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História Bastardo Inglório - Capítulo 10


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Notas do Autor


Olá!
Primeiro de tudo eu quero agradecer pelo apoio de cada um, eu to toda feliz que a fic chegou a 50 favs aaaaaaaaaa
Bem, essa semana foi difícil para mim e pensei que não conseguiria escrever um novo capítulo, mas lá pelo finalzinho me senti melhor e a coisa fluiu. A coisa boa disso tudo é que o capítulo acabou ficando grandinho e posso dizer que ele está como uma montanha russa de sentimentos, então não me xinguem, por favor kkkk Mentira, eu deixo um pouquinho.
Mais uma coisa, a parte dos Yoonmin, depois dos NamTaeSeok, eu escrevi ouvindo Anachronism do Crywolf, então quem gosta de trilha sonora, está aí a dica.
Enfim, espero que tenham uma boa leitura!

Capítulo 10 - Capítulo 9 - O descanso dos homens


Fanfic / Fanfiction Bastardo Inglório - Capítulo 10 - Capítulo 9 - O descanso dos homens

— Princesa? Posso me sentar aqui? — a voz grave e rouca por ter recém despertado não foi capaz de assustar a princesa mais velha, apesar de seu corpo ter tensionado. —  Tem se sentido bem? Jimin tem estado preocupado.

Depois de presenciar a cena de um possível assassinato dentro do castelo, sem ao menos uma prova de quem poderia tê-lo feito, a general viu-se em uma delicada situação. Muitas conclusões errôneas poderiam ser tiradas caso anunciasse o acontecimento e era preciso pelo menos pistas para poder dizer o que tinha acontecido.

As únicas que compartilhavam de seu segredo era a senhora que cuidava de seu sentinela e sua irmã, Siyeon, depois desta tê-la encontrado junto ao médico que foi chamado para ver os ferimentos. Querendo ou não, era difícil esconder qualquer coisa dela, mas haviam combinado de fingir que o fato não ocorreu até descobrirem informações concretas para comunicarem com certeza ao rei.

A pessoa que matou seu sentinela certamente deveria estar presente no dia em que este chegou, mas haviam tantas pessoas e tantos soldados seus presentes naquela madrugada, que se perguntava se o próprio Jimin já não tinha ciência de que estava mentindo e omitindo muitas informações.

— Pode sim, senhor Min. — A princesa indica o espaço no banco em que estava sentada próximo aos estábulos. —  E apenas tenho estado muito atarefada, preciso ter certeza de que o povo de Alvorada estará protegido. — É a desculpa que arranja. Não era mentira, mas o que a preocupava ainda mais naquele momento era um assassino estar convivendo junto a eles.

— Vocês todos realmente são bem parecidos nesse ponto, sempre esforçando-se no que fazem — sorri, tentando transmitir conforto.

De todas as irmãs de Jimin, Minnie parecia aos olhos do ômega a mais séria e centrada, pouco a via pelo castelo, uma vez que estava sempre nos muros vigiando ou nos campos de treinamento. Gostava da segurança que ela transmitia com seu físico forte e suas estratégias de batalha, era como ver força e inteligência andando juntas.

— Somos todos um pouco cabeça duras, você quer dizer —  disse em tom de divertimento, observando então as vestes bem reforçadas contra o frio que Yoongi usava. — Meu irmão pretende te levar a algum lugar? —  questionou, pois, apesar de estarem executando um plano, via que o rei tinha um certo tratamento especial com o lobo de Saron. 

— Vamos até o templo. Jimin disse que quer encontrar respostas sobre seu lobo e quero saber no que eu posso ajudar —  explicou, apesar de estar um pouco ansioso com a possibilidade de sair das limitações da cidade, após todo aquele tempo muito mal saindo do castelo.

De acordo com o rei, o templo de Alvorada ficava escondido em meio a floresta, sendo uma área sagrada e que só deveria ser visitado por boas motivações. Por isso geralmente se contentava em manter-se na capela quando queria se comunicar com alguma divindade, mas naquele momento achava válido recorrer às origens.

 — Ele não vai descansar até poder voltar a treinar — a alfa suspirou, ajeitando a pele grossa que encobria seus ombros, enquanto a malha de ferro de sua armadura tilintava ao se mexer. — Ele já foi um grande guerreiro, mesmo sendo novo. Sei que ele sente falta de poder fazer mais do que apenas estar sentado em um trono dando ordens… Você mexia com armas em seu reino, senhor Min? —  Aproveitou para saber, talvez conseguisse alguma informação sobre o exército de Saron sem levantar suspeitas.

— Ômegas não são ensinados a lutar em Saron. — Minnie balançou a cabeça, demonstrando que compreendia. Em Alvorada ômegas também não eram os soldados mais requisitados, mas estes podiam tentar, caso quisessem, o treinamento com armas de longa distância ou de porte pequeno. — Mas meu irmão também é ótimo em lutas, praticamente possui uma espada de estimação. — Um sorriso involuntário aparece em seu rosto, mas este rapidamente some.

— Você parece ter um apreço muito grande por ele — a general estende o assunto, percebendo que Yoongi ainda continha dentro de si sentimentos conflitantes a respeito de seu irmão.

— Nós éramos inseparáveis e eu o tinha como uma inspiração, por isso não consigo entender o que aconteceu. Por qual razão ele fez o que fez. Eu o daria o trono se ele simplesmente me pedisse —  revelou, não escondendo o quanto a situação ainda fazia uma sensação amarga dominar seu paladar. 

A conversa foi então interrompida pela chegada do rei, o qual segurava as rédeas de dois cavalos, um branco e outro preto, para que montassem. Logo atrás um terceiro cavalo alazão estava sendo guiado por Siyeon, que acenou para os dois enquanto se aproximava.

— Se eu não amasse tanto meu irmão, diria que ele está precisando de uma lição por nos fazer andar nesse frio —  resmungou, esfregando os braços cobertos por uma capa de veludo com as mãos que estavam protegidas com luvas de tecido mais fino.

O rei revirou os olhos com a reclamação, a própria alfa tinha se disponibilizado a ir com eles, dizendo que precisava espairecer um pouco, pois estava começando a recitar lições de suas aprendizes enquanto dormia.

— Pois então você pode ficar e ajudar aquelas senhoritas a… —  começou a dizer, aproximando-se de Yoongi para estender a rédea do cavalo de pelagem preta, porém rapidamente foi interrompido.

— Nada disso! Elas podem se virar sem mim hoje, vamos logo antes que mais neve caia. 

Os três riram com a afobação de Siyeon em se livrar de suas tarefas, enquanto Jimin e Yoongi montavam os cavalos para poderem seguir viagem. Em suas formas lupinas chegariam muito mais depressa, mas era ruim carregar a quantidade de roupas que usavam na boca ou amarrado nas patas, então se contentaram com os animais.

— Tome conta de Soojin até voltarmos e qualquer coisa nos mande uma carta — pontuou o rei a Minnie, recebendo uma rápida reverência da general de que suas ordens seriam acatadas.

— Cuidarei de tudo por aqui —  assegurou. — Façam a viagem com cuidado, estes tempos difíceis de caça tornam qualquer um em alvo.

Quando estavam prestes a partir, a alfa mais velha se aproximou do cavalo de Yoongi de forma quase imperceptível, ao passo que seus irmãos discutiam sobre o melhor caminho a seguir.

— Me dê sua mão —  pediu com certa urgência, segurando com certa brusquidão o pulso do ômega quando este a estendeu a mão para depositar em sua palma um pequeno objeto enrolado em uma corrente. — Não deixe que mais ninguém veja que está com isso e me procure assim que voltarem.

Confiando que Yoongi faria o que tinha dito, foi em direção aos guerreiros que a esperavam, não dando tempo para que o ômega visse do que se tratava, uma vez que precisou manter a mão fechada, para que não avistassem o tal cordão que parecia estar em sua mão, até poder guardá-lo em um bolso de qualquer jeito.


 

A viagem não foi tão longa quanto pensou que seria, o templo ficava em um descampado no meio da floresta, bem afastado dos muros de Alvorada. A construção parecia ser como uma capela expandida, porém alguns de seus andares superiores pareciam ter sido destruídos, estragando a abóbada que conferia um aspecto arredondado ao teto.

— Durante o último período de guerra tentaram esconder alguns aldeões aqui. Infelizmente o local foi parcialmente destruído, mas os híbridos se salvaram, e por isso há uma crença muito grande de que o lugar seja realmente sagrado — explicou Siyeon ao puxarem as rédeas para que os cavalos parassem diante da pequena escadaria que os levariam até o interior do templo.

Após deixarem os animais debaixo da cobertura, que antecede a grande porta de entrada, para que não ficassem expostos a neve que caía em abundância, os três entraram no templo. Observaram a extensa fileira dupla de bancos e, próximos às vidraçarias, em recuos nas paredes, haviam estátuas de homens e lobos intercalados até o altar, o qual possuía apenas uma parede retratando em pintura um cenário de híbridos, em suas formas lupinas ou humanas, olhando para um céu estrelado e adornado com uma imensa lua cheia em vitral.

Siyeon sentou-se nos bancos mais afastados do altar para fazer sua prece silenciosa, enquanto o rei incentivou Yoongi a ir consigo até bem próximo.

— Se eu tivesse me casado na época em que tanto insistiram, provavelmente teria sido aqui — comenta, oferecendo então sua mão para que Yoongi se apoie em si ao ajoelhar-se na escada de mármore, fazendo o mesmo em seguida.

— Espero que essa não seja sua tentativa de fazer a proposta a alguém. —  O comentário inoportuno pega Jimin de surpresa, precisando tapar a boca para conter o riso.

— Confesso que estava com saudades do seu jeito arisco, ômega. Tem estado tão dócil — provoca, fazendo um rosnado baixo soar por entre os lábios finos. —  Perdão, não resisti. Agora precisamos nos concentrar.

Yoongi não sabia como proceder, então observou o alfa juntar as mãos e fechar os olhos, repetindo apenas o primeiro gesto. Esperou que algo acontecesse, mas nada veio, pensando se talvez a ideia de Jimin não fosse a mais efetiva. Aguardar por sinais de divindades não era certeza de que os receberiam.

— Você precisa fechar os olhos também. — A voz de Jimin ecoou pelo ambiente e, sem abrir os seus, buscou pelo rosto do ômega, tendo sua mão segurada antes que encostasse na pele alva.

O alfa não tentou soltar sua mão do aperto e assim ficaram até as portas na entrada balançarem com o vento forte, que assustou Siyeon e aos cavalos que agora empinavam agitados. Na afobação do momento, o rei e o ômega ergueram-se depressa e algo chocou-se contra o chão, causando um barulho mínimo. 

— O que é isso? — perguntou Jimin ao ver o comportamento suspeito de Yoongi ao tentar esconder o cordão, porém hesitando ao perceber o que era. — Yoongi, me mostre.

O lobo de Saron tinha a expressão surpresa, como aquele cordão havia parado ali?

— Esse cordão é do meu pai. — Ele vira-se em direção a Jimin, mostrando a correntinha que continha o pingente hexagonal com areia. — Essa era a prova que meu irmão tinha contra mim, para provar que eu sou bastardo. — O ômega está tão abismado que precisa se sentar em um dos bancos. —  Como a princesa o conseguiu?

Siyeon, que se aproximava depois de ter acalmado os cavalos, aperta os lábios em culpa. Minnie havia contado apenas a ela o ocorrido e a alfa acreditou que o colar, que acharam preso no tornozelo de seu sentinela após o levarem para dentro, poderia ser uma mensagem da mãe de Yoongi. 

Pretendiam apenas revelar a Yoongi, uma vez que o ômega poderia manter-se em silêncio, mas talvez aquela não fosse a vontade dos deuses, que preferiram revelar à verdade ao rei contra a vontade de qualquer outro mortal. E, percebendo que agora não poderia mais esconder, pensou que contar de uma vez o que sabia poderia ser o melhor.

Siyeon não era boa em guardar segredos, apenas em saber e comunicá-los.

— Um dos sentinelas voltou há alguns dias e contou sobre a existência de Saron — revelou, ignorando a expressão de seu irmão que se transformava em decepção. — Ele chegou muito ferido e descobrimos que foi graças a rainha de Saron que conseguiu voltar com vida. Ele não sabia sobre o nosso prisioneiro, então trouxe o colar que ela o entregou, mesmo sem saber o que era ao certo, para nos mostrar. Minnie iria conversar com ele à respeito do que viram e descobriram por lá, mas o achou morto. Alguém de dentro do castelo o matou e acho que essa pessoa não queria que soubéssemos de algo.

— E por qual motivo não me contaram? — o tom de voz era firme e mais grave que o de costume, fazendo até a alfa abaixar a cabeça em submissão.

— Jimin, nossa irmã não queria alertá-lo. Precisava entender antes… — Sua tentativa de se explicar logo foi interrompida pelo modo ofensivo do rei.

— E aí acharam uma boa ideia manter segredo entre vocês por você ser conselheira? Achei que trabalhasse para mim, minha irmã. — A mágoa era visível em sua voz.

Yoongi lutou contra seu instinto de se afastar e proteger-se para tentar apaziguar a situação, porém os olhos amarelados e a postura dominante de Jimin o fez manter uma distância segura. O lobo dentro de si estava o deixando temeroso e afetado, precisando se manter concentrado para não sentir o peso da presença do alfa.

— Jimin, entenda, nós não sabíamos qual seria sua reação! — Siyeon tentava se explicar, porém logo arrependeu-se de suas palavras, mordendo a própria língua.

Havia acabado de agir como o próprio conselho.

— Vocês também tem medo de mim — afirmou, desacreditado de que seu maior pilar também não era firme. Havia ido para buscar uma solução e apenas encontrou mais motivos para manter-se recluso. — Medo que eu estrague tudo de novo, não é? Diga, Siyeon! — grunhiu, percebendo o amargor da frustração expandir até seu lobo, que gania descontente.

— Não, nós… Jimin! — chamou o irmão quando este começou a se afastar, saindo novamente para o exterior.

O alfa não sabia em quem mais confiar, quando não conseguia o fazer nem mesmo consigo próprio. 

Sentiu uma presença segui-lo e retorceu o rosto em uma careta quando seu lobo se animou um pouco pelo ômega ter vindo atrás de si.

— Yoongi, volte com minha irmã para o castelo  — ordenou, enquanto dava impulso com o corpo para subir no cavalo branco.

— Não vou te deixar sozinho aqui, Minnie disse ser perigoso —  Yoongi teimou. Poderiam ter híbridos selvagens ou de matilhas desgarradas que o veriam como uma boa presa.

— Não temos segurança nem dentro de casa, aqui pelo menos sei quem são meus inimigos — retrucou, dando fim à discussão.

O ômega observou o outro se afastar depressa, enquanto comandava seu cavalo a galopar o mais depressa, precisava de um tempo sozinho. 

Sem ter muito o que fazer, Yoongi seguiu de volta para o castelo junto a Siyeon, que permaneceu calada durante todo o caminho, tentando entender o que os deuses queriam ao revelarem a desunião entre os irmãos que sempre foram tão próximos.


 

Os campos de treinamento eram extensos e rodeados por lobos e tendas em que os soldados descansavam ou estudavam territórios. Yoongi percebeu que chamava certa atenção ao passar, provavelmente por o confundirem com o rei, devido o cheiro de café fraco que carregava, ou por estranharem um ômega sozinho e desconhecido estar andando por ali.

A general não demorou a aparecer, saindo por uma das tendas, enquanto segurava uma espada longa e afiada que colocou na bainha presa em seu quadril.

— Vamos para um local reservado —  disse, reparando nos olhos raivosos de Yoongi, os quais ficavam ainda mais demarcados pela marca, agora completamente cicatrizada, em seu olho.

— Não precisa, sua irmã já nos deu o resumo de tudo — um sorriso erguendo apenas um dos cantos dos lábios, parecendo quase maldoso, foi o necessário para a general entender que mais pessoas do que as que pretendia contar sabiam do ocorrido.

— Droga, Siyeon… —  resmungou, sentindo a armadura sufocá-la por um momento. —  Onde o Jimin está?

— Não sei. Agora pode ser breve? —  insistiu, só queria voltar para o seu quarto depois de ter levantado cedo e da pequena viagem de ida e volta que fez, além de toda a confusão que a visita ao templo acarretou.

Derrotada pelo jeito indócil do ômega, e sabendo que provavelmente acabaria discutindo com o irmão quando este retornasse, não pode fazer muito além de acatar ao pedido.

— O colar que trouxeram possui um pingente e nesse pingente há areia. E só conheço um reino a qual você pode associar a isso. 

Yoongi pega o colar, observando a areia fina mover-se sobre o olhar atento de Minnie.

— Seja lá quem for seu outro pai ou mãe, este híbrido é de Érimos — deduz. — E isso me faz pensar que sua família guarda mais segredos do que pensa, Yoongi. 


 

Depois da breve conversa que teve com a general, Yoongi finalmente voltou para seu quarto, por mais que estivesse incomodado com o fato de saber mais uma revelação de sua família, a qual acreditou por muito tempo possuir um relacionamento modelo. E ainda havia o rei fora dos muros de Alvorada sozinho, sem ao menos alguém o protegendo. 

Não que ele pudesse ser a melhor proteção, mas sentia-se mais confiante quando se tratava do alfa, pois ele tinha feito o possível, junto com suas irmãs, para que se encaixasse naquele meio, ainda que não soubesse de tudo e continuasse preferindo andar descalço, apenas com um tecido de algodão recobrindo os pés devido o chão gelado.

Os dois não comentavam sobre o que sentiam e fingir indiferença parecia a forma deles tentarem não mostrar que algo tinha acontecido, por mais que o conselho estivesse afoito demais com a ideia de que o rei finalmente tinha escolhido um pretendente. Um possível selvagem, mas ainda assim um pretendente.

Diziam que daquela forma talvez o rei fosse domado, entretanto Yoongi não estava ali para tirar a pouca liberdade que Jimin tinha. O ômega preferia libertá-lo de seus medos e o ajudar a se controlar, mas não o impondo comandos, como fez no dia em que fugiu do alfa debaixo de uma tempestade. Jurava que o plano de Jimin pudesse o direcionar a algum lugar, mas tudo parece ter terminado mal.

Ao se aproximar de sua cama convidativa, achou um dos robes do rei. Yoongi passou a usar aquelas e outras peças de Jimin todos os dias para manterem a impressão de que dividiam o quarto, o que o impedia de sentir o próprio cheiro, uma vez que o seu era suave demais comparado ao do alfa. 

Talvez aquilo o tenho feito cair em um certo vício, pois quando notou já estava dormindo com a peça de roupa em sua cama, não recordava-se de quando o tinha feito, mas também não se incomodou em tirar. O aroma parecia tranquilizá-lo ao ponto de não ser atormentado à noite com pesadelos, assim como a boneca de pano dada por Soojin, a qual também mantinha em volta de si.

Seu lobo vinha provavelmente agindo por conta própria quando estava sonolento, pois o ato de acrescentar almofadas, lençóis e roupas de Jimin tornou-se um hábito tão singelo que era imperceptível para si. Apenas via-se indo ao encontro de seu ponto de paz toda vez que podia repousar o corpo cansado na cama espaçosa.

Porém, naquele dia, seu lobo não conseguiu se sentir em paz nem no ninho que fazia para si, rolando de um lado para o outro até voltar a se levantar, não se importando em vestir as roupas de frio novamente, e apenas saltando pela janela com as peças que já usava.

Em seu lugar, uma forma lupina de pelagem escura surgiu, guiando-o em direção ao rei, como se já soubesse onde ele estava.

 

 

A claridade que invade o quarto e atinge o rosto imaculado do pequeno Taehyung faz com que desperte, piscando os olhos sonolento até se sentar na cama e esfregá-los para poder focar melhor o cômodo desconhecido. 

Hoseok e Namjoon não o levaram para casa?

O pensamento fez com que arregalasse os olhos, afastando a coberta para ver que ainda vestia as roupas que usou no baile. E naquele mesmo momento entrou uma das empregadas da mansão dos Jung, carregando algumas peças do dono da mansão para que o ômega vestisse.

— Bom dia, senhor Kim. Trouxe algumas roupas à pedido do senhor Jung, os dois foram dormir bem tarde, então ainda estão no quarto — contou, esperando que ele se levantasse para poder ajudá-lo a tirar o traje de festa e este poder tomar um banho na banheira que já o esperava cheia com água aquecida.

Recusando ajuda para se limpar, Taehyung viu seu corpo se retesar ao ver um frasco com essência de lavanda no banheiro, procurando não pensar em sua mãe que sempre o fazia passar um pouco para deixar seu cheiro mais marcante. Afinal, os Jung não eram como ela.

Lavou-se rapidamente e vestiu a roupa que ficou um pouco larga em seu corpo, já que Hoseok ainda tinha um físico melhor que o seu, mas caso vestisse uma de Namjoon certamente sumiria dentro das roupas. Ao terminar de se aprontar, virou para a ômega que ajeitava a cama, por mais que Taehyung já pretendesse fazer aquilo, e mordeu o próprio lábio antes de dizer:

— Qual o quarto deles? — perguntou, envergonhado de estar pensando em invadir a intimidade do casal.

— Eu o levo até lá —  sorri solícita, pedindo para que a seguisse até uma porta no início da extensa parede cheia delas. — Aqui, querido. Pode entrar, eles não se incomodam.

Taehyung agradeceu a gentileza e, mesmo com a moça o garantindo que não havia problemas, bateu sem força contra a porta.

— Entre, Tae — ouviu a voz abafada do alfa, entrando logo em seguida com a cabeça baixa, ainda com vergonha. — Dormiu bem?

Confirmou com apenas um acenar com a cabeça, fazendo os fios loiros derramarem algumas gotículas de água por ainda estarem molhados. Decidiu então erguer o olhar, vendo que o quarto era parecido com o seu, porém possuía o cheiro dos dois híbridos, formando uma mistura peculiar. Porém logo desviou para a parede ao ver que Namjoon estava sentado no colo de Hoseok e os dois sorriam admirados em sua direção.

— Melhor eu voltar outra hora.

Já estava retirando-se quando a risada dos dois chamou sua atenção, fazendo com que os olhasse novamente.

— Venha cá. Nós estávamos apenas abraçados, juro de coração — promete o beta, esticando uma das mãos que estava apoiada na cintura de seu parceiro.

Ainda acanhado, Taehyung se aproxima em passos lentos, desconfiado de toda a situação até estar perto o bastante para poder encostar nos dois.

— Eu também posso receber um abraço? — indaga, ainda sem encarar por muito tempo a cena a sua frente.

— Claro! — dizem em uníssono, fazendo o ômega segurar a mão do beta e subir na cama com o joelhos até estar entre os dois, sendo envolvidos pelos pares de braços.

Havia preferido ficar virado de frente para Hoseok, uma vez que ainda estava um pouco magoado com Namjoon, mas não era como se pudesse ficar irritado com ele para sempre, apenas não se esqueceria daquilo.

— Tae, perdoe-me por não ter dançado contigo durante o baile — escutou a voz do alfa murmurar em suas costas. — Eu acabei me sentindo mal e não pensei que você poderia ficar chateado.

O pescoço do ômega rapidamente virou em direção ao cheirinho de baunilha. Namjoon tinha passado mal?

— O que aconteceu? E por que não disse nada, Nam? — Sua voz grave soou preocupada, teria feito o possível para ajudá-lo. Sabia de alguns remédios naturais que poderiam ajudá-lo ou poderia simplesmente ceder seu colo para que o alfa repousasse ali, daria um jeito.

Namjoon trocou um rápido olhar com Hoseok, combinando silenciosamente uma maneira de não deixar Taehyung temeroso sobre o que descobriram.

— A mulher com que dancei ontem carregava uma faca e provavelmente alguém a utilizou para ferir uma pessoa durante o baile. Por isso fiquei mal —  explicou com calma, vendo os olhos castanhos mostrarem-se assustados.

Hoseok pegou os dedos do ômega, acariciando sua mão enquanto observava a conversa dos dois. Preferia manter Taehyung longe de problemas, mas ele precisava confiar neles e mentir era a pior das alternativas, por mais que fosse uma forma de protegê-lo.

— Desculpa, eu não sabia — disse baixo, sentindo o rosto esquentar pelos ciúmes que revelou ter sentido. — Isso quer dizer que o Yoon e a família real está em perigo? Temos que ajudá-los, não? — Logo questionou, não queria que seu amigo também se ferisse.

— Não, você tem todo o direito de ficar chateado. Estava bem animado para esse baile — Namjoon sorriu amável. — Ainda vamos pensar em como ajudá-los, não fique preocupado, está bem? — assegurou, recebendo apoio do beta. Eles haviam passado boa parte da noite em claro exatamente pensando no que poderiam fazer. —  E bem, eu conversei com o Hobi e pensamos em fazer nosso próprio baile por hoje, o que acha?

O rosto do ômega se iluminou todo com a ideia, poderia dançar quantas músicas quisesse com os dois.

— É uma ótima ideia! Mas depois podem me levar em casa? Sinto falta do senhor Jin. — Foi sua única condição.

— Claro, pequeno. Só que primeiro de tudo precisamos comer. — Hoseok ri junto com o ômega enquanto fala, após ouvirem o estômago do alfa resmungar.

O dia passou de forma preguiçosa, ainda que rápida demais aos olhos dos três, que dividiram a sala com os empregados da mansão para que aproveitassem uma dança também. A música foi improvisada com quem sabia tocar algum instrumento ou produzir um som melodioso de alguma forma e o espaço para dançar foi feito com o arrastar dos móveis para os cantos do cômodo.

Não houve trajes específicos para o baile, apenas as roupas confortáveis que já vestiam e a comida foi farta para todos se alimentarem sem nunca perderem as forças. Lá fora nevava com poucos intervalos sem os flocos caindo do céu, mas do lado de dentro a lareira deixava todos confortáveis e aquecidos, prontos para aproveitarem até o final da tarde, quando os Jung precisaram cumprir a condição de Taehyung.


 

Taehyung nunca tinha passado tanto tempo distante do pai desde que foi adotado, então era notável sua ansiedade em vê-lo. Queria contar tudo o que tinha acontecido, nos mínimos detalhes, e também ler para Seokjin o livro que Namjoon o tinha emprestado daquela vez de sua biblioteca particular, desde que também começou a se interessar pela literatura.

A neve mantinha o caminho recoberto por uma camada grossa de neve, fazendo os cavalos afundarem as patas nos flocos de gelo acumulados no solo e a carruagem balançar um pouco mais até chegarem a conhecida mansão do Kim.

Namjoon estranhou a falta de fumaça vinda da chaminé quando desceram da carruagem, ninguém suportaria ficar muito tempo naquele frio sem uma fonte de calor.

— Pai! — gritou o ômega, já correndo para dentro de casa.

— Espera, Taehyung! —  O alerta de Hoseok acabou sendo ignorado pela animação exacerbada do outro.

Dentro da mansão havia um silêncio carregado e incomum. Por mais que não houvesse tanto movimento, havia sempre algumas pessoas que trabalhavam para o senhor Kim andando pelos corredores. Entretanto, agora os cômodos estavam escuros e algumas janelas largadas abertas deixavam a neve entrar e formar pequenos montes.

O ômega correu pelos corredores familiares, agora tão estranhos a si, procurando por Seokjin. Buscou pelo beta nos quartos, no hall, em sua sala de estudo e, por fim, em seu escritório, onde a vela apagada não o permitiu enxergar quem estava sentado em uma das cadeiras em volta da mesa.

— Senhor Jin? — andou devagar até a cadeira que estava virada em direção a janela, seu coração palpitando em seus ouvidos pela recente corrida, somada ao nervosismo que sentia, até poder soltar o ar que prendia sem perceber.

Seokjin estava aparentemente bem, apenas parecia distante ao observar a neve cair, o que tranquilizou o ômega, em partes.

— Aconteceu alguma coisa? Não vi ninguém quando cheguei e está tudo tão escuro. Fiquei com medo de talvez… Alguém ter feito alguma coisa com o senhor —  murmurou, mordendo o lábio ao ponto de arrancar um pouco de pele, devido ao frio que tornava sua boca ressecada.

O beta só pareceu reparar em sua presença quando tocou suavemente sua mão, encarando o rosto atormentado de Taehyung.

— Sabe, meu filho, durante toda minha vida eu cuidei de muitos ômegas. Acho injusta a forma que os tratam. Graças aos deuses vossa majestade já mudou bastante coisa e agora temos ômegas presentes até em nosso conselho, mas há situações que nem ele pode mudar — pôs-se a falar, segurando a mão do ômega um pouco. — Quando conheci minha esposa, eu a achei incrível. Era corajosa, não deixava se abalar por pouca coisa e era muito bela... Sinto tanto a falta dela e este lugar a tem em todos os cantos.

Um suspiro fez uma pequena fumaça se formar no ar, o que preocupou a Taehyung, ali estava muito frio e Seokjin nem estava vestido adequadamente para se proteger.

— Senhor Jin, eu não entendo. O que aconteceu, afinal? — insistiu, querendo entender logo o que se passava.

— Você ainda é muito inocente aos meus olhos, Tae. Mas o mundo vai te exigir que seja um adulto, que seja frio e cético. Não deixe o mundo apagar a criança que existe dentro de você, é ela que te torna vivo. —  Seus olhos encararam o filho com um pedido mudo para que ele nunca se esquecesse de suas palavras, precisava ter certeza de que absorveria cada uma delas.

— Por que está dizendo essas coisas? Está me assustando — disse com a voz embargando. Por que o senhor Kim falava como se estivesse se despedindo?

—  Pensei que poderia comprar sua liberdade, mas não há paz alguma nesta cidade. — Sua outra mão foi segurada, permitindo que sentisse as palmas geladas do beta contra as suas. — Por favor, me escute, Taehyung. Quando a neve derreter, quero que saia de Alvorada, este lugar não é seguro.

— Mas e o senhor? Não vou deixá-lo! — Sua voz ergueu-se e seus olhos ardiam. Era um pedido absurdo aos seus ouvidos, para onde iria? Não conhecia nada sobre o mundo além de sua casa no campo, as mansões e o salão do castelo de Alvorada. Era um ser minúsculo numa vastidão desconhecida.

— Eu já tive meus tempos de glória, agora só me importa saber que estará bem — esticou uma mão para ajeitar os fios loiros, como tinha o costume de fazer.

— Não! Por que está fazendo isso? — Taehyung grita e logo em seguida sente uma mão pesada em seu ombro, o cheiro doce fazendo com que olhe para Namjoon procurando por ajuda.

— Vamos, Taehyung. — O alfa indica a porta. Estava nervoso, pois Hoseok o tinha dado pouco tempo para saírem dali.

—  O que? — A atitude tranquila do alfa o faz se afastar, passando os olhos de um para o outro até o entendimento se fazer presente. — Você e o Hoseok sabiam… —  A mágoa se fez presente no rosto do ômega. — Por isso não me trouxeram para casa ontem.

— Tirem ele daqui depressa, estão vindo buscá-lo — avisou Seokjin, pegando a besta que estava apoiada ao seu lado na cadeira. Não sabia se ainda conseguia usá-la, mas era a chance de ganharem algum tempo. — Fiz um acordo para dar a eles a mansão, o dinheiro que ofereci não foi o bastante.

O beta então ergueu-se da cadeira, aproximando-se do filho para limpar uma lágrima que escapou de seus olhos. Amava seu filho ao ponto de sentir seu peito doer em vê-lo triste.

— Você também é um ômega corajoso, Taehyung, assim como sua mãe era — sorri orgulhoso, deixando que Namjoon o pegue no colo mesmo com os protestos do ômega para soltá-lo. — Eu o amo, não esqueça disso.

Quando os dois vão embora, Seokjin se aproxima da janela, mirando o local por onde parte dos lobos que trabalhavam para Himchan viriam.

 

 

O inverno vinha sendo realmente rigoroso, como tanto premeditaram, ao ponto de poucos animais da floresta se arriscarem a sair de suas tocas ou cavernas, o único som audível era do vento carreando a neve que se acumulava nas plantas sem folhas, formando uma paisagem quase estática, traços escuros sobre um fundo branco.

A visão, apesar de transmitir certa tristeza pela falta de vida, trazia paz ao rei, que camuflava sua pelagem com o cenário, passando quase que imperceptível por ela, não fosse por sua presença marcante e os olhos chamativos e sanguinários, que mantinham qualquer um distante, com medo. Jimin não parecia merecer outro sentimento mais nobre, então se basearia naquele para governar, caso assim fosse preciso.

Pensava estar sozinho até o som das patas correndo e levantando neve o alertar da presença de mais alguém, procurando atento pela origem do som enquanto eriçava seus pelos e arreganhava os dentes, um aviso claro para que, o que quer que fosse, não se aproximasse.

Sua postura, entretanto, mudou ao ver a forma lupina escura e com olhos que o remetiam a um dia nublado, sua tempestade particular que vagava pelo castelo com pretensões de puxá-lo para situações perigosas. Bufando pelo ômega ter desacatado seu pedido de deixá-lo sozinho, Jimin dá as costas ao lobo e volta para onde tinha deixado seu cavalo junto as suas roupas para voltar a sua forma humana.

Yoongi o acompanhou sem pressa, deixando que o alfa se vestisse e se aproximasse com a capa grossa de pelo e seus próprios sapatos para que fizesse o mesmo, porém o ômega recusou, só estava ali para buscá-lo.

— Se deu-se o trabalho de vir até aqui, agora ficará comigo. Ande logo — exigiu, seu humor não estava dos melhores ainda.

Sem muito escolha, Yoongi fez o que foi dito, seguindo em seguida até o que parecia ser uma base desativada, provavelmente construída durante os conflitos passados. Diferente do que pensou, o lugar estava conservado, as pedras nos muros que formavam pequenas torres no forte pareciam novas e na grande porta de madeira e ferro haviam guardas vigiando a entrada.

— Este lugar em breve será ocupado por um dos pelotões do exército, mas por enquanto é um local mais tranquilo para se ficar —  explicou Jimin, chamando então um dos soldados que estava para sair à cavalo. — Avise à general e a minha conselheira que estou aqui, mas chegarei antes da reunião do conselho.

Com o recado enviado, prosseguiu para o interior do forte com o ômega em seu encalço. O forte era mais robusto que o castelo, uma vez que não tinha sido construído com a intenção de trazer conforto, mas sim de ser uma barreira contra exércitos inimigos, então haviam muitas salas vazias para comportar armamento ou com mesas e cadeiras onde os soldados descansavam, comiam e montavam estratégias.

Também possuía celas temporárias para que prisioneiros capturados pudessem ser transferidos depois para o castelo, onde receberiam seus devidos julgamentos. E, bem afastado do restante, ao fim de um passagem, havia um único quarto com o essencial, caso fosse preciso esconder alguém.

— Eu fui mantido aqui durante algum tempo, quando era mais novo. Meus pais me trouxeram junto a Soojin e dividimos este quarto até que a guerra acabasse — comentou, desistindo de ficar ali para subir até o ponto mais alto no centro, o qual terminava em um pequeno espaço que poderia ser usado por arqueiros para avistar e acertar inimigos distantes.

Dali era possível visualizar os fundos do castelo de Alvorada e as montanhas cheias de pinheiros que estavam cobertas pela neblina densa, com um sol tímido dando as caras e iluminando a neve e um dos lados do forte.

O alfa parecia conhecer o lugar muito bem e realmente ele tinha decorado cada ponto visto dali, como se observar o castelo dali o desse a impressão de que não tinha responsabilidades tão grandes ou problemas que logo precisaria lidar. Saber que tinha um perigo tão próximo a sua família o deixava aflito, mas não tinha mais certeza de ser a melhor pessoa para proteger quem amava.

— Majestade — chamou o ômega ao perceber que Jimin não estava bem, atrevendo-se a segurar seu rosto para limpar o par de lágrimas que escorreu pelo seu rosto. — Você conseguirá resolver isso, tenho certeza.

— Eu estive fugindo das investidas de um ômega, como posso manter todos em segurança? — debocha de si mesmo. — Ao menos sei o que fazer. Tenho tentando dar meu máximo, mas eu estou tão cansado. 

Um rei nunca deve deixar seu posto ou assumir suas fraquezas tão explicitamente diante de qualquer súdito, muito menos de um estrangeiro, e Jimin tinha feito as duas coisas em um único dia, enquanto ainda tentava provar que merecia o posto que tinha. Um retrocesso que poderia custá-lo algum progresso, mas era humanamente impossível suportar uma pressão psicológica por tantos anos sem se ver desabando em algum momento.

Suas fontes de força naqueles momentos eram sempre suas irmãs, porém quem o segurou naquele forte foi o ômega, que ofereceu seu ombro para que apoiasse o rosto ali, seu corpo para ser uma fonte de calor e conforto e seu coração ao ter empatia pelo que o outro passava.

— Pois então descanse, ao menos um pouco. Esqueça de tudo por um momento, alteza. — Suas palavras soam como encantos que acalentam e embalam Jimin para que se recolha em si mesmo, deixando que seu lobo assuma o controle pelo tempo em que está se recompondo.

O alfa logo reage a presença do ômega tão perto, cheirando o pescoço alabastrino em busca de conforto e agarrando a capa de pele que camuflava parte do cheiro próprio de Yoongi, o qual mantinha os dedos longos acariciando os fios castanhos até firmá-los ali.

Ia chamar Jimin para repreendê-lo, mas o rei já estava distante, apenas expressando a dor emocional que sentia pelas lágrimas que escorriam dos olhos de íris amarelas. Ali havia apenas o lobo de Jimin, o mesmo que viu se mostrar debaixo daquela chuva torrencial e algumas vezes dentro do castelo quando via o rei perdendo um pouco do controle.

Ele estava seguindo seu conselho, e Yoongi tratou de fazer o mesmo quando o lobo branco se afastou, encarando seus lábios com uma vontade quase faminta, de quem reprimia um desejo por muito tempo. Desde o primeiro dia que pôs os olhos no prisioneiro vendado e teve a oportunidade de sentir o conforto que um dia de chuva no verão podia trazer, lavando-o de qualquer preocupação ou trazendo uma experiência sensorial reconfortante vista da varanda ou da janela.

Deixou então que seus lobos falassem em sua língua própria, enquanto suas partes mais humanas descansam e esquecem que estiveram tentando ignorar qualquer atração que sentiam um pelo o outro. Depois se acertariam sobre seus sentimentos.

Daquela vez não há hesitação ou demora para que os lábios se unam, pois não há receios ou medos, apenas a volúpia de poderem explorar a pele um do outro e marcar os locais que mais ninguém teria acesso com tanta facilidade, uma vez que aquela vontade nunca havia se manifestado antes diante da presença de qualquer outro híbrido.

Jimin finalmente provou da boca do ômega como tanto quis após o baile, sentindo a língua dele contra a sua, por mais que talvez não fosse ter consciência disso depois, já que se moviam pelo instinto. Mas sua única preocupação no momento era a de apenas se certificar de ter os olhos cinzentos conectados aos seus em conjunto com a boca úmida e avermelhada depois de beijá-la e mordiscar o quanto queria. 

Pensava em despi-lo da pele de urso e tomá-lo como seu ali mesmo, mas ainda não era o momento, então conteve-se em passar as mãos em seus ombros até que a capa ficasse caída, deixando-os desnudos para deixar uma trilha de selares e resvalar seus caninos, arrepiando o ômega com a ideia de ser marcado. Ato que também se ateve a manter distante naquela ocasião.

O vento gelado não parecia mais tão incômodo ao compartilharem tanto calor, principalmente quando Yoongi foi suspenso no ar, suas coxas sendo apertadas pelas mãos do alfa e seus braços enlaçando o pescoço com o cheiro que o viciava. Queriam estar próximos ao ponto de se misturarem e formar a combinação do caos de uma tempestade com a sensação confortante que a cafeína trazia para que se equilibrassem, por mais que seus temperamentos fossem opostos ao que representavam.


 

Após passarem um tempo na torre, o alfa preferiu carregar Yoongi até o quarto para que não acabasse se resfriando depois que o sol sumiu por detrás das nuvens, ficando por cima deste para aproveitar um pouco mais antes que precisassem partir de volta ao castelo.

O ômega sentia-se extasiado, ainda era capaz de sentir em cada local onde foi apertado com vontade, beijado com uma devoção meio bruta e acariciado nos momentos em que o lobo de Jimin parecia mais calmo ao perceber de que não consumariam o ato até que os dois estivessem naquilo como homens com sentimentos além dos carnais. E ele jamais faria algo que não fosse concedido pelo outro.

Havia agora um outro questionamento que Yoongi ainda guardava dentro de si, porém, antes que se visse envolvido demais, precisava saber e tirar suas conclusões sem influências.

— Jimin, o que aconteceu que te faz querer ter toda a certeza de que é capaz de se controlar? — O lobo de Saron aconchega-se no peito vestido com um tecido amarrotado, seu nariz passando pelo pescoço em um carinho singelo. Não queria evocar mais emoções ruins, mas não havia outro jeito de saber, se não através do próprio.

E talvez Yoongi nunca tenha visto um híbrido mostrar-se tão triste e frágil, nem mesmo quando chorou anteriormente por se ver sendo alvo de dúvidas até daquelas que mais confiava. Ele quase pode ouvir o uivar de dor que o lobo de Jimin exprimiu ao abrir uma parte de seu coração que talvez jamais fosse se curar, pois não havia como consertar um erro como aquele.

— Fui eu quem comecei a guerra sombria, Yoongi —  sussurrou, tão baixo em seu ouvido, que temeu estar ouvindo o som do vento segredar o crime fatal de um homem. —  Meus pais e todos os lobos de Alvorada que morreram naquela guerra… Foi tudo culpa minha.

 


Notas Finais


Espero que tenham chegado até aqui :) Tudo o que aconteceu nesse capítulo era necessário para que alguns personagens amadurecessem de alguma forma.
Vocês acreditam que só depois que eu reparei que a música que indiquei tinha tudo a ver com os Yoonmin dessa fic? Agora to aqui sonhando com um trailer da fic com ela, ai ai
Bem, finalmente revelei uma das grandes interrogações da história, mas ainda não sabemos quem é o assassino...
E, não sei vocês, mas uma das coisas que mais gosto do universo ABO são esses ninhos, acho tão fofo :(((
Não se preocupem com os personagens que não apareceram muito até agora, eles terão o momento deles (Sim, eu to falando do Jungkook).

Até o próximo!
Kissus


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