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História Be Mine (CHANLIX - CHANBIN) - Capítulo 22


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Capítulo 22 - Fix You


Fanfic / Fanfiction Be Mine (CHANLIX - CHANBIN) - Capítulo 22 - Fix You

───⊱❦⊰───

Mesmo uma pessoa de sorte já passou por ao menos uma experiência em que sentiu sua vida correndo aquele risco verdadeiro que te faz pensar "uau, essa foi realmente por pouco". Se ainda não passou por isso, vai passar. É um fato. É humano. Algumas, no entanto, tem a infelicidade de passar por esse risco mais vezes que outros. Eu por exemplo já passei por exatos três.

A primeira experiência do que posso chamar de "quase morte" foi ainda na infância, quando fui arrastado por uma onda e quase morri afogado. A segunda vez veio na adolescência depois de acidentalmente beber um drink erroneamente batizado e ficar hospitalizado por uma semi overdose. A terceira tem a ver com algo que jamais imaginei ser perigoso: sorvete e um filhote.

Minha vida está nas mãos do meu quase futuro namorado e de seu melhor amigo. E não pela primeira vez, Seungmin está me encarando com esse olhar intenso de quem me vê como uma presa enquanto segura uma faca. Uma faca grande demais para minha segurança, vale-se dizer.

- O que você vai fazer sobre isso, Bang? - O dito cujo profere em tom inquisitivo. - Tem sorvete pelo apartamento inteiro.

- Eu disse que vou limpar-

- Acha mesmo que vou te deixar perambulando por aqui? Depois de tudo o que fez com o Yongbokie?

Me remexo completamente desconfortável. Meus joelhos já estão doloridos mas não ouso me levantar, então apenas passo a mão na minha nuca, inclinando a cabeça.

- Eu já pedi desculpas sobre isso. E esse é um assunto que diz respeito a mim e ele. - Vejo as narinas do ruivo se dilatarem e ele aperta o cabo da faca com mais força. Wow wow, abordagem errada. Ergo as mãos em rendição. - Okay. Enfim... Eu posso ajeitar a bagunça mas preciso de um tempo aqui. Isso seria bem mais rápido se você me deixasse começar logo.

- Não vai fazer nada antes de dar um banho no meu filho. - Felix diz irredutível. - E nós ainda precisamos conversar. A sós. - Ele lança um olhar para Seungmin e os dois tem alguma conversa profunda nessa troca de olhares, até que por fim o maior suspira e volta para a cozinha sem dizer mais nada.

- Felix... Eu já posso me levantar? Você sabe, sem ter uma faca apontada contra meu pescoço e tals...

- Você não percebeu ainda o problemão que tem em mãos, não é mesmo?

- O qu.. O quê? Eu já pedi desculpas!!!

Levanto logo sentindo minhas pernas então praguejando enquanto massageio precariamente até me recuperar. Paro diante de Felix e coloco minhas mãos em sua cintura.

- Não fica bravo, bebê.

- Bravo? Eu estou puto, Christopher.

- Pela sujeira? Apenas por isso? - Questiono contrariado. Não posso negar que já estou começando a me irritar com todo esse drama. É apenas sorvete.

- Se o Minki tivesse comido todo esse sorvete não teria ninguém para cuidar dele em casa. Consegue imaginar o quão preocupado eu fiquei assim que recebi a ligação do Seungminie? Ele disse que tinha sorvete por todo lado! E se meu filho tivesse comido e passado mal?!

- Ah. - Aperto os lábios, agora plenamente consciente do que o deixou tão transtornado. - Desculpe, bebê. Não pensei nisso.

- Não. Não pensou. - Ele faz aquela careta que me lembra um emoji, fazendo um beicinho e tudo. - Meu primeiro presente está arruinado.

- Oh? O que é isso? - Abro um sorriso travesso tocando seu rosto. - Ficou chateado por causa do sorvete desperdiçado?

- O que você acha? Era de morango. - Ele responde como uma criança emburrada e eu rio, abraçando-o.

- Eu te compro outro. Não fique assim.

Ele me abraça de volta, e suspira. Sinto seus dedos apertando minha blusa e após alguns segundos de hesitação ele continua.

- Eu amei o gatinho. - Diz baixinho, me pegando de surpresa porque achei que ele sequer tinha visto o pequeno bichinho de pelúcia.

- O Minki não destruiu ele?

- Não... Meu filho nem deu bola. Achei ele dentro da sacola. Parece que o sorvete lhe chamou toda a atenção.

- Não sujou? - Pergunto assim que ele se afasta indo até o quarto. O acompanho e encontro o gatinho que comprei mais cedo sobre a cama, em meio aos travesseiros.

- Nadinha. Foi muita sorte. - Ele diz abraçando a pelúcia e abrindo um sorriso adorável. - Obrigado, de verdade. Mas você precisa dar um banho no meu filho, por favor.

Suspiro fundo e retiro o casaco, deixando-o sobre a cama. Dobro as mangas da minha blusa e finalmente vou para o banheiro onde Minki está fechado desde que o incidente foi descoberto. Mal entro no cômodo e já ouço seus latidos frustrados.

- Já ouvi a bronca do seu pai, pequeno. Então vamos só acabar logo com isso hum? - Digo lhe afagando as orelhas.

Felizmente o banho ocorre sem nenhum novo incidente já que somos velhos conhecidos. Os dias na Magic valeram a pena. Ao fim, tenho um Minki novinho em folha perambulando pelo quarto do Lix enquanto eu limpo a sala e a cozinha.

Mas é claro que um desfecho tão ordinário assim não cairia ao gosto dos deuses que tanto me odeiam, então obviamente eu recebo uma ligação daquela que menos gostaria que lembrasse da minha existência.

- Christopher Bang, esqueceu o caminho de casa? Devo enviar algum dos seguranças do seu pai para buscá-lo?

- Não, Sra Bang. Já estou a caminho. Só precisei resolver umas coisas primeiro. - Respondo massageando a têmpora nesse meu gesto recorrente.

- Apresse-se. Precisamos conversar.

Não estou nenhum pouco animado sobre essa conversa (que certamente não será conversa alguma mas sim uma nova intimação seguida de um esporro). Eu conheço a Sra Bang o suficiente para saber que esse tom controlado resguarda uma ameaça iminente. Talvez eu deva ligar para Changbin e pedir aqueles molotov.

Visto meu casaco e saio do quarto, encontrando Felix na cozinha, ajudando Seungmin a terminar o jantar.

- Você queimou as cebolas. - Felix reclama em tom acusatório.

- Eu estava enrolando os bolinhos! Você que devia estar de olho nas panelas. - O outro devolve.

- Eu cortei as cebolas porque você não sabe usar uma faca, então é óbvio que era tarefa tua cuidar do refogado. Era só dar uma mexida com a colher e desligar antes de queimar!

- Err... Felix? Eu preciso ir-

Os dois interrompem a troca de reclamações para me direcionar toda a irritação acumulada. Ah, nada como um inimigo em comum para fortalecer uma amizade, não é mesmo?

Até Minki sentiu a tensão no ar e saiu correndo de volta para o quarto. Como não tenho quatro patas, (tampouco a habilidade de desaparecer como fumaça), me resta abrir um sorriso nervoso, acenar e caminhar até Felix, pegando sua mão e puxando-o para que me acompanhe. Seungmin continua arisco com minha presença então não lhe dou mais do que um aceno breve, rezando para que ele me dê dois minutinhos a sós para falar com Felix.

- Bebê, eu preciso ir agora. - Digo quando já estamos na porta do apartamento. - Vou te mandar mensagem mais tarde, okay?

Sua expressão irritada de desfez por completo e agora identifico algo como chateação. Ele abre um sorriso pequeno, mas seus olhos refletem essa tristeza que eu conheço bem. Porque certamente é a mesma que devo estar exibindo.

Suspiro, envolvendo-o num abraço que ele facilmente retribui. Aspiro seu cheirinho de bebê e afago seus cabelos.

- Já estou com saudades. - Confesso baixo, lhe tirando um suspiro.

- Eu também. - Ele responde me dando um selinho. - Vou te ver amanhã?

- Não sei, bebê. Tenho que resolver umas coisas. - E possivelmente estarei encrencado com a Sra Bang mas ele não precisa saber desse detalhe. - Mas vou tentar.

Ele acena fracamente, meio resignado demais para o meu gosto. Felix é luz, sempre sorridente, animado. Não gosto de vê-lo assim. Então seguro seu rostinho, atraindo seu olhar para o meu e selo nossos lábios. O toque é carinhoso, livre da malícia que costumeiramente se fazia presente sempre que nos tocamos. Não que eu o deseje menos, pelos céus, não mesmo. Mas agora aprendi a valorizar o carinho, os toques tímidos que priorizam mostrar a ele a sinceridade dos meus sentimentos.

É por isso que não fico frustrado quando ele também não tenta prolongar o beijo para algo muito mais intenso do que esse beijo tímido. Nossos lábios se tocam calmante, e de olhos fechados eu me permito sentir a maciez de sua boca. Deslizo meu polegar acariciando sua pele delicada. O beijo se encerra com a mesma calma, num novo selar que acompanha nossos sorrisos.

- Vou comprar o teu sorvete de morango e te encontrar amanhã assim que eu sair da faculdade. Você sai mais cedo nas quartas, certo?

Ali está. O sorriso enorme que faz meu coração tropeçar. Ele confirma com um aceno animado e eu sorrio largamente, lhe dou um novo selinho, e outro. Ao fim afago seus cabelos e saio do apartamento. Não demoro muito para encontrar Woojin a minha espera. E dali seguem-se as costumeiras duas horas de estrada. Regadas ao completo silêncio. Um que desta vez não é nenhum pouco confortável.

Woojin está tenso. Eu estou tenso. Vem merda à caminho.

°°°

- Chegamos, senhor. 

Desperto do meu semi cochilo e saio do carro estalando o pescoço enquanto caminho até a porta da entrada desta prisão luxuosa. Bastam mais alguns passos para que eu encontre aquela responsável por parte das correntes em meus tornozelos e punhos. A rainha dos desertos congelantes, minha mãe.

- Sente-se, Christopher.

Nenhum "boa noite", "como foi seu dia?" Ou "já comeu?"

Típico. Sequer retiro meu casaco e apenas sento na poltrona a sua frente. Faço o possível para manter a postura ereta, o rosto calmo. Não vou cometer o deslize ridículo de deixar que ela perceba o quão apreensivo estou.

Certa vez vi em um documentário que diante de animais selvagens precisamos manter a calma. Os movimentos devem ser extremamente cuidadosos, e não devemos demonstrar medo. Nada de desviar o olhar ou fazer um movimento incalculado.

Não demonstre surpresa, hesitação ou apreensão. E é isso o que estou fazendo neste momento. Focando toda a energia recuperada no pequeno cochilo para manter a pose serena e disciplinada do bom filho.

- Onde esteve o dia inteiro?

- Estágio na clínica, biblioteca, encontro com a Ryujin. Nada fora da rotina. - Respondo com um breve dar de ombros. - Estou na reta final do curso, não há muito o que fazer além de trabalhar e estudar.

- A senhorita Ryujin me ligou ontem. Vocês tiveram um compromisso que levou a tarde inteira, pelo que soube. - Ela tamborila as unhas sobre o braço da poltrona, me mirando esses olhos gélidos que facilmente me causam arrepios. Olhos cortantes como gelo fino. - E também saíram hoje de manhã.

Não parece ser uma simples exposição dos eventos, tampouco uma pergunta. Então não faço nada além de continuar a encarando. Não aceno, não respondo.

- Vocês estão se dando muito bem, Christopher.

Corre que é cilada. Corre meu filho.

- Seu pai vai ficar satisfeito quando souber disso. - Ela cruza as mãos, pousando-as sobre o colo. Um sorriso ladino aparece em seus lábios rubros, me fazendo morder a parte interna da bochecha. - Ficará mais satisfeito ainda quando souber que vocês dois vão oficializar o noivado daqui duas semanas, no aniversário da senhorita Shin.

- ... Quê?

Essa palavra de três letras é a única que encontra seu caminho enquanto todo meu corpo se retesa diante do peso desta frase que ela soltou com tanta indiferença. Uma frase dita com tanta casualidade, como se não representasse mais do que um "o tempo está bom hoje", sendo que na verdade significa uma mudança completa na minha vida. Mais precisamente o fim dela.

Meus olhos se arregalam, minha boca se abre. Eu estou tonto, surpreso, agitado, desesperado. Tudo ao mesmo tempo. Era uma questão de tempo, nós dois sabíamos. Mas tão rápido assim? Isso significa que nosso plano apenas piorou tudo?

Achei que fingindo esses encontros poderíamos ter alguns meses de paz. No entanto o que conseguimos foi chegarmos ainda mais perto da beira do precipício.

- Por que está tão surpreso? - Ela questiona quase num ronronar. - Esse noivado vai acontecer, mais cedo ou mais tarde. Apenas estaremos adiantando para tornar a ocasião ainda mais especial.

Meus olhos recaem em seu sorriso, que agora está ainda maior. O sorriso de um demônio.

- Ela é só uma criança. - Digo com a voz trêmula de ódio, de medo, de nem sei mais o quê.

- Por favor. - Ela ri, desviando o olhar num rolar de olhos que deixa claro o quão pouco caso está fazendo dos meus pensamentos. - Eu e seu pai temos uma diferença de quase uma década. O que são cinco anos?

- Ela ainda é menor de idade. Sequer terminou o ensino médio! - Agora estou em pé, incapaz de conter o turbilhão de sentimentos.

- Uma questão de meses até concluir. - Diz apoiando o queixo sobre a mão, enquanto inclina-se brevemente para frente. - Por que essa reação exagerada, Christopher? Não estou dizendo para dormir com ela. Apenas para oficializarem o noivado. - Abro a boca para despejar minha incredulidade com o comentário infame, mas ela apenas gesticula para que eu fique quieto e prossegue. - Você pode levar adiante toda essa pose de bom cavalheiro após o casamento. Se quiser esperar ela completar a maioridade para consumar a lua de mel, fica a teu critério. Mas o noivado vai ocorrer daqui duas semanas. Já foi decidido.

Essa mulher tratando de um assunto tão delicado de forma tão indiferente é minha mãe. Se ela fosse um animal, seria uma cobra. Daquelas que iludem a presa com suas cores e movimentos sutis até dar o bote mortal.

Ela dá o assunto por encerrado e se levanta, me deixando atônito para trás. Deixo meu corpo cair derrotado no sofá. Fecho os olhos e recosto minha cabeça no estofado.

"Isso não pode estar acontecendo" é o que penso enquanto todo meu ser está dolorosamente ciente de que sim, está acontecendo e que não tenho ao meu alcance a menor pista de um caminho alternativo que me livre disso.

Poderia ficar ali remoendo minha miserável existência caso uma preocupação maior não surgisse. Esse foi um golpe e tanto para mim, especialmente ao pensar em Felix e no que estou lutando para conseguir. Ele ainda não está preparado para me aceitar e algo assim pode colocar tudo a perder. No entanto, há outra pessoa diretamente afetada com isso tudo. E ela está verdadeiramente comprometida.

Subo as escadas apressadamente, logo me trancando no quarto. São repetidas ligações que caem na caixa postal, um punhado de mensagens que não chegam. O nervosismo cresce enquanto eu perambulo pelo quarto.

Uma sequência de batidas suaves na porta me despertam do transe em que me encontro e ao abri-la vejo a jovem empregada que sempre aparece com frutas frescas cortadas.

- Oi Sana noona. - Cumprimento com o melhor sorriso que consigo encontrar. Meus olhos recaem na costumeira bandeja de frutas. - Desculpe, mas não estou com fome agora.

- Imaginei que não tivesse jantado, e acredito que não vai descer para comer, então... Ao menos coma algumas frutas. - Ela diz timidamente erguendo a bandeja e gesticulando com a cabeça na direção das frutas vermelhas. - O senhor gosta de morangos.

Penso em recusar novamente mas não quero que ela se sinta mal, então retribuo o gesto com um sorriso e pego o prato com as frutas.

- Obrigado, noona. - Ela abre um sorriso maior e se afasta após uma reverência.

Novamente sozinho, me sento em minha mesa e apanho um dos pedaços de morango, levando-o à boca enquanto faço outra ligação para Ryujin. Mais uma vez a chamada cai na caixa postal e eu me pego pensando no quão imprestável sou como amigo.

Não sei nada a respeito dela. Num momento como esse não sei dizer qual é sua reação diante da bomba, tampouco saberia procurá-la caso precisasse. Não tenho outros números para entrar em contato e saber a seu respeito. Ligar para a casa dos Shin seria inútil e não possuo o número de Yeji.

Após gastar um tempo em uma reflexão profunda e improdutiva, acabo lhe enviando outra mensagem de texto e decido ir vê-la amanhã na escola, antes de ir para a faculdade. E como o mundo não para por causa de nossas crises, sou obrigado a passar as horas seguintes revisando o ensaio que devo entregar ao professor Do. Felizmente a disciplina se encerra amanhã, por isso não precisarei me preocupar com nenhuma aula até a formatura. Restam apenas o TCC e o estágio.

Em algum momento acabo adormecendo sobre os livros e só acordo com meu despertador. Então me arrumo e saio para encontrar Ryujin.

°°°

- Você não pode aparecer do nada aqui, senhor Bang Chan. As garotas vão surtar.

- Bom, você não respondia minhas mensagens, não atendeu o telefone. Eu fiquei preocupado, senhorita Ryujin.

Ela rola os olhos com impaciência e gesticula um "deixa para lá" com a mão. Sigo caminhando ao seu lado até chegarmos no jardim central da escola.

- Até aqui está bom. Já viu que estou bem, pode ir antes que tirem mais fotos.

- Você está mesmo bem? - Questiono pela milésima vez e ela dá a mesma resposta que não me convence em nada mesmo com esse sorriso que se mantém em seus lábios. - Ryujin... - Insisto e ela suspira.

- Olha, foi um choque? Foi. Mas era esperado. Ficar remoendo isso não vai ajudar em nada. - Aperto meus lábios incapaz de contrariar seu argumento ainda que não esteja nenhum pouco confortável com tudo isso. - Mas não se engane. Não pretendo casar com você. Isso é um fato imutável.

Dessa vez sou eu quem rola os olhos com impaciência.

- Nem eu, criança. - Bagunço seus cabelos até ela sibilar uma reclamação e afastar minha mão com um tapa. - Me diga se estiver aprontando alguma coisa. Não tente fazer nada sozinha.

- Como sabe que estou tramando algo?

- Você não é do tipo que simplesmente aceitaria isso.

Ela abre um sorriso travesso e cruza os braços.

- Talvez eu esteja pensando em algo. Te ligo caso eu precise de ajuda.

Ryujin ajeita os cabelos, mirando algum ponto qualquer atrás de mim, então segura as alças da mochila, abrindo um sorriso maior.

- Preciso ir, minha princesa chegou.

- Okay... Mas, ei, é sério. Não tente fazer nada sozinha. Vamos resolver isso juntos, está bem?

Ela estremece de forma exagerada e abraça o próprio corpo fazendo uma careta.

- Brrrr... Alerta prota clichê. Eu sei me virar, oppa. Dê uma maneirada nesse lance de príncipe encantado.

- Você é bem chata, sabia? - Devolvo com ironia e ela passa a mão nos cabelos, rindo.

- Apenas quero ser a protagonista da minha própria história. Não vou ser a princesa indefesa esperando na torre, Chris. Não nasci para esse tipo de papel.

- Eu sei. - Respondo abrindo um sorriso orgulhoso. - É por isso que gosto de você.

Minha declaração não tem a menor conotação romântica, tampouco foi calculada. Por isso, assim que as palavras saem eu arregalo os olhos e começo a gaguejar nervosamente. Já Ryujin parece ter quebrado de vez porque apenas fica ali me encarando.

- Wow. Alto lá garanhão, ela é minha. - Yeji diz com esse olhar felino em minha direção me pegando de surpresa pela aproximação repentina.

- Não foi nesse sentido, Yeji-sshi. - Digo erguendo as mãos em rendição. Tenho certeza que minhas orelhas estão em chamas e compro isso assim que nervosamente as toco. É um porre ser tímido, pior ainda quando as pessoas acham que não sou. Então não passam mais que alguns segundos antes das duas perceberem a reação natural do meu corpo e caírem na gargalhada.

- Eu sei que não, meu radar gay não falha. - Yeji diz com esse sorriso ladino, abraçando a namorada pela cintura.

- Okay. Isso foi desnecessariamente estranho. - Digo enfiando minhas mãos nos bolsos da calça apenas por não ter o que fazer com elas. - Então, boa aula e me mande mensagem ou ligue, você sabe, para me contar o que está planejando, Ryujin. E você, ahn, digo... Foi um prazer... Yeji-sshi.

Dou um aceno desajeitado para as duas e me afasto, retomando meu caminho até o carro pensando no quão desnecessária foi essa vergonha. Posso considerar esse primeiro encontro com a "fada da nação" como o mais desastroso da minha vida. E olha que tive muitos.

Com o rosto em chamas, sigo em silêncio para a faculdade. Decidido a focar toda a minha concentração na última aula dos meus quatro anos de curso. E quem sabe assim, ter o dia mais produtivo dessas últimas semanas.

E sim, foi estranhamente produtiva apesar de tudo. Encerrei a disciplina da qual fugi o semestre inteiro com uma aprovação mediana. O professor Do não fez grandes elogios ao nosso trabalho mas garantiu que estávamos seguros para a formatura. Ao fim da aula dispensei o convite de uma fraternização com a turma. Não vejo necessidade de fazermos algo assim sendo que em menos de dois meses teremos a despedida oficial e todas as lágrimas e discursos clichês poderão ser feitos com estilo em meio a toda a imensa plateia, as luzes, e é claro, toda a bebida que pudermos beber.

Apenas de pensar nisso tudo já sinto arrepios. Eu odeio essas despedidas. Odeio esse sentimento de ruptura. Ou talvez eu simplesmente não goste da ideia de ter que me abrir com essa turma com a qual dividi quatro anos e não desenvolvi o menor vínculo. É sério, a exceção de Bambam e dos professores, não existe nada nesse curso que vá me fazer derramar lágrimas na formatura.

Sem plano algum de ir encher a cara com Bambam, sigo para a My Pace a fim de ver aquele que tem sido o motivo do meu coração vacilar de diversas maneiras diferentes.

É claro que me lembro de passar numa loja de conveniências primeiro. Não posso esquecer do sorvete do bebê.

Antigamente eu achava que não seria do tipo de cara totalmente boiola como esses protagonistas de doramas e webtoons. Sempre acreditei que minha vida seria simples, livre de qualquer grande reviravolta e que conviveria com meu amor unilateral pelo resto dos meus dias.

Jamais imaginei que chegaria o dia que eu estaria sentado numa mesa, exalando essa aura totalmente abestada enquanto espero o meu... O meu... Não posso chamar Felix de meu, posso? De qualquer forma, ele está ali, todo concentrado em servir os demais clientes enquanto eu fico aqui, suspirando feito um personagem de algum shoujo clichê.

Nunca vou me cansar de observar Felix e admirar cada um de seus trejeitos adoráveis. Não vou me cansar de ver a forma concentrada que ele assume sempre que está preparando algo mas se desdobra em um sorriso radiante sempre que se dirige a um cliente.

Sempre atencioso, sempre dedicado. É difícil não notar a forma como ele se destaca dos demais, mesmo de Seungmin, que também sorri tão facilmente sempre que seus olhos estão longe de mim. Odeio admitir mas o bichinho até que é fofo. Se Felix é um gatinho adorável e manhoso, Seungmin é um cachorrinho ranzinza. Daqueles que rosnam e latem com a menor aproximação de estranhos, mas se rendem fácil aos carinhoso do dono.

Eu estou mesmo comparando Kim Seungmin com um filhote de cãozinho? Okay, é oficial. Eu estou perdidamente boiola.

Respiro fundo e me concentro no restante do meu suco, rezando para que o sorvete não se desfaça de vez até Felix sair.

Passam-se quase vinte minutos quando ele finalmente acena para mim, indicando que seu horário acabou. Me levanto e faço o pagamento, então saio do café, ficando à espera de Lix na porta dos fundos. Fico sentado no banco que me trás recordações de uma época em que eu não fazia a menor ideia do quanto Felix representava para mim. Não me orgulho nenhum pouco daquele dia, da minha tentativa ridícula de afastá-lo da minha vida.

Me distraio com o celular, respondendo as inúmeras mensagens de Binnie que insiste em me cobrar para cuidar do Holly. Acontece que meu amigo realmente precisa sair com frequência e agora não tem ninguém que possa ficar com o pequeno ranzinza. Eu até sugeri que deixasse aos cuidados dos meninos, mas Holly não é especialmente simpático com Beom e o coitadinho ainda não tem confiança de ficar com ele. Por isso a solução temporária foi obrigar Minho a cuidar dele.

O problema? Minho tem três gatas. Nem é preciso usar muito a imaginação para chegar a brilhante conclusão que essa escolha foi infeliz. Após uma pequena discussão no grupo, fica decidido que Yugyeom cuidará de Holly por dois dias.

Binnie vai se apresentar numa cidade vizinha e voltará só no final de semana. Já Minho estará ocupado com suas aulas e, é claro, suas preciosas filhas: Soonie, Doongi e Dori. Pelo que soube ele tentou adotar um gato também, mas as gatas não o aceitaram e ele acabou fugindo para a casa do vizinho, e ali ficou.

Minha distração dura bons minutos e a demora de Felix começa a me incomodar. Cogito voltar e perguntar a um dos funcionários mas não quero ter de incomodar Seungmin com minha presença novamente. De qualquer forma ele já saiu, só preciso esperar.

E eu espero. Quando se passa meia hora eu já estou colado na porta, totalmente aflito. Se tivesse acontecido alguma coisa teria uma comoção, e quando vasculhei a cafeteria (sim, eu voltei lá e consegui deixar Seungmin completamente desconfortável comigo) não vi o menor sinal de Felix ou de algo diferente no ar.

Não me orgulho do que fiz em seguida, e decididamente não recomendo que ninguém o faça. É sério. Algumas coisas é melhor não tentar, não ver. É melhor deixar para lá e conviver com a ignorância.

Mas é claro que sou facilmente vencido pelo meu "eu" impulsivo, então sem cerimônias abro a porta dos funcionários (que por sinal nem estava trancada, erro deles). A passos cuidadosos e com o coração na boca por esse sentimento de estar plenamente consciente de que está fazendo algo que não devia e a menor vontade de realmente não o fazer, avanço até encontrar o que julgo ser o vestiário.

A porta está fechada, mas posso ouvir o murmúrio de uma conversa. Infelizmente baixo demais para identificar qualquer coisa. Chego a encostar minha orelha na porta, me concentrando ao máximo para pelo menos identificar as vozes, e é assim que consigo ouvir a voz de Felix. Ou melhor, consigo reconhecer que a ele pertence, mas sigo sem entender o que diz. A outra voz também me é familiar. Desconfortavelmente familiar.

Em um novo impulso levo minha mão até a maçaneta da porta, mas hesito. Invadir a sala desse jeito só vai complicar o Felix. O que posso dizer caso seja mesmo o chefe dele ali? O que eu sou aqui?

Exato, nada. Não tenho o direito de estar aqui bisbilhotando tampouco de reinvindicar alguma satisfação sobre o porquê de Felix continuar a sós com ele nessa sala por mais de meia hora.

Respiro fundo e abaixo a mão, fechando os olhos e cerrando os punhos numa última tentativa de manter o controle. Desse jeito me viro, com o intuito de sair dali e esperá-lo lá fora. Esse era o plano.

No entanto eu escuto a porta se abrir com um click, levo um susto e acabo me enfiando na primeira porta que encontro, que por sinal era da dispensa, e fico ali escondido no escuro enquanto tolamente esqueci a porta aberta. Com o coração na mão, vejo Felix sair da sala apenas para ser seguido por aquele moreno.

Hyunjin lhe segura pelo pulso, impedindo que Felix saia por completo dali, então leva a outra mão ao seu rosto.

- Você sabe que fui sincero quando disse que jamais seria um problema para mim, gracinha. - A voz dele sempre foi melosa assim? - Não vou te forçar a gostar de mim, apenas quero que me dê uma chance. Eu posso cuidar bem de você.

É claro que como o besta apaixonado que me tornei eu seria obrigado a presenciar uma cena dessas, não é mesmo? Os deuses realmente gostam de clichês que envolvam foder meu emocional e psicológico me deixando perigosamente próximo da insanidade.

E é justamente graças a isso que me afasto de meu esconderijo apenas para travar na porta e assistir o exato momento que Hyunjin se inclina para beijar Felix.

Ele beija Felix. Mas não é essa percepção óbvia que me faz travar na porta, incapaz de esboçar qualquer movimento. O que me deixa ali totalmente paralisado é ver as mãos de Felix lhe agarrarem os braços.

Hyunjin está ali, beijando-o, mas Felix não o afasta. Não o empurra. Não faz nada além de segurá-lo.

⊱❦⊰


Notas Finais


Recadinhos da autora:
1- não tirem conclusões precipitadas
2- as att podem demorar mais agora, como perceberam
3 - MEU ORIENTADOR ELOGIOU MINHA DISSERTAÇÃO CARAMBOLAS FANDANGO DE FELICIDADE

Okay, passado o surto. Vamos lá.
Não consigo manter a vida deles só no soft feels, Sorry. Tem bomba a caminho e ela se chama Bang.

Ryujin rainha deusa dona de todo o lacre dessa fic. Inspirada em "nesse livro a princesa salva a si mesma", obrigada de nada.

Stays, feliz segundo aniversário pra nós.
Views em God's Menu cause we cookin like a chef we're a 5 star Michelin

Obrigada pelo apoio, o carinho, a torcida. E vocês sabem né? Eu amo vocês e o Chan ama a todos nós.
Stays strays kids ama vocês 👉💙👈
Views no hino injustiçado que mostra o amor deles pela gente: You can stay😔✊🏻


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