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História Be Free! - Capítulo 1


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Notas do Autor


I'M BACK!

Oi, oi.

Eu tava sumida mesmo, perdão. E tô aqui com mais uma fic. Mas ela é curtinha, tem uns dez capítulos – talvez um pouco mais.
Be free vai ficar no lugar de ADQNVE já que a bichinha tá no fim e o assunto é bem leve e gostosinho de se fazer, espero que cause o mesmo ao ler.
Dedicada as minhas Ju's, no mês de aniversário de vocês. Aqui é um tico de tudo que vocês representam pra mim. Muito obrigada, meninas. Por tudo.
Espero que gostem de verdade.

P.s: estamos no verão (e vai continuar sendo verão durante toda a fic). A cidade que escolhi se chama Sácia e é totalmente fictícia.

Música do capítulo: N.O – BTS

Capítulo 1 - Meia-noite.


Fanfic / Fanfiction Be Free! - Capítulo 1 - Meia-noite.

BE FREE!

Desejo congelar o tempo numa época que não exista outra coisa senão a liberdade pungente e viva sobre mim.

Desejo, sobretudo, recuperar meu eu sorridente que se perdeu na infância longínqua e a paz que só assombra meus pensamentos na hora de dormir.

E, ao fim do dia, sem medo, desejo encontrar teu sorriso a minha espera com aquele milkshake de baunilha com caramelo daquela lanchonete dos anos oitenta vazia da esquina.

Abidco-me, pois, dos rótulos e da riqueza que mancha minha alma, amarra meus sonhos e torna meus dias insípidos e incolores.

Doa a quem doer, mas, a partir de agora, não sou mais de vocês.

Pertenço-me.

Sou livre.

Giulia? Filha? Fique perto de nós, certo? Há muitos paparazzis por aqui. 

Rachel Verônica Algory, ou minha progenitora, quem diz num tom amável que mascara sua personalidade amarga por estarmos diante de tantos flashes.

Assinto com a cabeça e ponho óculos escuros na face para esconder as olheiras de uma noite mal dormida; passo a mão pelos cachos castanho-médio e sorrio. Oculto meu cansaço e procuro minha bagagem. Achando-a, meus dedos seguram na alça da mala tão mórbida quanto meu humor no momento e arrasto conforme ainda mais flashes nos seguem. 

William Markson Algory, ou progenitor, acena como uma celebridade e nos exibe à mídia como a família perfeita que acham que somos. Continuamos andando. Burburinhos e comoções crescem à medida que o barulho dos saltos finos — o modelo mais novo lançado pela Prada — tilinta sob aquele chão, em direção à BMW que nos espera. Sorrimos, acenamos mantemos nossas cabeças erguidas. 

Até que o teatro acaba. 

Entramos no carro e as máscaras caem. 

— Publicitários de merda — o murmúrio carregado de entojo vem de meu pai. 

Ele se acomoda nos bancos de trás e fecha o vidro, espera que o motorista coloque todas as malas no porta-malas para que dê a partida. Mamãe também se ajeita no banco, mas ao contrário de seu esposo, retém elegância em todo tempo. Aí colocam seus cintos a contragosto.

Muda, como na maior parte do tempo, também adentro o interior luxuoso do veículo e me sento entre os dois. Permaneço com os óculos e ponho o cinto.

E antes que senhor Algory tenha alguns de seus surtos impacientes, o motorista toma seu lugar na condução e liga os motores. O homem manobra o carro e nos tira ali, dirigindo por aquela cidade numa velocidade uniforme.

Estou sacrificando um mês de minhas aulas para prestigiar meus pais na primeira conferência mundial entre as elites empresariais do mundo. Não que, particularmente, tal coisa fosse lastimável, porque era o contrário. 

Mas a partir do momento de que nada que acontece comigo é porque quero, tudo se torna, automaticamente, penoso, não?

Abstenho-me de minhas vontades, anseios e sonhos para viver sob as posses autoritárias daqueles que me deram a vida. Meus passos, personalidade e estética são moldados pelas mãos e instruções deles, como se eu fosse apenas uma boneca criada para ser mostrada e atingir a perfeição da filha utópica que criaram. 

No entanto, quanto mais cresço e amadureço, mais penso e entro em conflitos com todas essas imposições cretinas. Carrego fúria e um desejo ardente pelo perigo que só o desconhecido pode me proporcionar, buscando saciar a fome de pertencer a mim mesma. 

— … Está me escutando, Giulia? — a impaciência em cada palavra é facilmente notada, saio do torpor que pensamentos demais culminam e fito a face simétrica e alva de senhor Algory. 

— Desculpe, pai. — peço, tendo suas orbes azuis semicerradas. 

— Tire os óculos. 

Reviro os olhos antes de acatar o pedido de meu pai e lhe responder, assim como ensinada.

— Sim, senhor. 

O carro ficou silencioso outra vez, meu pai não fazia questão de repetir o que falava, tampouco eu tinha interesse em saber. 

Recaio os olhos à janela do carro e admiro a beleza da cidade litorânea.

 Sácia era pequena, mas era como uma ilha paradisíaca. De um lado da janela me situo na arquitetura que é uma mistura bonita dos anos oitenta com a contemporaneidade, ostentando de monumentos que intercalam na simpleza das décadas passadas e a sostificação da modernidade. 

Do outro lado da janela, porém, vejo que estamos cercados por praias com o azul mais lindo que já vi e a areia branca charmeia as orlas, o calçadão abastece os transeuntes que correm com roupas de academia. O céu segura o astro reluzente, sol, que brilha forte e me convida para largar tudo e aproveitar o dia límpido e quente.  

Mas eu não posso fazer isso. 

Prendo um suspiro que nasce e morre na garganta. Volto a mirar a janela, do lado do mar, invejando os poucos banhistas que se situam naquela areia e na água azul. 

Limito-me, assim, a preencher minha cabeça com pensamentos soturnos e paranóias das quais nunca vou viver. 

[...]

O cansaço triplica ao decorrer do dia. 

Após chegarmos ao Hotel Summers — o mais caro da cidade — e nos acomodamos no quarto, não tive um minuto de paz. Apesar de ter tirado a sorte de ter um quarto só para mim, longe dos olhares sempre tão afiados de meus pais, fui intimidada a acompanhar a agenda caótica que eles dois possuem e cumprem com tanto afinco. 

Uma camada de base encobre minhas olheiras e o espumaçar da maquiagem esconde meu olhar perdido e desinteressado durante todos os compromissos ao decorrer do dia. Sorrio elegantemente e mantenho a postura ereta e auto confiante, falo coisas inteligente e educadas. Esbanjo, em uma naturalidade falsa, o meu imenso amor para com a minha família. 

De novo, os flashes das câmeras estão sobre nós. Mais fotos são tiradas. O teatro se reinicia.

Até que, mais uma vez, tudo acaba.

Despedimo-nos dos repórteres, fotógrafos e colunistas, e seguimos para os quartos. 

Senhor Algory desafrouxa o nó da gravata e bagunça os cabelos negros, antes bem penteados, e resmunga:

— Preciso de um whisky. 

— Ainda não, querido — e minha mãe retruca com a voz mansa, elegante como só ela consegue se portar. — Temos a festa de boas-vindas organizada pelos Min's. 

Vejo um brilho invejoso bailar sobre os olhos oceânicos de meu pai. 

— Obrigada por me avisar, querida — se aproxima da esposa e lhe dar um beijo na testa, parecendo realmente agradecido pela a informação. — Vamos nos arrumar então — anuncia, antes de seu olhar viajar até o meu. — Quero que esteja impecável esta noite. Te apresentarei a família Min e trate de seduzir o filho deles. Ouviu, Giulia? 

— Sim, senhor — respondo a contragosto. 

— Vá para o quarto, filha, e tome um banho. Use as esponjas, cremes, e perfume muito bem a sua pele. Estarei em seu quarto em breve com o vestido e a maquiagem — ela gesticula, provavelmente idealizando minha imagem em sua cabeça. — Já pode ir. 

Aceno levemente e não ouso contrariar meus pais e vou. Destranco a porta do quarto e adentro o cômodo. A cama grande e bem forrada me parece convidativa a deitar. Solto um gemido frustrado e sigo ao banheiro sem hesitar. Livro-me das roupas e abro o box. Usurfruo de todos os cremes e óleos que o hotel dispõe, limpando minha pele como a de uma rainha prestes a ser coroada e saio enrolada numa toalha felpuda de algodão. 

O cheiro condensado em minha pele envenena meu olfato e espirala pelo quarto. 

Mas sinto na alma vazia o cheiro fétido abraçar minhas entranhas. 

Em pouco tempo, mamãe entra e traz consigo uma moça com uma maleta completa de maquiagem e um cabide em mãos com o vestido da noite. O modelo fino tem tons de azul-celeste e dança pelas curvas quase inexistentes da languidez requerida pelos padrões de beleza. Brincos pequenos e brilhantes adornam minhas orelhas, tal como as pedras preciosas que se apregoam no penteado sofisticado que tomou forma. 

— Eu não quero usar salto hoje, mãe. Estou cansada — argumento num ato inocente de, pelo menos, ter a credibilidade de conseguir ir de sapatilha ao evento.

— Então não vá — meus olhos dobram de tamanho quando escuto seus dizeres sinceros e convictos. — Vamos. A festa já começou. 

[...]

 As luzes amareladas, baixas e pequenas traziam um breu chique as honrarias que se dispunham no salão majestoso consoante vestidos de gala se mexiam letargicamente por entre o espaço. Castiçais e lustres de cristal estavam erguidos nas paredes, as mesas no canto oposto à pista de dança — improvisada — se fartavam de frutos do mar, carnes vermelhas, saladas, massas e bebidas variadas, de alcóolicas a sucos tropicais. 

A talharia e pratos pareciam reluzir. Mas ninguém tocava na comida, pareciam esperar que alguém fizesse primeiro, então julgariam sua índole aparentemente apressada e depois se fartariam da comida também. Banhados de hipocrisia. 

O símbolo da cidade — o boto cor de rosa — estava esculpido no gelo e exibido na entrada, em um pedestal. 

Eu segurava uma taça de suco nas mãos e observava este matadouro com um sorriso pequeno nos lábios, tendo meus ouvidos preenchidos pelas sinfonias de Beethoven dos músicos esquecidos e espalhados no salão.  

Mamãe e papai conversavam com mais um casal, deviam ser sócios ou mais uma da parcela que queria algo deles. A cara impaciente que meu pai fazia e o bufar baixo que direcionava ao homem, com certeza, me fazia acreditar que era a segunda opção. 

Varri, então, meus olhos pelos "dançantes" da noite movida por tédio. 

Foi bem aí que meus olhos congelaram na entrada triunfal da família da noite: Os Min. 

A família Min era concorrente direta da minha família por ter tantos bens e influência quanto tínhamos — e quando digo tínhamos, automaticamente, me excluo dessa parcela. O casal entrou primeiro, esboçando um sorriso. Os olhos pequenos do oriente sumiram à medida que o sorriso, salientando a arcada dentária completa e branca, ganhava força nos rostos desprovidos de qualquer pigmento. Logo, os holofotes se erguem a contemplá-los. 

No entanto, minha atenção perdura por muito pouco na aura imponente que senhor e senhora Min carregam. 

Porque a imagem espectral do jovem de smoking branco, que entra por detrás dos mais velhos, me roubam o ar. 

Ele é pálido, muito pálido. A estatura é mediana, mas ainda assim, ele parece maior que eu. Demonstra com facilidade uma expressão de preguiça e se porta com desleixo. Os olhos pequenos e escuros patinam pelo salão com um descontentamento genuíno. Ele não quer estar aqui e sequer esconde esse fato. 

Ademais, não noto quando meus pais se aproximam de mim e convidam os Min para conversar. O cara pálido vem junto. 

Junto, portanto, as peças. 

Ele é Min Yoongi, herdeiro da família Min, aquele que devo seduzir. 

Meus dedos apertam um pedaço do tecido leve do vestido azul-celeste em nervosismo e ira. Apesar de ter o achado extremamente bonito, sou incapaz de criar afeição a ele sabendo que, provavelmente, estarei eternamente ligada a si por matrimônio. Tudo isso em prol de negócios, capitais de investimento a longo prazo. 

Não gostarei dele, é o que decido. 

— Essa é a Giulia, nossa filha — senhor Algory enche a boca ao me apresentar como filha legítima dele. — Minha esposa creio que o senhor já deve conhecer. 

— Ela é muito linda, William. Com todo o respeito — Senhor Min responde, educado. Ele sorri outra vez, ainda tendo a esposa ao seu lado, prendendo um braço a sua cintura larga. Suas feições se parecem muito com a do filho, a não ser pelas rugas de expressão devido a idade um pouco mais avançada. Diria até que pai e filho são cópias fiéis um do outro. Distinguem-se apenas pelos trajes. Enquanto o mais velho veste um smoking vermelho, o outro está de branco. — Essa é a Min Ju-ri, minha esposa e Min Yoongi, nosso filho. 

— Prazer em conhecer sua família, senhor Min — digo, soando educada e curvo levemente a cabeça em respeito, sorrindo. 

— Que culta — senhora Min se surpreendeu. — Viu, Yoongi? Podia ser assim também. 

Min-filho revira os olhos diante dos seus pais, dos meus, e de mim, sem se importar se esse gesto pareceu grosseiro ou não. 

Controlei a vontade de rir com o torcer de nariz que minha mãe deixou escapar, ou quando meu pai espremeu os lábios para não xingá-lo. Seus pais também não pareciam satisfeitos com seu comportamento hostil e rebelde. 

— Por que não deixamos Giulia para acompanhá-lo durante a festa? — depois de pigarrear para dissipar o clima criado pelo pálido, meu pai expôs. 

— Claro! — senhora Ju-ri exclamou. — Tenho certeza que sua filha colocará um pouco de juízo na cabeça dele. 

— Podemos dar uma volta pelo salão então — minha mãe, sem perder tempo, sugere. 

— Vamos sim. Quero dançar um pouco. — as mulheres sorriem uma para outra e se desvencilham de seus esposos e seguem até o trânsito de pessoas na pista improvisada, esta que já abriga dançantes débeis ao som da música clássica. 

— Que tal um whisky? 

Senhor Min nem precisou responder a petição de meu pai, aceitando-a com um aceno animado e eles também se afastam, nos deixando a sós.

Cruzo os braços e encaro o Min filho sem o mínimo de escrúpulos.

— Eu sabia que você não era a Cinderela que mostrou ser. 

A mão direita, com um relógio dourado e grande no pulso, vai até os fios negros e os bagunça. Seu sorrir ácido combina com as palavras direcionadas a mim, destiladas à veneno e ironia. 

Entro na provocação porque acho divertido.

— O feitiço da Cinderela acaba a meia-noite. — aproximo-me de si, pego seu pulso, enfeitado pelo relógio e confiro a hora. Sorrio da mesma forma que ele sorriu para mim. Ácida e irônica. — E, olha só, é meia-noite. 

— Então estou diante da Gata-borralheira? — arqueia uma das sobrancelhas. 

— Nah — dou de ombros. — Odeio contos de fadas. Prefiro os velhos contos de terror. 

Yoongi dá risada, desta vez em questão, verdadeira e sem brincadeiras por trás. Os dentes são pequenos e a gengivas ficam expostas, rosadas. É uma graça. 

Talvez seja possível criar uma simpatia frívola por ele. 

— Gostei de você — admite. — Acho que minhas férias de verão não serão tão tediosas assim. Podemos nos divertir muito.

— É, Yoongi, — afirmei à proporção que trocavámos olhares furtivos um para o outro. Um calor aprazível preencheu o peito antes frio pela minha realidade sem voz. O perigo se materilizava diante da face bonita e pálida aquele à frente e eu estava tentada a cair sem medo em cada cilada que ele queria me levar. Não por rebeldia ou algo do tipo, como meus pais afirmam, mas para que, pela primeira vez, meus desejos e vontades sejam respeitados. A insanidade de sentir o dissabor da liberdade em minhas veias se excedia no meu ser de maneira devastadora e eu me deixaria ser guiada por esse efeito catastrófico. — Acho que podemos nos divertir bastante. 


Notas Finais


Hihohi gostaram? Continuo?

Feliz aniversário bemmm adiantado pra duas. Amo vocês, xuxus =)

Créditos pela capa maravilhosa a @xsweetcandy. Muito obrigada, de verdade!

Só Deus sabe quando vai ter att de novo :') mas espero que fiquem aqui comigo.

Nos vemos por aí 🖤


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