História Be Mine - Capítulo 23


Escrita por: ~

Postado
Categorias Got7
Tags Jackbum, Markbum
Visualizações 167
Palavras 5.549
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Mistério, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Deus ta vendo vocês preferirem o Mark morto do que o fim do couple.
DEUS
está vendo.
PS: Eu excluí o arquivo das capas dos caps pq sou idiota então vou ter q refazer e no momento fica sem.
PS2: Vou revisar pelo cel pq nem devia estar no not agora, então perdom qualquer erro e.e
PS3: Nem vou me desculpar pelo atraso pq né...

Capítulo 23 - Lost


Com toda a certeza do mundo Jaebum podia afirmar que nunca antes tinha corrido tanto e tão rápido como naquele momento, o que em partes era culpa de Jackson, afinal, se o chinês não tivesse insistido tanto que o coreano não estava em condições de dirigir, ele não teria pegado um táxi e não teria decidido descer do veículo antes de chegar ao destino final, pagando o taxista quando pararam em um farol vermelho e terminando o percurso de duas quadras com suas próprias pernas. Tinha até mesmo sido complicado para Jackson conseguir acompanhar o ritmo do amigo por entre as pessoas que passavam na calçada, principalmente quando suas pernas tremiam de tal forma que pareciam estar dentro de um liquidificador.

No elevador do hospital, eles sequer olharam um para o outro quando sequer conseguiam processar a última informação recebida. Cada um se encontrava perdido no mar de questionamentos em suas cabeças, em seus corpos trêmulos, as respirações descompassadas e os corações desesperados batendo contra o peito em um ritmo tão frenético que chegavam a pensar estarem sendo escutados por todos ao redor. E bastou que as portas de metal se abrissem já na ala de internação para que o coreano praticamente voasse na direção do policial que estava parado próximo ao balcão da recepção.

— Aonde é que ele está? – afoito perguntou.

— Olha, eu sei que é pedir demais, mas se acalma porque eu tenho algo a contar antes que vocês possam vê-lo. – sério, o policial disse.

— Calma? Como você quer que eu tenha calma? – indignado com tal pedido, ele retrucou.

Hesitante e sem saber como reagir, o loiro permanecia mais atrás, apenas escutando e tentando não surtar.

— Jaebum, eu entendo que você esteja nervoso, mas não adianta nada se apressar desse jeito e nem entrar lá agora.

— E por quê?

— Ele não se lembra de você.

A informação repentina fez com que os dois se calassem completamente, apenas arregalando os olhos e tentando assimilar o que seus ouvidos acabaram de escutar, e no caso de Jackson, também precisou se sentar em uma das cadeiras de espera antes que suas pernas cedessem de vez e ele se esborrachasse no chão.

— Como é? – em tom trêmulo, o coreano questionou.

Antes que ele lhe sanasse suas dúvidas, um médico que passava por perto foi chamado pelo policial que rapidamente foi reconhecido pelo homem que assentiu e ajeitou os óculos no rosto antes de se virar em direção a Jaebum.

— Você deve ser Im Jaebum certo? – ele questionou seriamente. O outro assentiu.

— O que é que está acontecendo?

— O Mark está com o que chamamos de amnésia traumática e retrógrada que é quando o paciente esquece os eventos anteriores ao trauma.

— Quer dizer que ele não se lembra de nada? – Jackson foi mais rápido ao perguntar, não arriscando se levantar de onde estava e permanecendo sentado.

— Ele tem apenas as lembranças básicas como seu nome, sua nacionalidade e idade.

Sem conseguir abrir a boca para proferir uma palavra sequer, o coreano ficou em silêncio, seu olhar não fixo em ponto algum enquanto seu cérebro tentava processar as informações novas.

— Então ele... Ele... – a frase não conseguiu ser completada pelo loiro que agora lutava fortemente para segurar as lágrimas presas nos olhos.

— Fiquem calmos, isso não é permanente. – explicou o médico com um sorriso, tentando lhes animar – Por ter sido causada por um trauma na cabeça, a amnésia é parcial, ou seja, é quase certeza de que ele conseguirá recordar de tudo, é apenas uma questão de tempo e de apoio das pessoas próximas.

— Ele pode receber visitas? – perguntou o policial finalmente – Precisamos fazer algumas perguntas e reabrir a investigação.

— Claro, ele já está consciente, mas eu duvido que será capaz de ajudar em alguma coisa. – colocando as mãos nos bolsos do jaleco, respondeu o homem – Ele está muito confuso.

— Mas ele está bem? – preocupado, o loiro tornou a questionar – Quero dizer, além da amnesia ele está machucado?

— Fora a pancada que causou a doença, não há nenhum outro ferimento mais grave, apenas alguns arranhões nos braços e no rosto, no entanto, ele está com início de anemia, um pouco desidratado e desnutrido, então terá que permanecer aqui alguns dias para se recuperar da melhor forma.

— Obrigado Doutor. – ele se esforçou para sorrir.

— Se precisarem de qualquer coisa, me chamem, o número do quarto dele é 164.

Com um maneio de cabeça ele se afastou, deixando os outros três no mesmo lugar. Sem mais aguentar, Jaebum acabou deixando o corpo desabar na cadeira ao lado de Jackson, apoiando os cotovelos nas coxas e a testa nas mãos, vendo as lágrimas despencarem e caírem no chão.

— Jae...

— Eu não sei o que pensar. – o interrompendo, disse de repente – O Mark voltou e, caramba, eu não podia estar mais feliz! Mas ao mesmo tempo, ele não se lembra de absolutamente nada e isso é horrível.

— Ele vai ter ajuda de todo mundo. – começando a chorar junto, o loiro disse, colocando uma mão no ombro do coreano, tentando lhe passar um pouco de confiança.

Com o gesto, o mais velho acabou se virando para o amigo e o abraçando, se permitindo chorar literalmente em seu ombro assim como ele também fazia. Talvez aquela fosse a primeira vez na vida dos dois que choravam tanto de felicidade quanto de tristeza. Claro que a parte da felicidade era bem melhor, afinal, a coisa que eles mais desejavam na vida e a que julgavam mais impossível tinha acontecido, no entanto, a parte triste em pensar no quanto o amigo sofreria, também se fazia presente, criando aquele misto de sensações incompreensíveis. Se acalmando um pouco, Jaebum soltou o loiro, levantando a cabeça e olhando para o teto enquanto continha as lágrimas.

— Eu preciso falar com ele. – interrompendo, o policial se pronunciou.

— Não, espera. – retrucou exasperado o coreano – Ele deve estar assustado e confuso e as perguntas só piorariam, afinal, como o próprio médico disse, ele não vai ser capaz de ajudar em muita coisa. Deixe-me entrar lá e falar com ele antes. Por favor.

— Mas ele não te reconhece, sabe disso.

— Eu sei, mas acho que será mais confortável para ele conversar primeiro com alguém que o conhece do que com um policial. Eu me sentiria muito melhor se estivesse no lugar dele.

— Tudo bem.

Agradeceu com um maneio de cabeça, olhando para Jackson logo em seguida, esse que finalmente levantou de onde estava.

— Tem certeza de que está pronto pra isso Jae? – questionou preocupado.

— Eu sempre estive pronto para esse momento, mesmo que não nessas circunstancias. – respondeu sorrindo fraco e colocando uma mão em seu ombro – Quer vir junto?

— Ainda não, eu acho que preciso me acalmar um pouco mais senão eu vou pular encima dele e o assustar ainda mais. – os dois acabaram rindo baixinho – Eu vou ligar para os pais dele enquanto isso, e para o Jinyoung, afinal, ele deve estar nos esperando até agora.

— Certo.

E com um último abraço para conseguir um pouco de confiança e coragem, Jaebum se afastou e caminhou até o quarto de número indicado, parando na porta e hesitando por alguns instantes enquanto seu corpo congelara e sua mente começava a girar cada vez mais rápido entre tantos pensamentos. Será que ele estava realmente bem? Como seria revê-lo? Conseguiria se controlar para não o abraçar e o beijar ali mesmo?

Suas mãos suavam frias e seus batimentos cardíacos estavam cada vez mais rápidos enquanto a sua mão continuava parada em punho próxima a superfície de madeira. O que aconteceria de ali em diante?

E com um pequeno surto de coragem suficiente, ele finalmente bateu de leve na porta antes de fechar os olhos, respirar fundo e a empurrar, a abrindo. Quando seus pés caminharam para dentro do lugar e ele se viu frente-a-frente com aquele por quem esperou há tanto tempo, o mundo todo ao seu redor parecia ter ficado em câmera lenta enquanto seus olhos encontravam com os do americano. Aquilo estava mesmo acontecendo. Sem coragem para abrir a boca, sentindo a garganta secar de repente e a mão continuar grudada na maçaneta, ele permaneceu parado onde estava, em seu corpo trêmulo e os olhos voltando a marejar.

Mark parecia um daqueles cachorrinhos abandonados de rua que se encolhem e te encaram aterrorizados o que só aumentava ainda mais a vontade de chorar. Ele estava mais magro do que o usual, seus cabelos agora se encontravam castanhos, afinal, a tintura tinha desbotado, mas estranhamente seu corte continuava o mesmo, não mais comprido. Ele parecia fraco e cansado.

— Meu Deus... – foi a primeira coisa que conseguiu proferir enquanto lentamente fechava a porta atrás de si e dava alguns passos em direção ao centro do quarto, sem tirar os olhos do mais velho – É mesmo você...

Os olhos castanhos e amedrontados do outro permaneciam grudados em si, mas ele não disse nada durante alguns segundos, parecendo pensar em alguma coisa, até finalmente, abrir a boca e perguntar em voz baixa:

— Você me conhece?

Aquilo era doloroso em muitos sentidos, mas ele tinha de ser forte por Mark agora em que ele mais precisaria. Assentindo com a cabeça, ele se aproximou da cama, mas apenas o suficiente para apoiar as mãos no apoio dos pés, já que suas pernas continuavam extremamente trêmulas. Mais uma vez o americano ficou em silêncio, dessa vez desviando o olhar e o alternando entre vários pontos enquanto apertava o cobertor entre os dedos.

— Eu sei que. – começou para chamar sua atenção, finalmente conseguindo formular uma frase – Essa situação deve ser assustadora, mas eu sou seu amigo e quero te ajudar, então estarei aqui para lhe responder tudo o que quiser saber.

Jaebum com certeza não diria logo de cara que era seu namorado, afinal, julgava aquilo uma bomba muito grande para alguém que mal sabia quem era, assim optando por simplesmente lhe oferecer ajuda ao lhe contar tudo o que quisesse saber.

Com um pequeno sorriso nos lábios, ele agradeceu com um pequeno gesto de cabeça, voltando a parecer perdido logo em seguida.

— O que aconteceu comigo?

— Ninguém sabe. – ele franziu o cenho ainda mais confuso com a resposta – Em um dia, você disse que iria até o shopping atrás de uma camiseta que tinha visto na vitrine e tinha gostado, mas você simplesmente não voltou e nós nunca conseguimos saber o que houve.

— Quanto tempo exatamente eu estou desaparecido?

— Um ano.

No instante em que escutara a resposta, seus olhos se arregalaram em total espanto. Não conseguia acreditar no que estava acontecendo e se sentia horrível sem conseguir responder a si mesmo aonde é que estivera no último um ano.

— Como isso é possível?

— Nós também não sabemos, estávamos acreditando que você tinha morrido.

Era plausível, ele pensaria o mesmo. Encarando o desconhecido a sua frente mais uma vez, ele viu que estava à beira do choro, em uma expressão que não conseguia decifrar. Sentia-se péssimo por ter preocupado pessoas próximas daquela forma, e pior ainda por não saber quem elas eram.

— Você disse que somos amigos, certo? – com cautela para não falar nada errado, questionou, vendo o outro assentir – Há muito tempo?

— Desde a escola.

Mais uma informação que o deixara surpreso. Mark não sabia em que ano estavam exatamente, mas ambos eram adultos então ele conseguia deduzir que se conheciam há muito tempo, o que só o fazia cada vez mais culpado, de certa forma.

— Me desculpe por ter te preocupado e por não me lembrar de você.

— O que? Não, por favor, não há com o que se desculpar, afinal, a culpa não foi sua. – respondeu dando um sorriso para lhe tranquilizar – A única coisa que importa é que você voltou e agora eu te ajudarei a recuperar as memórias.

— Obrigado. – sorriu docemente com aquilo.

Ter amnésia era aterrorizante e ele não fazia ideia de como lidar com aquilo ou como prosseguir dali, mas poder conversar com alguém que o conhecia tão bem era reconfortante.

A porta então se abriu novamente e uma enfermeira adentrou o quarto avisando que era hora de medicar Mark, então fazendo com que Jaebum decidisse que era hora de sair.

— Eu vou deixar você descansar, mas estarei no hospital então pode pedir para me chamarem a qualquer instante. – avisou enquanto se afastava da cama – Seus pais logo estarão aqui também, então creio que vai se sentir melhor quando eles chegarem.

— Como você se chama mesmo? – perguntou antes que o coreano saísse.

— Jaebum.

E mais uma vez no corredor, deixou que as costas batessem contra a parede do lado da porta enquanto o homem fechava os olhos e abaixava a cabeça. Aquilo era surreal e ele tinha que se acalmar. Há algum tempo Jaebum tinha se conformado com a ideia de nunca poder olhar para seu amado, recomeçando então sua vida, no entanto, ali estava ele, do lado de fora do quarto de hospital onde o próprio Mark estava internado. Naquele estado era difícil conseguir raciocinar qualquer coisa. Sem mesmo saber exatamente o motivo certo para aquilo, o choro voltava a travar sua garganta e ele se sentia perdido no meio de tantos acontecimentos e sentimentos, mas o mais importante, a dor de Mark era ainda maior em si, e voltar a pensar no que ele passou e no que estava passando, parecia dilacerar seu coração, no entanto, ele estava mais do que disposto a fazer o possível e o impossível para ajudá-lo a recuperar as memórias e maior ainda, descobrir o que tinha acontecido com ele.

Mais estável, ele voltou à sala de espera enquanto enxugava o rosto com a manga da blusa, então olhando para frente e encontrando com Jackson agarrado a um Jinyoung confuso enquanto desabava em lágrimas, falando muitas coisas ao mesmo tempo, o que só parecia deixar o outro ainda mais perdido.

— Jinyoung. – o chamou enquanto se aproximava, vendo ambos virarem em sua direção.

— Hyung! O que é que está acontecendo? Cadê o Mark? – meio desesperado ele perguntou – O Jackson não disse quase nada no telefone e eu não estou entendendo nada do que ele está dizendo agora.

— O policial ainda não explicou muito bem, inclusive eu estava indo atrás dele agora mesmo, mas sim, acharam o Mark e ele está aqui. – respondeu tentando não se enrolar nas palavras – No entanto ele está com amnesia e não faz ideia do que houve. Está tudo muito confuso ainda, nem eu sei explicar, sinto muito.

— Eu to sonhando? Com certeza estou. – incrédulo ele pensou algo, conseguindo se livrar de Jackson.

— Então eu também estou...

— Eu quero vê-lo!

— Vai lá com o Jackson, ele também não foi ainda.

— Vamos?

O loiro conseguiu enfim assentir ao amigo, e assim ambos deram as costas a Jaebum que procuraria o policial, e seguiram até o quarto em que estava o americano. Diferentemente do mais velho que tinha hesitado algum tempo antes de tomar coragem para adentrar o lugar, Jackson que já estava em um estado de surto corajoso junto ao nervosismo, abriu a porta sem pensar duas vezes, pois tinha certeza de que se pensasse bem, acabaria parando e congelando. Por mais que o próprio Jaebum já tivesse ido ver Mark com seus próprios olhos, aquilo parecia tão surreal que em meio a uma de suas paranoias ele acreditava que era tudo falso e o melhor amigo estava morto. No entanto, bastou que a porta se abrisse e ele olhasse para frente para que a visão que sempre sonhou ter invadisse seus olhos e seu coração batesse contra sua caixa torácica com pressa.

— Mark... – murmurou entre as mãos, tais que tapavam sua própria boca.

Jinyoung por outro lado não conseguiu dizer uma palavra sequer, contentando-se em apenas dar alguns passos mais a frente, querendo ver o outro mais de perto e ter a certeza de que não era uma miragem. Sentando-se na beirada da cama, o chinês não conseguiu nem mesmo expressar o que sentia, e tampouco conseguia pensar em como agir ou falar. As emoções estavam transbordando e eram impossíveis de serem guardadas para si.

— Será que eu posso te dar um abraço? – com voz embargada e sem pensar muito bem no que pedia, ele perguntou.

De cara, Mark pareceu surpreso com o pedido repentino, mas tinha percebido que todos estavam extremamente preocupados, e por mais que não se lembrasse deles, eles com certeza o conheciam e estavam desesperados.

— Claro. – forçando um sorriso para tentar esconder o medo que lhe preenchia, respondeu.

E não demorou sequer dois segundos para que os braços do outro já estivessem ao seu redor, lhe apertando com força. Era estranho de início, ser abraçado por, até então, um completo desconhecido, mas não podia negar que ser rodeado por tanto carinho e preocupação o deixavam um pouco mais confortável na situação em que se encontrava. Enquanto escutava o loiro fungar e chorar em suas costas, levantou os braços e retribuiu o abraço de forma sutil e meio desajeitada, até que ele se afastasse e voltasse a encará-lo com um sorriso que não cabia no rosto.

— É você mesmo, você está vivo Mark! Eu tenho meu melhor amigo de volta, eu não posso acreditar!

Foi inevitável que um sorrisinho brotasse nos lábios ao escutar que seu melhor amigo estava ali.

— Eu não sei o que dizer... – Jinyoung que até então estava em silêncio e em um canto, se pronunciou – Você não faz ideia do quanto todos sofreram com seu desaparecimento. Eu ‘to tão feliz que parece que vou morrer.

— Desculpem... – murmurou meio incerto do motivo pelo qual estava se desculpando. Provavelmente por tudo – O homem que estava aqui agora há pouco também parecia sem chão. Qual o nome dele mesmo....?

— Jaebum.

— Isso!

— É porque ele – Jackson começou a falar, mas quando pensou um pouco, desviou a atenção até o amigo de pé que lhe encarou de volta meio receoso, fazendo assim com que mudasse o que pretendia falar – Era muito próximo a você também. Nós três nos conhecemos desde a adolescência sabe...

Sem condições alguma de tentar entender a razão pela qual os dois pareciam hesitar a dizer alguma coisa, ele apenas sorriu e assentiu. Percebendo que o americano estava cansado e sem condições de ficar conversando muito, os dois decidiram que o deixariam em paz e após contarem mais algumas informações simples, saíram do quarto e pararam no corredor.

— Eu não acredito que isso está acontecendo... – comentou o mais velho.

— Nem eu. Preciso comer alguma coisa antes que eu desmaie de vez. Me acompanha?

Concordando com o gesto de cabeça, os dois caminharam até a lanchonete que tinha no hospital. Jackson estava sem fome, então acabou aceitando simplesmente para ficar um pouco de tempo com o amigo e tentar entender como aquilo tudo era real.

— Ele vai recobrar as memórias, certo? – questionou em tom de preocupação ao outro que adoçava o café.

— Acredito que sim, pelo que você me disse, amnésia por ferimento costuma não ser permanente.

— Foi o que o médico disse.

— Então.

Mesmo com um profissional dando quase certeza absoluta de que seu amigo ficaria bem, não dava para descartar completamente aquele medo de que ele jamais se lembrasse novamente de quem ele era e de tudo o que viveram em todos aqueles anos. Claro que se caso isso acontecesse por algum motivo, ele jamais o abandonaria e conquistaria sua amizade mais uma vez, mas era horrível vê-lo tão perdido daquela forma.

— Vocês sabem que podem contar comigo para tudo o que precisarem, certo? – questionou Jinyoung, tirando o outro de seus devaneios paranoicos.

— Claro. – sorriu em resposta – Mas tem algo me incomodando...

— O que?

Todos pareciam atordoados demais com a volta do americano, e pela primeira vez Jackson parecia ser o único a conseguir ser racional.

— Se ele não se lembra de nada, não conseguiremos saber o que houve com ele. – comentou em leve desânimo.

— Vai por mim, depois da fase da depressão, o Jae agora vai se tornar o demônio em forma de gente. – comentou enquanto dava um gole no café – Anota o que estou dizendo, ele não vai descansar um segundo até descobrir o que houve. Claro que nós também estamos preocupados, mas você sabe como ele é.

— Isso ainda vai ser um problema dos grandes...

— Com certeza.

— Mas tem algo que não faz muito sentido. – incomodado, voltou a falar – Se ele foi sequestrado, por que é que ninguém nunca ligou pedindo resgate em todo esse tempo?

— Ele pode não ter sido sequestrado.

— Então se ele não estava com ninguém, o que é que ele estava fazendo?

— Quem disse que ele não estava com alguém?

— Mas se ele estava com alguém, iriam ligar pedindo dinheiro! Acorda Jinyoung!

— Tenho cara de detetive por acaso? Eu sei lá Jack, ele estava praticando trabalho escravo?

— O que? Enche a boca com comida que é melhor.

Revirando os olhos, o coreano preferiu não seguir com aquela discussão, afinal sabia que o amigo estava preocupado e não podia culpa-lo ou julgá-lo por se sentir daquela forma.

Acordar em um hospital sem saber o que é que estava fazendo ali, como fora parar ali e o que tinha acontecido antes, era uma sensação horrível. Aquele sentimento de não reconhecer a si mesmo, seus gostos, sua personalidade, sua história e sua vida, parecia criar um vazio dentro de si que era impossível ser preenchido por qualquer outra pessoa. Uma sensação de falta de identidade. Não ser alguém. Ver rostos desconhecidos e os escutar falar como se o conhecessem há anos, demonstrar amor, carinho e preocupação quando você mesmo não tem a mínima noção do motivo de tudo aquilo ou o que tais pessoas significam em sua vida o fazia se sentir mal consigo mesmo, por ter sido capaz de esquecer quem aparentemente lhe queria e o conhecia tão bem. Se sentir um ninguém, perdido, confuso e sem consideração estava torturando sua mente e o fazendo se sentir alguma coisa horrível. Não era nem tanto o cansaço físico que o colocava para baixo naquele estado deplorável, mas aquela falta de absolutamente tudo que deveria preencher sua vida. Com a perda de memória, não só suas lembranças pareciam ter desaparecido, mas sua vida e as cores que deveriam lhe preencher.

Enquanto se torturava em meio a pensamentos culposos, a porta do quarto se abriu novamente e aquele mesmo homem que fora lhe ver pela primeira vez tinha surgido. Jaebum se não se enganava. Ele aparentava estar receoso e preocupado como na primeira vez, e isso só aumentava a culpa irracional que nutria por si mesmo. Ele parecia se importar tanto consigo.

— Eu só vim avisar que eu não vou ficar aqui no quarto para não te incomodar, mas estarei no hospital durante a noite, então se precisar de qualquer coisa, fazer alguma pergunta ou querer alguma companhia, pode mandar me chamar.

Sua voz era tão suave e gentil que o fazia se sentir bem. Ele não conseguia reconhecer o rosto daquele estranho tão gentil e atencioso, mas algo dentro de si parecia o reconhecer ao menos que um pouco. Dava para sentir que ele era alguém especial para si, só não conseguia lembrar-se dos motivos daquilo. Infelizmente.

— Eu vou ficar bem, por favor, não se preocupe comigo.

— Pode ficar tranquilo, eu tenho certeza de que se eu for para casa, não vou conseguir descansar de qualquer forma, então prefiro estar por aqui. Vou me sentir melhor.

— Está bem...

— Boa noite.

— Boa noite e... Obrigado...

E com um sorriso que parecia ser extremamente verdadeiro e doce, o estranho saiu do quarto. Era ruim ficar sozinho ali, mas talvez ainda não estivesse pronto para aquilo, ou simplesmente quisesse um pouco de tempo sozinho para conseguir de alguma forma milagrosa colocar as coisas em ordem em sua cabeça e conseguir se recordar de tudo o que precisava. Claro que as coisas não eram tão simples assim e aquilo nem de longe estava funcionando, só estavam o deixando mais frustrado e o impedindo de dormir. Seria uma longa madrugada.

— Tem certeza de que não quer que a gente fique? – questionou preocupado o loiro.

— Absoluta. Vão e descansem. – respondeu Jaebum, sorrindo meio cansado aos dois.

— Nós podemos te fazer companhia...

— Eu vou me sentir horrível se vocês ficarem, sério. Não faz sentido ficarmos os três aqui sem fazer nada.

— Mas você também precisa descansar Jae.

Suspirando, o moreno passou os dedos pelos cabelos, os jogando para trás antes de voltar a encarar os amigos. Eles eram teimosos, mas não queria que ficassem ali, com certeza estavam exaustos.

— Olhem, eu não vou conseguir ficar em casa, até porque eu quero esperar os pais dele chegarem, então, por favor, vão e voltem de manhã.

Se entreolhando enquanto ponderavam aquilo, eles ficaram algum tempo pensando bem antes de concordarem e por fim se despedissem do mais velho, pedindo que tentasse ao menos comer alguma coisa enquanto estivesse ali. Não conseguiriam dormir naquela noite, mas Jaebum tinha razão ao dizer que não faria diferença alguma se os três ficassem, então a solução foi irem ambos para a casa de Jackson e ficarem lá conversando madrugada a fora enquanto a preocupação e as dúvidas os impediam de pregar os olhos.

Pela manhã, passado aquela confusão toda enquanto tentavam explicar tudo a Sr e Sra Tuan enquanto ambos de desabavam em lágrimas incessantes, o peso da realidade parecia ter despencado de vez encima de todos. Muitas coisas seriam diferente dali em diante e eles teriam que estar prontos para enfrentar tudo junto a Mark que mais do que nunca, iria precisar de apoio e compreensão.

A rotina incessante em encontrar meios de ajudá-lo a recobrar as memórias se misturaria com toda aquela investigação reaberta sobre o que é que tinha acontecido com o rapaz durante aquele um ano, sem contar no dia-a-dia de trabalho. Todos se dedicariam em tudo e se ajudariam em tudo, afinal, se já passaram por algo pior que era aceitar sua morte, conviver com sua volta e as mudanças que ela trazia não era nada demais. O desespero tinha ido embora e dado lugar a uma esperança. Uma esperança perdida em meio a tanta bagunça, mas que estava ali, viva junto ao americano.

Mesmo que o quarto estivesse agora bem movimentado por pessoas desconhecidas, Mark não podia negar que era uma sensação até mesmo boa a de ser abraçado e ter seus cabelos acariciados por sua mãe. A sensação de saber quem ela era e do quanto a amava era muito forte, e ainda que sua feição não lhe fosse familiar, seu coração sabia bem que não havia lugar melhor para star do que nos braços dela. Aquela sensação era assustadora, principalmente quando os rostos de seus pais se tornavam rostos misteriosos para si, mas era impossível não se sentir seguro e confiante próximo a eles. Os outros três também estavam se mostrando ser pessoas incríveis, sempre lhe dando espaço, tempo, sendo compreensivos e principalmente, oferecendo total apoio. Dava para entender facilmente como é que eles eram seus amigos, pois não podia estar mais feliz em saber que mesmo que não os conhecesse, tinha sido sábio o suficiente para manter próximo a si durante sua vida, três amigos que logo de cara demonstraram ser tão incríveis como naquele momento. E isso o fazia temer ainda mais que suas lembranças não retornassem e ele jamais conseguisse se lembrara de como as coisas tinham sido com eles por perto e de tudo o que tinham passado, e que pelo jeito, pelo menos com dois deles tinha durado vários anos.

O choro que estava preso em sua garganta naquele momento, também dedurava que aqueles eram de fato seus pais e aqueles com quem ele se sentiria seguro enquanto perdido naquele sentimento estranho de estar perdido e não ser ninguém.

— Eu prometo que nada mais vai te fazer mal meu amor. – a mulher dizia entre lágrimas enquanto deixava um beijo no topo de sua cabeça.

— E nós descobriremos o que houve. – inteirou o homem que também passava a mão por seus cabelos e tentava fortemente segurar o choro.

Logo a porta abriu e o médico adentrou o quarto acompanhado de um policial. Claro que ele iria ter que dizer do que é que se lembrava, afinal, pelo que tinham lhe dito, tinha estado desaparecido por um ano. Aquela informação sempre fazia com que seu estômago desse um nó. Algo tinha acontecido consigo durante doze meses e ele não fazia ideia do que era. Onde estava? Com quem estava? O que fizeram consigo. Era claro que Mark queria descobrir tudo aquilo ao se lembrar de tudo, no entanto, não podia negar que também estava com certo medo de descobrir a verdade.

— Bom dia, como se sente? – o homem de jaleco lhe perguntou sorridente.

— Bem, pelo menos fisicamente. – respondeu forçando um sorriso de volta.

— Isso é ótimo. Só mais um dia aqui e eu já posso lhe dar alta, só quero ter a certeza de que está hidratado novamente e que tudo está ok.

— Tudo bem.

O ambiente hospitalar não era agradável e ele estava curioso para ver como era sua casa, mas não podia reclamar e nem iria. Conseguiria passar mais um dia ali. Foi a vez de o policial dar um passo a frente e se fazer presente ali.

— Olá Mark, eu sei que não você está com amnesia, mas eu preciso perguntar se não há nada que se lembre, mesmo que de forma vaga, para que possamos prosseguir com as investigações.

— Sinto muito, mas eu realmente não consigo me lembrar de nada.

— Está certo, então quando você conseguir recordar de qualquer informação, por menor que seja, nos procure, está bem.

— Claro. Obrigado senhor.

As coisas ainda eram confusas em sua cabeça, e de certa forma desesperadoras, mas tinha de manter a calma. Aquela noite tinha sido um pouco melhor, pois a presença dos pais no quarto trazia uma sensação doce de estar protegido, permitindo que seu corpo descansasse melhor, o que foi de extrema utilidade já que no dia seguinte ele finalmente estava livre para poder explorar suas coisas e tentar recuperar aquilo que fora tirado de si. Enquanto saía do quarto após ter terminado de se vestir em roupas que lhe trouxeram, saindo do quarto, Mark pôde ver Jaebum conversando com seus pais, até que notasse sua presença, lhe lançasse um sorriso e fosse embora. Ele lhe intrigava.

— Vamos?

Assentindo e sorrindo, caminhou até o estacionamento e em alguns segundos, viu o carro parar em frente a uma casa de tamanho médio, mas aparentemente confortável. Era estranho não sentir aquela sensação de estar em casa ao pisar dentro de onde costumava morar, mas não deixaria aquilo lhe abalar.

— Fique a vontade para explorar o que quiser querido. – a mulher lhe disse enquanto passava por si lhe acariciando o braço.

Deu alguns passos, girando e observando tudo ao seu redor. Queria mais do que tudo se sentir em um lar ali, mas até mesmo aquilo fora arrancado de si. Todos lhe diziam que suas memórias voltariam, mas estar preso naquilo por um tempo indeterminado estava longe de ser algo fácil de suportar. Seu sofá, sua televisão, sua mesa e nada de fato parecia lhe pertencer.

Respirando fundo e tentando se manter forte, o americano caminhou até onde sua mãe tinha ido, provavelmente sendo lá seu quarto. Ao passar pela porta, acabou franzindo o cenho ao se deparar com o cômodo quase vazio. Os móveis estavam lá, mas não tinha roupas e nem decoração. Nada que indicasse que alguém morava ali. Estranhando a situação, ele deu alguns passos enquanto os olhos curiosos pareciam procurar qualquer coisinha, até que encontrasse uma foto colada na porta do armário aberto. Pegando em mãos e a observando, notou que era a si mesmo, com os cabelos tingidos de vermelhos. Aquela cor era bonita, talvez pintasse novamente. Mas o que chamou sua atenção realmente foi o fato de não estar sozinho, mas sim, estar abraçado aquele mesmo homem que tinha ido lhe visitar antes de todos.

Tentando ligar as peças, ele se sentou na cama enquanto sua mãe estava ocupada tirando algumas peças de roupa de dentro da mala que tinha trazido e as colocava sob o colchão. Ele não sabia de onde tinha vindo aquela mochila e nem porque tudo estava vazio. Muitas coisas não faziam sentido.

— Eu não morava aqui? – questionou confuso, levantando a cabeça para observá-la.

— Morava sim, mas como você estava prestes a se mudar, o Jae levou suas coisas para o apartamento de vocês. – ela respondeu calmamente.

Era estranho a forma que ela falava, como se tivesse a certeza de que ele sabia de algo que aparentemente ele não tinha conhecimento. Algo estava faltando ali. O que não lhe disseram?

— Nosso apartamento? Jae?

— Jaebum, ele estava no hospital.

— Meu amigo? Eu iria morar com ele?

Com o cenho franzido ao achar que ele já estava a par de tal informação importante, a mulher soltou o que fazia e o olhou.

— Amor, o Jaebum era praticamente seu noivo? Ele não te contou?

Noivo? Ele tinha um noivo? Aquela informação parecia ter explodido um monte de coisas em sua cabeça. Ele estava em um relacionamento? Por que é que Jaebum tinha lhe dito que era seu amigo? Eles iam morar juntos? Ele tinha conseguido se esquecer de alguém tão importante. De repente um sentimento horrível de culpa lhe preencheu e ficou impossível decifrar todo o resto que estava sentindo. Com o olhar chocado ele voltou a encarar a foto presa em suas mãos trêmulas. Como tinha se esquecido de alguém que aparentemente amava tanto?


Notas Finais


Não me matem plmdds! Amo vocês sz


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