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História Bad Medicine - Capítulo 4


Escrita por: e mayormilf


Notas do Autor


olá meus amores, como é que vocês estão?
tempos difíceis né? trouxemos mais um capitulo fresquinhos pra vocês, vamos ler e se distrair um pouquinho dessa loucura que estamos vivendo.
esperamos que vocês curtam e continuem comentando e interagindo com a gente, esse contato e retorno é maravilho e deixa a gente mega inspiradas pra continuar.

lá embaixo conversamos mais <3

Capítulo 4 - Next Stop: Colorado


Apertei os olhos e franzi o cenho quando senti uma claridade em meu rosto. Me recusei a abrir meus olhos. Poderia tranquilamente continuar dormindo. Mas senti algo incomum. Um colchão de molas sob mim, extremamente mole, diferente do que eu costumava dormir. Muitos travesseiros. E é claro, a claridade. Eu sempre fecho a cortina da janela pra dormir.

Meus olhos ainda estavam fechados, mas agora eu me encontrava completamente acordada, com a cabeça a mil.

 — O que... — Eu disse em um sussurro à mim mesma ao finalmente abrir meus olhos, e me deparar com um quarto que definitivamente não era meu.

Espantada, olhei em volta, observando a decoração de cores neutras, e a enorme janela de vidro que preenchia uma parede inteira, com vista para muitas árvores e prédios ao fundo.

— Onde eu estou? — Perguntei alto como se tivesse alguém ali comigo para me responder.

Meu queixo caiu no momento em que me livrei do cobertor, percebendo que, deitada naquela cama gigantesca, eu estava apenas de regata e calcinha.

Levantei num pulo, um pouco trêmula, me forçando a lembrar de qualquer coisa da noite passada. Absolutamente nada passava pela minha cabeça. E em poucos segundos eu estava andando de um lado para o outro naquele quarto imenso, pensando o que eu faria, e como faria.

Enquanto fitava à vista da janela, ouvi a porta atrás de mim se abrir.

— Que bom que você já levantou. Eu trouxe café da manhã pra você. — A voz familiar se fez presente, me fazendo prender a respiração e fechar os olhos com força.

“Não acredito nisso” Pensei, já me julgando.

Mesmo minha única vontade naquele momento sendo correr e não falar com ninguém, precisei me virar, e ao fazer isso, me vi de frente para ninguém menos que Emma Swan, vestindo uma camiseta larga preta, os olhos um pouco borrados de maquiagem, e segurando uma bandeja de café da manhã. E com a cara mais lavada que alguém poderia ter.

— Bom dia. — Ela disse sorrindo de forma maliciosa, passeando o olhar pelas minhas pernas.

Engoli em seco.

— Eu não acredito que isso aconteceu. — Minha voz saiu falhando, e pude ver Emma rir enquanto colocava a bandeja sobre a cama. — Eu não lembro de nada. — Passei a mão pelo rosto. — Eu não consigo acreditar. NÃO CONSIGO ACREDITAR! — Gritei, batendo nas minhas próprias pernas.

Me sentei na beira da cama, encarando meus pés. Sentia que “desespero” poderia estar escrito na minha testa naquele momento. Emma, ao meu lado, ria da minha cara ao mesmo tempo que mordia um pãozinho.

— Eu POSSO saber do que você está rindo? Você não vai falar nada?

Swan deu de ombros, voltando a comer.

— Eu não acredito que fiz isso. — Repeti. — Que NÓS fizemos isso, Swan! Não pode ser. Eu NUNCA faria isso. — Disse entre os dentes, olhando firme em seus olhos. Reparei que eram mais claros do que pensava.

— Nunca faria? — Ela arqueou uma sobrancelha. — Não foi o que me pareceu noite passada.

Seu olhar correu novamente pelas minhas pernas e ela umedeceu os lábios. Rapidamente peguei um travesseiro, colocando sobre o colo, me escondendo.

— Ah, Regina, não precisa disso. Pra que se esconder? — Apontou para o travesseiro. — Não é nada que eu nunca tenha visto. Ou tocado...

Respirei fundo, controlando minha vontade de não acertar um soco nela. Não podia perder meu emprego.

— POR QUE você me trouxe pra sua casa? O que você estava pensado, Emma Swan?

— Você preferia que eu te levasse para um motel? Onde todos poderiam me reconhecer? — Rebateu, me encarando séria. Engoli em seco novamente. — Tenho certeza que não.

Joguei o travesseiro em um canto qualquer do quarto, e me levantei à procura das minhas roupas, que estavam empilhadas em um banco ao lado da cama.

— Por que você já tá se vestindo? — Ela perguntou suavemente, como se nada nunca tivesse acontecido e, principalmente, como se eu não estivesse roxa de raiva.

— Eu vou embora. — Disse em tom frio.

— Toma café. Tem salada de frutas. — Ela não estava sendo educada. Ela estava sendo debochada, provocativa, irritante. Seu olhar e seu tom de voz diziam isso.

Vesti toda minha roupa, ignorando-a completamente e caminhei até a enorme porta dupla, mas sua voz me chamou, e eu respirei fundo antes de me virar. Sentia meu coração tão acelerado que poderia explodir.

— Regina? — Ela chamou e me virei sobre os calcanhares. Umedeceu os lábios e sorriu maliciosa. — Obrigada pela noite. — Piscou pra mim e riu quando sentiu que estava internamente surtando.

Deixei o quarto feito um jato, batendo a porta forte e de propósito. Era um apartamento enorme e bem decorado. Achar a porta de saída não foi muito difícil. Na portaria, finalmente chamei um motorista que me levasse até a minha casa, e senti, durante todo o trajeto, o motorista levemente preocupado com o meu estado. Eu tremia – de raiva – e soltava um palavrão baixinho a cada 2 minutos.

— Meu Deus! Que fúria toda é essa? — Zelena, assustada, perguntou quando entrei em casa batendo portas e pés. — Olá pra você também.

Ela ainda vestia pijamas e segurava com as duas mãos uma caneca de café bem quente.

— Eu preciso de um banho. Tenho que me preparar pra viagem. Amanhã o show é em Colorado, e partimos hoje. — Disse atropelando as palavras, deixando minha irmã um pouco confusa.

— Espera, onde você passou a noite? — Me perguntou quando já estava no pé da escada. Havia curiosidade e empolgação em sua voz.

Estalei o dente, bufando em seguida.

— Você dormiu com alguém? — Seus olhos arregalaram.

— Não quero falar sobre isso. — Disse prontamente. — Pelo menos não agora. Depois a gente conversa, tá? — Percebendo o meu humor não muito bom, Zelena apenas assentiu, um pouco desconfiada.

Subi as escadas sentindo o ódio me movendo, e a primeira coisa que fiz, foi me jogar no chuveiro, tomando banho de água quente para mandar o estresse embora.

Deixava a água cair por mim, permitindo que ela levasse com ela a energia pesada que estava no meu corpo. Com os olhos fechados, tentava tirar qualquer coisa relacionada à Emma da cabeça. Mas era impossível. Absolutamente tudo me remetia à ela, e não era algo bom. Irritava.

 

*Flashback ON.*

— Mas sabe uma coisa que eu também faço muito bem além de cantar e sempre saber quando as pessoas estão mentindo? — Ela perguntou ainda olhando para o céu.

— O que? — Perguntei com esperança de que fosse algo realmente legal.

Ela me olhou e abriu um sorriso sacana. — Se você quiser eu posso te mostrar. Tem um motel a umas duas ruas daqui.

Endureci o olhar e entortei a boca sem nem disfarçar a insatisfação do momento. Por que ela tinha que ser assim? Falar essas coisas? Agir dessa maneira?

Emma Swan era o ser mais insuportável do planeta.

— Ok, já que você não vai aceitar minha agradável proposta... — Ela riu, e eu balancei a cabeça negativamente, com os olhos semicerrados. — Por que você e eu não descemos e... nos divertimos? Se solta um pouco. Podemos ir a outro bar aqui perto, não deve ter tanta gente igual esse.

Parei e analisei cada uma de suas expressões. Ela parecia estar sendo legal.

— Por que eu toparia me divertir com você? — Perguntei seriamente.

— Porque a diversão comigo é certa. E é isso que você tá precisando essa noite. — Ela se levantou e me estendeu a mão. Hesitei um pouco, mas segurei-a.

Me puxando pelo braço, Swan me levou até outro bar a pé mesmo. Não era muito longe. Agradeci pelas ruas estarem desertas e ninguém estar me vendo com ela.

O outro bar definitivamente fazia mais o meu estilo. Menos pessoas, mais acolhedor e com uma música nem tão alta. Algumas pessoas dançavam agitadas na pista com jogo de luzes coloridos. Pude respirar aliviada pela primeira vez aquela noite.

— Shots de tequila? — Emma me perguntou, e eu apenas assenti.

Nos sentamos ao bar pouco iluminado por uma luz amarela, e em poucos segundos o barman nos serviu os shots. Nos encaramos e viramos o primeiro juntas, ao mesmo tempo. Senti o líquido descer queimando e sacudi um pouco a cabeça, tentando me acostumar com aquela sensação. Emma ria da minha cara, e eu fazia de tudo para esquecer como ela geralmente é: irritante. Aquela Emma estava sendo legal comigo.

Algum tempo depois, já tinha perdido a noção de quantos shots eu tinha virado. Quando fui me dar conta, eu e Emma já dançávamos na pista de dança algum pop que eu com certeza já havia escutado alguma vez na vida. Mesmo bêbada, Emma sequer me tocou ou se insinuou para mim novamente, o que me fez ficar mais confortável para realmente me divertir ao seu lado.

Os minutos iam se passando e as pessoas iam deixando o bar. As mesmas já estavam vazias e as cadeiras sobre elas. O barman limpava o balcão do bar. Mas a pista de dança ainda funcionava para mim e Emma. Catávamos alto de frente uma para a outra, e gargalhávamos quando acontecia de errarmos a letra.

— Você tá muito bêbada! — Emma gritou no meio da música, rindo da dança sem sentido que eu fazia.

— Você TAMBÉM!

— Não tanto quanto VOCÊ!

Quando a música chegou ao fim, as caixas de som foram desligadas, assim como os jogos de luzes da pista de dança. Nós duas resmungamos quando a luz da pista se acendeu e o dono do bar veio em nossa direção.

— Senhoritas, estamos fechando. Desculpa. — Ele disse suavemente, com um sorriso simpático no rosto.

— A gente já estava de saída. — Eu disse embolando as palavras, erguendo um dedo para o homem à minha frente, que apenas sorriu pra mim. Senti as mãos firmes de Emma segurando minha cintura quando tropecei nos meus próprios pés, quase caindo de cara no chão.

— Vem, eu vou chamar meu motorista. — Emma parecia bem mais sóbria que eu.

Me guiou até o lado de fora, onde fiquei sentada no meio fio até o carro chegar. Também precisei de ajuda pra entrar no carro. E para sair.

— Onde estamos? — Perguntei alguns minutos depois, já de frente para um prédio enorme e luxuoso.

Swan, me segurando para que eu não caísse me guiou pela portaria e chamou o elevador.

— Minha casa.

— Por que você não me deixou na MINHA casa, Emma Swan? — Brinquei com a gola de sua jaqueta. — Cadê as meninas que você estava dando em cima no bar? Não trouxe elas pra cama hoje, é? — Gargalhei sozinha, e Emma franziu o cenho.

— Vem, vamos. — O elevador saía direto em seu apartamento.

Ele era grande e moderno, com uma decoração que era bem a sua cara. Não que eu a conhecesse muito bem.

— Seu apartamento é bonito. — Disse ao me jogar no sofá, com os olhos pesados de tanto sono.

— Não, você não vai dormir agora. Vem. — Me levantou pelos braços e subimos juntas o pequeno lance de escadas até o segundo andar, onde ficava sua suíte.

No banheiro, Emma me pôs sentada na privada, encarando as paredes irritantemente brancas. Ela ligou a ducha fria e eu entortei a boca.

— Olha... — Abaixou na minha frente, colocando uma toalha sobre o meu colo. — Se eu te deixar aqui pra tomar banho, você me promete que não morre afogada?

— Se você tirar o tampão do ralo da banheira, eu não vou ter como me afogar. Eu acho. — Ri sozinha, e ela balançou a cabeça negativamente, respirando fundo.

— Não tranque a porta. Se acontecer alguma coisa eu não vou precisar arrombar. Agora, entra naquele chuveiro.

Emma saiu do pequeno cômodo, me deixando lá sozinha. Mais uma vez, gargalhei pro nada, sentindo minha cabeça girar e doer um pouco. Entrei debaixo da água fria, e fiquei lá por cinco minutos seguidos. Ao sair e me secar, vesti apenas minha regata e calcinha.

Tonta e sentindo o chão girar sob meus pés, fui até o quarto, onde Emma estava sentada na beira da cama, mexendo no celular. Nossos olhares se encontraram quando ela notou minha presença, e pude senti-la um pouco constrangida ou desconsertada ao me ver vestida daquela maneira.

— Como você tá? — Ela perguntou sem se mover.

— Eu... — Cambaleei um pouco para frente, e Emma ameaçou levantar para me segurar, mas consegui manter o equilíbrio. — Eu...

— Deita aqui. — Ela se levantou e segurou com delicadeza meu braço, me levando até a cama, onde deitei no meio de todos aqueles travesseiros. — Pode dormir aqui.

— Seu colchão é de molas, Swan? — Perguntei impaciente e ela arqueou uma sobrancelha em minha direção, assentindo. — Deus! Isso é um pesadelo. Meu colchão é ortopédico. Não faz mal à minha coluna.

— Ok... — Ela respondeu rindo e sem saber o que dizer, e aí me dei conta de que talvez estivesse falando demais. Mas não conseguia evitar. — Durma, ok? No colchão de molas. Uma noite não vai te matar.

Emendei um sorriso com uma gargalhada. Emma me cobriu e sorriu pra mim.

— Boa noite. — Ela disse ao se levantar e caminhar para a porta.

— Você não vai dormir aqui? — Perguntei curiosa, sentando na cama.

— Não. — Respondeu prontamente. — Vou te deixar à vontade. — Respirei fundo e sorri. Apreciava aquilo, aquela atitude.

Assenti e me deitei novamente.

— Boa noite, Regina.

*Flashback OFF.*

Abri os olhos e deixei meu queixo caiu. Não me importava se a água caía na minha boca ou se embaçava a minha visão. A única coisa que eu conseguia me importar naquele momento, era a raiva que eu estava sentindo de Emma Swan.

— Filha da mãe... — Eu disse em um sussurro quando as memórias da noite passada se fizeram presentes em minha cabeça. Nada havia acontecido, mas ela, por alguma razão, quis me fazer acreditar que sim. — Deus, como eu posso ser médica de alguém que eu poderia facilmente matar? — Bati os pés e fechei o chuveiro, me enrolando na toalha mais próxima.

No meu quarto, coloquei uma música alta na intenção de tirar tudo aquilo da minha cabeça e guardar apenas para a noite, quando veria Emma novamente.

Cantava e dançava enquanto arrumava minhas coisas para a viagem da turnê, deixando as malas separadas num canto do quarto, e quando fui me dar conta, já passava das duas da tarde, e o cheiro inconfundível da comida de Zelena me fez caminhar saltitante até a cozinha.

Minha irmã estava na beira do fogão mexendo alguma coisa, provavelmente já finalizando, pois a mesa já estava posta para nós duas.

— Veio seguindo o cheiro? — Ela perguntou.

— Claro. — Sorri. — O que será de mim pelos próximos meses sem a sua comida?

— Tenho certeza que você vai almoçar e jantar nos melhores restaurantes. — Desligou o fogo e transferiu o macarrão da panela para uma travessa de vidro. — E aí, será que você já quer conversar comigo sobre o que aconteceu?

Senti os músculos do meu rosto se contraírem e bufei.

Nos sentamos à mesa e Zelena tentou esconder a curiosidade enquanto se servia.

— Eu... passei a noite fora e quando eu acordei hoje, num quarto que não era meu, não lembrava de nada, Zelena. Absolutamente nada passava pela minha cabeça.

Seus olhos azuis grandes me fitaram atentos.

— E então a Emma entrou no quarto com uma bandeja de café da manhã.

E então seu queixo caiu, assim como os talheres de sua mão, batendo contra o prato e fazendo um barulho alto e irritante.

— Emma Swan? A vocalista da Red Leather? — Seu tom já estava mais alterado e eufórico. Percebia que seus sorrisos eram de puro nervosismo. — Você e ela...? REGINA!

— Não! — Tentei dizer, mas ela me cortou com sua voz que agora estava estridente.

— Eu não fazia IDEIA que astros do rock faziam o seu estilo! Meu Deus do céu, Regina Mills! — Exclamou completamente fora de si.

— Zelena, NÃO! Para. — Disse firme, olhando em seus olhos. — Não rolou nada. — Minha voz saiu um pouco mais baixa e decepcionada do que eu esperava. — Como eu não lembrava de nada, ela me fez pensar e acreditar que sim, que tinha rolado muita coisa! Mas não. Eu só bebi demais e ela me levou pra casa dela. Sequer dormiu comigo no quarto. Me lembrei de tudo enquanto tomava banho.

De cenho franzido, minha irmã parecia confusa. Levou uma garfada da comida à boca e ficou alguns segundos em silêncio, meio que tentando entender e analisar a situação.

— Se nada aconteceu, por que ela te fez acreditar que sim? — Perguntou.

— Porque ela não presta? — Respondi prontamente e Zelena gargalhou. — Mas é isso. Não aconteceu nada, e é isso que importa. Posso trabalhar tranquila. — Suspirei, mas não foi de alívio. Nem sabia dizer o que tinha sido.

— Mas você queria que tivesse acontecido? — Sua pergunta me fez congelar, encarando-a fixamente.

Parei até mesmo de mastigar, e notei que um macarrão escapava da minha boca.

— Claro que não. Tá maluca? — Disse após sugar o macarrão e engolir a comida. — Emma é minha paciente, e o que eu estou fazendo é o meu trabalho.

Zelena comprimiu um sorriso e desviou o olhar, levantando as sobrancelhas como se estivesse desconfiada. Encarei-a com um pouco de raiva.

— É... toma cuidado, irmãzinha. Serão longos meses de turnê. — Ela disse com os olhos semicerrados para mim, piscando apenas um no final.

Bufei e não pude evitar levantar meu dedo médio em sua direção, fazendo-a gargalhar.

 

*

Uma chuva fina caía enquanto o céu tomava a tonalidade azul escuro, anoitecendo. As pequenas gotas no vidro do carro, acompanhadas da música indie que tocava na rádio, me fizeram ficar momentaneamente triste por estar indo embora durante algum tempo.

Dirigindo ao meu lado, Zelena cantarolava todas as músicas que tocavam e tentava puxar diversos assuntos, mas minha cabeça estava tão no mundo da lua que eu sequer conseguia responder todas as suas perguntas. Só conseguia pensar em como eu abordaria Emma ao vê-la no aeroporto. Provavelmente iria xinga-la, não que fosse adiantar muita coisa, visto que ela parece gostar disso.

— Olha só, essa sim! Aquecimento pré-turnê! — Zelena exclamou empolgada quando uma música da Red Leather foi anunciada na rádio, e voz de Emma se fez presente no carro em seguida. Revirei os olhos, mesmo gostando muito daquela música. — Você está preparada?

— Claro. Como eu te disse quando eu consegui o emprego, eu nasci pronta e preparada. Apenas preciso de bastante paciência pra lidar com ela. — Apontei pro rádio e minha irmã gargalhou.

— Bom, chegamos. — Disse ao entrar no estacionamento subterrâneo do aeroporto e parar na vaga mais próxima. — Robin te deu todas as informações do portão, terminal e tudo mais, né? — Assenti.

Andamos pelos largos e movimentados corredores do LAX, até que chegamos ao meu portão de embarque, onde Robin já estava me esperando para me orientar. Nunca fui muito fã de despedidas, por isso evitei uma longa com Zelena. Nos abraçamos por alguns segundos, trocamos um “se cuida” e, com uma mala em cada mão e uma mochila nas costas, atravessei.

— Oi, Robin. — Eu disse sorrindo pequeno ao me aproximar dele.

— Regina! — Me abraçou de lado e se ofereceu para carregar uma mala enquanto me guiava pela área de embarque. — O avião vai sair em uma hora. Já podemos ir embarcando.

Apenas assenti o segui. Depois dos procedimentos padrões para embarque, pegamos um carro pela pista de voo que nos deixou na frente de um avião de porte pequeno. Pude ver Emma e os outros membros e da banda rindo e conversando e rindo do lado de fora, provavelmente esperando para entrar.

— Espera, é um avião particular? — Eu perguntei ao sairmos do carro, mas talvez tivesse sido alto demais, levando em consideração que todos me olharam.

— Sim, é o avião da banda! — Robin respondeu sorridente enquanto tentava dividir sua atenção entre mim e seu celular. Muito ocupado com trabalho. Ser empresário de uma banda famosa não deve ser nada fácil.

Vi Swan se aproximando e revirei os olhos disfarçadamente, desviando-os para Robin.

— Eu achei que eu fosse no voo convencional. — Disse.

— Não, não... — Ele respondeu suave. — No voo convencional vão apenas os funcionários gerais. Com a gente, você, sendo a médica da Emma, — Apontou para loira ao meu lado. — precisa ir conosco. — Seu telefone tocou e ele revirou os olhos para o aparelho. — Eu preciso mesmo atender. Com licença.

Ele saiu de perto, me deixando sozinha com Swan.

— Já pensou se eu começar a passar mal durante voo? Quem é que vai cuidar de mim? — Ela perguntou com a voz arrastada, se aproximando. — Você precisa estar comigo.

Trinquei o maxilar, olhando-a firmemente e dando um passo para trás.

— Você é uma cretina. — Disse entre os dentes, e ela arqueou as sobrancelhas, abrindo um sorriso confuso. — É, cretina, filha da pu...

— Ei, ei ei! — Interrompeu-e, erguendo as mãos. — Não que eu não goste de ser chamada assim, mas... posso saber, Regina Mills, por que eu sou tudo isso? — Umedeceu os lábios.

— Porque eu lembrei de tudo! — Tentava ao máximo controlar meu tom de voz para não chamar atenção. — Nada aconteceu noite passada, Swan. Por que me deixou acreditar que aconteceu?!

Emma gargalhou, jogando a cabeça para trás. Cruzei os braços e emburrei imediatamente, esperando uma resposta.

— Eu pensei que assim fosse ser mais fácil. — Estreitei os olhos, tentando entender aquilo. — Pensei que se você se você pensasse que já tivesse dormido comigo, da próxima vez, seria mais fácil de fazer você ceder, e aí rolar de verdade.

Meu queixo caiu. Ri em pura indignação, raiva. E para variar, Emma ria da minha cara. Comprimi os lábios antes de dar um tapa forte em seu braço, dessa vez atraindo alguns olhares. A loira abriu a boca em formato de ‘O’, mas um sorriso insistia em brotar ali.

— Você não vale NADA! — Eu disse, e ela sorriu. Uma comissária de bordo apareceu na porta do avião, anunciando que todos já poderiam começar a subir. — Sua... cretina! — Disse por fim, e dei as costas para ela, caminhando em passos pesados para o avião, e ainda assim conseguia sentir seu olhar e sorriso sobre mim.

Me sentei mais ou menos no meio da aeronave, na janela. Os membros da banda foram entrando rindo e fazendo algazarra, e eu internamente apenas implorava para que não fosse assim o voo todo. Seriam 5 sagradas horas de viagem que eu gostaria de tirar um soninho ou apenas relaxar.

Emma foi a última a entrar, e percebi no momento em que ela parou no início do avião e procurou por um lugar vago. Apertei com força os olhos ao lembrar que a poltrona ao meu lado estava vaga, e provavelmente era a única, e assim que me avistou, sorriu para mim e veio em minha direção com o sorriso mais lavado do mundo.

— Você acha que consegue dividir seu espaço pessoal com alguém que não vale nada pelas próximas horas? — Perguntou em tom provocante ao sentar ao meu lado e apertar os cintos.

— Apenas não me perturbe, Swan. Eu já estou por aqui com você. — Passei a lateral da mão pela testa, gesticulando, e ela apenas riu.

Cerca de vinte minutos depois, o avião levantou voo e eu respirei aliviada quando ouvi todos em puro e ensurdecedor silêncio. Percebi Emma me encarando, e tentava ignorar ao máximo, fingindo que estava entretida olhando a janela e vendo as luzes da cidade ficando cada vez menores.

— Pode parar? — Perguntei quando seus olhares começarem a me irritar. — O que você tá olhando?

— Estou apenas pensando. — Respondeu com os olhos semicerrados, me irritando, como sempre.

— Pensando em que? — Perguntei mais grossa do que esperava.

Ela umedeceu os lábios e me olhou nos olhos.

— Que essa vai ser uma looonga turnê.

 


Notas Finais


e ai, o que vocês acharam? será que vai ser longa mesmo essa turnê?
gente, eu a vick estávamos conversando e decidimos tentar tirar algo bom de todo esse momento que estamos passando, com a quarenta vamos conseguir escrever mais e acredito que as atualizações serão mais frequentes, esperamos que isso ajude tanto a gente quanto vocês a se distraírem nem que seja um pouquinho.
por hoje é isso galera.
lavem bem as mãos, usem álcool em gel e se possível fiquem em casa!
se cuidem e a gente se vê logo <3


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