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História Be mine - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Capítulo 5


Fanfic / Fanfiction Be mine - Capítulo 5 - Capítulo 5

Alguns dias após ter sido expulso do quarto de Gerard, depois de um beijo que acabou tomando proporções um pouco maiores que as esperadas, Frank finalmente estava de volta à residência da família Way. Ele havia recebido uma mensagem no meio da madrugada, quando estava acordado tocando violão, onde Gerard, pedindo desculpas, perguntava se poderiam conversar sobre o que aconteceu.

Dois dias antes, quando Frank estava no supermercado, a pedido de sua mãe, ele e a Sra. Way haviam tido um breve diálogo na saída do local, onde se encontraram. Ela estava preocupada com o sumiço do menor, assim como pelo silêncio repentino do filho mais velho, que havia voltado a evitar todo outra vez. Frank, constrangido e um pouco triste por entrar naquele assunto, apenas disse que as coisas saíram um pouco dos limites entre os dois. Donna não o questionou novamente, somente disse que sentia sua falta e que esperava que tudo ficasse bem em breve.

Os dias sem Gerard, mesmo que não tivesse passado nem uma semana, foram difíceis. Além de lidar com a saudade, já que acostumou a vê-lo todos os dias, havia também a culpa. Frank sentia-se muito culpado por não ter parado o beijo, por não saber o que fazer para ajudar e, principalmente, por ainda sentir-se excitado ao imaginar o que poderia ter acontecido naquele quarto se Way não tivesse reagido daquela maneira.

O mais velho também estava mal com tudo o que aconteceu, sentia-se péssimo por ter empurrado e gritado com Frank. Ele chorou, chorou muito, após perceber o que havia feito, mas não teve coragem de o chamar de volta e implorar por desculpas. Donna, assim como Donald e até mesmo Mikey, tentou conversar com Gerard, mas ele sempre os repelia falando que nunca iriam entender o que ele estava passando e que merecia ficar sozinho.

Ele ainda estava assustado pelos avanços que fez com Frank no último dia em que estiveram juntos, a única coisa em que conseguia pensar era que Iero nunca mais iria querer falar com ele novamente. Então, em uma das noites em que ele estava deitado na cama enquanto se culpava por tudo o que deixou de fazer, ele lembrou das palavras que o menor o falou: "Sabe que eu não vou desistir de você, não é?".

Sabia que Frank não desistiria dele por algo assim, mas temia que estivesse tão magoado a ponto de fazê-lo. Decidido a não perder mais tempo com suas inseguranças, procurou por seu celular e, antes que perdesse a coragem, o enviou uma mensagem. E foi dessa forma que aconteceu até o presente momento, no final da tarde, onde Gerard esperava sentado em sua cama enquanto ouvia os passos vindos do corredor, assim como as vozes de Donna, sua mãe, e Frank.

A Sra. Way abriu a porta e Frank entrou, lançando um sorriso nervoso em direção à Gerard, antes de ir até a poltrona que estava ao lado da cama e sentar. Gerard notou que ele parecia tenso, diferente das outras vezes em que chegava em sua casa contando sobre seu dia ou falando sobre qualquer besteira. Querendo demonstrar que tudo estava bem, ou ao menos que ficaria, ele segurou a mão de Iero e o puxou para perto, fazendo com que o mais novo sentasse ao seu lado na cama.

— Eu senti muito a sua falta, Frankie. — Ele falou antes de segurar levemente o queixo de Frank com seus dedos e selar seus lábios, mantendo o contato por alguns segundos antes de afastar-se sorrindo.

— Você não está com raiva de mim? — Frank perguntou, hesitante.

— Eu não conseguiria ficar com raiva de você.

Frank gargalhou, dizendo que isso era muito clichê, e em seguida mordeu o lábio inferior, começando a ficar com as bochechas coradas ao que era observado por Gerard. Ele estava realmente pensando que iria perder tudo o que construiu com o mais velho nas últimas semanas, e estava aliviado por notar que tudo estava, na medida do possível, bem.

— Você me desculpa pelo que aconteceu na última vez em que esteve aqui? — Gerard o perguntou, com os olhos fechados e a cabeça apoiada na parede.

— Não precisa pedir desculpas, eu não devia ter começado. —

— Não, amor. — Ele se ajustou melhor na cama antes de retornar a falar. — Não fala isso. Eu queria te beijar, na verdade eu ainda quero, mas eu estou com medo disso tudo.

Frank, ignorando o possível rubor em suas bochechas, se aproximou para o envolver em um abraço, que foi correspondido imediatamente.

— Você quer conversar sobre isso? —

Gerard concordou positivamente com a cabeça mas não falou nada, ele olhava para frente, para a parede, e pensava em como explicar ao menor tudo o que estava sentido. Ele mesmo não conseguia entender por completo o que se passava em sua mente nos últimos tempos. Ele queria ter uma relação, queria Frank como seu namorado novamente, mas estava com medo de tudo isso não dar certo, medo de se tornar um fardo para o menor.

— Sim, eu quero. Nós precisamos falar sobre isso. — O respondeu após algum tempo, beijando a bochecha de Frank e temendo que fosse acabar com o sorriso que permanecia no rosto bonito de Iero.

— Você sabe tudo o que aconteceu comigo no dia do acidente. — Ele disse, suspirando ao que Frank, com a cabeça apoiada em seu ombro, passou a acariciar seu peito por cima da camisa. — E você também sabe as consequências disso.

— Sim, Gerd, eu sei.

— Certo, você sabe as consequências... — Gerard parecia sem saber o que falar, mordendo o lábio inferior e franzindo as sobrancelhas. — E você sabe que eu te amo, não é?

— Eu sei, eu também amo você. — Iero murmurou, esticando um pouco o corpo para beijar novamente a boca de Way, que sorriu levemente com o ato.

— Eu te amo tanto, Frank. — Seus olhos começaram a marejar ao que ele continuou a falar o que pensava. — E eu queria te fazer ser a pessoa mais feliz do mundo, mas eu não vou conseguir. Eu sei que estou te fazendo ficar triste agora, e que você provavelmente vai ficar com raiva, mas eu estou fazendo tudo pensando em você.

— Do que você está falando, Gerard?

— Eu não posso ficar com você, Frank. — Gerard virou a cabeça para o lado e limpou o rosto, tentando fazer com que Iero não notasse que ele estava chorando, apesar de sua voz embargada. — Você vai encontrar alguém melhor que eu e vai ser feliz, mas isso não vai acontecer se eu estiver ao seu lado.

— Gerard, você está louco?! — Ele perguntou de forma exasperada, se afastando e indo sentar próximo aos pés do maior. — Você está ouvindo a merda que está falando?

— Me entenda, eu não vou ser o suficiente para você. Você não vai ser feliz comigo, sabe disso.

— Não, Gerard, eu não sei! — Frank levantou, tentando se controlar para não ficar ainda mais irritado, e passou a andar pelo quarto. — Você sabe que está falando besteira!

Gerard estava com o rosto vermelho por conta do choro, não imaginava que aquele momento seria tão difícil. Ele olhava Frank andar de um lado para o outro do cômodo, passando as mãos nos cabelos e respirando fundo. Já não sabia o que fazer, em sua mente Frank, mesmo sem concordar, aceitaria o que ele havia imposto.

— Nada vai ser igual entre a gente, Frank. — Ele levantava um pouco a voz a cada palavra que saía de sua boca, tentando se convencer do que estava falando. — Você não pode querer ficar comigo assim, não vai dar certo.

— Ainda não ficou claro que eu quero você? — Frank parou ao lado da cama e cruzou os braços. — Porque é isso que eu estou tentando te mostrar desde que entrei no seu quarto há semanas.

— VOCÊ NÃO PODE QUERER NAMORAR ALGUÉM QUE NÃO CONSEGUE ANDAR! — Gerard gritou, caindo em um choro copioso em seguida.

Iero ao ouvir as palavras do maior não soube o que fazer. Ele sabia que Gerard não conseguia mais andar após o acidente de carro, foi uma das primeiras pessoas a saber, mas o ouvir gritando as palavras daquela forma tão triste o deixou sem reação. Ele sentou no chão, com as coisas apoiadas na cama, e fechou os olhos fortemente ao ouvir Way soluçar.

Gerard estava aliviado por ter posto quase tudo para fora, mas também estava assustado pelas reações vindas de Frank. Amava o menor de todas as formas possíveis e queria estar com ele, o fazer feliz e beijar todas as vezes em que sentisse vontade, mas tinha medo de se tornar um peso em sua vida, assim como sentia-se para sua família. Ele estava em uma montanha-russa de emoções e não sabia, não conseguia, lidar com tudo o que estava sentindo.

Way já não chorava quando Frank, ao notar que estavam em silêncio por bastante tempo, levantou no chão e sentou na cama, o vendo se encolher contra os travesseiros como uma criança. Seu cabelo apontava para todos os lados e ele estava com o rosto vermelho, os olhos um tanto inchados pelas lágrimas.

— Não faz isso, por favor. — O menor sussurrou, impulsionando o corpo para frente com o intuito de alcançar um dos travesseiros e, assim que o pegou, o colocou embaixo na cabeça de Gerard. — Eu quero muito ficar com você. Podemos conversar? Sem brigas, sem gritos, só conversar. — Ele falava baixo, mantendo a voz calma enquanto deitava ao lado de Way, deixando seu corpo de frente para o dele com uma certa distância.

— Eu sou um idiota, me desculpa por tudo, Frankie. — Gerard murmurou enquanto levava uma das mãos ao rosto de Frank, o vendo fechar os olhos e inclinar o rosto contra sua mão ao que o acariciava.

Estava arrependido, não só por ter gritado daquela maneira, mas por não ter aceitado a ajuda de todos logo no início de tudo. Por qual motivo não pensou em tentar se erguer para ficar bem ao voltar para Frank? Isso também era uma das coisas em que não conseguia parar de pensar. Nunca esteve tão confuso em toda a sua vida, nem mesmo quando começou a ter sentimentos por aquele que, na época, considerava apenas seu melhor amigo.

Sabia que sozinho não conseguiria continuar, ele precisava de Iero e o tinha para sí. Frank estava ali para o ajudar, para ser aquela pessoa que não o deixaria desistir. Afastar o menor estava o quebrando, era como se mil agulhas perfurassem seu corpo de uma só vez quando fitava aqueles olhos brilhantes e o sorriso doce de Frank em sua direção. Saber que ele era o motivo para isso tudo fazia seu coração se aquecer e uma pontinha de esperança surgir em seu peito, o mostrando que ele poderia sim ficar bem.

Em controvérsia a todos os sentimentos bons que irrompiam em sua mente, haviam aqueles em que Gerard imaginava apenas o lado ruim de todas as coisas. Estaria com Frank, sim, mas como eles iriam lidar com o fato de que agora ele não poderia mais andar? Não somente isso, mas toda a sua instabilidade em relação a sua nova vida. Os seus picos entre querer ou não a presença dos outros ao seu redor, a adaptação ao seu novo jeito de lidar com o mundo... Não queria despejar todos os seus temores em Frank, mesmo que soubesse que ele estaria ali para o apoiar e passar por isso ao seu lado.

Iero, quase adormecendo por conta do leve afago que recebia no rosto, tentava não pensar muito em como estava, por parte, irritado com Gerard. Entendia que não estava sendo fácil para ele passar por tudo isso, temia que ele não voltasse a ser como antes, seu menino cheio de vida. Queria ver os seus olhos brilhantes e o sorriso doce em seu rosto ao fazer um passeio qualquer, queria tocar violão por horas seguidas apenas para o ouvir cantar. Sentia uma imensa falta desses momentos, não poderia negar, e, apesar de estar cansado da maneira como estava sendo tratado, estava mais que disposto a tentar trazer seu amor de volta ao que era antes.

Estava sendo um dia esgotante para os dois e, em meio aos seus pensamentos, às lágrimas que liberavam ver ou outra e o abraço em que se aconchegavam, eles acabaram dormindo.

XXX

Algumas horas depois, quando os dois ainda estavam imersos em um sono tranquilo, Donna entrou no quarto, indo em direção à cama e passando os dedos no rosto filho com a intenção de acordá-lo. Gerard abriu os olhos devagar, notando que seu nariz estava completamente congestionado. Olhou para a mãe e sorriu, perguntando que horas eram e porque ela estava o acordando.

— Vocês precisam comer algo, meu amor. — Ela o respondeu, apontando para o relógio na parede de forma que Gerard pudesse ver que já eram por volta das nove horas da noite. — Frank vai dormir aqui?

— Eu não sei, acho que sim. — Respondeu, hesitante.

— Vocês já estão bem? — Donna questionou enquanto saía do quarto, parando à porta para fitar o filho. — Vou ligar para Linda e avisar que Frank ficará aqui. Vocês precisam tomar um banho e comer, já está tarde.

E, com isso, a senhora saiu do quarto, deixando Gerard livre para acordar o menor. Ele olhou para o Iero, que dormia com a boca semiaberta e o amaldiçoou por parecer atraente até daquela forma, com os cabelos bagunçados e o rosto amassado por estar contra os travesseiros.

— Frank, acorda... — Ele tocou o braço de Iero, pensando se deveria ou não fazer algo a mais que isso. — FRANK!

Ele abriu os olhos, assustado, e sentou na cama. "Porra, Gerard, não é dessa forma que se deve acordar alguém." Falou enquanto coçava os olhos, irritado pela maneira que o maior o acordou. Gerard deu de ombros antes de começar a falar:

— Donna disse que iria ligar para sua mãe, você vai dormir aqui. — Frank concordou positivamente com a cabeça, sem reclamar que ele, ou no caso, Donna, estivesse decidindo o que ele iria fazer. — Ela disse para a gente tomar banho e comer.

— Certo... — O menor falou, hesitante. — E você quer, hm, ajuda? — Questionou, incerto do que deveria fazer no momento uma vez que ainda não havia estado com Gerard em uma situação assim após o acidente.

— Só coloca minha cadeira aqui do lado, eu consigo sair sozinho. —

Frank levantou da cama e foi até o outro lado do quarto, onde pegou a cadeira de rodas de Gerard, que estava desarmada, e a arrumou ao lado da cama, próximo ao lugar em que ele estava sentado esperando. Gerard retirou o cobertor que estava sobre si e, com algum esforço, passou o corpo para a cadeira, logo indo em direção ao banheiro, deixando Frank, absorto em seus próprios pensamentos, para trás.

Ele entrou no banheiro, com facilidade uma vez que toda a casa era adaptada, e tirou a camisa, parando em frente ao espelho e fitando seu rosto inchado por conta do choro anterior. Pensava em como tinha sorte de ter Frank em sua vida, mesmo que apenas como amigo. Não era qualquer um que estaria ali para aguentar seus surtos e ele sabia disso.

Fora do banheiro, ainda parado no mesmo lugar, Frank pensava em como iniciar uma conversa sem que a mesma acabasse em uma briga novamente. Conversar com Donna estava fora de cogitação, ele sabia que Gerard não iria querer que sua mãe ficasse a par desses problemas. Procurou por seu celular e estava pronto para ir sentar na cama quando ouviu a voz de Gerard o chamando.

— Fran? — Ele sorria de forma tímida, com as bochechas levemente coradas e sem mostrar os dentes. — Agora eu preciso da sua ajuda.

— Não prefere que eu chame sua mãe? — Iero perguntou, nervoso, gesticulando com as mãos em direção à porta. 

— Se não for te incomodar, prefiro você. —

Frank sorriu e seguiu para dentro do banheiro, ligando a torneira para deixar a banheira encher e logo voltando seu corpo para o maior. Era óbvio que ele não se importava em ajudar Gerard, ele estava ali para isso e queria que ele soubesse que estava tudo bem em pedir ajuda se precisasse.

— Não precisa ter vergonha de me pedir as coisas, certo? — Sorriu e abaixou, apoiando uma das mãos no joelho de Gerard e se aproximando para beijar sua bochecha. — Você consegue tirar a calça?

— Sim. — Ele falou enquanto começava a puxar sua roupa para baixo, fazendo Frank arregalar os olhos e prender a respiração ao ver que ele não estava usando cueca. — Eu só preciso de ajuda nos pés.

Iero, tentando ignorar o rubor que tomava conta de sua face e desviando o olhar, auxiliou Gerard a tirar a peça de roupa e a entrar na banheira, fazendo de tudo para tocar a menor parte possível do seu corpo, enquanto prestava atenção ao que ele falava sobre o dia em que caiu da cadeira ao fazê-lo sozinho. Assim que o maior estava confortável e já iniciava seu banho, Frank, murmurando que precisava fazer algo na cozinha, saiu do cômodo sem olhar para trás.

Ele saiu do quarto e, encostando na parede, respirou fundo, tentando não pensar em Gerard daquele jeito. Queria afirmar que estava tudo bem, que ele não estava com vontade de ter Way, mas a quanto tempo eles não tinham algo a mais que os poucos beijos que trocaram nas últimas semanas? Balançou a cabeça, tentando tirar de sua mente a imagem do maior sem roupas, mas estava cada vez mais difícil quando ele o desejava tanto.

Mikey, que estava saindo de seu quarto, ao fim do corredor, ficou confuso ao ver o amigo sentado no chão com a cabeça encostada na parede. Assustado, e pensando que ele estava passando mal, foi rapidamente em sua direção para saber o que estava acontecendo, abaixando para ficar de sua altura.

— Frank? — Ele falou enquanto sacudia seus braços com um pouco de violência. — Está bem? 

— Uh? Sim, claro. — Respondeu enquanto levantava do chão com a ajuda do amigo, ainda parecendo um pouco desnorteado, caminhando pelo corredor a fim de ir para a cozinha. — Eu só estava descansando.

Michael o olhou de forma confusa, se perguntando mentalmente o motivo que levou Frank a descansar no chão do corredor. Entraram na cozinha e ele avisou ao menor que ele poderia levar uma das caixas de pizza para o quarto, que todos já haviam comido. Frank agradeceu e, quando já estava pronto para deixar o cômodo, ouviu seu nome ser chamado.

— Iero? — Mikey não aguentou sua dúvida e precisou perguntar. — Tem certeza que você estava só descansando no corredor?

— Claro. — Ele respondeu rapidamente, suas bochechas ficando ainda mais coradas, se isso era possível, e dando de ombros. — Eu ajudei Gerard a entrar na banheira e decidi sentar um pouco.

Ignorando o fato de que Frank poderia ficar extremamente constrangido, Mikey gargalhou, ficando com o rosto vermelho e sem ar. — Agora eu entendi! — Ele disse, ainda rindo, enquanto arrumava seus óculos. — Você descobriu que Gerard agora está adepto a não usar mais cuecas!

XXX

O que se passou na hora seguinte foi apenas um Frank completamente constrangido ao estar na presença de Gerard, que trajava nada mais que uma calça de flanela xadrez. Os dois passaram algum tempo na cama se alimentando da pizza comprada por Donna e levada por Mikey, que não deixou de lançar um olhar malicioso ao menor, até o quarto do irmão mais velho.

Frank, que também havia tomado banho, tentava manter seu olhar o mais longe possível das gotas de água de desciam pelo pescoço de Way, corando ao que se pegava o encarando por um tempo maior que o necessário. Gerard, por outro lado, não fazia questão de disfarçar que estava gostando de ver Iero em suas roupas, alegando que ele ficava fofo usando calças maiores que o seu tamanho.

O menor estava um pouco confuso, como era comum nos últimos tempos. Uma hora Gerard estava gritando que o queria longe, afirmando que seria melhor para os dois, no outro estava o olhando como se fosse arrancar suas roupas a qualquer momento. Decidiu que, apesar de todas as dúvidas, não iria negar se ele quisesse levar algo mais adiante.

— Estamos bem? — Ele perguntou ao mais velho assim que colocou a bandeja vazia no criado-mudo e voltou para a cama.

Gerard acenou positivamente, segurando as mãos de Frank e o puxando para sentar em suas coxas, com uma perna de cada lado de seu corpo. — Estamos bem. — Afirmou. — Sabe, eu estou com vontade de te beijar agora.

Frank riu ao que o ouviu falar, soava exatamente como Gerard era em alguns momentos antes do acidente, sempre direto. Os braços de Way logo foram ao redor do pescoço do menor, o puxando para si enquanto trabalhava com a boca contra a sua, pressionando os lábios nos dele. Suas mãos entrando no tecido grosso do moletom que ele usava, as unhas curtas arranhando a pele de suas costas. Era difícil para o menor resistir quando sentia sua pele queimar contra as mãos grandes de Gerard, sentindo seu cheiro, seu calor, a suavidade de sua pele.

Frank se ajustou no colo de Gerard ao que ele retirou sua camisa, a jogando no chão ao lado da cama. Os lábios separavam-se apenas para serem levados a outros lugares, como o pescoço do menor que já começava a ser marcado pelos lábios e dentes de Way. A língua do maior logo partiu para a clavícula do outro, onde explorou toda a pele amorenada. A mão de Frank acariciava a nuca de Gerard, segurando vez os outra os fios escuros e os puxando apenas para ouvir ele dizer o quanto gostava daquilo.

Sua língua buscava a boca de Gerard, que tinha as mãos em suas coxas, as arranhando e apertando. Tocava os músculos ao redor de sua cintura, descendo para o espaço entre suas pernas e sentindo a rigidez. Seu coração estava acelerado, a respiração ofegante. Levou sua própria mão para onde estava a de Gerard, que tentava alcançar a parte de dentro de sua calça, e a retirou do local, a levando até seu peito para que ele sentisse seu coração. Abraçou-o carinhosamente, sussurrando em seu ouvido:

— Não, Gerd. — Ele se afastou um pouco para olhar em seus olhos. — Não podemos, não agora.

Way, um pouco perdido, concordou, fazendo Frank sorrir, aliviado, por não ter que argumentar muito sobre isso. O menor arrumou sua calça, procurando pela camisa do moletom que antes vestia, e sentou ao lado do outro, usando um travesseiro sobre suas coxas para cobrir sua ereção. Gerard ainda permanecia da mesma forma: O cabelo completamente bagunçado e com os lábios inchados e vermelhos. Ele estava um pouco estático por tudo o que fez.

— Nós ainda precisamos conversar, não é? — Perguntou após um tempo, quando Iero, sentado ao seu lado, segurou sua mão.

— Sim, precisamos. — Sorriu. — Não podemos avançar dessa forma. Eu preciso entender o que você está sentindo, você precisa saber o que eu sinto. Existem coisas que precisamos falar e saber antes de tudo.

— Eu só não sei como explicar tudo que está aqui. — Gerard falou, apontando para sua própria cabeça e fazendo um biquinho infantil.

Frank sorriu, ele nunca deixaria de ser aquele garotinho que ele conheceu há anos. — Fala da maneira que você quiser, amor. — Ele se aproximou para selar os lábios na têmpora do maior e em seguida entrelaçou os dedos aos seus.

— Eu estava- Não, eu estou com medo, muito medo. — Respirou fundo e continuou a falar devagar, parecendo pensar em cada palavra que colocava para fora. — Eu tenho medo de não ser o suficiente para você, Frank. Medo de te dar esperanças de que podemos ser felizes juntos e não conseguir corresponder tudo o que você quer.

Frank o escutava, afagando sua mão para o deixar calmo na intenção de que ele colocasse para fora tudo o que o perturbava.

— E não é sobre sexo que eu estou falando. — Os dois riram enquanto Gerard corava, relembrando do momento anterior e dos momentos que antecederam ao que ele expulsou Frank de seu quarto. — É que eu amava correr com você após roubar flores ou, hm, brincar com seus cachorros no jardim. — Eles sorriam ao lembrar desses bons momentos. — Eu ainda tenho medo de sair de casa, medo de que me aconteça algo pior e eu não consigo pensar em um momento em que eu vá superar isso.

— Você vai conseguir, Gee. — Ele sorriu. — Você é uma das pessoas mais fortes que eu conheço, sabe disso. Olha a quantidade de coisas que você já passou e conseguiu seguir em frente.

— Eu quero ficar com você, quero te fazer feliz. — Gerard beijou os lábios de Frank rapidamente, logo voltando a falar. — Eu quero muito isso entre a gente, mas não vai ser como antes e eu tenho receio de que uma hora você vá desistir de mim. — Falou, desviando o olhar para o outro lado do quarto e mordendo o lábio inferior.

— Gerard, sabe que eu não vou desistir de você, eu te disse isso e eu estou aqui agora, já é alguma coisa, não é? — Ele perguntou, recebendo um aceno positivo do maior. — Eu estou sendo sincero com você, eu estou com medo também, as coisas estão diferentes, vamos precisar aprender a lidar com tudo, principalmente você, mas eu não vou desistir.

Uma das coisas que Gerard mais admirava ter conquistado em sua amizade e namoro com o menor era sobre conseguir expor todos os seus sentimentos. Ele não era assim com as outras pessoas, sempre ficava receoso e preferia guardar tudo somente para si, mas com Frank era diferente. Iero tinha o poder de o deixar confortável o suficiente para que conseguisse contar todos os seus temores.

— Do que você mais sente falta? — Perguntou de supetão, fazendo Frank se assustar pois estavam em silêncio por alguns minutos, cada um preso em seus próprios pensamentos. 

— Eu não sei... — Falou, pensativo. — Talvez de quando a gente ia nadar. É, é isso.

— Sinto falta de quando eu corria com você nas minhas costas. — Way disse, tentando colocar um sorriso em seu rosto. — Parece besteira, mas eu sinto falta dessas coisas, você sempre ficava sorrindo quando eu o fazia.

Frank, que já havia deitado entre os travesseiros, apoiando a cabeça nas coxas do maior, sentou e puxou Gerard para os seus braços. Beijou sua testa e as suas bochechas, apertando os braços ao seu redor.

— Eu sei que você amava fazer isso. — Ele disse. — Mas existem outras coisas que você ainda pode fazer, e também novas coisas para descobrir. Andando ou não você continuará a me fazer feliz. 

— Obrigado por isso, Fran. — Gerard murmurou, virando um pouco o rosto para beijar o pescoço do menor.

— Então, sobre aquele dia em que eu disse que para ficarmos juntos era só você falar que sim, o que você me diz? — Perguntou, deixando surgir um enorme sorriso em seu rosto.

Gerard o olhou surpreso, seus olhos arregalados e a face levemente pálida antes de corar. — Você estava falando sério? — Questionou, se ajustando para deitar na cama e em seguida cobrindo o rosto com as mãos.

— Você acha mesmo que eu faria uma brincadeira com algo assim, Sr. Way? — Frank o perguntou com uma falsa seriedade, gargalhando em seguida.

— Certo... — O maior o olhou, mordendo o lábio inferior em um ato de nervosismo. Parecia estar voltando ao passado, quando ainda se sentia constrangido ao falar sobre determinados assuntos, quando ainda não tinha tanta intimidade com Frank. — Obrigado por não desistir.

O mais novo sorriu e também deitou na cama, deixando seu corpo parcialmente sobre o de Way, que retribuía seu sorriso de forma doce, passando os dedos levemente em seu rosto. — Eu sei que vai ser difícil, que ainda vamos ter muito o que enfrentar, mas, por favor, não me peça para ficar longe de você, eu não consigo.

Gerard achava que não precisava responder, então, ainda com as mãos no rosto de Frank, ele se aproximou e beijou sua boca. O menor suspirou pelo contato, logo separando os lábios levemente para receber a língua de Way contra a sua. Eles mantinham um ósculo calmo, sentindo o sabor um do outro e as sensações únicas de quando estavam unidos dessa forma. Aos poucos afastaram os lábios, ainda mantendo um ao outro em um abraço.

— Estamos juntos? — Frank sussurrou, prontamente mordendo o queixo do maior. 

— Sim, estamos juntos.

Iero descansou a cabeça sobre o peito desnudo do maior e sorriu — Estava feliz. Finalmente as coisas pareciam começar a dar certo em sua vida outra vez. Gerard, apesar do medo, aceitou dar uma chance ao que eles sentiam e isso era ótimo, era o que ele mais queria. Começou a pensar no passado dos dois, mas não de maneira triste, apenas nas boas lembranças que tinham juntos, todos os momentos bons que passaram um ao lado do outro.

Gerard parecia estar presente nos melhores momentos de sua vida.

Em meio a tantas lembranças, uma em especial veio em sua mente, sendo esta a primeira vez em que ele sentiu que estava cuidando do maior de alguma forma. Levantou um pouco a cabeça, fitando o rosto sonolento de Gerard, que, ao notar ser observado, sorriu.

— Amor, você lembra daquele dia em que eu te encontrei no banheiro no colégio? 

— Qual deles?

— No dia em que você usou calças apertadas pela primeira vez. — Iero o respondeu, desenhando alguns círculos, com o dedo, em sua pele.

Gerard pensou um pouco e, sim, ele lembrava exatamente de tudo o que aconteceu naquele dia. Foi uma semana após o dia em que Frank disse que ele tinha belas pernas. Way, animado, comprou calças que marcavam bem seu corpo e estava ansioso para mostrá-la ao menor. Assim que chegou no colégio, logo encontrou Frank sentado ao lado de uma árvore, como costumava fazer diariamente. Caminhou até estar em frente ao amigo e parou, colocando uma mão na cintura enquanto esperava por um elogio. Lembrava com exatidão de como Frank corou ao receber um beijo na bochecha após dizer que ele estava lindo.

Lembrava de como ficou feliz pelas palavras do amigo, como se sentiu o garoto mais bonito no colégio durante todo o dia. Bom, sentiu-se bonito ao menos até o momento em que alguns garotos mais velhos começaram a o importunar com palavras ofensivas. Também recordava de como correu para o banheiro, chorando após ouvir as duras palavras vindas dos outros. E também de quando Frank, com o rosto vermelho e com raiva, abriu a porta do banheiro, ficando aliviado em seguida ao ter a certeza de que Gerard não havia sido agredido, como estavam falando pelos corredores.

Assim que viu o mais velho encolhido no canto do reservado do banheiro, sentado sem se importar com a sujeira que estava no chão, ele se ajoelhou e o acolheu em um abraço, deixando que ele chorasse para colocar tudo para fora. O disse que ele era bonito, que não importava o que os outros pensavam e que ele podia ser ele mesmo. O respondeu que não deixaria de ser seu melhor amigo por ele gostar de homens ao invés de mulheres, como a maioria de seus colegas de classe, e disse que ele podia lhe contar qualquer coisa.

— Foi a primeira vez em que você falou que me amava. — Gerard murmurou, ainda um pouco absorto em suas próprias lembranças.

— É, eu disse que te amava. — Frank concordou, selando seus lábios em um beijo calmo e sorrindo no momento em que se afastou e viu Gerard, de olhos fechados, com um sorriso bobo em seu rosto. — Mas tem outra coisa também.

— Tem? O que? — Ele abriu os olhos, franzindo as sobrancelhas. — Frank, me fala! — Falou emburrado ao que Iero ameaçou rir.

Frank não aguentou e gargalhou, em seguida deixando que seu corpo ficasse todo sobre o de Gerard, suas pernas entre as dele. Levou as mãos até o rosto do maior e beijou suas bochechas, sua testa e seu queixo, passando os dedos pelos fios escuros que caíam ao lado de seu rosto. — Você está esquecendo uma coisa: Eu disse que estaria com você independente do que acontecesse no nosso futuro.

Os olhos de Gerard brilharam e seu coração pareceu se aquecer. Ele deixou um dos braços ao redor da cintura do menor e levou a outra mão até a parte de trás de seu pescoço, o segurando ao aproximar os lábios de sua boca. Roçou os lábios levemente contra os do outro, sentindo sua respiração em seu rosto e a temperatura de sua pele.

— E você está. — Ele murmurou ao que passava a ponta do nariz nas bochechas de Iero em um carinho já tão conhecido entre os dois.

— Sim, eu estou. — Iero o respondeu antes de acabar com a pouca distância que ainda havia entre seus lábios.

E ali, naquele cômodo, entre os lençóis, aconchegados no abraço um do outro, Gerard e Frank tiveram a certeza de que tudo começaria a dar certo em suas vidas novamente. Porque era assim que as coisas deveriam acontecer, haviam momentos ruins, muitos momentos ruins, mas os outros, aquelas ocasiões onde eles eram felizes, estavam ali para mostrar que eles precisavam continuar. Frank estaria ali para mostrar que Gerard podia conquistar cada vez mais, e Gerard sempre iria ser aquele que conseguia fazer o menor expor tudo o que estava sentindo, aquele que o ajudaria sempre que ele precisasse.

Porque sempre seria Frank a dizer que Gerard é capaz de conquistar o mundo se ele quiser, assim como Gerard seria a sua prova de que o mundo pode te fazer querer se render, deixar tudo para trás e abandonar todos, mas que se você quiser, se lutar, pode fazer tudo voltar a dar certo. E daquela maneira simples, com alguns beijos e sorrisos, tudo parecia voltar ao normal. Não exatamente o normal de antes, mas eles, principalmente o menor, tinham plena certeza de que a partir daquele momento, daquele sim, eles tinham uma nova chance para fazer tudo ser diferente. Porque Gerard sempre estaria ao lado de Frank para tentar outra vez, e Frank...


Bom, Frank não iria desistir.



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