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História Bakugan - Nova Vestroia - Capítulo 8


Escrita por: SpiderOver

Capítulo 8 - Estresse



   Tudo encontra-se em escuridão.



   Nenhum som é audível.



   Nenhuma sensação é palpável.



   Um pequeno ponto branco começara a tomar conta da completa escuridão como se uma luz o final do túnel se aproximasse, trazendo de volta a si uma turva visão de um concentrada parte do lugar ao seu redor. A luz e a escuridão constantemente revertem seus lugares como se o interruptor de uma lâmpada fosse incessantemente desligada e ligada, redefinindo ou embaçando mais a imagem que tivera. 

   É um deserto montanhoso no meio da noite.

   Areia e terra ásperas e quentes cercam seu olhar, grudando em suas mãos e rosto. Múltiplos pedregulhos desabados, amontoados e quase esfarelados cercam um lugar onde o cheiro insuportável e tóxico de queimado espalhara-se visivelmente em fumaça negra e entra em seu organismo, deixando-o tonto e enjoado. Uma densa nuvem de poeira eletrificada passa junto a tal fumaça, inibindo a visão dos arredores com cerca de dez metros e dando leves choques. Além de tudo, um molhado, forte e frio vento passara ao oeste como um sopro ondulado e gritante, enfraquecendo-se e fortalecendo-se.

   A única coisa que consegue é olhar. Para o ambiente e para si próprio.

   Seu corpo está caído de barriga para baixo do chão. Suas mãos estão vermelhas, levemente feridas e queimadas. Parte de suas vestes laranjas encontram-se negras, rasgadas e furadas, com ampla fumaça e o mesmo cheiro queimado do ambiente vindo destas. Seu aparelho Gauntlet está eletrificado e defeituoso, com faíscas saindo de sua tela digital que pisca. Estar com tal veste aumenta seu calor, sendo insustentável estar com ele.

   Tentando movimentar seu corpo, nada acontece.

   Seus braços, pernas, cabeça, até mesmo a ponta de seus dedos. Nada se movera. Seu corpo parece desligado ao seu cérebro. Suas sensações mostram-se inexistentes. Nem mesmo a dor destes machucados ou queimaduras, ou o frio são perceptíveis.



   "Vulcan...! Hexados...! Eu não acredito que perdi...!"



   Sua voz saíra. De um jeito fraco, rouco, escorado, dolorido.

   Traumatizado.

   Lembranças involuntárias passam-se por sua mente como fotografias nítidas. Estas são do ocorrido de anteriormente. Uma batalha ensurdecedora. Ofensas, ataques e discórdia foram trocadas. O caos, a violência e a destruição reinaram por minutos que se assemelhavam a horas em Nova Vestroia. Um ataque foi a maior diferença entre o resultado desejado e o eminente.

   Uma Tripla Habilidade.

   Uma imagem borrada surgira em meio a poeira eletrificada. Um vulto. Definindo-se a cada segundo que se passa enquanto aproxima-se. É como se uma chama caminhasse até si.

   É exatamente isso.

   Quando aproximada, tudo que vera é uma intensa, grande e densa chama estalando, sendo tão negra do que qualquer escuridão que presenciara em toda sua vida. Nada vem desta. O calor forte que normalmente viria de qualquer tipo de fogo não é sentida por tal mesmo estando literalmente a dez centímetros de seu rosto. Esta não queimara nada, nem mesmo o segmento de chão da qual seguiu até este lugar em específico.

   De dentro desta tal chama negra são expelidas duas coisas dentro de si, quicando pelo chão e batendo em seu rosto. Estas são imediatamente reconhecidas. São seus Bakugan do Atributo SubTerra - tanto seu parceiro original Premo Vulcan quanto seu parceiro auxiliar Trap Hexados - porém em vez de ter seus detalhes definidos e sua coloração original em suas formas de brinquedo, ambos os Bakugan estão completamente negros e carbonizados. O cheiro de queimado e a fumaça do ambiente também saem destes.



   "Você... Não sairá impune... De tudo isso...!! O Mestre Spectra e o Helios vão... Me vingar e aos outros Vexos... Que derrotar!!"


   "Seu 'Mestre', seu Bakugan ou qualquer um que entrar em nosso caminho podem tentar o quanto quiserem. A derrota estará os esperando."


   Uma voz masculina saíra dessa chama negra. Uma que ecoa pela sua densa, imensa e infinita profundidade, dividida entre dois tons. O tom fino e o grosso. O calmo e o alterado. O pacífico e o furioso.



   "A-Acha mesmo que... Pode derrotá-los...?!"



   Essa chama aproximara mais de si, retorcendo-se como se estivesse curvando-se e pairando em frente ao seu rosto. Mesmo de tão perto, nenhum som de estalo ou a sensação do calor é existente. 

   Ao olhar diretamente para a escuridão, algo em seu cérebro ligara como um estalar de dedos. Suas sensações e sentimentos antes inexistentes. Cada centímetro e articulação de seu corpo começara a doer, pinicar, tremer e arder descomunalmente. A sensação é como se seu corpo inteiro estivesse sendo eletrocutado enquanto é queimado e congelado simultaneamente. Agora é sua voz que não saíra de sua garganta, sendo incapaz de expressar sua dor através do som. Porém sua feição é quem assume essa função.

   Um único sentimento é atrelado a tudo.

   Medo.



   "Isso foi apenas a metade do nosso poder. Do Verdadeiro Poder que tanto mencionou em batalha. Os Vexos conhecerão apenas essa parte, mas estarei guardando para Spectra Phantom e mais uma pessoa os 100 por cento... Caso não sumam de Nova Vestroia a partir de hoje. Esse é o meu primeiro, único e último aviso."



   Essa voz sussurrada em seu ouvido direito e a completa escuridão são as últimas coisas que presenciara antes das sensações e sentimentos que uma vez ligaram em seu cérebro serem desligadas novamente. Sua visão voltara a ficar turva e escura. Seu corpo já não sentira mais dor, ficando flácido e fraco a cada lento segundo.



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   Uma densa, negra e flamejante aura cercara o corpo inteiro de Kuro como fogo que não o queimara e nem transmitira calor para si, mas inibira completamente o vento frio tornando-o inexistente. O rapaz de cabelos negros encontrara-se ajoelhado na frente de Gus Grav, o Guerreiro Vexos SubTerra e seu oponente anterior que acabara de ter seus olhos lentamente fechados, além de seus Bakugan SubTerra carbonizados porém inteiros.

   Ele levara sua mão direita ao pescoço dos Vexos, pressionando-o entre ela e a mandíbula pelo lado direito com seus dedos indicador e médio.

   Há pulso. Um fraco e lento. Essa é a confirmação de que ainda está vivo. Que apenas está desmaiado.

   Kuro movera sua mão esquerda, fazendo com que a Lâmina de Batalha que uma vez utilizou no mesmo dia apareça na ponta de seu Gauntlet, com ele pegando o inutilizado e eletrificado aparelho daquele que fora seu oponente, perdurando-o no meio e fatiando-o diagonalmente em seguida.

   Isso cai no chão sem mais chance alguma de reparo ou uso, com o rapaz levantando-se e afastando-se do Guerreiro Vexos, seguindo um rumo desconhecido de volta à densa nuvem de poeira. Ao adentrá-la, um leve tremor é sentido por seus pés e em seguida por seu corpo, além do vento começar a fluir horizontalmente, gradativamente tornando-se intensos a medida em que se aproxima de um ponto em específico. 

   Um ponto em que se encaminhara caminhando normalmente. É como se aproximasse de um intenso turbilhão.

   Encaminhando-se ao seu epicentro, o rapaz avistara a destruição em que o local se encontra. O solo está fissurado profundamente como raízes de uma árvore que encontram espaço para crescer, áreas incendiadas e quentes, e junto a tudo isso, uma gigantesca cicatriz em forma de cone separada em duas enormes bifurcações da mesma forma. Tudo levara ao epicentro do caos e da destruição. Um lugar completamente brasado, negro e o mais trêmulo que pode se ver mesmo dentro de um turbilhão de vento, areia e terra.



   Esse centro era Darkus Omega Leonidas.



   O dragão humanoide encontrara-se dentro e exatamente no meio de uma gigantesca cratera fissurada e negra, com uma enorme floresta de chamas negras tão grandes quanto o próprio Bakugan ao seu redor. Seu corpo está encoberto por uma sombria aura de escuridão, sendo as únicas coisas que transpassam tal profundidade são suas tatuagens reluzindo feixes de luz falhas que trocam para vermelho, roxo e um conjunto de cores coloridas como um arco-íris. Suspiros altos podem ser ouvidos, com um líquido transparente saindo dentro dessa escuridão e caindo sob o chão, desintegrando-se quando tocada por tal.

   Grandes pedras flutuam ao seu redor e o tremor nessa área é constante como se chocalhassem o terreno. Ele pula e desliza para dentro da cratera, caminhando em direção ao Bakugan em sua forma original, parando ao seu lado.



   "Leonidas... Vamos embora."


   O rapaz diz essas palavras quase sussurrando e em um tom calmo e desprovido de qualquer sentimento, com duas pequenas luzes douradas e redondas surgindo em meio a total escuridão flamejante, começando lentamente a crescer em tamanho e comprimento. Uma voz masculina em tom estrondoso, furioso, impaciente e triste ecoa de forma tremida por toda a cratera e onde mais pode ser ouvida.



   "Não...! Cê pode ir pra qualquer canto desse mundo, garoto! Eu vou agora... Atrás do resto desses malditos e salvar o resto do pessoal agora mesmo...!! Eles vão pagar pelo que fizeram... Com a Tigrerra...! Com TODO MUNDO!!! E eu vou fazer todo mundo pagar do meu jeito!!!"

   "Isso não é importante. Não vamos ganhar nada indo para qualquer canto agora."



   A fúria, o descontrole, o luto e a exaltação do Bakugan Darkus são totalmente liberadas em um grito estridente e desesperador, com um exclamado e mesclado rugido saindo de sua boca.



   "COMO É QUE CÊ TEM CORAGEM DE FALAR ISSO NA MINHA FRENTE, SEU MOLEQUE ESTÚPIDO, IDIOTA, DESGRAÇADO E INFELIZ DE UM CARALHO????!!!!!"



   O rapaz finalmente é capaz de ver nitidamente o rosto do Bakugan em sua frente, além de sentir o vento forte do rugido que este soltara diretamente em seu rosto, varrendo sua própria aura, movimentando suas roupas e cabelos. Leonidas chora amargamente, com suas lágrimas saindo de seu olhos amplamente abertos e irritados, expressando fúria e dor escritos neles. Ele rangera seus dentes e grunhira de puro ódio, com sua respiração ofegante vindo junto disso.

   O dragão humanoide, em meio ao seu completo descontrole, percebera como seu parceiro humano se encontra, vendo a expressão em seu rosto e como ele está nesse instante. Leonidas percebe rapidamente seu erro e suas palavras, ficando completamente surpreso e evasivo.

--- Ga-Ga-Garoto...!!! Fo-Fo-Foi mal, e-eu não queria di-dizer iss-!!

   Kuro interrompera Leonidas sem dizer palavra alguma. A mão direita do rapaz chega até o focinho do Bakugan, acariciando-o lenta e gentilmente. Um longo e forte suspiro sai de sua boca, com um quente vapor surgindo desta.



   "Não se preocupe com isso. Vamos embora, parceiro. Não vamos ganhar nada de bom continuando aqui."



   Um tremendo, longo e perturbador silêncio passara pelos dois que se olham profundamente nos olhos. Isto dura apenas poucos segundos que parecem ser longas horas, com Leonidas acalmando-se devagar. A aura em escuridão lentamente se esvaíra de seu corpo, com suas tatuagens e seus olhos parando de brilhar. Leonidas os fecha e balança sua cabeça uma única vez em concordância.



   "Gauntlet, desativado."



   A Lâmina de Batalha desaparece sendo retraída. O corpo de Leonidas é envolto por escuridão, retornando a sua forma esférica de brinquedo e pairando sob a mão estendida de Kuro antes encontrada em seu rosto. O turbilhão, a levitação das pedras e o intenso tremor se encerram neste instante, deixando o lugar onde ocorrera a batalha calmo mais uma vez.

   Kuro suspira bem alto, voltando gradualmente a sentir o frio do local enquanto que Deltragon, antes estando no topo de sua cabeça, agora pula para sua mão onde também está Leonidas.



   "Mil desculpas por fazê-lo ver e ouvir todas essas coisas, Deltragon. Leve em consideração como Leonidas está se sentindo e dê um tempo a ele, ok?"


   O rapaz dissera isso ainda em seu tom quase sussurrante, calmo e inexpressivo, olhando para o pterossauro Bakugan Trap que em resposta rugira baixo e batera suas asas para os dois em um certo tom de preocupação.



   "Desculpe... Não consigo se entender. Mas se estiver dizendo o que penso, não. Estou péssimo depois do que aconteceu agora. Só... Vamos embora. Viemos e terminamos nosso objetivo principal e posso acabar vomitando se ficar mais um segundo aqui."



   Ele andara e escalara para fora da cratera, levando seus dois parceiros consigo enquanto anda em outra direção desconhecida. Outro rumo na nuvem de poeira adentro. Algo é avistado em meio a tudo. Sua moto negra. Esta encontra-se inteira, não desmantelada quase que completamente como encontrada outra vez, ainda com os três distintos Bakugan em cima de seu guidão.

   Kuro monta, liga e acelera o veículo, deixando seus Bakugan também no guidão e pilotando-a em alta velocidade, afastando-se da nuvem enorme de poeira eletrificada e da completa destruição causada após curtos segundos. O silêncio, a tensão e o incômodo são extremamente insuportáveis durante o trajeto de volta a floresta. Ninguém falara palavra ou fizera ação alguma além do rapaz em pilotar.

   Muitas horas se passam até o retorno deles da Cidade Alpha até a tal floresta, sendo adentrada pelo rapaz e chegando aonde o rio e a cachoeira se encontram. Ao chegarem, todos são recebidos euforicamente pelos Bakugan que aqui vivem, foram tragos e escondem-se dos Vexos, principalmente seus antigos aliados Ventus Harpus e Haos Tentaclear.

--- Que bom que cê voltaram! A gente tava falando de vocês agorinha!! --- Diz Harpus com um extremo ânimo, euforia, ansiedade ao vê-los se aproximar. --- E aí, como foi naquele lugar que disse que iriam, ahn?! Cês conseguiram?! Conseguiram achar o resto dos Bakugan e os outros?! Fala que sim, por favor!! Por favor, por favor, por favoooooor!!!!!

   Kuro não a respondera. Não com palavras.

   Ao desmontar-se e desligar seu veículo, ele mostra seus parceiros fechados e os três distintos Bakugan em seu guidão. Estes são seus amigos Bakugan e parceiros de batalha Pyrus Fourtress, SubTerra Cycloid e Aquos Sirenoid. Além disso, o rapaz abrira o banco de sua moto, mostrando três casacos verdes amarrados, levemente molhados e fechados como grandes sacos, trazendo-os ao chão e abrindo-os. Ao fazê-lo, ele mostrara a todos muitos Bakugan. Distintos e diversos, em muitas formas mesmo nessas de brinquedo em que se encontram e de todos os Seis Atributos existentes.

--- Vo-Vocês... VOCÊS CONSEGUIRAM MESMO, AHAHAHAHAHA!!! I-ISSO É...!! É-É-É MARAVILHOSO DEMAIS!! --- Comemora Harpus completamente eufórica, feliz e animada ao ver tal cena, rodeando o rapaz e também saltitando por aí aberta em sua forma esférica.

   A euforia torna-se predominante completamente.

   Todos os que aqui estavam comemoram alegremente, voando, correndo ou andando desordenadamente pela floresta ao verem que todos aqueles Bakugan resgatados voltaram para seu lugar de direito: para seu lar. Nova Vestroia. Isso se adequara principalmente a Harpus e Tentaclear, exceto em três destes que aqui se encontram. Nos dois Bakugan Darkus, Leonidas e Deltragon, e em Kuro.

   Uma grande melancolia é expressada no silêncio dos três, com os Bakugan nem se abrindo e permanecendo no guidão. Harpus percebera isso, aproximando-se do rapaz de cabeça baixa.

--- Tá... Tudo bem? Por que vocês tão assim, sem comemorar como todo mundo? --- Questiona a Bakugan Ventus bem curiosa.



   "Vocês nos desculpem por isso, mas... Não estamos querendo comemorar."



--- Por quê? O quê que foi?! --- Persiste ela.


   Chegando mais perto do rosto do rapaz, Harpus percebera o mesmo que Leonidas há um tempo atrás. Isso a deixara muito surpresa.

--- Vo-Você tava... Você tava mesmo...!! O quê que aconteceu quando cês tavam fora daqui, hein?! É alguma coisa com todo e por isso cês tão assim até mesmo você?! Fala, por favor!! O que aconteceu?!! --- Pergunta Harpus ficando completamente preocupada e aflita, olhando diretamente nos olhos do rapaz.



   "Harpus... Pode olhar o Leonidas e o Deltragon para mim, por favor?"



   Kuro a ignorara.

   Ele remove o Gauntlet de seu pulso esquerdo, tirando sua camisa preta e dobrando-a em cima de sua moto, fazendo o mesmo com seus sapatos e meias. Depois, seguira devagar um rumo até o rio por perto onde suas águas não encontram-se correntes como geralmente, mas sim paradas e calmas. Parado na beira do rio com somente a sola de seus pés da metade para trás tocando no solo, o rio é como um grande espelho, refletindo seu próprio reflexo, o ambiente que está ao seu alcance, o oceano noturno estrelado e com nebulosas que os céus se encontram, e uma grande Lua verde não mais tão cheia nesse instante.

   O rapaz fechara seus olhos, deixando a gravidade fazer o resto do percurso por conta própria.



   Seu corpo caíra de lado do rio.



   A água fria envolvera rapidamente seu corpo enquanto afunda lentamente, trazendo silêncio, quietude e paz predominantes em meio ao completo caos em que se encontrara no início da noite. Nenhum pensamento, lembrança ou sentimento passara pela mente de Kuro, nem nenhum movimento é feito por este que aguarda e percebe seu corpo chegar ao fundo, sentindo suas costas entrar em contato com pedras grandes e mais frias que as próprias águas.

   Ele apenas permanece imóvel, não percebendo ou se importando com o tempo passando. Querendo assim.

   Longos minutos que assemelham-se a horas se passam, com a falta de ar finalmente atingindo-o, fazendo-o voltar nadando para a superfície. Ao emergir, automaticamente é palpável o chão e o gramado da beira do rio, com ele emergindo d'água. Seus cabelos médios e negros, seu corpo levemente definido, suas calças e bracelete pretos no pulso esquerdo estão completamente frios e molhados. Um longo, tremido e frio suspiro saíra de sua boca, com um visível ar quente como fumaça vindo desta.

   Kuro seca seu rosto e bagunça seus cabelos com as mãos, tirando sua franja da frente de seus olhos que são lentamente abertos. Sua visão enxerga definidamente o escuro do lugar e cantos intocados pela luz do luar enquanto andara em direção a sua moto. Ele reencontrara todos os Bakugan, Leonidas ainda fechado e Deltragon aberto em cima do guidão. Um ato repentino acontecera.

   Harpus de surpresa surgira voando, agarrando-se na bochecha direita do rapaz como se o abraçasse.

--- O teu parceiro... Me contou tudo que aconteceu. Tudo mesmo. --- Sussurra a Bakugan Ventus em um tom levemente triste e preocupado. --- Devia ter falado logo de uma vez, não ter feito todo esse suspense...!

   Kuro esboça um pequeno sorriso de canto com tal ato, sentindo um leve aperto em seu peito que cresce por seu corpo, porém isso não o impedira de levar sua mão direita até ela acariciá-la com seu polegar em sua forma de brinquedo.



   "Desculpe por te preocupar."

--- Quer conversar direito sobre isso...? --- Pergunta Harpus.

   "Pode ser."


   Ela afasta-se de si, permanecendo na palma de sua mão direita enquanto o rapaz pegara Leonidas fechado de seu guidão, com Deltragon pairando nesta mão. Após isso, Kuro sentara-se jogado no chão e encostado na moto, dando outro longo suspiro.

   Uma voz em um tom ainda mais calmo e sussurrante saíra da boca dele.



   "Quem foi e o quê te contaram, Harpus?"

--- Quem me contou foi ele aqui. --- Responde a Bakugan Harpus olhando para Deltragon na mão esquerda do rapaz. --- Ele disse que... Um dos caras Vexos que tão aqui em Nova Vestroia falou que capturou a Tigrerra enquanto cês lutavam. Disse também que o Leonidas e você se irritaram muito com o que ouviram dele e destruíram completamente um lugar por conta disso.

   "Isso é verdade. Ele... Contou de uma maneira completamente arrogante que o seu 'Mestre' capturou a Tigrerra e que estava sendo levada para ter o mesmo destino que o resto dos nossos amigos."

--- Ser controlado pra lutar do lado deles como a gente foi...?

   "Não. Para ser transformada... Em uma estátua de bronze."

--- O QUÊ?! --- Pergunta ela novamente, ficando completamente  perplexa.

   "É... Preyas, Gorem, Hydranoid, Skyress... Agora a Tigrerra teve esse mesmo destino hoje a noite, pelo que ele afirmou. O destino de virarem troféus para o Príncipe dos Vestais - que são aqueles que invadiram Nova Vestroia."

--- Mas isso é uma coisa horrível!! Como é que ele podem ter coragem de fazer isso com todos eles?!! --- Grita Harpus revoltada e em alto e bom tom.

   "Você não é a única que pensa assim, mas infelizmente é a verdade... E o Leo é a prova de tudo. Ele... Viu o Hydranoid virando uma estátua de bronze quando foram capturados juntos e queriam usar meu parceiro como marionete para lutar assim como você, o Tentaclear, o Deltragon e tantos outros. A pior parte foi que... Ele não conseguiu fazer nada para impedir tudo isso."



   A melancolia e a preocupação tomara conta de Harpus, que tanto volta seu olhar para os parceiros Bakugan Darkus na mão oposta em que está quanto para Kuro.



   "Tudo que o Leonidas precisa agora... É descansar e  de um tempo para si mesmo. Isso vai aliviar um pouco a dor que sente lá dentro."

--- Ma-Mas e vocês dois...?

   "O Leonidas precisa de mim mais do que nunca agora. Tenho que estar aqui por ele. Já você, Deltragon... Você ainda tem uma escolha para fazer. Se quer mesmo fazer parte de tudo isso ou não. Não tenho como prometer que posso te proteger o tempo todo ou que posso aliviar suas dores porque estaria mentindo... Mas posso tentar tudo que posso para continuar seguindo em frente por e com vocês... Para acabar com tudo que está acontecendo o mais rápido possível. Seus amigos que queria resgatar dos Vexos estão aqui... E você é livre para escolher ficar junto deles, meu amigo."



   Um silêncio incômodo voltara a perdurar entre o rapaz e o pterossauro Bakugan Trap que se olham direta e profundamente, com este em forma de brinquedo rugindo alto e batendo suas asas em resposta.



   "Harpus... Pode traduzir o Deltragon para mim, por favor? Eu não entendo o que ele diz como vocês."

--- Ahn, t-tá bom... Ele disse que vai continuar com vocês dois... --- Diz Harpus em resposta, levemente surpresa com o pedido. --- Que mesmo que os seus amigos estejam aqui por conta do que fizeram, ele tem certeza absoluta de que precisa estar com e ajudar vocês depois do que aconteceu. Que vocês são mais importantes agora do que nunca.



   Um pequeno, alegre e genuíno sorriso aparecera no rosto de Kuro com a resposta dada por seu segundo parceiro, sentindo-se feliz com tal ato que escolhera.



   "Obrigado por isso, Deltragon. De verdade. Espero atender suas expectativas e não te decepcionar daqui para frente. Nem você... E nem o Leonidas."

--- E vou avisar os outros que deixem vocês sozinhos. E... É Kuro, né? --- Pergunta a Bakugan Ventus ao rapaz, sendo respondida com um lento e único balança de sua cabeça em concordância. --- Muito obrigada... Por trazer os outros e os Bakugan de volta, e por voltarem bem. De verdade, muito obrigada mesmo. Todo mundo aqui em Nova Vestroia tem uma grande dívida com vocês três.

   "Não é necessário. Descansem, aproveitem e comemorem a liberdade. E cuidem-se todos vocês, por favor."

--- Uhum, a gente vai sim. Boa noite e... Boa sorte com o Leonidas. Estamos aqui pra qualquer coisa, ok?

   "Ok. Obrigado... E boa noite para vocês também."


   Harpus hesita por diversas vezes em se afastar de Leonidas, Deltragon e Kuro, parando no meio do caminho para voltar seu olhar a eles com extrema dúvida e preocupação pairando sob si. Após muito tempo, ela voara para perto dos outros Bakugan, com alguns que o rapaz trouxera de sua volta a Cidade Alpha despertando.


   "Pode dormir se quiser, Deltragon. Você merece descansar também."



   O Bakugan Trap negara a oferta feita por Kuro, balançando-se para os lados e permanecendo aberto na mão esquerda dele - a mesma onde Leonidas ainda está fechado em sua forma esférica de brinquedo. Por algum motivo, ele sentira-se a vontade com isso e seu sorriso expressivo crescera um pouco mais, porém sendo menos duradouro que qualquer outro que já tenha dado, tendo seu olhar fixo para seus Bakugan Darkus.

   Um grande aperto, preocupação, culpa e remorso tomara conta do rapaz nesse instante.



   "Eu sinto muito mesmo pelo que tenha que passar agora, Leonidas... Ainda mais por tudo que ouviu e o que vai sentir ainda, mesmo que isso não tenha sido nossa culpa. Mas a mesma promessa que eu fiz à Alice, eu repito a você. Eu PROMETO fazer o máximo que puder para resgatar e vingar CADA UM dos nossos amigos, para que fique mais forte lutando e que faça com que os Vexos paguem... UM. POR. UM. Principalmente o Spectra Phantom e o Shadow Prove... Que capturaram cada um deles, você e o Hydranoid. Um por um vai saber... Do que somos realmente capazes."



   Mesmo sabendo que Leonidas não ouvirá tais palavras, uma pequena esperança e promessa é plantada naquele instante de seriedade e melancolia completas após o ocorrido de algumas horas atrás. O rapaz olhara para para os céus, mais uma vez dando um longo e quente suspiro com sua boca.um peso inconsistente e tamanho é trago em suas costas e em quase todo seu corpo, fazendo-o sentir-se fraco tando fisica quanto mentalmente.



   "Queria que estivessem aqui conosco. Cada um de vocês. Tudo seria ainda mais fácil. O apoio para o Leonidas... A libertação de Nova Vestroia... Tudo. Espero que o Transportador seja consertado em breve e que eles consigam os trazer aqui... Principalmente você. Mas enquanto isso não acontece, tenho que continuar seguindo em frente fazendo o que posso e o que sei para lutar. Porque agora tem pessoas aqui que precisam de mim. Eu entendo o que se passa na sua mente e no seu coração, amigo... E por mais que o tempo não resolva isso completamente, estarei aqui por você. Quando e onde quiser...

   Estarei aqui... Caso qualquer coisa."



   Ao término de suas palavras sussurradas ao vento, o rapaz apertara um botão em seu bracelete negro molhado em seu pulso esquerdo, apertando três de seus seis botões em um certo padrão. Um padrão que digitalmente e através das nanomáquinas que existem nesse objeto criam um par de fones de ouvido pretos sem fio.

   Ele apertara outro distinto botão. Mas desta vez, um que encontra-se em um dos fones que colocara em seus ouvidos. O direito.

   Isso iniciara uma música. A última que ouviu quando esteve na posse destes.

   Uma música que consegue trazer um pouco de paz e conforto para si e quem sabe para seus parceiros consigo.






   Uma que o faz fechar seus olhos lentamente...

   E a murmura baixo uma única vez.



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"Ouça para o Próximo Trecho."
[ https://www.youtube.com/watch?v=XV0R-5GxyyU ]

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   "Sayonara sekai
   Narabu kage nobite majiwaranai
   Negai hikari
   Mada shirenai keshiki sagashite ita nda

   Tada hitotsu yakusoku kawasou

   Bokura dake no namae o yobi atte
   Bokura dake no yorokobi wakachi atta
   Bokura dake no kotoba de tashikamete
   Bokura dake no itami o dakishimeta

   Kono sekai no dokoka
   Mirai de aerunara
   Wasurenaide ite
   Boku no koto honto no koto

   Oyasumi sekai
   Bokura igai dare mo shiranakute i
   Toki yo tomare
   Tsumetaku natta te o nigiri kaeshita

   Owaranai yume aoi kage

   Hareta hi wa chisana tabi o shite
   Ame no hi ni wa kasa no naka yorisotta
   Koboreochita namida wa sukueba i
   Kizu-darake no mama de aruite ku

   Mune no naka ni aru
   Bokurano chikai o
   Iroasenu yo ni
   Kaze no koe kono chizu no muko

   Bokura dake no namae o yobi atte
   Bokura dake no yorokobi wakachi atta
   Bokura dake no kotoba de tashikamete
   Bokura dake no itami o dakishimeta

   Hajimari no kane
   Bokura o asa ga mo mukae ni kuru
   In the truth name of love
   Kowakunai ikeru

   Kono sekai no dokoka
   Mirai de aerunara
   Sukoshi datte
   Wasurenaide ite

   Mune no naka no mirai
   Bokura dake no chikai
   Wasurenaide ite
   Boku no koto honto no koto
"
 


Notas Finais


Olá! o/

Sejam bem vindo a mais um capítulo de sextinha-feira. ^^

Queria agradecer a todos aqueles que dedicam um pouco do seu tempo comentando, visualizando, lendo e compartilhando essa fanfic, dando apoio para a franquia de Bakugan e também para mim quem a escreve para vossas senhorias. De verdade, obrigado. Sei que parece ser repetitivo, mas é necessário agradecer porque o esforço que é colocado para que todo capítulo seja legal é grande. Quem diria que isso saiu de uma primeira fic que era apenas uma curiosidade para um grande interesse (vulgo trabalho, :) ) e de enorme satisfação.

Então você, pessoa transeunte que lê não só a minha fic mas a dos outros e tem interesse em escrever, não se acanhe. Traga uma história sua ou uma adaptação que veio a sua cabeça que um dia cê disse "Hum, isso pode ser legal. Vou escrever isso!".

Como sempre, se quiserem, comentem, favoritem e compartilhem a fic. Até mesmo com aquele seu amigo que gosta de Bakugan, fala pra este dar uma chancezinha. A vocês, pessoal novo, sejam muito bem-vindos! ^^

Bom, é isso por minha parte. Beijo no kokoro, até sexta-feira que vem às 10:00 em ponto. (Se eu acordar antes disso pra revisar o conteúdo)

Fui! o7

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Fontes e Dados do Capítulo

Música Ouvida e Cantada por Kuro:
Name of Love - cinema staff (Attack on Titan/Shingeki no Kyojin - Ending 05)
https://www.youtube.com/watch?v=XV0R-5GxyyU

Letras:
https://www.musixmatch.com/pt-br/letras/cinema-staff/Name-of-Love/traducao/portugues


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