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História Be Mine (CHANLIX - CHANBIN) - Capítulo 10


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Capítulo 10 - Fracture


Fanfic / Fanfiction Be Mine (CHANLIX - CHANBIN) - Capítulo 10 - Fracture

──⊱❦⊰──

- Bom dia, Chan hyung! - Felix cumprimenta com esse sorriso largo que fazem seus olhinhos brilharem.

- Bom dia, bebê. - Respondo ainda atordoado, tentando manter o sorriso nós lábios. - Por que veio tão cedo…? - Pergunto abrindo mais a porta para que ele entre, trazendo consigo as sacolas que carrega. Pego algumas para ajudá-lo e logo percebo que são frutas e verduras frescas. Pouso as sacolas no balcão da cozinha me perguntando porque sinto minhas mãos suarem.

- Ontem você não saiu muito contente lá de casa... Então imaginei que fosse algo sério. Liguei algumas vezes mas você não atendeu. - Agora Felix me lança esse olhar estreito enquanto aperta os lábios num bico. Deixando claro que essa foi uma acusação e que ele não ficou contente. Culpa me atinge, e eu pigarreio me afastando com o pretexto de pegar uma bacia para a carne. - Dei uma passadinha aqui ontem mas fiquei com medo de te acordar então desisti e fui embora.

- Ontem? - Meu coração martela dolorosamente e eu fecho os olhos respirando fundo, ciente de que estou a beira de um dilema. A verdade é que nos últimos dias tenho tido essa sensação de que fiz coisas que não devia, graças a Felix, e uma delas está definitivamente potencializada.

Dormir com Changbin sempre me deixa mal no dia seguinte, mas hoje a possibilidade iminente de isso vir ao conhecimento de Felix deixa tudo pior.

- Sim, a luz estava acesa. Você deve ter desmaiado mesmo. - Ele diz quase distraído enquanto arruma as compras na geladeira. Então seu olhar recai em meu corpo semi nu, e ele abre um sorriso ladino. - Se você tem a mania de acordar assim, virei todas as manhãs te alimentar, Channie-sshi.

Reviro os olhos indo até meu quarto a fim de buscar uma camisa e só me dou conta do erro quando escuto o rosnado de Holly aos meus pés.

Changbin está aqui. Felix também.

E o idiota semi nu aqui fez o encontro acontecer.

Me viro lentamente sobre os calcanhares, e vejo Felix parado feito uma estátua. Seus olhos arregalados estão fixos na cama onde Changbin ainda dorme, coberto apenas pela coberta que joguei de qualquer jeito. Eu passo a mão pelo rosto por puro nervosismo enquanto o garoto empalidece.

- Ah. Não sabia que vocês eram… Eu não devia ter vindo. - Felix balbucia e faz menção de se afastar mas tropeça em Holly e eu o apanho para que não caia no chão. Com esse toque percebo o quanto ele está quente e trêmulo.

- Ei… Você está bem? - Pergunto tocando seu rosto, mas ele afasta minha mão com um tapa. Então se coloca em pé descartando a minha ajuda, fecha os olhos e respira fundo antes de voltar a me encarar.

- Não queria atrapalhar nada. Desculpe a invasão.

Felix dá um aceno formal e se afasta. Eu o sigo tentando segurá-lo mas ele se solta todas vezes, se recusando a me encarar enquanto profere repetidas vezes.

- Não é da minha conta, Christopher. Eu não ligo. Só me deixe ir embora.

- Felix… Não é… Ei… Me escuta! - Acabo gritando, atraindo seu olhar assustado. Solto seu pulso e passo a mão por meus cabelos. - Me escute? Está bem?

- Christopher, você não me deve satisfação. - Ele sibila nesse tom que está muito além de mau humor. Não, muito mais que isso, ele está verdadeiramente chateado. Ouso dizer que até magoado quando completa. - Não somos nada.

- Opa. Bom dia, belezinhas. - Changbin cumprimenta, felizmente vestido com uma calça e uma regata. - Espero não ter estragado o rolo de vocês.

- Binnie, por favor. - Esse idiota vai ferrar ainda mais as coisas. - Vá dormir mais um pouco.

- Sozinho não. A cama é fria.

- Changbin. - Sibilo em tom de aviso.

Cubro meus olhos grunhindo com impaciência e esse mínimo instante de crise basta para Changbin fazer seu movimento. Ele se aproxima de Felix o analisando de perto, abrindo um sorriso malicioso.

- É mesmo uma gracinha. - Diz erguendo a mão para lhe segurar o queixo, mas me adianto o afastando com um tapa.

- Changbin saia de perto dele. - Sibilo.

Seu olhar intenso se demora em Felix para enfim voltar a me encarar.

- Você sabe que nunca tivemos nada. Deixou isso claro para ele? Facilitaria muito. - Diz nesse tom preguiçoso que me faz sentir o mesmo sabor amargo se espalhar pela boca.

Ouço os passos de Felix quando ele cambaleia, caindo sentado no pequeno sofá e suspiro com impaciência me lançando na poltrona ao lado.

Conheço Changbin o suficiente para saber que ele está fazendo isso numa tentativa de ajudar, porque na sua cabecinha deixar claro que ele e eu não temos nada não preocuparia Felix. Obviamente ele não sabe que isso tem o efeito contrário e sinto a dor intensa no peito a cada palavra. 

- Sim, não temos nada. - Digo em meio ao riso amargo. - É por isso que não me deve satisfação. Certo? - Changbin concorda. E eu enterro meus dedos em meus joelhos, pressionando as unhas dolorosamente enquanto deslizo meu olhar para Felix que parece prestes a chorar e eu nem sei porque.

- Ouviu isso? Amigos que transam são assim.

Algo por tanto tempo mantido preso escapou. Sinto as barragens ruirem uma a uma, ouço o rugido do mar dentro de mim se rebelar contra todas as paredes do meu coração. Eu vou quebrar. Eu vou quebrar.

- Amigos que transam não devem esperar satisfações do outro. Não devem ficar chateados quando o vêem com outro. - Anuncio para mim mesmo enquanto encaro o espelho atrás de Felix. - Porque são só amigos.

A última frase basta para Felix se levantar com vergonha e lágrimas e sair correndo para fora do quarto e do apartamento. Desta vez não o impeço. Vejo Changbin hesitar, lançando um olhar preocupado para o loiro. Mas permaneço ali, encarando o espelho e minha imagem patética refletida. Se Felix estava começando a gostar de mim isso acabou hoje. Como deveria ter sido após a primeira vez.

Não há reciprocidade para mim, Bambam. A pessoa que amo não me ama. E está na hora de por um fim nessa bagunça.

- Por que foi tão duro com o garoto? Vocês não estavam juntos? - Binnie me pergunta sentando ao meu lado. - Foi por minha causa? Quer que eu converse com ele?

- Não foi ele. Fui eu. - Digo desviando meu olhar para os olhos escuros de Changbin, suas sobrancelhas contraídas e sua expressão confusa. - Foi por minha causa.

- Não estou entendendo…

- Porque eu fui o único que se machucou esse tempo todo. O único que sentiu sozinho isso. - As lágrimas começaram a escorrer, deixando Changbin aflito.

- Channie… O que foi? Você não está dizendo coisa com coisa. - Ele guia suas mãos ao meu resto, coletando as lágrimas, então toca meus ombros nus, apertando-os desajeitamente. - Relaxe primeiro, ok? Quer um chá?

Nego em silêncio então seguro seus pulsos, voltando a encará-lo.

- É porque eu gosto de você. - Digo finalmente, após todos esses anos. - Eu amo você, Changbin.

Seu rosto passa de surpreso para aflito, então vejo dor refletida e sei o que virá a seguir. Sei porque foi justamente isso que me impediu de fazer essa confissão antes. Changbin não consegue se apaixonar e o fato de ser o único assim sempre o feriu. Esses olhos brilhantes que jamais vertem lágrimas são a prova mais pura de uma dor que poucos sentem. Uma dor tão cruel que sequer pode ser descrita.

Changbin se culpa por não poder amar. Seu coração se fere todas as vezes que precisa rejeitar as confissões de amor. Ele sente dor sempre que percebe que é diferente e que por ser assim ninguém é capaz de entendê-lo. Por esse motivo o chamam de puto e frio. Mas ele sente, ele sente dor, e culpa, e frustração.

- Channie… Eu não posso…

Ele não pode chorar. Não pode se apaixonar.

Changbin não pode me amar.

- Eu sei, Binnie. - Digo tocando sua testa com a minha, engolindo o choro para outra hora. - Eu sei. Só precisava colocar pra fora. Desculpe por te dar essa dor. Mas você é meu amigo mais importante, e isso não vai mudar.

- Chan… Desculpe… Eu não sabia… Te machuquei também, não foi? Todo esse tempo?

- Isso é coisa minha. - Digo baixo, sentindo a dor no peito quase insuportável. Changbin tem esse lado bom, que o faz ceder todas as suas proteções e guardas diante de alguém que ele realmente se importa. Todo esse cuidado que ele está assumindo agora quase o torna outra pessoa.

Como foi na noite anterior ao largar a festa na praia e suas orgias para vir ao meu encontro. Como deixou tocando "I like me better" mesmo que não goste de Lauv. E como deixou que o abraçasse porque sabe que só durmo assim. São provas singelas que ele dá, todos os dias, e que deveriam ser suficientes. Eu que passei a desejar mais e quando vi que é impossível, comecei a cultivar minhas próprias dores e frustrações.

Quando a doçura te machuca é um caminho sem volta. E a doçura de Changbin agora é o que mais me machuca.

Porque sei que não posso odiá-lo, nunca foi culpa dele. Mas tampouco consigo frear essa dor intensa que me corta em pedacinhos. Porque hoje ficaram claras duas coisas para mim, que Changbin jamais conseguirá me amar e que nessa minha investida egoísta eu machuquei Felix.

Vai ficar tudo bem, penso repetidas vezes como um mantra. Vai ficar tudo bem, tal como tem sido todos esses anos. Nada vai mudar, exceto eu. Precisarei reaprender a ver Changbin apenas como um amigo, a não ceder as recaídas. A seguir em frente.

Então fecho os olhos para afastar as lágrimas e pouso um beijo casto em sua testa. Apoio minha cabeça sobre a sua apenas o tempo necessário para controlar a voz que insiste em falhar. Então me afasto com o melhor sorriso que posso dar nesse momento.

- Não pense mais nisso, Binnie. Nós somos amigos, ainda sou pai do Holly. Apenas... Preciso de um tempo. - Ele concorda ainda com a expressão aflita e eu completo. - Ainda somos amigos, Sei Changbin. Só preciso me lembrar disso.

- Certo, como preferir Canguru. Desculpe... - Ele se aproxima me puxando para um abraço desajeitado que faz meus lábios estremecerem. Changbin está me abraçando. - Desculpe por não poder retribuir... Vou te dar o tempo que precisar, mas... Não lute sozinho. Eu posso... Quer que eu chame o Yugyeom? O Bambam?

Eu nego com a cabeça e ele se afasta. Limpo a garganta antes de me levantar.

- Você tem que ir trabalhar, melhor se apressar.

Changbin sorri fraco, e bagunça meus cabelos ao também se levantar.

- Você tem um final de semestre pesado pela frente, vou te deixar focar nisso. - Então vai até o banheiro, voltando pouco depois já sem camisa, com a toalha sobre os ombros. - Ah. Esqueci de te contar, consegui passar na primeira fase daquele programa. Vou ficar mais focado nisso daqui pra frente. Mas… Você sabe. Do que precisar, eu estou aqui. Especialmente se envolver coquetéis molotov.

Jogo um travesseiro em sua direção ao qual ele esquiva com facilidade e rindo se tranca no banheiro.

Então me jogo na cama e cubro os olhos com o braço, sentindo o nó na garganta não se desfazer. Não sou do tipo que chora com frequência, tampouco perto de alguém. Mas acho que hoje foi meu limite, e ouso dizer que ainda estou frágil demais. Praguejo afastando as lágrimas teimosas e visto uma roupa qualquer. Pego minha mochila e deixo um bilhete para Binnie, avisando que saí primeiro.

A princípio eu não tinha lugar algum em mente, mas quando dei por mim estava parado diante da My Pace, encarando a porta fechada.

- Hoje é domingo, seu idiota. - Murmuro para mim mesmo.

Um suspiro derrotado me escapa e decido pegar o caminho para a biblioteca no centro da cidade. Quando voltamos para a Coreia depois dos anos na Austrália precisei me adaptar ao idioma então passava horas naquele lugar. Era meu refúgio sempre que eu precisava fugir dos meus pais e de toda a pressão daquela casa. E apesar de ser distante, eles nunca criticaram. Afinal eu ia lá para estudar.

Gasto os minutos seguintes ouvindo uma playlist qualquer enquanto estou no ônibus, o tempo todo dividindo minha atenção com a paisagem fora da janela e a tela do meu celular. Meus pensamentos estão dispersos demais e não consigo me concentrar em nada, no entanto sei que sinto essa inquietação. Algo está fora do lugar e nem me refiro somente ao meu emocional de merda, minha vida de merda ou a situação de merda. É outra coisa.

Talvez eu esteja preocupado com o Felix.

Ele ao menos chegou em casa?

Eu deveria tentar telefonar?

Bloqueio a tela desistindo de encarar a foto do gato de botas que usei para salvar seu contato, então fecho os olhos e recosto a cabeça na janela, rezando para que essa bola de caos que sou não cause mais nenhuma vítima.

°°°

Em algum momento eu dormi, e quando acordei totalmente atordoado, já havia passado a muito do meu ponto. Na verdade o ônibus já estava fazendo o retorno, felizmente. Pior seria acordar no ponto final e ter que voltar bons quilômetros andando até encontrar outro ônibus com uma rota semelhante.

Desço num ponto próximo à biblioteca, mas incapaz de ir até ela devido ao horário. Aos domingos ela não funciona após as 15 e já passam das 17. O friozinho do final da tarde me causa arrepios, me fazendo praguejar por não ter vestido roupas mais quentes ou trazido outra blusa. Até cogito comprar uma blusa então paro diante de uma vitrine decidindo se seria uma opção boa. Enquanto debato mentalmente com minha carteira e me encolho de frio, vejo uma figura familiar perambulando pela loja.

Com um sorriso entro na loja e vou até Ryujin.

- Então a poderosa Shin também gosta de fazer compras como uma adolescente normal? - Pergunto em tom brincalhão enquanto me aproximo.

Ryujin se assusta, arregalando os olhos antes de praguejar baixo demais então revirar os olhos voltando a se concentrar na arara de blusas.

- Christopher, agradeça por estarmos em um lugar público ou eu te mataria. - Diz em tom preguiçoso e uma expressão indecifrável que me causam certo bug mental. Isso foi...

Dedico minha atenção na arara ao lado apenas para me manter ocupado, enquanto Ryujin seleciona mais algumas peças e entrega para a vendedora. Ela dispensa a mulher com um pedido educado então para diante de mim com os braços cruzados.

- E então? O que aconteceu?

- Sobre? - Pergunto ainda distraído com as blusas.

- Cristopher. - Ergo meu olhar e encontro ela me encarando com os lábios apertados. - Não somos próximos o suficiente para… Você sabe… Fazer compras juntos e essas coisas. E para você não estar incomodado com isso é porque tem outra coisa te incomodando de verdade. - Ela pondera por alguns instantes então ajeita uma mecha do cabelo atrás da orelha. - Foi por causa daquela reunião? Eles… Trouxe problemas pra você?

Deixo meu olhar recair em qualquer ponto da loja apenas por não saber formular uma frase que explique que aquela reunião foi apenas a ponta do iceberg. Estou ignorando propositalmente todas as mensagens dos meus pais, as chamadas da minha mãe e do seu secretário. Estou ignorando o fato do meu coração estar em pedaços e de eu ainda precisar ir trabalhar hoje a noite. Também estou ignorando precisar colocar tudo isso pra fora porque não tenho mais com quem me abrir.

Não que Bambam não seja uma opção, mas sei que a revolta dele vai ser maior que o seu desejo por me consolar e ouvir um discurso sobre o quanto eu fui (e sou) idiota e me afoguei nesse lodo de merda sozinho não me atrai. Não hoje. Não agora.

- Eu só estou com a cabeça cheia. - É o que respondo dando de ombros. Então pego uma blusa qualquer e me dirijo ao caixa.

- Não vai provar? - Ryujin pergunta ao me seguir.

- É só por causa do frio.

- Cris-…. Chan, você pegou uma blusa feminina. E não seria problema algum, eu juro mas... O tamanho… Não vai te servir.

Desço meu olhar para a blusa vermelha com morangos cor de rosa e ao erguê-la diante dos olhos percebo que peguei uma tamanho P. De fato minúscula para mim. Uma das vendedoras ri baixinho enquanto a moça em um dos caixas tenta fazer o possível para segurar o próprio riso. Eu sinto minhas bochechas corarem, me livrando de qualquer frio, então marcho de volta para as blusas largando a peça e logo dando o fora.

- Vou esperará lá fora. - Murmuro antes de sair apressado pela porta sem esperar resposta alguma.

Me recosto na parede, fechando os olhos e mirando a cabeça para cima. Respiro fundo, forçando esse misto de sensações garganta abaixo. Algo está errado comigo. Mais do que o normal. Estou disperso demais, inquieto.

- Vista isso. - Ryujin diz me estendendo uma nova blusa, dessa vez um moletom grande.

- One ok rock? - Questiono ao reconhecer o logo no moletom preto e Ryujin me lança um olhar afiado.

- Se disser qualquer coisa eu vou te enforcar com ele.

Uma risada completamente imprevisível me escapa, me fazendo derramar lágrimas durante todo o processo de vestir a peça e correr atrás de Ryujin que por vergonha me deixou para trás.

- Ei. Eu gostei, de verdade. - Insisto quando já estamos no carro guiado por seu motorista. - Só fiquei surpreso pela escolha. Não achei que muitos conhecessem essa banda, especialmente você.

- Eu gosto de jrock. - Ela diz ainda emburrada. - E de animes.

- Que eu saiba eles não fizeram nenhuma oppening.

Ryujin suspira e revira os olhos, se encolhendo ainda mais no banco, novamente me fazendo rir. Um silêncio se prolonga enquanto eu miro a paisagem, lutando contra essa dor crescente.

- The Beggining e we are. - Murmuro atraindo sua atenção. Eu a miro pelo reflexo no vidro, abrindo um sorriso pequeno. - Especialmente We are. É a favorita do Binnie, e uma das poucas coisas que temos em comum.

Ainda me lembro da primeira vez que discutimos por causa de música e na luta entre colocar alguma, acabamos descobrindo que ambos gostávamos do vocal do Taka. Binnie sempre gostou de músicas mais intensas e dark vibes então foi uma surpresa saber que ele gostava tanto de uma música tão melódica e emocional como essa. Também foi uma surpresa e tanto ouvir ele cantando pela primeira vez.

Binnie sempre fez rap, mas em raras ocasiões cantava músicas assim. Geralmente só fazia isso no chuveiro ou quando achava que eu estava dormindo. Vê-lo cantar claramente naquele dia me deixou totalmente admirado, como seu eu tivesse diante de um evento único, algo especial entre Changbin e Bang Chan. Eu gostei daquilo. E foi a partir dali que perdi o controle dos meus sentimentos.

- Binnie… É ele, não é? O cara que você… - Eu fecho os olhos dando um aceno breve e Ryujin se aproxima de mim, pousando sua mão sobre a minha. - Você quer conversar?

Novamente fico em silêncio, e ela não insiste. Não me cobra, não me apressa. Seguimos assim até ela dizer outra rota pro motorista e só volto a abrir os olhos quando ela me chama.

- Vamos beber alguma coisa. - Diz com um sorriso travesso e eu aperto as sobrancelhas ao mirar o prédio.

- Ryujin, você é de menor. - Digo mesmo quando ela me puxa para fora do carro me levando até as portas do bar.

- Foi meu presente de dezoito anos. No ocidente sou adulta. - Dá uma piscadela e entra o lugar recebendo cumprimentos formais de todos os funcionários sem qualquer pingo de confusão ou surpresa.

- Com que frequência você bebe aqui, criança coreana que é adulta na América?

- Não seja tão cínico. - Ela sibila me dando um tapa, o que realmente me surpreende. Quanto mais tempo passa, mais eu percebo que ela não parece em nada com as garotas típicas do nosso círculo. Agora mesmo, vendo-a se sentar de qualquer jeito no balcão e pedir algo pro barman num gesto preguiçoso eu só consigo pensar em como ela consegue sobreviver sob as presas do pai.

- Você vai mesmo beber? - Insisto verdadeiramente preocupado quando os drinks estão diante de nós.

- Não. Você vai. Hoje sou a companhia sensata que vai te ouvir e te mandar pra casa em segurança. - Embora diga isso, beberica de sua taça que logo eu pego de sua mão.

- Então nada de bebidas, companheira sensata. - Ela revira os olhos e estende a mão, arqueando as sobrancelhas numa exigência muda. - Não. - Insisto novamente, e ela revira os olhos.

- Ravi, faça as honras. - Ela diz tamborilando as unhas no balcão. Diante da minha confusão ela abre um sorriso torto e logo entendo o porque, pois logo recebo um tapa no topo da cabeça.

- É suco de morango. - O tal Ravi profere em tom preguiçoso, entregando a taça de volta para Ryujin que está rindo.

- Ah. Desculpe. - É o que genialmente digo antes de me concentrar na minha dose. Minha garganta vibra com a sensação ardente característica de uma dose intensa de álcool e eu faço uma careta para o sabor amargo. - Gim?

- Eu pedi tequila mas o Ravi disse que tava cedo demais.

Encaro o copo vazio por uns instantes, então abro um sorriso malicioso. Que mal faria?

- Ravi, eu quero começar cedo hoje. - Dou batidinhas na mesa, usando o copo para marcar o ritmo enquanto cantarolo. - Sal, tequila, limão. 

⊱❦⊰


Notas Finais


A autora se encontra em crise existencial porque ainda ama o Chan mas quer esfolar ele no asfalto. Ama o Changbin mas também quer esfolar ele no asfalto. Ama o Lix e quer tirar ele desse mundo que não o merece. E ama Shin Ryujin rainha deusa zero defeitos.

Nessa fic todos são trouxas. E bem... MOA's stans... Preparem o coração que tem merda a caminho.

Alguém que curte um jrockzinho? Eu amo One ok rock com todas as minhas forças. Ia colocar Uverworld mas as letras de We Are e The Beggining são simplesmente tudo pra mim. Quem não conhece recomendo hein.

A quem quer explodir a autora com um molotov devo dizer: calma gente, é long fic. Sim o Lixie tá sofrendo e sofrerá horrores mas a aclamação virá e eu não vou deixar o coitadinho sendo pisado pelo Chan eternamente não. Vai ter troco, eu garanto.
Está me ouvindo Christopher? VAI TER TROCO.

Lágrimas e sofrência é minha marca registrada, eu juro que tento amenizar mas é mais forte que eu. Só flui assim.

Bem, preparem o cházinho para a próxima att.

Inté 💙


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