História Beach, bitch? - Capítulo 1


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Categorias TWICE
Personagens Dahyun, Sana
Tags Dahyun, Girlxgirl, Oceano, Paixão, Praia, saida, Sana, Twice
Visualizações 38
Palavras 2.529
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: FemmeSlash, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


olá a todos. agradeço de coração a todos que deram uma chance a bb? e estão aqui agora. é uma one bem curtinha com um extra que irei postar logo logo ~suspense. é algo bem soft para você ficar adocicado e pensar em pequenas coisinhas que transformam a gente.
porque a vida é assim.

Capítulo 1 - Capítulo único; às vezes eu tenho inveja do mar


O corredor do colégio se encontrava cheio de alunos quando Sana passou por ele.

Eu a vi de relance, enquanto guardava meus livros no pequeno armário. Era difícil não reconhecer a garota que eu já estava tão acostumada a observar.

Enquanto meu olhar a seguia pelo caminho, subitamente o barulho que os estudantes faziam havia diminuído, dando lugar a diversos cochichos e olhares desaprovadores, até mesmo algumas risadas maldosas vindo de algumas garotas.

– Sana é mesmo uma vadia – ouvi uma garota comentar ao meu lado.

– O que Eunha esperava? Não é como se fosse a primeira vez que isso acontecesse – um garoto respondeu

– Já é uma surpresa que elas tenham ficado juntas por um tempo. Sana troca de ficante a cada semana – uma terceira pessoa comentou

– Como eu disse, uma vadia.

Mordi meu lábio enquanto via Sana retrair-se cada vez mais, abaixando a cabeça e apertando os livros contra o peito. Tinha a certeza que seus olhos estariam marejados. Uma vez a segui até ao banheiro depois de uma situação parecida e ouvi soluços abafados em uma das cabines. O coração doía ao vê-la assim, mas sempre faltava um pouquinho de coragem para chegar mais perto.

Como é que essas pessoas não percebiam que a estavam machucando? Será que não podiam deixar ela em paz nem por um instante?

– Acredita que ela rejeitou a Eunha? Elas já estavam se pegando há uns dois meses e assim que Jung fez o pedido de namoro ela simplesmente negou – Momo, que possuía o título de minha melhor amiga, estava escorada no armário analisando meu rosto. Eu sabia que ela estava esperando minha reação – Sana ainda disse que não queria mais nada com ela, como se não bastas-

– Eu sei, Momo. É meio impossível não saber – murmuro a última parte para mim mesma, mas Momo aparentemente havia escutado apenas pelo revirar de olhos que ganhei da mesma.

– Não é nossa culpa. Esse colégio precisa de algo para falar e, bom, ela está aí – a loira dá de ombros, como se não fosse nada demais.

– Esse é o problema! Parece que todo mundo quer dar uma opinião sobre a vida dela – quase bufo de irritação. Aquele assunto sempre voltava entre nós duas e, como sempre, Momo queria me fazer esquecer essa "paixonite" - como ela dizia - que eu tinha pela aluna mais velha – Vocês nem mesmo a conhecem e ficam dando palpite. Sana pode fazer o que bem preten-

– Quer dizer que a senhorita agora conhece ela? – Momo me interrompe de maneira sarcástica. Engulo em seco. Não, mas com certeza a conhecia melhor do que todos naquele lugar. Além do mais, toda história tem dois lados, e ninguém nunca parava para perguntar a Sana o lado dela. Vendo que eu não iria responder, a loira continua – Eu só não quero que você se machuque, Dahyun. Sana nunca se envolveu com ninguém de verdade e você sempre está sonhando acordada por causa dela.

– Obrigada pela preocupação unnie e, sem querer ser grossa, isso é problema meu – lanço um olhar de desculpas para ela – Eu não escolhi me apaixonar por ela e não posso deixar de fazer isso de uma hora para outra. Eu nem me importo se meu coração for partido, eu só quero... ficar com ela.

Percebo uma leve preocupação no rosto de Momo, mas ela mesma tenta disfarçar batendo em minha cabeça, o que me faz soltar um "Ai".

– Aish, no que você foi se meter – ela coloca um braço por cima dos meus ombros quanto me guia para a porta de saída – Eu me preocupo com você... se aquela garota te fizer mal, eu vou piorar a vida dela nesse colégio.

– Momo! – rio de suas palavras e a empurro levemente com o quadril, recebendo outro empurrão de volta.

☸ ☸ ☸

Eu não era uma pessoa que ia muito à praia. Não é como se não gostasse da brisa do mar, da areia fofinha grudando nos pés e das ondas abraçando as pernas. Só nunca pensava em tirar um pedaço do meu dia para visitá-la. Era burrice, porque todo aquele lugar era maravilhoso.

Obrigada por me fazer enxergar isso, Sana.

Era final da tarde quando meus pés tocaram a areia. Ir à praia no final do dia havia se tornado um costume agora, desde que a vi aqui há uns seis meses. Não é como se eu estivesse perseguindo Sana, foi por acaso que a encontrei, enquanto andava com minha mãe pela beirada do mar e notei sua silhueta não tão distante. Foi uma surpresa, na época só via a garota no território escolar, e pelo que falavam, não imaginaria que ela fosse alguém que ficaria a toa na praia, sozinha. Naquele dia, nossos olhares se encontraram e ela abaixou a cabeça, como se estivesse envergonhada. Talvez tivesse me reconhecido do colégio. Alguns passos depois e com Sana um pouco mais distante, minha mãe perguntou se eu a conhecia e eu respondi baixinho que sim.

"Ela parece ser uma boa garota", a mais velha falara, encerrando o assunto.

Desde então eu ia à praia todo dia, para ver o pôr do sol.

E todo dia, Sana estava lá.

Okay, talvez eu não fosse lá pelo pôr do sol.

No começo era meio difícil me aproximar. Quer dizer, aquela parte da praia não era muito visitada e quase sempre se encontrava deserta, com exceção de alguns casais apaixonados que precisavam de um lugar para namorar sem serem incomodados e mais algumas pessoas que iam sozinhas apenas por ir. Eu pensava se não seria meio pavoroso chegar perto dela e a ficar observando, tentando entender aquela garota que, para mim, era um mistério. Depois de um tempo conclui que sim, seria estranho e provavelmente Sana pensaria que eu fosse uma stalker psicopata.

Mas talvez eu seja, afinal, vou de encontro ao mar todo dia só para vê-la.

Para disfarçar, trazia uma toalha e a colocava um pouco mais atrás de Sana, o suficiente para conseguir ver o perfil de seu rosto e ouvir sua voz. Comecei a notar que ela sempre cantava baixinho e sorria quando o mar encontrava seus pés. Era a coisa mais linda que eu já havia visto em toda a vida, a voz doce apaziguando meu espírito – menos o meu coração, que parecia acelerar cada vez que uma nota saia de sua boca – enquanto o sorriso esquentava meu peito e a brisa que vinha do mar balançava seus cabelos escuros.

Sana não podia ser tudo aquilo que comentavam quando observava o mar, parecendo tão tranquila, tão frágil e tão indefesa. Eu só queria conhecê-la, desvendar cada pedacinho daquela garota tão incompreendida por todos.

Será que eles ainda a criticariam quando vissem o quão doce ela era?

Andei em direção do mar, olhando em volta a procura de Sana. A dúvida preencheu meus pensamentos, juntamente com um pouco de preocupação assim que não encontrei a silhueta que já estava acostumada. Sana sempre estava ali quando eu chegava. Sempre estava ali para ver o pôr do sol, que já estava fazendo seu caminho em direção ao mar.

Mas então porque não conseguia vê-la em lugar nenhum?

Uma onda de medo passou pelo meu corpo assim que me dei conta de que, durante seis meses de "encontros" na praia, esse era o primeiro que Sana não aparecia. Será que tinha acontecido algo grave? Ou ela apenas decidiu ficar em outra parte da praia? O pessoal do colégio poderia ter feito algo com ela, não é? E se ela mesma tivesse feito algo consigo? Milhões de questões passavam na minha cabeça enquanto eu andava e olhava para todos os lados, ainda a procura da garota de voz angelical que deixava minhas noites tranquilas.

Apenas parei quando senti a água salgada bater contra meus tornozelos. As ondas iam e vinham e meus olhos se fixaram no horizonte, onde o sol encontrava o mar. Eu não sei porquê me sentia tão vazia, como se algo em mim estivesse faltando.

"Eu só não quero que você se machuque, Dahyun", as palavras de Momo se fizeram presentes em minha cabeça. Eu nem mesmo conhecia Sana direito e estava tão apegada a ela que chegava a doer.

O que essa garota estava fazendo comigo?

– Ei, você está bem? – a voz doce fez com que eu voltasse à realidade. Uma voz que conhecia muito bem. Os olhos castanhos esbanjavam preocupação e eu podia sentir o toque de sua mão em meu pulso.

Uma onde de alívio inundou meu corpo assim que me dei conta de que era ela que estava ali. Sana estava bem do meu lado, falando comigo. E é claro, ela estava bem.

– Me desculpa – sorrio fracamente para tentar acabar com aquela preocupação que tomava conta de suas expressões – É só que... Bom, eu estava...

Aish, como eu iria explicar que estava apavorada com o fato de ela não ter aparecido na praia no horário de sempre?

– Não precisa explicar se não quiser – ela sorriu pequeno de volta. Eu senti meu rosto esquentar. Ainda bem que estava escurecendo – Você parecia perdida e assustada olhando para o pôr do sol assim que cheguei, e você sempre parece estar tão tranquila quando vem para cá... Foi só por precaução.

Eu realmente não sabia o que dizer. Sana sabia da minha presença na praia? Como sabia que eu aparentava tranquilidade? Ela me observava também? Parecia que meu corpo havia congelado e minha mente não conseguia pensar em absolutamente nada. Realmente, o quão patética Sana deve me achar agora?

– Eu já te vi no colégio – ela continua. Seu sorriso vacila ao pronunciar aquelas palavras e sinto um aperto no peito ao notar – Eu sou Minatozaki Sana. Ou só Sana. Você escolhe – ela ri da própria confusão e não posso deixar de rir baixinho junto.

– Kim Dahyun. Ou só Dahyun. Você escolhe – imito a frase e nós duas rimos novamente.

Ainda era irreal o fato de estar ali com Sana. Quero dizer, já tinha imaginado aquela cena mil vezes na minha cabeça, mas não esperava que fosse acontecer de verdade. Eu deveria estar sorrindo igual uma idiota.

Por um breve instante o silêncio se fez presente, mas não era como se fosse algo ruim. Me deu algum tempo para analisar a garota em minha frente, com os cabelos escuros soltos batendo em seu rosto, os lábios curvados para cima em um pequeno sorriso e os olhos fixos em mim. Meu coração batia rapidamente e eu não sei se ela conseguia perceber que minhas mãos tremiam.

– Você quer se sentar comigo? – não sai mais do que um murmúrio de meus lábios, mas Sana ouve, assentindo em seguida. Não sei de onde veio isso e nem de onde tirei força para falar, mas me senti menos nervosa, ainda mais com a resposta da garota. Tomamos lugar na areia mesmo, sentadas uma ao lado da outra, com as pernas esticadas em direção ao mar, que hora ou outra, agraciava nossas peles com as ondas já geladas.

Não que isso importasse, já que a presença de Sana ali fazia eu me aquecer.

Nossos olhares se perderam no oceano ali em frente, mas não pude evitar observá-la. Ela parecia ainda mais linda tão de perto, ainda mais com o brilho em seus olhos, que refletia as estrelas. Sana parecia maravilhada enquanto olhava para o mar e era inevitável não sorrir ao analisar sua expressão.

– Por que você está sendo legal comigo? – Sana de repente exclama, desviando o olhar para fixar-se em mim. A olho meio constrangida pelo fato de encará-la e meio confusa com a pergunta.

– Por qual motivo não seria legal com você? – respondo com outra pergunta, mesmo já sabendo a resposta. Vejo Sana olhar para baixo, não deixando que meus olhos encontrem os seus.

– Você não me reprimiu, não fugiu, não me ofendeu e nem me olhou com desgosto. E você estuda no mesmo colégio que eu. As pessoas de lá não são muito gentis – eu conseguia perceber a tristeza que sua voz emanava.

– As pessoas no geral não são muito gentis – dou de ombros – Todos fazem coisas ruins cada dia que se passa sem ao menos se importarem, mas é só outro alguém fazer alguma coisa que parece ser o fim do mundo – Sana pousou seus olhos em mim novamente – Hoje você se preocupou comigo e veio perguntar se eu estava bem – sorrio antes de continuar – Não é isso que importa?

Sana parecia processar cada palavra que eu havia dito e a surpresa estava evidente em seu rosto. Eu acho que ninguém nunca a defendeu assim e me sinto um pouquinho mais feliz ao pensar ser a primeira.

– Obrigada, Dahyun. De verdade – um breve sorriso formou-se em seus lábios e eu pude sentir minhas bochechas ficarem vermelhas, de novo. Os olhos de Sana focam-se no oceano novamente e a vejo entreabrir a boca e fechá-la repetidas vezes. Parecia que estava tendo um confronto consigo mesma sobre decidir ou não falar algo. A garota então respirou fundo e continuou – Eu já fiz bastante besteira. Magoei pessoas, quebrei corações. Mas não é como se eu gostasse disso, Dahyun – ela para por um momento e começa a enterrar e desenterrar suas mãos da areia repetidas vezes – Sabe, eu amo o mar. Desde pequena. Eu sempre me encantei com os seus tons de azul, com as ondas, com a água gelada. Ele é tão lindo e tão assustador ao mesmo tempo, e mesmo assim não consigo deixar de me sentir atraída por ele, assim como as ondas que se quebram e voltam. Quer dizer, olha para ele agora. Ele está logo ali, parecendo tão tranquilo, tão calmo. Quando o vemos assim, ninguém se lembra do quão profundo ele pode ser, ou dos mistérios que esconde em suas águas ou da força da correnteza. Às vezes eu invejo o mar por isso – ela ri baixinho – Ele também tem seu lado ruim, mas ninguém dá bola. Nós só temos vontade de mergulhar nele, de esquecer, de se perder na vastidão e na própria paz que ele dá. Eu sempre amei o mar, Dahyun, porque ele me traz sensações que mais ninguém traz. Eu sou uma má pessoa por isso? – ela se vira em minha direção e vejo pequenas lágrimas no canto dos seus olhos – Sou uma má pessoa por estar em busca do meu próprio mar?

Meu coração se aperta assim que vejo a tristeza em seu rosto. Sana, se você soubesse o quanto eu quero te proteger dessas pessoas, você nem iria mais se importar com elas. É inevitável quando cruzo minhas pernas e a puxo para meu colo, depositando um beijo em seus cabelos e a abraçando com todo o meu amor.

Eu só não suportava ver a tristeza em seus olhos e sentir a dor em sua voz.

Minhas mãos faziam um carinho suave em sua pele enquanto ela me abraçava de volta e encaixava seu rosto na curva do meu pescoço, causando arrepios e borboletas no meu estômago. Mal consegui ouvir o "Obrigada, Dahyun" que ela murmurou. Depositei outro beijo em seus cabelos, tanto para acalma-la quanto para sentir o cheiro de tutti-frutti de novo.

Minatozaki Sana poderia não ter achado seu oceano ainda. Mas eu havia achado o meu.

E não importaria em me afogar.   

☸   ☸   ☸



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