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História Balance - Capítulo 13


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Capítulo 13 - Matador de aluguel


-você só me trás problema, chefinha- Mikhail fingiu irritação ao ser chamado no bar da Pandemônio- qual é o da vez?

-um matador de aluguel- disse Kalynda, bebericando um copo de vodka.

A volta para Busan foi tranquila, porém nem um pouco silenciosa.

A pequena aventura de Taehyung e Hoseok no restaurante da cocaína pareceu iniciar uma linda amizade, ao ponto do ruivo ter feito questão do Jung ficar um pouco mais na boate para continuarem a animada conversa. Do que eles falavam ninguém chegou a entender realmente, mas foi suficientemente agradável ouvir as risadas e exclamações exageradas.

Agora, por volta de quatro da tarde, os Nephilim já tinham ido embora, mas os atuais moradores da residência dos Park permaneciam na Pandemônio pelo motivo mais simples naquele momento, os deveres de casa.

Taehyung e Jimin iniciaram a longa pesquisa, pedida pelo professor de biologia aquela manhã, enquanto Jungkook se esforçava nos exercícios de matemática. Yoongi tinha ficado por falta de opção, mas logo achou algo para se distrair ao ver na programação da TV um documentário sobre leões marinhos.

-uhh- cantarolou Mikhail, sentando ao lado da morena- gostei.

-não temos o nome verdadeiro- disse Kalynda- mas sabemos que ele é conhecido como G-Dragon.

-o nome tem imponência- admitiu o rapaz- tem alguma outra informação?

-um endereço antigo- disse ela, entregando o panfleto.

-vou ver o que faço por você, chefinha- piscou Mikhail, pegando o papel e deixando o salão da boate.

Kalynda fez o mesmo, retornando para a cobertura e seguindo para seu quarto. No caminho, no entanto, ela ouviu uma movimentação na suíte onde os caçulas dormiram noite passada e se aproximou para espiar pela porta aberta.

-oi- disse ela, ao ver Jimin sacudindo sua mochila sobre a cama e derrubando tudo que havia dentro.

-ah! Oi- sorriu o Park, pego de surpresa.

-está se vingando da mochila porque?- perguntou a morena, entrando no quarto e sentando na cama ao lado da pilha de cadernos e canetas.

-não acho meu marca texto- explicou Jimin, tateando a bagunça em busca do dito cujo.

-não me admira, com toda essa organização- ironizou Kalynda, rindo soprado.

-ei! Eu sou organizado- defendeu-se o rapaz, fazendo biquinho.

-estou vendo- disse ela, erguendo um sobrancelha ao levantar um caderno e mostrar o marca texto ali embaixo.

-isso foi só um erro de percurso- garantiu o Park, mas acabou por rir também ao pegar o objeto- e ai? Novidades?

-ainda não- disse a Morningstar, assistindo o rapaz recolocar os pertences na mochila- mas o Mikhail já começou as buscas.

Jimin murmurou um "legal" de repente sentido-se muito consciente da presença da morena e da maneira como ela estava lhe encarando.

Não tinham conversado sobre a noite passada e o rosado nem achava que deveriam, mas agora as palavras pareciam estar coçando em sua língua para serem ditas.

-você conseguiu dormir ontem?- perguntou Kalynda, interrompendo qualquer linha de raciocínio do Park.

Ao olhá-la, viu um leve ar de divertimento em seu rosto.

-consegui... Um pouco- respondeu Jimin, fechando a mochila.

-é. Dizem que nada é melhor do que endorfina e serotonina para curar uma noite de insônia- disse ela, sorrindo de canto quando o rosado tornou a lhe olhar.

Filha da mãe.

-atiçar e fugir é uma das suas habilidades?- rebateu ele, sentindo a respiração um tantinho mais pesada ao ver a morena subir as pernas na cama, se arrastando pelo curto caminho até poder se ajoelhar diante do rapaz.

-depende do meu humor- disse Kalynda, desviando o olhar para os lábios cheios do Park, que não tardou a imitar o gesto.

A cama lhe dava altura para olhá-lo diretamente nos olhos enquanto subia as mãos lentamente pelo abdômen alheio, sobre camisa preta que pertencia a Taehyung.

-é?- perguntou Jimin, tencionando os músculos quando ela desceu as mãos para o cós de sua calça jeans, puxando-o pelos passadores do cinto- e como está seu humor agora?

-hm...- a Morningstar fingiu pensar, sentindo agora o corpo do maior colar no seu e as respirações se chocarem- não sei... Eu precisaria testar para descobrir.

-testar de que maneira?- continuou Jimin, lentamente. A garganta parecia secar, deixando sua voz mais rouca e a respiração definitivamente mais pesada.

-essa serve- disse ela por fim, roçando os lábios nos dele por um segundo, antes de beijá-lo.

Não houveram cerimônias. As línguas se encontraram imediatamente, embaladas pelas cabeças que se moviam para lados opostos, facilitando o contato já intenso.

Ele a segurou pelas laterais do pescoço, quase gemendo ao sentir as mãos alheias entrarem em sua camisa e arranharem sua pele.

Deus. Ela o deixava sensível de um jeito perturbador.

Novamente, o beijo da morena tinha gosto de álcool e Jimin saboreou cada segundo. A respiração de ambos saia ruidosa por entre os lábios famintos, misturando-se aos estalos molhados.

Ele perdeu os dedos da mão direita nos cabelos negros, sentido-os escorrerem por sua pele. A Morningstar então não tardou a movimentar as mãos pelas costas alheias, deslizando-as para cima e para baixo em uma carícia que disparava arrepios afiados por todo o corpo do rosado.

Jimin colocou o próprio joelho sobre a cama, aproximando ainda mais os corpos, interrompendo o beijo somente para devolver o chupão que havia recebido no pescoço noite passada.

-não vai conseguir deixar marca- murmurou ela, não contendo o gemido baixinho ao sentir a língua molhada deslizar em sua pele e em seguida uma mordiscadinha quase carinhosa.

Jimin já esperava que não pudesse marcar a pele da morena, haja vista que anjos não podiam ser machucados tão facilmente.

-não significa que eu não possa me divertir tentando- respondeu ele contra os lábios dela após se afastar de seu pescoço.

Kalynda sorriu, respirando fundo ao agarrá-lo pelos ombros e tornar a beijá-lo. Jimin abraçou-a pela cintura, mantendo o corpo alheio colado no seu enquanto degustava dos labios vermelhos.

Beijar era realmente muito bom, mas beijar aquele anjo... Era delicioso.

E, pela maneira como a morena passou a ofegar, amolecendo lentamente em seus braços, deixava claro que Jimin também não estava deixando a desejar.

Quando o Park começou a sentir ela puxá-lo cada vez mais para a cama, algo pareceu interrompê-la, fazendo-a findar o beijo com um som úmido.

-Jungkook está te procurando- sussurrou ela, deixando um selinho rápido nos lábios do rapaz, antes de simplesmente se afastar e descer da cama.

Jimin demorou um segundo para registar suas palavras e quando o fez, a morena já estava saindo pela porta.

Como anunciado, Jungkook apareceu no mesmo momento, cumprimentando Kalynda com um sorriso antes que ela desaparecesse pelo corredor.

-hyung, você...- começou o Jeon, finamente vendo o amigo ali e parando imediatamente.

Talvez fosse pelo olhar um tanto atordoado, talvez as roupas e os cabelos bagunçados ou mesmo a respiração ofegante. O que quer que fosse, denunciou Jimin logo de cara.

-é impressão minha ou eu acabei de interromper alguma coisa?- perguntou Jungkook, erguendo uma sobrancelha muito atrevida.

-é... Alguma coisa- concordou Jimin, passando a mão nos cabelos rosados e tentando reordenar a respiração.

-parece que você foi atacado por um aspirador de pó- riu o castanho, entrando no quarto.

O Park não entendeu bem a comparação, mas definitivamente concordava com o amigo.

-essa mulher não é brincadeira, viu?- disse Jimin, rindo em quase descrença.

-ninguém mandou você ir atiçar- lembrou Jungkook, pegando o marca texto que o Park nem se lembrava de ter soltado no chão- agora se vira.

-você é um amigão, sabia Jeon Jungkook?- ironizou Jimin, empurrando o mais novo de leve.

-sabia- devolveu Jungkook, pegando a camisa do Park pela barra e esticando para baixo para alinhá-la.

-vocês estão fugindo desse dever de casa ou o que?- a voz de Taehyung veio pelo corredor antes que o ruivo de fato aparecesse na porta.

-foi mal, hyung. Estamos indo- disse Jungkook, refazendo o caminho para o quarto do Kim.

Jimin foi junto dos dois e eles passaram mais uma hora terminando os deveres. Em seguida, Taehyung deixou os rapazes irem tomar banho e trocar de roupa para voltarem para casa, rumando para a sala em busca de seu anjinho favorito.

-anjinho!- cumprimentou o ruivo, sentando-se ao lado do Min- o que está vendo?

-baleias- respondeu Yoongi, sem desviar os olhos da televisão, onde o narrador falava de maneira muito empolgada sobre o canto das belugas.

-os leões marinhos já acabaram?- perguntou o Kim, apoiando o cotovelo no encosto no sofá e o rosto no punho fechado, admirando o rostinho do loiro.

-acabaram- o Min pareceu notar algo, talvez no tom meio idiota de Taehyung, que o fez encará-lo.

O ruivo sorriu retangular, sentindo uma imensa vontade de apertar aquelas bochechas.

-porque está me olhando assim?- perguntou Yoongi, franzindo o cenho.

-estou te admirando- disse o Kim, ainda sorrindo.

Antes que o anjo loiro pudesse responder, um pequeno animalzinho saltou em seu colo, fazendo-o espantar-se.

-shh, tudo bem- tranquilizou Taehyung, se esticando para pegar o gatinho preto com olhos muito verdes- Diaval, já não dissemos para não pular nas visitas?

O gatinho piscou, se espreguiçando com graça e elegância, antes de tentar voltar para o colo do Min.

-parece que ele gosta de você- observou o ruivo, acariciando a cabeça do felino.

Aquilo não era novidade nem uma. O Kim nunca vira Diaval tão disposto a conquistar a atenção de alguém antes.

-considerando que isso é um demônio, eu não sei se considero uma coisa boa- disse o loiro, olhando com desconfiança para o gato.

-ah, vai. Ele é inofensivo- disse Taehyung, colocando Diaval no sofá entre os dois.

-continua sendo um demônio- Yoongi estreitou os olhos quando o gato esticou a patinha para tocá-lo.

-mas você gosta de animaizinhos, né?- sorriu o Kim, movendo a mão sobre a cabeça de Diaval que logo começou a tentar pegá-la.

-não de gatos.

-não brinca, você tem super cara de quem gosta de gatos- garantiu o ruivo, virando o bichinho de barriga para cima e acariciando os pêlos.

Diaval agitou as patinhas, tentando morder os dedos de Taehyung.

Yoongi encarou o demônio, que soltou-se do Kim e caminhou aos tropeços pelo sofá para então começar a se esfregar na lateral da coxa do Min, ronronando.

Diaval parecia felicíssimo ao pedir carinho para o loiro, roçando o rabo peludo e roliço pela mão do anjo.

Yoongi continuou encarando o bichinho, um tanto menos incomodado.

-vai, um carinhosinho não vai matar- tentou Taehyung, se aproximando um pouco mais para deslizar um dedo nas costas do gato, como demonstrasse que era seguro.

O loiro suavizou a expressão quando o gatinho estendeu as duas patinhas e começou a "amassar pão" em sua coxa.

Diaval então lançou seu golpe de mestre, miando carinhosamente para o Min enquanto dava cabeçadinhas na barriga do anjo.

Yoongi ergueu a mão como se estivesse se aproximando de uma bomba a ser desarmada, mas terminou por tocar a cabeça do filhote de gato, sentindo o pelo fofo e macio enquanto Diaval ronronava.

Taehyung assistiu, abestalhado, o loiro se arriscar um pouquinho de cada vez ao acariciar o demônio metamorfo. Começou superficial e um tanto hesitante, mas minutos depois, Diaval já estava deitado na coxa do anjo, recebendo um gostoso cafuné.

Yoongi sorriu ao ver o gatinho bocejar, piscando os olhos verdes, e se aconchegando mais em seu colo. O ruivo não conteve o próprio sorriso ao ver que a gengiva do anjo se tornava visível quando ele sorria.

Lembrava um gatinho.

-sabia que seu sorriso é muito lindo?- disse Taehyung, começando a acariciar as costas de Diaval, o que fazia sua mão ocasionalmente esbarrarar na do loiro- você devia sorrir mais.

Yoongi não disse nada, mas o Kim sabia que ele estava prestando atenção.

-é claro que você todo é lindo, mas seu sorriso realmente é encantador- continuou Taehyung, concentrando o carinho em um ponto dos pêlos do gato que fazia sua mão deslizar na de Yoongi frequentemente.

A energia estática continuava lá, se transformando em uma sensação gostosinha.

-e seus olhos- disse o ruivo, vendo os ditos se voltarem para si- seus olhos são assustadoramente lindos.

-isso é narcisismo, considerando que nossos olhos são exatamente iguais- apontou Yoongi, sabendo que o outro falava de seus olhos azuis, mesmo que estivesse usando lentes de contato.

-ah não- negou Taehyung, que por sua vez exibia seus olhos muito azuis- os seus olhos nunca serão iguais aos meus, nem aos de ninguém. São únicos.

-e?- disse o Min, sem entender onde o ruivo queria chegar.

-e é isso que os faz tão lindos- sorriu o Kim, encarando-o como se pudesse ver por baixo das lentes- os humanos costumam dizer que os olhos são espelhos da alma. E eu realmente consigo ver a sua nos seus olhos. Profunda. Suave. Pura. Como um oceano tranquilo... Faz tempo que não vejo olhos assim.

Yoongi continuou lhe encarando, como se tentasse ver nos olhos alheios aquilo que o ruivo dizia.

-nunca tive essa pureza no meu oceano, sabia?- disse o Kim, deitando a cabeça no encosto do sofá para olhar o outro com mais atenção- mesmo quando ainda era um anjo da Luz.

-e porque não?

-não sei- Taehyung deu de ombros, calmamente- talvez eu realmente tenha nascido no lugar errado. Nunca me senti cem porcento conectado com o reino da Luz, sabe?

-imagino que o reino das Trevas tenha sido sua liberação- comentou Yoongi, com um leve tom de sarcasmo.

Taehyung não se importou.

-bem, de certa maneira foi minha libertação sim- assentiu o ruivo- mas não porque eu detestava o reino da Luz e queria fugir dele... Foi mais como me mostrar aquilo que faltava para eu me sentir completo.

-as Trevas?

-meus sentimentos- corrigiu o ruivo, vendo Yoongi realmente olhá-lo com atenção agora- eles sempre estiveram ali, eu só não conseguia ver. Quando caí, eles se libertaram.

-não vejo o que sentimentos têm de tão interessante...

-eu sei- sorriu Taehyung, compreensivamente- é mesmo difícil de entender. Sentimentos podem nos confundir, nos machucar, nos fazer sofrer... Mas também podem transformar uma simples coisa em algo inesquecível.

O loiro continuou encarando os olhos azuis, sem se pronunciar.

-sabe uma coisa curiosa sobre anjos caídos?- disse o ruivo de repente- nós somos farsantes.

-como?- Yoongi franziu o cenho.

-fingimos ser iguais aos outros anjos, mas... Não somos- disse o Kim, com tranquilidade- eu nunca serei cem porcento um anjo das Trevas, tanto quanto nunca deixarei cem porcento de ser um anjo da Luz... É complicado.

-se é tão complicado, então porque escolher a queda?

-porque ser complicado, mas completo, é melhor que passar uma vida inteira sem nunca realmente encontrar a si mesmo- disse Taehyung, sem a intenção de atacar o loiro, apenas sendo sincero.

Yoongi desviou os olhos, encarando a televisão que ainda exibia o documentário sobre baleias.

-a vida é um trem que só anda para frente, anjinho- murmurou o Kim- por mais longa que seja a viagem, cada minuto dela continua sendo único e imutável. E se temos a chance de aproveitar ao máximo, quer seja aprendendo coisas novas, conhecendo pessoais novas, ou simplesmente dedicar alguns momentos para acariciar um demônio disfarçado de gato...

Diaval moveu um orelha, como se indicasse que estava ouvindo.

-estão porque não aproveitar?- concluiu Taehyung, sorrindo ao ter os olhos do loiro de novo em si.

-esse pensamento não funciona para todos.

-será?- o ruivo ergueu uma sobrancelha- anjos da Luz, das Trevas... Humanos, Nephilim... Somos todos muitos diferentes, com missões e ideiais diferentes... Mas isso não significa que não podemos apreciar os mesmos momentos de vez em quando.

Yoongi olhou para o gato, notando que a mão de Taehyung a muito parara de acariciar o demônio e continuava apenas tocando a sua.

-onde você quer chegar com tudo isso?- perguntou o loiro, por fim.

-em lugar nenhum- sorriu o ruivo, acariciando lentamente a mão do Min- estou apenas conversando com alguém que eu gosto.

-porque será que eu não consigo acreditar em você?- perguntou Yoongi.

-talvez você deva parar de tentar encontrar uma explicação para tudo e aceitar que algumas coisas simplesmente acontecem- disse Taehyung, sustentando o olhar profundo do loiro, sem deixar de notar que ele não tinha afastado a mão.

Nem uma resposta foi dita, pois, naquele mesmo momento, Seokjin adentrou a cobertura distraidamente.

-oh! Olá- cumprimentou o Príncipe, abrindo seu típico sorriso, e não deixando de notar que o ruivo deslizou a mão sutilmente para as costas de Diaval que ainda dormia.

-decidiu dar o ar da graça?- perguntou Taehyung, vendo o moreno caminhar para dentro da sala.

-estava visitando um velho conhecido- disse Seokjin- mas tive a felicidade de encontrar Mikhail lá embaixo e ele avisou que tem novidades pra nós.

Demorou alguns minutos para reunir todos os presentes na cobertura, mas logo se viram dentro do elevador.

-prontos para ver uma parte secreta da Pandemônio?- perguntou Taehyung, batendo palminhas.

-secreta?- repetiu Jungkook.

-uhum- murmurou Kalynda, digitando no teclado do elevador.

-menos três?- Jimin franziu o cenho ao ver a tela- você quer dizer andares subterrâneos?

-isso aí- confirmou a morena, aguardando até as portas metálicas se abrirem.

O grupo desembocou em um pequeno saguão, exatamente igual ao da cobertura, que os levava para um longo corredor, ladeado por portas.

-esses são os escritórios- apontou Taehyung- é daqui que administramos todos os nossos negócios.

Kalynda parou na quarta porta a esquerda, batendo levemente antes de entrar.

O escritório em questão lembrava muito uma central de comando de filmes de espiões. Haviam telas de computador enfileirados por toda a parede oposta a porta. Diante delas, uma única cadeira de rodinhas se movimentava de um lado para o outro enquanto Mikhail distribuía sua atenção pelas telas.

Nas paredes laterais, uma série de estantes e prateleiras guardavam as mais variadas coisas. Desde papéis a cabos de eletricidade.

Em frente a uma das estantes estava uma moça de cabelos castanhos, aparentemente tentando encontrar algo no meio de uma pilha de crachás multicoloridos.

-hey, Jisoo- cumprimentou Taehyung, chamando também a atenção de Mikhail.

-oi, Tae- respondeu a moça, desistindo de sua busca ao ver o grupo- vieram rápido.

-cheguem aqui- chamou Mikhail, parando diante da tela do meio e começando a digitar algo muito rápido.

-é sobre o matador de aluguel?- perguntou Kalynda, se aproximando junto dos demais.

-também, mas antes eu quero atualizá-los sobre a Kalissa- disse Mikhail, abrindo uma serie de arquivos pelas telas.

-achou algo?- perguntou Jimin, ansioso.

-depende do ponto de vista, rosinha- respondeu o anjo, indicando uma tela a esquerda, onde passavam várias fotos de Kalissa ao longo da vida- se me perguntar algo da infância, adolescência ou juventude da sua mãe, eu terei prazer em responder. Sei quem são seus pais, onde ela morou, quem foi seu primeiro namoradinho, seu primeiro cachorro.

Conforme ele falava, as respectivas fotos iam passando na tela.

Jimin não deixou de ficar chocado.

-o problema é que nada disso nos ajuda no que queremos- continuou Mikhail- principalmente porque, dois anos antes de você nascer, sua mãe simplesmente desapareceu do mapa. Não tem absolutamente nada que comprove onde ela estava, onde morava, onde trabalhava, com quem andava, nem mesmo nota fiscal de mercado eu consegui achar. Ela poderia ter ido para marte e nunca saberíamos.

-e você acha que foi nesse período que ela conheceu o mundo divino- chutou Taehyung.

-o mundo divino e provavelmente o pai do Jimin- acrescentou o anjo- mas, se não tem nada para eu encontrar nesses dois anos, eu decidi buscar o máximo de informações dos últimos registros da Kalissa, antes dela desaparecer. Como queremos também encontrar a amiga que fez o parto do Jimin, eu tenho esperanças de que elas já se conheciam antes desses dois anos. Então comecei a procurar os antigos trabalhos da Kalissa.

-achou alguma coisa?- perguntou Jimin.

-bem, não- disse Mikhail, indicando uma nova tela, onde agora passavam várias escolas diferentes- a Kalissa não firmou muitas amizades nos seus trabalhos. Tudo que eu encontrei sobre ela, foi que ela não costumava se misturar muito com os colegas de trabalho e muito menos com os alunos. Nunca ia nas festas, nas fugidinhas para o bar no final do dia. Nadinha. E ela sempre dava a mesma desculpa de que tinha um compromisso com uma amiga de faculdade.

-e você obviamente foi procurar cada mulher dessa faculdade- disse Kalynda.

-certamente- garantiu Mikhail, abrindo uma imagem do que parecia ser um ensaio de formatura- primeiro, Jimin, me diga se reconhece alguém nessa foto.

O Park passou os olhos por cada rosto, não demorando a encontrar o da própria mãe, mais de vinte anos mais jovem.

-ninguém além da minha mãe- respondeu Jimin.

-imaginei- suspirou Mikhail, clicando em algo que fez a maioria das pessoas na foto ficarem preto e branco- as pessoas em p&b são aqueles que ou morreram, ou estão presos, ou se mudaram logo depois da faculdade, ou nunca foram próximos da Kalissa... Sobram quatro.

Jimin olhou novamente.

Tinham restado dois rapazes e duas moças.

-a da esquerda alega não ter visto sua mãe desde bem antes de você nascer, ela inclusive nem sabia que a Kalissa era mãe- continuou Mikhail- a outra, porém, me deixou mais curioso. Eu não achei nem um contato dela que não fosse um email. Eu me passei por você e mandei um email para ela.

-ela respondeu?- perguntou Taehyung.

-respondeu- Mikhail abriu o email de resposta- ela disse que lembra da sua mãe e sabia do seu nome, mesmo que eu tivesse me apresentando como "filho da Kalissa", mas disse que não confia muito em conversas pela internet. Ela disse, que se sua mãe quisesse entrar em contato com ela, bastava procurá-la no mesmo endereço da época da faculdade.

-decididamente suspeito- apontou Seokjin- você respondeu algo?

-ainda não, mas eu consegui o endereço- respondeu Mikhail- se ela não gosta de conversas online, não acho que vá ficar muito mais feliz em receber um estranho e eu definitivamente não tenho como me passar por filho da Kalissa pessoalmente. Se quisermos algo dela, provavelmente teria de ser com uma visita do próprio Jimin.

-o que você acha?- perguntou Kalynda ao rosado.

-se for ajudar... Acho que podemos tentar- disse o Park.

-bom, pensem sobre isso e me avisem que eu marco o encontro. Mas até lá, vamos ao nosso matador de aluguel- Mikhail fechou todos os arquivos sobre Kalissa, digitando mais uma vez antes de tornar a encher as telas- primeiro, achar o cara foi bem mais fácil do que eu esperava. Ele é muito famoso como matador de aluguel e está ligado a uma série de assassinatos que a polícia nunca conseguiu solucionar.

Várias manchetes de jornal, relatórios da polícia e tantas outras fotos aleatórias passaram pelas telas.

-agora, descobrir a real identidade dele foi mais complicado. Fotos, eu só consegui duas que mostrassem o rosto e tive que cruzar uma série de informações para tentar achar o nome de anjo- Mikhail procurou um pouco e logo abriu uma foto grande de um homem asiático, com cabelos muito pretos, tais quais seus olhos- eu não tenho nem uma fonte cem porcento confiável, mas aparentemente ele se chama...

-Uriel.

Todos viraram juntos ao ouvir a voz de Yoongi murmurar o nome.

-é...- confirmou Mikhail, estreitando os olhos.

-como você sabe disso?- perguntou Seokjin.

-eu fui mandado em missão a vinte anos para capturá-lo, quando ele sequestrou várias crianças humanas- contou o Min, sem desviar os olhos da foto- ele é um anjo nascido no pecado da Inveja.

-ele é um anjo do Leviathan?- perguntou Kalynda, rindo sem humor em seguida- ótimo. Vai ser milagre encontrarmos essa adaga agora.

-talvez não- disse Yoongi- ele desertou do reino das Trevas a mais de cem anos. Não era leal ao Leviathan.

-espera- pediu Jimin, franzindo o cenho- se você veio a Terra para capturá-lo, como ele ainda está solto?

-ele era inocente... Desse crime, pelo menos- explicou o loiro- as crianças eram cobaias de um feiticeiro. Uriel o matou e levou as crianças para um lugar seguro.

-estão você acha que ele pode não ter entregado a adaga para o Leviathan?- perguntou Taehyung.

-Uriel tem seus próprios problemas com o Quinto Príncipe e o reino das Trevas. Existe a chance dele ter percebido que a adaga estava ligada ao Leviathan e a guardado para si.

-bem...- retomou Mikhail, indicando uma das telas- eu não encontrei o endereço de fato, mas sei que ele ainda está na China. E também consegui o contato de um arquivista que faz a ponte entre ele e seus clientes.

-pois ai está!- Seokjin estalou os dedos- vamos contratá-lo para matar um de nós. Indicamos um lugar onde o alvo dele supostamente estaria e quando ele aparecer...

-nós o pegamos- sorriu Kalynda.

[...]

O plano era simples.

Kalynda havia se passado por uma traficante de drogas recém mudada para Hong Kong, cujos negócios estavam sendo ameaçados por um agiota a quem ela devia dinheiro.

O agiota em questão não poderia ser ninguém que G-Dragon reconhecesse, por isso Yoongi e Seokjin foram imediatamente descartados. Expor Jimin ou Jungkook também estava fora de cogitação, portanto Namjoon se ofereceu para esse honrado papel e deveria estar na boate indicada ao matador de aluguel naquela sexta feira.

Exatamente, sexta feira. O dia da festa para a qual Lalisa estava tão empolgada para ir.

Jimin sabia que não tinha como mudar os planos do grupo somente para não furar com a amiga, por isso sustentou a mentira de que iria visitar a mãe no hospital e não poderia comparecer a festa de Jaebum.

De acordo com o plano muito bem bolado por Namjoon e Taehyung (que aparentemente era muito bom estrategista) o grupo deveria interceptar e levar G-Dragon para um local já preparado, onde poderiam interrogá-lo sem risco de serem vistos por outros humanos.

Sendo assim, a quinta feira se passou rápida, enquanto os anjos cuidavam dos detalhes para o encontro.

Aquele passo era arriscado de um jeito inusitado para Jimin.

Terem ido de cara limpa atrás do rastro da adaga colocava os olhos de Leviathan diretamente voltados para eles, embora o Príncipe não tivesse como saber o que exatamente eles estariam procurando.

Jimin sabia que seu rosto e sua localização não eram mais um segredo e o ataque dos diabos deixava claro que o Quinto Príncipe estava se arriscando cada vez mais para capturar o Park.

Conversando com os anjos, Jimin descobriu que Leviathan tinha estado um tanto escondido nos últimos meses, agindo apenas por intermédio de seus subordinados, e todos temiam o próximo passo do Príncipe quando ele decidisse dar as caras novamente.

Quando a sexta feira chegou, Jimin finalmente sentiu o nervosismo tomar conta de si.

-você está com medo?- perguntou Jungkook, checando a mochila sobre sua cama.

Os dois rapazes estavam no quarto de hóspedes ocupado pelo Jeon, arrumando uma muda de roupas para levarem a Pandemônio, já que provavelmente passariam a noite na boate.

-não medo- disse Jimin, vendo o amigo dobrar cuidadosamente uma calça jeans e colocar sobre as roupas que o rosado já havia arrumado na mochila- é mais nervosismo. Quer dizer, o cara é barra pesada.

-mas temos pessoas tão barra pesada quanto com a gente- lembrou Jungkook- e vamos estar com o Yoongi hyung o tempo todo, então vai ficar tudo bem.

Novamente, o Min tinha reforçado que sua missão era proteger Jimin, e Jungkook consequentemente, portanto o anjo não iria se envolver no plano de captura do matador de aluguel e apenas garantiria que nada acontecesse aos humanos.

O Park sabia que não correria risco estando cercado pelos serer divinos, mas sabia que não era extremamente pela sua vida que estava temendo.

Apesar do pouco tempo em que estavam convivendo de maneira tão próxima, Jimin já sentia afeto pelos anjos e Nephilim. Não queria que sua proteção tivesse de ser a custo de expôr os mais velhos ao perigo. E, mesmo sabendo que não havia outra maneira, o Park ainda sentia-se apreensivo com aquela situação.

-prontos?- perguntou Yoongi, depois de bater suavemente na porta do quarto.

-sim- respondeu Jungkook, fechando a mochila e pegando seu celular sobre a cama.

Jimin suspirou, seguindo o caçula para fora do quarto e permaneceu em silêncio enquanto rumavam para a Pandemônio.

Talvez o rapaz estivesse sendo dramático com aquilo tudo, mas também não conseguia ignorar aquele sentimento incômodo pesando em seu peito desde o momento em que acordou. Era como se algo dentro de si estivesse tentando lhe dizer palavras que Jimin não conseguía entender.

Com um movimento de cabeça, o Park tentou afastar aqueles pensamentos ao se ver diante do prédio da Pandemônio.

Era bobagem se preocupar por causa de um "mal pressentimento".

Não tinha porque ficar pensando naquilo.

Claro que não.



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