História Badbye - Capítulo 8


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Bangtan Boys (BTS), Fanfic, Jisoo, Namjin, Namjoon, Seokjin
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, FemmeSlash, LGBT, Mistério, Policial, Romance e Novela, Slash, Violência
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 8 - Pode confiar em mim?


Namjoon ainda não sabia bem para onde ir ou em que lugar ficar. As últimas horas haviam sido tensas, a conversa com Seokjin o deixou inquieto e o momento com sua noiva o apertava o coração. Sua mãe havia falecido na madrugada anterior, aquele dia era o segundo de seu então reinado. 

A próxima pessoa que iria encarar seria seu irmão, Jungkook. 

O encontro aconteceria na antiga sala de seu pai, que agora era de seu irmão. Ele já imaginava qual o assunto principal, quem assumiria a coroa. Namjoon nunca se importou muito em ser rei, só entendia que aquilo era uma obrigação por ser o primeiro na linha de sucessão. Já Jungkook enchia os olhos sempre que falavam no trono. O mais velho sabia que se decidisse continuar por ali abriria uma grande discussão com seu irmão. 

Jungkook já o esperava. Ele vestia terno preto, o cabelo penteado para trás, muito bem cortado. Os dedos batucavam sobre a mesa na qual estava encostado. Assim que o viu prontamente se levantou, o olhou por um instantes antes de se aproximar e o abraçar. Era uma reação diferente da qual Namjoon esperava. O irmão nunca foi fã de demonstração de afeto, fugia dos beijos de sua mãe e se afastava sempre que alguém tentava o abraçar.

Mas Namjoon relaxou nos braços do irmão e o apertou. Apesar de seu irmão aparentar ser um homem duro por fora, por dentro ele tinha um grande coração. Os dois tinham poucos anos de diferença entre suas idades e por isso conviveram tanto juntos, crescer dentro de um palácio pode ser muito solitário e por isso eles sempre foram seus melhores amigos, a única criança que estivera com eles era Seokjin. 

— Já faz quanto tempo? Dois anos? - Jungkook perguntou ainda a abraçando. 

— Dois anos, sim. Você nunca mais apareceu.  

— A monarquia não dá descanso hyung, em momento algum. 

Ele apontou o sofá para Namjoon e se sentou na poltrona que um dia foi de seu pai. 

— Nada mudou por aqui. 

— Talvez não na decoração, mas no resto sim. 

— Até mesmo as pessoas? - ele perguntou.

— Essas não, essas nunca mudam!

— Quando você chegou? 

— Ontem à tarde - Jungkook falou logo em seguida suspirando, o mais jovem parecia cansado, até mesmo sua postura o denunciava.

— Para mim, ainda parece que nada aconteceu - Namjoon abaixou a cabeça - que tudo foi um pesadelo e quando eu acordar amanhã, terá passado. 

— Mas do que adianta se enganar, hyung? Você sabe que isso é real, a dor não vai passar ou diminuir se continuar negando os fatos. Mamãe se foi, para sempre. 

A voz grossa e firme de Jungkook deixava tudo mais difícil. Ele sempre teve esse costume de tirar o curativo de uma vez só, nunca poupou palavras com nada, o que deixava Namjoon nervoso, já que ele sempre foi mais sensível que o irmão e odiava essa parte no mais novo.  

— Já conversou com nossa irmã? - Jungkook perguntou

— Ainda não, mas pretendo o fazer, ologo.

Jungkook concordou e um silêncio desconfortável se instaurou na sala. Eles sabiam exatamente que assunto estavam evitando. Mas o mais velho sabia que era inútil fugir daquele assunto, a coroa. 

— Se sente preparado para o que está por vir? – Namjoon perguntou.

— Somos preparados para isso desde que nascemos. 

A resposta não surpreendeu Namjoon. 

— Você está? - o mais novo revidou.

Ele levantou os ombros e arqueou as sobrancelhas. 

— Desde o dia em que você foi embora eu carrego o peso disso tudo, sozinho. Mas agora, te vendo perto de mim, sinto que nada mudou, você continua sendo o mesmo medroso de sempre - Jungkook proferiu as palavras com calma, parecia tranquilo em dizer aquilo. Era só a verdade, afinal de contas. 

— Jungkook, não diga isso, você não sabe nem a metade do que aconteceu naquele período que eu fui embora, as coisas estavam difíceis para mim aqui no palácio, eu precisava ir embora - Namjoon estava acuada, tinha medo de que o irmão o questionasse mais. 

— Dez anos se passaram e realmente, depois de todo esse tempo, não quero saber o que aconteceu naquela época. O que precisamos discutir aqui é o futuro. Você retornou, omma morreu, agora estão te chamando de rei. Pelo que escutei já querem marcar a data da sua coroação, é isto que quer mesmo? 

— Ainda não sei exatamente o que fazer, acabei de chegar Jungkook, ainda nem enterramos nossa mãe, o que quer que eu diga?

Jungkook o encarou, avaliou a expressão do irmão mais velho. Estava cansado daquilo, Namjoon não ia embora de vez, mas também não ficava. O príncipe havia visto a mãe sofrer os últimos dez anos pela mudança repentina do irmão e desde os doze tinha prometido a si mesmo a odiar seu hyung, afinal, tinha sido deixado naquele lugar sozinho. Mas agora, estando diante de Namjoon seu coração doía. Ele sofria a perda da mãe, sua melhor amiga, e ainda tinha sido colocado  naquela posição diante de seu irmão, o qual ele amava. Sempre tinha o amado, mesmo ele tendo ido embora, nunca o odiou realmente. 

— Se você quiser ficar e assumir a coroa, eu te apoiarei diante de todos aqueles que te querem bem longe daqui, hyung. Mas se você for embora, não volte nunca mais. Está me entendendo? 

Os dois se encararam por um instante e apesar das vozes calmas e contidas presentes naquela conversa, a tensão de cada palavra dita flutuava pelo ar. 

— Eu vim em missão de paz, não quero discutir, por isso prefiro me retirar – Namjoon se levantou e fez seu caminho até a porta, mas parou para escutar as últimas palavras de Jungkook.

— Faça como sempre fez Namjoon, fugir. 

O jovem respirou fundo, mas não respondeu o irmão, prosseguiu. Fez o que achou que era certo. Namjoon já havia admitido a si mesmo que poderia ter pensado um pouco melhor antes de ir embora, naquele dia em que mudou-se para outro país. Mas nunca havia se arrependido. 

As palavras duras de seu irmão só o lembrou que poderia ter passado mais tempo com sua mãe, que poderia ter perdoado sua mãe a mais tempo ou até mesmo ser perdoado por ela. A imagem da Rainha imobilizada e com tantos agulhas e tubos conectados a ela, ainda se repetia na cabeça do jovem. Ele já não queria mais retornar para o quarto, era difícil demais. Resolveu encontrar a irmã mais nova, precisava enfrentar aquilo o mais rápido possível. 

Enquanto isso, ainda dentro da sala Jungkook tremia. Odiava discussões, apesar da carranca dura nunca foi muito bom em se sobrepor. Estava acostumado a obedecer. Mas seu pai havia dito que seria bom afrontar seu irmão sobre a coroa, afinal não era justo o mais velho assumir o trono, quando ficou distante por dez anos, certo? 

Por muito tempo havia admirado o irmão, invejava sua inteligência  e facilidade com que lidava com as pessoas, Namjoon tinha certa desenvoltura com os afazeres diplomáticos. Além disso, tinha os olhos com que Soomin observava o filho mais velho, aquele brilho no olhar de orgulho. E apesar de todas as discussões entre os dois e mesmo Namjoon tendo ido embora sem sequer dizer adeus, Soomin ainda falava dele com a felicidade na voz. 

“Namjoon tocava piano como ninguém, ainda consigo lembrar perfeitamente daquela apresentação no meu aniversário” - ela disse um dia quando Jungkook ensaiava para um concerto da escola.

“Os poemas que Namjoon escrevia inspirava a todos, tão novo e já lidava com as palavras tão bem” - Soomin afirmou sorrindo, quanto Jungkook lhe mostrava algumas coisas que tinha escrito naquele dia. 

A verdade era que o mais novo estava cansado de ser comparado com o irmão. Havia feito tudo o que era possível para ser melhor que Namjoon, mas aparentemente, aos olhos de Soomin, isso era impossível. Mesmo odiando tudo aquilo, Jungkook permaneceu ao lado da mãe, padeceu as vontades do pai e agora estava ali, sem saber como prosseguir. Será que realmente tinha feito a escolha certa? 

Do outro lado do palácio, Namjoon pisava forte, as palavras do irmão pesavam sem seu coração, mesmo tendo decidido deixar aquele assunto para depois. Sua prioridade agora seria sua família. Mais guardas resguardavam o corredor onde ficavam os quartos reais, assim que perceberam sua presença prontamente se curvaram e abriram espaço. 

— A princesa está em seu quarto? 

— Não Majestade, estão todos na estufa - respondeu um dos homens.

— Obrigado!

E dessa forma o jovem se encaminhou para o lugar favorito de sua mãe, a estufa. Ela havia sido feita por seu avô, pouco tempo antes de falecer. A Rainha tomou como responsabilidade cuidar de todas as plantas que lá tinha, era como se seu pai ainda estivesse vivo ali. 

A estufa se localizava no jardim mais distante do palácio, justamente por ter sido uma das últimas construções.  

Enquanto Namjoon caminhava até lá, as pessoas que trabalhavam no palácio o olhavam curiosamente, se perguntando o que aquele homem estava fazendo. Ele, por sua vez, mantinha a cabeça erguida, contando seus passos mentalmente, como fazia quando era uma criança e percorria aquele mesmo percurso. 

Ao aproximar-se da imensa casa de vidro o jovem avistou sua irmã e seu primo, Kim Taehyung. 

Kim Dahyun tinha apenas quinze anos, mas era conhecida por todo palácio por suas opiniões fortes. Vivia em pé de guerra com o pai, que achava que podia determinar as maneiras que a adolescente tinha que se porta. Sempre muito educada e inteligente, gostava de tocar violino e principalmente encher a paciência de seu irmão Jungkook. Tinha poucas lembranças do seu irmão mais velho, mas mesmo assim o estimava muito. Mas o seu preferido mesmo era Seokjin, que sempre a enchia de presentes e a levava para pescar, ela confessava que era uma atividade chata, mas passar aquele tempo com seu irmão era algo que a enchia o coração, ainda mais pois ele era quem mais a entendia. 

 Dahyun regava as orquídeas que ainda não haviam florescido, enquanto Taehyung podavam algumas espécies de plantas. Turim, um border collie que estava na família a um pouco mais de dez anos, corria de um lado para o outro balançando seu rabo. De longe parecia um dia normal na família Kim. Mas não era. 

Inicialmente os dois jovens não o perceberam, Dahyun foi a primeira a se virar para Namjoon. 

— Joonie! - ela disse e saiu correndo para abraçar o irmão - Não sabia que você havia vindo - Dahyun completou.

— Cheguei há dois atrás.

A adolescente franziu o nariz.

— Mesmo? E como ninguém me contou?

— Provavelmente pelo últimos dias, para você não ficar sobre estresse com a chegada do irmão mais velho problemático. 

— Claro, é necessário proteger a criança - o tom amargo na voz de Dahyun assustou Namjoon, que por sua vez passou a mão sobre a cabeça da irmã, que já tinha os olhos vermelhos. 

— Sabia que você parece muito com ela? - Dahyun continuou.

Namjoon a puxou pelo braço e o abraçou forte, a irmã já era quase do seu tamanho, mas ali parecia um passarinho acuado e com medo. 

— Taehyung-ssi, há quanto tempo! - Namjoon ao se afastar de irmã analisando o primo que estava ao lado da mais nova. 

— Vossa Majestade - ele se curvou perante Namjoon - um bom tempo se passou desde a última vez que nos  vemos. 

— Digo o mesmo, você cresceu tanto, está quase me ultrapassando. 

Taehyung apenas abriu um sorriso tímido e concordou com o primo. Não quis tornar a conversa mais longa, dando apenas os pêsames a Namjoon e se retirando em seguida, dizendo que seria melhor deixar os irmãos sozinhos. Apesar da diferença de idade, Taehyung já tinha 23 anos, ele era o melhor amigo de Dahyun, os dois primos se entendiam bem. 

Taehyung caminhou de volta para o palácio, com a chegada de Namjoon sabia que Jungkook estaria abalado. Ele sabia das desavenças entre os irmãos e o quanto a presença do mais velho afetaria a todos no palácio. Bateu três vezes na porta do escritório do príncipe, entrando após a afirmativa do primo. 

— Passei para ver como estava - Taehyung disse se aproximando. 

— Como eu estou. É uma pergunta difícil de se responder - Jungkook estava sentado no maior sofá do escritório, sob sua mão um copo de uísque. Taehyung estranhou, pois sabia que ele não gostava da bebida, dizia que era forte demais. 

— E a conversa com Namjoon, correu tudo bem? 

Jungkook apenas deu de ombros, soltando um suspiro. 

— Por favor Jungkook, conversa comigo, fala o que você está sentindo, tira esse peso que está sob seus ombros - Taehyung se ajoelhou em frente a Jungkook e tirou o copo de sua mão, passou a mão pelo rosto do mais novo e afagou seu cabelo, sentou ao lado do primo e puxou sua cabeça, fazendo com que encostasse em seu peito. 

Não  demorou para que Jungkook se desmanchasse em lágrimas, seu corpo tremia. Ele tinha segurado toda aquela tristeza desde que soube da morte da mãe. O pai havia avisado que homens como eles não choravam, afinal ele era um futuro rei, tinha que ser forte pelo seu povo. Mas o jovem sentia que poderiam explodir a qualquer momento. Era coisa demais para guardar. A morte da mãe, a volta do irmão mais velho, as falas duras de seu pai. Jungkook sentia que não aguentaria. Ainda bem que ele tinha Taehyung. 

— Me desculpe por ter manchado sua roupa com as minhas lágrimas - Jungkook disse após algum tempo. Ele já não chorava mais. 

— Não precisa se desculpar, você sabe que eu sempre estarei aqui por você Jungkook-ssi - Taehyung ainda acariciava o cabelo do príncipe que se mantinha deitado sob o peito do primo. 

— Você poderia dormir comigo essa  noite? Eu tenho tido pesadelos nas últimas noites, mas quando está comigo me sinto mais seguro - o mais novo disse num sussurro.

— Eu poderia dormir com você todas as noite das nossas vida, sabe disso - Taehyung o puxou para cima e selou seus lábios junto dos de Jungkook - Logo após o jantar irei para lá, não se preocupe. 

Os dois rapazes mantinham esse relacionamento a pouco mais de dois anos. No começo era algo mais carnal, mas com o tempo Jungkook foi se envolvendo emocionalmente com o primo, afinal era Taehyung que estava ali para lhe dar apoio em todos os momentos difíceis. Ele sabia que nada daquilo iria dar em alguma coisa séria, mas era gostoso e de certa forma até mesmo revigorante ter alguém naquele palácio. Contando que ninguém descobrisse, tudo acabaria bem no final. Ou talvez, nem tanto. Afinal a vida nunca é do jeito que imaginamos.

 



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