História Baem - Capítulo 20


Escrita por: e skywalkrr

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), Lu Han
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Lu Han, Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bottom!jk, Bottom!jungkook, Exército, Hard Lemon, Lu Han, Luwoo, Taekook, Top!tae, Top!taehyung, Vkook
Visualizações 656
Palavras 7.736
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ecchi, Fluffy, Hentai, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá! E para vocês o último capítulo de Baem...

Capítulo 20 - A Verdadeira Rainha


Fanfic / Fanfiction Baem - Capítulo 20 - A Verdadeira Rainha

Três anos depois.

—Então Jeongguk, como foi a sua semana? – O homem que já estava mais do que acostumado com o moreno e o atendia desde que foi recrutado para trabalhar no exército, perguntou baixo. Os dois já tinham certa intimidade, o homem já cumprimentava Jeongguk de forma informal, tudo dentro da sala de consulta, é claro.

Haviam estabelecido uma relação sem muita intimidade, mas confortável para os dois.

— Eu – o moreno de vinte e dois anos, sentado na poltrona de forma tensa enquanto encarava o chão no local começou a responder –, eu recebi a notícia de que o Taehyung volta essa semana.

— É? – Perguntou de forma mansa, o incentivando a continuar, mas não expressando uma real surpresa.

—Eu meio que sentia que ele não ia cumprir os cinco anos, sabe? – Juntou as mãos e usou seus dedos para acariciar a si mesmo. – Eu sabia que uma hora eles iam precisar dele e o tirariam de lá. – Contou calmo. – A desculpa é de que há uma missão que somente ele poderá liderar na semana que vem e precisa se preparar então ele vai voltar.

— E como você se sente sobre isso? Ainda tem medo dos seus sentimentos? – Olhou nos olhos do moreno que atendia há quase três anos.

—Eu me sinto confuso, e eu me sinto mal por culpa-lo pelo o que aconteceu, mas os tiros ainda me fazem lembrar do que eu vivi naquela sala, quando eu escovo os dentes ainda lembro do gosto do cano daquela arma, eu ainda me lembro dos gritos – fungou – eu ganhei permissão do senhor e do outro médico para poder ir embora, não prestar os serviços militares por conta dos meus “traumas” – fez aspas com as mãos e riu sem humor. – Mas isso não seria nem um pouco justo com os outros que também estavam naquela sala... Com Jimin que morreu, com Seongwu, com todos que também viveram aquilo...

—Eles estão acostumados com aquele tipo de situação, Jeongguk, eles foram devidamente treinados e preparados, eles optaram por estarem ali, o senhor havia sido sequestrado e

—Eu sei! – O interrompeu –, eu sei que eles estão acostumados, já tivemos essa conversa muitas vezes antes senhor, eu sei disso, mas é como eu me sinto! Eu sinto como se devesse cumprir as mesmas penas, ficar aqui, superar isso! Eu me sinto como se estivesse aqui, fazendo tantas coisas para honrar algum tipo de Deus, na esperança de receber um milagre, como se minha missão aqui fosse somente para voltar vê-lo um dia, para aprender a superá-lo – proferiu as últimas frases abaixando o seu tom cada vez mais.

— O senhor enxerga o Capitão Taehyung como um Deus? – estreitou as sobrancelhas grossas.

—O enxergo como a única pessoa que eu profundamente quis de forma completa, ao mesmo tempo em que é a única pessoa que não sei se suportaria olhar outra vez – admitiu deixando que a lágrima escorresse. – Tenho medo dele ter me esquecido, mas uma parte minha quer que ele tenha se esquecido, tenho medo dele me trazer novos pesadelos, tenho medo que ele não sinta mais nada do que um dia sentiu, ao mesmo tempo que eu não quero sentir nada por ele, eu tenho medo de ser sequestrado novamente agora que ele voltou, mas eu também tenho medo de eu mesmo me por em risco por ele...

— O senhor tem medo dele?

—Tenho medo de como sou quando ele está presente, e tenho medo de como eu sou quando ele não está. Ele estava preso esse tempo todo então eu sabia que ele não ia aparecer de repente, ele não ia simplesmente chegar, me pegar e fazer o que quiser por que eu permitia. Não, eu me sentia relaxado ao invés de ficar apenas pensando no que ele estaria fazendo, ao de ir até ele para chamar sua atenção.

—Mas você amadureceu Jeongguk, deve ter mais confiança em você, já se passou três anos, e você cresceu muito desde que veio até mim pela primeira vez.

— Mas amadureci longe dele, eu sei que quando ele ficar a minha frente, eu ainda serei o mesmo garoto apaixonado e excitado por ele, que falará besteiras, e não conseguira se concentrar em nada porque eu vou querer estar com ele. Eu quero tanto não sentir mais nada, que também tenho medo de acabar jogando muitas coisas na cara dele, tenho medo de acabar explodindo...

—Então talvez seja bom ele estar vindo agora, ainda falta uma semana para você cumprir sua pena aqui, vejo isso como uma boa oportunidade para você superar mais esse problema antes de sair daqui – o homem falou de forma calma, tentando olhar nos olhos do garoto mais novo, mas o moreno apenas encarava o chão, deixando algumas finas lágrimas rolarem. – Se tiver que explodir, exploda, mas coloque para fora tudo que lhe deixa aflito, mesmo tenho consciência de que isso vai magoar o Capitão Taehyung.

Jeongguk saiu daquela sala quase uma hora depois, com muitas dúvidas em sua cabeça e muita aflição no seu coração. Geralmente as reuniões com o psicólogo e orientador Kyunghoon o ajudavam muito, mas daquela vez Jeongguk sentia-se como uma bolha d’água quicando em uma faca afiada, preste a estourar.

Saiu do prédio, caminhando sem muita pressa pelo chão de cascalhos. A Base Militar havia mudado bastante, a segurança ao redor do lugar havia evoluído, os tanques ficavam mais afastados dos locais onde os soldados treinavam, e inúmeros tipos de treinamentos novos foram adicionados para preparar melhor os soldados que defenderiam a Base de algum outro ataque.

Muita coisa havia mudado desde a partida de Taehyung.

Três anos atrás.

Deitado era como Jeongguk estava, deitado na cama de um hospital, não sabendo de nada do que acontecia a quilômetros dali.

Mal se lembrava de como havia parado ali, nem sentia as memórias querendo voltar para sua mente, era tudo um grande e vazio branco em seu cérebro. Virou a cabeça para o lado, vendo a chuva escorrer pela janela, observando o tempo do lado de fora ficar mais melancólico, deixando o céu mais escuro, mais sombrio.

“porque não importa o tempo que durar, eu vou voltar para você.”     

A frase desconhecida por si estava em sua mente, mas não se lembrava com certeza de onde ou quando a havia escutado. Encolheu-se na cama, enrolado nas cobertas brancas do hospital e adormeceu.

— Jeongguk – uma voz chamou baixo o suficiente para que somente ele acordasse naquele lugar onde outros feridos também estavam. – Seu nome é Jeon Jeongguk, o senhor confirma?

Resmungando e coçando os olhos, o moreno balançou a cabeça positivamente.

— S-sim, sou eu – sentou-se no colchão.

—O tenen- o senhor Luhan está aqui para falar com o senhor – o garoto com jaleco que o havia acordado informou de forma apressada, mas somente aquela fala atraiu a atenção de Jeongguk que despertou quase que completamente assim que viu o chinês fardado indo até si, ignorando os demais internados ali naquela sala.

Antes que o homem se aproximasse completamente de si, Jeongguk já se ajeitava no colchão, fazendo menção de que levantaria, não se importando nenhum pouco com os fios presos em si que nem mesmo sabia para que serviria.

—Hey, hey – Luhan alcançou o garoto, impedindo que ele se levantasse, segurou seus ombros com delicadeza devido ao temor de que ele se esforçasse demais e acabasse por prejudicar sua saúde. – Fique calmo, Jeongguk, está tudo bem!

— Onde está o Taehyung? – Olhou rapidamente para a entrada do quarto e depois para os olhos do chinês. – Onde ele está?

— Ele vai ficar bem, me pediu para te dar um recado, e eu preciso te explicar algumas coisas, mas você precisa ficar calmo, ok?

Jeongguk balançou a cabeça rapidamente, desesperado para ter qualquer informação do castanho que era para estar consigo naquele momento.

—O capitão Taehyung foi preso, - soltou depressa, usando as duas mãos para cobrir a boca de Jeongguk antes que o garoto gritasse – você pode não entender os motivos do nosso exército ao prendê-lo, mas eles agiram certo, porque Taehyung agiu errado, mesmo que pela razão correta.  –Explicou calmo, sentindo suas mãos começarem a ficar molhadas pelas lágrimas do moreno que começavam a escorrer. – Ele assumiu a culpa pela invasão e pelos ataques, assumiu a culpa pela morte de Taeyang e Bogum – e naquele momento Jeongguk tentou se desvencilhar das mãos do mais velho, xingava de forma confusa e continuava a chorar enquanto ouvia aquelas palavras que pareciam extremamente erradas em sua cabeça.

Ele havia matado Bogum! Ele havia feito aquela atrocidade com o monstro que estava matando pessoas inocentes e ainda planejava matar bem mais! Taehyung não deveria assumir culpa de nada. Taehyung era o mais inocente daquela história! Ele havia se sacrificado para salvar a todos, havia perdido amigos e quase perdera a própria vida para salvar a Coréia do Sul e o resto do mundo, e agora estava se sacrificando para salvar Jeongguk.

Era absurdo ele ser preso por aquelas coisas.

Jeongguk não se conformava.

— Ele quis isso Jeongguk, você precisa entender – o chinês continuou a falar, apertando ainda mais sua mão rente aos lábios do moreno que queria se libertar a qualquer custo. –, você não pode contar a verdade para ninguém sobre a morte do Bogum, você não pode fazer isso, está entendendo? Estaria arruinando ainda mais a vida do Capitão! – Jeongguk debateu-se ainda mais, sendo segurado com força, ainda que o outro apenas estivesse tentando falar algo por conta do que lhe era revelado, Luhan não deixava, mas sabia muito bem o que se passava na cabeça do mais novo, os questionamentos que ele estava tendo. – Não jogue os esforços dele no ralo, você será preso se abrir a boca, e a pena dele aumentará por ter mentido perante a corte estando em julgamento!

Olhou os olhos embaçados pelas lágrimas de Jeongguk.

— Você sabe por que ele assumiu a culpa por ti, não sabe? – Cerrou os olhos e levantou as sobrancelhas, sentindo o garoto tremer enquanto chorava e confirmava em movimentos lentos com sua cabeça. – Você sabe os sentimentos que ele tem por você, sabe o que o motivou a fazer isso, então não menospreze o que ele sente dessa forma! Ele me pediu para passar tudo que é dele para o seu nome, então a casa, a moto, o dinheiro, e todo o resto pertence a você.

— Eu não quero – resmungou fungando assim que Luhan tirou as mãos de sua boca. – Eu não quero que ele me dê nada, eu só o quero! – Elevou o tom ao começar a chorar mais. – Não é justo!

A dor em seu peito parecia crescer de tamanho a cada segundo que se passava e a cada piscada que Jeongguk dava e não via Taehyung ali. Não o via porque ele estava preso. Estava preso para protegê-lo também, para ocultar seu crime, para limpar o sangue em suas mãos.

— Eu não quero nada dele – voltou a falar, enquanto apertava os olhos com força e começava a socar o próprio colchão. – Eu não quero que ele me dê nada!

— Mas já é seu, e você tem que cuidar muito bem das coisas dele.

— POR QUÊ? – Gritou. Pulou do colchão, ficando de pé no chão, apontando para o rosto do chinês que olhava com pena para aquela situação.

Ele sabia que não deveria deixar Jeongguk gritar daquela forma, absorver tudo daquela forma, os outros pacientes daquele quartos já estavam acordando, observando a cena do moreno em pé, ignorando os fios de soro injetados em si, ignorando o chão frio abaixo de seus pés descalços, ignorando dois médicos que apareceram na porta, preparados para qualquer coisa que pudesse acontecer, ignorando tudo ao seu redor que não fosse Luhan e seu olhar de pena a sua frente.

— PORQUE EU DEVERIA TOMAR CONTA DAS COISAS DELE? – Gritou outra vez, deixando que mais lágrimas rolassem. – Ele nunca assumiu nada comigo! Ele nunca disse exatamente o que sentia! Por quê? Porque eu tenho que tomar conta das coisas dele só porque ele me pediu? PORQUE EU TENHO ESSA OBRIGAÇÃO? – Chutou a lateral da cama com força, fazendo com que os dois médicos começassem a caminhar até si, mas fossem impedidos por Luhan que ergueu uma das mãos, os pedindo para esperar. – Ele nunca me pediu para ir aos lugares com ele! Ele nunca me pediu ou perguntou se eu queria aprender a lutar, se eu queria fazer aquelas coisas! ELE NUNCA ME PEDIU PARA VER AS PESSOAS MORREREM! Ele sempre me arrastou para os lugares, me obrigando a fazer o que ele achava certo, então porque está me pedindo isso agora? – Olhou mais uma vez para Luhan, gritando ao passar as mãos com violência pelo próprio cabelo preto, arrancando alguns fios no processo. – Como ele acha que eu vou me sentir vendo a porra da casa dele sozinho depois que eu insisti tanto? COMO ELE NÃO PENSA QUE EU NÃO VOU CHORAR QUANDO SENTIR O CHEIRO DELE POR LÁ? Ele não pensa em mim? Ele não pensa nessas coisas? – Pegou o travesseiro e arremessou com força contra a janela. – ELE NÃO TINHA ESSE DIREITO! Ele não podia fazer isso comigo. Ele não pode me deixar amá-lo dessa forma – começou a respirar com dificuldade, ofegando antes de se apoiar na cama e segundo depois cair de joelhos no chão, apenas chorando de forma intensa, ignorando todos os olhares horrorizados que estava recebendo. – Ele prometeu que não ia embora, Luhan – tremeu o corpo enquanto fungava, tentando normalizar sua respiração. – Ele não podia me deixar, está doendo – cobriu a boca com as duas mãos, esfregando-as no rosto em seguida, tentando inutilmente conter as lágrimas que saiam de forma abundante, e a coriza que escorria sem parar, ignorava os machucados em sua boca, ignorava todas as dores que estava sentindo em seu corpo, focando-se apenas em uma. – Meu coração está doendo, ele não para de doer, Taehyung não para de me machucar – soluçou encolhendo-se no chão, mas sentindo o corpo do Chinês se aproximar do seu, o afagando de leve.

— Eu vou cuidar de você Jeongguk, você não está sozinho, eu vou cuidar de você.

— Eu o odeio, odeio muito – confessou de forma mentirosa assim que foi acolhido nos braços do mais velho, chorando ainda mais. – Eu odeio tudo isso, eu odeio servir no exército, eu odeio isso, eu odeio Luhan, eu não aguento mais, eu não suporto mais isso, eu só queria amá-lo, mas é impossível.

—Para amar alguém, você tem que amar todas as partes dessa pessoa, até as ruins, se você só se importar com as boas, não é amor, é paixão, e paixão acaba com o tempo – explicou baixo, passando as mãos de forma suave no cabelo do mais novo. – O exército é a parte horrível do Taehyung no qual você vai ter que aceitar caso queira amá-lo.

— Eu não quero amá-lo.

—Então assim que eu te explicar sobre a punição que você terá que cumprir, e assim que a cumprir, você pode ir embora e se esquecer de vez que um dia foi apaixonado pelo Taehyung, tudo bem?

— Tudo bem.

Tempo atual.

Mais uma colher de arroz a boca.

Mais uma corrida em volta da Base.

Mais uma manhã batendo continência à bandeira.

Mais uma vez ouvindo vozes sendo proferidas aos gritos.

Mais treinamentos.

Mais preparação.

Mais uma colher de arroz a boca.

Mais uma noite indo dormir sozinho.

Uma rotina cansativa que Jeongguk estava vivendo por quase três anos.

Uma rotina que não escolheu em hipótese alguma seguir.

Luhan, Minseok, Yoongi, Taeyong, Yukhei e Jungwoo; os membros da Baem estavam fora à missão. Apenas eles eram os ativos naquela unidade de força especial do exército. O capitão deles estava inativo, e Luhan havia assumido seu posto temporariamente.

O correto era que Luhan assumiria por quatro anos, já que por um ano a Baem não existiria e os ex membros estariam cumprindo suas punições. E assim que Taehyung cumprisse sua ordem de prisão de cinco anos, poderia retornar.

Nesse tempo, Jeongguk já teria partido, assim como dissera a Luhan. Iria embora e tentaria esquecer tudo que viveu ali. Tentaria sobreviver com as cicatrizes reais daquele tempo duro e assustador que estava gravado em algumas partes de seu corpo.

E agora, naquele atual momento, estava vivendo sua última semana servindo ao exército sul coreano.

— Jeon Jeongguk – o sargento Jisoo chamou – a patrulha na torre leste é sua hoje!

— Sim senhor! – Bateu continência para o superior, esperando o mesmo sair para que caminhasse por toda a Base militar até a torre leste, onde teria que observar todo o perímetro leste do local.

Era uma das tarefas que Jeongguk mais odiava por conta do tédio, não tinha nada para fazer lá a não ser observar um grande monte de nada de um lado, e a base militar à distância do outro, sem poder pegar no sono porque senão seria punido ficando sem almoço e patrulhando pelo dobro do tempo na próxima vez.

As torres – uma em cada direção, fechando um perímetro quadrado envolta da base – eram apenas uma, das novas construções que o local teve depois do ataque da Baem três anos atrás. Portões de ferro, portas blindadas, torres de vigilância, segurança a laser... Tudo adquirido para fortalecer o perímetro que se mostrou fácil de invadir.

Suspirando, subiu as longas escadas caracóis do local.

Era uma torre de dez andares, com faróis no alto e sirenes potentes de alerta. Tal como um telefone particular com linha direta a uma das outras torres, e a sala do comandante do exército.

Subiu, degrau por degrau Jeongguk foi subindo até que no topo. O local era cercado por um muro que chegava a altura de seu quadril, com o tamanho de três por dois metros quadrados, e lhe dava uma visão maravilhosa, porém tediosa de tudo.

Posicionou uma das armas no muro, e inclinou-se sobre ele, fazendo o que lhe foi mandado; observar.

Não gostava de pegar no sono enquanto não estivesse em sua cama, não sentia-se bem e os pesadelos sempre vinham o atormentar. Era irritante.

Odiava viver daquela forma, mas havia feito uma promessa a si mesmo de que cumpriria sua pena. Taehyung estava cumprindo, todos os outros também, então ele também cumpriria. Mas foi difícil, fora horrível nos primeiros dias.

Voltar à normalidade, dormir em um alojamento com outras pessoas era impossível, acordava gritando, chegava a passar quatro dias sem dormir por conta do medo de alguém de repente o matar, de Bogum aparecer, Yuta aparecer, qualquer outro retornar dos mortos e o esfaquear no meio da noite.

Era acima de tudo, aterrorizante, então por ordens dos médicos que o tratavam, Jeongguk recebeu a carta de admissão que o permitia ir para casa aos fins de semana; para a casa de Taehyung que estava no seu nome.

Dormia em um quarto afastado dos demais ao longo da semana, o que gerava uma série de implicâncias para cima de si, só sendo interrompidas quando Jungwoo interviu ao agredir três recrutas que amedrontavam o moreno. Os ex membros da Baem cuidaram de si, principalmente Luhan, que fora consigo nas primeiras vezes até a casa de Taehyung, o ajudou a limpar a sujeira, jogar as comidas vencidas fora, trocar os lençóis e comprar roupas novas para Jeongguk, deixando algumas de Taehyung dentro de uma caixa para que as de Jeongguk coubessem no guarda-roupa.

Por mais que não fosse muito aconselhável, nos dois primeiros fins de semana, Luhan contou histórias de missões da Baem para o moreno, ocultando as partes mais pesadas e dando ênfase nos momentos notáveis de liderança do capitão.

Por mais que o mais novo não fosse admitir, Luhan percebia algumas roupas de Taehyung que foram remexidas, e também percebia como o garoto às vezes cheirava como ele... Usava seus perfumes, seus shampoos, seus sabonetes... Todas as marcas que Taehyung usava, Jeongguk estava passando a usar, e até mesmo as roupas, que às vezes apareciam lavadas por conta do moreno que havia usado.

Todavia, caso o chinês perguntasse ao mais novo, o que ele sentia, o garoto apenas dizia que não sentia nada, que havia superado o Kim e iria embora assim que seus três anos acabassem. Arrumaria um emprego e iria passar a morar em Busan, ou Daegu, iria para longe dali...

Mas Jeongguk sabia que mentia fortemente, ele sabia que estava buscando meios de enganar a si mesmo, e olhando as montanhas à distância, e o campo vasto do outro lado, o moreno sentia o ar melancólico se apossar de si, assim como o medo de que forma reagiria quando Taehyung chegasse finalmente à base.

Contudo, Jeon Jeongguk não esperava que aquele encontro fosse acontecer naquele exato momento, o garoto não reparou quando passos começaram a ser executados à medida que o corpo do castanho subia os degraus, ele não percebeu quando Taehyung já estava ali, parado no início daquele lugar enquanto ele estava de costas.

Jeon Jeongguk precisou de um minuto de paz, olhando a paisagem antes de virar seu corpo de forma preguiçosa e sentir o coração parando assim que viu a figura do Kim a sua frente.

Nada no mundo poderia prepará-lo para aquilo.

Nenhum treinamento seria o suficiente para que controlasse todo o turbilhão de coisas que estava sentindo naquele momento.

A respiração estava pesada, nada entrava pelo seu nariz, e logo sua boca teve que fazer o trabalho de mantê-lo vivo, sugando o ar com força e rapidez. Suas pernas bambas não conseguiam sair do local, estava atordoado demais, perturbado demais, Taehyung sempre conseguia tirar sua paz.

O outro também não se movia, olhava o moreno dos pés a cabeça, mas não saia do lugar, isso é claro, até Jeongguk dizer as primeiras palavras.

— Ca-capitão – levantou o braço, batendo uma continência desajeitada, a pior de sua vida.

Talvez fosse a voz, a fala, ou os sentimentos nos olhos do garoto, mas alguma coisa naquele gesto enviou toda a descarga elétrica que o corpo de Taehyung parecia precisar e o fez caminha apressado até o garoto de fios pretos.

Jeongguk sentia o coração falhar, ao mesmo tempo em que parecia explodir de tão rápido que estava batendo, era assustador. Sua barriga subia e descia à medida que a respiração ficava mais desregulada por conta dos passos do mais velho que o aproximavam cada vez mais de si.

Em questão de segundos, os dois corpos já estavam a apenas centímetros de distância um do outro. Taehyung levou suas duas mãos até o rosto do garoto, o acariciando de forma pouco delicada, deslizando seus dedos pela pele pálida de suas bochechas, até a nuca.

— Por favor, me diz que isso não é mais um sonho que eu estou tendo na cela da prisão – proferiu baixo, apertando ainda mais a pele alheia, revistando o rosto de Jeongguk com seus olhos, parecendo fotografa-lo, analisá-lo para que nunca se esquecesse daquela face.

Uma das mãos grandes foi para a nuca do mais novo, o puxando com força para que o mesmo enterrasse sua cabeça na curvatura do pescoço do Kim, deixando que sua outra mão fosse para as costas do garoto, o puxando com força também no outro local, o aproximando o máximo possível.

— Eu senti a sua falta – confessou em um sussurro –, eu senti muito a sua falta.

Jeongguk fechou os olhos, aceitando todo aquele aperto em seu corpo, aceitando o cheiro do Kim invadindo seu nariz, aceitando sentir seu coração entrar em colapso mais uma vez por conta de Taehyung.

Mas tudo aquilo não durou, não tinha como durar quando a mente do moreno gritava para que ele saísse correndo dali, gritava para que ele se afastasse daquele perigo que era gostar do Kim, se afastasse do homem que amava por conta das coisas que aquele amor havia trago para si, e foi isso que Jeongguk fez.

Mordendo os lábios enquanto deixava as primeiras lágrimas caírem, juntou forças em suas mãos e afastou o corpo do mais velho do seu, o empurrando e vendo o semblante magoado e confuso do Kim estampado em seu rosto.

Ele estava transparente demais. Jeongguk nunca foi capaz de lê-lo com perfeição e estava fazendo exatamente aquilo naquele momento, mas não podia aproveitar, tinha que sair dali ou sabia que ia entrar em outra crise.

— Me desculpa, senhor! – E ignorando sua arma em cima do muro, ignorando as ordens do sargento Jisoo e ignorando o homem que incendiava seu coração, Jeongguk correu para longe dali.

Para longe dos problemas que sabia que precisava enfrentar, mas torcia para que tivesse tido tempo para fugir ou ao menos se preparar.

Sentia-se como um covarde, mas nada poderia fazer sobre aquilo.

[...]

—Você viu? – Uma voz próxima de si na mesa do refeitório perguntou para outro garoto. Jeongguk conhecia muito bem aquele dois.

Jihan e Yoonhoon.

Jeongguk não nutria nenhum sentimento bom pelos dois garotos que apesar de não terem apanhado por Jungwoo como outros garotos que agora ignoravam a existência do moreno, Jihan e Yoonhoon ainda pegava no seu pé as vezes, os dois ainda cismavam em lhe dizer coisas desagradáveis.

— O que? O que houve? – Yoonhoon perguntou curioso.

— O capitão Taehyung voltou hoje – contou empolgado, mal se dando conta de Jeongguk começando a ficar paralisado próximo dos dois.

 — A Baem saiu em missão, não é? – Perguntou estreitando os olhos – será que ele vai treinar a gente em algum momento?

— Torço para que sim – comentou sorrindo –, adoraria um treinamento especial com ele. – O tom malicioso era evidente, o que deixou Jeongguk enjoado.

Parecia que o moreno tinha voltado aos seus primeiros dias no exército, onde apenas por ouvir o nome do Kim, todo o corpo do garoto paralisava, mas diferente de anos atrás, Jeongguk agora chorava também, ele também deixava as lágrimas escorrerem, o moreno sentia seu coração apertando, ele se esforçava, sabia que sim, mas nunca parecia ser o suficiente, as lágrimas ainda voltavam a escorrer.

— Podíamos conversar com o nosso tenente e pedir para ele deixar o Capitão nos dar umas aulas particulares – Yoonhoon entrou na provocação, distribuindo sorrisos maliciosos para os amigos, e sendo acompanho por Jihan e outros dois garotos.

Nenhum deles sabia sobre o antigo envolvimento da Baem com Jeongguk, nenhum deles cogitava imaginar que o moreno sentado ao lado deles havia participado da invasão de três anos atrás. Qualquer informação sobre Jeongguk era altamente secreta, e o garoto também não fazia questão alguma de informar.

Luhan e Jungwoo que se mantinham mais próximos de si, mas eles costumavam ajuda-lo em segredo, até porque dar muitas ajudas ao moreno apenas fazia com que ele ganhasse atenção indesejada e ai começavam mais provocações.

— E você Jeonzinho, quer tentar se aproximar de outra pessoa importante aqui dentro? – Jihan perguntou abrindo um largo sorriso enquanto cutucava de leve o ombro do garoto.

Jeongguk apenas ignorou, levando outra colher de arroz a boca.

— Acho que ele não quer competi-

A fala de Yoonhoon foi interrompida pelo mesmo assim que como todas as conversas paralelas dentro daquele refeitório. Todos se calaram diante da presença de Taehyung completamente fardado, segurando uma bandeja preta assim como as demais.

O barulho que as botas do castanho faziam no chão ecoava por todo o local, e apenas Jeongguk engoliu em seco quando o capitão parou a sua frente, sentando-se e não tirando os olhos de si.

Era desconfortável demais, era horrível, Jeongguk sentia vontade de vomitar tudo que tinha comido, mas se manteve firme, tentando ignorar aquele olhar feroz que o mais velho lhe lançava. Tentando ignorar os olhares questionadores que também recebia dos demais, afinal, Taehyung comia sem nem tirar os olhos de si.

E aquilo era mais do que óbvio para todos, de que havia algum interesse ali.

Mas era coisa demais na mente do moreno, era coisa demais em sua mente e seu coração, então Jeongguk apenas se levantou e saiu dali.

E assim foi quando Jeongguk foi jantar, em seu treinamento, em todos os momentos daquele dia, Taehyung praticamente o seguiu e o ficou encarando de forma penetrante.

Todavia, no segundo dia, Jeongguk não viu Taehyung, nem no terceiro. Jeongguk não viu o castanho em nenhum dos três dias antes do fim de semana, mas ele sabia que o Kim estava na Base militar, sabia que ele estava ali, mas era como se depois do primeiro dia ele estivesse dando espaço para o mais novo, ou simplesmente o ignorando.

No quarto dia, o pelotão de Jeongguk havia sido chamado para outro treinamento naquela semana, e assim que chegou ao terreno junto com os outros rapazes devidamente vestidos, foram instruídos  a colocarem vários cintos de segurança e cabos de aço.

O treinamento daquele dia se consistia em todos subirem em uma estrutura alta de madeira e ferro de quase três andares e descerem por meio de uma corda e atravessariam uma das janelas preparadas. Seriam avaliados pela sua velocidade, pelo nível da habilidade em conseguir quebrar a janela, se soltar da corda e sacar a arma ao mesmo tempo, já estando pronto para qualquer combate que pudesse ocorrer.

Jeongguk seria o terceiro a saltar, então logo foi vestir sua própria roupa, ajeitando os equipamentos e começando a subir as escadas de madeira até o andar onde teria que saltar e deslizar pela corda de quase vinte metros que descia por um colina alta cujo a parede artificial já estava posta e a janela de vidro preparada.

O primeiro foi, Sungjoon.

O segundo também foi, Seokwon.

Os dois foram bons, conseguiram fazer as coisas de acordo com o exigido e o tempo executado havia sido dentro do limite. A pressão crescia dentro do corpo pálido e atlético do moreno.

Suspirou e preparou as cordas como foi orientado, respirando fundo antes de ver a visão que menos esperava outra vez. Taehyung parado com uma prancheta na mão, olhando para o alto, esperando o salto de Jeongguk.

O garoto não entendia como não havia percebido antes, mas era o Kim que estava avaliando, e devido aquilo, o garoto quis ainda mais se sair bem.

E ele se saiu, esfregou os pés no chão, e deslizou, segurando com firmeza a corda, sentindo o vento forte bater contra seu rosto descoberto. Foi rápido, em sua cabeça vinte metros parecia muita coisa, mas não era, pareceu durar apenas dois segundos, porque logo que viu a janela se aproximando, preparou-se para soltar dos cabos.

Preparou-se para pegar a arma, e assim que usou as pernas para chutar o vidro da janela, soltou o cabo e rolou pelo colchão forrado do outro lado, segurando a arma com força e suspirando fortemente quando enfim parou posicionado, assim como era exigido; preparado para qualquer coisa.

— Foi muito bom Jeongguk – Taehyung comentou brevemente enquanto anotava as notas.

O moreno não disse nada, curvou-se batendo continência em seguida, saindo com a cabeça abaixada para tirar todos os equipamentos que estava preso em si, e devolver a arma que tinham lhe entregado.

Quando sexta chegou, Jeongguk se viu ansioso para o anoitecer e poder ir para sua casa, poder passar o fim de semana longe daquele universo do exército, e apenas voltar na segunda para ser enfim liberado de sua pena para com o governo.

Foi ansioso para casa, se pudesse correr, teria feito, mas optou por pegar um táxi. Não usava a moto que era de Taehyung, nunca aprendeu a dirigir, então o veiculo apenas acumulava poeira na garagem.

— Obrigado – disse assim que entregou o dinheiro para o motorista e saiu do carro, segurando sua mochila e entrando em casa, caminhando apressado até o banheiro a fim de tomar um longo banho quente.

Saiu do banheiro e vestiu um conjunto de moletom, caminhando até a cozinha e começando a cozinhar um simples rámen para si.

Mas Jeongguk apenas se esqueceu de um detalhe, ele havia se esquecido que Taehyung também morava ali antes de si, que também possuía uma chave da casa, então seus olhos triplicaram de tamanho assim que viu o castanho abrir e passar pela porta, lhe encarando com pesar.

Era uma situação completamente angustiante ver Taehyung passando por si, caminhar até o quarto em que dormia, pegar uma muda de roupa e ir até o banheiro.

Queria chorar outra vez, mas apenas comeu a comida o mais depressa possível, ignorando o quão quente ela estava, ignorando o enjoo em sua barriga, ignorando diversas coisas, ignorando o barulho do chuveiro que saia de dentro do banheiro.

Levantou-se e começou a lavar o pote enquanto tentava não deixar as mãos tremulas evidente.

O chuveiro fechou e logo a figura de Taehyung entrou no local.

— Eu não sei o que dizer a você, - falou baixo deixando as pernas de Jeongguk mais moles ainda. – eu realmente não sei o que te falar, eu sei que você sai do exército na segunda feira. Mas não sei se vai continuar morando aqui, não sei sobre o que você está sentindo. – Chutou a poltrona com força, arrancando um gemido baixo pelo choro do mais novo. – Me desculpa, mas eu não quero continuar olhando para você se você não sente o mesmo que eu.

Apertando os olhos, Jeongguk fechou os olhos com força, apertando a bancada da pia antes de se virar e encarar Taehyung com o olhar sério, ele estava com o cabelo molhado, a pele úmida, e estava mais bonito do que antigamente.

O Kim lhe olhava com raiva.

—Eu não vou conseguir fazer isso, isso eu não consigo Jeongguk – admitiu cerrando os punhos.

Mas o moreno não disse nada, Jeongguk poderia listar as diversas coisas que sentia ou sentiu por Taehyung. Poderia dizer tudo que havia lhe atraído no homem de vinte e nove anos a sua frente. Poderia gritar para todos cada uma das coisas que o Kim fazia que lhe deixava ainda mais apaixonado.

Todavia, naquele momento, Jeongguk apenas sentia seu coração doer como no dia que Luhan disse que Taehyung iria ser preso.

Jeongguk apenas queria se esquecer de cada sentimento que sentiu.

Então com as mãos ainda molhadas, suspirou forte antes de caminhar até dentro do quarto e se trancar lá dentro, jogando-se na cama e começando a chorar.

— Nós precisamos resolver isso Jeongguk – Taehyung gritou do outro lado da porta, batendo na madeira com certa força. – Nós não podemos dividir a casa assim!

A porta se abriu as pressas.

— Porque não? Não era isso que você tinha me prometido? Você não disse que íamos morar juntos depois daquela merda de missão? – Empurrou com força o peito do mais velho. – Você não pode fazer essas coisas comigo! Você não pode chegar onde eu estou de vigia, não pode tocar em mim! Você não tem essa permissão só porque é o capitão! – Continuou a empurrar o homem até que o mesmo já estivesse contra a parede, lhe encarando com o maxilar trincado, e Jeongguk chorava, chorava como sempre fazia desde a invasão de três anos atrás. Ele sempre estava chorando.

Não conseguia mais controlar as próprias explosões emocionais, nem mesmo com ajuda.

— Então eu me afasto de você.

— Você já vai ter que fazer isso! – Esbravejou batendo outra vez no peito do mais velho. – Eu já vou sair daquela merda, você não entende? Mas você vai continuar! Porque você não sente nada! Você já esta acostumado com mortes! Você é um fodido imbecil que não se importa com ninguém! Você me deu tudo, - socou com força o peito alheio, bem em cima da tatuagem que sempre lhe deixava excitado – mas você não ficou comigo como disse que ia ficar! Eu chorei sozinho, eu comi sozinho, eu dormir sozinho, eu sofri com os pesadelos daquele dia todos os dias sozinho! Porque você não estava aqui! – Se afastou passando as mãos no rosto com raiva – isso não era você – jogou um abajur ao lado do corpo de Taehyung, fazendo com que o objeto se quebrasse assim que se chocou contra a parede.

Jogou um sapato, uma almofada...

— Isso não era você! As porras das suas roupas não eram você! Essa casa e a merda da sua moto não eram você! – Gritou antes de chutar uma cadeira – a porra do psicólogo não era você Taehyung! Ninguém era você, nada era você, você não estava em lugar nenhum, você não estava comigo como disse que ia ficar! E você não pode me olhar caso eu não sinta o mesmo? Eu estou destruído! Você me destruiu com aquelas merdas de missão! Eu odiava aquilo! Eu odiava tudo aquilo, odiava me sentir tão fraco, mas eu amava você! Eu amava te ver agindo, eu amava ver você, amava estar com você, e eu me enganava, buscando motivos para continuar quando na verdade eu odiava, mas você não se importa, porque você me usou e assim que tudo foi resolvido você foi embora! – Chutou outra cadeira. – E eu fiquei sozinho somente com todas essas lembranças.

Sentou-se no sofá, afundando seu corpo no estofado e escondendo o rosto em suas mãos.

— Desculpa.

— Desculpa? – Levantou a cabeça, lhe olhando incrédulo com seu rosto avermelhado.

— O que você quer que eu diga, Jeongguk?

— Vai se foder Taehyung! – Jogou outra almofada no homem.

Nem conseguia mais definir o sentimento que estava sentindo naquele momento. Jeongguk apenas queria se livrar da irritação que o estava fazendo por todas aquelas coisas para fora.

— Eu odeio você! Eu te odeio! Eu odeio o que você fez comigo! Eu odeio todos esses traumas que eu tenho por sua causa! Odeio você pôr o exército acima de tudo e foder todo mundo no processo!

— Eu saio.

— O que? – estreitou as sobrancelhas.

— Eu saio do exército – sussurrou ainda lhe encarando com os punhos cerrados.

Jeongguk engoliu em seco, perplexo.

— Eu viro mecânico, eu viro treinador de luta, pedreiro, vendedor, eu faço faculdade de direito e viro advogado... Eu saio – deu os ombros de forma simples demais, caminhando até si. – Eu largo a Baem e fico com você agora.

Jeongguk tentou balbuciar qualquer coisa, tentou dizer qualquer coisa, tentou fazer com que sua voz saísse, mas fora impossível, não fazia ideia do que pensar para poder falar alguma coisa.

Estava perdido.

— Me diz o que você quer, eu largo tudo dessa vez, eu recuso tudo, eu fico apenas com você, eu também estou cansado – admitiu baixo, levando uma das mãos amorenadas para o rosto pálido e em choque. – Vinte e nove anos de vida. Praticamente vinte e cinco anos no exército também. Mais de duzentas missões. São números demais, mas, eu tenho apenas uma chance de estar com você. Uma vida que eu posso ter com você. É apenas uma. Um número muito baixo, mas eu quero arriscar.

— O- o que v- você está querendo dizer?

— Eu quero dizer que eu já fiz muito pelo meu país, muito pelo exército, e agora eu tenho que fazer algo por você.

Jeongguk levantou-se bruscamente, ficando de pé e o encarando enquanto tentava conter mais lágrimas.

— Agora? Somente agora que você percebeu isso? – Jeongguk perguntou baixo.

Taehyung levantou-se, pegando as duas mãos do garoto.

— Me diga agora, você realmente me odeia? Realmente esse é o seu sentimento por mim? – Puxou o garoto de forma calma, juntando os dois corpos.

— Eu amo você – confessou abaixando a cabeça –, mas eu odeio te amar. Parece ser doentio, tóxico... E eu tenho medo.

— Por um momento realmente foi – confessou – mas não vai ser mais, passei três anos aprendendo sobre isso, eu acho que sei o que fazer agora.

— Acha? – Perguntou receoso, com uma grande incerteza nos olhos.

— Me deixe tentar, mas me diga o que você sente.

—Eu já disse, eu amo você, mas não gosto de te amar – admitiu outra vez.

— Ótimo, porque eu te amo, e aceito o desafio te fazer você voltar a gostar de me amar – confessou pela primeira vez, com todas as palavras o que sentia pelo mais novo que arregalou os olhos. – Me diz o que você quer, o que você quer pra nossa vida?

— Pra amar você de verdade, eu tenho que amar até os defeitos e as coisas que eu não gosto, o exército faz parte de você e eu tenho que aprender a te amar por completo, e eu quero que você faça o mesmo – falou baixo as palavras que já foram ditas para lhe dar conforto em outro tempo, mas agora soltou em um resmungo fraco enquanto fungava e sentia o Kim entrelaçando seus dedos nos dele.

— Tudo bem – concordou baixo, balançando a cabeça e abraçando o corpo do mais novo.

— Vamos com calma dessa vez, por favor. Sem ser apenas sexo, sem ser apenas prazer, por favor, eu quero só te amar sem tiros, ou sem gemidos, apenas nós dois – pediu baixo, enterrando seu rosto no peito do mais velho, contornando seus braços ao redor da cintura amorenada do outro, apertando-o com força.

— Tudo bem, vamos com calma, eu vou estar com você agora, eu prometo, vou ouvir você e mudar sobre tudo o que você me disse – sussurrou segundos antes de pegar o moreno no colo, caminhando com o mesmo até o quarto, deitando-o na cama e abraçando de lado, sentindo o cheiro do garoto que passou horas de seus dias na prisão ansiando por ver.

— Isso é tão estranho – Jeongguk admitiu baixo. – Parece que falta algo, são algumas perguntas sem respostas ainda.

Taehyung sorriu antes de virar o corpo do garoto para que ele ficasse de frente para si, e logo o beijou ternamente.

Nem sempre temos respostas para tudo, a vida não é feita para nos agradar, não somos um conto fantasioso que uma pessoa escreve para agradar as outras, somos reais – sussurrou levando a mão até a cintura do garoto, o puxando e deixando que a outra mão fosse até a parte de trás da coxa do mais novo, fazendo com que a perna dele se levantasse e contornasse de leve sua cintura. – Não existe final feliz Jeongguk. Mas vivemos nossa vida da melhor forma que conseguimos.

— Eu tenho medo – admitiu.

— Eu vou proteger você. Nada vai acontecer com você, eu prometo,  eu vou ter poder o suficiente para nunca deixar que nada ocorra contigo – selou a testa do rapaz, deixando que ele grudasse ainda mais em si. – Eu amo você.

— Eu também amo você.

Brasil, local desconhecido.

Tempo atual. Uma hora depois de Taehyung chegar em casa.

— E então, deu tudo certo? – Seokjin perguntou baixo, colocando o corpo de uísque em cima da mesa de vidro no centro da sala do hotel.

— Até agora, está tudo conforme os planos dele – a voz de Hoseok se fez presente sorrindo.

O garoto com os cabelos cor de fogo jogava dardos tranquilamente, despreocupado com os dois homens próximos de si, tinha chegado ao Brasil há quase dois anos, desde que se estabeleceu em Busan, e conseguiu abrigo lá, tal como a mensagem daquele dispositivo informava.

“Para Hoseok, ou Baekhyun, sigo em direção à morte de forma plena, ficando onde sempre quis ao observar vocês como gaivotas atentas. Confio em vocês, meus peixinhos dourados.”

No mesmo momento Hoseok havia entendido o recado.

Ele deveria ir para Busan, para a rua cujo nome se chamava Pequenos Peixes, que ficava Namcheon, cede da casa dos Jeon em Busan. E para lá ele fugiu assim que a situação da Base Militar se acalmou.

— Ainda não consigo acreditar que você planejou isso, é assustador, de qualquer forma – Seokjin murmurou ajeitando-se na poltrona. – São tantas partes que eu não entendo, muitas coisas que eu não compreendi como funcionaram...

— Funcionaram porque ele sabe o que faz – Hoseok deu os ombros, sorrindo fraco, – eu fico chocado que você tenha sido inocentado tão facilmente pelo exército – olhou para Seokjin.

— Com Taehyung preso e o resto da Baem sem poder, ficou fácil me libertarem, eles não possuíam muitas provas concretas, sabe? – Deu os ombros sorrindo brevemente antes de se levantar e ficar os dois homens ali.

— Só lamento a morte de Baekhyun, era mesmo necessário? – Olhou para o outro homem sentado na sala, digitando em seu notebook.

— Você precisava sofrer baixas, total êxito em algo é impossível, sempre acontecem coisas ruins, e Baekhyun foi útil, mas era apenas um peão que precisava morrer, assim como todos os outros.

— Jeongguk foi outro peão? – Seokjin perguntou baixo.

— Não, Jeongguk diferente da família Jeon e da Taka, junto com os Nakamoto e Park Bogum que foram peões, todos com os passos contados e manipulados, ele era uma peça importante, no começo era apenas uma peça de sacrifício, mas ele é capaz de levar nossa rainha a vitória.

— Não estou feliz com quem é essa rainha – Hoseok resmungou antes de virar um copo de uísque, sentindo a bebida descer quente por sua garganta.

— A rainha é capaz de fazer coisas grandes pela Coréia, e ele é o escolhido – Seungcheol contou revirando os olhos. – Todo o jogo feito por ele, é para que Taehyung comande o exército.

— Mas por quê? Porque ele? – Seokjin perguntou em tom alto, irritado.

— Porque eu quis – uma voz saiu do aparelho no colo de Seungcheol que logo virou a tela para que Hoseok e Seokjin o olhassem também. – Taehyung é o único capaz de fazer coisas grandes e evoluir nosso país, eu observei todo o treinamento intenso dele, fiz questão de presenciar toda a experiência para ver se ele é realmente o qualificado para isso, e ele conseguiu, conseguiu superar todas as expectativas que colocamos nele.

— Mas ele não matou o Bogum! Ele hesitou! – Hoseok questionou. – Jeongguk era apenas uma peça de sacrifício, e era para ele ter morrido, era para o Taehyung sacrificar o garoto e salvar a Coréia, mas ele não o fez.

— Um resultado com 99% de sucesso, não anula os outros 100% - a voz no computador afirmou calmo.

— Então tudo isso era realmente apenas para preparar o Taehyung para ser comandante do exército? – Seokjin perguntou. –O senhor mentiu sobre os pais dele, mentiu sobre o parentesco dele com o Jang Jun-Kyu, usando isso para ele ter mais vantagens no treinamento, tudo isso foi apenas para que ele estivesse preparado e fosse uma arma ambulante? Capaz de fazer tudo? O senhor fez tudo para que ele fosse o melhor? Somente para que seu filho, Kim Taehyung, fosse o melhor dos melhores?

— Sim. Meu filho será o melhor soldado e comandante de todos que já existiram  antes dele – Kim Namjoon respondeu sério enquanto olhava para os homens do outro lado da tela. – Essa era a última missão que eu queria cumprir.

— Inacreditável – Hoseok bufou – tudo isso para engrandecer seu filho que pode jogar tudo a perder por aquele garoto.

— Todos nós corremos riscos, e eu escolhi correr esse. Mas aparentemente, Taehyung venceu o jogo.

— Não temos certeza disso – Seokjin falou baixo.

 

— Eu confio que ele fará o certo. Ele protegerá a Coréia do Sul.


Notas Finais


Se você chegou até aqui, obrigada <3
Eu não sei muito o que dizer aqui para agradecer porque não há palavras suficientes para isso, mas eu queria que o final estivesse melhor porque vocês merecem, eu queria que a fic tivesse ficado melhor também, mas estou feliz com esse resultado final.
Obrigada de verdade por cada carinho e apoio que vocês deram a mim e a fanfic, obrigada de verdade por cada palavra de incentivo...
Obrigada a minha marida porque sem ela Baem não existiria, obrigada a MinMin por ter me aconselhado e orientado muito, obrigada a Thais por ter divulgado a fic, por ter amado e ter sido a maior Stan do Taehyung.
Eu não sei muito o que dizer, de verdade kkkkkkk mas nossa, muito obrigada de verdade a todos vocês <3


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