História Batidas do Coração- Jikook - Capítulo 13


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Jikook, Namjin
Visualizações 273
Palavras 4.002
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, Musical (Songfic), Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


É amanhã É amanhã..... Gente sabe qual a maior loucura disso tudo, é que o comeback é no msm dia do meu aniversário 😱😱😱😱 ainda não sei bem como reagir a esse presente que o BTS está me dando, não to mais triste em fazer 22 anos😍😍😍😍😍

Capítulo 13 - Capítulo 13


Fanfic / Fanfiction Batidas do Coração- Jikook - Capítulo 13 - Capítulo 13

JIMIN


I know I can be afraid

But I’m alive

And I hope that you trust this heart

Behind my tired eyes.

(Dido, “I'm No Angel”)


E, mais uma noite, Jungkook diminui a velocidade para estacionar em frente à minha casa.

— Pode parar ali, por favor? — aponto para um lugar perto do muro, bem embaixo da guarita.

Desço, tiro o capacete e entrego a ele. Jungkook tira o dele, já que no bar tinha um sobressalente. Ele coloca ambos em cima da moto e se aproxima de mim, quando encosto no muro.

— Então, o namorado rodou... — Ele para a meu lado e olha para frente, como eu.

— É. — Minhas mãos estão para trás, encostadas no muro gelado, esperando que o frio mantenha meu corpo calmo.

— Alguma razão específica?

Suspiro e as palavras escapam, como bolhas de sabão seguindo o rumo do vento.

— Meu pai dizia que, quando descobrimos que estamos apaixonados, o coração fica tão assustado que pula um batimento, como se estivesse se preparando para todas as variações de velocidade que vai ter que enfrentar a partir daí. É o que ele chamava de “batidas perdidas do coração”. Segundo ele, o coração nunca recupera o ritmo correto até se encontrar no peito de outra pessoa.

Não nos olhamos enquanto eu falo. Faço uma pausa, depois continuo:

— Eu fui apaixonado pelo Taemin. A gente namorou por três anos e foi muito bom por um tempo, mas nunca senti meu coração pular um batimento. Nunca perdi uma batida. Quando meu pai morreu, tanta coisa foi acontecendo, e me apeguei a cada uma das nossas conversas. Agora eu quero isso. Quero perder uma batida. Você já sentiu algo assim?

— Nah! Só se perdi uma batida da bateria sem perceber ou errei no preparo de alguma bebida, o que é pouco provável.

Nós rimos e Jungkook se vira para mim, ainda encostado no muro. Faço o mesmo em direção a ele. Sua expressão fica séria, antes de começar a falar:

— Meu pai acreditava que existe apenas uma pessoa certa para cada um de nós. Eu não sei. É uma visão romântica e arriscada. Mas talvez nossos pais tenham razão, sei lá. Vai ver que é por isso que a minha mãe nunca mais encontrou outra pessoa pra amar.

— E é por isso que a minha deixou de viver... — É impossível não desviar o olhar, mas volto os olhos para ele quando o sinto segurando minha mão. — Se o coração só recupera o ritmo no peito da outra pessoa, o coração da minha mãe vai viver para sempre fora do compasso. — Uma lágrima escorre e, antes que eu possa enxugar, sinto sua mão em meu rosto.

— Eu penso muito nisso. Perdi meu pai, meus tios, minha irmã, mas minha mãe perdeu todos e o homem por quem se apaixonou. Perdeu o homem que seu coração escolheu amar. Não escolhemos amar nossa família. Amamos e pronto. É uma extensão de nós. Um amor que nasce e morre com a gente. Mas um parceiro... Aquela pessoa que vai viver com você até o fim, é diferente. É muita coisa pensar em quanto você tem que amar alguém pra tomar essa decisão e depois ter isso arrancado de você.

— Você tem razão — digo, enquanto nossos dedos se acariciam.

— Normalmente eu tenho, mas do que você está falando? — Ele se aproxima mais.

— Nossas dores, elas são iguais. — Toco seu peito. — Eu sinto o que você sente, e você sente o que eu sinto. As pessoas veem a morte e a aceitam de formas distintas, mas nós sentimos isso do mesmo jeito. Dói igual. — Minha mão está parada sobre seu coração. Eu o sinto bater sob meus dedos, sinto cada sofrimento que existe dentro dele. — Por mais incrível e maluco que possa parecer o que vou dizer agora, eu tenho sorte, porque neste mundo imenso, em meio a toda essa minha dor, eu te encontrei. Poderia ser muito pior sem você.

— E eu encontrei você. — Sua mão desliza pelo meu rosto até parar na altura dos lábios. Jungkook olha para cima, para a guarita, depois volta a me fitar. Olho para o relógio e o encaro de volta. Nós dois sabemos que o limite está aí, estamos bem em cima da linha. Prestes a cruzá-la e a tornar isso aqui algo mais sério que pegação nos fundos de um bar. — Queria muito te beijar agora.

— Eu também, mas se fizer isso é capaz de um alarme soar e agentes secretos pularem em cima da gente.

Ouço seu riso rouco, ele quer muito mesmo me beijar agora. Tanto quanto eu quero ser beijado.

— O segurança? — ele quer saber enquanto me puxa, devagar, mais para perto.

— Ãrrã. Se meu avô souber de você, tudo vai se complicar. Não sei como ele não sabe ainda. — Paro no limite que acho seguro, embora já não saiba se é possível esconder o que fazemos.

— E não tem nenhum ponto cego nas câmeras? — ele olha ao redor.

— Tem um, mas se formos pra lá, garanto que não vai demorar trinta segundos para um dos seguranças sair e vir checar. Meu irmão já contou.

— Tem mais de um segurança? Quem vocês são? Os Kennedy?

— A agência de publicidade da minha família é a mais conhecida de Seul. E meu avô é um grande investidor, completamente bitolado com segurança. Não sei como ainda não instalou chips na gente. Vai ver que já instalou.

— Puta que pariu! Provavelmente vou ser caçado até a morte se te machucar, né?

— Provavelmente. — Sorrio e ele balança a cabeça para mim, me comendo outra vez com os olhos.

— Gosto de correr riscos. Esse ponto cego, onde é? — A brincadeira acaba, e a forma como ele diminui a voz indica que está disposto a tudo para me beijar.

— Trinta segundos — repito o que sei que será o tempo até os seguranças perceberem que nos afastamos e saírem de casa. Tae já passou por isso inúmeras vezes. Eu não, porque Taemin é certinho demais para correr riscos.

— Então vamos fazer esses trinta segundos valerem a pena.

— Ok — digo, sentindo a respiração se acelerar. — Atrás da árvore — mostro a ele.

— Aquela a... o quê? Cinco passos daqui? — Ele já começa a andar, de costas para

mim e eu o sigo, devagar.

— Ãrrã. Por isso não importa muito que seja um ponto cego. Eles podem ver se alguém for até lá.

— Mas não sabem o que acontece lá atrás. — Ele inclina a cabeça e uma mecha de cabelo cai em sua testa. Tão sexy...

— É. E precisam de um tempo para descer as escadas, abrir a porta e...

— Os benditos trinta segundos — ele diz e some atrás da árvore. Mais um passo e também estarei oculto.

Nem sei por que estamos nos escondendo. A essa hora já ficou claro o que vamos fazer. Vou ter que me entender com meu avô depois, mas pouco me importa. Quero esses trinta segundos.

Jungkook me puxa pela cintura e toco seu peito. Ele enfia a língua entre meus lábios, e eu puxo seu pescoço, querendo-o mais perto. Ele aperta minha cintura me prendendo mais a ele. Desço a mão por suas costas e surpreendo até a mim quando acaricio sua bunda. Ouço seu gemido ao inserir os dedos no cós da calça e tocar sua pele por baixo da cueca. Estamos em pleno desespero. Eu o sinto descer a mão até minha bunda e apertá-la com gosto, mas aí... bem aí...

— Senhor Jimin, está tudo bem? — ouço a voz de Sejin, o segurança.

Estou com as costas contra a árvore e Jungkook está com os dedos presos na minha bunda. Na penumbra, com a testa colada à minha, ambos lutamos para respirar do jeito mais normal possível.

— Estou indo — grito e inclino a cabeça para espiar. Só não caio porque Jungkook me segura. — Pode entrar que eu vou em seguida. Só um minuto.

— O senhor sabe que é perigoso ficar aí a essa hora. Vou ter que pôr isso no relatório para o seu Sungmin — ele ainda diz, referindo-se ao meu avô, mas o som se afasta e o portão se fecha em seguida.

Jungkook me dá mais um beijo rápido e acaricio seu rosto.

— Minha vontade agora era te colocar nessa moto e fugir com você pra sempre — ele diz baixinho. Tão rouco que quase o impeço de falar e subo na moto de uma vez. — Mas, babe, nunca me senti assim e quero que essa expectativa continue. Nem quero ver o que vai acontecer quando eu finalmente transar com você. Não, quero sim. Porra, quero muito ver! Mas quero sentir tudo, então vou dizer algo que já disse muitas vezes e nunca cumpri... — Ele passa a mão pelos cabelos, desestabilizado. — Te ligo amanhã.

Jungkook se afasta e sobe na moto. Eu o sigo de perto, mas nos separamos quando caminho em direção ao portão. Paro com a mão na maçaneta. Meus batimentos estão acelerados. Ele prende um capacete à moto e coloca o outro. Levanta o visor e nos olhamos por vários segundos em silêncio. Mal posso controlar o que sinto, e é aí que, surpreendentemente, acontece: meu coração perde uma batida.



JUNGKOOK


I was just a lad, nearly twenty two

Neither good nor bad, just a kid like you

And now I’m lost, too late to pray

Lord I paid a cost, on the lost highway.

(Jeff Buckley, “Lost Highway”)


Chego em casa e tiro a jaqueta. No fim, ficou comigo. O perfume de Jimin está misturado ao meu, não sei mais o que é meu ou dela. É como se nossos perfumes tivessem transado por nós.

Viro o trinco da porta. Acho que Baek não vai chegar tão cedo, mas quero um pouco de privacidade. Meu primeiro pensamento é ir para o banho, depois mudo. Logo quando tenho a intenção de ligar para o garoto no dia seguinte, me lembro do óbvio: não tenho o número. Foi para o meu celular que liguei da última vez.

Só tem um jeito de conseguir.

— Baek, quero o telefone do Jimin. Arranca desse moleque aí — digo quando meu primo atende.

— Primo! Boa vida essa, hein! — ele zomba. Está bêbado.

— Tá no bar ainda? Quem vai te trazer? — Incrível como agora esse lado desperta em mim. É como ter um filho sem fazer a parte boa.

— “Vou de táxiiii, cê sabeeeee...” — Afasto o telefone do ouvido porque o puto resolveu cantar a música horrível.

— O Nam tá aí? — pergunto quando parece que ele terminou de cantar. — Passa pra ele.

Não demora muito e Nam atende.

— E aí, pegou?

Filho da puta! Eu sabia que seria a primeira pergunta que me faria. Nam é educado demais para perguntar: “E aí, comeu?” E, sei lá, pela primeira vez acho que a pergunta não se encaixaria com o garoto. Eu, por outro lado, poderia ter me encaixado. Aff... Tudo o que tiver de analogia vou usar até comer... Não, até transar. É, transar é melhor. Pelo menos não é fazer amor. Aí seria apelação para mim. Transar é mais que suficiente.

— E aí, pegou? — Nam repete.

— Nah. Quer dizer, sim, mas não finalizei. — Sento no sofá.

— Ai, cara. Você sabe o que dizem, sempre tem uma primeira vez — ele diz assim, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Coloco a mão no rosto e balanço a cabeça antes de responder.

— Meu equipamento continua funcionando muito bem. Ele quis ir pra casa e eu levei.

— Sem tentar levar pra um motel?

— Sem tentar. — Coloco os pés sobre a mesa, porque a casa é minha e eu posso.

— E pra que me ligou? Ficou carente? Precisa de atenção? Apoio? Quer que eu cante uma música pra você dormir? — Ele se mata de rir do outro lado.

— Porque quero o telefone dele.

— Cara... — a surpresa marca seu tom de voz.

— É...

— Cara!

— É! Consegue o número com o irmão dele aí, vai? Fico te devendo uma.

— Duas.

— E você, pegou? — Reclino a cabeça para trás, me acomodando melhor.

— Yeap! E vou sair com ele quando o bar fechar.

— Cara...

— Pois é.

Ficamos mudos, cada um pensando na sua noite. Eu, pelo menos, estou. Nam e eu não somos do tipo amigos que conversam muito pelo telefone. Normalmente tem algumas cervejas entre nós.

— O telefone — repito.

— Ah, tá bom. Só espero que não chova canivete.

— Não prometo.

Silêncio. Ele vai e volta com o número. Antes de me despedir, acrescento:

— Vê se meu primo vai sair daí com alguém.

— Vai. Tá com um altão, amigo do ruivo.

Dou risada. Baek pode ser quieto às vezes, mas está longe de ser devagar.

— Coloca todos num táxi, falou? Não quero o Baek em um carro com algum motorista bêbado. Nem o Taehyung.

— Vou colocar, Kook. Tá tranquilo. Aproveita o banho gelado aí.

— Filho da...

Nem completo, porque ele desliga rindo.

🎸

Tiro a roupa no quarto, lembrando o que fiz essa noite. Nada. Quase nada. E, ainda assim, tudo. Consigo imaginar Jimin na minha cama. Penso no que vou fazer com ele. Pego uma toalha limpa e vou para o banheiro levando as roupas sujas. Ligo o chuveiro e continuo pensando nele.

Saio do banho e enrolo uma toalha na cintura. Ainda estou pingando quando pego o telefone e deito na cama. São quatro da manhã. Então, se ele não atender logo, vou desligar. Dois toques.

— Alô — a voz dele.

— Oi, Jimin. É o Kook.

— Oi, Kook.

É a primeira vez que ele me chama pelo apelido. Quando é que comecei a prestar atenção em detalhes assim?

— Te acordei?

— Não, estou esperando o Tae. — Sua voz parece cansada.

— Ah, ele vai demorar — respondo, ajeitando o travesseiro.

— Eu sei. Vou esperar até o sono me vencer.

— Sei que eu disse que ia ligar amanhã, mas quando cheguei em casa vi que já tinha passado da meia-noite. — Esse sou eu, inventando desculpas para ligar para um garoto e chocado comigo mesmo.

— Já tinha passado da meia-noite quando você disse que ia me ligar — ele faz graça.

— Então desligo e ligo de novo depois de amanhã? — provoco, terminando em um sussurro.

— Hum... Acho que não precisa.

Dou uma risada preguiçosa. Sei que não o engano.

— Deu tudo certo com o segurança?

— Deu. Não falei com eles quando entrei, mas sei que o meu avô vai receber o tal relatório.

— Te arrumei problemas. — Estou preocupado. De verdade.

— Não mais que os que já tenho. Meu avô quer me ver amanhã, meu ex-namorado falou com ele.

— Peraí. Sua vida é tão controlada assim?

— Meu pai nunca foi do tipo controlador. Sempre foi muito aberto. Tanto que o Tae não sabe o que quer fazer da vida e meu pai dizia que o tempo mostraria a ele, sem pressão. Já meu avô... Desde que meu pai ficou doente, ele começou a se impor mais. Não que ele seja mau, não é nem de longe. E não me controla também. Só gosta de tentar.

— O namorado ligou de novo?

Segunda vez que pergunto do namorado. Segunda vez que espero a resposta com um pouco de apreensão.

— Depois que liguei o celular, não. Ele dorme cedo. Amanhã resolvo isso.

Silêncio. Sou péssimo com telefone, mas quero muito dizer a coisa certa, mesmo que eu não faça ideia do que seja.

— Jiminie... — É a primeira vez que o chamo por um apelido. É oficial. Virei um idiota. — Quer sair comigo na minha folga?

— Quero.

Sorrio por ele não ter enrolado para responder nem perguntado o dia ou qualquer coisa do tipo.

— Minha folga é domingo.

— Então vai ser domingo.

— Ok — imito seu tom.

Ele ri. Gosto do som e isso provoca um sorriso em mim.

— Daqui a três dias. — Falo isso porque, se eu não falar, é capaz de Jimin não saber que domingo é três dias depois da quinta. Queria saber quando foi que me tornei o cara que diz coisas óbvias.

— Sim. — É quase um suspiro. Uma pequena fagulha na palha. Sinto meu peito se encher de um sentimento estranho.

Penso no que dizer em seguida e minha campainha começa a tocar sem parar.

— Você tem visita. — Agora é ele que parece apreensivo.

— Deve ser o Baek. Passei o trinco na porta. Vou lá. A gente se fala.

— Ok.

— Boa noite. — Eita! De onde saiu essa formalidade em mim?

— Boa noite. — Ele desliga.

Nem esquento, não é a primeira vez que fico no vácuo com ele.

Largo o telefone e vou para a sala. Ajeito a toalha no caminho, viro o trinco, abro a porta, pronto para xingar o Baek por não tirar o dedo da campainha, e topo com Sunhye usando um casaco fechado. Não precisa ser muito esperto para saber que ela está sem nada por baixo.

Ah, merda!

Ela abre o casaco.

Me distraio.

Ela entra.

Tô ferrado.

Ou não.

Posso mandar a garota embora, posso fechar a porta.

Sunhye só esteve aqui uma vez, mas age como se estivesse em casa. Vai até a cozinha, volta com dois copos, para, olha para mim com uma garrafa de Johnnie Walker Double Black e levanta uma sobrancelha.

Continuo parado com a mão na porta aberta. Ela coloca os copos na mesinha em frente ao sofá e deixa cair o casaco, ficando pelada na minha frente. Ela está pelada na minha frente. Puta merda, ela está pelada na minha frente!

Ela serve a bebida e me estende o copo. Fecho a porta e pego, sem saber o que é pior: resistir a uma dose de Johnnie Walker ou a uma mulher nua se oferecendo.

Bebo sem dizer nada, qualquer pergunta seria óbvia. Melhor acabar com isso de uma vez.

— Se fechou a porta é porque ele não está aqui — Sunhye diz, sentando no braço do sofá e abrindo as pernas para mim. Se eu sobreviver, exijo ser santificado. — E se não está aqui é porque você não deixou ele dormir, como não deixa nenhum garoto. Ele é só mais um.

— Ele não é só mais um. — As palavras me escapam entre um gole e outro. Tento me convencer de que o Johnnie Walker é o culpado, mas sei que é tarde demais.

— Então cadê ele? — Sunhye se levanta, irritada. Sei que está surpresa por eu não ter tido uma ereção ainda, e honestamente até eu estou preocupado. Jimin amaldiçoou meu pau.

— Não é da sua conta. — Termino meu copo e encho outro. Álcool e eu... Parceiros de longa data. — Deixei você entrar pra encerrar isso de vez. — É mentira, deixei porque me distraí com seus peitos siliconados, mas quero mesmo encerrar. — Você me conhece. Qualquer um que

passa por aquele bar me conhece. Não tenho compromisso com ninguém. Não vai rolar, se é isso que você tá querendo.

— E por que você parecia tão preocupado com aquele garoto? Só porque ele se faz de difícil?

— Ele não se faz de difícil e eu não estava preocupado. — Ou estava? Será que demonstrei tanto assim? É o que me pergunto quando um sorriso surge em meus lábios ao pensar em Jimin.

— Você gosta dele! — A acusação se perde na surpresa.

— Não é da sua conta — repito e jogo o casaco para ela. — Veste essa porra logo. Não vai rolar.

Sunhye me olha com fúria enquanto se veste.

— Você é um idiota. É só olhar pro playboyzinho pra saber que não vai durar. Ele jamais perderia tempo com um cara como você! – Eu já estava esperando por essa, Sunhye odeia perder.

— Não minto sobre quem eu sou pra ninguém. — Sento no sofá e coloco o copo na mesa de centro, ao lado da garrafa, tentado a tomar outra dose.

— Mas omite, tenho certeza. Ele sabe tudo sobre você? — O veneno transborda.

Encho o copo, mas ainda não bebo.

— Vai saber. — Não olho para ela, meu foco agora é a garrafa. Essa conversa mexe comigo mais do que eu gostaria.

— Ele sabe quanto você bebe? Sabe que é um alcoólatra? — Ela pega a garrafa.

— Deixa essa porra aí! — digo em voz alta, e ela só sorri.

— Você é patético. É só saber chegar. Bastou mostrar a garrafa que se entregou como um cachorrinho.

— Cala a boca — murmuro, bebendo mais um gole do maravilhoso líquido encorpado que me entorpece.

Ela gargalha.

— Sabe o que é o melhor de tudo? O álcool é só a ponta do iceberg quando se trata de você. E um riquinho como ele vai sair correndo para o colo do papai quando descobrir o monstro aí dentro.

— O pai dele tá morto — respondo, sentindo o efeito dormente do álcool. É bom estar em casa.

Sunhye faz biquinho e finge que está com dó. Sei o que vem por aí.

— Que lindo! Então a dor uniu os órfãos... Quero só ver quanto tempo vai durar. Sou capaz de apostar que não passa da sua primeira crise, que... — Ela levanta o meu queixo, querendo que eu olhe para ela. — Olha que maravilha! A crise está vindo.

Afasto a mão dela da minha cara.

— Cai fora daqui!

Ela pega a bolsa, mas ainda tem algo a dizer.

— Sabe o que vai acontecer? Você vai ficar com ele, porque, afinal, é de você que estamos falando. Mas e depois? Você vai cansar disso em cinco minutos. Ou ele vai descobrir o seu lado sombrio, e aí, querido, eu vou estar bem aqui.

Sunhye finalmente sai, mas o derrotado sou eu. Não consegui resistir a Jimin. Fomos nos aproximando cada vez mais, mas ele não tem noção exata de quem eu sou. Eu me deixei levar, porque foi impossível evitar, e agora, quando ele souber da verdade, não vai ter nem o colo do pai para correr.

Eu me levanto e tranco a porta. Pego a garrafa, caminho até o quarto e tranco a porta também. Destranco a gaveta do criado-mudo, um cuidado que tomei quando Baek veio para cá. Dou um sorriso triste ao pensar nisso. Sou um péssimo exemplo, em tantos aspectos.

É um caminho automático, sem paradas, sem interrupções.

Deixo a toalha cair, pego o saquinho de pó, estico uma carreira sobre a cômoda com meu cartão de crédito, mecanicamente. Uma fileira branca que sinaliza meu socorro. Aí chega o momento. Aquele momento breve que antecede a merda e você tem um flash de sanidade. Um lado seu diz: “Não usa”, e o outro se abaixa e aspira a cocaína. Você perde. Você ganha. Você morre um pouco mais.

Sento na cama e me jogo para trás, nu em todos os sentidos, olhando para o teto, que vai se perder em poucos minutos.

Sinto vergonha de mim por mais uma vez não conseguir me impedir de me destruir. Bebo deitado, o álcool escorre sobre mim, sobre a cama, sobre a minha vergonha.

A dor dura pouco, o prazer falso e ilusório me toma como um orgasmo prolongado.

Nada mais me prende. Nada.

  E, no último segundo, antes de me entregar à extrema euforia, vejo o rosto de Jimin se perder em rodopios de adrenalina.


Notas Finais


JIMIN: (Eu sei que posso estar assustada/Mas estou viva/E espero que você acredite nesse coração/Atrás de meus olhos cansados.)


JUNGKOOK: (Eu era só um moço, com quase vinte dois anos/Nem bom nem mau, apenas uma criança como você/E agora estou perdido, é muito tarde para rezar/Senhor, eu paguei o preço, na estrada perdida.)


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