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História Bad Reputation - Shawn Mendes - Capítulo 24


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Capítulo 24 - Always in the enemy side.



SHAWN MENDES:

"Todas essas palavras que não foram ditas têm me preocupado."

— Unsaid, Ruel.

Minha mão formiga quando acerto mais um soco no saco a minha frente, nada entra em minha cabeça agora. Nada que me faça parar, extravasar é o que eu preciso fazer, antes que todos os meus pensamentos me fazem seu refém. Se já não fizeram. Minha respiração arrastada faz com que meu corpo entra em alerta, dizendo que eu precisava me manter ali, em um mundo que eu mesmo criei. Só por mais alguns segundos. Só por mais um tempo até eu entender o que está acontecendo comigo.

— Shawn, posso pedir a Kelle para preparar um chocolate-quente? Eu exagerei no tamanho do biscoito. — Aaron reclama, me afasto do saco, totalmente desconcertado. — Cara, você tá péssimo — ele comenta, mordendo mais uma vez seu cookie gigante.

Aaron sempre comprava um pacote de massa de cookie, e fazia um cookie gigante com uma forma de bolo redondo. Eu nunca entendi a tara dele nessas coisas, ele faz isso sempre que está feliz, opa, espera um pouco.

— Você transou — deduzo. Me sento em um dos elásticos do ringue e pego a minha garrafa de água da sua mão. O garoto cospe o cookie e me olha com a cara ruborizada. — Você vai limpar isso. — Aponto para a sujeira que ele fez ao cuspir.

— Como sabe que eu fiz isso? — pergunta, embasbacado.

— Você está namorando, e da última vez que vi você comendo um desses tinha acabado de entrar nos Alphas Como jogador principal. — dou de ombros e o olho — Não foi muito difícil perceber, ainda mais com essa cara de idiota.

— Droga! Jurava que parecia mais homem agora. — ele lamenta, reviro os olhos.  — Você conseguiu se explicar para a Donna? — minha mente vaga para o dia de ontem, suspiro e nego. — Que merda, cara. — estreito os lábios e o entrego a garrafa, ajeito o pano em meus punhos e volto a posição inicial; começando com um soco de esquerda. — Eu não entendo o porquê de você querer afastar todo mundo. Isso não se faz, cara. Somos humanos, precisamos uns dos outros. — aperto os olhos sentindo a mão doer; solto um grunhido e bato mais uma vez. — Você sabe que a história não irá se repetir se você não deixar que isso aconteça, não é? Você não pode proteger todo mundo, Shawn. — a voz do meu amigo ecoa em minha cabeça, eu não posso proteger todo mundo. Sempre que tento, algo ruim acontece. — Você não é o Harvey. — paro de bater quando minha mão fica dormente, paralizo quando a olho, o pano branco havia se manchado de sangue. — Merda, você não se controla! — Aaron pula os elásticos e se aproxima, respiro fundo, balançando a cabeça.

— Vá pra casa.

Aaron franze os cenhos, me encarando.

— O quê? Mas...

— Vá. — me concentro em ser rude o suficiente para que ele fique chateado e saia da minha frente.

— Não vou te deixar aqui assim. Não é o que os amigos...

Aperto os olhos sentindo a veia do meu pescoço pulsar, eu não entendo como Aaron é assim. Eu não vê que eu tenho restrições, quer passar por cima de muros que eu mesmo criei. Eu não gosto disso.

— Vá embora, porra. — fecho os olhos me deixando extravasar, meu sangue ferve e posso sentir a garganta se estreitando aos poucos. Meus punhos se fecham e eu posso me concentrar na dor que minha mão é capaz de me fazer sentir.

Quando os abro, Aaron não está mais em minha frente.

(...)


Saio do chuveiro e visto minha calça de moletom, desço as escadas na intenção de procurar algo na geladeira até que vejo meu pai na sala. Travo o passo o olhando, seriamente enquanto ele bebia calmamente seu whisky. Prendo os lábios nos dentes e passo rapidamente pela sala para que eu pudesse finalmente adentrar a cozinha.

— Shawn? — paro, respiro fundo e olho por cima dos ombros. — Venha aqui, filho. — nego, apontando para a cozinha. — Você come depois. Precisamos conversar. — aperto os olhos, me virando e andando em sua direção.

Me sento no sofá afastado dele, enquanto Harvey colocava sua perna dobrada por cima da outra na poltrona.

— O que quer? — indago, displicente.

Nasce um sorriso nos seus lábios, um sorriso orgulhoso. Ele fica feliz quando eu o trato como um merda.

— Sabe, eu acho incrível como as coisas são. — ele leva o copo de vidro escuro até a boca e goleia sua bebida — Dez anos atrás você não falava uma palavra, nem mesmo para a sua mãe. Agora só sai merda da sua boca. — ele ri, abaixando a cabeça como se estivesse lembrando de algo bom. Desvio o olhar para o porta retrato onde tinha a foto dela. Que deu lugar a uma fotografia de Harvey segurando o primeiro protótipo do Techphone. — Só de pensar que ela estaria viva se você não tivesse problemas...pense comigo... — ergo os olhos em sua direção, minhas mãos apesar de doloridas; posso senti-las esfriando. — Se Ellie não tivesse ido atrás de um fono pra você, eu não acharia que ela estava me traindo. E ela não estava mesmo, engraçado, não? E se eu não tivesse pensado nisso...talvez eu não a teria...ah, espera... — franzo a testa, eu sei o que ele irá dizer. — Não foi eu quem a matou. Foi você. — o ranger de meus dentes voltam a ser um incômodo quando os faço outra vez.

— Eu não quis matá-la. — minha voz sai quase inaudível.

— Não? Pois pareceu muito homem pra mim. Eu pensei: nossa, o garoto é homem mesmo, estava tentando proteger a mãe. — ele pausa, para tomar mais um gole de sua bebida. Nessa altura meu subconsciente é invadido por pensamentos que eu sei que não valem a pena. — Só que depois que ela teve morte cerebral eu pensei: que garoto burro!

Solto um grunhido cansado e me levanto, o pego pela gola da camisa social e enrolo a gravata por volta de seu pescoço, aperto a contra sua pele e o encaro nos olhos.

— Você que a matou! — grito.

— Quem...estava segurando...a arma? — diz, com dificuldade. Aperto um pouco mais, Harvey deixa seu copo cair, minha mente entra em alerta quando escuto o vidro se quebrar ao entrar em contato com o chão de madeira escura.

— DIGA QUE FOI VOCÊ QUEM A MATOU!

Sempre foi assim, eu me auto-saboto, como se tudo que eu fizesse fosse feito para dar errado. E ali, nos olhos de Harvey eu encontrei o meu maior erro, aquele garoto vulnerável não existia mais, ele o matou e me criou. Me criou para que eu tornasse um dos seus, da pior forma possível, sendo rebaixado com pesos insuportáveis em meus ombros, todo o seu esforço estava estampado em seu sorriso.

Afasto as mãos, o encarando atordoado.

— O que você fez comigo? — cerro os olhos, sentindo o rosto formigar.

Harvey se ajeita na cadeira, arrumando sua gravata e revelando a linha roxa que causei. Olha para o chão vendo sua bebida derramada e estala a língua na boca, se lamentando.

— Não seja idiota, Shawn. — dou um passo para trás, apurando meus ouvidos para que eu pudesse o escutar direito. — Você é igual a mim, quando irá notar isso.

— Eu não sou. Nunca serei!

— Não? Hm, vamos ver. — ele se levanta, caminhando com passos firmes em minha direção. Sua postura me faz intimidar, mas não me assusta. — Você faz todos sofrerem, filho. — segura meu ombro, o encaro, seus olhos fulminantes trazem a tona memórias devastadoras. — Além da sua mãe, sua tia Amélia que entrou em depressão depois que você contou a ela que seu marido estava a traindo, a filha da Kelle na qual você a engravidou e eu tive mandar abortar, foi uma pena ela ter morrido. Era uma jovem muito bonita. — não consigo captar direito suas palavras, minha mente flutua e ao mesmo tempo pesa meu corpo.

— Eu não sabia que ela ia...

— Claro que não, pois eu que tenho que limpar as suas merdas. Sempre será assim, filho. Eu por você e você por mim. Você querendo ou não, é igual a mim. Está no seu sangue. — abro os lábios com a falta de ar, esse jogo de quem sou eu está me matando aos poucos. — E precisamos falar da Madison?

— Não.

Aquilo não foi culpa minha.

Engulo em seco e me afasto dele, não há pessoa mais controladora que eu já conheci em minha vida. Ele me tem na palma de suas mãos, eu não posso continuar com isso. Saio de casa e sigo rapidamente para a garagem sem me importar sobre os pingos de chuva que caia em minha pele, entro em meu carro e dirijo pela rua. As palavras de meu pai se misturam com pensamentos confusos que estagna em minha cabeça, aperto os olhos varias vezes na tentativa de tira-las da minha mente. Meu olhar recai sobre minhas mãos presas ao volante tão fortemente que a cor vermelha dá lugar ao branco. Abro os lábios liberando um suspiro que estava preso em minha garganta, eu estou tão confuso. Confuso por não entender o que está se passando comigo, confuso por precisar e sentir falta de algo que nunca tive em minha vida. Minha sensatez às vezes dá lugar a loucura, e eu entendo que esses pensamentos são o ápice dela.

Atraves da janela escura do carro eu podia ver a casa dela, a janela de seu quarto estava aberta e a luz acesa. Me pergunto o que ela está fazendo agora, lendo, estudando, me pergunto se ela ao menos pensou em mim depois daquele dia. Me pergunto se ela também divaga o dia todo, vasculhando seus pensamentos e procurando, algum motivo que fosse, para não me tirar de sua cabeça. Eu não posso fazer isso outra vez, ela se sairia machucada, e no estado em que eu me encontro também sairia machucado.

Se ela soubesse que eu me arriscaria...

Todas as palavras que eu deveria ter dito naquele dia me sufoca, não por arrependimento, mas por eu não senti-las. Eu não sei o que elas significa e não sei se eu quero descobrir. Apoio os cotovelos no volante e cabeça em minhas mãos, afundando meus dedos nos cabelos molhados. Não é só ela que procura pela liberdade, sinto que vivo em uma gaiola e apenas Donna Henderson tem a chave para me libertar, e meu orgulho não a deixa fazer isso.

Levanto a cabeça olhando para a janela mais uma vez, o vidro embassado pelas gotas de chuva que agora estava mais forte me fez enxergar o meu reflexo, como meu rosto estava vermelho e o suor frio me possuía, minhas mãos trêmulas agarram um pouco mais forte o volante do carro e a voz dele ecoava em minha cabeça. Passava várias vezes até eu entender o quanto aquilo que eu vivia não era real.

E foi aí que eu percebi que, eu sempre joguei no lado do inimigo.

***
Olá Wolfies, sem muitas coisas para dizer hoje. Tem o link da playlist completa (dos 3 livros de Expectations) Aqui embaixo. Obrigada e até a próxima.


Notas Finais




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