1. Spirit Fanfics >
  2. Beastars - A Vil Loba >
  3. Você pode me chamar de Juno.

História Beastars - A Vil Loba - Capítulo 2


Escrita por:


Capítulo 2 - Você pode me chamar de Juno.


Juno já deveria saber que o dia seria especialmente ruim assim que acordou e olhou que no relógio de parede marcava 5h17 da manhã enquanto ouvia o som estridente de garrafas quebrando do lado de fora do prédio. 
— É sempre assim. Geralmente durmo bem pela noite para aguentar o dia todo alerta e acordado, de olho nas confusões clandestinas que o Black Market parece sempre atrair. — Gohin apressou-se a dar uma explicação enquanto molhava as plantas do consultório. Explicou que seu apartamento ficava no andar superior do mesmo prédio de dois andares que encontrava-se seu consultório, que basicamente o prédio era inteiro dele e isso facilitava a sua vida. Juno pulou do divã com agilidade. — Escove as presas. É hora de ir para a faculdade, pirralha. 
Juno desceu as escadas do prédio de Gohin carregando sua mala para deparar-se com dois cachorros sujos e peludos rolando no chão e urrando de ódio enquanto outro canídeo entregava-lhes garrafas vazias para quebrar na cabeça do outro. O motivo ela não sabia – poderia variar desde um ter comido o último pedaço de filet mignon até um desentendimento sobre quantos ml de sangue animal eram vendidos nos frascos da loja clandestina do Sr. Ren, como explicou Gohin. Depois de uma bufada profunda, ele soube como tirá-los dali antes que tivesse de contratar quem limpasse o sangue e cacos de vidro que se espalhavam pelo chão; e assim o fez para que pudesse entrar no carro em direção ao internato.
— A faculdade foi construída no topo de uma colina, então o centro da cidade fica um pouco longe. Sair de lá só é permitido com autorização, principalmente agora depois do... desastre.
— Desastre? — Juno apoiou os pés sobre o painel do carro enquanto caçava um cigarro solto jogado em sua bolsa. 
— Há algumas semanas, talvez duas ou três, passaram por um péssimo acontecimento. Um de seus herbívoros foi brutalmente assassinado nas redondezas do instituto no calado da noite. E não só por isso, mas também, o internato tem dormitórios em andares separados para carnívoros e herbívoros. As alas de um mesmo andar são separadas por sexo. A atribuição da quartos é basicamente projetada para ser compartilhada por animais da mesma família, por exemplo, no seu quarto terão apenas outras lobas ou canídeos do sexo feminin...
— Tá, tá. Mas o que aconteceu? Prenderam quem fez isso? — Juno prestou-se a acender o cigarro enquanto sentia a brisa que entrava pela janela bater em seus pelos do rosto e das orelhas, fazendo cócegas.
— Os últimos meses estavam harmoniosos na Cherryton Academy; a abertura de inscrições de atividades extracurriculares chegou esse ano com novidade: as atividades noturnas, como parte da equipe de teatro. E voltando de um ensaio, Tem, a alpaca... — tentou se recompor. Mesmo o psicoterapeuta do Black Market ficaria abalado com um assunto tão delicado. — Não. Sequer chegaram perto. Só sabemos que foi...
— Um carnívoro. — Juno completou.

---------------- » «» « ----------------


― Vejamos... ― Sra. Meyrin colocou seus óculos de grau para ler as inscrições antes de começar a aula. ― Legoshi, teatro à noite! Que surpresa agradável, não? Louis... mais um ano nos agradando com a sua adorável presença nos palcos, huh? Haru, o que aconteceu com as inscrições de jardinagem esse ano? Tenho certeza de que não estou cega, só vejo seu nome aqui.
― Está perfeitamente certa, Sra. Meyrin. ― respondeu com um pesar tristonho na voz fina. ― Não houveram interessados no clube de jardinagem este ano... mas eu não posso deixá-las lá, sozinhas, murchando para morrer! Então farei eu mesma tudo sozinha. 
― Ou é para usar o jardim dos fundos da faculdade como seu... ninho de amor? ― debochou um dos carneiros, junto de outros herbívoros machos que acreditavam nos boatos que circulavam o internato. Gargalharam entre si antes de um longo "Shhhhh!" feito pela tartaruga que estava a lecionar. Haru deu de ombros. Era uma coelha anã autoconfiante, bonita e sedutora, bem constituída. Seus amigos gostavam de salientar a sua bondade para todos que os rodeavam mesmo que as fofocas não se alinhassem com isso.
― Dizem que ela safada até demais para quem completou dezenove anos há pouco. 

O tilintar do sinal deixava todos os animais à flor da pele pois só significava uma coisa: comida. Os carnívoros machos preferiam apreciar da companhia da própria classe e faziam isso nos jardins da frente do internato comendo seu hambúrguer de soja. Poucos eram os herbívoros que apreciavam a companhia daqueles com presas afiadas, engolindo uma maçã depois de uma única mordida. 
― Sim. Maçã. Na cidade de Cherryton inteira existe uma única lei: carnívoros não comem carne socialmente. O que você viu de noite é o que mantêm a cidade organizada e pacífica. Contudo, só animais adultos têm o direito de passearem e degustarem livremente por lá. ― Gohin abriu a porta do carro para que Juno saísse com suas tralhas. Acompanhara a menina pela longa estrada de tijolinhos que guiava o jardim da frente até os portões principais da escola. 
― Quem é aquele ali, com os lobos? ― Juno apontou para um grupo de carnívoros com um cervo de cara fechada, pelos curtos e brilhantes. Com o terno do colégio aquele herbívoro emanava charme, elegância e... franziu o cenho ao voltar à realidade. "Nada de herbívoros, Juno. Você sabe tão bem como isso termina, não?", pensou.
― Louis. Existem somente os que o amam e os que o odeiam no mundo jovem-adolescente. Não queira ser o segundo. Ele está concorrendo este ano para ser o Beastar.
― Beastar? ― seus olhos foram de um lado ao outro da imensidão do interior da Cherryton Academy assim que Gohin abriu as portas com destino à sala do diretor Gon. 
― É o termo que é concedido aos animais que conseguem se destacar na sociedade e uni-la, apesar das diferenças entre as espécies. Bom, aqui estamos. Gon! ― bateu com a pata fechada na porta de madeira três vezes antes de ser atendido por um tigre de terno preto, camisa branca e uma gravata vermelha. Isso sem contar seu belo par de óculos quadrados. 
― Gohin! O que me dá a honra de vê-lo por aqui depois de tanto tempo, huh? ― agilizou para que o panda e a loba entrassem na sala e tomassem cadeiras para sentar. ― Quem é essa bela jovem aqui? Nunca a vi por nossos corredores.
― Meu nom... 
― O nome dela é Juliet. ― Gohin interrompeu. ― Ela estudará aqui a partir de hoje. 
― Mas pode me chamar de Juno. ― disse, orgulhosa de seu apelido.
― Juno... Ah, sim. Como a deusa romana. ― Gon analisou divertindo-se com a nova aluna, teclando sem parar em seu computador. Depois do que aconteceu com Tem a quantidade de matrículas caira drasticamente. Nem mesmo os próprios estudantes se sentiam seguros. ― Mas, me diga, Juno. O que te traz até aqui?
― Ela foi parar no... ― o panda limpou a garganta antes de continuar a conversa. ― Você sabe. Sozinha. De outra cidade. Órfã.
― Se não me interrompesse eu poderia contar minha própria história. ― Juno atravessou o diálogo entre os amigos de longa data com sua insatisfação. Era uma jovem de voz ativa que não levava desaforo para casa. Ser interrompida era inaceitável.
― Bom, vocês terão tempo de sobra para dialogar pois Gohin será o seu tutor legal aqui em Cherryton. 
― O QUÊ?! ― perguntaram os dois em um uníssono descontentamento. Juno não queria uma "figura paterna" na sua pata e Gohin não queria lidar com uma meninota com cara de caótica. 
― Vamos arrumar um quarto para você, certo? ― forçou o olhar para a tela do computador. Parecia genuinamente confuso com o que lia em sua tela. Apertou a mesma tecla algumas vezes, Juno deduziu que fosse para atualizar a página.
— Algo de errado, Sr... Gon? — a loba indagou.
― Ora essa, todos os quartos de carnívoros estão lotados, senão o... 702. Impossível! Quem é que arruma esses documentos? Oh, o pior de tudo isso é que sou eu mesmo que organizo a papelada. ― resmungou o diretor. ― Então, Juno, por enquanto você ficará sozinha num quarto no andar dos carnívoros, na ala masculina até acharmos um quarto com lobas disponível para você, sim?
— Mas que porra é essa? Colocar uma menina, na ala masculina? Perdeu parafusos nessa cabeça de tigre? — o urso levantou-se abruptamente, quase como se o que ouvisse fosse uma ofensa das grandes. Sabia que os carnívoros machos não eram flor-que-se-cheire.
— Desculpa, não sou eu quem faço as regras. — Gon retrucou.
― Você é o diretor e quer assustá-la no primeiro dia. Você sabe o quanto eu cobraria nas sessões com essa lobinha por causa da vida fora e dentro dessas salas de aula? Uma nota. Mas ela preferiu estudar à trabalhar. Então estamos aqui. 
― Está decidido, certo, querida? Espero que Greta possa levá-la até seu dormitório. Greta, Greta! ― Gon exclamou, batendo a pata grande num sininho que tinha em sua mesa. Logo, uma leoa sorridente apareceu de prontidão para receber ordens.
― Pois não, Gon? O que posso fazer por você? ― apoiou o peso do corpo em um dos pés, cruzando os braços.
― Leve a nova garota para o seu dormitório. 702. — o diretor ordenou, acendendo um charuto. Suas patas traseiras estavam apoiadas na extensa mesa de diretor, ao lado de um copo com uísque. O cheiro característico não deixava enganar. 
― Mas o 702 não é para mach... 
― Agora, Greta. ― decretou, interrompendo a secretária particular.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...