História Be my alpha - Capítulo 24


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Palavras 5.101
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Fantasia, Ficção Adolescente, Luta, Romance e Novela, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oláa amores!!

Postando hoje porque não conseguirei postar no feriado ;-;

Aviso: Camren é LIVRE para fazerem o que quiserem. Camila nunca fez exigências a Lauren, falou o que ela deve ou não fazer, vestir ou pensar. Não é uma lap dance, jogo, desentendimento que vai mudar o sentimento delas. Camila e Lauren são um casal, mas não são donas uma da outra.

Divirtam-se!!

Capítulo 24 - Vendo as coisas por outro ângulo


Camila

A mulher puxou minha cadeira, fazendo os garotos gritarem e começou a rebolar em minha frente. Eu a olhava conforme ela se despia, mas aquilo não estava me excitando. Ela andou até mim e sentou em meu colo, de frente, segurando em meus ombros e rebolando sobre meu membro.

Por um momento, comecei a divagar, pensando em que circunstâncias levam ômegas a realizarem aquele tipo de trabalho. Algumas estavam ali porque gostavam, claro, mas será que as outras não estavam ali, apenas porque era a única fonte de renda que tinham?

Olhei mais uma vez para a garota que agora havia se levantado e rebolava a bunda em minha frente, será que ela estava ali porque queria ou porque necessitava? Será que ela não tinha medo de ser abusada? Gostaria de perguntar isso à ela.

Saí de meus pensamentos com os garotos que gritavam “gostosa” para a mulher agora novamente em meu colo. E de fato, ela era muito gostosa. Tinha cabelos negros e a pele levemente bronzeada. Seu corpo era sarado, com seios fartos e uma bela bunda.

Mas ela não era Lauren.

Para mim, aquela mulher era apenas uma mulher bonita. Sem nenhum diferencial.

A garota fazia uma lap dance incrível para mim, cheio de poses e giros, porém, a dança dela não chegava aos pés da que Lauren fez para mim. Pensei em como minha ômega ficaria quando eu a contasse isso. Por que como sempre, eu não esconderia dela.

Lembrei-me da forma que ela sorria para mim enquanto dançava. Os olhos verdes escuros, a pele quente, a forma como o cheiro dela mudava quando estávamos na cama. Ela era tão perfeita. Nenhuma dançarina ali chegava aos pés dela.

Mal percebi quando a dança acabou e eu não tinha nenhuma ereção, a garota riu da cara de meus colegas e se retirou. Me virei novamente para a mesa, todos tinham uma expressão engraçada e meu melhor amigo morria de rir da cara deles.

- Puta que pariu, você está morta? - Perguntou Austin.

- Se aquela bunda se esfregasse no meu pau, eu não demoraria dois segundo para ficar duro! - Bieber exclamou.

- Ela não era Lauren. - Dei de ombros e virei mais um shot que estava em cima da mesa, dessa vez sem engasgar.

- E? Só porque você já fez o pedido, não quer dizer que não pode olhar o cardápio, Camilinha. - Machine falou, causando uma risada em todos, até em mim.

- Eu olhei o cardápio. - Relaxei na cadeira. - E constatei que o que o meu pedido, me dá água na boca, os demais, eu não sinto vontade provar.

- Eu tinha certeza que você não ia se excitar. - Shawn falou, tomando um gole de sua bebida. - Devíamos ter apostado, Austin!

- Você parecia distraída... - Cameron disse.

- Ah sim, eu comecei a pensar no porque ela fazia esse tipo de trabalho, se era por gosto ou por necessidade.

- PARA TUDO! - Gun kelly gritou, me fazendo saltar. - Tinha uma mulher gostosa, no seu colo, rebolando uma bunda deliciosa no seu pau, e você ficou refletindo sobre os motivos dela ser uma stripper?

A mesa caiu na gargalhada e eu dei de ombros. Ora, a garota era linda mas não chegava aos pés de Lauren. Que culpa eu tinha se só a minha ômega me deixava excitada?

Peguei a garrafa e girei, caiu no Bieber.

- E então?

- Desafio. - Respondeu olhando em meus olhos e eu ri.

- Bom, eu te desafio a subir naquele palco e fazer uma strip tease. - Apontei para o palquinho que ficava perto de nós.

Ele ergueu uma sobrancelha e foi fazer seu show. Nós gritamos, falando o quanto ele era gostoso. Percebi que ele despertou o interesse de alguns ômegas que ali estavam. Olhei ao redor e vi duas dançarinas se pegando fortemente, enquanto os alfas da outra mesa as assistiam.

Elas fizeram uma coisa que eu gostei muito e me deu uma excelente ideia. Eu precisava demais fazer aquilo com Lauren. Fiz uma anotação mental de realizar aquela tarefa na minha ômega assim que tivesse a oportunidade.

Fui ao banheiro e quando voltei, fui brutalmente prensada no corredor, fiquei sem entender o que acontecia, mas consegui virar a cabeça rapidamente antes que a boca daquela garota colidisse com a minha.

Ela começou então a beijar o meu pescoço! Peguei suas mãos e a afastei, ainda segurando em seus punhos rosnando. Olhei em seus olhos e então eu a reconheci. Era a mesma menina que havia dançado para mim mais cedo.

- Me fode, por favor! - Ela sussurrou para mim. Instantaneamente, senti seu cheiro.

Ela estava excitada, aparentemente, começando a entrar no cio. Senti meu pau fisgar e prendi a respiração.

- Me fode, por favor, você é tão gostosa! - Tentou se aproximar novamente mas eu a segurei no lugar, afastada de mim.

Olhei para os lados, desesperada. Respirei novamente, sentindo o cheiro adocicado que ela exalava e prendi o ar dentro de meus pulmões novamente.

Não iria demorar para que os demais alfas sentissem o cheiro dela.

Comecei a suar e todos os pêlos do meus braços e da nuca eriçarem. Meu membro começou a crescer e doer.

A mulher seria estuprada se continuasse ali. Mais uma vez inalei o ar e rosnei, lutando contra mim mesma para não atacá-la, enquanto ela implorava para que eu enfiasse meu pau entre suas pernas.

Apertei as mãos ao redor de seus pulsos, provavelmente a machucando e concentrei todos os meus pensamentos em Lauren. Fixei sua imagem em minha mente, forçando-me a lembrar-me dela a todo instante.

A segurei no colo e passei correndo pelo saguão, chamando a atenção de vários alfas ali, avistei uma placa “Apenas Pessoal Autorizado” e corri em direção a ela.

Um alfa correu atrás de nós, adentrei a porta e corri pelos corredores, respirando pela boca o tempo todo, evitando a todo custo sentir novamente seu cheiro.

A ômega se contorcia em meus braços e levou uma das mãos entre suas pernas, começando a se masturbar. Meu membro já estava ereto, meu instinto brigava contra minha consciência e eu torcia com todas as minhas forças para que ele não vencesse.

O filho da puta ainda corria atrás de nós. Cuidadosamente coloquei a mulher no chão e ela começou a se contorcer, seus dedos entravam com rapidez em sua boceta encharcada.

Eu não culpava o alfa que nos perseguia. Ele estava descontrolado, totalmente sucumbido ao Alpha Interior.

Era extremamente difícil e doloroso para nós ver um ômega no cio e não poder transar, era difícil controlar o instinto. Estava sendo torturante para mim também, mas eu me obrigava a pensar em Lauren o tempo inteiro e era dela que eu tirava minha força.

Paramos de frente um para o outro. Rosnamos alto, mostrando os dentes. Inclinei meu corpo e coloquei uma perna a frente e ele fez o mesmo. A ômega atrás de mim gritou, fazendo o outro alfa avançar.

Assim que ele se aproximou eu chutei na altura de seu estômago, o deixando sem fôlego, ele logo se recuperou e veio para cima de mim com um soco que eu facilmente desviei, e retribuí com um cruzado, o fazendo se escorar na parede.

Ele mais uma vez veio até mim e então eu perdi minha paciência. Cruzei minhas mãos ao redor de sua nuca e o trouxe para mim, fiz força para baixo ao mesmo tempo empurrando-o com os cotovelos, Machine e eu havíamos passado horas treinando clinch.

Forcei sua cabeça para baixo e levei meu joelho de encontro ao seu nariz, ele logo caiu e eu fui para cima dele, o socando com toda a minha força, até fazê-lo apagar.

Assim que terminei, voltei a respirar pela boca e fui até a ômega que me agarrou com desespero e mais uma vez implorando para que eu acabasse com seu sofrimento. A ergui com dificuldade, ela não parava de se contorcer.

Fui abrindo as portas até encontrar uma em que era uma espécie de escritório, com mesa, prateleira cheia de livros e armários de arquivos. Deixei a garota no sofá e comecei a revirar o local, achando um fundo falso em uma das gavetas.

Agradeci quando achei diversos brinquedos sexuais ali, nem me dei ao trabalho de entender o porquê alguém guardaria aquilo num escritório, peguei um dos dildos ali e joguei para a mulher no sofá que assim que pegou, começou a usá-lo.

Eu suava mais do que qualquer outro treino que eu houvesse feito. Saí da sala e tranquei a porta, para que ninguém entrasse ali. Meu pau doía muito dentro da calça, levei minha mão até ele o apertei, tentando aliviar aquele incômodo.

Lágrimas de dor escorriam pelos meus olhos e minha cabeça latejava. Nem na primeira semana que passei aqui, senti tanta dor como naquele momento.

Para não correr o risco de entrar novamente na sala, joguei a chave por uma janela que tinha ali, decidi abrir o máximo possível, para dispersar aquele cheiro que impregnava o corredor. Fui até o alfa que estava desacordado e o arrastei até a boate novamente.

Um dos seguranças me perguntou o que havia acontecido e eu contei toda a história, ele me agradeceu por informar e logo ele chamou a responsável pelo local, se tratava de uma ômega também. A loira rapidamente veio até nós e me agradeceu por ter cuidado de sua dançarina.

Voltei para a mesa e fui bombardeada de perguntas, afinal eu não só havia demorado, como também estava suada e descabelada. No começo eles fizeram piadas achando que eu havia fodido com alguma ômega ali, mas quando terminei de contar a história, eles decidiram que já haviam tido o suficiente.

No caminho de volta, Shawn e Cameron disseram que estavam muito surpresos com a minha atitude, que não era qualquer alfa que faria aquele tipo de coisa. Controlar o instinto da forma como eu fiz, era algo muito difícil de se fazer.

Até agora tentava entender como eu fui capaz de fazer algo assim. Eu ainda respirava com dificuldade, sentia meus pulmões e cabeça doerem. E meu pau? Porra, parece que havia sido decepado.

Lauren…

A morena foi o que me deu forças para não fazer besteira. Foi o que me ajudou a vencer minha batalha exaustante contra o meu instinto. Em todo aquele momento eu só pensava no que teria acontecido com Lauren se eu não tivesse aceitado passar o cio com ela.

Se eu não estivesse lá e Luis tivesse conseguido passar por Chris, ou se ele tivesse chegado antes do irmão dela, ele teria… Eu não era igual a ele. Eu nunca seria igual a ele. Esse foi um dos motivos que fez eu me esforçar tanto para me controlar.

Eu não podia deixar que aquela dançarina sofresse algum abuso e muito menos abusar dela. Ainda mais tendo a minha ômega passado por uma situação próxima daquela.

Tomei um longo banho e deitei na cama, me jogando contra o colchão macio, de consciência limpa, por saber que fiz a minha parte, da melhor forma que podia.

Adormeci agradecendo por eu ter conseguido ser forte e agradecendo, principalmente, por minha ômega. Pensar que ela está a salvo e com sua integridade intacta, me deixava profundamente tranquila.

[...]

- Você podia ter perguntado, Camila! - A voz de Lauren saiu esganiçada.

- Eu sei amor! Devia ter perguntado, mas eu achava que era apenas uma boate. Em nenhum momento pensei que estariam me levando pra um strip club. Shawn em Cam estavam indo… Quando que eu iria imaginar que eles frequentam esses lugares?

- Eu sei… Só… Estou com ciúmes. Se eu fosse em um Strip Club, como você se sentiria?

- Eu sentiria ciúmes também, mas não te impediria de ir. Laur, sempre falei que não vou controlar você. Eu confio em você e sei que não vai me trair.

- Eu sei que você não me traiu também, Camz. Eu confio em você, só que não gosto de imaginar outra ômega no seu colo… Por mais que você não tenha ficado excitada…

- Sinto muito amor, não vai acontecer novamente. - Falei.

Eu sentia a dor de Lauren e aquilo me entristeceu. Não queria ser a causa de sofrimento dela, nada justificava o que aconteceu, porém, eu não fiz nada de errado, a não ser aceitar o desafio.

Se fosse ao contrário, por mais que eu sentisse ciúmes, saberia que aquilo não significaria nada para Lauren. E que além do mais, ela é livre para escolher aonde ir e quando ir.

- Anjo… - Chamei.

- Oi… - Ela falou baixinho.

- Você sabe que eu tenho direito de ir aonde eu quiser quando quiser, certo?

- Sim…

- E você sabe que você tem o direito de ir aonde quiser e quando quiser, certo?

- Eu sei…

- Eu sei que você não está chateada com a situação apenas porque está com ciúmes. Amor, porque está tão insegura?

- Não quero falar sobre isso. - Disse áspera. - E não pense que tudo isso que aconteceu na boate me fez esquecer sua ideia ridícula de lutar. Exijo que você desista disso.

- Olha anjo, eu não vou desistir. Não importa o quanto você exija. Você pode ficar de cara virada para mim pelo tempo que achar necessário, ou, você pode me apoiar.

- Eu jamais vou apoiar essa coisa!

- Bom, você está no seu direito, amor, assim como eu estou no meu.

Lauren desligou na minha cara e a partir daquele momento, começou a me dar um gelo. Respondia apenas alguns sms meus com frieza e não atendeu nenhuma de minhas ligações, aquilo me deixava chateada, mas eu não podia obrigá-la a falar comigo.

Lauren

Levantei de minha cama rapidamente e comecei a me arrumar para o trabalho. Eu estava em uma angústia constante. Era o dia da luta de Camila. Durante os dois dias que se passaram, nós discutimos.

Primeiro por ela estar com essa ideia fixa na cabeça e segundo por ela ter ido à um clube de Strippers. Eu sei que ela não sabia que se tratava de uma boate assim, mas ela podia perguntar antes de simplesmente aceitar o convite.

Além disso teve aquela história de outra ômega tentar passar o cio com a MINHA ALFA! Só de lembrar disso, senti meu sangue ferver. Por mais que a atitude de Camila tivesse sido correta e muito nobre, eu não conseguia controlar o ciúme desmedido que se apossava de meu corpo toda vez que eu imaginava uma mulher de lingerie implorando para ser fodida pela MINHA ALFA.

Bufei pela vigésima vez naquela manhã. Meus pais haviam reparado no meu mau humor e apenas me disseram “bom dia” e “bom trabalho”.

Desde aquela conversa, meu pai mudou totalmente de atitude, ele ainda fazia perguntas sobre minha segurança e como tudo estava indo na academia, mas não fazia mais comentários desagradáveis.

Desci as escadas de casa e dessa vez decidi que iria andando até a Gym. Eu precisava descontar a minha raiva em alguma coisa e seria no exercício físico. Por que se Keana viesse falar alguma coisinha comigo hoje, eu juro que enfio uma barra de ferro no...

- Bom dia branquinha! - Will falou animado, se aproximando de mim.

- Bom dia.

- Vish. Alguém acordou com a pá virada.

- Acordei. Não me testa. - Falei ajeitando a mochila em minhas costas.

- Por que está indo a pé? - Não respondi e bufei mais uma vez. - Okay… Quando vocês ficam assim é realmente preocupante. Ômegas não são de se estressar tanto assim.

- William Matts Parker. Cale a boca. - Olhei para os lados e atravessei a rua.

- Eita caralho, falou o nome completo. Eu fico horrorizado quando minha nega fala assim comigo. Na última vez em que ela me chamou assim, vish, fiquei uma semana inteirinha sem sexo. Cê acredita?

- Acredito. - Respondi e apertei o passo.

- É engraçado te ver bravinha. Parece um ursinho de pelúcia puto. - Riu e eu parei para encher seu braço de tapas. - É engraçado isso também. Vocês ômegas batem em nós como se fizesse alguma diferença. - Ele sumiu de minha frente e apareceu do meu outro lado.

- Sou militar, branquinha, vai precisar ter a mão mais pesada e ter um reflexo melhor que o meu para me atingir.

Revirei os olhos e continuei minha caminhada. Não adiantaria ficar discutindo com ele e se eu ficar parando para atacá-lo pateticamente com tapas, perderia hora.

- Se bem que tem ômegas que possuem uma mão bem pesada. - Tagarelou ao meu lado. - A minha ômega por exemplo, garooooota, você nunca queira levar um tapa dela.

- Ela conseguiu acertar você? - Questionei, não era ele quem era militar e tinha reflexo e blá blá blá?

- Conseguiu! Mas em minha defesa, eu estava distraído olhando para a bunda maravilhosa que ela tem. - Dei risada de sua fala e acho que isso o animou, porque ele continuou tagarelando. - Foi assim, eu e meus parças fomos num bar, ela era a garçonete, vai escutando.

O homem passou para o meu outro lado e novamente atravessamos outra rua. Hoje ele usava uma camiseta preta de manga curta e uma calça militar, com coturnos pretos. Em seu pescoço havia uma corrente com um pingente prata, havia algo escrito mas não me atentei ao que era.

- Pedimos umas cervejas e foi ela que trouxe, nossa, branquinha, apaixonei! - Falou colocando a mão no lado esquerdo do peito e me fazendo rir. - Ela se virou para voltar ao bar e eu tive que falar “nossa, seus jeans são de marte? Porque sua bunda é de outro mundo!” - Parei para gargalhar daquela cantada ridícula.

- Eu não acredito que você falou isso para ela! Até eu daria um tapa em alguém que me dissesse isso!

- Bom, foi o que ela fez. - Ele sorriu e abriu os braços. - Enquanto eu estava distraído olhando aquele monumento escondido por baixo da calça jeans, ela se virou rapidamente e deu um tapão na minha cara.

- Que foi muito bem merecido! - Ri mais ainda imaginando toda aquela situação. - Seus amigos devem ter morrido de rir!

- De fato, riram. Foi difícil conseguir aquela ômega pra mim, mas agora, ela é somente minha. - Falou convencido. - E aquela bunda também.

Adentramos a academia rindo. Meu humor estava bom novamente, o que me deixou um pouco mais leve. Fechei a cara novamente quando vi a dita cuja fazendo agachamento. Dois alfas olhavam sua bunda extremamente apertada em um shorts cor de rosa chiclete bem curto.

Passei pela academia e fui até o balcão. Liguei o computador e comecei a passar as cinco fichas que haviam sido feitas ontem para o banco de dados da Gym. Will estava sentado em um banco lendo alguma revista sobre esportes.

Estranhei esse comportamento, ele sempre ficara longe e agora andava ao meu lado para cima e para baixo. Look what you make me do começou a tocar, eu gostava bastante das músicas dessa cantora.

Atendi mais alguns telefonemas e depois chamei Matts para me ajudar com o estoque, Adam estava ocupado com um grupo de cinco alunos recém chegados. Eu não sabia se podia pedir ajuda para fazer o meu trabalho, mas estava tão tensa que não me importava com nada.

A não ser com a MINHA ALFA que estava se preparando para a noite entrar em um ringue com um monte de trogloditas. Eu sei que não posso impedir Camila de fazer o que ela quer, eu sou a sua ômega, não sua dona. Mas como não me preocupar?

Sem contar aquele incidente na boate, fico me perguntando o que aconteceria se ela não tivesse se controlado. Imaginá-la passando o cio com outra pessoa me machucava muito. Eu não conseguia parar de pensar nisso.

Nós já estávamos quase acabando de organizar os produtos que haviam acabado de chegar no estoque quando uma voz feia, irritante, me chamou no balcão.

Bufei e soltei as camisetas que segurava, Will me direcionou um olhar curioso e me assistiu subir as escadas de volta a recepção.

Cheguei dando de cara com uma Keana suada, com uma regata branca por cima de um top amarelo limão. Um sorriso enfeitava seu rosto, eu já sabia o que ela queria. Um isotônico de uva.

Sem ela nem dizer nada, fui até a geladeira e peguei o Gatorade. Coloquei em sua frente e seu sorriso aumentou, a garota prontamente agradeceu e tomou um longo gole.

- Mais alguma coisa? - Perguntei, com o meu mau humor, não tinha paciência para fingir simpatia hoje.

- Aconteceu alguma coisa? - Seus olhos tinham um ar preocupado que me pareceu verdadeiro.

- Minha alfa decidiu participar de uma luta clandestina. - Enfatizei bem o pronome possessivo.

- Nossa, não sabia que você tinha uma alfa. Você nunca mencionou.

- Não gosto de compartilhar sobre a minha vida.

- Te entendo. - Sorveu mais um pouco do líquido roxo. - Acho que se Camila decidisse fazer algo assim eu ficaria louca. Mas ela é tranquila, jamais faria isso. - Deu de ombros e eu prendi uma risada.

Você não a conhece mais.

Dei um pequeno sorriso ao me dar conta de que essa menina nada sabia sobre a minha alfa.

- Bom, como eu já te disse, as pessoas mudam. - Dei de ombros, tentando mostrar indiferença.

- Sim, mas a Mila não faria esse tipo de coisa. Se bem que agora, você falando… Ela ficaria muito sexy se lutasse… - Engoli em seco, apertando os punhos tão forte que sentia minhas sendo cravadas na palma da minha mão. - Ela ficaria com um corpo tão gostoso… - Mordeu o lábio e me deu um sorriso malicioso.

Eu já estava preparada para voar por cima daquele balcão e arrancar a cabeça daquela vagabunda oferecida, mas eu não me prestaria a esse papel. Respirei fundo disfarçadamente e sorri.

- Não se importa com o fato de que ela poderia se machucar? - Questionei, prendendo o rosnado na garganta.

- Claro que sim, mas se ela quisesse mesmo fazer isso, eu a apoiaria e estaria com ela para curar seus machucados.

- E se ela fosse ao Strip Club? E uma mulher fizesse uma lap dance nela?

- Sua alfa fez isso? - Não respondi e ela continuou. - Bom, não sei que tipo de alfa você tem, mas a minha Camila - mais uma vez segurei o rosnado e a vontade de espancar ela. -  Nunca entraria num local desses a não ser arrastada e caso ela entrasse, eu não me importaria. - Deu de ombros e sorriu simples.

- Sério? Você não se importaria? - Perguntei incrédula e irritada.

- Não. Confio no meu taco. Sei que ela não faria nada demais e mesmo tendo vinte mulheres se esfregando nela, sei que nem de pau duro ficaria. Não é da índole da minha alfa trair, ela tem caráter.

Ouvir aquela vagabunda chamar Camz de “minha alfa” me irritou ainda mais do que o comentário a respeito do corpo da MINHA alfa. Primeiro porque Camila não era dela porra nenhuma e segundo porque Keana estava certa em absolutamente tudo.

Mesmo passando três anos longe ela ainda conhecia a MINHA ALFA. Como ela mesma havia dito na nossa primeira conversa, por mais que Camila tivesse mudado, a essência dela continuava a mesma.

Porra! Ela sabia a forma que Camz havia se comportado em um strip club sem ao menos falar com ela por anos!

E a respeito da luta, se era aquilo que Camila queria fazer, por mais que eu não aprovasse, eu deveria estar ao lado dela, dando apoio e cuidar dela caso desse errado.

E o que eu fiz? Briguei com ela e até mesmo a ignorei um pouco.

- Eu preciso voltar ao trabalho. Até mais, Keana.

- Até amanhã, Laur. - Deu um tchauzinho com a mão e se retirou.

Desci novamente para o estoque bufando e xingando as vidas passadas e futuras daquela vadia oferecida. Will me olhou assustado quando chutei com força uma caixa de papelão vazia que estava jogada no meio do estoque.

- Whoa, aquela ômega te tirou do sério!

- Ela é uma vadia filha da puta que quer tirar a MINHA alfa de mim! - Passei as mãos pelos cabelos e comecei a chorar.

- Ei, calma… - Ele se aproximou de mim e passou o braço pelos meus ombros. - Sua alfa não vai deixar você…

- Não é essa a questão. - Solucei mais uma vez. - Ela apareceu do nada! Não é justo, Will… Eu passei um ano amando Camila em silêncio. Ela acabou de chegar e quer tudo para ela! Will… - Tentei secar as lágrimas. - Não é justo… Não é…

- Calma branquinha…

- Ela some por três anos e quando volta, s-se… Se sente no direito de destruir meu relacionamento e… F-ficar com Camila, mas ela não tem esse direito...

- Ei, presta atenção aqui. - Apoiou as mãos em meus ombros, me obrigando a olhar para ele - Ela não vai destruir seu relacionamento.

- E-ela conhece Camila melhor do que eu… - Sentei-me no chão e ele me acompanhou. - Ela é mais madura do que eu, Will… Eu briguei com a Camila… Ela fez coisas que eu não gostei, sabe? Eu reagi de uma forma totalmente diferente de como keana reagiria…

- Por que vocês são pessoas diferentes, Lo. - Era a primeira vez que ele me chamava assim.

- Não. É porque ela é madura! Camila se explicou e ainda assim, eu… Eu continuei brigando, ignorei suas ligações e a tratei com frieza.

- Mas-

- Keana jamais agiria assim com ela. Camz vai perceber que ela tem maturidade e vai me largar. Por que ninguém quer namorar uma criança...

- Calma, explica para mim, tudo o que aconteceu.

E então eu falei, enquanto nós arrumamos as prateleiras, repondo-as com as camisetas que haviam acabado de chegar, eu contava para ele exatamente tudo o que estava acontecendo, tudo que Camz me falou e tudo que eu falei e senti.

Durante esse tempo, ele apenas ouviu. Não me interrompeu e me ajudou em toda a tarefa. Estávamos bebendo água quando terminei de contar. Voltamos novamente ao estoque apenas para ele me dizer o que pensava sem que ninguém ouvisse.

- Bom. - Coçou o queixo. - Eu entendo o lado da sua alfa, eu já passei por essa situação. A diferença é que eu sabia que estava indo a um Strip Club e que meu amigo aqui cresceu rapidinho com a lap dance. - Deu risada e eu cruzei os braços.

- Eca.

- Eca nada. É difícil controlar essas coisas. Não digo que você está errada em sentir todo o que sentiu e ainda sente, mas você exagerou sim. Pensa comigo, ela podia ter recusado o desafio? Podia. Mas já parou para ver o lado positivo dela ter topado?

- Existe um lado positivo?

- Branquinha, é o lado mais positivo do mundo! Aceitando cumprir o desafio, ela só provou para toda a mesa e para você que te ama! Porra, uma mina gostosa, tirando a roupa, rebolando no colo dela e o pau dela sequer subiu! Aliás, pelo que você me contou, ela sequer prestou atenção.

Eu realmente nunca havia pensado por esse lado. Respirei fundo e comecei a pensar a respeito.

- A mina tá tão na sua, que ela sequer sente vontade de ter outras. E ainda por cima, ela se torturou para não transar com aquela ômega. E eu digo torturou porque é extremamente doloroso para nós, ver um ômega no cio e não poder transar.

Ele se sentou na escada do estoque e eu sentei-me ao seu lado.

- Sério branquinha, a dor que sentimos é como se facas estivessem sendo enfiadas em nossas genitálias. No exército, somos obrigados a passar por isso durante o treinamento, para que nós consigamos controlar o Alpha Interior. A tua garota, passou por um teste militar sem ter nenhum preparo. Por amor à você, ela se obrigou a manter o autocontrole.

- Sei lá… - Ele continuou depois de uma longa pausa. - Acho que ela te deu tantas provas do amor que sente por você… O único suposto erro dela foi não ter recusado a dança. Mas acho que depois de tudo, isso é algo bem pequeno - Deu de ombros. - Não estou dizendo que você está errada, porque você não está. Só estou tentando melhorar a situação, fazendo você enxergar por um outro ângulo.

- É… - Suspirei, ainda refletindo sobre tudo o que Matts havia dito.

- E outra… Se ela foi capaz de controlar o Alpha Interior, não excitar com uma lap dance, tudo porque te ama e se satisfaz com você, acha que ela vai dar trela pra uma mina que ela não vê há três anos?

- Talvez você tenha razão…

- E com relação à luta, deixa a menina lutar, se é o que ela quer, o que você pode fazer? - Ergueu uma sobrancelha. - É como ela disse, você pode ficar de cara virada ou pode simplesmente aceitar a decisão dela. O que te faz se sentir melhor?

- E sobre ela ter te contratado sem me avisar? Ou sem perguntar se eu queria?

- Bom, isso é culpa minha. Eu a garanti que com conversaria com você. Se soubesse que daria essa treta, teria falado.

- Você conta a ela tudo o que eu faço?

- Não. Ela disse que o foco era te proteger e não te espionar. Não dou a ela informação nenhuma sobre você. E ela nem me pede também.

Ficamos naquele estoque por meia hora, Matts havia me ajudado a entender muitas coisas e eu cheguei à conclusão que realmente exagerei. Não que eu fosse a errada da situação, porque eu não era, meu único erro, foi ter parado de falar com a minha alfa.

Adam percebeu minha ausência e perguntou o que estava acontecendo. Mas como eu contaria para ele que a ômega que ele estava apaixonado, era apaixonada pela minha alfa?

O alfa aceitou o fato de eu não querer contar e me deu a opção de ir para casa. Isso só me faria pior, porque não pararia de pensar nisso, então minha única solução foi mergulhar de cabeça no trabalho. Passei o resto do dia completamente focada em minhas obrigações. 


Notas Finais


O que acham? Camila vai lutar, quais são suas apostas?

PS: Sinto muito se alguém esperava uma briga colossal entre as duas. Isso não vai acontecer.


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