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História Banho de Chuva - Capítulo 1


Escrita por: e abbacchio


Notas do Autor


caramba, é meu debut no aniverse aaa
eu tô muito feliz de estar aqui, real ajsuwndaoujsnd mas eu tenho mais coisas pra falar nas notas finais eu acho, então boa leitura!

Capítulo 1 - Poças de Água


Hinata se divertia muito com dias chuvosos, adorava o barulho da chuva caindo sobre a rua, o cheiro de terra molhada e como parecia que o mundo ficava com cores mais brilhantes depois de um belo temporal. Amava sentar em um local alto para observar o arco-íris — bela representação da pureza que ainda existe em nosso mundo — brotar após várias nuvens negras.

Sua mão se estendia para o céu e Shouyou fingia que poderia alcançar o arco-íris, pegá-lo e guardá-lo em um pequeno pote para observar sempre que estivesse triste. O vento gelado que acompanhava a garoa ainda estava presente e balançava os belos cabelos laranjas do garoto. Era uma ótima sensação que o acompanhava, ainda mais quando a chuva se fazia presente mais uma vez, capturando e molhando seu corpo. Corria pelas ruas, pisando nas poças de água e fazendo de tudo para se molhar cada vez mais.

E daí que pegaria uma gripe depois? Tudo valia a pena naquele momento e apenas aquilo importava: as gotas de chuva caindo sobre suas costas. 

Kenma odiava dias de chuva. Seus ouvidos não se agradavam com os barulhos dos trovões e seus olhos se assustavam com os flashes rápidos dos relâmpagos. As noites eram piores, pois Kozume ainda conseguia ignorar os clarões de dia, mas eles o cercavam ao cair do dia quando a escuridão dominava. E tudo que restava-lhe era se esconder em sua cama, debaixo das cobertas, onde ficava todo encolhido, apenas mexendo no celular e torcendo para que aquela catástrofe passasse logo. 

Sempre evitava sair em dias nublados com medo de pegar algum chuvisco. Odiava ficar doente e era esse seu medo principal, junto com o de ser atingido por um raio no meio da rua, até evitando árvores por esse mesmo motivo. Quando pegava alguma chuva, corria para algum lugar com um teto ou algo que protegesse-o. Coitado, sempre esquecia seu guarda-chuva em casa. Talvez fosse falta de sorte ou alguma traquinagem do destino.

Kenma Kozume odiava dias de chuva, mas odiava mais o fato de namorar a pessoa que mais amava os mesmos dias — Shouyou Hinata.

— Ei, Kenma, parece que vai chover! — O alaranjado olhava para seu namorado com um grande sorriso no rosto. — Podemos ir dar um passeio?

Era sempre a mesma coisa, Hinata implorava por um passeio naquela atmosfera coberta de nuvens negras e o cabeça de pudim recusava, pois sabia de suas verdadeiras intenções — estava indo para tomar chuva e depois ficar três dias de cama com uma gripe forte e uma febre alta. E Kenma nem poderia cuidar dele, pois estaria deitado na mesma cama. A ideia de estar na mesma cama que Shouyou interessava-lhe, mas não caso ambos estivessem quase perto da morte. 

Mas não importava o quanto seu namorado recusasse, o alaranjado ainda o levaria para um passeio na chuva. A realidade é que já estava ficando entediado de tantos banhos que tomava sozinho, e estava começando a deixar de acreditar que um dia poderia pegar o arco-íris. Talvez trazer Kenma para uma das “caminhadas” fosse uma boa ideia, ainda que seria divertido não apenas pular nas poças e sentir as lágrimas do céu caindo sobre seu corpo, mas também observar as reações de Kozume. Ele sabia muito bem dos medos de seu namorado e estava disposto a afastar eles, e mostrar que a chuva era apenas mais um presente da natureza e um banho para purificar a alma.

— Mas, Kenma, não podemos ir só um pouco? Eu posso te mostrar meu lugar secreto! — Estava praticamente agarrado na perna do outro. — Voltamos antes da chuva chegar! 

— Você só vai me segurar lá até chover… — Não tirou os olhos do celular para responder seu namorado — Você é previsível, Shouyou…

Tinha um pingo de verdade ali — na realidade, muitos pingos. 

— Vamos! — Levantou-se, limpando a camisa — Eu vou pegar algo pra você usar, aí não vai ter como você recusar!

Saiu disparado como um raio, rápido como sempre era. Kenma nem se importou de observar para onde o outro ia, seu celular parecia mais interessante do que toda aquela conversa. Instantes depois, o cabeça de pudim sentiu algo acertar seu rosto, uma capa de chuva. Era a “arma secreta” de Hinata, que provavelmente não ajudaria tanto em alcançar seu objetivo, já que Kozume segurou a capa e a observou de cima para baixo, com certo desdém.

— Isso… não vai ajudar em nada. — Virou a capa várias vezes, analisando-a. — Eu ainda vou estar molhado por fora.

— Agora você só tá implicando comigo! — Inflou as bochechas. — Você vai estar sequinho por dentro caso chova, é isso que importa!

Ele cruzou os braços, esperando o outro em sua frente se levantar e vestir a capa. Hinata tinha razão, Kenma agora só estava procurando desculpas para não sair — uma capa de chuva era perfeita para ele, mas a vontade ainda era vazia dentro de si. Porém, sabia que iria despertar a raiva, ou pior, a tristeza de seu amado caso não aceitasse, então deu de ombros.

— Se não voltarmos antes da chuva, eu termino com você. — Era a única condição do mais alto, que tocou o nariz de seu namorado com o dedo indicador.

O rosto de Shouyou ficou pálido, mas não era uma ameaça que ele iria levar a sério. Sabia que Kenma não teria coragem de terminar um namoro de alguns anos por causa de uma simples chuva. Ou, ao menos, ele torcia que não.

Aguardou Kozume vestir a vestimenta que lhe foi entregue, batendo o pé. Estava meio ansioso, porém soltou um grande sorriso quando viu o outro com aquela roupa laranja, meio amarela, esticando os braços para mostrar como havia ficado grande. Hinata deu de ombros e apenas abriu a porta, sem colocar também uma capa, já que não ligava em pegar chuva.

— Lembra do que eu disse, não é? Se pegarmos chuva, eu termino com você. — Olhava para o chão, chutando algumas pedras pela rua enquanto caminhava.

— Sei, sei. — Uma risadinha sarcástica foi o que seguiu-se, apenas para disfarçar o pouco medo que sentia.

Medo que aumentou assim que sentiu as primeiras gotas caírem sobre sua cabeça, e, consequentemente, sobre a cabeça de Kenma. O que se seguiu foi um grande estrondo, o suficiente para assustar alguém desprevenido ou assustado como o cabeça de pudim, e foi isso mesmo que aconteceu, apenas faltou ele pular sobre o colo do namorado.

Hinata estava com medo da ameaça de seu amado, porém isso sumiu assim que as gotas engrossaram e a chuva chegou com força, rapidamente formando poças pela rua, algo que rapidamente o animou. E como um raio, deixou seu namorado para trás e pulou em uma das poças. Divertia-se tanto, a água jorrava em seu corpo de uma maneira que lhe deixava abobado, e as lágrimas do céu continuavam caindo sobre seu corpo.

Kozume estava perdido, não queria estar ali, e Hinata logo percebeu isso. Balançou a cabeça e foi até ele, abraçando-o e voltando a andar. Seu namorado era mais importante do que a chuva, pois diferente dele, a chuva aconteceria muitas vezes mais em sua vida. Kenma poderia ir embora e nunca mais voltar e isso era um medo enorme para o alaranjado. Por isso, decidiu seguir em frente, ignorando a tentação de mergulhar em qualquer poça que visse pela frente.

O outro se escondia dentro da capa, lutando contra seu medo. Poderia sentir as gotas caírem sobre a roupa, porém sabia que não estava sendo molhado. Mesmo assim, ainda sentia medo, e apenas se movimentava por impulso e pelo fato de estar sendo lentamente empurrado pelo namorado. À medida que ambos andavam, a chuva ia aumentando, porém, começou a diminuir assim que ambos chegaram em frente ao lugar secreto de Hinata.

— Aqui, é aqui onde eu venho quando chove. — Sorriu, olhando para o parceiro. — Eu tenho uma coisa pra te mostrar.

— Que seja algo que salve esse relacionamento…

— Também espero que seja.

Pois é, o medo havia retornado. Era um medo bobo, pois como citado anteriormente, Hinata sabia que o relacionamento não terminaria por causa daquilo.

O tal lugar secreto era uma fábrica abandonada bem velha. Apesar dos portões se manterem fechados, a maioria das janelas do local estavam quebradas, e muitas delas haviam sido quebradas pelo próprio alaranjado. Se descobrissem, seria uma sujeira no recorde limpo do adolescente, mas ele não ligava muito para aquilo. Entrou no local por meio de uma das janelas, e segurou a mão de Kenma para que ele também entrasse em seguida. O local era velho, máquinas que já não funcionavam mais preenchiam ali, além das clássicas teias de aranha, ratos e qualquer tipo de inseto que você possa imaginar.

Mas o mais importante era o terraço. Subindo uma longa escada, ambos logo chegaram ao lugar, decorado por uma grande gaiola, que em algum ponto em sua história já deve ter sido a casa de vários pássaros e outras aves, mas que agora era apenas uma sombra de seu passado. Meio obscuro, no entanto era assim que o pequeno pudim imaginava — era uma maneira de se distrair da chuva que ainda banhava sua capa, contudo, que parecia ter diminuído.

Mais uma vez, Shouyou o deixou para trás, correndo em disparada até a beira do terraço. Olhou para baixo, apenas para sentir um calafrio correr pela sua espinha, algo que amava. Logo, olhou para trás, chamando Kenma com sua mão, algo que não fez efeito pois logo um novo trovão acabou ecoando por todo o lugar, assustando-o. Hinata teve que retornar para confortá-lo e fez isso com prazer.

— Ei, Kenma. Você sabe que eu tô aqui, né? — Segurou forte a mão de seu amor, puxando-o com cuidado. — Eu sempre vou estar.

A chuva lentamente parava e suas últimas gotas molhavam o chão. As nuvens negras continuavam no céu, tapando o brilhante Sol, que queria logo retornar para seu trabalho. Ambos se apoiaram na borda do terraço, focando seus olhares agora no grande cinza em sua frente.

— Você quer me contar porque tem tanto medo da chuva?

— Eu…Não sei… — Passou a mão direita pelo nariz, olhando adiante. — É como ter medo de altura ou de algum inseto… Não sei se tem alguma explicação…

— Eu não entendo, a chuva é algo tão maravilhoso… — Sorriu, colocando a mão sobre seus cabelos molhados.

— Você gosta da chuva, Shouyou. É como um peixe fora d’água, qualquer sinal de água que receber, vai mergulhar nela.

— Talvez… Mas sabe o que eu mais gosto na chuva? — Voltou a olhar para frente, apontando o dedo para o céu.

E no pequeno ponto azul que finalmente apareceu ali, um arco-íris. O prêmio pela paciência de ambos, ou ao menos, pela paciência de Kenma. Suas belas cores preenchiam o pequeno buraco, que se expandia cada vez mais, espantando as nuvens que finalmente iriam ter um descanso merecido. Parecia até que o belo arco estava lutando contra a escuridão que muitas vezes a chuva proporciona, e que parece, para algumas pessoas, a representação das sombras dentro de si mesmo.

As sombras dentro de Kozume, que lhe faziam ter aquele medo, assustavam-lhe toda vez que um trovão ou relâmpago marcasse sua presença. Era aquilo que as nuvens negras representavam, a escuridão que tanto afligia e amedrontava o pequeno pudim. E perdido mais uma vez em seus pensamentos, ele percebeu como Hinata comportava-se. Estendendo a mão para frente, tentando capturar o belo arco e suas cores.

Todas as sete cores brilhavam, mas uma se destacava — a cor laranja. Brilhava tanto como o próprio Shouyou e Kenma arregalou seus olhos. Não apenas por medo de o outro cair enquanto fazia aquela brincadeira, mas também pela realização que havia acabado de fazer.

Sempre que estava junto de seu parceiro, a escuridão dentro de si sumia e uma alegria gigantesca preenchia-o. Não expressava sua animação, mas sabia como se sentia por dentro, e o outro também sabia. Assim como o belo arco-íris, que deixa sua marca no céu e ajuda a luz a retornar, Shouyou Hinata permitia que a luz e a alegria voltasse para dentro de seu amado.

— Você já quis, alguma vez… pegar um arco-íris? — Foi a pergunta feita pelo menor, que ainda estendia sua mão para frente — Pegar ele e colocar em um pote, pra poder observar quando estiver triste.

Assim que perguntou, recebeu uma resposta na forma de um abraço por trás. Kenma o puxou para trás, tirando-lhe da borda e o fazendo corar.

— Acho que não… — sussurrou, também corado, apertando com certa força a cintura de seu amado — Sabe por quê?

— Não… Por quê?

— Eu já tenho um arco-íris comigo. — Sorriu. — E ele é tão grandioso que não cabe em um simples pote. Mas eu já tenho um lugar pra guardar ele.

Hinata virou-se, sorrindo e abraçando seu namorado. Deitou a cabeça sobre seu peito, molhando o rosto na capa, mas não se importando com aquilo. Apertou-o e fechou os olhos, percebendo que os braços de Kenma eram melhores para mergulhar do que qualquer poça de água.

— E que lugar é esse?

— Meu coração.

O maior não iria terminar o relacionamento, nunca foi esse o plano. Pois Kenma sabia que não iria conseguir viver sem seu pequeno arco-íris.

Kenma Kozume odiava o fato de Hinata gostar de dias chuvosos, mas amava-o. E nada mais importava.

 


Notas Finais


bem, eu quero agradecer ao @Niimy pela betagem, que ficou muito boa. obrigado mesmo, aaa, e desculpe qualquer emoção ruim que a fanfic tenha lhe causado q
quero agradecer também a @Flamme pela linda capa, me deixou boiolinha e apaixonado por ela. eu fiquei mais de cinco minutos só encarando ela, e cara, ficou muito linda mesmo. obrigado <3
e terminar agradecendo a você por ler, leitor. até a próxima sz


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