História Bad romance - Capítulo 1


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Categorias Hetalia: Axis Powers
Personagens Áustria, Prússia
Tags Auspru, Austria, Áustria X Prússia, Gilbert Beilschmidt, Lemon, Morte, Pruaus, Prússia, Prússia X Áustria, R18, Roderich Edelstein, Romhun Hints
Visualizações 70
Palavras 8.125
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishounen, Drama (Tragédia), Ficção, Fluffy, Hentai, Lemon, LGBT, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Necrofilia, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


JESUS

JESUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUS

ESSA É MINHA MAIOR ONESHOT

EU ESTOU GRITANDO AQUI

Tá, nem tanto

MAS MANO

FINALMENTE EU CONSEGUI ESCREVER UM LEMON DECENTE

EU ESCREVI SAPORRA EM 3 DIAS

3 FUCKING DIAS

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

QQCÊS TÃO ESPERANDO?! VÃO LÁ LER

(P.S: Shippo a Hungria com o Romênia mesmo e é isso ae)

Boa leitura~

Capítulo 1 - Capítulo único - Caught in a Bad romance


Em presença ao fúnebre ambiente do mausoléu, o albino observava o decadente estado das paredes mal conservadas do ambiente, soltando grunhidos enojados hora ou outra.

A última pessoa que restara do enterro do homem desconhecido saiu, uma dama de longos cabelos castanhos e com uma rosa do cabelo, que soltava algumas lágrimas junto da maquiagem. Talvez uma conhecida do morto, pensou.

Teve tempo apenas de acompanhar quase o fim da missa, a mesma regada por lágrimas dolorosas e, hora ou outra, sorrisos satisfeitos com a partida do único herdeiro direto da família no local. Ao lembrar, riu da situação, a família tinha boa pinta e parecia ser rica, talvez aí esteja o motivo da felicidade doentia de alguns familiares.

Levantou-se, se desequilibrando por pouco mais de 2 segundos, logo se recompondo do susto, agradecendo mentalmente por não ter mais ninguém ali além dele e do defunto perto do altar da precária igreja do cemitério. A curiosidade subitamente subiu em sua mente. "Como é o azarado?", logo movendo-se, dando pesados passos que ecoavam em um som oco e macabro pelo local, apenas intensificando a aparência assombrada dali.

Na medida em que caminhava até o caixão, Gilbert via detalhes que não poderia ter sido notada por alguém que apenas passara o olho. Além de sujas, as paredes estavam rachadas e de vez em quando, pedrinhas se desprendiam dali e caíam no chão, fazendo um estalo alto, mas que não era o suficiente para ser notado por um leigo.

Parou quando percebeu que quase tropeçara no móvel na frente do altar, se assustando e dando um pequeno grunhido, envergonhando-se em seguida e olhando se ninguém realmente tenha visto a cena, o que se fez verdade depois de uma minuciosa observação. Suspirou aliviado, desviando os olhos rubros para o cadáver. Secou o corpo e o rosto do rapaz com calma, andando em volta do caixão, um pouco surpreso.

A aparência do rapaz era igualmente macabra, junto com o ambiente e o ar misterioso do local, mas tinha certeza que se o mesmo estivesse vivo, seria diferente. O homem era jovem, realmente jovem, Gilbert chutava que seria mais novo que até mesmo si, e ao constatar isso, se perguntou qual seria a causa da morte. Envenenamento? Provável, não era possível ver se tinha qualquer ferimento e uma região vital, e não iria tocar no morto para constatar isso. O rapaz tinha cabelos castanho-chocolate, extremamente escuros, quase indo para o preto, e uma pele alva e bastante pálida, usava óculos simples, além de uma pequena pinta no queixo, que apenas complementava a aparência nobre do jovem.

Em suas mãos repousava um pequeno ramalhete de flores brancas, supunha que seriam edelweiss, se lembrando das aulas tediantes de botânica no qual desistiu. No dedo anelar da mão direita, repousava uma aliança dourada, quase saindo do dedo, com o constante movimento no qual o caixão fora submetido para ser levado até ali. Noivo? Muito provável, ou apenas gostava do anel.

Lembrou-se da jovem moça que saíra chorando do local. Pela aparência, podia ser noiva ou esposa do homem, e essa ideia deu-lhe estranhamente um sentimento de ciúmes e possessividade. O quê?

Olhou em volta, tendo novamente certeza que ninguém veria a cena, e tocou o rosto do rapaz, que estava fria, mas não um frio fúnebre, como seria o caso, mas um frio devido ao constante contato com o ar gelado do mausoléu. Sorriu levemente, o homem parecia vivo, até. Parecia estar em um sono profundo, e Gilbert teve a sensação que o mesmo poderia levantar a qualquer momento. Moveu o dedo aos lábios do defunto, mexendo com certo carinho ali, observando os lábios vermelhos e extremamente apetitosos do jovem, e logo uma ousada vontade de tomar-los para si invadiu-lhe a mente. Balançou a cabeça e afastou a mão, não era um necrófilo! Longe disso.

Mas, logo o olhar neutro de Gilbert fora trocada por uma expressão aterrorizada, assustada, o obrigando a se afastar do caixão e cobrir a boca, arregalando os olhos e deixando as íris escarlates a mostra para qualquer um ali. Como se tivesse visto o próprio demônio, o rapaz pensara em gritar por ajuda, mas não o fez por saber que ninguém ouviria. O morto, de repente, abriu os olhos.

De começo confuso, a expressão perdida do "defunto" logo fora se desfazendo, enquanto as íris violetas se moviam com lentidão e preguiça, tentando entender o que estava acontecendo e onde se encontrava. Gemeu de desconforto ao perceber que estava deitado em madeira, com apenas uma pequena almofada apoiando a cabeça e sentou-se com dificuldade, esfregando os olhos e dando um ar talvez gracioso a sua figura, se não tivesse acabado de ressuscitar.

— O que aconteceu? — Foi a primeira pergunta do, agora vivo, rapaz, que encarava Gilbert com uma certa curiosidade infantil nos olhos.

— O-o qu- ahn-?! — Apenas grunhidos confusos e assustados saíam da boca do albino, o que, de certa forma irritou o moreno.

— Vamos, diga! Por que estava em um caixão!? — Olhou enfurecido ao alemão, que apenas se afastou, mais incrédulo.

— Você estava morto!

— Como?

— Morto! Mortinho! Teve até um enterro! Isso só pode ser coisa do Diabo, não é possível! — Esbravejou, irado, ao agora "ex-defunto", que apenas olhou mais confuso ainda para o outro rapaz.

— Eu não estou morto, apenas estava dormindo... Ou, eu acho que estava... — Tentou sair do caixão, mas devido ao fato de ter acabado de acordar, deu de cara no chão, soltando um gemido longo de dor, logo tentando levantar-se novamente.

— Eu, ahn, deixe-me te ajudar — Gilbert ofereceu-lhe a mão, logo tendo o gesto retribuído, puxando o rapaz com um pouco de força, o fazendo aproximar o rosto a milímetros de distância do albino, logo afastando-se encabulado.

— Danke — Respondeu, curto.

Uma coloração avermelhada podia ser notada no rosto do homem, o que dava mais vida ao mesmo, e um ar muito gracioso, nobre e  "aristocrático", de acordo com Gilbert, que apenas encarava o rapaz limpar as próprias roupas e cabelo, em total silêncio.

— Mas, ei — Interrompeu as ações do jovem moreno — Qual o seu nome?

— Roderich — Por fim, após longos 10 segundos decidindo se o albino era confiável, ele respondeu — Roderich Edelstein.

— Ah, eu sou Gilbert Beilschmidt, prazer! — Estendeu a mão, de forma um tanto animada, para Roderich, que encarava o gesto estranhando um pouco a súbita simpatia do albino, que apenas abaixou a mão e coçou a nuca.

— Suponho que pelo sotaque não seja daqui. Berlim? — Pronunciou-se, Roderich.

— Ah, sim! E você é um austríaco boa pinta e rico, pelo jeito que o pessoal que veio aqui estava se vestindo, você deve ser importante!

— Minha família estava aqui? Elizaveta? Meus pais?

— Acho que sim, todos pareciam tristes, exceto por uma ou duas pessoas sorrindo. Doentes.

— Ah... — O tom vocal do austríaco, subitamente, mudou, anunciando uma certa melancolia — Eles devem estar felizes por não ter mais uma pedra no sapato, agora toda a herança é deles, se eu fui dado como morto...

— E por que você não volta? Tenho certeza que vai ser recebido de braços abertos por sua família, aristocrata!

Roderich olhou de relance para o albino, com a clara insatisfação estampando-lhe a face ao ouvir o apelido, mas apenas balançou a cabeça, ignorando todo e qualquer tipo de estresse, já tinha problemas demais.

— "Gilbert" — Um tom um tanto enjoado saiu da boca do rapaz ao pronunciar o nome, o que não agradou o alemão — Eu não vou ser aceito, agora que eu estou "morto".

— É, faz sentido. Mas e essa "Elizaveta"? Não iria ficar triste? Ela parece importante para você.

Roderich sorriu ao ouvir o nome da moça.

— Ela era minha noiva, estávamos prometidos desde a infância, mas, sinceramente, nós não nos amávamos, ou era isso no qual eu acreditava — Aos poucos, o sorriso desfez-se — Mas ela iria fugir com um romeno, de qualquer forma.

— Você odeia ela?

— Não! Não diga besteiras, estúpido! — Deu um tapa fraco na cabeça do albino — Éramos amigos, claro. Eu nunca a odiaria.

— Ah.

O silêncio logo tomou conta do ambiente macabro, e ambos os rapazes olharam o altar, encarando os detalhes feitos no mármore já rachado e sujo devido ao tempo, e a enorme cruz com uma representação em porcelana de Jesus, morto. O sangue pintado saía das mãos do boneco, tentando passar o efeito do líquido escorrendo pela madeira da cruz. Gilbert fez o sinal da cruz, ajoelhando-se e começando seu misto de orações, seguido por Roderich, que encarava o chão ainda abismado com o fato de agora estar morto para sua família.

Era muita loucura o que aconteceu em sua vida em pouco mais de 5 dias, e o jovem também não tinha ideia de onde ir, do que fazer, agora que estava sem uma casa e uma família, tudo o que lhe restou era derramar suas lágrimas e angústias e pedir perdão pela onda de pecados que cometera durante toda sua vida. Soluços baixos escapavam da boca do austríaco, fazendo o par de olhos rubros, vermelhos como sangue, do albino o encararem com súbita preocupação. O asutríaco sentiu-se ser envolvido por um abraço apertado do alemão, mas não reclamou, apenas apoiou a cabeça no ombro do albino e continuou chorando, esvaindo aos poucos a angústia e a pressão de si.

— Onde eu irei viver agora, Gilbert? — Perguntou, em meio aos soluços, de forma manhosa, enroscando os braços ao redor da cintura do albino, o puxando mais para perto e aumentando o contato entre os corpos.

Gilbert nada respondeu, apenas manteu-se em silêncio, acompanhando a melancolia do austríaco em seus braços e dando tapinhas em suas costas, em um pedido mudo para o outro se acalmar, o que, aos poucos, se concretizava. Suspirou, acariciando o cabelo do rapaz e brincando com uma mecha, se perguntando como sua vida deu uma virada tão grande ao ponto de estar se abraçando e consolando um cara que era para estar morto, no caixão. Riu com o pensamento, se afastando do austríaco e se levantando, ajudando o outro a fazer o mesmo. Limpou as roupas e olhou diretamente nos olhos do outro.

— Você pode vir comigo.

Roderich arregalou os olhos, surpreso e um tanto envergonhado com a oferta do rapaz, não tinha certeza se poderia confiar, já que o conheceu a apenas uma ou duas horas atrás, mas tudo indicava que sim. Desviou o olhar, com uma carranca encabulada, fazendo as bochechas tomarem um tom rubro intenso, que apenas colaborou para intensificar sua aura indefesa e tímida. Gilbert riu com isso.

— Vamos lá, eu não vou te devorar, ao menos que você peça por isso — Mudou o timbre, sussurrando de forma rouca e sedutora ao austríaco, que apenas encolheu-se mais — Brincadeira! Agora, vamos? É aqui pertinho!

— Certo, mas não tente nenhuma gracinha!

— Não vou tentar, juro — Tomou as mãos do rapaz para si, o puxando para fora do mausoléu com cuidado para que ninguém os visse.

A caminhada fora silenciosa o suficiente para deixar ambos os homens nervosos, na metade no caminho, Gilbert largou a mão do austríaco, o deixando com uma estranha sensação de tristeza, encarando a mão segurada anteriormente. Ignorou, apenas acompanhando o rapaz até um pequeno casebre quase nos fundos do cemitério.

— Gilbert?

— Bem-vindo á minha casa temporária até eu voltar para Berlim! — Ergueu os braços, rindo escandalosamente, apresentando a casa para o outro, que apenas encarou o mesmo por longos segundos com um olhar reprovador.

— Moras no cemitério!?

— Por enquanto sim, jovem mestre — Sorriu ao ver outra carranca do jovem com o outro apelido — Nem todos tem uma vida fácil e cheia de luxos como você, como pode ver.

O rapaz de olhos violetas apenas suspirou, observando o estado da casa, que não era lá as melhores, mas era o que conseguia por enquanto, agora que está oficialmente fugindo de sua família e obrigações como vivo, para se tornar um morto sem terra e sem lar. Essa trágica ideia deu-lhe um pequeno sorriso um tanto vulgar e macabro, talvez poderia um dia compor algo sobre sua situação, o faria agora, mas o fato de não ter um de seus amados instrumentos o impossibilitava de tal ato. Riu baixo e entrou no recinto, seguido de Gilbert, que preguiçosamente se jogou no sofá, se esticando e ocupando todo o espaço sozinho.

— Gilbert, onde eu vou dormir, se não se incomodar em responder?

— Huh? Ah, pode dormir no meu quarto, eu fico aqui nesse meu sofá macio e confortável — Fez um bico brincalhão, posando sobre o móvel e encarando a mudança de expressão do moreno.

— Você não pode fazer isso, é o dono da casa, deixe que eu durmo no sofá.

— Um aristocrata como você? No sofá? Não me faça rir, vai reclamar nos primeiros 5 segundos — Riu de forma debochada.

Roderich deixara escapar um grunhido ofendido, pondo as mãos no peito enquanto encarava o albino. Ele não era uma pessoa assim! Ou nunca pensou que era, já que nem havia motivos para reclamar em sua casa. Moveu a mão, mas logo a parou no ar, encarando o local com atenção, subitamente ficando em silêncio e assustando o albino. Retirou a aliança do anelar, observando a jóia com pesar e curiosidade, vendo se não havia nenhuma inscrição na mesma.

— Tá tudo bem, aristocrat-

— Shhh...! — Interrompeu o outro, voltando a sua atenção ao item.

Gilbert levantou-se, indo ao rapaz e tomando os pulsos do mesmo com força, fazendo Roderich soltar a aliança e a deixar cair no piso de madeira. O austríaco encarou o albino com tamanha surpresa nos olhos, que o alemão pensou que as órbitas oculares escapariam da face e rolariam pelo chão. Aproximou os rostos, obrigando o homem a entrar em um intenso contato visual, ambos admirando a cor dos olhos do outro, deixando-se levar pelos sensuais e hipnotizantes tons violeta e vermelho das íris dos rapazes.

— Ninguém manda a mim calar a boca, aristocrata. Assim como eu fui gentil, eu posso ser bem rude — Falou, duro, grosso, praticamente cuspindo as palavras no rosto do outro, que apenas travou em uma expressão de medo, temor, deixando uma solitária lágrima escapar-lhe o olho direito.

Fora lançado violentamente até o sofá, dando de cara com o tecido do móvel, dando um pequeno gemido de dor devido ao impacto.

Encolheu-se ali, com a expressão apavorada ainda marcada na face, encarando a estampa do móvel, desfocando o olhar dali, encarando o nada, sem nenhuma emoção transparecer. Não sabe quanto tempo passou até ouvir uma resposta do albino, apenas deixou-se levar por seus devaneios.

— Vou fazer o jantar e depois iremos dormir, você fica no sofá, ouviu bem? — E saiu do cômodo, deixando o pasmo austríaco desmaiar em um profundo estado de choque, sem mover-se, sem ao menos respirar, esquecendo por segundos, como se fazia o ato.

O drama por trás do doloroso silêncio na casa logo acabou. O austríaco apenas se sentou no sofá, reto, encarando o anel dourado no chão. Teve vontade de gritar, chorar, quebrar tudo o que via pela frente, mas temia que se o fizesse, poderia ser agredido, expulso, ou até morto pelo alemão. Era apenas o estresse, talvez? Suspirou, soluçando baixo, dando um tapa mental em si mesmo por isso.

Em poucos minutos, os soluços se tornaram altos, desesperados. O rapaz encolheu-se no sofá, deixando as diversas lágrimas que agora molhavam seu rosto encharcar a manga de sua blusa, deixando no tecido quase negro uma mancha enorme de úmidade. Não controlou mais o tom da sua voz, permitindo que qualquer um que se aproximasse da cabana escutasse o choro vindo do mesmo.

Gilbert poderia muito bem ignorar os gritos vindos da sala, se eles não fossem tão altos e tão incrívelmente macabros. Jesus! Parecia que alguém estava matando o outro e o mesmo não conseguia se defender. Foi obrigado a largar a comida na mesa, já pronta, indo até o outro aposento, deixando novamente os passos altos e rígidos ecoarem, menos devido ao outro barulho, mas ainda sim ameaçadores.

Parou ao lado do jovem, passando a mão delicadamente sobre o braço do mesmo, como uma forma de chamar a atenção sem parecer mais culpado, mas tudo o que receber foi um empurrão forte o suficiente para o fazer cair sentado no chão, dando um grunhido desconfortável ao atingir o local duro. Encarou os olhos violetas do rapaz, que agora expressavam pura raiva, ainda que caísse lágrimas. O primeiro detalhe que notou foi o óculos rachado, culpando-se quase que automaticamente ao ver o deplorável estado do jovem.

Gilbert se levantou, aproximando-se calmamente em movimentos calmos, tentando expressar que não faria nenhum mal ao austríaco, o que se fez funcionar por alguns minutos, logo levando um doloroso e bem dado tapa na cara.

— Não se aproxime de mim! Sabe lá o que podes fazer comigo!? — Gritou, enraivecido, limpando o resto de água dos olhos com a manga da blusa.

— Calma, Rod, eu não vou fazer nada! — Pôs a mão na bochecha, soltando um tom intencionalmente infantil enquanto massageava o local da agressão.

Roderich virou o rosto, em um ato totalmente enojado e um tanto ofendido, fechando a cara e corando de vergonha pelo alemão ter presenciado seu ataque de pânico. O outro apenas riu, abraçando sem nenhum pudor o jovem, que apenas ficou parado, aproveitando o contato o máximo que podia.

— Vamos jantar, a comida deve estar esfriando a essa hora e eu não quero comer meu maravilhoso alimento frio por sua causa! — Disse, arrancando uma tímida risada do outro, mas deliciosa de se ouvir, de acordo com o albino. Deveria fazer o outro rir mais vezes, era extremamente adorável o riso do austríaco.

Foram á cozinha, sentando em silêncio na mesa, servindo-se e comendo, sem pronunciar uma única sílaba. Roderich comia um tanto afobado, claramente esfomeado após dias em um caixão, sem se alimentar, beber água, ou qualquer um desses mantimentos essenciais para a vida humana. Deixou um pequeno suspiro satisfeito escapar-lhe os lábios após terminar, fazendo o albino rir com a atitude deveras infantil do outro, que apenas fechou a cara e virou o rosto.

— Então... Vamos conversar? Digo, agora que você está morando comigo, acho que precisamos no mínimo saber dos gostos um do outro — Finalmente quebrou o silêncio, encarando o austríaco a sua frente, que apenas concordou com um leve aceno de cabeça — Então me deixe começar, kesese~

O outro apenas revirou os olhos, escutando o albino atentamente.

— Eu vim para cá com uma ótima oportunidade de faculdade, deixando meu querido irmãozinho para cuidar de nossas coisas lá em Berlim. Oh, só de pensar já sinto saudades do Luddy — Colocou a mão na cabeça, em uma pose tão dramática quanto seu tom de voz — Infelizmente, a oportunidade foi embora e eu acabei ficando preso nesse país, e agora trabalho limpando o mausoléu para poder voltar á Alemanha. Diga, minha história é igualmente incrível a mim, não precisa bater palmas. Agora é a sua vez.

— Oh, bem — Pigarreou, colocando o punho fechado sobre a boca de forma educada — Acho que você notou que minha família é bastante rica, sim?

O albino acenou positivamente, apoiando-se nas mãos enquanto encarava o outro com certa curiosidade.

— Todavia, ela estava com sérios problemas financeiros, e pensou em se unir a outra família aliada, através do meu casamento com Elizaveta. Eu concordei, até porque não via desvantagens no negócio, mas Eliza ficara estranhamente inquieta, e eu via a mesma andando pela casa tarde da noite periodicamente. Foi em uma dessas noites que decidi investigar.

Gilbert brincava com um talher, ainda focando no moreno na frente de si, com tamanha concentração, que nem o som de um carro se chocando contra a parede da casa o distrairia da história do outro. Tudo em Roderich gritava elegância, desde as roupas até mesmo ao jeito de falar refinado, riu baixo com o próprio pensamento.

— Voltando — Deu um olhar cortante a Gilbert, que parou de rir no mesmo instante — Eu a segui durante aquela noite até um canto do jardim, escondido o suficiente para qualquer um sequer notar a presença dela ali.

— E...?

— Eu vi ela com um amante, um rapaz de cabelos castanhos claros até os ombros e olhos tão vermelhos que pareciam brilhar. Pelo sotaque, presumi que seria romeno.

— Puxa cara, sinto muito pela garota.

— Não tem problema, eu não fiquei triste, apenas um pouco desconfortável que ela estava aos beijos com um cara totalmente desconhecido no jardim de minha casa — Riu de forma baixa, mas graciosa, o suficiente para tingir o rosto do albino em um tom de rosa pouco notável, mas ainda assim presente — Mais algo que queira saber?

— Diz aí, do que você gosta?

— Ah, sim. Meu hobby favorito é a música, eu simplesmente amo música, céus, eu daria a minha vida para gastá-la toda tocando e ouvindo música clássica — Falou de um modo tão apaixonado, tão devoto, que até mesmo assustou Gilbert.

— O...k? O que você toca?

— Gosto de piano, violino, flauta e violoncelo, mas tenho meu foco no piano. Falando nisso, vai ser uma pena abandonar meu adorado instrumento naquela casa, sem ninguém, suponho que irão jogá-lo fora ou vendê-lo — Disse melancolicamente.

Não viu quanto tempo passaram jogando conversa fora, mas se surpreendeu ao ver que já era madrugada quando finalmente olhou para o relógio na cozinha. O austríaco acompanhou seu olhar, chocando-se com a velocidade no qual o tempo passou, encabulando-se ao notar que fora indiretamente sua culpa o atraso. Se levantaram, encarando por longos segundos os olhos um do outro, com calma, sem a voracidade de momentos antes. Sorriram, calmos, aproveitando o confortável silêncio que instalou-se no ambiente.

— Boa noite, Gilbert.

— Vai dormir no sofá?

— Sim, você mesmo me mandou dormir lá.

O albino coçou a nuca, nervoso e um tanto humilhado ao lembrar do ataque de raiva de momentos atrás. O outro não precisava lembrar toda hora daquela cena, droga! Pigarreou, disfarçando o momentâneo momento de vergonha, olhando para Roderich com um certo arrependimento nos rubros olhos.

— Esqueça o que eu disse, fique no meu quarto, a cama tem espaço suficiente para dois.

O rosto do moreno foi rapidamente tomado por um forte tom escarlate. Os olhos violetas encararam com surpresa o albino, que apenas corou de volta como resposta, coçando a nuca neuroticamente. Roderich encarou por poucos, porém torturantes, segundos o albino a sua frente, decidindo se aceitava a ousada oferta ou apenas ignorava e dormia no sofá. Optou pela primeira opção, pelo péssimo ambiente e humor que se instalou naquele sofá. Não queria lembrar do episódio anterior, não.

— E-eu irei aceitar seu convite, mas apenas porque não estarei confortável dormindo no local de uma briga — Respondeu, finalmente, após dois tensos minutos decidindo. Viu Gilbert suspirar, mas não aliviado, parecia até mais tenso.

Foram ao aposento, em silêncio, um tanto encabulados pela decisão tomada, mas nada de ruim aconteceria, seria apenas uma noite ali, certo? ...Certo?

A primeira coisa que o austríaco notou era o fato do quarto ser pequeno, mas aconchegante, apesar de estar perto de um cemitério e em um casebre meio sujo. Sorriu, encarando as paredes de madeira fosca e escura, igual ao piso. Os móveis e a arquitetura davam um ar confortável ao ambiente, refinado, e Roderich surpreendeu-se ao lembrar que aquele era o quarto de Gilbert, e não seu.

A segunda, foi uma flauta que repousava cuidadosamente sobre a cômoda, em cima de um lenço branco bordado, sentiu-se tentado a pegá-la e tocar, mas se segurou ao lembrar que aquele não era seu instrumento, e seria extremamente anti higiênico tocar a boca onde a de outra pessoa repousou. Começou, sem nenhum aviso prévio, a pensar em Gilbert e no quanto o rapaz foi gentil consigo, oferecendo um lugar e apoio para aguentar após tudo o que aconteceu, e não pode evitar que um rubor tomasse conta de suas bochechas, dando uma ardência confortável ao rosto, e por segundos, olhou de relance para o alemão que arrumava os lençóis da cama na frente de si.

Suspirou, acidentalmente mais "apaixonado" do que deveria soar, dando um tapa mental em si mesmo por ter feito a besteira. Por sorte, Gilbert estava distraído demais arrumando a cama para prestar atenção em si, o que deixou o austríaco aliviado. Pelo menos algo assim não fora notada pelo alemão.

Fora expulso dos seus devaneios quando algo acertou seu rosto, o fazendo dar um pequeno guincho assustado, divertindo o outro, que o encarava com um sorriso debochado na cara. Em seu pequeno ataque, notou que o albino já estava com as suas roupas de dormir, significando que o mesmo trocou-se na frente de si sem o menor pudor. O pensamento fez o austríaco corar, ofendido.

— Aí está seu pijama, vista e vamos dormir — Se jogou na cama, logo cobrindo-se com o cobertor e ainda rindo.

— Vais ficar me olhando trocar de roupa!? Vire-se!

— Por que, moço? Somos homens, eu sei como é um corpo masculino, não precisa se preocupar.

— Ora seu-

— Tá, eu me viro, calma! — E se virou, revirando os olhos um pouco enjoado da constante discussão do outro.

Roderich suspirou irritado, retirando as roupas um pouco hesitante, verificando se o albino não iria se virar e ver a cena. Quando teve certeza que não, ficou nu, colocando a camisa do homem, que era grande o bastante para cobrir sua virilha, mas ainda desconfortável pela exposição de si mesmo.

— Pode olhar agora, Gilbert — Anunciou, acanhado.

O outro virou-se, arregalando os olhos com a cena do jovem com o rosto virado, vermelho e com ambas as mãos puxando a camisa para baixo, com o objetivo de cobrir qualquer coisa ali. Não houve como não se excitar com a cena, amaldiçoando-se até a última geração por ficar duro com o rapaz praticamente pelado na sua frente. Balançou a cabeça, sorrindo debochado, numa tentativa de disfarçar a sua surpresa.

— Ficou bonitinho, jovem mestre.

— Ah, por Deus, cale essa boca suja! — Expressou-se, irritado e mais vermelho, tentando de todas as formas esconder as próprias pernas.

Ignorou as piadinhas do albino, deitando-se na cama e se cobrindo com o cobertor, deixando os óculos quebrados em cima da mesa de canto do quarto, arrumando-se para dormir.

Gilbert continuou se estapeando mentalmente por cada fantasia que não conseguia evitar ter com o austríaco ao seu lado, e virou-se estressado, tentando esquecer o fato do outro estar praticamente nu ali. Roderich percebeu a tensão, tentanto entender o que acontecia, já que o alemão parecia tão descontraído antes. Suspirou, pondo as mãos nos ombros do maior  e começando a massagear, de alguma forma, tentando deixar o outro mais calmo. Teve um resultado positivo, depois de alguns minutos, sorrindo discreto para si mesmo com o ato.

Gilbert, por outro lado, surpreendeu-se com o súbito toque em seu ombro, suspirando relaxado ao sentir as mãos habilidosas do austríaco massagear seus ombros, com a intenção de o fazer se acalmar, o que estava tendo sucesso.

De repente, os movimentos pararam, e pequenos suspiros se projetavam em sua nuca, o fazendo se arrepiar por completo e ficar ainda mais excitado. Virou levemente a cabeça, percebendo que o jovem agora dormia,  calmo, sereno. Observou o peito do outro subir e descer conforme a respiração, a mecha da franja que agora caía no meio de seu rosto, dando um aspecto um tanto adorável e inocente a Roderich.

Se virou, ignorando qualquer aviso mental para não o fazer e abaixou com pressa as calças e a cueca que usava, deixando o pênis ereto exposto, se esfregando no lençol, praticamente gritando por atenção e alívio. Tapou a boca para evitar qualquer barulho que acordasse o homem ao seu lado e tocou a extensão com a outra mão livre, começando um lento movimento de vai e vem, torturando-se e excitando-se mais. Pensou nos lábios vermelhos do outro, e não hesitou em imaginar qual seria a sensação te tê-los ali, chupando o seu membro com gosto e sem o menor pingo de pudor.

Assustou-se ao sentir uma súbita aproximação do austríaco, temendo que o outro tivesse acordado. Virou o rosto, constatando que o outro ainda dormia, suspirando tanto pelo alívio quanto pelo ato que fazia.

— Ah, m-merda — Gemeu baixo, passando o dedo indicador pela ponta da glande, logo voltando ao movimento ritmado em seu pênis.

Gemeu relativamente alto, porém o som fora abafado pela mão na frente da boca. Aumentou o ritmo na outra mão, deixando baixos suspiros e gemidos escaparem uma vez ou outra. Logo chegou ao ápice, ejaculando e manchando o lençol branco da cama, assim como melando a sua própria mão com o líquido quente e leitoso. Suspirou, aliviado, colocando as roupas de volta no lugar e esfregando a mão na camisa do pijama, tentando ignorar o contato de Roderich e dormir.

Girou o corpo, ficando de frente para Roderich, que apenas, inconscientemente, abraçou o alemão, aproximando ambos em uma distância excitantemente perigosa. Apenas suspirou, abraçando hesitantemente a cintura do outro, sentindo o cheiro agradável que exalava do corpo do menor, principalmente do pescoço. Encarou, novamente, os lábios de Roderich, que estavam entreabertos, como se pedissem por um beijo. Sentiu-se, novamente, tentado a tocar o local, tomar para si, deixar a área mais vermelha do que já era, mas controlou-se. Não poderia fazer isso, já estava errado o suficiente ao se masturbar pensando no austríaco.

Deu um casto beijo na testa do outro, suspirando e finalmente adormecendo, calmo e relativamente feliz por ter o jovem em seus braços. Sorriu durante o sono, sonhando, infantilmente abraçado ao austríaco, como se buscasse mais carinho.

No dia seguinte, acordou, com o lado da cama onde deveria estar o austríaco vazio e bagunçado, ainda quente, marcado pelo cheiro viciante do moreno. Sentiu que excitaria-se novamente apenas ao sentir aquele perfume natural, mas controlou-se, balançando a cabeça de forma rápida, saindo da cama em um pulo, procurando por suas roupas pelo quarto.

A primeira coisa que notou ao sair do quarto era o cheiro extremamente apetitoso que vinha da cozinha, atiçando a curiosidade do alemão, que rapidamente moveu-se para o cômodo, observando Roderich cozinhar algo que parecia ser um bolo. Admirou a figura, que cantarolava enquanto preparava o doce, que raramente dava uma reboladinha no ritmo da música, apenas dando ênfase ao fato do menor ser extremamente gracioso e adorável.

Moveu-se com rapidez até o outro, o dando um pequeno tapa nas costas, fazendo o mesmo dar um gritinho assustado e rapidamente se virar para Gilbert, que apenas ria da situação de forma escandalosa, recebendo um olhar extremamente cortante do outro, que não foi suficiente para fazer as risadas cessarem.

— Vamos Gilbert, me solte, eu tenho que terminar isso aqui antes que fique muito tarde.

— Ai, tá bom, dona estressadinha — Soltou o outro, pegando uma cadeira e se sentando, olhando Roderich trabalhar enquanto cantarolava baixo para si mesmo.

Tudo estava calmo, até um estrondo extremamente alto ser ouvido da sala. Gilbert levantou-se rapidamente, indo ver o que havia acontecido, enquanto Roderich apenas ia atrás, hesitante. Logo o albino começou a rir, deixando o moreno extremamente confuso. Ao chegar no outro cômodo, viu o alemão conversando com dois outros rapazes, um de cabelos loiros extremamente sedosos, olhos azuis e um sorriso extremamente sugestivo, outro moreno, com olhos verdes brilhantes e bastante animados.

Logo, a atenção dos três homens foram desviadas para si, deixando Roderich um tanto encabulado e assustado, principalmente ao notar o olhar do loiro sobre si, praticamente o comendo com os olhos. Desviou o olhar para o piso, vendo que a aliança que usava ainda estava jogada ali, mas decidiu não a pegar, por enquanto.

— Conheçam o Roderich, ou, jovem mestre para mim! Kesese~  — Abraçou Roderich pelo pescoço, enquanto sorria para os dois homens, que apenas encaravam o austríaco com mais curiosidade.

— Ah, Hola Roderich! Soy Antonio! — Se apresentou o moreno de olhos verdes, sorrindo um tanto bobo para o moreno, que apenas se encolheu nos braços de Gilbert.

— Bonjour mon cher, sou Francis, é um prazer conhecê-lo — Deu um sorriso maldoso, assustando Roderich — É tímido? Ah, deixe-me resolver isso

Francis se aproximou do rapaz, tomando a mão do mesmo e dando um casto beijo ali, fazendo o menor corar constrangido e o alemão pigarrear enquanto dava um tapa no francês, que apenas reclamou e se afastou.

— Bem, vamos comer o bolo que o jovem mestre fez, sim? — Disse, indo para a cozinha puxando o mais baixo.

Roderich notou o tom enciumado da voz do alemão, e perguntou-se o porquê disso. Deveria perguntar quando os outros dois homens saíssem, não se sentia nem um pouco confortável com a presença dos dois, principalmente com a do francês pervertido. Suspirou, encarando o piso durante a curta caminhada até a cozinha, chamando a atenção do rapaz de cabelos brancos.

— Não se preocupe, eu não vou deixar eles fazerem nada com você.

Surpreendeu-se com o tom sério e determinado do maior, arregalando levemente os olhos, deixando as íris violetas visíveis, e não conseguindo evitar que um rubor tomasse conta do seu rosto, intensificando sua aparência indefesa.

Ao chegar no cômodo, rapidamente serviu o bolo em quatro pratos, deixando-os em frente a quatro cadeiras, se sentando em uma delas, observando os outros três sentarem e começarem a comer enquanto conversavam. Aproveitou o momento para repensar no que estava acontecendo em sua vida, agora. Antes era um rapaz rico, de respeito, cortejado por diversas moças, e até mesmo rapazes, e depois de um engano, tudo mudou. Agora dependia da bondade de um rapaz no qual conheceu no dia anterior, mas já dependia e confiava cegamente. Talvez tudo isso esteja o deixando paranoico.

Em um flash, lembrou do momento em que acordou e sentiu os braços do alemão em volta de si, o abraçando de forma um tanto protetora e carinhosa, e não teve como não corar novamente. O cheiro que exalava do pescoço do alemão era delicioso, extremamente vulgar e sensual, impróprio. A verdade, era que Gilbert era um verdadeiro deus grego. Céus! Quem negasse ou era cego, ou louco, o rapaz era simplesmente lindo! Tinha pele branca, como porcelana, cabelos igualmente brancos, bagunçados, que apenas aumentavam mais seu charme e olhos vermelhos, como dois pares de rubis, lapidados pelo mais habilidoso lapidador. Além de belo, o alemão era extremamente sensual, tudo o que dizia, a sua própria voz, expressões faciais, gritavam sexo.

— Roderich?

Teve os pensamentos cortados pela voz rouca do alemão, olhando para o mesmo com a face um tanto avermelhada pela idiotice, tentando formular alguma desculpa convincente de sua distração que não entregasse que sua mente estava completamente inundada de imagens do albino.

— S-sim?

— Você está bem? Você estava praticamente babando ai.

Era isso. O limite era esse. Levantou-se brutamente, ignorando o fato de que o prato que estava em sua frente acabou caindo e se rachando pelo chão, fazendo uma enorme sujeira. Aquilo não era importante. Pediu licença e correu para o banheiro, fechando a porta atrás de si e a trancando atrás de si, arrastando-se dramaticamente até o chão, se encostando na mesma e encarando a parede do ambiente. Quando que tudo tomou aquele rumo? Ele não deveria pensar assim! Por que em tudo o que pensava ou tentava imaginar, tinha resquícios do albino? Por que ele não saía de sua cabeça!?

Sentiu uma lágrima escorrer por sua bochecha, seguida de várias outras, logo, o austríaco estava soluçando alto, tentando com todas as suas forças negar que estava se apaixonando pela pessoa errada. Eles eram diferentes, perfeitos opostos, então como aquilo estava acontecendo?!

Ouviu batidas incessantes na porta, junto com a voz que assombrava os desejos mais proibidos de Roderich. Tentou limpar as lágrimas o mais rápido possível e abrir a porta, mas mesmo depois disso, elas continuaram a cair.

Ao ter a porta aberta, o albino puxou o moreno para um abraço apertado, preocupado, que apenas foi retribuído desesperadamente, de uma forma tão espontânea e rápida que assustou até mesmo o próprio Roderich. Mas não importava no momento, ambos precisavam de um ao outro para se acalmar.

— Você deveria estar com seus amigos, Gilbert — Falou, limpando o resto das lágrimas que ainda teimavam em cair — Eles podem ficar chateados.

— Eles já foram embora, depois daquela cena. Pode me explicar, por favor?

— É difícil! Eu não consigo entender, de repente eu comecei a pensar em você, e apenas em você, eu não consigo lhe tirar da minha mente, eu estou tentando de tudo para te esquecer! Por quê isso é tão difícil!?

Deitou a cabeça no ombro do pasmo albino, começando a novamente soluçar, indicando outra onda de lágrimas vinda do austríaco. O alemão nada fez além de apertar o abraço e tentar acalmar o outro da melhor maneira que podia, passando a mão pelas costas do outro de forma carinhosa e protetora.

— Shhhh, calma, não precisa se estressar por causa disso.

— E você sabe como eu me sinto?

— Sim, eu sei — Segurou o rosto do austríaco, o obrigando a observar os olhos vermelhos — Porque eu estou passando pela mesma situação desde que você apareceu.

Observou a reação do austríaco, acariciando a bochecha esquerda com o dedão e afastando dali uma lágrima solitária. Tudo o que a expressão de Roderich deixava transparecer era surpresa, mas logo essa expressão fora trocada novamente por lágrimas, mas de certa forma, alegres, dessa vez. Surpreendeu o maior, tomando os lábios do mesmo para si, abraçando o pescoço do rapaz e aproximando os corpos.

Gilbert, um pouco pasmo, retribuiu o contato, pedindo para poder intensificar o beijo, tendo como resposta um suspiro enquanto o menor abria mais os lábios, permitindo que o maior introduzisse a língua e explorasse a boca do mesmo. O albino agarrou a cintura do menor para si de forma possessiva, arranhando a região e fazendo o austríaco suspirar de forma sôfrega durante o beijo.

A necessidade de oxigênio obrigou os dois a se separarem a contragosto, deixando apenas um pequeno fio de saliva ligar as duas bocas, que logo se rompeu. Os peitos de ambos os germânicos subiam e desciam ao mesmo tempo, com a necessidade dos pulmões de tomarem ar e se recuperarem do excitante contato.

— O que você acha de sair um pouco? Tomar um ar? Talvez isso te deixe melhor.

— Certo, certo...

Levantaram, encarando-se por mais poucos segundos, saindo do cômodo e indo para fora, calmamente andando por entre as lápides do cemitério, que estava com o mesmo clima pesado e fúnebre de sempre, mas tanto Roderich e Gilbert se sentiam mais leves, mais calmos, depois de tudo explicado. Decidiram entrar no mausoléu, agora vazio, para observar o estado do que era o lugar onde se viram. Nada realmente mudou, apenas continuava o mesmo lugar chato e sujo, assombroso, macabro.

"Esse lugar é estranho, né?"

Falaram ao mesmo tempo, ficando de início chocados com a coincidência, mas caindo na gargalhada ao ver a face assustada um do outro, fazendo um alto som ecoar pela igreja, mas ignoraram, apenas continuaram a andar pelo local, com um pequeno sorriso estampado no rosto.

— Incrível como nada mudou, e ao mesmo tempo, tudo, após a minha "morte" — Tentou puxar algum assunto, esperando uma resposta do albino, que apenas o abraçou de lado enquanto continuava sua caminhada.

— Sim, agora somos oficialmente amantes, e nada vai te tirar de mim, nem mesmo a morte.

Roderich sorriu, um tanto macabro, com a declaração, segurando a mão do outro de forma firme, indiretamente confirmando.

Roderich assustou-se subitamente ao ouvir vozes conhecidas, olhando para Gilbert e o puxando para uma sala pequena ao lado do altar, ouvido os questionamentos de Gilbert, mas apenas o mandando calar-se enquanto via quem estava no local. Elizaveta e, por incrível que pareça, o amante.

— Aquela não é sua noiva?

— Cale a boca, eles podem nos ouvir.

Teve a boca tapada de forma firme e um pouco bruta, se assustando e tentando tirar a mão do maior dali, em vão, pois o alemão era muito mais forte que si. Se arrepiou ao ouvir a respiração do outro em seu ouvido, fechando os olhos com força e virando o rosto, tentando evitar o hálito quente do outro tão perto de seu rosto.

— Eu disse para não me mandar calar a boca, jovem mestre, você não aprende? — A sua voz tinha um tom malicioso, rouco e extremamente vulgar. Roderich sentiu como se fosse gozar apenas com aquilo — Agora terá que pagar seus pecados.

Foi forçado contra a parede sem um pingo de carinho, de forma violenta e apressada, dando um gemido longo de dor, que apenas não era mais alto por causa da mão do outro em sua boca.

Suspirou ao sentir a língua do maior na sua nuca, tremendo e quase caindo, se não fosse pelo braço do outro estar o segurando pela cintura com força, garantindo que não terá nenhuma forma de fuga dali. Deu um guincho com a mordida no pescoço, logo suspirando, já excitado, com a língua do homem que passava diversas vezes por cima do ferimento, trazendo uma sensação de ardência seguida por um deleitoso prazer.

Gilbert, por sua vez, sentia-se extremamente satisfeito com as reações que tirava do austríaco, não conseguindo evitar ficar duro com os gemidos e suspiros contra a palma da sua mão. Esfregou a ereção por poucos segundos no traseiro de Roderich, soltando um suspiro com o contato e arrancando um gemido do outro.

Virou o rapaz de frente para si, tomando os lábios com voracidade e necessidade, sendo retribuído de maneira igualmente desesperada.

Separou o contato, em seguida acariciando a recém formada ereção do austríaco, fazendo-o gemer quase alto, se o mesmo não estivesse se controlando para não chamar mais atenção.

Enfiou a mão desavergonhadamente na calça de Roderich, fazendo o mesmo se sobressaltar e falar algo no qual o alemão interpretou como um xingamento. Agarrou a ereção do outro, fazendo vários murmúrios e suspiros deixarem a boca do menor, que estava com o rosto vermelho, tão vermelho que fazia par com as rubras íris de Gilbert.

— Você é mesmo uma puta, não? Agora aguente as consequências.

Tirou parcialmente a parte de cima da vestimenta do parceiro, começando a mordiscar pescoço e ombros do mesmo, arrancando cada vez mais suspiros encharcados de sensualidade e excitação. Aos poucos, o maior tirava a roupa de Roderich, passando a língua pelo peito agora desnudo do outro sem pudor. Parou em um dos mamilos, lambendo o lugar de forma lenta, arrancando mais murmúrios do outro.

Tirou a boca dali, concentrando-se em tirar as próprias roupas. A saliva no tórax e abdômen do austríaco logo começou a esfriar e secar, deixando um frio torturante o atingir. Gemeu com a baixa de temperatura, apoiando a cabeça na parede enquanto observava o alemão tirar a roupa de forma extremamente sexy.

Foi puxado e jogado sem nenhum cuidado no chão, sentado, encostado na parede, enquanto encarava o outro ainda de pé, que o observava com satisfação, tirando a última peça de roupa que restou em seu corpo, exibindo o pênis duro, clamando por atenção.

— Faça seu trabalho direito, e quem sabe eu não seja mais carinhoso?

— O que quer dizer com iss-

Foi interrompido pelo outro ao sentir a ponta da extensão do alemão sendo forçada em seus lábios. Abriu a boca, deixando o membro do albino entrar ali, afogando-se com o tamanho, mas, timidamente, começando um movimento lento de vai e vem, fazendo o ato da forma mais cuidadosa e sem erros possível, logo tomando o jeito.

Largou parcialmente o membro, distribuindo beijos e chupões por todo o local, provocando o maior, que apenas encarou com um sorriso maldoso no rosto. Sem aviso prévio, colocou toda a extensão na boca, voltando ao movimento de vai e vem lento, torturante, fazendo Gilbert lamuriar, enquanto segurava os cabelos do austríaco.

Subitamente, Gilbert puxou com força os fios castanhos do moreno, o obrigado a tirar a boca dali, e assim que o fez, o alemão chegou ao ápice, ejaculando e sujando toda a face do outro germânico, respirando de forma descompassada após isso.

Roderich limpou o rosto da melhor forma que pôde, lambendo após isso os lábios e dedos de forma sensual, com o intuito de provocar o outro, o que de fato aconteceu.

— Você sabe que não precisa deixar tudo para mim, certo? — Disse, de repente, se levantando enquanto encarava o maior.

— Como assim?

— Se vais fazer isso de forma rude — Apoiou-se na parede, empinando o traseiro e encarando o outro de forma provocativa — Faça logo.

Ok, Gilbert não previu que algo assim aconteceria, e corou até o último fio de cabelo ao ver Roderich em uma posição tão sexy e excitante. Não perdeu tempo com seus devaneios, apenas aproximou-se do outro e introduziu os dedos, um por um, arrancando um gemido relativamente alto, dado com gosto. Naquele momento, não importava mais e alguém iria ouvi-los, já estava com a cabeça cheia demais para problemas.

Logo Gilbert retirou os dedos da entrada do austríaco, começando a esfregar-se ali, ficando mais duro, se possível, e gemendo junto com o parceiro. O clima naquela sala estava quente, e ambos os homens não conseguiam pensar em nada além de um ao outro.

— Eu vou entrar, está bem?

— Apenas faça logo!

Riu baixo com a pressa do outro, o penetrando de forma lenta, de certa forma cuidadosa, fazendo o outro dar um sôfrego murmúrio, e começou a movimentar-se, deleitando-se com os altos e desesperados gemidos de Roderich, que se movia contra Gilbert, fazendo ambos os corpos se chocarem e emitirem um som alto. Aos poucos, os movimentos ficaram mais rápidos, assim como os gemidos se tornaram mais altos.

— Vamos, Gilbert, mais rápido, ahn~.

As súplicas de Roderich apenas deixavam o outro mais louco. O ambiente em si estava quente, com excitação praticamente em qualquer canto. Gilbert não duvidava que acabara quebrando algum móvel do quartinho sem querer durante o ato, mas mais tarde inventaria uma desculpa e arrumaria o quartinho.  

Com fortes estocadas, o maior chegou ao seu limite junto ao menor, o primeiro dentro do moreno e o outro sujando a parede e o chão, acompanhado de aliviadas lamúrias de ambas as partes, que se manteram na posição por longos segundos.

Caíram juntos, abraçando um ao outro e procurando se aquecer nos braços do parceiro. A respiração de ambos era descompassada, rápida e sôfrega, indicando o extremo cansaço. Deram um último selo de lábios, mais calmo e romântico, logo encarando as íris vermelhas e violetas.

— Você pretende fugir comigo para a Alemanha, Roderich?

O austríaco encarou o albino um pouco surpreso, mas logo a expressão de surpresa fora tomada por um sorriso calmo, seguido de um casto beijo na bochecha do maior.

— Claro que sim.

Gilbert sorriu, se levantando e vestindo suas roupas. Quando voltou sua atenção ao moreno, percebeu que o mesmo já dormia, exausto pelo esforço. Balançou a cabeça negativamente e vestiu o outro com cuidado, o pegando no colo estilo noiva e saindo do mausoléu, deixando o ambiente macabro do cemitério e seguindo calmamente para sua pequena casa.

Ao entrar no velho casebre, repousou o austríaco no sofá e ficou encarando a figura adormecida calmamente, que lentamente subia e descia o peito em busca de oxigênio. Se viu afogado em uma estranha, mas reconfortante, vontade de proteger aquele rapaz, como se fosse da porcelana mais delicada existente, que se racharia com qualquer toque.

Desviou sua atenção a aliança que ainda repousava no piso de madeira da sala, quieta, brilhando com a luz fraca da lâmpada da sala. Sua expressão mudou a uma careta enojada e irritada, ao notar que o item continuava em sua casa. Em um misto de ciúmes e raiva, o albino pegou o anel e o lançou pela janela para longe da casa, deixando que a aliança se perdesse por entre as lápides do cemitério.

Voltou a sua atenção a Roderich, que se encontrava com os olhos abertos, encarando Gilbert por trás das lentes rachadas do óculos, e assustou-se, se afastando um passo para trás, mas logo se recuperando do súbito susto que teve, sorrindo de forma até mesmo exorbitante, fazendo o austríaco rir baixo enquanto se sentava no móvel.

— Dormiu bem, jovem mestre?

— Sim, obrigado.

O silêncio novamente se instalou no ambiente, mas não um silêncio fúnebre, como muitas vezes ocorria, mas um silêncio confortável, gostoso. Ambos os jovens encaravam as íris um do outro, admirando o tom de cor ali presente. Sem aviso prévio, o maior se aproximou e roubou um selo do outro, ocasionando em um arrepio assustado de Roderich, fazendo o alemão rir da situação do outro, que apenas respondeu com uma carranca.

— Você não tem limites?

— O que é limites? — Retrucou, encarando os olhos violetas de Roderich — Desconheço essa palavra.

Roubou outro beijo do austríaco, dessa vez mais necessitado, que fora retribuído seguido de um suspiro. Ali novamente os dois homens marcaram os corpos com os toques um do outro, enchendo o cômodo de lamúrias e gemidos, esquentando o clima frio daquela casa.

Gilbert não tinha mais saída, teria que seguir até o fim escrevendo seu romance ruim com Roderich.

"I wan't your love and i wan't your revenge, you and me could write a bad romance."

FIM


Notas Finais


JESUS

COMO EU ODEIO MEUS ERROS DE PORTUGUÊS

EU ESCREVO CADA ERRO ÓBVIO E ESTÚPIDO

O "Encima" JUNTO ME ASSOMBRA ;;; W ;;;

Todavia, espero que tenham gostado dessa fúnebre história, e até mais!

(P.S²: Sim, foi inspirado em Bad Romance, da Lady Gaga, e eu não consigo mais escutar as músicas dela sem relacionar a PruAus sdlfgjdhgiudafhguifd)


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