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História .be mine - Capítulo 1


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Notas do Autor


surtos da madrugada

Capítulo 1 - .i wanna be yours


Desde que eu descobri o que era me apaixonar, eu era apaixonada por Jinsoul. Eu era apaixonada por cada cor de cabelo que ela já teve e por cada gargalhada também. O destino não foi muito generoso comigo quando decidiu, há uns quatro anos atrás que eu e Jinsoul nunca iríamos acontecer. Sim, ela era minha amiga e aquilo seria o mais próximo que eu poderia chegar do seu coração. Deitar na cama dela e poder fazer carinho no cabelo dela por horas foi o suficiente pra mim por um tempo, porque eu sempre achei que algo ia mudar, ela se interessaria por mim em algum momento da vida dela e nós ficaríamos juntas, mas por sinal aquilo estava longe de acontecer. Eu estava decidida a contar pra ela, me livrar daquele peso que machucava, machucava mais do que o medo da resposta que ela daria. 

O primeiro passo é sempre o mais difícil, porém o mais necessário pra iniciar uma mudança. Eu com certeza não achava que Jinsoul iria do dia pra noite deixar de ser hétero e me dar alguns beijinhos. E olha que essa coisa de ser hétero é bem a praia dela. Eu preciso tentar, entende? 

[...] 

Toda sexta, a faculdade conseguia se transformar num verdadeiro caos, durante a semana muitos alunos faltavam, mas como toda sexta alguns cursos realizam festas, o lugar virava um ponto de encontro para jovens que gostavam de beber e transar. E no meio disso tudo estava eu sozinha enquanto Jinsoul corria atrás de alguns meninos da Engenharia. Eu sempre questionei o gosto peculiar de Jinsoul para homens feios e de caráter duvidoso, sempre odiei o que ela se forçava a fazer para agradar aqueles valentões de 1,82cm. Sempre odiei também ter que limpar as lágrimas dela por causa de um desses idiotas, sempre odiei ter que ser ignorada por ela toda vez que ela falava com um desses valentões. Exatamente como estava acontecendo agora, eu estava esperando no carro enquanto ela terminava de se rebaixar por homem. 

— Eun... — Eu já sabia o que viria a seguir. Ela ia dizer que o cara tinha terminado tudo e ia deitar a cabeça no meu ombro até que a gente chegasse em casa. Aquilo acontecia pelo menos de 3 em 3 meses. Tá achando que é fácil? 

— Ele terminou tudo... — Eu não disse? Após quatro anos de convivência com isso, as ações e falas de Jinsoul conseguem ficar bem previsíveis. O que eu poderia dizer? Eu poderia gritar e implorar pra ela se valorizar pelo menos uma vez e nunca mais olhar na cara daquele homem. Mas como eu poderia magoa-lá mais? O coração que eu mais amava estava quebrado, novamente.

Como sempre, eu não fiz nada, só dirigi até em casa e a segurei em meus braços enquanto ela chorava, eu nem me importava com o catarro que ficaria na minha blusa de frio depois. Sabe, por mais que meu papel na vida de Jinsoul fosse o de cimento-tapa-buraco, as vezes eu gostava de pelo menos poder abraçá-la. Mesmo que em péssimas circunstâncias. 

— Obrigada Eun. Você é incrível. — Os olhinhos brilhantes olharam pra mim pela primeira vez desde que viemos embora da faculdade. 

— Você é mais Jinsoul, não deixe um burro que nem o Daesu te dizer ao contrário. — Nós descemos do carro e chamamos o elevador do prédio.

Nós morávamos juntas em um prédio com apartamentos pequenos para universitários. O destino pensou que eu ainda sofria pouco quando resolveu permitir que Jinsoul passasse na mesma faculdade que eu iria frequentar, e como desgraça pouca é bobagem, no mesmo curso. Nossos pais resolveram comprar esse apartamento pra nós duas, já que éramos grandes e inseparáveis amigas. Fotografia era uma das únicas coisas que fazia eu me sentir mais próxima de Jinsoul, já que geralmente eu era bem fora do seu meio de interesse. Graças a isso, todo domingo eu e ela saíamos para tirar fotos do céu, dos prédios de Seoul, de cachorrinhos e do pôr do sol refletido no rio Han. Sair com Jinsoul para tirar fotos me dava a oportunidade de tirar várias fotos dela, disfarçadamente, óbvio. Toda vez que eu olhava as polaroids dela eu conseguia me lembrar me exatamente do que estava acontecendo no momento da foto, o clima, a temperatura e até o cheiro de shampoo e perfume caro que ela sempre tinha. As fotos ficavam bem guardadas na gaveta da minha escrivaninha, guardadas porque Jinsoul sempre entrava sem bater. 

— Eun, eu posso dormir com você? — Mais momentos onde eu penso que meu coração não podia ficar triste. 

— Pode sim, eu vou tomar um banho, daqui a pouco eu volto. — Deixei minha amiga no meu quarto e fui tomar um banho rápido. Enquanto eu deixava a água cair em mim, eu pensava se Jinsoul ser uma mulher que adorava um chamego era bom ou ruim pra mim. Afinal, ela gostava de carinho e sempre vinha até mim pra procurar um cafuné, porém ela não gostava só do meu carinho, ela com certeza procurava por outros quando eu não estava. 

Quando eu voltei pro quarto, Jinsoul estava no décimo quinto sono, dormindo tranquilamente no lado direito da cama, e eu estava respirando fundo pra não deixar a tristeza me dominar por completo. Você deve estar se perguntando, se eu sabia que eu ia sofrer tanto, por que eu deixei ela vir? A resposta é que no final das contas eu gosto de consolar o coração quebrado dela. Infelizmente, eu até gosto de ser o cimento-tapa-buraco. 

[...] 

Era sábado a noite e Jinsoul tentava com todas as forças me levar pra um encontro duplo. Sabe o babacão que dispensou ela noite passada? Sim, ele chamou ela pra sair e disse pra ela levar uma amiga. E a amiga era eu. De acordo com Jinsoul, o amigo do babacão estava interessado em mim. 

— Jinsoul, desiste. Eu não vou nesse encontro. — Ela mandou mais algumas frases dramáticas pra tentar me desarmar porém não funcionou. Eu não estava nem um pouco afim de vê-la destruir sua autoestima e seu coração tudo em uma noite. Claro que eu estaria ali pra ela quando ela chegasse chorando, mas testemunhar aquilo seria mais doloroso pra mim do que pra ela. 

— Tudo bem! Eu vou sozinha! — E assim ela fez. Se arrumou e foi sozinha. Me mandou a localização caso eu precisasse dela e saiu. 
Jinsoul gostava bastante disso, encontros, alianças e mãos dadas, era uma romântica esperançosa. Depositava toda sua confiança e amor em pessoas erradas e acabava de machucando demais, e a cada decepção, perdia um pouco da esperança que eu tanto admirava nela. Não é tão fácil fazer quanto falar, eu queria mesmo impedi-la de ir, queria esmurrar a cara do Daesu, queria tentar explicar pra ela que todo o amor que a esperava, só eu sentia. Mas sabe aquele sentimento de que eu iria estar estragando o pouco que eu já tinha? Pois é, esse sentimento bloqueava o caminho toda vez. 

[...] 

02:00, naquele horário ninguém me ligaria. Só uma pessoa. 

Eun...Ele me deixou sozinha. — E lá vamos nós. 

Tentei me arrumar o mais rápido possível pra ir catar os caquinhos do coração de Jinsoul no lugar onde o babacão tinha a levado. Segui o caminho da localização que ela me mandou e cheguei num bar do outro lado da cidade, um lugar barulhento e movimentado. Estacionei o carro e expliquei ao segurança que eu só iria entrar para buscar uma pessoa e nada mais que isso, ele entendeu e eu entrei. Logo quando entrei eu imaginei que Jinsoul não estaria ali na pista e sim em um lugar mais afastado. Perguntei algumas pessoas e descobri uma escada de terminava em um terraço, ela só poderia estar lá. 

— Soulie, você está aqui? — O vento frio me assustou quando comecei a andar pelo lugar vazio. 

— Estou. — Ela estava sentada no último degrau da escada do outro lado do prédio. 

— Está tudo bem? — Me aproximei dela e sentei ao seu lado. 

— Por que ninguém gosta de mim? — Aquela pergunta me fez cogitar a ideia de pular dali, mas eu precisava mostrá-la que alguém sim gostava dela.

— É claro que gosta Jinsoul, você vai encontrar alguém logo. — Por dentro, eu ainda tinha dúvidas sobre dizer algo sobre o que eu sinto pra ela, ela já estava tão frágil, eu não queria colocar a pressão de me corresponder em cima de seus ombros, não naquele momento. 

— Eu acho que eu nasci pra ficar sozinha. — Ela riu. — Sozinha não, com você, porque eu nunca vou deixar você ir embora. — E aquilo era tudo que eu mais queria, nunca ir embora. 

— E você não acha que isso é um sinal? — 

[...]

Jinsoul estava esperando no meu quarto, assim como eu pedi quando chegamos em casa. Eu precisava contar, e eu só queria que o destino me permitisse mostrá-la que tudo que ela merece é amor e nunca ficar sozinha. Respirei fundo duas vezes antes de voltar para o meu quarto e vê-la sentada na cama.

— Aconteceu alguma coisa? — Ela perguntou preocupada pela minha demora.

— Não, está tudo bem. Eu só queria te mostrar uma coisa. — Respirei fundo mais duas vezes antes de abrir a gaveta de fotos devagar.

— Jinsoul, você tem a péssima mania de se achar feia e sem valor algum. Por isso sai com caras idiotas e odeia fotos de si mesma. E meu coração tem a péssima mania de te achar incrivelmente bonita e a pessoa mais preciosa do mundo. — Ela alternava o olhar para a gaveta e para o meu rosto, com os olhinhos brilhantes de lágrimas.

— Olha, eu entendo que você não é muito chegada nessa coisa de bissexualidade, por isso não precisa... — Antes que eu pudesse continuar ela me interrompeu.

— Você é o alguém que eu iria encontrar logo? — Ela olhou algumas fotos e tirou a gaveta das minhas mãos.

— O logo veio cedo demais, porém... Sim, sou eu. Eu amo você Jinsoul. Sei que não me ama agora e provavelmente não vai. Mas eu queria que você soubesse disso, que eu só não gosto de você, mas como eu te amo.

Ela me abraçou e chorou nos meus braços a noite toda. Ela disse que não acreditava que aquilo realmente estava acontecendo. Nós ficamos abraçadas falando de momentos quatro anos atrás e no final da noite, quando estávamos quase dormindo, ela me deu um selinho.

Aquela foi a melhor noite da minha vida. 


Notas Finais


música do capítulo: rap do solitário


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