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História BBB20- Gizelly e Prior - Capítulo 2


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Notas do Autor


Se alguém ler isso. Não liguem pro drama, amo um drama, drama é vida.

Capítulo 2 - Cap 2. Pesadelos


Fanfic / Fanfiction BBB20- Gizelly e Prior - Capítulo 2 - Cap 2. Pesadelos

-Você está bem? Seu rosto...

-É...Tranquilo, tudo certo.

Gizelly me encarou desacreditada, esboçou um sorriso e disse:

-Sou advogada há 5 anos, se quiser que eu acredite nisso precisa ao menos parecer menos esgotado, você parece ter visto uma assombração.

- Quase isso, tive um pesadelo. -Disse enquanto puxava uma cadeira pra sentar.

- Deve ter sido um baita pesadelo, você chegou ofegante e seu rosto ainda está bem vermelho. 

- Se quiser, você pode falar comigo. A realidade é que eu não lembro nem do seu nome, nós estamos em uma cozinha às, sei lá, três da manhã? E tem, literalmente, mais dezesseis desconhecidos a menos de 10 metros da gente, não tem como nada ser mais bizarro que isso.

- Não quero encher o seu saco.

- Você não está enchendo o saco, eu quero mesmo saber. 

Eu não estava preparado pra contar aquilo, muito menos na frente de câmeras, mas eu já não aguentava mais aquilo me sufocando. Ela era uma estranha e eu já queria desabafar com alguém mesmo.

- É uma longa história. Há 8 meses atrás, eu estava numa festa com mais três amigos, não vou falar o nome deles, então, os chamarei de...

- Eram três garotos?

- Não, dois caras e uma garota.

- É... Que tal Hugo? Matheus?

- Certo, Hugo, Matheus e... Rebeka.

-Ok

- Bom, o Hugo sempre "gerava" nessas festas, as pessoas gostavam de ir às festas que o Hugo estava.

- Gerava?

- Vendia... Ele vendia tudo que tava em alta entre a galera. Nessa festa, tava rolando muito mdma, maconha, lsd, ecstasy e todo tipo de bebida que você pode imaginar. O Hugo tinha alguns clientes fixos, dois deles eram irmãos gêmeos, vou chamá-los de "Gabriela e Samuel", dois riquinhos da zona oeste de SP, eles sempre compravam ecstasy. Nesse dia, os irmãos trouxeram uma terceira pessoa, uma garota, a chamarei de "B".

- Certo.

- Os três vieram até o Hugo, nisso eu estava dividindo uma garrafa de vodka com a Rebeka e o Matheus. Estava tudo bem estranho, percebi que a Gabriela e o Samuel só queriam chapar e dançar a noite toda, já a "B" se recusava a usar. Aí que entra a "aposta". Rebeka me falou baixinho que se eu conseguisse fazer a B ingerir uma balinha de ecstasy, ela me pagaria bebida por um mês.

- Você não aceitou, aceitou?

- Aceitei. Fui até ela, jogamos papo fora, falamos bobagens, falamos das luzes, das danças esquisitas, rimos, a conversa estava boa, leve, engraçada. Até que, tirei a balinha do bolso, não entendi por que ela ficou tão apreensiva, era só uma bala. Ela quase começou a chorar. Eu disse para saírmos dali e irmos pra um lugar mais reservado. Fomos pro meu apartamento. Só conversamos, conversamos a noite toda. Descobri porque a "B" nunca usaria nada, a aposta já havia começado com previsão de derrota. Ao lado do seu pai, ela lidou com o alcoolismo da  mãe por anos.  A mãe dela tinha um quadro severo de depressão. Um dia, ela simplesmente misturou G, MDMA, Ecstasy e todo comprimido que encontrou, teve uma overdose. Morreu. Não deixou carta, bilhete, não havia despedida, só incógnita.  

- Imagino o que passou pela cabeça dela quando você ofereceu ecstasy.

- Sim... Bom, começamos a namorar, no começo, tudo estava perfeito. Nos dávamos bem, até conheci o pai dela, meio triste mas bastante gente boa.

- As coisas começaram a ficar complicadas, tínhamos perspectivas de vida muito diferentes. Ela não só queria me fazer parar de beber, mas me afastar do Hugo, da Rebeka, do Matheus. Fiz isso por ela, por bastante tempo nós só assistíamos filmes, comíamos, ficávamos, dormíamos, e o ciclo se repetia. Em uma manhã tediante, a Rebeka me ligou, disse que o Hugo ia dar sua maior festa do ano, ia ser num casarão. Dj, piscina, sauna, hidro, muita comida, bebida, e é claro, o brinquedinho favorito do Hugo: droga pra caralho, estava garantido.

-Você foi, não foi? Já vejo o fim dessa história. —Ela disse levando as unhas à boca 

 - Eu não quis saber, quando a noite chegou, fui direto pro casarão. A festa estava surreal, assim que cheguei, a "B" começou a me ligar, não atendi, joguei o celular numa mesa qualquer, e fui falar com o Hugo. Ele já garantiu que eu não passasse a noite me sentindo culpado, peguei MDMA misturei com um pouco de Smirnoff e a partir daí, não lembro de muita coisa, tava tudo muito louco. 

- Você que estava louco! Queria morrer? 

- Eu só queria esquecer tudo. Fui dançar no meio da galera. Tudo poderia ter terminado bem, mas a "B" ligou pro Matheus, e o burro do Matheus não só falou da festa como disse para que ela viesse. 

- Putz, ela te viu?

- Eu só lembro de estar dançando e ela chegar gritando comigo, devia estar chorando, provavelmente. No dia seguinte, o Hugo e a Rebeka me disseram que eu mandei ela ir à merda e saí correndo em direção a piscina. — Gizelly ouvia tudo atenta, ela não parecia estar me julgando, parecia disposta a ouvir, isso era reconfortante, senti que podia tirar o peso das costas.

-Dois dias depois, quando a ressaca e o vômito já tinham passado, fui até a casa dela. O pai dela me atendeu, não parecia saber de nada, até ficou feliz em me ver, estava preocupado. Ele me disse que a "B" não estava comendo, nem saindo do quarto. Seria ainda mais difícil fazer o que eu havia planejado. Não quis pensar muito. Só fui até o quarto dela, me desculpei por aquela noite, disse que éramos muito diferentes e que não poderíamos ficar juntos, por isso, ela deveria me esquecer. Ela não disse uma palavra, apenas continuou deitada, enrolada em um cobertor, encarando o guarda-roupa do outro lado do quarto. Os olhos dela lacrimejavam, só saí de lá o mais rápido possível.  Só namoramos por três meses, mas pareceu uma eternidade. Um mês depois soube que ela foi internada em um hospital psiquiátrico após ter tentado se matar. Não consegui olhar pro pai dela. Espero que ele não veja isso. Ele deve saber que tenho algo a ver, vai me odiar ainda mais. Quer saber com o que sonhei? Com ela, ela estava com ódio, muito ódio, estava sangrando, tudo pareceu muito real, ela veio até mim, agarrou meu pescoço com força e gritou, um grito ensurdecedor. Acordei. 

- Não sei o que dizer 

- Não diga nada. Admito, eu sou um grande filho da puta, eu fudi a vida de uma pessoa, de uma família já mal estruturada, fiz um pai perder uma filha e uma filha perder um pai. Sou eu o doente, eu deveria estar internado, não ela. — Não pude conter as lágrimas, levei as mãos ao rosto, abaixei a cabeça 

- Não se culpe, jamais pense em fazer mal a si mesmo  novamente. Seja forte. Vocês eram diferentes e assim como você errou em não falar sobre como se sentia mal afastado das festas e dos seus amigos, ela errou em não aceitar esse seu lado, esse seu lado bêbado e estúpido. Todos temos um lado bêbado e estúpido. 

 Ouvi quando Gizelly afastou sua cadeira, se levantou e ajoelhou para me abraçar. Pegou na minha mão, aquilo me reconfortou, não liguei pra nada do mundo exterior, câmeras, desconhecidos ou jogo. Só ficamos ali. Até que ela sussurou no meu ouvido:

-Aliás, como você não deve lembrar, meu nome é Gizelly. — Que boba, mas é claro que lembro o nome dela. Levantei o rosto, olhei pra ela e disse:

- Me chamo Felipe, Felipe Prior.

Felizmente, Gizelly quebrou aquele clima pesado, e sorriu enquanto falava:

- Felipe, acho que o Big Boss não vai gostar nem um pouco de você falando de mdma, ecstasy ou maconha.

- Talvez eu tenha sido um pouco sem noção.

-Um pouco? 

Já deveria estar amanhecendo. A qualquer momento alguém poderia chegar e nos vê ali, muito próximos um do outro, mãos dadas, sorrisos, meu rosto vermelho. Eu poderia beijá-la ali mesmo, mas depois daquela conversa, não parecia apropriado. Por sorte, ela se levantou e disse que voltaria a dormir. Fui pro quarto pensando nela. 







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