História Beautiful Creatures (imagine Jungkook) - Capítulo 12


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Ação, Ficção, Imagine Jungkook, Jungkook
Visualizações 45
Palavras 4.357
Terminada Não
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Nao consigo parar de escrever ksks

Boa leitura <3<3

Capítulo 12 - O verdadeiro Boo Radley


Na noite de domingo, reli O Apanhador no Campo de Centeio até me sentir cansado o bastante para dormir. Só que eu não ficava cansado o bastante. E não consegui ler, porque ler já não tinha o mesmo efeito. Eu não conseguia desaparecer no personagem Holden Caulfield, porque não era capaz de me perder na história, não do modo que precisamos para nos tornarmos outra pessoa.

Eu não estava sozinho na minha cabeça. Ela estava cheia de medalhões, incêndios e vozes. Pessoas que eu não conhecia e visões que eu não entendia.

E tinha mais uma outra coisa. Fechei o livro e coloquei as mãos atrás da cabeça.

(S/n)? Você está aí, não está? 

Eu olhava para o teto azul.

Não adianta. Sei que você está aí. Aqui. Sei lá. 

Esperei até que ouvi. A voz dela, se desdobrando como uma lembrança pequena e brilhante no canto mais escuro da minha mente.

Não. Não exatamente.

Você está. Esteve aí a noite toda.

Jungkook, estou dormindo. Quero dizer, estava.

Sorri para mim mesmo.

Não estava não. Estava ouvindo.

Não estava.

Apenas admita que estava.

Homens. Vocês pensam que são o centro do universo. Talvez eu apenas goste daquele livro.

Você pode vir aqui sempre que quiser, agora?

Houve uma longa pausa.

Normalmente não, mas esta noite meio que aconteceu. Eu ainda não entendo como acontece.

Talvez possamos perguntar para alguém. 

Tipo quem?

Não sei. Acho que nós vamos ter que descobrir sozinhos. Assim como todas as outras coisas.

Outra pausa. Tentei imaginar se o "nós" a tinha assustado, caso ela pudesse ouvir. Talvez fosse isso, ou talvez fosse outra coisa; ela não queria que eu descobrisse nada que tivesse a ver com ela.

Não tente.

Sorri e senti meus olhos fechando. Mal conseguia mantê-los abertos.

Estou tentando.

Apaguei a luz.

Boa noite, (S/n).

Boa noite, Jungkook.

Eu esperava que ela não pudesse ler todos os meus pensamentos.

Basquete. Eu realmente precisaria passar mais tempo pensando em basquete. E enquanto pensava em todas as técnicas e regras que tinha na mente, senti meus olhos fechando, me senti afundando, perdendo controle...

*******************************

Afogando.

Eu estava me afogando.

Me debatendo na água verde, as ondas quebrando sobre minha cabeça. Meus pés procuravam o fundo lamacento de um rio, talvez o Santee, mas não havia nada. Eu conseguia ver algum tipo de luz brilhando na superfície mas não conseguia chegar lá. 

Eu estava afundando.

-É o meu aniversário, Jungkook. Está acontecendo.

Estiquei o braço. Ela tentou pegar a minha mão, e eu me virei para alcançá-la, mas ela se afastou e eu não conseguia mais segurar. Tentei gritar ao ver sua mão pálida sumir em direção à escuridão, mas minha boca se encheu de água e não consegui emitir som. Podia sentir que estava sufocando. Estava começando a perder a consciência. 

-Tentei avisar você. Você tem que me deixar ir!

Sentei na cama. Minha camiseta estava encharcada. Meu travesseiro estava molhado. Meu cabelo estava molhado. E o quarto estava quente e úmido. Achei que tinha deixado a janela aberta de novo.

-Jeon Jungkook! Você está me ouvindo? É melhor descer aqui antes de ontem ou não vai tomar mais café esta semana.

Sentei na cadeira ao mesmo tempo em que três ovos moles deslizaram para meu prato de torrada e geleia.

-Bom dia, Amma.

Ela virou de costas para mim sem nem me olhar.

-Você sabe que não tem nada de bom nele. Não cuspa nas minhas costas e diga que esta chovendo.

Ela ainda estava irritada comigo, mas eu não tinha certeza se era porque saí da sala de aula ou trouxe o medalhão para casa. Provavelmente os dois. Mas não podia culpá-la; eu não costumava arrumar problemas na escola. Aquilo era novidade.

-Amma, desculpe por ter saído da aula na sexta-feira. Não vai acontecer de novo. Tudo vai voltar ao normal.

A expressão dela se suavizou apenas um pouco, e ela se sentou na minha frente.

-Acho que não. Todos fazemos escolhas, e essas escolhas têm consequências. Acho que você passará por um inferno para pagar pelas suas quando chegar à escola. Talvez comece a me ouvir agora. Fique longe de (S/n) Duchannes e daquela casa.

Não era o feitio de Amma ficar do lado de todo mundo da cidade, considerando que esse normalmente era o lado errado das coisas. Eu via que ela estava preocupada pelo modo como ficava mexendo o café, bem depois do leite já ter desaparecido. Amma sempre se preocupava comigo e eu a amava por isso, mas alguma coisa parecia diferente desde que mostrei o medalhão a ela. Andei ao redor da mesa e dei um abraço nela. Ela tinha cheiro de grafite de lápis e balinha de canela, como sempre.

Ela balançou a cabeça, murmurando: 

-Não quero ouvir falar em olhos verdes e cabelos pretos. Está armando uma nuvem negra hoje, então tenha cuidado.

Amma não estava apenas escurecendo. Estava ficando completamente escura. Eu também conseguia sentir a chegada da nuvem negra.

:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:

Tae encostou o Lata-Velha que tocava umas músicas horríveis, como sempre. Abaixou o volume quando entrei, o que sempre era um mal sinal.

-Temos problemas.

-Eu sei.

-Jackson arrumou sua própria multidão linchadora hoje.

-O que você soube?

-Está rolando desde sexta à noite. Ouvi minha mãe falando e tentei ligar pra você. Onde estava, afinal?

-Estava fingindo enterrar um medalhão enfeitiçado em Greenbrier para que Amma me deixasse entrar de novo em casa.

Tae riu. Ele estava acostumado a conversas sobre encantos, amuletos, mau-olhado quando se tratava de Amma.

-Pelo menos ela não está fazendo você usar aquele saco fedido de cebola em volta do pescoço. Aquilo foi nojento.

-Era alho. Para o enterro da minha mãe. 

-Foi nojento.

O lance com Tae era que éramos amigos desde o dia em que ele me deu aquele Twinkie no ônibus, e ele não liga muito para o que eu digo ou não digo. Mesmo naquela época, a gente sabia quem eram nossos amigos. Gatlin era assim. Tudo já tinha acontecido há dez anos. Para nossos pais, tudo já tinha acontecido há vinte ou trinta anos. E para a cidade em si, parecia que nada acontecia há mais de cem anos. Nada que acarretasse consequências, quero dizer.

Eu tinha a sensação de que isso estava prestes a mudar.

Minha mãe teria dito que já era hora. Se havia uma coisa de que minha mãe gostava era mudança. Ao contrário da mãe de Tae. A Sra. Kim era uma pessoa raivosa, tinha uma missão e contatos, um combinação perigosa. Quando estávamos no oitavo ano, a Sra. Kim arrancou o transmissor de TV a cabp da parede porque pegou Tae vendo um filme de Harry Potter, uma série que ela tinha feito campanha para banir da Biblioteca de Gatlin porque achava que incentivava a bruxaria. Felizmente, Tae conseguia fugir para a casa de Seokjin para ver MTV, senão a Crazy Chipper jamais teria se tornado a mais importante (e quando digo mais importante, quero dizer a única) banda de rock da Jackson High.

Nunca entendi a Sra. Kim. Quando minha mãe estava viva, ela revirava os olhos e dizia: "Tae pode ser seu melhor amigo, mas não espere que eu me junte ao FRA e comece a usar saias com armação para fazer encenações. " Depois nós dois caíamos na gargalhada, imaginando minha mãe, que andava quilômetros de campos de batalha lamacentos procurando velhos cartuchos de bala, que cortava o próprio cabelo com tesouras de jardim, participando do FRA, organizando vendas de tortas e dizendo para todo mundo como deviam decorar suas casas.

Era fácil de imaginar a Sra. Kim no FRA. Ela era a secretária de registros, e até eu sabia disso. Estava no Conselho com as mães de Kim Jisoo e Lalisa Manoban, enquanto minha mãe passa a maior parte do seu tempo enfiada na biblioteca olhando uma microficha.

Passava. 

Tae ainda estava falando e logo eu já tinha ouvindo o bastante para começar a prestar atenção. 

-Minha mãe, a mãe de Lisa e de Jisoo... Elas andavam congestionando as linhas telefônicas nas últimas duas noites. Ouvi minha mãe falando sobre a janela qiebrada na aula de inglês e que ela ouviu dizer que a sobrinha do Velho Ravenwood estava com sangue nas mãos. 

Ele dobrou um esquina sem nem parar para respirar.

-E que tal saber que sua namorada acabou de sair de uma instituição para doentes mentais na Virgínia e que ela é órfã e tem bi-esquizo-mania alguma coisa.

-Ela não é minha namorada. Só somos amigos. -Respondi automaticamente. 

-Cala a boca. Você está tão de quatro que eu devia comprar uma sela pra você. -Ele teria dito aquilo sobre qualquer garota com quem eu conversasse, sobre quem eu falasse ou mesmo olhasse no corredor.

-Não é mesmo. Não aconteceu nada. Só conversamos.

-Você fala tanta merda que podia passar por uma privada. Você gosta dela, Jeon. Admita.

Tae não era muito de sutilezas, e acho que ele não conseguia imaginar estar com uma garota por um motivo que não fosse o fato de ela tocar guitarra, além dos óbvios. 

-Não estou dizendo que não gosto dela. Somos apenas amigos. -O que era verdade, quer eu quisesse ou não. Mas essa era uma questão diferente. De qualquer modo, devo ter sorrido um pouco. Gesto errado.

Tae fingiu vomitar no colo e deu uma guinada, tirando um fino de um caminhão. Mas ele só estava brincando. Tae não ligava para quem eu gostasse, desde que fosse motivo para ele pegar no meu pé. 

-Bem? É verdade? Ela fez mesmo?

-Fez o quê? 

-Você sabe. Caiu da árvore dos doidos e bateu em todos os galhos enquanto caía? 

-A janela quebrou, foi só isso que aconteceu. Não tem nenhum mistério. 

-A Sra. Manoban está dizendo que ela deu um soco ou jogou alguma coisa nela.

-Engraçado, considerando que a Sra. Manoban não é da minha turma de inglês, pelo menos da última vez que prestei atenção. 

-É, minha mãe também não é, mas ela me disse que vai até a escola hoje.

-Ótimo. Guarde um lugar pra ela na nossa mesa no almoço.

-Talvez ela tenha feito a mesma coisa nas outras escolas e por isso foi pra algum tipo de instituição. -Tae falava sério, o que significava que tinha ouvido muita coisa desde o incidente da janela.

Por um segundo, me lembrei do que (S/n) tinha dito sobre sua vida. Complicada. Talvez essa fosse uma das complicações, ou apenas uma das 26 mil outras coisas sobre as quais ela não podia falar. E se todas as Lalisa Manoban do mundo estivessem certas? E se eu tivesse escolhido o lado errado, afinal?

-Tome cuidado, cara. Talvez ela tenha um lugar marcado na Cidade dos Loucos.

-Se você acredita mesmo nisso, é um idiota.

Entramos no estacionamento da escola sem falar nada. Eu estava irritado, apesar de saber que Tae só estava preocupado comigo. Mas eu não conseguia evitar. Tudo parecia diferente hoje. Saí do carro e bati a porta.

Tae me chamou:

-Estou preocupado com você, cara. Você tem agido de um jeito estranho.

-Qual é, eu e você somos um casal agora? Talvez você devesse passar um pouco mais de tempo se preocupando com o motivo de nem conseguir que uma garota converse com você, seja ela louca ou não. (OOOOH)

Ele saiu do carro e olhou para o prédio da administração. 

-De qualquer jeito, talvez você devesse dizer para sua "amiga", seja lá o que isso signifique, para tomar cuidado hoje. Veja.

A Sra. Kim e a Sra. Manoban conversavam com o diretor Harper na escada da frente. Lisa estava aninhada ao lado da mãe, tentando parecer arrasada. A Sra. Kim estava dando um sermão no diretor Harper, que estava assentindo como se estivesse decorando cada palavra. O diretor Harper podia mandar na escola, mas sabia quem mandava na cidade. Estava olhando para duas delas.

Quando a mãe de Tae terminou, Lisa iniciou uma versão particularmente animada do incidente da janela quebrada. A Sra. Kim esticou o braço e colocou a mão no ombro de Lisa, solidária. O diretor Harper apenas concordava com a cabeça.

Era, com certeza, um dia muito cheio de nuvens.

************

(S/n) estava sentada no rabecão, escrevendo em seu caderno surrado. O motor estava ligado. Bati na janela e ela pulou. Olhou na direção do prédio da administração. Tinha visto as mães também. 

Gesticulei para que ela abrisse a porta, mas (S/n) balançou a cabeça. Andei até o lado do passageiro. As portas estavam trancadas, mas ela não ia se livrar de mim tão facilmente. Sentei no capô do carro e deixei minha mochila cair no chão de cascalho ao meu lado. Eu não ia a lugar algum.

O que está fazendo?

Esperando.

Vai ser uma longa espera.

Tenho tempo.

Ela olhou para mim pelo para-brisa. Ouvi as portas sendo destrancadas.

-Alguém já disse que você é maluco? -Ela andou até onde eu estava sentado, com os braços cruzados como Amma pronta para dar uma bronca.

-Não tão maluco quanto você, pelo que ouvi dizer.

O cabelo dela estava preso atrás com um lenço de seda preto que tinha desenhos de flores de cerejeira cor-de-rosa espalhadas. Eu podia imaginá-la se olhando no espelho, sentindo-se como se estivesse indo para o próprio enterro e amarrando-o para tentar parecer mais animada. Um cruzamento entre, sei lá, uma camiseta e um vestido preto caía sobre seus jeans e All Star preto. Ela franziu a testa e olhou para o prédio da administração. As mãe provavelmente estavam no escritório do diretor Harper agora.

-Você consegue ouvi-las?

Ela sacudiu a cabeça.

-Eu não consigo ler a mente das pessoas, Jungkook.

-Consegue ler a minha.

-Não é verdade.

-E ontem à noite?

-Já falei, não sei por que acontece. Nós simplesmente parecemos... nos conectar. -Até mesmo a palavra parecia difícil para ela dizer essa manhã. Ela não me olhava nos olhos. -Nunca foi assim com ninguém. 

Eu queria dizer para ela que sabia como se sentia. Queria dizer que quando estávamos juntos daquele jeito em nossas mentes, mesmo com nossos corpos a milhões de quilômetros de distância, eu me sentia mais próximo dela do que jamais me senti de alguém. 

Não consegui. Não conseguia nem pensar. Pensei sobre basquete, o menu do refeitório, o corredor verde cor de sopa de ervilha por onde eu estava prestes a andar. Pensei em tudo. Em vez de falar disso, inclinei minha cabeça para o lado.

-É. As garotas dizem isso pra mim sempre. -Idiota. Quanto mais nervoso eu ficava, piores eram minhas piadas.

Ela deu um sorriso hesitante e torto.

-Não tente me animar. Não vai funcionar. -Mas estava funcionando.

Olhei de novo para a escada.

-Se você quer saber o que elas estão dizendo, posso contar pra você.

Ela olhou para mim com ceticismo. 

-Como?

-Estamos em Gatlin. Não há nada sequer próximo a um segredo aqui. 

-É muito ruim? -Ela olhou para o outro lado. -Elas acham que sou louca?

-Basicamente.

-Um perigo para a escola?

-Provavelmente. Não recebemos bem estranhos por aqui. E nada é mais  do que Macon Ravenwood, sem querer ofender. -Sorri para ela.

O primeiro sinal soou. Ela puxou minha manga, ansiosa.

-Ontem à noite. Tive um sonho. Você...?

Assenti. Ela nem precisava dizer. Eu sabia que ela tinha estado no sonho comigo.

-Fiquei até de cabelo molhado. -ela disse.

-Eu também. 

Ela esticou o braço. Havia uma marca no seu pulso onde eu tinha tentado segurar. Antes que ela mergulhasse na escuridão. Eu esperava que ela não tivesse visto aquela parte. A julgar pela expressão do seu rosto, eu tinha certeza de que tinha visto.

-Desculpe, (S/n).

-Não é sua culpa.

-Gostaria de saber por que os sonhos parecem tão reais.

-Tentei te avisar. Você devia ficar longe de mim.

-Tudo bem. Vou me considerar avisado.

De alguma forma eu sabia que não podia fazer isso, ficar longe dela. Apesar de eu estar prestes a entrar na escola e encarar um monte enorme de merda, eu não ligava. Eu me sentia bem em ter alguém com quem podia conversar sem ter que editar tudo que dizia. E eu podia conversar com (S/n); em Greenbrier sent que poderia ter ficado lá sentado no mato conversando com ela por dias. Por mais tempo. Por tanto tempo quanto ela estivesse lá. 

-O que tem no seu aniversário? Por que você disse que pode não estar qui depois?

Ela rapidamente mudou o assunto.

-E o medalhão? Vocês viu o que eu vi? O incêndio? A outra visão? 

-Vi. Eu estava sentado na igreja e quase caí do banco. Mas descobri algumas coisas com as Irmãs. As iniciais JJ são Jeon Jungwoon. Ele foi meu tatara-tio, e minhas três tias malucas dizem que recebi meu nome em homenagem a ele.

-Então por que você não reconheceu as iniciais no medalhão? 

-Essa é a parte estranha. Eu nunca tinha ouvido falar nele, e ele está convenientemente omitido na árvore genealógica da minha casa.

-E GKD? É Genevieve, certo?

-Elas não pareciam saber, mas tem que ser. É ela que aparece nas visões, e o D deve ser de Duchannes. Eu ia perguntar a Amma, mas quando mostrei o medalhão a ela, seus olhos quase pularam fora da cabeça. Como se eu tivesse sido triplamente amaldiçoado, encharcado por um balde de vodu e enrolado com uma praga para garantir. E o escritório do meu pai é território proibido, mas é onde ele guarda todos os livros antigos da minha mãe sobre Gatlin e a guerra. -Eu estava divagando. -Você podia falar com seu tio.

-Meu tio não vai saber de nada. Onde está o medalhão agora?

-No meu bolso, dentro de uma bolsinha cheia de pó que Amma jogou sobre ele quando o viu. Ela acha que o levei de volta para Greenbrier e o enterrei.

-Ela deve me odiar.

-Não mais do que a qualquer outra das minhas amigas. Quero dizer, amigas garotas. -Não conseguia acreditar no quanto eu parecia um idiota. -Acho que é melhor irmos pra aula antes que a gente arrume mais problema.

-Na verdade, eu estava pensando em ir pra casa. Sei que vou ter que lidar com eles em algum momento, mas gostaria de viver em negação por mais um dia.

-Você não vai ter problemas?

Ela riu.

-Com meu tio, o notório Macon Ravenwood, que acha que a escola é uma perda de tempo e os bons cidadãos de Gatlin devem ser evitados a todo custo? Ele vai ficar feliz.

-Então por que você vem? -Eu tonha certeza que Tae nunca apareceria na escola de novo se a mãe dele não o expulsasse de casa todo dia de manhã. 

Ela meceu em um dos pingentes do colar que usava, uma estrela de sete pontas.

-Acho que pensei que seria diferente aqui. Talvez eu pudesse fazer alguns amigos, trabalhar no jornal ou algo assim. Não sei.

-No nosso jornal? The Jackson Stonewaller?

-Tentei entrar para o jornal da minha antuga escola, mas eles disseram que todas as vagas estavam ocupadas, apesar de nunca terem gente o suficiente pra escrever pra publicar o jornal na data certa. -Ela olhou para o outro lado, sem jeito. -Eu devia ir.

Abri a porta para ela.

-Acho que você devia falar com seu tio sobre o medalhão. Ele pode saber mais do que você pensa.

-Acredite em mim, ele não sabe.

Bati a porta. Por mais que eu quisesse que ela ficasse, parte de mim estava aliviada que ela ia para casa. Eu teria o bastante para lidar hoje.

-Quer que eu entregue isso pra você? -Apontei para o caderno no assento do passageiro.

-Não, não é dever de casa. -Ela abriu o porta-luvas e enfiou o caderno lá dentro. -Não é nada.

Nada que ela fosse me contar, pelo menos.

-É melhor você ir antes que Fatty comece a patrulhar o estacionamento.

Ela ligou o carro antes que eu pudesse dizer alguma coisa mais e acenou quando se afastou do meio-fio.

Ouvi um latido. Me virei e vi o enorme cachorro preto de Ravenwood a apenas alguns metros, e vi para quem ele estava latindo.

A Sra. Kim sorriu para mim. O cachorro rosnou, o pelo das costas eriçado. A Sra. Kim olhou para ele com tanta repulsa que parecia que estava olhando para o próprio Macon Ravenwood. Em uma briga, não sei ao certo qual deles ganharia.

-Cachorros selvagens têm raiva. Alguém devia avisar o condado.

É, alguém.

-Sim, senhora.

-Quem foi aquela que vi saindo no carro preto estranho? Vocês pareciam estar tendo uma boa conversa. -Ela já sabia a resposta. Não era uma pergunta. Era uma acusação.

-Sim, senhora.

-Falando em estranho, o diretor Harper estava me contando que está planejando oferecer para a garota Ravenwood uma transferência ocupacional. Ela pode escolher, qualquer escola em três condados. Desde que não seja a Jackson.

Não falei nada. Nem olhei para ela.

-É nossa responsabilidade, Jungkook. Do diretor Harper, minha... de todos os pais em Gatlin. Temos que garantir que os jovens dessa cidade fiquem longe do perigo. E longe do tipo errado de pessoas. -O que queria dizer qualquer um que não fosse como ela.

Ela esticou a mão e tocou no meu ombro, do mesmo jeito que tinha feito com Lisa há menos de dez minutos.

-Tenho certeza de que entende o que quero dizer. Afinal, você é um de nós. Seu pai nasceu aqui e sua mãe foi enterrada aqui. Você faz parte de Gatlin. Nem todo mundo faz.

Olhei para ela. Mas ela entrou na van antes que eu pudesse dizer outra palavra.

Dessa vez, a Sra. Kim queria mais do que queimar alguns livros.

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Depois que cheguei à aula, o dia ficou anormalmente normal, estranhamente normal. Não vi nenhuma outra mãe, apesar de suspeitar que estivessem enfiadas na diretoria. No almoço, comi três tigelas de pudim de chocolate com os caras, como sempre, apesar de estar claro sobre o quê e sobre quem não íamos falar. Até mesmo a visão de Lisa digitando mensagens de texto loucamente durante a aula de inglês e de química parecia uma espécie de verdade universal reconfortante. Exceto pelo sentimento de que eu  sobre o quê, ou melhor, sobre quem ela estava escrevendo. Como eu disse, anormalmente normal.

Até que Tae me deixou em casa depois do treino de basquete e decidi fazer uma coisa completamente insana. 


Amma estava de pé na varanda de frente, um claro sinal de problema.

-Você a viu?

Eu devia saber que ela diria isso.

-Ela não foi à escola hoje. -Tecnicamente, era verdade.

-Talvez seja melhor assim. Os problemas vão atrás daquela garota como o cachorro de Macon Ravenwood. Eu não quero problemas vindo atrás de você para esta casa.

-Vou tomar um banho. O jantar vai ficar pronto logo? Tae e eu temos um trabalho pra fazer mais tarde. -gritei da escada, tentando parecer normal.

-Trabalho? Que tipo de trabalho?

-De história. 

-Para onde vocês vão e quando estão pretendendo voltar?

Bati a porta do banheiro antes de responder. Eu tinha um plano, mas precisava de uma história, e ela tinha que ser boa.

Dez minutos depois, sentado à mesa de jantar, eu tinha achado uma história. Não era perfeita, mas foi a melhor que consegui inventar naquele curto espaço de tempo. Agora eu só precisava fazê-la acreditar. Eu não era o melhor mentiroso, e Amma não era boba.

-Tae vai me pegar depois do jantar e vamos ficar na biblioteca até a hora de fechar. Acho que é por volta das nove ou dez horas.

Derramei Carolina Gold sobre minha carne de porco grelhada. Carolina Gold, uma mistura grudenta de molho barbecue com mostarda, era a única coisa pela qual o condado de Gatlin era famoso que não tinha nada a ver com a Guerra Civil.

-Biblioteca?

Mentir para Amma sempre me deixava nervoso, então eu tentava não fazê-lo com frequência. E hoje eu estava sentindo o nervosismo, principalmente no meu estômago. A última coisa que eu  era comer três pratos de carne de porco, mas não tinha escolha. Ela sabia exatamente o quanto eu aguentava. Dois pratos e eu despertaria suspeita. Um prato e ela me mandaria para o meu quarto com um termômetro e um refrigerante. Assenti e me dediquei a trabalhar a limpeza do meu segundo prato.

-Você não põe os pés na biblioteca desde...

-Eu sei. -Desde que minha mãe morreu.

A biblioteca era o segundo lar da minha mãe e da minha família. Passávamos todas as tardes de domingo lá desde que eu era pequeno e andava no meio das prateleiras, puxando cada livro com desenho de navio pirata, cavaleiro, soldado ou astronauta. Minha mãe costumava dizer: "Aqui é minha igreja, Jungkook. É assim aue mantemos sagrado o dia  descanso na nossa família."

A bibliotecária-chefe do condado de Gatlin, Min ShinHye, era a amiga mais antiga de minha mãe, a segunda historiadora mais  de Gatlin depois da minha mãe e, até ano passado, parceira de pesquisas dela. Elas estudaram juntas em Duke, e quando ShinHye terminou se PhD em estudos afro-americanos, seguiu minha mãe até Gatlin para terminarem seu primeiro livro juntas. Elas estavam no meio do quinto livro quando o acidente aconteceu.

Eu não tinha posto o pé na biblioteca desde então, e ainda não estava pronto. Mas também sabia que nada faria Amma me impedir de ir lá. Ela nem ligaria para verificar. ShinHye era da família. E Amma, que tinha amado minha mãe do mesmo jeito que ShinHye a tinha amado, respeitava a família acima de tudo.

-Bem, comporte-se bem e não eleve a voz. Você sabe o que sua mãe dizia. Qualquer livro é um Livro Sagrado, e o lugar onde preservam o Livro Sagrado também é a Casa de Deus. -Como eu disse, minha mãe jamais teria entrado no FRA.

Tae buzinou. Ele ia me dar uma  no caminho do ensaio da banda. Saí correndo da cozinha, me sentindo tão culpado que tive que lutar contra o impulso de me jogar nos braços de Amma e confessar tudo, como se eu fosse um menino de 6 anos de novo, comendo todo o pó de gelatina da despensa. Talvez Amma estivesse certa. Talvez eu tenha feito um buraco no céu e o universo estivesse prestes a cair sobre mim.

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Enquanto eu andava até a porta de Ravenwood, minha mão apertava a pasta azul brilhante, minha desculpa por aparecer na casa de (S/n) sem ter sido convidado. Eu estava passando lá para entregar o trabalho de inglês do dia, era o que eu planejava dizer, pelo menos. Tinha parecido convincente na minha cabeça quando eu ainda estava na minha varanda. Mas agora que eu estava na varanda de Ravenwood, eu não tinha tanta certeza.

Eu normalmente não era o tipo de cara que faria uma coisa dessas, mas era óbvio que não tinha a mebor chance de (S/n) me convidar para ir lá. E eu tinha a sensação de que seu tio podia nos ajudar, de que ele talvez soubesse de alguma coisa.

Ou talvez fosse outra coisa. Eu queria vê-la. Tibha sido um dia longo e chato na Jackson sem o Furacão (S/n), e eu estava começando a tentar entender como aguentei oio tempos sem todos os problemas que ela causava para mim. Sem todos os problemas que ela me fazia querer causar a mim mesmo.



Notas Finais


Vou ter que dividir em duas partes. Sério ta enorme. Pra vcs terem noção. Estou nem na metade do cap. Entao vou dividir. ^^
Espero que tenham gostado.


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