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História Bar 0079. (Sakuatsu) - Capítulo 1


Escrita por: Singulare

Notas do Autor


Bem vindes!
Pela primeira vez trazendo um longfic Sakuatsu e eu tô muitoooo animada. Isso aqui promete, então devorem (com moderação).


Enjoy!

Capítulo 1 - Bar 0079.


Fanfic / Fanfiction Bar 0079. (Sakuatsu) - Capítulo 1 - Bar 0079.

Capítulo I

Bar 0079


"Belas pernas, Pássaro Preto." — Olhos de Raposa.


SAKUSA


Estar na faculdade em um sábado a tarde não era meu tipo favorito de plano.

Porém, planejar a volta às aulas era algo que tomava tempo e às vezes era necessário sacrificar um pouco das férias para dedicar uma boa recepção aos novos calouros.

— Acho que isso é o suficiente, falta apenas organizar o ciclo de palestras introdutórias do nosso curso — o orientador falou, fechando seu notebook. — Mandarei a lista de professores e temas das palestras no grupo virtual, alguém pode fazer o panfleto para distribuição com todos os dados?

Um silêncio se propagou na sala após a fala do professor.

Quase ri internamente.

— Eu faço, senhor — falei, quase ouvindo os suspiros aliviados dos meus colegas.

— Tudo bem — ele assentiu. — Sendo assim, encerro a reunião.

Ele se levantou primeiro, juntando suas coisas para ir embora.

Eu não vou julgar a sua pressa, ninguém gosta de fazer hora extra em plenas férias de verão.

— Vamos sair hoje? Conheço um bar ótimo perto da faculdade — Hyeji perguntou, quando o professor passou pela porta.

— É uma boa, o que acha? — Komori respondeu, olhando para mim, mas eu neguei com a cabeça.

— Preciso organizar a impressão dos panfletos — falei e a expressão desanimada apossou de seus rostos. — Mas vocês deveriam ir, se divirtam antes de eu atolar vocês de trabalho quando as aulas voltarem.

Eles riram, um pouco mais descontraídos.

— Tem certeza? A gente pode marcar outro dia — Seyon insistiu.

Neguei com a cabeça.

— Eu não gosto…

— De festas, bebidas e de multidões e nem de festas com bebidas e multidões — Komori falou, revirando os olhos. — Vocês conhecem meu primo, mesmo que não tivesse nada pra fazer, ele não iria com a gente.

Eles assentiram, por fim.

Ninguém questionava minha falta de sociabilidade. Eles eram bem compreensivos quanto a isso.

— Podemos ir às 20:00? Queria dormir um pouco de tarde — Yuta falou, e Hyeji assentiu.

— A gente se encontra na porta da faculdade, o que acham? — Seyon falou, se animando com a ideia.

— Gente, eu vou indo — falei, me apressando em levantar. — Não se esqueçam de trancar a porta e devolver a chave na secretaria.

— Ok, obrigada por cuidar dos panfletos, Senpai! — Hyeji agradeceu e eu lhe dei um singelo sorriso debaixo da máscara.

— É sério, sem você a gente estaria perdido! — Yuta confirmou, mostrando um gesto de beleza com o polegar.

— Sem problemas, gente — falei, fazendo eles se calarem um pouco. — Vejo vocês em duas semanas.

Acenei para eles.

— Até, presidente! — disseram, e eu me retirei da sala.

Busquei meu álcool em gel pendurado no fecho da mochila e coloquei uma quantidade generosa na palma da mão.

Só de pensar que passei quase duas horas com a mão sob aquela mesa compartilhada, minha ansiedade já batia.

Na visão dos meus colegas de departamento, eu estava me apressando para ir para casa e resolver a preparação para os calouros. 

Como um perfeito e dedicado presidente estudantil.

Não que eu não vá fazer de fato os panfletos, mas essa é a última coisa que estou pensando hoje.

Olhei para o meu relógio, eram quase seis e meia da tarde.

Apressei o passo para chegar no meu dormitório. Eu precisava tomar um banho antes de me preparar para mais uma madrugada agitada num sábado.

Eu não estava atrasado, mas mesmo assim, cheguei em casa e entrei direto no chuveiro.

Ficar muito tempo em contato com as pessoas me dava certa ansiedade.

Eu tinha um limite de oito horas diárias — diretas — de tolerância. Era o tempo exato da soma das aulas, reuniões com o colegiado e o treino de vôlei.

Meu corpo formiga caso eu ultrapasse essa quantidade.

Após o banho, comi o sanduíche das 17:00 e preparei uma dose dupla de café, porque a noite ia ser longa e eu havia perdido o café das 15:00.

Sei que parece meio sistemático, mas eu tenho mania de organização.

Eu gosto de planejar tudo que vou fazer com cautela. Não gosto de perder tempo sem saber o que fazer. Sem saber o que comer. Sem saber o que vestir. Então normalmente eu separo tudo antes e assim evito atrasos.

Mirei o relógio novamente.

Sete e meia.

Escovei os dentes e busquei minhas chaves. Eu estava preparado para trabalhar mais uma madrugada.

Numa boate.

Lotada.

Por seis horas.

Certamente eu não sou o tipo de pessoa mais sociável que você vai conhecer, mas talvez eu seja a mais hipócrita.

Sou germofóbico, antissocial e introvertido.

Nada demais até aqui.

Mas também sou presidente estudantil do meu departamento de segunda a sexta, e stripper todos os sábados à noite.

Por incrível que pareça, isso é verdade.

Eu odeio multidões, mas todos os sábados eu trabalho em volta de mais de quinhentas pessoas que frequentam esse lugar.

O Bar 0079.

Mas não é qualquer bar de Tóquio.

É uma boate gay.

A boate gay, na verdade.

A história é até interessante, um casal gay fundou essa boate em 1979. Sei que nessa época ela era a única boate com alguma representatividade LGBTQ no Japão, e quando outras surgiram, ela foi a única que resistiu.

Eu nunca perguntei ao certo como ela de fato surgiu, mas algum dia iria perguntar ao dono. 

A questão, portanto, é que aquele lugar não era qualquer lugar. Era um ponto de resistência.

O Japão até pode ser um país conservador, mas Tóquio é o centro do mundo. Então não vamos ser inocentes de achar que nessas ruas não se pode de tudo. Porque se tem tudo. E a melhor parte, nunca se acha ninguém.

Entre tantos rostos diversos, nunca se acha alguém em comum. Aqui, ninguém nunca vai te reconhecer.

É o pólo do mundo.

Mas uma boate gay é um escândalo até para uma cidade tão libertina. Muitas fecham por causa da polícia. Bem, eu disse, o Japão é conservador, e por mais que Tóquio tenha suas próprias regras, nem tudo passa batido.

Menos o Bar 0079.

Ele fica escondido entre duas outras boates populares, por isso, quem passa do lado de fora nem imagina o que tem em um galpão relativamente estreito na rua mais movimentada da capital. 

Muitos ignoram totalmente, mas outros, aqueles que olham atentamente, encontram o maior ponto LGBT do Japão.

Não que eu bata no peito orgulhoso dizendo que rebolo minha bunda em um pole dance para homens de meia idade depositarem metade de seus salários por um pedaço de pele à mostra.

É certo que esse não é o emprego dos sonhos, mas paga mais de dez mil ienes* por noite, em dias cheios. E por mais que eu não pague pelo meu dormitório, é bom ter dinheiro para minhas próprias coisas.

É chato ter que encostar no mesmo lugar que outros passaram as mãos — e os corpos — mas tenho dinheiro suficiente para me proteger disso.

Um frasco de álcool em gel. Um par de luvas de látex. E uma máscara cirúrgica preta. São tudo que preciso para uma noite agitada.

— Chegou cedo, Omi — Akira me cumprimentou na porta, me deixando passar.

Era por volta das oito horas.

— Preciso…

— Limpar o pole, conferir a passarela e borrifar álcool no figurino de hoje, eu sei — completou minha frase, antes que eu mesmo terminasse. — Já deixei sua roupa separada no camarim, está em um saco transparente atrás dos casacos.

Sorri, ela era uma das únicas que compreendia todas as minhas manias.

— Obrigado — falei.

— É melhor se apressar, os outros garotos chegam em meia hora — ela falou, me dando um sorriso singelo.

Fui em passos apressados até o camarim, me agilizando para trocar de roupa e subir no palco para higienizar meu local de hoje. 

A pista principal. 

Era o lugar mais próximo da plateia, mas também onde você ganha mais dinheiro.

Gastei quase meia hora para limpar tudo.

Sei que os outros garotos estão me olhando pelas costas, provavelmente me julgando enquanto passo álcool no mesmo lugar pela quarta vez.

Eu não posso evitar. Ter fobia de germes não é bem como uma "mania". É uma patologia. Eu não sei controlar. Quase consigo sentir as bactérias proliferando em qualquer objeto, é assustador. Por isso, por mais que eles provavelmente me achem um maluco por limpeza, eu passo o pano uma quinta vez.

Cinco vezes é o suficiente. 

— Terminou seu ritual? — Akira se aproximou, levantando o rosto para me encarar da plateia.

Assenti.

Ela estendeu um pacote lacrado em minha direção.

— Comprei uma sunga de látex pra você — falou, segurando o riso. — Sabe, pra combinar com as luvas e a máscara, agora só falta uma bota.

Revirei  os olhos, pegando o pacote.

— Muito engraçada você, Akira — murmurei, abrindo o pacote.

Não era uma sunga.

Era uma espécie de capa preta.

— O que é isso? — Franzi o cenho, esticando a capa.

— Achei que combina com você — respondeu. — Agora você pode fazer cosplay de Batman.

Ela já estava ficando vermelha de segurar o riso.

— Qual o propósito disso? — questionei quando sua cor estava quase voltando ao normal.

— Sei lá. — Respirou fundo. — Quem sabe aparece seu Robin Hood com sua capa amarela e preta.

Revirei os olhos, buscando minhas coisas para guardar no camarim.

— Você não tem nada melhor pra fazer, não é? — falei, mas até eu estava com vontade de rir.

Em que momento ela pensou em Batman e Robin como um casal? 

— Pelo visto, mente vazia é mesmo oficina do diabo — murmurei baixo, mas sei que ela me escutou.

— Me veio à mente, não resisti — falou, ainda rindo soprado. — Mas vista mesmo assim, faça a fina e misteriosa hoje.

— Vou pensar no seu caso — falei, vestido a capa por cima do figurino.

Fiz uma pose, levantando os braços para esticar a capa nas laterais, e ela gargalhou.

— Pensando bem, parece mais um passarinho — falou, me arrancando uma risada.

— Então parece que Robin Hood fica para uma próxima. — Pisquei, antes de descer do palco.

— Certo, agora se apresse que o bar abre em vinte minutos. — Abriu espaço para que eu passasse por ela. — Vamos, passarinho.

Revirei os olhos, antes de rumar de volta ao camarim.

Quando o bar abriu, respirei fundo e me dirigi ao centro da pista.

Estava na hora de trabalhar.

As primeiras horas de trabalho são sempre mais tranquilas. O bar não lota e nem há pessoas bêbadas demais. Mas a minha caixa preta ainda está vazia.

Olhei o relógio de relance. 

Perto de meia noite, agora o bar ia começar a encher.

Dito e feito.

Em menos de meia hora era impossível distinguir qualquer som naquele ambiente. Pessoas falavam alto pela música, riam pela quantidade de álcool exagerada em seus corpos e, a melhor parte, soltavam mais dinheiro em direção ao palco.

Apenas algumas doses de álcool e posso ver cinco mil ienes na minha caixa.

Sorrio, mesmo que debaixo da máscara.

Não gosto de beber, mas amo quando pessoas bêbadas depositam mil ienes só para ver minha blusa de botões pretos voar até o chão do palco.

A ideia da capa nem foi tão ruim, as pessoas parecem gostar do movimento que faço com ela enquanto eu desabotoo a calça e a deixo deslizar por minhas coxas.

Por vezes, a capa tampa todo o meu corpo e então seus olhos ansiosos correm para ver de perto quando o ventilador sopra ela para trás, revelando tudo.

São tão previsíveis.

Não é à toa que quando miro minha caixa, há mais de dez mil ienes.

Era uma boa noite, apesar de agitada.

A música e o ambiente estavam agradáveis na medida do possível, mesmo que ninguém interessante tenha aparecido até o momento.

Agora já beirava às duas da manhã. 

O tempo sempre passa mais rápido depois das primeiras horas de trabalho.

Eu estava prestes a descer para fazer uma pausa quando um cara capturou minha atenção ao entrar no bar.

Era novo, loiro e alto.

Talvez fosse o primeiro cara realmente bonito que passou por mim hoje. 

Ele usava uma jaqueta de couro preta com amarelo. 

Se sentou no bar, bem de frente a minha pista, pediu uma bebida escura que parecia forte e desceu tudo de uma vez.

Dia difícil, talvez?

A imagem dele engolindo o líquido com a cabeça para trás era mais bonita do que eu podia imaginar. Suas veias saltavam na lateral da sua garganta enquanto a mandíbula estava perfeitamente marcada em um V.

Quando pousou o copo sobre a bancada, seus olhos se direcionaram para o palco.

Em menos de dois segundos, eles estavam cravados em mim. Astutos como olhos de raposa.

Sorriu.

E eu retribui por debaixo da máscara.

Não era comum eu me interessar por clientes — o que não era muito difícil dada a clientela de sempre — mas às vezes, em raros casos, apareciam colírios para os olhos como aquele.

Seus olhos corriam sob mim sem pudor enquanto eu fazia os movimentos no pole dance. Não que eu estivesse reclamando, de fato.

Desviei os olhos para o relógio. 

Duas horas em ponto. Era o horário do meu intervalo.

Me aproximei da ponta do palco para buscar as notas jogadas em minha caixa preta, mas antes que a fechasse, uma mão pairou sobre ela.

Olhei em direção ao dono. O loiro com olhos de raposa estendia uma nota de mil ienes entre dois dedos da mão direita.

— Belas pernas, Pássaro Preto — falou alto o suficiente para que eu escutasse, antes de depositar a nota dentro da caixa.

Sua voz era provocativa, quase sedutora.

Me olhou de novo, mas segundos pareceram horas pela vagarosidade em que me devorava com os olhos.

— Vejo que gostou, Olhos de Raposa — falei, mantendo o olhar grudado ao seu.

Seu olhar saiu de uma confusão amena, pelo apelido, para um divertido cinismo. E então se virou de volta para o bar, levando consigo um sorriso ladino que me arrepiou a nuca.

Quando o próximo stripper chegou, desci pelos fundos do palco, onde Akira me esperava com uma garrafa de água lacrada em mãos.

Respirei fundo, quase como se tivesse faltado ar nos meus pulmões.

— Noite de sorte — falou, encarando minha caixa.

Realmente. Quase quinze mil ienes.

Sorri.

— Noite de sorte — afirmei, virando meu rosto levemente até enxergar o bar.

O Olhos de Raposa estava sentado de frente ao bar, mas já não olhava para o palco. Parecia concentrado em sua bebida.

— Noite bonita também, não é? — Akira chamou minha atenção, olhando para a mesma direção que eu.

— Pode ir no seu intervalo, sabe disso, não é? — falou, ainda encarando as costas do loiro. — Ele é muito bonito.

Ela tinha um certa mania de me jogar em cima de qualquer cara — relativamente — bonito que aparecesse no bar.

Busquei a água da sua mão, bebendo uma boa quantidade antes de me virar para ela.

— Vou tomar um ar — falei, ignorando sua revirada de olho e me afastando da multidão até os fundos da boate.

Ela sempre deixava a porta da escada de incêndio destrancada para que eu fosse nos intervalos.

Ela é uma boa pessoa, de fato.

Respirei fundo, retirando a máscara para sentir o ar — quase — fresco da rua.

Busquei meu frasco de álcool em gel para passar no corrimão da escada, e assim apoiar o antebraço nele.

Era gostoso observar a rua dali de cima. Todos saindo e entrando em boates enquanto o resto do Japão dormia serenamente. Parecia um ponto de luz em um breu.

Endireitei o corpo quando reconheci o casaco do cara loiro saindo do bar. Ele descartou a pulseira de entrada na lixeira ao lado do ponto de ônibus, antes de sacar o celular do bolso.

Realmente, ele é muito bonito.

Observei sua pose, descansando sob uma perna. E tem uma bela bunda também.

Sorri, tombando o rosto para ver melhor.

Era engraçado ter esse lado meu que ninguém conhecia. Mais engraçado era pensar que enquanto todos os meus amigos dormiam tranquilamente, achando que eu fazia o mesmo, eu observava o Olhos de Raposa entrando em um táxi.

Ele se sentou no banco traseiro, abrindo a janela.

Era possível ver seu rosto mais nitidamente com a luminosidade da rua.

Ele parecia ter a minha idade.

Será que ele também escondia de todos os seus amigos esse lado seu?



Notas Finais


*Ienes equivalem a 0, 040 do Real Brasileiro. Quinze mil ienes é o mesmo que seiscentos reais, em média, no Brasil. (graninha boa ein, também quero 😭)

E aí, gostaram?

Quem amou o plot dessa fanfic?! Confesso que sou cadela desse gênero e em um surto resolvi escrever com Sakuatsu, acho que a vibe deles tem tudo a ver!
E aí, o que vocês acham que isso vai dar?
Um germofobico sendo stripper numa balada, o que poderia dar errado, não é?
E essa dupla personalidade… ai sakusa…

Sobre a fanfic: serão entre 25 a 30 capítulos (sim a maior fanfic de haikyuu até agora) e serão alternados entre Sakusa e Atsumu. Será dividida em três partes no desenvolvimento. Estará disponível toda terça e quinta às 21:00 em ponto. O tema é mais denso e um pouco mais trabalhado, mas vou tentar trazer de um jeito mais fluido pra vocês <3

Enfim, se você gostou dessa fanfic, visite meu perfil e desfrute de mais fanfics Haikyuu: @Singulare :)

Até o próximo!


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