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História Battle Royale Italia - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Estrada para o Inferno


24 de Abril de 1994, eram 21:00 em ponto, o ônibus da Turma A do Liceo di Santa Teresa, saía da cidade de Valle Dell'Amore em direção à Verona, levando os alunos do 4° Ano do Ensino Secundário II, para ser mais específico, talvez fossem os últimos momentos juntos da Turma A, já que nos próximos meses, eles iriam para a universidade, muitos desta turma já estudavam juntos desde o 3°Ano do Ensino Secundário I, grupos foram feitos e desfeitos, amizades, brigas, rivalidades, romances, intrigas, verdades, mentiras e tantas outras coisas aconteceram durante esse longo tempo, naquele ônibus haviam 42 adolescentes, cada um com sua própria história, sua personalidade, seus problemas, sonhos, medos e traumas, rumo à uma viagem que seria a mais marcante de suas vidas.

No ônibus, Antonella Collucci (Garota N°7), lia um livro, algo relacionado a Astronomia, era a única garota ruiva da escola, dona de um belo par de olhos cor-de-âmbar, mas seu rosto cheio de sardas e os seus óculos enormes e redondos se destacavam mais, era uma menina amável e graciosa, porém, tinha um otimismo que quase beirava a ingenuidade, ela começou à observar tudo ao seu redor, então ela viu ao seu lado Luca Cravonero (Garoto N°7), considerado o garoto mais bonito da escola, ele tinha cabelos negros e longos até os ombros, os incomparáveis olhos esverdeados como jade, o corpo atlético e esbelto, a pele mais branca que o normal, traços germânicos em seu rosto, muitas garotas o adoravam, afinal ele era grande craque de Valle Dell'Amore, o clube de futebol que tinha o nome da cidade, assim como muitos clubes italianos e europeus, ele estava ouvindo o jogo do Alpino em seu rádio que ganhou de seu empresário, isso mesmo que você leu, empresário.

Luca era um futebolista com habilidades diferenciadas, ou talento para os mais simplistas, muitos já sabiam que quando ele voltasse da formatura, seria o novo reforço do Alpino Torino Calcio, uns dos maiores clubes da República Nacionalista da Itália, após quatro belas temporadas na Associazione Sportiva Valle Dell'Amore, mas essa é uma história para outra hora.

Antonella continuou à observar as pessoas, na frente do ônibus avistou duas meninas conversando, pelos cabelos altos, bonitos e bem longos, era tinha certeza que eram Constanza Facchini e Giulia Castellazzi (Garotas N°11 e N°5), as principais membros do Grupo das Princesas, uns dos grupos da desunida Turma A, Facchini era a filha do prefeito de Valle Dell'Amore, Adriano Facchini, dotada de grande beleza e arrogância do mesmo tamanho, a líder do Grupo das Princesas, devido aos seu ego inflado, suas mentiras, intrigas e maldades, ela conseguiu muitos desafetos, sendo que Monica Di Vocalli (Garota N°10), Sofia Rosabianca (Garota N°18) e Roberta Tagliatelli (Garota N°20), eram suas inimizades em destaque, e o modo como tratava todos os estudiosos e bolsistas da classe era terrível, ela sempre tratou Antonella com um certo desprezo, ora por ela ser pobre, ora por ela não se enquadrar nos exagerados padrões de beleza do seu grupo.

Por outro lado, Castellazzi era um pouco diferente, era ainda mais bonita que Facchini, mas apesar do seu rostinho de princesa e corpinho de modelo, ela se destacava pelo tamanho dos seus seios, que eram enormes e incomparáveis, além disso ela era uma famosa atriz de televisão, fazia filmes, seriados, comerciais, era muito boa no que fazia, aclamada pela crítica e principalmente pelo povo italiano, não seria exagero dizer que ela tinha milhões de fãs, principalmente crianças e adolescentes, mas apesar de tudo isso, ela não parecia feliz, quanto à sua relação com Antonella, ela até que a tratava bem, elas até ficaram amigas, mas quando Giulia descobriu que Antonella gostava de um certo garoto, a amizade sumiu e restou apenas a cisma.

Regressando à história, ela olhou para o outro lado e viu mais duas garotas, Donatella Collina e Giuliana Maggiore (Garotas N°6 e N°14), que diferentemente de Facchini e Castellazzi, eram bem mais amigáveis, Collina era sulista, e chegou em Valle Dell'Amore aos 5 anos, após sua terra ser devastada por uma Guerra Civil que causou a anexação do Sul ao território da República Nacionalista da Itália, sua mãe se tornou empregada de Diana Martinelli, mãe de Valentino Martinelli (Garoto N°13), anos depois, a mãe de Donatella faleceu e Diana assumiu a tutela da garota e por mais estranho que pareça, Diana tratava Donatella como se fosse sua filha.

Giuliana Maggiore nasceu na Argentina, mas também chegou à Valle Dell'Amore quando era bem pequena, pois seus pais, devido as perseguições que sofriam no país natal, tiveram que se exilar e a Itália foi o primeiro pais à abrir as portas, e com documentos falsos, eles entraram no país, Giuliana, embora tenha vivido praticamente a vida inteira na Itália, nunca esqueceu de sua origem argentina, era uma exímia estudante, tinha sonhos como se formar em medicina e ser a presidente de seu país natal, talvez fossem sonhos distantes da sua realidade, mas como a garota persistente que era, nunca desistiu de nada, muito menos dos seus sonhos.

Ao que se sabe, Collina e Maggiore eram amigas desde a infância, sempre trataram Antonella bem, porém, não eram muito próximas dela.

Antonella olhou para os lados e avistou um casal, no mínimo, inusitado, Romeo Montecchi (Garoto N°14) e Giulietta Capuleti (Garota N°4), duas pessoas completamente diferentes, Romeo era do Grupo dos Idiotas, outro grupinho daquela classe segregada, mas disso falaremos depois, continuando, Romeo, além de ser o filho mais jovem de um dos grandes chefes da máfia local, era diferente dos outros membros de seu grupo escolar, tinha suas próprias ideias, gostava de zoar professores e estudiosos, somente zoar, sem agredir ou humilhar ninguém, era um rapaz bonito, alto e magro, tinha cabelos loiros, olhos azuis, um rosto delicado, um rosto que por muitas vezes lhe fez ser motivo de piada entre seus amigos, que questionavam sua orientação sexual de maneira pejorativa, até ele namorar Giulietta Capuleti.

Giulietta, que era de uma família fortemente religiosa, menina bondosa e benevolente, dava aulas para os órfãos, cuidava dos animais e dos moradores de rua, também fazia trabalho voluntário, doava roupas para os pobres, era um anjo em forma de garota, linda por dentro e por fora, olhos azuis, belos e longos cabelos loiros que se estendiam até os seus glúteos, cabelos que lhe renderam o apelido de "Rapunzel", as famílias de ambos se odiavam de modo explícito, assim, tal romance era "secreto", apesar da indiscrição (beirando à displicência) do casal.

Antonella continuou à observar seus colegas, então ela viu Giorgio Aquilani (Garoto N°1), que se aproximou dela e lhe deu uma carta, dizendo:

— Giacomelli mandou lhe entregar!

Aquilani e Giacomelli eram muito amigos e toda a escola sabia que o representante da classe tinha sentimentos por Antonella, exceto a própria, que era meio desfocada, ou quase desfocada neste aspecto, Giacomelli sempre estava ao lado dela, já que ambos eram uns dos alunos mais estudiosos da turma, era um típico patinho feio, pele rosada, espinhento, olhos estrábicos e cabelos curtos, loiros e bagunçados como se tivessem levado um choque.

Regressando ao que interessa, Antonella pegou a carta e com um sorriso, agradeceu:

— Obrigada, quando chegarmos eu vou ler!

Ela olhou para a carta e depois a colocou na sua mochila, reparou em Aquilani, sua aparência era mais agradável do que a de Giacomelli, porém, ele parecia uma criança em aspectos físicos, olhos castanhos e profundos, um rosto suave e inocente, assim como seu coração, talvez fosse umas das almas mais puras ao lado de Allegra Ferrara (Garota N°12), adorava animes e mangás orientais, até estava lendo um mangá durante aquela viagem, Saint Seiya, mas sua característica mais marcante é que ele era o único que sabia Língua Japonesa com perfeição naquela classe, era o melhor aluno da classe nessa disciplina.

Antonella mudou o foco para outros alunos, então ela viu Allegra Ferrara (Garota N°12), foi um milagre ela não ter tomado um susto, pois Allegra era muito, muito, muito feia, tão feia que era praticamente impossível não se assustar ao vê-la, seu rosto era coberto de espinhas, diziam que era preciso um pote inteiro de gel cola por dia para domar aqueles cabelos desgrenhados que ela tinha, além disso, ela tinha óculos enormes, com lentes que mais pareciam dois fundos de garrafa e um aparelho ortodôntico simples, mas que a tornava ainda mais feia, sua feiura era incomparável, não foi à toa que ela ganhou o concurso de "Garota Mais Feia da Escola" por três anos consecutivos.

Mas Allegra não era apenas um rosto que Deus desenhou sem borracha, por daquela moça desprovida de beleza, havia uma mente brilhante, principalmente quando o assunto era matemática, ela era quase que insuperável, além de um coração puro e generoso, mas mesmo com tal genialidade e bondade, ela sofria com as brincadeiras de mau gosto (Como esta acima) de seus colegas graças à sua aparência.

Em seguida, Antonella olhou para Micaella Ricci (Garota N°17) e Piero Sorrentino (Garoto N°17), que estavam...namorando, logo se assustaram com o olhar de Antonella, envergonhada, Ricci não hesitou em dizer:

— Poderia olhar para outro lugar, Collucci?
— Er...me desculpe!

Antonella virou-se e voltou o seu foco para o seu livro, até que uma imagem lhe chamou a atenção, de um lado, Marco Di Leone (Garoto N°8) e Roberta Tagliatelli (Garota N°20), e do outro, Franco D'Amico (Garoto N°9) e Christine Albertini (Garota N°2), era como ver membros do Verona e do Livorno à menos de um metro de distância, não pela personalidade, mas pela rivalidade entre ambos, sobre eles, Di Leone e D'Amico eram filhos dos dois maiores mafiosos do país, rivais desde a Sicília, quando ambos se mudaram para Valle Dell'Amore, a rivalidade somente mudou de endereço, aos 17 anos, eles já eram os soberanos do submundo de Valle Dell'Amore, fazendo um triunvirato com Pietro Montecchi, pai de Romeo Montecchi, eles vendiam drogas, faziam "favores" e mantinham bordéis pela cidade, às vezes disputavam territórios, mas nada que pudesse afetar a "paz" entre as gangues da cidade, ah claro, e onde Roberta Tagliatelli e Christine Albertini entram nesta história?

Simples, elas eram as amantes dos rivais, Tagliatelli era mais uma parceira do que amante, era uma moça muito bonita de passado complicado, dizem que ela foi forçada à assassinar o próprio pai, era uma garota boêmia, gostava da noite, de festa, adorava jogar bilhar e cartas, genovesa nata, era torcedora assídua da U.C. Genova, comumente chamado de Sampdoria, dizia até ter um fetiche por Gianluca Pagliuca, o goleiro da equipe naquela época, outra coisa que ela gostava de fazer era sexo, diagnosticada com ninfomania, ela costumava fazer sexo de inúmeras formas 13 vezes por semana, não era uma estudante exemplar, costumava sumir para ficar com alguém por aí ou fumar maconha na arquibancada do campo de futebol, suas notas eram horripilantes, mas ela sempre foi aprovada no fim do ano letivo, as más línguas diziam que ela pagava os professores com dinheiro e até mesmo favores sexuais, mas nada foi comprovado, era a única estudante que morava sozinha, pelo menos até onde o povo sabia e para sobreviver, Roberta tinha um "emprego" e o seu chefe? Adivinha? Marco Di Leone.

Quanto à Christine, ela era mais um adorno de D'Amico, diferente de Tagliatelli, ela não ajudava nos negócios, parecia mais um bicho de estimação ou para os mais esdrúxulos, uma prostituta particular.

De passado completamente desconhecido, a única coisa que se sabia sobre ela é a sua nacionalidade americana, o que era ruim, já que havia um ódio declarado contra os americanos neste país, algo criado pelo governo e reforçado pela mídia sensacionalista que predominava o âmbito jornalístico italiano, por sorte ela era namorada de D'Amico, que a protegia com seus seguranças, seu poder e influência sobre a cidade, quanto ao seu desempenho escolar, não era uma aluna brilhante, mas tinha notas razoáveis, diferentemente de Tagliatelli, cuja as notas eram horríveis e foi um verdadeiro milagre ela ter passado por quatro anos letivos.

Pouco depois, Antonella ouviu as vozes de Monica Di Vocalli (Garota N°10) e Enzo Cannaglia (Garoto N°6), eles não estavam no seu campo de visão, mas provavelmente eles estavam tendo uma conversa de assuntos bem cultos como o Renascimento, Iluminismo, os Livros de Dostoiévski ou Política Nacional, ambos sempre portando um cigarro na boca, Antonella lembrava de Monica pelo seu físico perfeito e o seu jeitinho brasileiro de ser, no bom sentido, pois mesmo sendo um pouco mais fria que seus conterrâneos, ela era trabalhadora, dedicada, amiga (e como!), sempre ajudando os outros, principalmente os seus grandes amigos.

Haviam outras características naquela bela moça, o rosto sereno, os olhos castanhos, protegidos por óculos ao estilo aviador, de armação preta, seu corpo moreno, atlético e cheio de curvas, um resquício inegável de sua brasilidade, mas nada disso era um fator tão marcante em Monica quanto sua inteligência e sabedoria, ela tinha conhecimento em computação, medicina, artes marciais, entre outras matérias acadêmicas, era uma das melhores alunas da classe, assim como seu amigo Enzo Cannaglia.

Todavia ele era mais carismático, sorria mais que Monica, fazia mais piadas, algumas eram um tanto sujas e vulgares, ele também era um garoto muito sábio e inteligente, sempre usava sua blusa azul desgastada pelo tempo e uma touca de mesma cor, seus cabelos eram loiros e se estendiam até os ombros, olhos azuis e belos, usava óculos lindos, similares aos de Antonella, só que mais resistentes e estilosos, falando assim, até parece que eles eram alvos fáceis de surras, cabeças no vaso sanitários, prisões no armário, entre outras maneiras que os valentões usavam para intimidar os estudiosos, pois é, até tentaram intimidá-los uma vez, todavia, depois que Enzo e Monica derrubaram dois grupos de valentões juntos, ninguém mais brigou com eles no Liceo.

Antonella se virou para o lado direito e viu Salvatore Santorelli (Garoto N°16), o garoto deu um leve sorriso ao lhe ver, ele era alto e magro, porém, muito bonito, tinha cabelos lisos e bem arrumados, olhos azuis e gélidos, ele era muito calado, um garoto de poucas palavras e amigos, ficava isolado nos intervalos, somente lendo livros, costumava conversar somente com uma pessoa, sua melhor amiga Anna Bacchi, até ela morrer há um ano, Santorelli era um dos melhores alunos da escola, era sem dúvidas, extremamente inteligente, às vezes mais inteligente até que os próprios professores.

Outra característica nítida nele eram os constantes sangramentos no nariz, ele parecia doente, ele também era meio antissocial, porém, demonstrou ser um garoto dócil e gentil nos poucos momentos em que abriu a boca, não era de causar confusão, ele somente brigou uma única vez, e foi com Carlo Campeggia (Garoto N°5), ele esmagou a mão de Campeggia como se fosse um pão, isso somente porque Campeggia agrediria Carmella Belluzzo e Maria Pasqualini (Garotas N°3 e N°16).

Quanto à Carmella, era uma garota linda, porém sofria de depressão profunda, baixinha e magrinha, ela sofria bullying constantemente, por ser disléxica e desenhar constantemente em plena sala de aula, além de sofrer com o jeito autoritário de Maria Pasqualini (Garota N°16), uma menina arrogante e mandona, e embora ela fosse prima de Cristiano Pasqualini, padre da cidade e uma das almas mais caridosas daquele país, ela era muito antipática e egocêntrica, fazia o que queria com Carmella, além disso, ela tinha uma reputação renomada (e questionável) de boa moça, naquele momento, Maria gritava com Carmella por ela ter esquecido o vestido de formatura dela, algo ridículo por sinal.

Mas continuemos, ou melhor, voltemos à falar de Santorelli, sobre o seu passado, ninguém sabia nada sobre ele, era como se ele tivesse caído de paraquedas nesse mundo, claro que haviam vários boatos, o mais forte deles, é que Santorelli foi cobaia de um projeto governamental, em que eles usavam as crianças mais inteligentes do país para fazer testes e experimentos, mas nada disso foi provado.

Antonella olhou para Angelica Longhi (Garota N°13), ela estava sentada ao lado de Santorelli, os dois se mantinham calados, Angelica era meio que...louca, apesar do lindo rosto e dos sedutores olhos púrpura (Que faziam muitos compararem ela à atriz Elizabeth Taylor), para qualquer garoto, até para algumas garotas, todavia, era nítido que ela não era normal, ainda mais depois que ela manteve Valentino Martinelli (Garoto N°13) em cativeiro, quem era Valentino Martinelli? Seu ex-namorado, por quem Angelica era capaz de matar e morrer, o seu desejo era tê-lo somente para si pelo resto de sua vida, pelo menos era o que ela dizia.

Valentino Martinelli estava sentado atrás de Antonella, ele era um garoto muito bonito, cabelos castanhos, curtos e despenteados, olhos azuis, seu rosto parecia de um ator de cinema, todavia, seu interior estava danificado, não que ele fosse uma má pessoa, mas ele era uma pessoa doente, sofria de uma forte depressão, pois foi perseguido por Angelica Longhi de todos os meios e maneiras possíveis por quase um ano, isso porque ele terminou com ela, e ela não aceitou bem, depois do ocorrido, Valentino ficou extremamente desconfiado e naquele momento tinha apenas três amigos em que ele confiava, Luca Cravonero, Donatella Collina e Sofia Rosabianca, você já viu coisas sobre os dois primeiros, quanto a terceira, não se preocupe, falarei dela posteriormente.

Antonella continuava olhando para os seus colegas ao redor, ela olhou para trás, no fundo para ser específico, lá estavam todos os membros do Grupo dos Idiotas, com exceção lógica de Romeo Montecchi (Garoto N°14), ou seja, ela viu Demetrio Bellucci (Garoto N°3), Carlo Campeggia (Garoto N°5), Alberto Lorenzetti (Garoto N°12) e Gabriele Zotti (Garoto N°21), eram os garotos mais babacas da classe, não implicavam somente com Antonella, mas com quase toda a classe, para falar a verdade, eles somente deixavam Luca Cravonero em paz, pois sempre levavam uma sova quando tentavam perturbar a paz dele, Campeggia era filho do chefe de polícia de Valle Dell'Amore, Dino Campeggia, era um rapaz muito feio, talvez tão feio quanto Giacomelli, rapaz delinquente, muitas vezes acobertado pelo pai.

Ser acobertado pelo pai, caso similar de Demetrio Bellucci, acusado de ter abusado sexualmente de sete garotas, sendo inocentado de forma questionável de todas as acusações por seu pai, o brilhante advogado Damiano Bellucci, Demetrio era um rapaz bonito, cabelos negros, olhos azuis, tinha um corpo atlético, mas estava longe de ter o vigor físico de Cravonero, Antonella não lembra bem o que aconteceu, mas muitos diziam que Bellucci não abusou dela por pouco na "Festa de Formatura", que havia acontecido na casa de Connie Facchini dias antes, apesar de Antonella relutar em acreditar nisso.

E por fim, Alberto Lorenzetti e Gabriele Zotti, muitos suspeitavam que os dois tivessem "relações íntimas", mas ninguém conseguiu comprovar que era verdade, Lorenzetti era o filhinho mimado de mamãe, que se fingia de santinho na frente dela para fazer suas besteiras pelas costas de sua amada mãezinha.

Em contrapartida, Zotti não escondia sua personalidade intolerante e maldosa, era um fascista perfeito, daqueles que enchem o Supremo Líder de orgulho, mas ser esse exemplo de padrão social da época o fazia ser odiado por muita gente, para ser mais específico, quase toda a classe, afinal ele pegava no pé de Martinelli por ele ser napolitano, Di Vocalli por ela ser negra e até mesmo com a própria Antonella, por ela ser a única garota ruiva de todo o Liceo.

Voltando à história, Campeggia percebeu que Antonella o observava e fez algo habitual de sua índole:

— Tá olhando o quê, sardenta?

Antonella ficou estática, completamente sem reação, então Campeggia zombou novamente dela:

— Para de olhar pra mim, sua retardada!

Em seguida, Campeggia lançou uma bola de papel em Antonella, o objeto a acertaria facilmente, porém, a bola foi parada por uma mão coberta por ataduras até a palma, era Sofia Rosabianca (Garota N°18), uma grande amiga de Luca Cravonero, a única garota que para muitos, era perfeita esteticamente, corpo milimétricamente sinuoso, musculatura firme, grandes medidas de busto e quadril e um rosto dotado de uma beleza incomparável, era o sonho de todo garoto, mas o seu temperamento forte afastava muitos deles, e os que restavam eram aqueles que lhe tratavam com total respeito e tinham amizade com ela, ou seja quatro garotos daquela classe, Cravonero, Martinelli, Cannaglia e Sorrentino, sendo que o último era muito apaixonado por Micaella Ricci, restavam apenas três garotos.

Deixando o desimportante de lado e retornando à história, Sofia estava com a bolinha na mão e sem hesitar, falou:

— Relaxa, ninguém está olhando para sua cara feia, Frankenstein!
— Se acha somente porque é gostosa, não é, sua cadela?
— Repita isso e eu vou aí deixar sua cara mais feia do que já está!— Gritou Sofia, muito irritada.

Campeggia engoliu à seco, e com um certo temor no olhar, simplesmente se calou.

Minutos se passaram e o ônibus continuou rodando pela Província de Verona, Antonella olhou para a janela e viu uma paisagem tão bucólica que chegava até ser romântica͵ então ela voltou seu olhar para Luca:

— Por que está olhando para mim com essa cara, pequenina?—  Perguntou Luca͵ com um sorriso no rosto.

Antonella ficou muda por dez segundos, somente admirando aqueles olhos esverdeados, tão claros que até ficavam difíceis de enxergá-los diante da luz do dia, mas já havia anoitecido há horas e Antonella podia ver toda a beleza dos olhos de Luca, esverdeados e claros como pedras de jade, ela continuava admirando Luca, até que ele voltou à perguntar:

— Pequenina, você está bem, por que está me olhando com essa cara?
— Ãh?!— Disse Antonella assustada, como se estivesse saído de um transe hipnótico.
— Você está bem, Antonella?

Antonella ficou muito envergonhada, pois em sua mente, ela fez papel de idiota diante de Luca, e acanhada como estava, Antonella respondeu Luca quase, ou melhor, bem afoita:

— Si...sim, por que não estaria, afinal, seria uma tola se....se eu não estive...vesse feliz, nós estamos indo para a nossa fo... formatura!
— Ah...a formatura, eu nem sei se estaria aqui se não fosse você para me ajudar!

Antonella abriu um sorriso e exibiu seus charmosos dentes, bem rentes a eles estava seu aparelho ortodôntico, bem, Antonella era bem inteligente, sabia de tudo muita coisa, enquanto Luca apenas sabia fazer gols e conquistar garotas, principalmente fazer gols, Antonella ensinava algumas coisas para ele e às vezes até fazia seus trabalhos escolares (que por sinal ficavam impecáveis), continuando a história, Luca ainda estava falando:

— Às vezes até esqueço de agradecer tudo o que você fez por mim!
— Para quê? Somos...amigos, o.. os amigos se ajudam, não é?- etrucou Antonella, extremamente tímida.
— É, somos amigos, isso mesmo!—Afirmou Luca, demonstrando um certo descontentamento ao falar aquilo.

Após ouvir as palavras de Luca, Antonella respirou fundo e decidiu revelar que o enxergava mais do que um simples amigo:

— Mas, para falar a verdade, ultimamente...eu não te vejo mais como amigo, agora eu te vejo de uma forma...diferente!

Luca se assustou com os dizeres de Antonella e não hesitou em questioná-la:

— O que está querendo dizer, Pequenina?
— Luca, é que eu te...
— Cravonero?!

Porém, Antonella foi interrompida por uma voz que chamava por Luca, uma voz familiar para os ouvidos daquela moça, não demorou muito para perceber que a dona daquela voz era Sofia Rosabianca, que levantou a cabeça e começou à falar com Luca:

— Cravonero, está me ouvindo?
— Sim, o que houve, Sofia?
— Quando chegarmos à Verona, o que você acha de nós irmos ao show do The Lionhearts?
— Legal, quantos ingressos você conseguiu?
— Comprei quatro ingressos, e aí Ginger, você quer vir com a gente?

"Ginger", ou seja, ruiva, era como Sofia apelidou Antonella, que ficou surpresa com o convite inusitado de Sofia, afinal era difícil uma banda de rock tocar naquele país, mas haviam alguns bares clandestinos em Verona e eram neles que as bandas de rock tocavam na região.

No entanto, Antonella estava surpresa por outro motivo, já que geralmente Sofia apenas se recordava de Valentino Martinelli e Luca Cravonero, era a chance perfeita dela aceitar e poder ficar mais perto de Luca:

"Mas para quê? Para ver a felicidade dele ao lado de Sofia? Para ver outra garota no lugar que você sempre sonhou desde que conheceu aquele rapaz, quando ainda era uma menina?"— Antonella pensou consigo mesma— "Talvez seja melhor esquecê-lo, eu sou horrível comparada à Sofia, seria como comparar um patinho feio à um cisne, não posso disputar o coração dele, não com ela"— Continuou.

— Terra chamando Ginger, Terra chamando Ginger...— Disse Sofia, estalando os dedos, puxando a jovem novamente para a realidade:

— Hã? Ah, eu não...não curto muito Rock N' Roll, é melhor que eu fique no hotel! — Respondeu Antonella, novamente assustada, então Sofia insistiu, pois ela sabia de algo:

— Vamos Ginger, você vai gostar, além disso, você terá a chance mostrar os seus sentimentos por ele...
— SOFIA!?!?!?!?!

Após gritar, Antonella encolheu os ombros de vergonha, pensando que Luca havia ouvido, mas ele estava dormindo, Antonella olha ao seu redor e todos estavam dormindo, então ela ouviu um barulho e logo olhou para trás, era Sofia, a última pessoa, ou melhor, a penúltima pessoa à sucumbir ao sono, assustada e surpresa, Antonella se questionou:

"Já estão dormindo, como assim? É assim que vocês comemoram a formatura?"

Antonella logo começou novamente a observar tudo ao seu redor, e notou algo estranho no motorista:

— Máscara de gás, deve ser algum tipo de piada!— Pensou Antonella.

Depois ela começou à observar cada detalhe, até perceber que realmente havia algo errado:

— Gás, como assim? O que está acontecendo? O que está...o que...

Logo depois Antonella sentiu o seu corpo amolecer, depois ela sentiu sua cabeça pesar, os seus sentidos se perderem e por fim, Antonella sucumbiu ao sono.

Após isso, o ônibus parou no Porto de Veneza, o motorista finalmente havia tirado a máscara, era um senhor de idade entre 40 e 50 anos, ao ver os militares, ele baixou a cabeça com uma certa tristeza no olhar, enquanto isso, eles entraram e carregaram todos os estudantes para um barco, onde eles seriam levados para o Arquipélago de San Dante, e sob um sono pesado, aqueles 42 estudantes partiam para a ilha de onde provavelmente nunca mais iriam voltar.
(RESTAM 42 ESTUDANTES)



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