História Baseado em nós - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bissexualidade, Lgbt, Original
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Palavras 2.708
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Ficção, Fluffy, Hentai, Lemon, LGBT, Literatura Feminina, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oiê! Finalmente trazendo o segundo capítulo dessa história! Estou com provas e trabalhos para fazer, por isso dei um tempinho. Aliás, fiz algumas modificações no primeiro capítulo, já que ele está em revisão. Adicionei algumas informações importantes, então chequem se possível!!!

And...esse capítulo é para a introdução da Sarah, então as personagens ainda não se encontrarão. Considerem esse e o primeiro capítulo como uma espécie prólogo.

Tirando isso, tenham uma ótima leitura!💕

Capítulo 2 - 02: O Problema Da Solidão


Baseado em nós

02: O problema da solidão


Estava no táxi, olhando a paisagem, sem muita esperança no olhar. Sarah via prédios e mais prédios, um céu cinza e algumas pessoas andando apressadas para compromissos, e claro: carros, para ser mais exata, muitos carros, tipo, carros para um cacete! Ela parou a música "Photography" do Ed Sheeran no Spotify e guardou os fones e o celular na bolsa.

A paisagem havia mudado rapidamente: agora o cinzento se tornou vivo, uma praia. A praia estava vazia, apenas com o Sol à se pôr acompanhando as ondas do mar. Sarah abriu um sorriso: saira da cidade caótica para uma das mais belas paisagens naturais que a Terra já lhe mostrou.

O táxi parou em frente a calçada da praia. Ela saiu do automóvel dando uns trocados para a motorista. Quando fechou a porta, sentiu a brisa da beira da praia mover suas longas tranças, ela sentiu um cheiro gostoso e relaxante. Arrumou seu chapéu azul e colocou os óculos de sol, apesar de que a estrela já estava se pondo, tirou sua sandália marrom e segurou-a, sentindo a areia sob os pés descalços. 

Sarah caminhou por um tempo, apenas escutando as ondas do mar quebrarem à medida que chegavam na beira. Ela viu o Sol se pôr em um lindo crepúsculo, e apontou a câmera —que havia trazido consigo na bolsa— para tirar diversas novas fotos.

Chegando a um amontoado de pedras pretas grandes, ela se sentou e tirou novas fotos. Deitou o pé na areia e pegou uma concha, colocando-a próximo ao dedão, tirando outras fotos. 

Quando o Sol se pôs por completo, a escuridão tomou conta da praia. Sarah se aprontou para deixar aquela paisagem explendida para ir para casa e editar as novas fotos. Àquela altura, o álbum novo estaria pronto antes de dezembro. Enquanto caminhava de volta, sentiu o frio que a natureza trouxe, para compensar o calor de tarde, mas apesar de estar tremendo, não conseguia deixar de se encantar com a beleza natural em que estava.

Ela deixou o lugar, mesmo que sentisse uma grande vontade de se agarrar àquilo, mesmo que quisesse dormir ali para sempre. A praia era o melhor lugar do mundo para Sarah.

Alugou uma bicicleta alí perto, acabara os trocados para pedir um novo táxi, então decidiu ser mais ecológica. Ela voltou à cidade cinzenta. As ruas estavam lotadas: boates, restaurantes, clubes, bares, tudo! Era horrível passar por entre os milhares de seres humanos que estavam alí, mas Sarah já havia se acostumado com o tumulto.

—Nunca vi tanta mau educação em tão pouco metro quadrado.— reclamou para si mesma após levar uma cotovelada de alguém.

Mesmo irritada, ela terminou de passar pelo centro da cidade sem brigar com ninguém, como era de costume. Entrou por uma ruazinha meio deserta, parando em frente à uma casa térrea amarela toda florida.

"Depois eu devolvo a bicicleta." Pensou consigo mesma.

Ela abriu o portão da casa e entrou no jardim da frente, conversando e observando as plantas e as flores, não era novidade que ela amava a natureza. Parou em frente à uma roseira e acariciou as pétalas de uma rosa branca.

—Você tá muito linda! Vou pegá-la para colocar em vaso, ok?— ela perguntou para a rosa. —Me sinto um pouco o Pequeno Príncipe.— soltou uma risada fraca.

Sarah pegou na bolsa uma tesoura pequena e cortou delicadamente a rosa branca, tomando cuidado para não encostar em nenhum espinho.

Se direcionando, agora sim, para a entrada da casa, adentrou pela porta e rapidamente o cheiro de bolo adentrou pelas suas narinas. Ela percorreu a sala escura e alí havia uma mesa de jantar também. Chegou na cozinha e encontrou o pai fazendo uma torrada. 

—Oi pai!— o homem se vira e abre um grande sorriso.

—Oi querida!— Sarah vai até o pai e abraça-o.

Quando se separam, ele avisa:

—Estou fazendo um bolo de fubá, daqui a pouco ele fica pronto.

—Ótimo! Eu vou para o quarto, me chama quando ele ficar pronto.

Ela saiu da cozinha e foi para o seu quarto: pequeno, mas era aconchegante. Ela colocou a rosa branca em um vaso de vidro em cima de uma cabeceira do lado da cama, onde se deitou na mesma e pegou seu notebook que estava ao lado, e, agarrou a sua câmera de dentro da mochila. Conectou os dois aparelhos por um fio e abriu o aplicativo do Photoshop.

Passou o resto da tarde arrumando a saturação, a sombra, a luminosidade, as cores, colocando filtros e tudo para que as fotos saíssem o mais profissionais possíveis. 

Ela para por um instante e alonga os músculos, relaxando-os. É quando ouve uma batida na porta.

—Querida... O bolo está na mesa.— a voz que Sarah identificou ser o seu pai anunciou.

—Estou indo...— a garota pronúncia.


[...]


Enquanto comiam, Sarah percebeu que o pai estava cansado, com um olhar depressivo. Não sabia explicar o quê, mas sabia que havia algo errado. Muito errado. Ela largou o garfo que estava usando para cortar o bolo em pedaços e levá-los até a boca, então falou, se virando para o pai:

—Pai... Está tudo bem?— ela encostou na mão dele e olhou-o preocupada.

O homeme suspirou, observou a filha por um momento, mas falou:

–Sabe... Esses dias estão terríveis.— ele olhou para baixo, para o seu prato e deu uma fungada, mas continuou —Eu fui despedido.

Sarah arregalou os olhos, não estava acreditando no que o pai acabará de dizer. Ela parou de respirar por alguns segundos. "Não, não, não!" Seu pai trabalhara por anos como professor de matemática na escola pública.

—Sarah?— o pai da jovem perguntou olhando-a tristemente.

A garota pareceu acordar de um transe e piscou diversas vezes, olhando para o pai, ainda triste.

—Pai...

Ela parou. A sala ficou silenciosa por alguns segundos. Sarah se levanta e abraça o pai, que retribui o gesto carinhoso.

—Não importa o que lhe aconteça, eu sempre irei apoiá-lo e amá-lo incondicionalmente.— falou Sarah, envolvendo o pai com um abraço mais forte.

Os olhos do homem derramaram lágrimas, que se juntaram com as da filha logo depois. 

Um momento lindo, de amor e solidariedade entre um pai e uma filha, sozinhos e desolados com inúmeros problemas para cuidar e poucas soluções para usar.

Os dois terminaram o lanche e Sarah voltou para o quarto, preparando mais algumas fotos. Pegou seu celular e abriu nas mensagens:


Sarah? 

É a Molly! Queria saber se você poderia fazer algumas horas extras para suprir o emprego do Albi. Você pode?


Sarah deu uma longa bufada, mas lembrou do pai e que eles precisavam de dinheiro nesse momento.


Claro, Molly!

Mas eu serei reembolsada?


Alguns segundos se passaram e as mensagens foram visualizadas.


Sim!!!

Que ótimo! Sempre posso contar com você!!!! Bjs.

•3•


Então Sarah desligou o telefone e se preparou para um descanso, pois amanhã teria que ir para a faculdade e logo depois para o trabalho, adicionando as horas extras que acabara de aceitar.

—O que eu não faço pelos outros?— reclamou para si mesma.


[...]


Acordou cedo, com a luz da manhã servindo como um despertador para os seus olhos cor-de-mel e se levantou da cama, arrumando-a logo em seguida. Esticou os braços para alongar os músculos e bocejou, indo para o banheiro. Lavou o rosto e tomou uma ducha morna, se secando rapidamente. Pegou uma roupa casual: blusa branca, casaco xadrez vermelho, um jeans preto e um Vans também preto. Arrumou as tranças longas em um coque bem feito e colocou um rímel. Arrumou sua bolsa e pegou o celular, conferindo o horário: oito e meia. Saiu do quarto e foi para a sala, se despedindo do pai com um beijo na testa.

—Vá com Deus.

A garota sorriu.

—Sempre.

Ela saiu pela porta da frente, trancando-a. Começou a conversar com as flores conforme passava pelo jardim, sentindo o aroma de perfume natural que a natureza trazia consigo. Ela pegou a bicicleta que trouxe para a casa na noite passada e começou a pedalar pela cidade.


[...]


Ela chegou em um prédio velho de cimento pintado de azul-escuro —já descascando— e com sinais de abandono. Apesar disso, quando entrou pelas portas rangentes de vidro resistente, se viu perdida em uma multidão de pessoas que olhavam para pinturas abstratas e surrealistas penduradas nas paredes, mas Sarah já estava acostumada com isso: às vezes, a galeria lotava rapidamente, é nesses casos que Sarah tinha que trabalhar para suprir a quantidade de pessoas que estavam dispostas a comprar os trabalhos de Molly.

—Sarah! Finalmente!— uma voz feminina grave veio em direção à Sarah. 

Uma mulher alta e corpulenta, com cabelos pretos e olhos verdes se aproximou da garota.

—'Tá lotado hoje, né?— Sarah falou quando Molly se aproximou.

—Sim, hoje está uma loucura! Obrigada por aceitar as horas extras, até eu achar alguém que possa substituir o Albi...— a mulher suspirou.

—Sem problemas, preciso da grana de qualquer jeito.

Molly ficou surpresa e fitou Sarah.

—Por que?

Sarah engoliu seco e ficou nervosa, não gostava de falar sobre a vida pessoal.

—Meu pai 'tá desempregado.

Houve um silêncio constrangedor por alguns longos segundos, até que Molly segurou no braço de Sarah calmamente. Sarah estranhou o toque, não era muito de afeto com outras pessoas além do pai.

—Está tudo bem. Se lembra quando eu te contei que achava que nunca iria encontrar um emprego por ser trans? E agora? Estou aqui, sendo dona do próprio negócio, com uma clientela e tanto! Seu pai vai achar um trabalho rapidinho, você vai ver!

As duas se abraçaram e naquele breve momento de amor, Sarah se sentiu acolhida e feliz. Ao se separarem, Molly olhou-a nos olhos e disse:

—Agora vá trabalhar! Preciso muito que você seja a caixa por um momento enquanto falo com os clientes, ok?

Sarah limpou os olhos marejados com a manga do casaco e acenou com a cabeça.

—Ok.

Molly e seu pai são as únicas pessoas com quem Sarah desabafa e com quem ela pode chorar nos ombros, eram eles que lhe davam carinho e suporte. Ela agradeceu aos céus por ter uma pessoa tão boa em sua vida. Sarah nunca gostou muito de pessoas, sempre acabava se decepcionando com elas. A última vez que se abriu para alguém, terminou um namoro. Não queria nunca mais fazer isso, passar pela dor de abandonar um relacionamento que fora construído de afeto e confiança, para ela, não havia dor maior do que aquela em que você perde a confiança de alguém que ama. Isso sempre a fazia se sentir sozinha, presa em um poço de solidão.

Ela trabalhou normalmente naquele dia, mas ficou umas duas horas à mais, até a galeria fechar e Molly poder descansar. 

—Dia agitado.

Molly sorriu.

—Nem me diga, acho que vendi umas vinte.

—Vinte e três —corrigiu Sarah.

Molly agradeceu-a mais uma vez e lhe deu algumas notas que somavam quinhentos dólares. As duas se abraçaram e Sarah saiu do prédio. Já era de noite, o que impedia a garota de poder tirar mais uma seção de fotos. Ela pegou a bicicleta e deixou-a em um dos “estacionamentos para bicicletas” (como ela gostava de chamar) por perto, chamando um taxi logo em seguida, pelo celular, pretendendo ir para a casa o mais rápido possível.


[...]


Sarah se preparou para deitar, mas antes resolveu abrir o Instagram para ver algumas fotos e também atualizar o feed. Ela passou por algumas fotos profissionais, feitas pelos fotógrafos que ela mais gostava, mas acabou parando em uma foto de Jennie, beijando outra menina, sua namorada provavelmente. Com raiva, desligou o celular e gardou-o na cômoda, se virando para deitar de rosto no travesseiro. Lágrimas escorriam pelo seus olhos e ela se sentia vazia, a depressão que se acumulava em seu interior tomou conta por completo de sua mente, deixando-a solitária e à mercê de pensamentos obscuros.


Não confie nos outros

Não confie nos outros 

Não confie nos outros


Ela repetia em sua mente.

Foi assim que dormiu: com o rosto inchado e sem conseguir mais chorar, de tantas as lágrimas que saíram de seus olhos, sozinha e presa em uma depressão infinita, que não queria ir embora de jeito nenhum.

Sarah achava que aquela noite tinha sido péssima, mas não sabia que podia piorar. Ela acordou de repente, num susto, com tossidas pesadas vindas do quarto do pai. Ela saiu correndo, se levantando da cama, e foi de encontro ao pai, caído no chão, com as mãos no pescoço, tentando impedir a tosse, sem sucesso. Sarah estava estática em frente ao pai, sem saber o que fazer, apenas trocando o olhar entre o pote de remédios vazio e o pai tendo um ataque caído no chão. Ela pegou o celular e ligou para a emergência, estava chorando, se sentou ao lado do pai, com a mão no seu rosto, dizendo “vai ficar tudo bem” repetidas vezes.

—Alô —uma voz falou do outro lado da linha.

—A-al-lô?... M-meu pai-i 'tá tend-do um ataque... Me aj-juda... Po- por favor...— Sarah soluçava e mais lágrimas caíam.

Meu deus! Ok, qual o seu endereço?

Sarah recitou o endereço gaguejando novamente.

Uma emergência está sendo enviada para aí.

Sarah só olhava para o pai, ainda tossindo, quase sem pulso. Suas lágrimas caíam sobre o rosto enrrugado dele.

O-obrigada.

Ela desligou o celular e o jogou longe, por sorte ele caiu em uma almofada, sem danos. Ela começou a gritar e a soluçar sem parar.

—POR QUE COMIGO?!

Ela começou a ouvir a sirene da ambulância chegar mais perto. Paramédicos chegaram e levaram o pai de Sarah para a marca, tentando reanimá-lo. Um deles perguntou o que acontecera, mas Sarah só conseguia gaguejar:

—A-acordei... Tos-se... E-emergênci-ia.

Ela aproveitou o momento em que o pai estava sendo reanimado para ligar para Molly e avisar sobre o que aconteceu. Molly não atendeu, provavelmente estava dormindo, então Sarah deixou um recado explicando a situação.

Ela foi junto, na ambulância, para o hospital. Olhava os paramédicos trabalharem o mais rápido que podiam, o pai estava por um fio entre a vida e a morte.

Quando chegaram ao hospital, ela ficou na sala de espera. Mandou uma mensagem para Molly: Estou no hospital.

Se passaram alguns minutos e ela ouviu passos apressados entrarem na recepção. Viu que eles pararam ao seu lado e braços a envolveram em um abraço carinhoso e apertado.

—Vai ficar tudo bem... Desculpa não vir antes.

Sarah apenas abraçou Molly de volta, sem falar nada, apenas chorava, sendo abafada pelo tórax da mulher que acariciava suas tranças soltas.


[...]


Molly pegara no sono, com sua cabeça encostada no ombro de Sarah, que olhava o tempo todo para o celular e para o fundo do hospital, esperando algum médico chegar e explicar que o pai está bem, que foi apenas um susto. Era madrugada e ela já havia preenchido a ficha do pai com a recepcionista. Até se preocupar com o dinheiro, os custos que um hospital como esse pode trazer eram muitos, mas Molly a reconfortou, dizendo que pagaria por tudo.

Olhando para o celular ansiosa, Sarah não percebeu que uma médica se aproximou dela.

—Sra.Tompyson?

Sarah levantou a cabeça, com os olhos inchados encarou a mulher na sua frente.

—S-sim...?

A médica suspirou.

—Sou Susan, vou cuidar de seu pai. Ele está em estado grave, pode morrer até mesmo se tocarmos nele. Ele terá que repousar.

Sarah engoliu seco antes de perguntar:

—Ele pode morrer?

A médica desviou o olhar para baixo e ficou alguns segundos em silêncio, antes de voltar sua atenção para Sarah.

—Ele tem mais probabilidade de morrer do que de sobreviver, sra. Tompyson.

Sarah arregalou os olhos. Não podia acreditar em tudo que acabara de acontecer. Um segundo atrás estava tudo bem, agora tudo está desmoronando. Ela não sabia o que fazer. Não podia perder mais nenhuma pessoa que amava na sua vida. Parecia que a sua vida perdera o sentido, se viu solitária e presa em um mesmo abismo de solidão novamente. Por que? Por que? Por que? Se perguntava o tempo inteiro, sem obter respostas.

Sua vida parecia desmoronar a cada segundo. Mas Sarah não sabia que sempre havia uma luz no fim do túnel, aquela luz que te traz esperança, aquele porto-seguro, como a Molly, mas essa luz era diferente. Essa luz tinha nome e sobrenome.




Notas Finais


Final bem novela, haha!

Bjs, prometo postar mais rápido! Não desistam dessa fic!!!


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