História Batidas do Coração- Jikook - Capítulo 13


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Jikook, Namjin
Visualizações 144
Palavras 4.002
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, Musical (Songfic), Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


É amanhã É amanhã..... Gente sabe qual a maior loucura disso tudo, é que o comeback é no msm dia do meu aniversário 😱😱😱😱 ainda não sei bem como reagir a esse presente que o BTS está me dando, não to mais triste em fazer 22 anos😍😍😍😍😍

Capítulo 13 - Capítulo 13


Fanfic / Fanfiction Batidas do Coração- Jikook - Capítulo 13 - Capítulo 13

JIMIN


I know I can be afraid

But I’m alive

And I hope that you trust this heart

Behind my tired eyes.

(Dido, “I'm No Angel”)


E, mais uma noite, Jungkook diminui a velocidade para estacionar em frente à minha casa.

— Pode parar ali, por favor? — aponto para um lugar perto do muro, bem embaixo da guarita.

Desço, tiro o capacete e entrego a ele. Jungkook tira o dele, já que no bar tinha um sobressalente. Ele coloca ambos em cima da moto e se aproxima de mim, quando encosto no muro.

— Então, o namorado rodou... — Ele para a meu lado e olha para frente, como eu.

— É. — Minhas mãos estão para trás, encostadas no muro gelado, esperando que o frio mantenha meu corpo calmo.

— Alguma razão específica?

Suspiro e as palavras escapam, como bolhas de sabão seguindo o rumo do vento.

— Meu pai dizia que, quando descobrimos que estamos apaixonados, o coração fica tão assustado que pula um batimento, como se estivesse se preparando para todas as variações de velocidade que vai ter que enfrentar a partir daí. É o que ele chamava de “batidas perdidas do coração”. Segundo ele, o coração nunca recupera o ritmo correto até se encontrar no peito de outra pessoa.

Não nos olhamos enquanto eu falo. Faço uma pausa, depois continuo:

— Eu fui apaixonado pelo Taemin. A gente namorou por três anos e foi muito bom por um tempo, mas nunca senti meu coração pular um batimento. Nunca perdi uma batida. Quando meu pai morreu, tanta coisa foi acontecendo, e me apeguei a cada uma das nossas conversas. Agora eu quero isso. Quero perder uma batida. Você já sentiu algo assim?

— Nah! Só se perdi uma batida da bateria sem perceber ou errei no preparo de alguma bebida, o que é pouco provável.

Nós rimos e Jungkook se vira para mim, ainda encostado no muro. Faço o mesmo em direção a ele. Sua expressão fica séria, antes de começar a falar:

— Meu pai acreditava que existe apenas uma pessoa certa para cada um de nós. Eu não sei. É uma visão romântica e arriscada. Mas talvez nossos pais tenham razão, sei lá. Vai ver que é por isso que a minha mãe nunca mais encontrou outra pessoa pra amar.

— E é por isso que a minha deixou de viver... — É impossível não desviar o olhar, mas volto os olhos para ele quando o sinto segurando minha mão. — Se o coração só recupera o ritmo no peito da outra pessoa, o coração da minha mãe vai viver para sempre fora do compasso. — Uma lágrima escorre e, antes que eu possa enxugar, sinto sua mão em meu rosto.

— Eu penso muito nisso. Perdi meu pai, meus tios, minha irmã, mas minha mãe perdeu todos e o homem por quem se apaixonou. Perdeu o homem que seu coração escolheu amar. Não escolhemos amar nossa família. Amamos e pronto. É uma extensão de nós. Um amor que nasce e morre com a gente. Mas um parceiro... Aquela pessoa que vai viver com você até o fim, é diferente. É muita coisa pensar em quanto você tem que amar alguém pra tomar essa decisão e depois ter isso arrancado de você.

— Você tem razão — digo, enquanto nossos dedos se acariciam.

— Normalmente eu tenho, mas do que você está falando? — Ele se aproxima mais.

— Nossas dores, elas são iguais. — Toco seu peito. — Eu sinto o que você sente, e você sente o que eu sinto. As pessoas veem a morte e a aceitam de formas distintas, mas nós sentimos isso do mesmo jeito. Dói igual. — Minha mão está parada sobre seu coração. Eu o sinto bater sob meus dedos, sinto cada sofrimento que existe dentro dele. — Por mais incrível e maluco que possa parecer o que vou dizer agora, eu tenho sorte, porque neste mundo imenso, em meio a toda essa minha dor, eu te encontrei. Poderia ser muito pior sem você.

— E eu encontrei você. — Sua mão desliza pelo meu rosto até parar na altura dos lábios. Jungkook olha para cima, para a guarita, depois volta a me fitar. Olho para o relógio e o encaro de volta. Nós dois sabemos que o limite está aí, estamos bem em cima da linha. Prestes a cruzá-la e a tornar isso aqui algo mais sério que pegação nos fundos de um bar. — Queria muito te beijar agora.

— Eu também, mas se fizer isso é capaz de um alarme soar e agentes secretos pularem em cima da gente.

Ouço seu riso rouco, ele quer muito mesmo me beijar agora. Tanto quanto eu quero ser beijado.

— O segurança? — ele quer saber enquanto me puxa, devagar, mais para perto.

— Ãrrã. Se meu avô souber de você, tudo vai se complicar. Não sei como ele não sabe ainda. — Paro no limite que acho seguro, embora já não saiba se é possível esconder o que fazemos.

— E não tem nenhum ponto cego nas câmeras? — ele olha ao redor.

— Tem um, mas se formos pra lá, garanto que não vai demorar trinta segundos para um dos seguranças sair e vir checar. Meu irmão já contou.

— Tem mais de um segurança? Quem vocês são? Os Kennedy?

— A agência de publicidade da minha família é a mais conhecida de Seul. E meu avô é um grande investidor, completamente bitolado com segurança. Não sei como ainda não instalou chips na gente. Vai ver que já instalou.

— Puta que pariu! Provavelmente vou ser caçado até a morte se te machucar, né?

— Provavelmente. — Sorrio e ele balança a cabeça para mim, me comendo outra vez com os olhos.

— Gosto de correr riscos. Esse ponto cego, onde é? — A brincadeira acaba, e a forma como ele diminui a voz indica que está disposto a tudo para me beijar.

— Trinta segundos — repito o que sei que será o tempo até os seguranças perceberem que nos afastamos e saírem de casa. Tae já passou por isso inúmeras vezes. Eu não, porque Taemin é certinho demais para correr riscos.

— Então vamos fazer esses trinta segundos valerem a pena.

— Ok — digo, sentindo a respiração se acelerar. — Atrás da árvore — mostro a ele.

— Aquela a... o quê? Cinco passos daqui? — Ele já começa a andar, de costas para

mim e eu o sigo, devagar.

— Ãrrã. Por isso não importa muito que seja um ponto cego. Eles podem ver se alguém for até lá.

— Mas não sabem o que acontece lá atrás. — Ele inclina a cabeça e uma mecha de cabelo cai em sua testa. Tão sexy...

— É. E precisam de um tempo para descer as escadas, abrir a porta e...

— Os benditos trinta segundos — ele diz e some atrás da árvore. Mais um passo e também estarei oculto.

Nem sei por que estamos nos escondendo. A essa hora já ficou claro o que vamos fazer. Vou ter que me entender com meu avô depois, mas pouco me importa. Quero esses trinta segundos.

Jungkook me puxa pela cintura e toco seu peito. Ele enfia a língua entre meus lábios, e eu puxo seu pescoço, querendo-o mais perto. Ele aperta minha cintura me prendendo mais a ele. Desço a mão por suas costas e surpreendo até a mim quando acaricio sua bunda. Ouço seu gemido ao inserir os dedos no cós da calça e tocar sua pele por baixo da cueca. Estamos em pleno desespero. Eu o sinto descer a mão até minha bunda e apertá-la com gosto, mas aí... bem aí...

— Senhor Jimin, está tudo bem? — ouço a voz de Sejin, o segurança.

Estou com as costas contra a árvore e Jungkook está com os dedos presos na minha bunda. Na penumbra, com a testa colada à minha, ambos lutamos para respirar do jeito mais normal possível.

— Estou indo — grito e inclino a cabeça para espiar. Só não caio porque Jungkook me segura. — Pode entrar que eu vou em seguida. Só um minuto.

— O senhor sabe que é perigoso ficar aí a essa hora. Vou ter que pôr isso no relatório para o seu Sungmin — ele ainda diz, referindo-se ao meu avô, mas o som se afasta e o portão se fecha em seguida.

Jungkook me dá mais um beijo rápido e acaricio seu rosto.

— Minha vontade agora era te colocar nessa moto e fugir com você pra sempre — ele diz baixinho. Tão rouco que quase o impeço de falar e subo na moto de uma vez. — Mas, babe, nunca me senti assim e quero que essa expectativa continue. Nem quero ver o que vai acontecer quando eu finalmente transar com você. Não, quero sim. Porra, quero muito ver! Mas quero sentir tudo, então vou dizer algo que já disse muitas vezes e nunca cumpri... — Ele passa a mão pelos cabelos, desestabilizado. — Te ligo amanhã.

Jungkook se afasta e sobe na moto. Eu o sigo de perto, mas nos separamos quando caminho em direção ao portão. Paro com a mão na maçaneta. Meus batimentos estão acelerados. Ele prende um capacete à moto e coloca o outro. Levanta o visor e nos olhamos por vários segundos em silêncio. Mal posso controlar o que sinto, e é aí que, surpreendentemente, acontece: meu coração perde uma batida.



JUNGKOOK


I was just a lad, nearly twenty two

Neither good nor bad, just a kid like you

And now I’m lost, too late to pray

Lord I paid a cost, on the lost highway.

(Jeff Buckley, “Lost Highway”)


Chego em casa e tiro a jaqueta. No fim, ficou comigo. O perfume de Jimin está misturado ao meu, não sei mais o que é meu ou dela. É como se nossos perfumes tivessem transado por nós.

Viro o trinco da porta. Acho que Baek não vai chegar tão cedo, mas quero um pouco de privacidade. Meu primeiro pensamento é ir para o banho, depois mudo. Logo quando tenho a intenção de ligar para o garoto no dia seguinte, me lembro do óbvio: não tenho o número. Foi para o meu celular que liguei da última vez.

Só tem um jeito de conseguir.

— Baek, quero o telefone do Jimin. Arranca desse moleque aí — digo quando meu primo atende.

— Primo! Boa vida essa, hein! — ele zomba. Está bêbado.

— Tá no bar ainda? Quem vai te trazer? — Incrível como agora esse lado desperta em mim. É como ter um filho sem fazer a parte boa.

— “Vou de táxiiii, cê sabeeeee...” — Afasto o telefone do ouvido porque o puto resolveu cantar a música horrível.

— O Nam tá aí? — pergunto quando parece que ele terminou de cantar. — Passa pra ele.

Não demora muito e Nam atende.

— E aí, pegou?

Filho da puta! Eu sabia que seria a primeira pergunta que me faria. Nam é educado demais para perguntar: “E aí, comeu?” E, sei lá, pela primeira vez acho que a pergunta não se encaixaria com o garoto. Eu, por outro lado, poderia ter me encaixado. Aff... Tudo o que tiver de analogia vou usar até comer... Não, até transar. É, transar é melhor. Pelo menos não é fazer amor. Aí seria apelação para mim. Transar é mais que suficiente.

— E aí, pegou? — Nam repete.

— Nah. Quer dizer, sim, mas não finalizei. — Sento no sofá.

— Ai, cara. Você sabe o que dizem, sempre tem uma primeira vez — ele diz assim, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Coloco a mão no rosto e balanço a cabeça antes de responder.

— Meu equipamento continua funcionando muito bem. Ele quis ir pra casa e eu levei.

— Sem tentar levar pra um motel?

— Sem tentar. — Coloco os pés sobre a mesa, porque a casa é minha e eu posso.

— E pra que me ligou? Ficou carente? Precisa de atenção? Apoio? Quer que eu cante uma música pra você dormir? — Ele se mata de rir do outro lado.

— Porque quero o telefone dele.

— Cara... — a surpresa marca seu tom de voz.

— É...

— Cara!

— É! Consegue o número com o irmão dele aí, vai? Fico te devendo uma.

— Duas.

— E você, pegou? — Reclino a cabeça para trás, me acomodando melhor.

— Yeap! E vou sair com ele quando o bar fechar.

— Cara...

— Pois é.

Ficamos mudos, cada um pensando na sua noite. Eu, pelo menos, estou. Nam e eu não somos do tipo amigos que conversam muito pelo telefone. Normalmente tem algumas cervejas entre nós.

— O telefone — repito.

— Ah, tá bom. Só espero que não chova canivete.

— Não prometo.

Silêncio. Ele vai e volta com o número. Antes de me despedir, acrescento:

— Vê se meu primo vai sair daí com alguém.

— Vai. Tá com um altão, amigo do ruivo.

Dou risada. Baek pode ser quieto às vezes, mas está longe de ser devagar.

— Coloca todos num táxi, falou? Não quero o Baek em um carro com algum motorista bêbado. Nem o Taehyung.

— Vou colocar, Kook. Tá tranquilo. Aproveita o banho gelado aí.

— Filho da...

Nem completo, porque ele desliga rindo.

🎸

Tiro a roupa no quarto, lembrando o que fiz essa noite. Nada. Quase nada. E, ainda assim, tudo. Consigo imaginar Jimin na minha cama. Penso no que vou fazer com ele. Pego uma toalha limpa e vou para o banheiro levando as roupas sujas. Ligo o chuveiro e continuo pensando nele.

Saio do banho e enrolo uma toalha na cintura. Ainda estou pingando quando pego o telefone e deito na cama. São quatro da manhã. Então, se ele não atender logo, vou desligar. Dois toques.

— Alô — a voz dele.

— Oi, Jimin. É o Kook.

— Oi, Kook.

É a primeira vez que ele me chama pelo apelido. Quando é que comecei a prestar atenção em detalhes assim?

— Te acordei?

— Não, estou esperando o Tae. — Sua voz parece cansada.

— Ah, ele vai demorar — respondo, ajeitando o travesseiro.

— Eu sei. Vou esperar até o sono me vencer.

— Sei que eu disse que ia ligar amanhã, mas quando cheguei em casa vi que já tinha passado da meia-noite. — Esse sou eu, inventando desculpas para ligar para um garoto e chocado comigo mesmo.

— Já tinha passado da meia-noite quando você disse que ia me ligar — ele faz graça.

— Então desligo e ligo de novo depois de amanhã? — provoco, terminando em um sussurro.

— Hum... Acho que não precisa.

Dou uma risada preguiçosa. Sei que não o engano.

— Deu tudo certo com o segurança?

— Deu. Não falei com eles quando entrei, mas sei que o meu avô vai receber o tal relatório.

— Te arrumei problemas. — Estou preocupado. De verdade.

— Não mais que os que já tenho. Meu avô quer me ver amanhã, meu ex-namorado falou com ele.

— Peraí. Sua vida é tão controlada assim?

— Meu pai nunca foi do tipo controlador. Sempre foi muito aberto. Tanto que o Tae não sabe o que quer fazer da vida e meu pai dizia que o tempo mostraria a ele, sem pressão. Já meu avô... Desde que meu pai ficou doente, ele começou a se impor mais. Não que ele seja mau, não é nem de longe. E não me controla também. Só gosta de tentar.

— O namorado ligou de novo?

Segunda vez que pergunto do namorado. Segunda vez que espero a resposta com um pouco de apreensão.

— Depois que liguei o celular, não. Ele dorme cedo. Amanhã resolvo isso.

Silêncio. Sou péssimo com telefone, mas quero muito dizer a coisa certa, mesmo que eu não faça ideia do que seja.

— Jiminie... — É a primeira vez que o chamo por um apelido. É oficial. Virei um idiota. — Quer sair comigo na minha folga?

— Quero.

Sorrio por ele não ter enrolado para responder nem perguntado o dia ou qualquer coisa do tipo.

— Minha folga é domingo.

— Então vai ser domingo.

— Ok — imito seu tom.

Ele ri. Gosto do som e isso provoca um sorriso em mim.

— Daqui a três dias. — Falo isso porque, se eu não falar, é capaz de Jimin não saber que domingo é três dias depois da quinta. Queria saber quando foi que me tornei o cara que diz coisas óbvias.

— Sim. — É quase um suspiro. Uma pequena fagulha na palha. Sinto meu peito se encher de um sentimento estranho.

Penso no que dizer em seguida e minha campainha começa a tocar sem parar.

— Você tem visita. — Agora é ele que parece apreensivo.

— Deve ser o Baek. Passei o trinco na porta. Vou lá. A gente se fala.

— Ok.

— Boa noite. — Eita! De onde saiu essa formalidade em mim?

— Boa noite. — Ele desliga.

Nem esquento, não é a primeira vez que fico no vácuo com ele.

Largo o telefone e vou para a sala. Ajeito a toalha no caminho, viro o trinco, abro a porta, pronto para xingar o Baek por não tirar o dedo da campainha, e topo com Sunhye usando um casaco fechado. Não precisa ser muito esperto para saber que ela está sem nada por baixo.

Ah, merda!

Ela abre o casaco.

Me distraio.

Ela entra.

Tô ferrado.

Ou não.

Posso mandar a garota embora, posso fechar a porta.

Sunhye só esteve aqui uma vez, mas age como se estivesse em casa. Vai até a cozinha, volta com dois copos, para, olha para mim com uma garrafa de Johnnie Walker Double Black e levanta uma sobrancelha.

Continuo parado com a mão na porta aberta. Ela coloca os copos na mesinha em frente ao sofá e deixa cair o casaco, ficando pelada na minha frente. Ela está pelada na minha frente. Puta merda, ela está pelada na minha frente!

Ela serve a bebida e me estende o copo. Fecho a porta e pego, sem saber o que é pior: resistir a uma dose de Johnnie Walker ou a uma mulher nua se oferecendo.

Bebo sem dizer nada, qualquer pergunta seria óbvia. Melhor acabar com isso de uma vez.

— Se fechou a porta é porque ele não está aqui — Sunhye diz, sentando no braço do sofá e abrindo as pernas para mim. Se eu sobreviver, exijo ser santificado. — E se não está aqui é porque você não deixou ele dormir, como não deixa nenhum garoto. Ele é só mais um.

— Ele não é só mais um. — As palavras me escapam entre um gole e outro. Tento me convencer de que o Johnnie Walker é o culpado, mas sei que é tarde demais.

— Então cadê ele? — Sunhye se levanta, irritada. Sei que está surpresa por eu não ter tido uma ereção ainda, e honestamente até eu estou preocupado. Jimin amaldiçoou meu pau.

— Não é da sua conta. — Termino meu copo e encho outro. Álcool e eu... Parceiros de longa data. — Deixei você entrar pra encerrar isso de vez. — É mentira, deixei porque me distraí com seus peitos siliconados, mas quero mesmo encerrar. — Você me conhece. Qualquer um que

passa por aquele bar me conhece. Não tenho compromisso com ninguém. Não vai rolar, se é isso que você tá querendo.

— E por que você parecia tão preocupado com aquele garoto? Só porque ele se faz de difícil?

— Ele não se faz de difícil e eu não estava preocupado. — Ou estava? Será que demonstrei tanto assim? É o que me pergunto quando um sorriso surge em meus lábios ao pensar em Jimin.

— Você gosta dele! — A acusação se perde na surpresa.

— Não é da sua conta — repito e jogo o casaco para ela. — Veste essa porra logo. Não vai rolar.

Sunhye me olha com fúria enquanto se veste.

— Você é um idiota. É só olhar pro playboyzinho pra saber que não vai durar. Ele jamais perderia tempo com um cara como você! – Eu já estava esperando por essa, Sunhye odeia perder.

— Não minto sobre quem eu sou pra ninguém. — Sento no sofá e coloco o copo na mesa de centro, ao lado da garrafa, tentado a tomar outra dose.

— Mas omite, tenho certeza. Ele sabe tudo sobre você? — O veneno transborda.

Encho o copo, mas ainda não bebo.

— Vai saber. — Não olho para ela, meu foco agora é a garrafa. Essa conversa mexe comigo mais do que eu gostaria.

— Ele sabe quanto você bebe? Sabe que é um alcoólatra? — Ela pega a garrafa.

— Deixa essa porra aí! — digo em voz alta, e ela só sorri.

— Você é patético. É só saber chegar. Bastou mostrar a garrafa que se entregou como um cachorrinho.

— Cala a boca — murmuro, bebendo mais um gole do maravilhoso líquido encorpado que me entorpece.

Ela gargalha.

— Sabe o que é o melhor de tudo? O álcool é só a ponta do iceberg quando se trata de você. E um riquinho como ele vai sair correndo para o colo do papai quando descobrir o monstro aí dentro.

— O pai dele tá morto — respondo, sentindo o efeito dormente do álcool. É bom estar em casa.

Sunhye faz biquinho e finge que está com dó. Sei o que vem por aí.

— Que lindo! Então a dor uniu os órfãos... Quero só ver quanto tempo vai durar. Sou capaz de apostar que não passa da sua primeira crise, que... — Ela levanta o meu queixo, querendo que eu olhe para ela. — Olha que maravilha! A crise está vindo.

Afasto a mão dela da minha cara.

— Cai fora daqui!

Ela pega a bolsa, mas ainda tem algo a dizer.

— Sabe o que vai acontecer? Você vai ficar com ele, porque, afinal, é de você que estamos falando. Mas e depois? Você vai cansar disso em cinco minutos. Ou ele vai descobrir o seu lado sombrio, e aí, querido, eu vou estar bem aqui.

Sunhye finalmente sai, mas o derrotado sou eu. Não consegui resistir a Jimin. Fomos nos aproximando cada vez mais, mas ele não tem noção exata de quem eu sou. Eu me deixei levar, porque foi impossível evitar, e agora, quando ele souber da verdade, não vai ter nem o colo do pai para correr.

Eu me levanto e tranco a porta. Pego a garrafa, caminho até o quarto e tranco a porta também. Destranco a gaveta do criado-mudo, um cuidado que tomei quando Baek veio para cá. Dou um sorriso triste ao pensar nisso. Sou um péssimo exemplo, em tantos aspectos.

É um caminho automático, sem paradas, sem interrupções.

Deixo a toalha cair, pego o saquinho de pó, estico uma carreira sobre a cômoda com meu cartão de crédito, mecanicamente. Uma fileira branca que sinaliza meu socorro. Aí chega o momento. Aquele momento breve que antecede a merda e você tem um flash de sanidade. Um lado seu diz: “Não usa”, e o outro se abaixa e aspira a cocaína. Você perde. Você ganha. Você morre um pouco mais.

Sento na cama e me jogo para trás, nu em todos os sentidos, olhando para o teto, que vai se perder em poucos minutos.

Sinto vergonha de mim por mais uma vez não conseguir me impedir de me destruir. Bebo deitado, o álcool escorre sobre mim, sobre a cama, sobre a minha vergonha.

A dor dura pouco, o prazer falso e ilusório me toma como um orgasmo prolongado.

Nada mais me prende. Nada.

  E, no último segundo, antes de me entregar à extrema euforia, vejo o rosto de Jimin se perder em rodopios de adrenalina.


Notas Finais


JIMIN: (Eu sei que posso estar assustada/Mas estou viva/E espero que você acredite nesse coração/Atrás de meus olhos cansados.)


JUNGKOOK: (Eu era só um moço, com quase vinte dois anos/Nem bom nem mau, apenas uma criança como você/E agora estou perdido, é muito tarde para rezar/Senhor, eu paguei o preço, na estrada perdida.)


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