História Be My Voice - Capítulo 6


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Categorias Os Instrumentos Mortais, Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Catarina Loss, Magnus Bane
Tags Aleclightwood, Magnusbane, Malec
Visualizações 398
Palavras 2.650
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, LGBT, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Suspense
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - A sala de música


Fanfic / Fanfiction Be My Voice - Capítulo 6 - A sala de música

Depois que Magnus Bane foi embora, Alec ainda ficou um tempo sentadinho na pedra, pensando.

Sua mente estava agitada com tudo o que Magnus disse e sobre o que ele não disse também.

As duvidas sobre aquele homem, sobre a presença dele ainda o atormentavam porque ele era diferente de tudo e de todos.

Alec não queria se aproximar de ninguém que não fosse sua família, mas ele queria se aproximar de Magnus.

Queria muito, só não entendia o porquê.

Distraído, o garotinho começou a caminhar pelas árvores de volta pro orfanato, e foi só então que ele percebeu que haviam se passado várias horas desde que saiu correndo naquela manhã, e que seu sumiço não foi totalmente despercebido.

As crianças brincavam no jardim e o ignoravam, como sempre faziam, enquanto ele andava por ali.

Mais adiante, perto do instituto, a primeira pessoa que viu foi Jace, e apesar dele estar de costas, praticamente escorado no batente da porta, Alec soube que o amigo estava preocupado pela tensão em seus ombros.

Catarina estava lá dentro andando de um lado pro outro com o professor Ragnor, e ela murmurava que havia falhado como guardiã por não ter ideia de onde seu protegido estava.

A voz embargada dela fez o coraçãozinho de Alec se encher de culpa, e era mais do que óbvio que ele é quem havia falhado como protegido, e não ela como guardiã.

Ainda caminhando, Alec não lembrava de ter feito qualquer ruído, mas Jace se virou subitamente, como se tivesse sentido sua presença e gritou seu nome.

Ele começou a correr em sua direção, mas parou de repente e corou.

- Me desculpe. Eu sei que você não gosta de abraços. Mas eu estava preocupado.

Naquele momento Alec não se importou com esse fato e esticou os bracinhos.

Jace deu um grande e brilhante sorriso, e no segundo seguinte estavam os dois se abraçando.

Dois melhores amigos, tão diferentes um do outro, mas que se completavam de várias maneiras.

Catarina já estava parada na porta, com seus olhos castanhos arregalados e uma mão no peito tentando impedir o coração de escapar ao observar aquela cena.

Alec então se afastou de Jace e caminhou até sua guardiã.

Quando ele abraçou suas pernas, Catarina chorou.

Chorou e riu ao mesmo tempo.

- Ah meu menino. - Ela disse ao se abaixar para abraça-lo. - Você sumiu a manhã inteira e eu fiquei tão preocupada. Nunca mais faça isso, por favor.

Ragnor estava ali também e os olhava com curiosidade.

- Ele sumiu por horas e de repente voltou todo receptivo à abraços. Não é por nada não, mas eu acho que alguém raptou o verdadeiro Alec e colocou uma cópia no lugar.

Catarina lançou um olhar feio na direção dele e o espantou antes de voltar a focar sua atenção em Alec.

- Você está bem, querido?

O garotinho assentiu imediatamente e depois negou quando ela perguntou se ele tinha se machucado.

- Você estava aqui perto? - Jace deu um passinho pra se aproximar mais deles e questionou baixinho, sabendo que “Onde você estava?” não funcionaria.

Ele sempre escolhia bem suas palavras com Alec, e dessa vez não foi diferente.

O garotinho confirmou com a cabeça que estava por perto e Jace o analisou mais intensamente quando viu as bochechas do amigo ganharem uma coloração vermelha.

- Humm.... e você estava aqui perto... sozinho?

Alec travou nesse momento e seu coraçãozinho começou a bater mais rápido.

Ele não queria que ninguém soubesse de Magnus, até porque ainda nem tinha certeza se ele era real, então assentiu freneticamente com a cabeça e correu lá pra dentro.

Por sorte não foi seguido.

 

****

 

No dia seguinte Alec ficou esperando Magnus aparecer, mas isso não aconteceu.

Nem no dia depois daquele, nem no outro, ou no outro.

Quando uma semana havia passado, ele começou a ter certeza de que aquele dia no meio das árvores foi um sonho, e que Magnus Bane era nada mais do que um fruto de sua imaginação.

No inicio da noite de sábado, a maioria das crianças foi pro salão principal assistir Tv com alguns professores, mas Alec esfregou os olhinhos quando Catarina o convidou para ir lá também e foi direto pro quarto.

Ele colocou o pijaminha e se deitou, esperando dormir imediatamente, mas vários minutos se passaram e ele não conseguiu relaxar.

Sua mente vagava para Magnus, sempre para Magnus e para as palavras que ele disse.

“Eu vou voltar! Eu prometo, Alexander”

Ele não gostava de ser chamado assim, mas tudo mudava quando se tratava de Magnus.

*Esse homem não existe* - Uma voz ecoou na sua cabeça, e com um suspiro Alec desistiu de dormir e pegou seu caderno debaixo do travesseiro.

O caderno que carregava pra todo lado e virou praticamente uma extensão de seu corpo, principalmente no ultimo mês.

Ele folheou alguns desenhos, mas pulou logo para a última página.

Seus dedinhos foram contornando distraidamente aqueles traços que eram tão claros em sua mente, até que levou um susto ao ver uma luzinha pequena e redonda passando pela porta.

Um vagalume, Alec pensou de inicio, mas sabia que não era isso porque a luzinha era azul e atravessou uma porta fechada antes de começar a... dançar?

Ele ficou observando a luzinha se balançando de um lado pro outro graciosamente, até sumir outra vez pela porta fechada.

Alec calçou as pantufas e atravessou o quarto para ir atrás dela, e quando abriu a porta, viu que a luzinha continuava ali, o esperando.

Ele deu um passo e a luz recuou, começando a dançar para longe.

Alec estava curioso e hipnotizado, então simplesmente a seguiu pelos corredores até que ela sumiu por uma outra porta, agora entreaberta.

A sala de música.

Ele fechou a porta depois de entrar e continuou seguindo a luzinha até o outro lado da sala deserta, onde simplesmente desapareceu perto de uma estante.

O garotinho começou a correr para tentar descobrir o que tinha acontecido com ela, mas devido aos seus passinhos apressados, acabou esbarrando em alguma coisa.

Não.

Não era alguma coisa, era alguém.

Seu corpinho bateu nas pernas de uma pessoa, e devido à força do impacto ele acabou cambaleando.

Alec iria cair.

Tinha certeza disso, mas se surpreendeu quando braços fortes o envolveram e o ergueram do chão antes da queda.

Ninguém o segurava no colo a mais de um ano, desde que sua família morreu, e o susto foi tanto que ele começou a se remexer freneticamente com os olhinhos fechados, querendo sair dali.

- Hey, Alec! Se acalme. Eu não quero te machucar. - Uma voz familiar ecoou, fazendo-o parar com seus movimentos subitamente.

O garotinho paralisou naquele instante e seu rosto inteiro ficou em vários tons de vermelho.

Ele conhecia aquela voz.

Sonhou com aquela voz a semana inteira.

Era Magnus Bane.

- Olha pra mim, Alexander. - Magnus pediu suavemente. - Você lembra quem eu sou?

Um minuto se passou, então dois, e o coraçãozinho de Alec ficou palpitando cada vez mais.

Ele estava encolhido no colo de Magnus, ainda assustado pelo pequeno acidente e por estar de fato no colo de alguém, ainda mais alguém que julgava não ser real, por isso levantou a cabeça e abriu os olhinhos devagar, quase parando.

O olhar de Magnus se conectou com o seu e Alec viu preocupação ali, fazendo seu rostinho ficar ainda mais vermelho.

- Você se lembra de mim? - O homem perguntou de novo.

O toque de suas mãos era incrivelmente gentil nas costas do menino, seu colo quentinho, e era como se ele estivesse tendo todo o cuidado do mundo para não espanta-lo.

Alec assentiu com a cabecinha e Magnus abriu um sorriso involuntário.

Nunca se importou com crianças, mas uma voz irritante na sua cabeça insistia em dizer que com Alec ele se importava, e muito.

Tinha um forte pressentimento de que deveria estar ali, por isso voltou para perto daquele menino.

- Você está bem? - Questionou após uma breve pausa.

Alec assentiu mais uma vez, seu olhar nunca deixando o de Magnus.

- Que bom. Minha entrada deveria ter sido mais graciosa, só que as coisas não saíram muito de acordo com o plano.

Os pensamentos do garotinho estavam dando cambalhotas na sua cabeça, e o fato de estar daquele jeito, no colo dele, o deixava extremamente nervoso.

Ele deu um puxãozinho na gola da camisa de Magnus e se agitou de novo antes de encarar o chão.

O homem entendeu imediatamente e o soltou com delicadeza.

- Desculpe. Assim está melhor?

Na verdade não estava.

Alec se arrependeu em segundos de ter descido do colo dele, mas não admitiria isso, então desviou a atenção apontando para onde a luzinha dançante tinha desaparecido minutos atrás.

Outra vez, Magnus entendeu imediatamente e estalou os dedos.

A luzinha reapareceu de repente e começou a dançar sobre a mão dele.

Os olhos de Alec eram grandes bolas azuis quase saltando das órbitas em deslumbramento, e por isso Magnus riu.

- Você gostou? Eu não tinha certeza se você a seguiria, mas resolvi tentar mesmo assim.

Alec deu um passinho mais pra perto, curioso, mas recuou quando Magnus esticou a mão oferecendo a luzinha.

- Não tenha medo. Eu prometo que ela não machuca.

O menino pensou por alguns instantes, considerando se aceitava ou não, e Magnus esperou pacientemente, se distraindo com o tom vermelho ainda presente em suas bochechinhas, só que mais claro agora.

*Tão adorável* - Pensou, mas tratou logo de afastar esse pensamento antes que a voz irritante voltasse a perturba-lo.

Alec ainda encarava a luzinha com certo receio, mas por fim esticou a própria mão minúscula e Magnus empurrou aquela fagulha de magia pra ele.

O rostinho inteiro de Alec se iluminou em completo fascínio quando a luzinha azul começou a dançar na mão dele, e a sombra de um pequeno sorriso brotou em seus lábios.

Era uma certeza absoluta que Catarina mataria Magnus se soubesse que estava mostrando uma fagulha de magia para seu protegido, mas ele não conseguia se conter.

Queria que Alec sorrisse de novo, e nada mais importava além disso.

Aquele menino não merecia sofrer mais, e se Magnus pudesse trazer um pouco de alegria pra vida dele... é o que faria.

- Eu andei pensando nessa ultima semana... - Ele começou a dizer, atraindo a atenção do garotinho. - E isso deveria ser uma decisão da sua guardiã, mas eu acho que você merece saber.

Alec de repente se esqueceu por completo da luzinha, que acabou evaporando, e seus olhos focaram no homem que andava de um lado pro outro.

Aquilo deixou o garotinho nervoso, e ao perceber isso, Magnus parou e se agachou na frente dele.

- Existem coisas nesse mundo que nem todos podem ver ou entender. Coisas como magia. Essa luzinha que eu mandei pra te buscar é um exemplo.

Alec franziu o cenho em confusão e Magnus estalou os dedos de novo.

Dessa vez a luzinha azul que surgiu começou a se contorcer, se esticar e tomar forma.

Um gatinho apareceu em meio à chamas dançantes, e Alec recuou assustado.

Seus olhos se arregalaram e ele arfou com medo e surpresa.

Nunca viu nada parecido com aquilo, e nem imaginou que algo assim fosse possível.

*Eu estou sonhando* - Ele pensou.

Só podia ser isso.

Mas não era.

Magnus estava mesmo ali com a mão estendida enquanto chamas azuis na forma de um gato balançavam alegremente sobre seus dedos.

- Não precisa ter medo, Alexander. Eu jamais faria qualquer coisa pra te prejudicar. - A voz de Magnus era suave, gentil e convidativa. Isso fez com que o garotinho se aproximasse novamente e observasse de perto a coisa mais surpreendente que aconteceu em sua curta vida. - Isso é fogo sim, mas eu juro que esse não queima. 

Aquela sala de música era um completo silencio, a luz ao redor estava fraca e os dois estavam parcialmente escondidos atrás de uma estante, mas de repente pareceu que Alec tinha entrado em outro mundo.

Ele arfou de novo quando o gatinho mágico o encarou e começou a balançar o rabo de um lado pro outro.

- Você já ouviu falar de feiticeiros? - Magnus perguntou. Os olhos cravados em Alec o tempo inteiro. - Sem ser os do Harry Potter?

Alec negou lentamente com a cabecinha, intrigado, e Magnus decidiu não perguntar sobre vampiros, lobisomens ou fadas.

Era óbvio que, o que quer que a Família Lightwood fosse, nunca falaram nada para aquele menino.

- Bem... existem alguns tipos de magia e algumas pessoas que podem controla-las. Eu sou uma dessas pessoas, Alec. Eu sou um feiticeiro com poderes mágicos.

Magnus fez uma pausa e remexeu os dedos, fazendo o gatinho sumir enquanto Alec absorvia aquela informação.

- Lembra daquele dia que eu estava conversando com a Catarina no jardim? Eu estava sob um feitiço de invisibilidade, e é por isso que você não deveria ter me enxergado. Pessoas comuns não podem ver nada do mundo mágico, a menos que lhe deem essa chance. Você me viu porque você é um menino especial. Você tem a capacidade de ver o que quase ninguém consegue. E sinceramente... eu estou feliz por isso.

A mente do garotinho entrou em conflito enquanto escutava aquilo tudo.

Uma parte de si dizia que aquele homem era um completo maluco e que o gatinho feito de chamas azuis não passava de um fruto da imaginação de uma criança.

Mas outra parte, a maior parte acreditava em Magnus e em tudo o que ele disse ou mostrou.

Mágica era real.

Magnus Bane era real e era um feiticeiro.

De repente Alec começou a cambalear e Magnus se esticou imediatamente para pega-lo, mas o garotinho estendeu a mão, fazendo-o parar enquanto tentava recuperar o equilíbrio sozinho.

Seu olhar se direcionou pro chão e ali permaneceu.

- Me desculpe. - O homem sussurrou. - Eu não queria te assustar, só queria que você soubesse a verdade sobre mim. Nunca fui muito fã de crianças e ainda não entendo muito bem o que está acontecendo. Mas você é diferente. Você despertou uma curiosidade em mim e isso é extraordinário porque eu sentia que estava começando a petrificar. Nada mais me atraía, nada mais me fascinava... até você aparecer.

Alec voltou a erguer lentamente o olhar pra ele, e já não podia negar que também estava fascinado por aquele homem.

Mas também estava confuso, e Magnus percebeu isso.

Magnus sempre percebia o que se passava em sua cabecinha.

- Acho melhor você voltar pro quarto agora. Está tarde.

Alec assentiu mas não se moveu.

- Você quer que eu te acompanhe? - Magnus arriscou cautelosamente, e um sorriso acabou brotando em seu rosto quando Alec assentiu mais uma vez.

Seria perturbador se Catarina ou até mesmo Ragnor aparecessem por ali, mas Magnus não se importou.

Começou a caminhar com Alec pra fora da sala de música e se surpreendeu quando ele esticou a mãozinha e pegou na sua enquanto passavam pela porta.

Magnus percebeu com uma pontadinha de satisfação que aquele menino gostava de seus anéis, e o deixou brincando distraidamente enquanto caminhavam de mãos dadas pelos corredores.

Por sorte estava tudo deserto, mas por azar chegaram rápido demais.

Magnus soltou a mão de Alec e se agachou na sua frente.

- Você vai ficar bem?

Após um segundo de hesitação o garotinho assentiu.

- E você quer que eu volte amanhã?

Mais um segundo e um novo aceno.

- Tudo bem, então eu prometo que volto amanhã. - Magnus disse com firmeza e o analisou com atenção.

Ficou esperando ansiosamente que o menino desse um sorrisinho, como havia feito na semana passada, mas ao invés disso Alec apenas se aproximou e deu tapinhas no seu ombro antes de desaparecer pra dentro do quarto.

Magnus ficou alguns minutos observando a porta fechada, sem saber se ria ou se suspirava.



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