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História Baretta - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


**** Não sou especialista em relações internacionais ou em geografia, os fatos reais estão sendo distorcidos para condizerem com a narrativa. Não leve a sério qualquer informação, a não ser a moral da história, a sério. É uma história pesada. ****

FALA CORNAIADA
sou mt hypada em anime e filme e série de máfia e tals, com inspiração em animes como Black Lagoon principalmente, mas também em Black Butler, Banana Fish e 91 days, escrevi essa fic vkook com tae bottom obv usando esse plot.
vai ser uma long fic, espero.
sem datas fixas de postagem, vou postando de acordo com a avaliação de vocês.
espero que gostem, boa leitura!

Capítulo 1 - Roanapour


— Não entendo o porquê da reclamação —, murmurou Hoseok.

Não que preferisse que Vossa Alteza não tivesse o arrastado do salão abafado para o jardim. Simpatizava bem mais com o silêncio, e aquela noite em particular estava linda.

— Não estou reclamando, você sabe. Só não estou acostumado com tanta agitação —, a brisa fresca da madrugada batia contra seus fios negros, os encaracolando junto de pequenas folhas e pétalas de flores que o vento trazia.

O jardim do Palácio parecia tão encantador contra a luz da lua cheia, numa noite quente de verão onde as cores das plantas pareciam tão vivas. Cruzou as pernas e olhou para cima, apoiando a cabeça no banco de gesso enquanto observava as estrelas expostas pela falta de nuvens.

— Mas você deveria aproveitar, daqui em diante você será definitivamente o herdeiro, sendo maior de idade. Quem me dera que eu pudesse ter bebido tudo o que eu podia antes de me instalar aqui. Você tem essa oportunidade agora.

— Está insinuando que não gosta de nossos serviços, hyung?

— Oh, claro que não, mas cuidar de um adolescente é bem desgastante —, sua resposta causou breves risadas no príncipe.

— Não haja como se trabalhasse de babá.

— Mas é quase isso. De qualquer jeito, temos que voltar. Você fez um escândalo para que pudesse convidar seus amigos para a festa, agora irá os deixar sós?

— Eu não pensei que depois de 2 minutos do parabéns eles iam ficar bêbados — riu.

— Mas a graça de festas de 18 anos é essa, agora você tem permissão legal para encher a cara —, o mais velho levantou do banco e estendeu a mão direita para o jovem príncipe.

— O irônico é que na teoria, a partir desse momento não posso mais me dar o luxo de me divertir. Tenho que carregar com destreza o fardo da realeza e conservar a reputação do nome da família —, levantou dizendo as palavras de sua mãe lhe dirigia após correr consigo para o bar do Palácio e jogar uma partida de sinuca, como se ela tivesse que esconder de todos que ainda conseguia se divertir.

Jungkook sorriu para o hyung. Ele estava certo, como sempre. A partir daquela noite viraria o próximo rei do país, tinha que aproveitar seus dias restantes de liberdade. Só de pensar que teria que colocar na prática todas as suas aulas de economia e relações internacionais, suspirava cansado.




Escutou o farfalhar das cortinas e raios de luz incômodos batalhavam contra suas pálpebras pesadas.

— Bom dia, Vossa Alteza.

Levantou o tronco e abriu os olhos com pesar, os friccionando contra a ponta de seus dedos. Um leve enjoo apossava seu estômago, em consequência da quantidade de álcool que consumiu na noite passada.

— Se apresse para levantar, iremos até a Itália daqui 30 minutos. O rei lhe reservou uma viagem —, Hoseok sentou-se na beira da cama do jovem mestre.

— Viagem? Meu pai não comentou nada sobre isso comigo — franziu o cenho.

— Estava nos planos dele lhe contar ontem à noite, mas ele se confundiu um pouco com a bebida — riu.

O príncipe sorriu se lembrando dos bons momentos que passara com seus pais e amigos na noite anterior, depois que todos os milordes de famílias importantes e duques haviam deixado o saguão.

— O que faremos lá? Ele irá nos acompanhar? — questionou se levantando da cama.

— Vossa Majestade está ocupado resolvendo negócios, apenas eu irei o acompanhar. Vamos para uma ilha próxima a Malta, Roanapour.

— Roanapour? Nunca ouvi falar.

— O rei disse que terá uma palestra de negócios na cidade, é como um importuno presente de 18 anos. Chame Yong-Sun para preparar seu banho, estarei aqui para ajudá-lo a se vestir —, Hoseok sorriu melancólico uma última vez antes de ver o príncipe apertar um botão ao lado da porta do banheiro da suíte, uma campainha reservada apenas para chamar a criada.

A viagem de avião até a Itália foi rápida. O príncipe adorava andar de avião, enaltecer a tecnologia. Então estavam no porto de Sicília, iriam pegar um navio até a ilha de destino. Jungkook estava animado, nunca havia navegado pelos mares. Não tinha muito o que ver, apenas uma imensidão azul, mas apenas isso já o encantava. Vomitou algumas vezes à beira do navio, seu organismo não estava acostumado com tanto movimento, entretanto, não se preocupou em se sujar. Naquele momento, vestia apenas uma calça jeans surrada e uma velha camiseta branca, tênis nos pés.

Ficou surpreso quando o hyung lhe entregara as peças, achou que era apenas para que ficasse confortável na viagem e que os ternos caros com o brasão de seu reino o esperavam dentro da mala, que descobriu ser apenas uma mochila, só que, incrivelmente, as roupas ali dentro eram tão simplórias quanto as que vestia. Hyung disse que a cidade para o quão iriam era pobre e carente, que era melhor usar roupas comuns para não ter a preocupação de ser roubado.

Logo estavam no porto de Roanapour. Era uma ilha bonita, com muito verde e com seus relevos cobertos por casas simples e pequenas. Pareciam com as favelas latinas do qual estudava em suas aulas particulares de geografia.

A entrada para cidade não era bonita ou decorada, passaram por alguns aros de metal em pé, como os daquelas torres de eletricidade. Ficou apreensivo ao passar pelo caminho, afinal, no primeiro aro estava uma corda amarrada, com um nó de força. Tentou perguntar ao hyung o que era aquilo, todavia ao o encarar se assustou. Hoseok carregava uma expressão séria no rosto. Suas bochechas pareciam rígidas, seus olhos, muito pesados. Nunca presenciou Hoseok daquele jeito. Não entendeu o porquê da cara amarrada, preferiu apenas ignorar e o imitar.

Logo estavam no que parecia a avenida de entrada da cidade. Era barulhento, o sol estava se pondo, os prédios mal acabados estavam laranjas, com placas caindo pelos furos que pareciam com aqueles de bala no velho oeste. Ao passarem próximos a calçada viu todos os moradores que estavam ali os encararem. Homens com fardas de polícia fumando cigarro com mulheres de vestidos curtos sentadas em seus colos, conseguiu observar o relevo no bolso de trás de cada um dos indivíduos ali, assim como coisas estranhas presas no sutiã entre os seios das mulheres semi-nuas ali. Eram armas. Passou por uma esquina onde haviam homens com dentes de ouro expelindo fumaça pelas narinas, um cheiro forte vindo de um tipo de cigarro do qual nunca viu. Haviam muitos bares ao redor, onde as mesas para fora das estruturas estavam cheias de pessoas com copos de bebida nas mãos. Todo barulho havia cessado. Os olhares em si o assustavam. Nunca tinha visto pessoas assim.

Haviam placas de led com silhuetas de mulheres nuas nas lojas, muitos bares, grades firmes de ferro nas portas de qualquer estabelecimento. 

Seguiu Hoseok até um hotel com paredes de concreto inacabadas, o lugar parecia um pequeno prédio abandonado. Se instalaram num pequeno quarto com uma cama de casal, um banheiro nada receptivo e uma pequena sacada que dava vista para uma parte da cidade. 

— Hyung... Aonde estamos?

Estava plantado no meio do quarto, pensando no porquê de estar num lugar como aquele. 

— Roanapuor, príncipe.

— Que tipo de lugar é este?

— A capital do tráfico, príncipe.

Ficou em silêncio por alguns segundos observando Hoseok abrir suas mochilas. Capital do tráfico? Por acaso estavam em algum tipo de comic book

— Por que caralhos meu pai me traria pra cá? Você está me sequestrando?

Hoseok riu. Sentia uma dor em seu coração ao ver Vossa Alteza nessa situação. Sentia raiva do rei, sentia raiva de tudo. Contudo não havia o que fazer, esse era o destino de seu protegido.

— Não há motivos pelo qual eu te sequestraria, príncipe. Porém, não me deram permissão para te explicar nada, terá que esperar a palestra. Com sua licença, irei ao banheiro.

Estava confuso. Muito confuso. Seu pai havia o vendido para o tráfico? Não, não havia motivos para isso, não era lógico. Por que estava num lugar como este então? Queria voltar pra casa. Naquele mesmo instante.

Quebrando o silêncio, escutou batidas na porta. Se dirigiu até ela e a atendeu. Infelizmente, a atendeu.

— Oh, então cansou de se esconder, pirralho —, um homem grisalho de hálito forte que estava cercado de outros três homens lhe encarava com ódio nos olhos, — quem você acha que é para enganar a gente, seu bostinha? — se aproximava de si, — quem você acha?

— É, quem você acha que é, seu desgraçado? —, um dos outros homens completou.

— Você enrolou a gente por três fodidas semanas —, o homem sacou uma arma, lhe fazendo arregalar os olhos.

— Você está confundindo as pessoas, eu acabei de chegar na cidade!

— Cala a boca, filho da puta! — o homem lhe agarrou pelo pescoço de apoiou a boca da arma em sua cabeça

— Mata ele, chefe!

— Isso chefe, ele vai pagar com a vida!

— Entendeu, seu bosta? Você vai morrer e vai servir se exemplo pra todo mundo que pega nossa mercadoria e não paga.

Já não respirava mais, estava muito, muito, muito assustado! Iria morrer daquela maneira, na mão de uns homens sujos que fediam à carniça?

Suas divagações pararam quando escutou um estrondo e o homem que lhe segurava perdeu as forças e caiu no chão, com um furo entre as sobrancelhas.

Não esperou um instante e correu para um canto do quarto, vendo Hoseok com uma arma na mão direita.

— Seu... Maldito!

— Quem você pensa que é para atirar no chefe?

— Vamos mostrar pra ele a cor dos miolos dele!

Os três sacaram suas armas e apontaram para Hoseok, mas, antes que pudessem atirar, escutou mais três tiros e agora na testa de cada um dos homens havia um buraco negro.

Eles estavam mortos. Caíram no chão como sacos vazios. A vida deles havia se esvaído. Pareciam sacolas de batata. Só que sem as batatas dentro. Sua mente se perdeu em pensamentos. Eles... Eram tão frágeis assim?

— Não deve atender uma porta sozinho nessa cidade, príncipe.

Virou a cabeça com cuidado e encarou Hoseok. Sua expressão continuava séria, e tinha uma arma numa das mãos. Nunca havia pensado na imagem do cara que havia lhe criado com olhos tão negros e profundos. Não estava com medo, estava em choque.

Três pessoas haviam sido mortas em sua frente. E mortas pelo seu hyung. 

— Iremos à reunião às 10 da noite — interrompeu seus pensamentos, — no tempo que nos resta, podemos tomar um sorvete, o que acha? — e pela primeira vez naquela cidade seu hyung havia falado normalmente consigo.

Aquele lugar lhe amedrontava, muito. Se sentia como num sonho, e apenas queria acordar. Mesmo após uma situação daquelas, andou sem receio ao lado de Hoseok. Mesmo assustado, seu instinto tinha o hyung como casa, como proteção.

A noite chegou, passaram toda a tarde comendo coisas e bebendo cerveja. Em silêncio. Vestia um boné e a mesma roupa da manhã, acompanhou Hoseok até We Are Bastards, um bar grande no centro da cidade conhecido apenas como Bastards.

Se sentia em um filme do Clint Eastwood. Todas as mesas do lugar estavam cheias de bêbados e com pelo menos uma arma nelas. Se dirigiu até uma mesa no canto onde havia um jovem rapaz de cabelos cinzas fumando um cigarro, rodeado de prostitutas.

— Oooh, Hoseok! —, exclamou com um sorriso no rosto, dispensando a mulher que estava em seu colo para que pudesse sentar direito, — essa é a princesa da vez? — encarou o príncipe, — ele não parece toda aquela coisa que Yo-han disse.

Yo-han, o nome de seu pai. Poucas pessoas sabiam o nome do rei. 

— Não viemos aqui pra falar com você Jimin, aonde está o Kim?

— Olha, está bravinho, Seok? — levantou da mesa e se aproximou de Hoseok, — você devia manerar seu tom, não é mais um de nós.

E tudo foi muito rápido. Quando viu, o tal Jimin tinha seu peito pressionado contra a mesa de madeira e Hoseok o empurrava torcendo seu braço.

— Aonde está o fodido do Kim, porra? — exclamou.

A esse ponto, todos do bar os olhavam.

— Ei, ei! Proibido brigas aqui dentro, seus palermas! — um senhor atrás da bancada do bar que parecia ser o dono, exclamou.

— Eu já entendi, eu já entendi, Seokie, pode me soltar — respondeu, gemendo de dor.

Hoseok o deixou levantar.

— Se fazer alguma gracinha com o príncipe, eu te mato — concluiu.

Então seguiram Jimin por um corredor atrás da bancada do bar. Logo estavam numa sala silenciosa, onde homens de terno rodeavam um homem sentado numa poltrona no centro da sala, que se destacava. Tinha cabelos louros, um lenço curto amarrado no pescoço e um terno elegantemente ajustado. As pernas estavam cruzadas e entre os dedos com unhas pintadas de preto segurava um charuto aceso.

— Oh, vocês chegaram. Estão bem na hora, na verdade. Fico feliz que dessa vez Jimin não causou problemas —, o loiro encarou rapidamente Jimin e Hoseok, logo fixando seu olhar no príncipe, — sente-se, príncipe, e já pode se retirar, Park.

O príncipe engoliu seco e então se sentou na poltrona em frente ao homem. Ele era diferente de todos os outros fortes e belos que lhe rodeavam. Ele tinha uma áurea delicada e calma. Quase sorriu, sentindo-se feliz em encontrar ali alguém que, aparentemente, era normal, gentil, que não o assustava. 

— Deseja algo para beber, Vossa Alteza? —, apontou com o queixo para a garrafa de whisky com mel no centro da mesa que os dividiam.

— O príncipe... — Hoseok começou a falar, então foi interrompido.

— Gosto de chá, obrigado — Jungkook respondeu rápido, não estava exalando a firmeza que queria, mas pelo menos tinha uma resposta.

O homem sorriu.

— Perfeito. Tragam um chá para o príncipe, por favor. Esqueci que os ingleses gostam de um bom chá. Ainda bem que tenho um pouco de erva guardada. Creio que não será tão saboroso quanto os que toma em sua terra Natal, espero que releve, Alteza.

De tragada em tragada, o homem deixava a sala embaçada com a fumaça do charuto.

— Yo-han me pediu para ir direto ao ponto com você. Entretanto, não sei se você expressa tanta firmeza ao ponto de aguentar todas as tuas responsabilidades.

Seu chá havia chegado.

— Vir para cá já não é firmeza o suficiente? — goleou o chá.

Havia tido aulas de como se comportar em reuniões. Respostas curtas e objetivas, sempre expressando segurança e certeza em suas palavras. Esperava não estar falhando tanto nesse último tópico.

— Boa resposta, Alteza — sorriu, — Roanapour é a cidade do tráfico, como provavelmente Hoseok já lhe explicou. Na Segunda Guerra Mundial, os Aliados tentaram fazer daqui um depósito de armamentos, e deixavam qualquer um entrar, em busca de mão de obra. No fim, ela foi abandonada e os empregados ilegais dominaram a cidade, virando o principal ponto de comércio do sub-mundo. Nos dias de hoje, aqui é a minha cidade.

— Sabe, na era monarca era comum que os reis criassem laços com líderes criminosos. Hoje em dia, não só monarcas, qualquer líder político busca relações com pessoas que trabalham com coisas, digamos, ilícitas, para poder ter uma noção melhor de como controlar a população. O meu clã, Kim, exerce esse papel em nome dos Reis da Inglaterra há muito tempo. Nós matamos, roubamos, fazemos qualquer coisa ilegal que a realeza deseja mas que não pode, já que tem um grande papel para preservar. A partir de hoje, sendo o próximo herdeiro, você terá que aprender a controlar o submundo, a controlar o meu clã. Porque, a partir do momento que eu achar que você não é forte o suficiente, eu vou derrubar a Inglaterra e dominar qualquer relação comercial do reino. Entende o que quero dizer?

O loiro dizia tudo de um jeito tão simpático que demorou para absorver a gravidade das coisas que falava. Sua mente colapsou. Mesmo nascido em um berço de ouro, sabia da dificuldade que a população passava em relação a criminalidade, sabia da existência desse lado negro do mundo, obviamente. Só que, nunca o imaginou tão perto de si. 

— Então vamos conversar sobre os próximos planos. Desde a guerra na Venezuela, muitos sul-americanos tem se juntado à gente. A partir da América Central temos uma das terras mais ricas e produtivas do mundo. Recentemente, dominamos as ligações da região com ajuda dos refugiados e agora temos controle de uma das maiores plantações de ópio do mundo. Estamos bem, muito bem. Porém, nosso real desejo é dominar a América no geral. Isso inclui a América no Norte, uma das maiores potências militares. Nós já temos muito domínio na Ásia, nosso principal fornecedor de armamentos e agentes especiais são da Tailândia. O Hotel Moscou, a máfia russa, também já está conosco, os ex-militares da União Soviética e muitos ex-agentes da KGB, que formam uma base em Moscou nos dá muito potencial explosivo. O que nos falta é tentar conseguir a Oceania. A Indonésia não é muito difícil de invadir, mas a terra que precisamos mesmo está na Nova Zelândia, por ser um país isolado de relações internacionais, praticamente, mas precisamos de bons navios para lidar com o Oceano Pacífico. Todavia antes de agir em qualquer coisa nesse quesito, os duques querem que demos conta de grupos revoltados na própria Inglaterra. Temos que ter um lugar estável para ser o centro do mundo. Nós já localizamos alguns grupos de crime organizado que são contra o rei e a rainha, semana que vem mandarei algum homens pra lá, se der tudo certo, todos serão mortos e poderemos seguir adiante com as coisas.

Silêncio. Matar pessoas? Quem aquele homem era para achar que tinha o direito de tirar vidas alheias? Que tipo de filme dos anos 60 era aquele? Seu hyung lhe encarava com súplica no olhar, como se clamasse para que ficasse quieto em seu lugar. Quieto? Grupos revoltados contra o reino? Ópio, América, Ásia, Oceania. O mundo era tão amplo, haviam tantas pessoas, e aquele homem conseguia falar como se já tivesse a vida de cada ser vivo em suas mãos. O príncipe levantou.

— Matar? Você é idiota? A Inglaterra é minha casa, meu território por direito, ninguém lá vai morrer que não seja por minha ordem! — estava irado, não queria se envolver com aquele tipo de coisa, mas mortes? 

Se lembrou do acontecimento hoje pela parte da manhã que havia apenas absolvido, os quatro homens com um headshot exemplar. Eles... eram pessoas. Tinham uma história, uma família. Todos têm. Mortes não eram uma opção plausível, não naquele momento, naquela situação. 

Hoseok suspirou.

Demorou apenas alguns segundos para que o homem loiro se levantasse. Dessa vez, seu sorriso exalava algo mais parecido com irritação. Seu terno farfalhava enquanto se aproximava do príncipe, o charuto se apoiando entre os lábios vermelhos, e, quando estava frente a frente com o tal, não se intimidou, agarrando o pescoço do garoto e o empurrou contra uma das paredes da sala. Jungkook se surpreendeu com a força daquele homem ao sentir seus dedos finos pressionando sua mandíbula e sua palma a garganta. Aonde estava o homem de palavras mansas e gentis? Agora, só conseguia sentir arder o fogo das chamas que seus olhos emanavam. Era ódio, ira. Era como se o fôlego tivesse escapado de seus pulmões. Com os olhos arregalados e desesperados pela situação inesperada, encarou o rosto próximo até demais de si, sentindo seu corpo ser cada vez mais pressionado contra a parede.

— Taehyung! — Hoseok exclamou, mas antes que pudesse avançar contra o chefe Kim, seus subordinados lhe apontaram suas armas.

— Você tem muita sorte de ter muito dinheiro em sua conta bancária, príncipe Jeon — o, agora, Taehyung roçava o nariz em sua orelha, sibilando com a voz rouca, — eu vou relevar sua atitude por ser sua primeira vez aqui, mas você tem que entender que, nesse mundo, o meu mundo, eu quem mando. Você acha que eu queria estar aqui dando aulinha de economia básica pra uma criança mimada? Eu poderia estar bem chapado com cinco putas do meu lado. Se não depositassem uma porrada de dinheiro na minha conta no fim do mês, todos vocês já tinham tido a oportunidade de conhecer os próprios deuses. Espero que você endireite sua postura, príncipe. E aqui vai um conselho: aprenda a lidar com isso tudo logo, antes que sua família seja expulsa do poder e vocês comecem a ser perseguidos por maníacos doentes rancorosos. 

Então, finalmente, o loiro o deixou respirar. As marcas vermelhas dos dedos do Kim haviam impregnado a tez imaculada. Respirou fundo, desesperado. Passou por sua cabeça que morreria de asfixia se o homem continuasse a lhe pressionar por mais um instante.

— Seu... — Hoseok exclamou.

— Você não pode o resgatar de seu fardo, Jung — o loiro sorriu para o velho amigo, — espero que consiga educar direito seu bichinho de estimação.

Abotoando seu paletó, o loiro saiu da sala junto de seus homens.




Pensou que não conseguiria dormir quando chegou em seu quarto de hotel pelo tanto de coisa que passava por sua cabeça. Só que estava exausto pela viagem longa, então logo caiu no sono. Quando despertou, já era de madrugada. Sentiu falta da presença de Hoseok no outro lado da cama, então o avistou na sacada, fumando um cigarro.

— Não sabia que fumava, hyung — se dirigiu para seu lado, apoiando os cotovelos nas vigas de metal.

— Fumo só quando venho para cá — seus olhos estavam vermelhos.

Ficaram em silêncio por algum tempo.

— Eu não queria que tivesse que passar por tudo isso, Kookie.

Hoseok chorava.

— Não queria que se envolvesse em assuntos como esse. Não queria que conhecesse esse outro lado das coisas. Queria que tivesse uma vida normal. Porém você é o herdeiro, não tem como impedir. Você vai precisar entender cada ponto econômico e político, vai ter que achar um modo de conseguir controlar todos esses filhos da puta que habitam essa cidade. O clã Kim, os chineses, os colombianos. Todo mundo. Essa gente não tem medo de matar, nem medo de morrer, Kookie. Na verdade eles gostam desses jogos, dá adrenalina. Eles são doentes, Jungkook. Doentes. São o pior tipo de gente. Eu tentei convencer Yo-han a deixar essa viagem apenas para seus 21 anos, quando você finalmente virasse rei e tivesse que abandonar sua vida normal. Mas não deu. Me desculpa, Jungkook, me desculpa mesmo. Nós sempre tivemos a ideia de que são eles que fazem o trabalho sujo, mas quem é pior, quem comete os crimes ou quem os planeja? Que bosta, Jeon, mas que porra! Eu juro que farei o máximo para te proteger de tudo isso.


Notas Finais


SE GOSTARAM, SE ESTAO INTERESSADOS, POR FAVOR DEIXE SUA AVALIAÇÃO
insluive a capa fui eu q fiz atendo pedidos rs
obrigada por ler, até o próximo!


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