliente se formou com uma das notas mais altas, passou em todos os testes psicológicos e foi promovido por mérito.  — Ele se moveu para o lado e continuou com o discurso. — E agora ele perdeu tudo e isto que os colegas de trabalho dele fizeram nada mais foi que movido pelo preconceito, raiva e inveja. Não existe provas contra meu cliente e estes vídeos são as provas maiores de que ele não estava no local quando as mortes foram cometidas, e sequer usou o telefone celular. Ele não é mais do que um homem que tem protegido as pessoas desta cidade e que foi traído por todos. Não existem provas, e estes homens que os acusam, sequer passam no teste do poligrafo. Eles só querem salvar a si mesmos, condenando outro homem, se vingando dele por ter os prendidos, para evitarem a pena de morte. Homens que tiraram a vida de polícias honestos para lucrar. Mães que ficaram sem os filhos, filhos que ficaram sem os pais, famílias inteiras despedaçadas por assassinos que os mataram apenas por quererem serem honestos e fazerem seus trabalhos, servirem o país e a população. E agora, eles continuam tentando fazer isto, para rir da sociedade e do poder judiciário. Isto não pode ser considerado justo, pode?

Mikael voltou para o lado de Darel, após terminar seu discurso e deixar a pergunta no ar.

-Ele é bom. — Hunter comentou, parecendo um tanto animado.

-Espero que seja o suficiente. — Digo para mim mesmo.

O silêncio permaneceu segundos a fio, ninguém falava nada, nem mesmo a juíza e todos olhavam para Darel que ainda em silêncio de cabeça erguida. Este silêncio só não perdurou mais por conta da juíza, que bateu o martelo de novo e mandou o promotor apresentar seu último argumento.

O mesmo foi, e logo começou a acusar Darel, tentando desmerecer tudo que Mikael disse, usando as ligações pessoais que ambos tiveram. Mas nada que ele falava, tinha o mesmo impacto que as palavras de Mikael tiveram. Pude notar isto na expressão dos jurados e até no olhar das famílias das vítimas, as quais eu não tinha dado atenção antes, mas estão presentes desde do primeiro dia, e todas com expressões chorosas e de dor. Eu só espero que percebam que querem condenar um homem inocente.

-O júri pode se retirar para tomar uma decisão, enquanto isto, este tribunal entra em um breve intervalo. — A juíza ordenou, batendo o martelo de novo.

O corpo de jurados deixou o recinto rapidamente, todos recolheram na sala atrás, acompanhados de um guarda que fechou a porta e permanece em frente a esta. Mikael ficou ao lado de Darel, e quando os guardas vieram o levar, ele foi junto com eles. Hunter pós a mão sobre meu ombro e me puxou com ele para sairmos junto com as outras pessoas que se retiraram também.

Eu vi as famílias me fitando e outras me encarando feio ao passar por mim, mas nada disseram. E passaram seguido por mim. Nós saímos, e eu fiquei sentado num banco próximo, apenas esperando, com o coração na mão, e com o medo batendo em mim com crueldade. Cada segundo de espera foi uma tortura e quando estes segundos se transformar em horas, eu senti que podia de fato, vir a enlouquecer.

-Jonas... — Levantei a cabeça quando Mikael apareceu na minha frente. — Eles vão dar o veredito agora. Vamos voltar.

-O que vai acontecer agora?

-Ninguém sabe. Só podemos esperar o melhor.

-Como ele está?

-Suportando. Ele é forte.

-Ser forte nesta situação não adianta nada, adianta?

-Não quer entrar? — Diz ele. — Se não quiser, não precisa.

-Tenho participado de todos. Não posso deixar de estar neste também.

-Vamos lá então. — Levanto, cavando em mim forças para continuar e aguentar até o fim, o que espero que seja o melhor resultado. — Quer vir também? — Ele perguntou para Hunter.

-Claro. — Responde Hunter.

-Você não vai ter problemas com o seu chefe? — Eu me lembrei de perguntar, já que ele tem estado o dia todo, e vindo a semana toda, assim como eu.

-Ele me deu a semana de folga.

-Obrigado, Hunter.

Voltamos para dentro da corte. As pessoas foram voltando aos poucos, e foram tomando seus lugares, assim como eu tomei o meu e Hunter, de forma surpreendente para mim, ficou do meu lado.

-Todos de pé, o júri profirá o veredito. — A juíza ordenou e todos ficamos de pé, inclusive Darel. Não podia mais ver seu rosto, mas imaginava o que se passava na cabeça dele neste momento. — O júri chegou a um consenso?

-Sim, meritíssima.

Olhei para Hunter quando fui surpreendido pelo toque de sua mão, a qual ele agarrou com afinco, e assentiu quando notou meu olhar surpreso. Eu podia sentir a mão dele suar como a minha e muito provavelmente, ele se arrependeu de ter vindo ficar comigo durante todos estes dias e por estar agora. Mas isto pouco me importa, só o fato dele estar aqui agora para me dar apoio, já o bastante e não importa por qual motivo seja.

Ela continuou. Uma mulher levantou com um papel em mãos, representando os outros. Prendi a respiração.

-Na acusação de fraude processual e fraude financeira em 1ª, o júri considera o réu?

-Inocente.

-Na acusação de ameaça, agressão e abuso de poder, o júri considera o réu?

-Inocente.

-Na acusação de roubo, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o júri considera o réu?

-Inocente?

-Na acusação de tentativa de homicídio, falsidade ideológica, apropriação indevida e conspiração para matar, o júri considera o réu?

-Inocente.

-Na acusação de quíntuplo homicídio qualificado, e triplo homicídios de primeiro grau, o júri considera o réu?

Ela demorou alguns segundos, que para mim foram horas, e respondeu:

-Consideramos o réu inocente.

-Ordeno a libertação imediata do réu, do qual não poderá mais ser acusado de nenhum dos crimes citados neste tribunal. O estado agradece a participação dos jurados e por sua colaboração, sessão encerrada. — Bateu o martelo, encerrando a sessão.

Meu coração pareceu que iria saltar do peito, as lágrimas vieram carregadas de um alívio que eu não sei contar. É como se eu estivesse acabado de escapar da morte. De tão incrédulo e feliz que eu fiquei, caí de joelhos no chão. Hunter soltou minha mão e pós a mão no meu ombro.

-Jonas? Está passando mal? — Hunter questionou-me preocupado.

-Não. Eu estou bem. — Olhei na direção de Darel, ele abraçava Mikael, ambos conversavam um no ouvido do outro.

Não tinha como saber o que era, o murmúrio no tribunal se tornou muito alto. Mas o alívio de ver o fim do pesadelo foi o que mais me importou. E mesmo quando os guardas o levaram de novo, eu não me importei muito, pois eu sabia que era a última vez. Fiquei no chão por alguns minutos, não me importunando com o múrmuro e o reclamar de algumas pessoas ao redor.

-Melhor levantar, Jonas. — Mikael voltou, com o rosto iluminado pela vitória. — Levante. Em algumas horas, ele vai sair e eu acho que você vai querer estar perto, não estou certo?

-Sim.

Ele me ajudou a me levantar, bateu de leve as mãos nos meus ombros, também dando uma ajeitada rápida nos meus cabelos.

-Se recomponha. Fique bonito para ver seu homem.

Eu não pude me conter, me joguei nos braços dele, agradecido. Nunca poderia dizer como sou grato a ele.

-Obrigado, Mikael. Obrigado de verdade.

-Não se preocupe com o que não é importante agora.

Eu assenti quando ele separou o abraço, eu ainda estava chorando.

Saíamos da sala do tribunal. Mikael insistiu para que eu comesse alguma coisa. Sem vontade alguma de colocar qualquer tipo de comida na boca, acabei cedendo apenas em tomar um café e me acalmar.

Fiquei alheio a conversa que Hunter e Mikael tiveram quando nos sentamos para tomar o café em frente  a um foodtruck. Eu esperei os segundos, minutos e horas passarem. Nada me vinha a mente além dele, e não havia nada que eu mais quisesse que poder sentir os braços dele de novo, e fechar os olhos, esquecer que este pesadelo todo aconteceu.

-Eu acho que já podemos ir. — Ele disse ao olhar para o relógio, depois de horas esperando. Levantei num pulo, apressado.

Hunter acabou nos acompanhando. Voltamos para dentro do tribunal, mas fomos para outra ala, a que ficam os prisioneiros que vão ser julgados. Nesta ala só tinha portas e muitas delas, além de muitos polícias com armas. Um deles nos mandou esperar na porta de entrada. Enquanto esperávamos um aglomerado de jornalistas aparecerem e tiverem que ser contidos pelos polícias, embora tenham permanecido no local.

Eles falavam alto e alguns me faziam perguntas de longe, que eu ignorava. Não podia fazer nada contra eles, a não ser manter a cabeça baixa, para não me expor mais. E ao mesmo que mantinha a cabeça baixa, me mantinha completamente focado na saída.

Não demorou mais do que alguns minutos para que um alvoroço começasse quando a porta foi aberta e Darel, com uma sacola em mãos, com roupas normais saísse pela porta, acompanhado de um guarda.

Os olhos belos olhos azuis tiveram um encontro com os meus quando ele deu os passos em minha direção. Havia lágrimas em seus olhos, e os lábios secos entreabertos. Ele veio direto até mim e me tomou em seus braços com uma força esmagadora. Vi os flashes e o alvoroço dos jornalistas aumentaram, como se gostassem do viam, fazendo o circo deles.

Não liguei para nenhum deles no entanto. Tudo que preencheu meu mundo foi abraço apertado, quente e forte de Darel, foi poder sentir o calor dele quando ele agarrou meu queixo com a mão livre e me beijou na frente de todos, assim como sentia o calor das lágrimas que ele silenciosamente derramava em meu rosto. 


Notas Finais


Agora está na ordem certa. Desculpem!


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