História Be My Voice - Capítulo 12


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Categorias Os Instrumentos Mortais, Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Catarina Loss, Jace Herondale (Jace Wayland), Magnus Bane
Tags Aleclightwood, Magnusbane, Malec
Visualizações 553
Palavras 4.343
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, LGBT, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Sobrenatural, Suspense
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Spoilers, Tortura
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Gente, eu vou dar um spoilerzão (que deveria ser óbvio) para a pergunta que vocês têm me feito desde o capitulo 1:
"O Alec vai crescer nessa história?"

→ OLHEM A CAPA DA F.A.N.F.I.C. ←





PS: muito obrigada Fernanda, por me mandar essa fanart ↓ perfeita e que inspirou uma cena ♥

Capítulo 12 - Ele só tem 15 anos


Fanfic / Fanfiction Be My Voice - Capítulo 12 - Ele só tem 15 anos

Catarina estava em choque ao ver o estado de Magnus com Alec nos braços.

Ele parecia completamente perdido, mesmo sabendo que o menino concordara em fazer toda aquela encenação depois que Kieran avisou que as Fadas que atacaram na floresta estariam no Mercado das Sombras naquela noite.

Do seu cantinho escondido atrás de uma moita, a feiticeira encerrou os feitiços daquela falsa morte e estava prestes a ir até os dois, mas decidiu ir atrás das Fadas.

Ambas correram de volta ao Mercado das Sombras para tentar libertar a irmã engaiolada, e apesar de estarem furiosas, também estavam convencidas de que Alec havia morrido mesmo e agora precisavam arrumar outro entretenimento para sua Rainha.

Satisfeita, Catarina voltou até o campo perto da Ponte e encontrou Magnus com Alec ainda em seu colo.

Ele tinha deixado bem claro desde o inicio que não queria colocar o menino nessa situação perigosa e que ao invés disso iria até a Corte matar a Rainha para salva-lo.

Porém Alec não era nada burro.

Mesmo sem ninguém ter mencionado, ele entendeu que se Magnus matasse a Rainha, todos os seus súditos o caçariam, e por isso saiu correndo naquela noite, repassando o plano na cabeça de novo e de novo.

- Precisamos sair daqui. - Catarina sussurrou assim que se aproximou dos dois. - O plano deu certo, mas elas ainda podem voltar.

Magnus apenas assentiu levemente e abriu um Portal com uma mão enquanto segurava Alec com a outra.

Quando pousaram no meio da sala de seu loft, viu que Jace ainda estava emburrado no sofá ao lado de Ragnor, mas ele correu até o amigo e começou a fazer um milhão de perguntas.

Magnus colocou Alec no chão e nem esperou Catarina começar a explicar tudo o que tinha acontecido, ele simplesmente se retirou sem dizer qualquer palavra e se trancou no quarto.

 

****

 

Alguns dias depois, Alec estava distraído em seu quarto no orfanato quando Jace entrou correndo e se jogou na cama, cobrindo o rosto com o lençol.

Não era nada incomum Jace entrar ali quando bem entendesse, Alec até gostava quando ele chegava sorridente, mas não havia sorrisos no rosto do amigo agora.

Não havia qualquer cumprimento ou alguma piadinha que ele sempre fazia.

Só havia soluços.

- Jace? - Alec murmurou preocupado enquanto caminhava até a cama e retirava o lençol de cima dele.

Quando o fez, percebeu que Jace estava chorando.

Jace nunca chorava, por nada, então o coração de Alec falhou no peito.

- O que aconteceu? Você se machucou?

- Alguém quer me adotar. - Ele disse com a voz embargada enquanto se sentava, e mais uma vez o coração de Alec falhou.

Sabia que esse dia chegaria, afinal Jace era tudo o que as famílias procuravam, mas não imaginou que fosse doer tanto.

Alec já não conseguia mais imaginar uma vida sem Jace ao seu lado.

- O-o quê? - Sua própria voz saiu embargada sem que pudesse controlar.

- A professora Sophie me chamou na sala dela e disse que tem alguém querendo me adotar.

- Quem?

- Eu não sei. Eu saí correndo e vim direto pra cá.

- Mas não era isso que você queria? Ser adotado por uma família?

- Não! Eu não preciso de um pai e uma mãe. Eu só queria um irmão. - As lágrimas dele ficaram mais frequentes e Alec simplesmente o abraçou, querendo chorar junto. - Eu encontrei você Alec, então não me deixa ir embora. Não deixa eles me levarem, por favor.

Alec não tinha ideia de como poderia impedir uma coisa dessas, mas estava prestes a prometer que não deixaria ninguém leva-lo quando alguém bateu na porta.

Os dois meninos se abraçaram ainda mais e desejaram poder desaparecer num passe de mágica, mas então a pessoa do outro lado falou.

- Alec, querido. Você viu o Jace?

- Ah! É só a Catarina. - O menino murmurou e começou a se afastar para ir abrir a porta.

Jace voltou a se encolher embaixo do lençol, e assim que entrou, a feiticeira ficou preocupada.

- O que aconteceu? Por que ele está chorando?

- A profe Sophie disse que ele vai ser adotado. - Alec respondeu baixinho, encarando os próprios pés, e de repente Catarina sentiu um aperto no peito.  

Ela se sentou na pontinha da cama ao lado de Jace e acariciou seus cabelos.

- Conversa comigo, querido. Você não quer ser adotado?

- Eu não quero me separar do Alec. - Ele disse após uma breve pausa em que fungou e limpou os olhinhos. - Eu não quero viver com estranhos. Eu só queria um irmão, e agora que eu encontrei vão me separar dele.

Catarina piscou lentamente e o aperto em seu peito foi diminuindo.

- Mas eu não sou uma estranha, querido. Quer dizer... pelo menos eu acho que você não me considera assim. E quanto ao Alec... ele vai ser adotado também.

- O quê? - Os dois meninos disseram ao mesmo tempo, lado a lado e com os olhinhos arregalados.

Catarina sorriu retirando alguns papeis do bolso interior de seu casaco e mostrou a eles.

 

FORMULÁRIO DE ADOÇÃO

Jonathan Christopher Herondale e Alexander Gideon Lightwood

 

- Acho que aconteceu algum mal entendido porque não é nenhum estranho que quer te adotar, Jace. Sou eu. E caso não seja tão óbvio quanto eu esperava que fosse... eu também quero te adotar Alec. Oficialmente. Vocês dois são muito importantes um para o outro, e também são muito importantes para mim, então se aceitarem poderemos nos mudar até o fim dessa semana e viver juntos como uma família.

Jace abriu a boca para falar alguma coisa, provavelmente responder se aceitava ou não ser adotado por ela, mas Alec se adiantou.

- Nos mudar? Pra onde?

- Pro Kansas. Fica há umas 4 horas daqui. - Ela disse, e por instante parece até que viu o coração de Alec afundar no peito.

Ele lutou para não demonstrar sua decepção, mas ela sabia o motivo para ele ter ficado assim, então sorriu e se apressou em continuar.

- Sei que é um pouquinho longe, mas o Magnus achou que fosse mais seguro sairmos da cidade caso aquelas Fadas fiquem rodando por aí. Então ele nos convidou para morar com ele em seu loft no Kansas.

Num piscar de olhos o rostinho inteiro de Alec se iluminou.

Ele encarou Jace, que já o encarava de volta, e ambos conseguiram se comunicar telepaticamente.

- Então... vocês aceitam? - Catarina voltou a perguntar após uma breve pausa. - Aceitam ser adotados e ir morar em outra cidade?

Com uma gargalhada emocionada os dois meninos se jogaram nos braços dela e deram a única resposta possível.

- SIM!

 

 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

 

~ 7 ANOS DEPOIS ~

 

Magnus tinha várias propriedades ao redor do mundo, mas mesmo não conhecendo todas, aquele loft no Kansas era um paraíso para Alec.

Seu quarto era praticamente uma réplica do quarto que tinha em Londres, só que agora um pouco mais “adolescente”, e o melhor de tudo era que ficava ao lado do quarto do feiticeiro.

Ele não sabia por que adorava esse fato, sendo que Magnus deixou bem claro desde que se mudaram para lá que sua porta só abria para uma única pessoa, e que qualquer outra pessoa que não seja ele mesmo seria barrado por um feitiço.

Um dia, quando tinha 12 anos, a curiosidade tomou conta de Jace, e quando Magnus saiu ele foi tentar abrir a porta.

Alec ficou observando de longe, e caiu na gargalhada quando o irmão levou um choque e ficou com o cabelo todo em pé estilo Johnny Bravo.

Depois daquele dia o loiro passou a grudar na parede oposta para chegar ao próprio quarto no final do corredor, e Alec ria disso até hoje.

- Como é que você ficou mais alto do que eu? - Jace murmurou com uma pequena carranca enquanto entrava no quarto do irmão.

Era pouco mais que 7h da manhã de uma sexta-feira e eles já estavam atrasados para aula.

Alec estava de frente pro espelho terminando de ajeitar o cachecol ao redor do pescoço e saiu de seus devaneios dando de ombros.

- Sei lá, Jace. Essas coisas acontecem.

- Isso não é justo. Eu deveria ser o irmão mais alto e mais bonito, lembra?

- E mais convencido, não? Nós temos 15 anos agora. Talvez o meu crescimento esteja ganhando essa corrida porque eu não vivo comendo porcaria por aí. Se continuar assim você vai estar baixinho e gordo até os 18. - Alec disse com uma suave risada e Jace lhe acertou com um travesseiro, mas acabou rindo também.

- Idiota! Acho que aceito você ser mais alto. Só que eu continuo o mais bonito, ok? E por falar em ficar gordo... eu estava pensando em começar a fazer academia. Você topa? Tem aquela que fica no caminho da escola. A gente podia sair e ir direto pra lá.

- Isso não tem haver com aquela ruivinha chata que malha lá, né?

- Pra sua informação o nome dela é Clary e ela não é chata. Talvez ela tenha uma pequena influencia nisso, mas eu achei que seria bom fazer alguma coisa pra manter nossos corpos perfeitos para sempre perfeitos.

Alec revirou os olhos e colocou sua mochila sobre o ombro enquanto saía do quarto.

- Existe mais nesse mundo do que beleza, Jace. Mas eu topo... - O moreno se interrompeu quando passou pela porta e esbarrou em alguém.

O perfume de Magnus o invadiu imediatamente e as mãos dele seguraram seus braços antes que desabasse no chão.

Alec iria mesmo cair, só não tinha certeza se era por causa da colisão ou por estar tão perto assim de Magnus.

Aqueles olhos.

Aquele cavanhaque.

Aquele rosto todo que ficava mais lindo a cada dia.

Alec e Jace só descobriram quando tinham 10 anos que feiticeiros eram imortais e que envelheciam só até determinada idade, mas desde aquele dia o moreno ficava divido entre agradecer ou amaldiçoar esse fato.

Por um instante parecia que voltou a ser criança, quando ambos sempre arrumavam qualquer desculpa para parar nos braços do outro, só que agora a sensação que Alec sentia era mil vezes mais poderosa.

- Me desculpe. - Ele tentou dizer, mas sua própria voz o traiu.

Magnus continuou lhe segurando mesmo após estar recomposto, e Alec não reclamou.

- Você está bem?

- Sim... eu só estava distraído.

Os dois apenas se encararam por longos segundos até que a voz de Jace ecoou ao lado.

- Vocês são muito esquisitos, sabiam?

Magnus soltou Alec lentamente e virou a cabeça na direção dele com um olhar que fez o loiro se encolher.

- Vocês não deviam estar na escola?

- Sim, mas realçar minha beleza demora, por isso estamos atrasados, então seria muito bom se você abrisse um Portal pra gente.

Jace deu um sorriso brilhante ao falar, mas Magnus apenas ergueu uma sobrancelha e cruzou os braços, então ele se virou para o irmão.

- Alec, peça para ele abrir um Portal até a rua de trás da escola.

- Por que eu? Você acabou de pedir. - O moreno protestou com as bochechas levemente coradas.

- Porque pra você ele diz sim.

Qualquer novo protesto morreu na garganta de Alec, e ele simplesmente encarou Magnus.

- Por favor, Mag. O Jace vai ser suspenso se tiver outro atraso e eu tenho prova no primeiro período.

O sorriso de Jace voltou a brilhar quando Magnus esticou a mão para o lado e suas faíscas começaram a abrir um Portal.

Alec sorriu também em agradecimento e estava prestes a saltar atrás do amigo quando o feiticeiro segurou seu pulso.

- Tenha cuidado. - Ele disse baixinho e usando seu olhar de “me chame se precisar”.

O moreno tinha o numero dele na discagem rápida do celular desde os 13 anos, mas ao invés de lembrar isso ele simplesmente puxou um colarzinho sob a gola do casaco e mostrou o pingente com a pedrinha lilás.

Naqueles 7 anos que se passaram desde sua falsa morte, Alec não viu muitas coisas sobrenaturais no Kansas além de alguns outros feiticeiros e alguns vampiros, mas mesmo assim carregava aquele fragmento de Portal pra onde quer que fosse, seja no pescoço ou no bolso.

Queria ficar segurando aquilo o tempo inteiro, mas vivia pensando em Magnus, e isso poderia ser um problema.

“Se em algum momento você precisar de mim, basta aperta-lo bem forte e pensar em mim que eu virei.”

- Eu te chamo se precisar, Mag. - Alec disse com um sorrisinho e atravessou o Portal atrás de Jace.

 

****

 

Foi difícil prestar atenção na prova e em todas as aulas daquela manhã.

Foi difícil prestar atenção na inscrição da academia e nas instruções que recebia naquela tarde.

Foi difícil até mesmo prestar atenção no jantar e no que Catarina dizia para Magnus naquela noite.

Alec estava empurrando o arroz de um lado pro outro no prato enquanto seus olhos estavam discretamente presos em Magnus, que ria de algo que Catarina contou sobre o que aconteceu no hospital em que trabalhava.

Pelo menos Alec pensou que estava sendo discreto, até que seu celular vibrou no bolso.

Ele pegou e viu que era uma mensagem de Jace, sendo que Jace estava sentado quase ao seu lado.

 

J: Você está fazendo aquela cara de novo!

A: Não estou não!!! Espera.... que cara?

 

Jace apertou os lábios para não rir e voltou a digitar.

 

J: Aquela cara de “Magnus Bane é o sol nascendo no horizonte depois de uma cruel tempestade e a risada dele é a melodia mais maravilhosa já composta”

 

- Isso não é verdade! - As palavras ecoaram e Alec só percebeu que tinha dito em voz alta quando Jace começou a gargalhar. - Aff! Você é um idiota, Jonathan.

- Hei! Nada de xingamentos na mesa do jantar. - Catarina murmurou e Alec quis se esconder embaixo da mesa quando Magnus virou em sua direção.

- O que não é verdade?

Ainda rindo, Jace se ajeitou na cadeira e tentou respirar fundo para responder, já que Alec parecia um pimentão de tão envergonhado que estava.

- Eu disse pro Alec que o nosso amigo George viu ele dando em cima de uma garota do 2º grau hoje.

Alec abriu a boca pra protestar, mas fechou de novo quando encarou Magnus e o viu completamente sem expressão.

O conhecia o suficiente para saber que era assim que ele ficava quando não gostava de alguma coisa mas tentava esconder.

- Como é o nome dessa garota? - Catarina perguntou parecendo animada. - Eu a conheço? Quantos anos ela tem?

- Por favor... será que podemos mudar de assunto? - Alec implorou. - Qualquer outro assunto.

- Hmmm! Você não vai escapar por muito tempo dessa conversa, mocinho. Mas sim, podemos mudar de assunto agora. Eu estava pensando em assistirmos um filme na sala de cinema. O que acham? Faz tempo que não fazemos isso, né?

- Excelente ideia. - Jace foi o único a responder, e Alec não gostou nada do sorriso estampado no rosto dele. - Eu escolho o filme!

 

****

 

Jace sempre foi uma pessoa irritante que Magnus aturava somente por causa de Alec, mas agora o feiticeiro quis arrancar cada fio da cabeça loira dele quando o viu ocupando todo o espaço disponível ao lado de Catarina no grande sofá da sala de cinema.

O segundo sofá era menor.

Muito menor.

Duas pessoas cabiam facilmente ali, mas teriam que ficar muito próximas.

Nas outras vezes durante aqueles 7 anos em que fizeram sessões de cinema, Magnus não se importou nem um pouco de sentar com Alec.

Na verdade, ficarem lado a lado era algo esperado e automático.

Só que de uns tempos pra cá as coisas mudaram e muito.

Ficar perto de Alec agora, dessa versão adolescente e incrivelmente maravilhosa dele lhe provocava sensações poderosas que Magnus não entendia, mas tinha certeza de que não deveria sentir.

Olhar pra ele o deixava hipnotizado, e quando ele sorria, Magnus sentia que o cômodo inteiro começava a rodar. 

Talvez estivesse doente, concluiu em algum momento, mas feiticeiros não adoeciam, então pra evitar os efeitos evitava se aproximar ou olhar demais para Alec.

Por um tempo deu certo, mas naquela manhã quando se esbarraram no corredor, tudo voltou à tona.

A sensação que o invadiu ao encarar diretamente aqueles grandes olhos azuis, de tocar nele mesmo com camadas e camadas de roupa atrapalhando, de sentir o perfume levemente amadeirado que vinha dele era uma tortura.

 - Até que enfim você chegou! Achei que tinha caído na privada. - A voz irritante de Jace ecoou pela sala e Magnus saiu de seus devaneios como se tivesse levado um tapa.

Ele olhou para a porta e viu Alec ali parado, encarando o único espaço disponível para se sentar.

Magnus não conseguiu identificar a expressão dele, mas após alguns instantes Alec atravessou a sala até o pequeno sofá e se sentou ao seu lado enquanto Jace, esparramado no sofá grande com a cabeça no colo de Catarina, dava um sorrisinho malicioso e ligava o telão.

O filme era Assassinato no Expresso Oriente, e tanto Jace quanto Catarina encarnaram o detetive Hercule Poirot e ficaram discutindo baixinho entre si tentando descobrir quem tinha assassinado o Ratchett.

Alec parecia concentrado no filme em silencio, mas em algum momento suas mãos começaram a tremer no próprio colo.

Magnus constatou que ele estava com frio, então estalou os dedos e fez um cobertor aparecer ao redor dele.

Os olhos de Alec viraram em sua direção e um sorrisinho de agradecimento se formou.

Numa demonstração de supremo autocontrole, Magnus desviou o olhar dos lábios dele e ficou repetindo mentalmente.

“Ele só tem 15 anos! Ele só tem 15 anos! Ele só tem 15 anos!”

 Deu certo até Alec se remexer e acabar com o único centímetro que separava seus corpos naquele minúsculo sofá.

- Você está com frio também? - Ele perguntou.

- Eu... estou bem. - Magnus respondeu num fiapo de voz.

- Mas você está tremendo. Aqui. O cobertor é grande e acho que dá pra nós dois.

Mesmo sabendo que devia, Magnus não protestou quando o moreno esticou o cobertor até que os dois estivessem envolvidos.

Na verdade ele esticou o próprio braço, aconchegando Alec ainda mais perto, e quando a cabeça dele descansou em seu ombro, Magnus foi invadido por uma lembrança.

 

 

Feiticeiros não costumavam comemorar seus aniversários porque a maioria nem lembrava mais a própria idade, porém isso não importava para Alec.

Naquele dia 28 de abril, o menino de apenas 13 anos disse para Catarina que queria dar uma volta, mesmo estando frio e chovendo.

Ela o levou sem questionar, e quando voltaram algumas horas depois, o coração de Magnus subiu pra garganta.

A amiga tinha ido direto para o quarto de Jace tentando esconder um sorrisinho, mas Alec continuou parado ali no meio da sala e encarando os próprios pés.

Ele tinha saído com uma calça jeans e um moletom com capuz, mas agora usava um terninho adorável com o paletó em tons de branco, dourado, e uma gravatinha borboleta combinando com a calça escura.

Seu cabelo cuidadosamente penteado estava para o lado, mas alguns fios caíram e cobriram seus olhos quando ele olhou para baixo parecendo envergonhado.

Magnus também reparou que ele carregava um buquê com flores douradas, o dourado de seus olhos, e após um instante hesitando, começou a caminhar até o sofá em que estava.

- Feliz Aniversário, Mag. - Ele disse baixinho e estendendo o buquê.     

Magnus o pegou, completamente fascinado ou desnorteado, e seu coração pareceu derreter dentro do peito.

- Obrigado Alexander, eu amei. De verdade.

Alec finalmente ergueu a cabecinha e sorriu ao ver que Magnus sorria ao acariciar as pétalas das flores.

 

 

Naquele mesmo dia os dois se sentaram no sofá enrolados num cobertor, exatamente como estavam agora, mas ao lembrar como seu coração bateu mais forte antes, dessa vez os batimentos eram ainda mais furiosos.

Magnus teve medo de que Alec percebesse, já que a cabeça dele ainda descansava em seu ombro, então tentou prestar atenção em outra coisa.

O filme estava terminando e Jace já se gabava por ter acertado sobre quem era o assassino, e quando de fato terminou, Catarina deu um peteleco nele e começou a se espreguiçar.

- Agora já chega, senhor convencido. Sai de cima de mim que eu preciso dormir porque tenho plantão amanhã cedo.

Jace riu e atirou um beijo pra ela quando foi em direção à porta.

- Também te amo, mãe. Boa noite.

Chama-la de mãe não era incomum, tanto por Jace quanto por Alec, mas também não era algo frequente.

Ela se despediu de todos e desapareceu pela porta enquanto Jace saltava até a estante de dvds e escolhia outro.

- Vamos colocar outro filme, né? É! E eu já sei exatamente qual.

Magnus e Alec continuaram imóveis e enrolados no cobertor, mas o moreno entrou em pânico quando o nome COM AMOR, SIMON apareceu no telão e Jace começou a ir pra porta.

- A onde você vai? - Perguntou sem conseguir disfarçar o tom desesperado.

- Vou dormir, ué. Eu to com sono.

- Mas você disse que ia colocar outro filme....

- Eu disse que ia colocar, não que eu ia assistir. - Jace respondeu com seu sorrisinho malicioso e acenou para os dois. - Bom filme, e não durmam muito tarde.

A porta se fechou e Alec empalideceu uns três tons.

Fazia muito tempo que ele não ficava sozinho com Magnus, ainda mais numa sala semi escura e diante de um filme sobre romance gay.

Alec descobriu que era gay quando tinha mais ou menos 11 anos, e descobriu isso quando viu Magnus saindo do quarto uma vez apenas com uma toalha enrolada na cintura.

Ainda era uma criança naquela época e seus pensamentos ainda eram inocentes, mas conforme o tempo foi passando ele teve certeza de que estava apaixonado pelo homem que o fez querer voltar a falar e que o fez querer voltar a viver.

Estava apaixonado pelo homem que foi sua luz no meio de tanta escuridão.

- ALEC! - A voz de Magnus ecoou de repente e o moreno percebeu que não era a primeira vez que ele o chamava.

- O-o quê?

- Você ficou pálido. Tá passando mal?

*Eu só acho que a sala toda tá girando e que estou prestes a cair*

- Eu estou bem!

- Tem certeza? Não quer ir dormir também?

*Eu só quero ir lá sufocar o Jace com um travesseiro e volto logo*

- Eu estou bem, Magnus. - Alec repetiu enquanto voltava a se acomodar ao lado dele no pequeno sofá.

Podia muito bem pular para o sofá maior que agora estava desocupado, mas ele não queria isso, e à julgar pelo braço ainda esticado... Magnus também não.

- Eu só queria uma caneca de chocolate quente. - Alec concluiu, e bastou 2 segundos para consegui-la.

Magnus não olhou pra ele quando lhe entregou a caneca.

Na verdade tentou se concentrar o máximo possível no filme, mas aquela busca desesperada do personagem Simon tentando encontrar seu amor virtual não ajudava em nada.

De vez em quando o olhar do feiticeiro recaía involuntariamente para o jovem com a cabeça apoiada em seu ombro, e numa dessas vezes Magnus riu ao notar uma coisa.

- Você se sujou com o chocolate quente. - Avisou, e talvez tenha sido um erro porque Alec colocou a língua pra fora e tentou limpar.

- Saiu?

- Não. - Foi a única coisa que Magnus conseguiu dizer antes de segurar o queixo dele e puxa-lo pra mais perto.

A ponta de seus dedos tocou delicadamente nos lábios dele, limpando a fina linha da bebida que saiu com facilidade, mas Magnus continuou ali por um longo período, o segurando pelo queixo e alternando o olhar entre aqueles olhos azuis e aquela boca rosada.

O filme continuava passando no telão, mas de repente ficou tudo silencioso.

Magnus não conseguiu evitar em imaginar como seria o gosto daquele chocolate quente nos lábios dele, e nesse meio tempo Alec soltou uma pequena arfada antes de se inclinar um pouco mais em sua direção.

5 centímetros era todo o espaço que os separavam agora.

Alec arfou de novo e sussurrou um suplicante “Magnus”, mas o feiticeiro balançou a cabeça lentamente.

- Shh! Não fale nada, Alexander. Apenas me deixe olhar pra você.

Alec não falou mais nada e nem se moveu, mas seu coração parecia um tambor descontrolado no peito.

Sabia que não era a pessoa mais linda do mundo e nem desejava ser... mas naquele instante pareceu que Magnus lhe olhou exatamente como se fosse.

Os dedos dele deslizaram de seu queixo para a orelha, onde acariciou um pouco, depois para seus cabelos negros e bagunçados, onde acariciou também, e então desceram de volta, parando em sua bochecha esquerda.

Alec ficou tenso e tentou esconder o rosto, mas Magnus acariciou sua cicatriz com a ponta dos dedos e depois com os próprios lábios numa pequena trilha de beijos.

O moreno fechou os olhos e cravou as duas mãos nos braços dele, se firmando para não flutuar numa nuvem até o céu ou além dele.

A caneca que antes segurava tinha desaparecido e ele nem se importou pra onde.

Segundos ou minutos.

Alec nem soube dizer quanto tempo se passou, mas de repente o mundo inteiro fora daquele sofá deixou de existir.

Seus batimentos cardíacos entraram em colapso mais uma vez, e ele desejou ferozmente que os beijos descessem, mas Magnus fez o caminho oposto, subindo até a testa onde deu um ultimo selinho antes de se levantar.

- Está ficando tarde e você precisa descansar, Alexander. Outro dia terminamos de ver o filme.

Quando ele disse “Boa noite” e desapareceu pela porta sem olhar pra trás, Alec sentiu que sua nuvem tinha evaporado e agora estava caindo na mais alta velocidade, só esperando pelo momento em que atingiria o chão.

 



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