História Be Mine - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Tags Comedia, Drama, Romance
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Palavras 1.501
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Festa, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Ways to go


Fanfic / Fanfiction Be Mine - Capítulo 2 - Ways to go


Quando nos mudamos eu não fazia ideia de onde estava me metendo, como sempre. E isso nem era um detalhe importante. Cidades são iguais de um modo geral. Mas por alguma razão aquele foi o local escolhido pelo meu pai para morarmos definitivamente. Depois de anos pulando de galho em galho foi lá que ele conseguiu uma patente fixa.

 


    Olhei a casa onde havíamos acabado de estacionar, parecia ter sido construída a no mínimo 50 anos. Tentei adivinhar de que cor sua fachada havia sido pintada antes que o tempo se encarregasse de desbotar, a cor sépia que agora tomava conta não dava nenhuma pista.

 


    - A casa é bem antiga - meu pai anunciou.


    - Percebe-se - alfinetei.


     - O interior passou por uma reforma há pouco tempo, mas teremos que dar um jeito na fachada sozinhos.


    - Vejo um lindo jardim - minha mãe disse sonhadora.


    - Eu não vejo nada - falei.


    - É por que você é um pessimista.


    - Não, eu não vejo nada por que não há nada para ser visto, a menos que você seja o tipo de pessoa que tem apreço por capim.


    ­- Você pode escolher o quarto que quiser - meu pai interveio.


    - Tanto faz - dei de ombros, eu não gostava de bancar o adolescente problemático, mas as vezes não conseguia fazer de conta que adorava a sensação de não ter nada duradouro. Era esse o efeito que as longas viagens de carro causavam em mim.


    A vantagem de estar sempre de mudança era apenas uma: se eu não conseguisse me encaixar, provavelmente não teria que aturar a situação por muito tempo. Mas agora, o que quer que viesse pela frente eu teria de aprender a lidar. Fosse isso bom ou ruim.

 


    Tudo que tenho a dizer a respeito do interior da casa é que ela tinha dez cômodos, o que a tornava grande demais pra nossa família que só tinha três membros. Isso significava uma distância confortável que não precisávamos, nem queríamos, nos esforçar pra diminuir. Era perfeita.

 


    - Eu tenho novidades - meu pai disse quando nos sentamos a mesa de jantar.


    - Você está cheio delas ultimamente - zombei.


    - Acho que você vai gostar dessas.


    - Você pode tentar...


    - E se eu te dissesse que você vai estudar na melhor escola da região?


    - Não vou mais pro colégio militar? - brinquei, e pra minha surpresa ele fez que sim.


    - Vai estudar numa escola de tempo integral.


    - O quê?


    - Você vai es...
    - Eu ouvi - pisquei atônito - Só não entendi o porquê disso agora.


    - Eles têm o maior número de aprovação no curso de medicina.


    - Pai, eu não quero ser médico.


    - Mas se você passar pra medicina vai poder fazer o que quiser - ele deu de ombros - Seja lá o que for...


    - Arquitetura, pai - ele riu.


    - Só estou brincando.


    - Assim espero.


    - O que quer que faça sei que se sairá muito bem - minha mãe interveio.


    - Obrigado, mãe - acenei com a cabeça - Não estou me sentindo nem um pouco pressionado agora.


    - Não foi minha intenção - ela desculpou-se - Sobre o que falamos mais cedo - disse, agora se dirigindo a meu pai.


    - Ah, sim... - ele retomou a palavra - Convidei meu superior para jantar com a gente amanhã.


    - Um bom jeito de se perder o emprego - falei um pouco antes de levar um garfo cheio de espaguete até a boca.


    - Não vai acontecer - minha mãe disse desconfortável.


    - Foi só uma piada.


    - Estou rindo por dentro.


    - Ele tem uma filha - ele continuou como se não o tivéssemos interrompido - Se puder ser gentil com ela serei grato.


    - Eu sou gentil.


    - Falo de algo nos padrões comuns e não nos seus.


    - Se acha meus métodos inadequados seria melhor o senhor fazê-lo por mim. Tem mais chances de dar certo.


    - Pra começar use palavras que um adolescente normal usa.


    - Sou um adolescente normal.


    - Jura? Como eu não notei isso durante tanto tempo? - minha mãe pergunta.


    - Se acham que tem algo de errado comigo então, deveriam pensar sobre a educação que me deram.


    - É sempre culpa dos pais - ela riu.


    - Sempre.


    - Em todo caso - ele continuou - Basta conversar com ela. Você sabe, perguntar sobre a vida pessoal, escola, essas coisas.


    - É assim que se conquista uma garota? - minha mãe perguntou, mas não pra mim.


    - Funcionou com você - ele sorriu. O que era um acontecimento e tanto, já que meu pai não costumava sorrir, a não ser para crianças. E no auge dos meus dezessete anos não me encaixo exatamente nesse quesito, mas a minha mãe era a exceção a regra.


    - Não pretendo conquistar ninguém - corrigi.


    - Ainda bem - ela disse - Ou ficaria decepcionado.


    - Vai ser difícil, mas pensarei num jeito de ver um lado positivo na sua frase.


    - Não se esforce tanto - sorriu - Nem mesmo você conseguiria fazer isso.

 


(...)

 


    O fato é que o "chefe" do meu pai veio mesmo jantar conosco na noite seguinte, e trouxe a filha como havíamos previsto. Tenho certeza que ela era ainda mais bonita por trás dos óculos que cobriam uma parte interessante de seu rosto. Bom, mas se haviam talentos desconhecidos em mim, flertar, com toda certeza, não era um deles.

 


    A certa altura da conversa fiquei com tanta pena da garota quanto estava de mim mesmo, e a chamei para dar uma volta.

 


    - Como eles conseguem? - perguntei mais para mim mesmo, mas obtive uma resposta - Nossos pais passam mais tempo trabalhando que em casa, e quando estão nela só sabem falar sobre trabalho.


    - Não tenho ideia - ela disse rindo - Mas tenho medo de ser assim algum dia.


    - Então, não seja assim algum dia.


    - É um ótimo conselho.


    - É, eu sei - brinquei.

 


    Caminhamos um pouco pela rua e nos sentamos no meio fio mais a frente, como se sempre houvéssemos feito tal coisa. Eu costumava precisar me esforçar pra ser gentil, ou mesmo pra manter uma conversa por mais de dois minutos, o que acontecia era que eu nunca fazia isso. Então, bem, eu não tinha muitos amigos.

 


    Pela primeira vez eu senti que as coisas tinham chances de dar certo. Isso mesmo, chances, no plural. Eu não esperava que todas as minhas relações fossem ser definidas por um primeiro contato com alguém, ou que um laço de afetividade fosse ser criado num primeiro instante, mas era isso que estava acontecendo ali.

 


    - Onde vai estudar? - Helena perguntou deitando sua cabeça em meu ombro.


    - St. Vincent High School - falei lembrando da conversa que tivera com meu pai na noite anterior. Ou melhor, do monólogo que ele fez durante quinze minutos sobre as vantagens da nova escola, da nova cidade, e da nova vida que teríamos aqui.

 


    Eu já estava deitado quando ele abriu a porta, sentou na beirada da minha cama e começou a falar aquelas coisas. A certa altura percebi que ele estava, na verdade, tentando convencer a si mesmo. "Tudo bem" foi só o que eu disse. De certa forma sempre desejei ter uma vida estável, não me parecia certo ficar bravo quando isso finalmente estava acontecendo.

 


    - Boa sorte - Helena disse em voz baixa.


    - O que quer dizer?


    - As pessoas, ao que me parece, não são as mesmas depois daquele lugar - me afastei um pouco para poder olhá-la melhor - É o tipo de coisa que você tem que ver por si mesmo.


    - Você também estuda lá?


    - Não. Meu pai nunca quis que eu fosse pra lá - ela riu - Ele acredita fervorosamente que o colégio militar é a melhor coisa que existe.


    - Meu pai também pensava assim - fiz que não - Não tenho ideia do que possa tê-lo feito mudar de opinião. Ou melhor - pensei um pouco - Até tenho.


    - De qualquer forma quero que você me conte tudo depois. Posso te levar pra conhecer a cidade algum dia desses.


    - Eu ia adorar - sorri ao notar que eu falava sinceramente.


    - Acho melhor  voltarmos - ela disse depois de um tempo em silêncio - Mais meia hora e meu pai vai querer que marquemos a data do casamento.


    Eu ri - Aposto que ele afasta todos os seus pretendentes.


    - Afastaria se eu mesma não o fizesse - disse levantando-se, então esticou a mão pra me ajudar.


    Fomos caminhando até em casa, nossos dedos entrelaçados, e eu me senti bem. Mas nunca era mais do que isso, toda aquela situação era um conjunto limitado. Não me interprete mal é só que, viver uma paixão louca de adolescência ou coisa do tipo não é a razão que me move. E não me pergunte qual é...


 

 


Notas Finais


Tô nervoooosa... espero que gostem!
Beijocas :3


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