História Beautiful Creatures (imagine Jungkook) - Capítulo 13


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Ação, Ficção, Imagine Jungkook, Jungkook
Visualizações 13
Palavras 3.548
Terminada Não
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 13 - O Verdadeiro Boo Radley Pt2


Eu podia ver luz passando pelas janelas cobertas de hera. Ouvi barulho de música no fundo, músicas antigas de Savannah, daquele compositor de Georgia que minha mãe amava. "In the cool cool cool of the evening..."

Ouvi latidos do outro lado da posta antes que tivesse batido, e em segundos a porta foi aberta. (S/n) estava lá descalça, e ela parecia diferente, arrumada, com um vestido preto com pequenos pássaros bordados, como se fosse jantar em um restaurante chique. Eu parecia que ia para o Dar-ee Keen com minha camiseta furada escrito Atari e jeans. Ela saiu para a varanda, fechando a porta atrás de si.

-Jungkook, o que está fazendo aqui?

Levantei a pasta de forma nada convincente.

-Trouxe seu dever de casa.

-Não acredito que você veio sem avisar. Falei que meu tio não gosta de estranhos. -Ela já estava me empurrando para descer a escada. -Você tem que ir. Agora.

-Pensei que podíamos conversar com ele.

Atrás de nós, ouvi alguém limpando a garganta. Olhei e vi o cachorro de Macon Ravenwood, e atrás dele, o próprio Macon Ravenwood. Tentei não parecer surpreso, mas tenho certeza de que me entreguei quando quase dei um pulo.

-Bem, isso é algo que não ouço com frequência. E odeio desapontar, pois não sou nada além de um cavalheiro sulista. -Ele falava com um sotaque sulista controlado, mas com perfeita pronúncia. -É um prazer finalmente conhecê-lo, Sr. Jeon.

Eu não conseguia acreditar que estava parado em frente dele. O misterioso Macon Ravenwood. Só que eu estava mesmo esperando encontrar Boo Radley, um cara que se arrastava pela casa de macacão, resmungando em uma espécie de linguagem monossílabica como um Neandertal, talvez até babando um pouco nos cantos da boca.

Ele não era Boo Radley. Estava mais para Atticus Finch.

Macon Ravenwood estava vestido impecavelmente, como se fosse, sei lá, 1942. A camisa branca engomada estava fechada com antiquados botões de prata em vez de botões comuns. O paletó do smoking estava perfeito, sem um amassado. Os olhos dele eram escuros e brilhantes; pareciam quase pretos. Eram enevoados, escurecidos, como as janelas do rabecão que (S/n) dirigia pela cidade. Não havia como ver dentro daqueles olhos, não havia reflexo. Eles se destacavam no rosto pálido, que era branco como neve, branco como mármore, branco como, bem, como era esperado do recluso da cidade. O cabelo dele era grisalho, mais cinza perto do rosto, preto como o de (S/n) no alto.

Ele poderia ser algum tipo de astro do cinema americano da época antes do Technicolor, ou talvez da realeza de algum pequeno país do qual ninguém nunca tinha ouvido falar por aqui. Mas Macon Ravenwood era daqui. Essa era a parte confusa. O Velho Ravenwood era o bicho-papão de Gatlin, uma história que eu ouvia desde o jardim de infância. Mas agora ele parecia pertencer à cidade menos do que eu.

Ele fechou o livro que estava segurando, nunca tirando os olhos de mim. Estava olhando para mim, mas era quase como se estivesse olhando através de mim, procurando por alguma coisa. Talvez ele tivesse visão raio-X. Levando em consideração a semana anterior,tudo era possível. 

Meu coração batia tão alto que eu tinha certeza de que ele podia escutar. Macon Ravenwood tinha me abalado e sabia disso. Nenhum de nós sorriu. O cachorro dele estava tenso e rígido ao seu lado, como se esperando a ordem de ataque.

-Onde estão meus modos? Entre, Sr. Jeon. Estávamos prestes a nos sentarmos para jantar. Você deve se juntar a nós. O jantar é o ponto alto aqui em Ravenwood. 

Olhei para (S/n), esperando alguma dica.

Diga que não quer ficar.

Acredite, não quero.

-Não, está tudo bem, senhor. Não quero atrapalhar. Só vim deixar o dever de casa de (S/n). -Levantei a pasta azul brilhante pela segunda vez. 

-Bobagem, você tem que ficar. Vamos apreciar alguns cubanos na estufa depois do jantar, ou você é um homem de cigarrilhas? A não ser, é claro, que se sinta pouco à vontade para entrar na casa, e nesse caso eu entendo perfeitamente. -Eu não conseguia saber se ele estava brincando.

(S/n) passou o braço pela cintura dele, e eu pude ver seu rosto mudar instantaneamente. Como o sol aparecendo entre nuvens negras em um dia cinzento.

-Tio M, não provoque Jungkook. Ele é o único amigos que tenho aqui, e se você o espantar, terei que ir morar com tia Del, e assim não terá ninguém para torturar. (Não pensem bobagens.)

-Ainda terei Boo. (Por favor, sem bobagens)

O cachorro olhou para Macon com expressão de dúvida. 

-Vou levá-lo comigo. É a mim que ele segue pela cidade, não você. 

Eu tinha que perguntar:

-Boo? O nome do cachorro é Boo Radley?

Macon deu um sorriso mínimo. 

-Melhor ele do que eu. -Ele jogou a cabeça para trás e riu, o que me assustou, pois não havia como eu ter imaginado as feições dele formando ao menos um sorriso. Ele abriu bem a porta. -De verdade, Sr. Jeon, junte-se a nós. Eu adoro companhia, e faz séculos que Ravenwood teve o prazer de receber um convidado do nosso delicioso pequeno condado de Gatlin.

(S/n) sorriu sem jeito.

-Não seja esnobe, tio M. Não é culpa deles que você nunca fala com ninguém. 

-E não é minha culpa que tenho uma queda por boa educação, inteligência razoável e higiene pessoal satisfatória, não necessariamente nessa ordem.

-Ignore-o. Ele está de mau humor. -(S/n) parecia sem graça. 

-Deixe-me adivinhar. Tem alguma coisa a ver com o diretor Harper?

(S/n) assentiu.

-A escola ligou. Enquanto o incidente está sendo investigado, estou em observação. -Ela revirou os olhos. -Mais uma "infração" e vão me suspender.

Macon riu com desprezo, como se estivéssemos falando de uma coisa completamente sem consequências. 

-Observação? Que divertido. Observação implicaria uma fonte de autoridade. -Ele nos empurrou para o hall na frente dele. -Um diretor de escola de ensino médio acima do peso que mal terminou a faculdade e um bando de donas de casa raivosas com pedigrees piores que o de Boo Radley não se encaixam nessa categoria.

Passei pela porta e fiquei paralisado. O hall de entrada era grande e majestoso, não o modelo de lar de classe média no qual havia entrado há poucos dias. Uma pintura a óleo gigantesca, o retrato de uma mulher incrivelmente bela com olhos dourados brilhantes, ficava sobre a escadaria, que não era mais moderna, mas uma escadaria clássica que parecia apoiada apenas no ar. Lustres de cristal em camadas estavam pendurados no teto. O hall estava cheio de mobília vitoriana antiga, pequenos grupos de cadeiras bordadas cheias de detalhes, tampos de mesa de mármore e samambaias graciosas. Uma vela brilhavabem cada superfície. Portas altas e cobertas de persianas estavam abertas; a briza trazia o aroma de gardênias, que estavam arrumadas em altos vasos de prata, posicionados nos tampos de mesa.

Por um segundo, quase pensei estar de volta em uma das visões, só que o medalhão estava seguramente envolvido no lenço em meu bolso. Eu sabia porque verifiquei. E aquele cachorro assustador ficava me olhando da escadaria. 

Mas não faz sentido. Ravenwood tinha se transformado em uma coisa completamente diferente desde a última vez que estive lá. Parecia impossível, como se eu tivesse voltado no tempo. Mesmo se não fosse real, queria que minha mãe tivesse visto isso. Ela teria amado esse lugar. Só que agora parecia real, e eu sabia que a casa grande era assim a maior parte do tempo. Parecia com (S/n), com o jardim murado, com Greenbrier. 

Por que não era assim antes?

Do que você está falando?

Acho que você sabe.

Macon andava na nossa frente. Viramos no que tinha sido uma sala de estar aconchegante semana passada. Agora era um grandioso salão de baile, com uma longa mesa com pés em forma de garra posta para três, como se eles estivessem me esperando.

O piano continuou a tocar sozinho no canto. Deduzi que era um daqueles automáticos. A cena era assustadora, como se a sala devesse estar tomada pelo barulho de copos e risadas. Ravenwood estava dando a festa do ano, mas eu era o único convidado. 

Macon ainda estava falando. Tudo que ele dizia ecoava nas paredes gigantes com afrescos e tetos abobadados e esculpidos.

-Acho que sou um esnobe. Abomino cidades pequenas. Abomino cidadãos de cidades pequenas. Eles têm mentes estreitas e traseiros enormes. Isso quer dizer que aquilo que falta neles por dentro existe em excesso por fora. São como porcarias alimentares. Engordam e não levam a satisfação nenhuma. -Ele sorriu, mas não foi um sorriso simpático. 

-Então por que não se muda daqui?

Senti uma onda de irritação que me levou de volta à realidade, fosse qual fosse a realidade onde eu estava. Uma coisa era eu fazer piada de Gatlin. Era diferente vindo de Macon Ravenwood. Vinha de um lugar diferente.

-Não seja absurdo. Ravenwood é meu lar, não Gatlin. -Ele cuspiu a palavra como se ela fosse tóxica. -Quando eu me for dos limites dessa vida, terei que encontrar alguém para cuidar de Ravenwood no meu lugar, já que não tenho filhos. Sempre foi meu grande e terrível objetivo manter Ravenwood viva. Gosto de pensar sobre mim mesmo como o curador de um museu vivo.

-Não seja tão dramático, tio M.

-Não seja tão diplomática, (S/n). Por que você quer interagir com aquelas pessoas limitadas da cidade, jamais entenderei.

O cara está certo.

Está dizendo que não quer que eu vá à escola?

Não... Só quis dizer...

Macon olhou para mim.

-Exceto nossa companhia atual, é claro.

Quanto mais ele falava, mais curioso eu ficava. Quem diria que o Velho Ravenwood era a terceira pessoa mais inteligente da cidade, depois de minha mãe e Min ShinMin? Ou talvez a quarta, caso meu pai voltasse a aparecer algum dia.

Tentei ver o nome do livro que Macon estava segurando.

-O que é isso, Shakespeare? 

-Betty Crocker, uma mulher fascinante. Eu estava tentando me lembrar o que os cidadãos locais consideravam uma refeição noturna. Estava no clima para uma receita regional esta noite. Decidi fazer carne de porco grelhada. -Mais carne de porco grelhada. Me senti enjoado só de pensar.

Macon puxou a cadeira de (S/n) com um floreio.

-Falando em hospitalidade, (S/n), seus primos vêm para os Dias de Reunião. Lembremos de dizer para a Casa e Cozinha que teremos cinco pessoas a mais.

(S/n) parecia irritada.

-Direi para a equipe da cozinha e para os empregados da casa, se é isso que quer dizer, tio M.

-O que são os Dias de Reunião? 

-Minha família é muito estranha. A Reunião é só um festival antigo de colheita, como um Dia de Ação de Graças antecipado. Deixa pra lá. 

Eu nunca soube de ninguém que visitasse Ravenwood, familiar ou nao. Nunca tinha visto um único carro virar aquela bifurcação da estrada.

Macon parecia divertido.

-Como quiser. Falando em Cozinha, estou completamente faminto. Vou ver o que ela preparou para nós. 

Enquanto ele falava, ouvi panelas e potes batendo em algum recinto distante do salão. 

-Não exagera, tio M. Por favor.

Observei Macon Ravenwood desaparecer por uma sala. Eu ainda ouvia o barulho dos seus sapatos elegantes no chão polido. Essa casa era ridícula. Fazia a Casa Branca parecer uma cabana de fundo de roça.

-(S/n), o que está acontecendo?

-O que você quer dizer?

-Como ele sabia que devia arrumar o lugar para mim?

-Ele deve ter feito isso quando nos viu na varanda.

-E quanto a esse lugar? Entrei na sua casa no dia que achamos o medalhão. Não era nada desse jeito.

Conte para mim. Pode confiar.

Ela brincou com a barra do vestido. Teimosa.

-Meu tio gosta de antiguidades. A casa muda o tempo todo. Isso é mesmo importante?

Seja lá o que fosse que estivesse acontecendo, ela não ia me contar agora.

-Tudo bem então. Você se importa se eu der uma olhada?

Ela franziu a testa, mas não disse nada. Levantei da cadeira e andei até a sala ao lado. Estava arrumada como um pequeno escritório, com sofás, uma lareira e algumas pequenas mesas de escrever. Boo Radley estava deitado em frente ao fogo. Ele começou a rosnar no momento que botei o pé na sala.

-Bom cachorrinho.

Ele rosnou mais alto. Andei de costas para fora da sala. Ele parou de rosnar e deitou a cabeça perto da lareira.

Sobre a mesa de escrever mais próxima havia um pacote, embrulhado em papel pardo e amarrado com um barbante. Eu o peguei. Boo Radley começou a rosnar de novo. Estava carimbado Biblioteca do Condado de Gatlin. Eu conhecia o carimbo. Minha mãe tinha recebido centenas de pacotes como aquele. Só Min ShinHye se daria ao trabalho de embrulhar um livro daquele jeito.

-Você se interesaa por bibliotecas, Sr. Jeon? Conhece Min ShinHye? -Macon apareceu do meu lado, pegando o pacote da minha mão e olhando para ele com prazer.

-Sim, senhor. ShinHye, Dra. Min, era a melhor amiga da minha mãe. Elas trabalhavam juntas.

Os olhos de Macon brilharam momentaneamente, e depois nada. O momento passou.

-É claro. Que grande burrice minha. Jeon Jungkook. Eu conhecia sua mãe. 

Congelei. Como Macon Ravenwood podia ter conhecido minha mãe? Uma expressão estranha passou por seu rosto, como se estivesse relembrando algo que tinha esquecido.

-Através do trabalho dela, é claro. Li tudo que ela escreveu. Na verdade, se você olhar de perto as notas de rodapé de fazendas e plantações: Um jardim dividido, verá que várias das fontes primárias de seu estudo vieram da minha coleção pessoal. Sua mãe era brilhante, uma grande perda.

Consegyu dar um sorriso.

-Obrigado.

-Eu ficaria honrado em mostrar minha biblioteca a você, naturalmente. Seria um grande prazer compartilhar minha coleção com o único filho de Soha.

Olhei para ele, aturdido pelo som do nome da minha mãe saindo da boca de Macon Ravenwood. 

-Jeon. Jeon Soha.

Ele sorriu mais abertamente. 

-É claro. Mas cada coisa no seu tempo. Acredito, pela ausência de ruídos na Cozinha, que o jantar foi servido. -Ele deu um tapinha no meu ombro e andamos de volta para o grande salão. 

(S/n) estva esperando por nós à mesa, acendendo uma vela que tinha apagado com a brisa da noite. A mesa estava coberta com um banquete elaborado, embora eu não conseguisse imaginar como tinha chegado ali. Eu não tinha visto uma única pessoa na casa, além de nós três. Agora havia uma nova casa, um cachorro-lobo e tudo isso. E eu tinha esperado que Macon Ravenwood fosse a parte mais esquisita da noite.

Havia comida o bastante para alimentar o FRA, todas as igrejas da cidade e o time de basquete reunidos. Só que não era o tipo de comida que já tivesse sido servido em Gatlin. Havia uma coisa que parecia um porco assado inteiro, com uma maçã enfiada na boca. Um assado de costela com papel-alumínio embrulhando a ponta de cada costela estava ao lado de um ganso desfigurado coberto de castanhas. Havia tigelas de molho de carne e outros molhos e cremes, pães de vários tipos, repolho e beterraba e pastas que eu não sabia identificar. E, é claro, sanduíches de carne de porco grelhado, que pareciam bastante deslocados no meio dos outros pratos. Olhei para (S/n), enjoado ao pensar o quanto eu teria que comer para ser educado. 

-Tio M. Isso é muita coisa.

Boo, enrolado ao redor das pernas da cadeira de (S/n), balançou o rabo de expectativa. 

-Bobagem. Isso é uma comemoração. Você fez um amigo. A Cozinha vai ficar ofendida.

(S/n) olhou para mim com ansiedade, como se tivesse medo de que eu fosse levantar para ir ao banheiro e fugisse. Dei de ombros e comecei a encher meu prato. Talvez Amma me deixasse ficar sem café amanhã. 

Quando Macon estava servindo seu terceiro copo de uísque, pareceu ser um bom momento para falar do medalhão. Pensando bem, eu o tinha visto encher o prato de comida mas não vi comer nada. As coisas pareciam desaparecer de seu prato com apenas uma ou duas garfadas. Talvez Boo Radley fosse o cachorro mais surtudo da cidade.

Dobrei meu guardanapo.

-O senhor se importa se eu perguntar uma coisa? Já que o senhor parece saber tanto sobre história e, bem, não posso perguntar para minha mãe. 

O que você está fazendo? 

Só estou fazendo uma pergunta.

Ele não sabe de nada.

(S/n), temos que tentar.

-É claro.

Macon tomou um gole do copo.

Enfiei a mão no bolso e peguei o medalhão da bolsinha que Amma tinha me dado, tomando cuidado para mantê-lo embrulhado no lenço. Todas as velas se apagaram. As luzes ficaram fracas e depois também se apagaram. Até a música do piano parou.

Jungkook, o que você está fazendo?

Não fiz nada.

Ouvi a voz de Macon na escuridão. 

-O que é isso na sua mão, filho?

-É um medalhão, senhor.

-Incomodaria muito botá-lo de volta no bolso? -A voz dele estava calma, mas eu sabia que ele não estava. Eu podia perceber que estava se esforçando muito para se controlar. A atitude falastrona dele tinha sumido. A voz estava meio aguda, tinha uma sensação de urgência que ele estava tentando muito disfarçar.

Enfiei o medalhão de volta na bolsinha e a coloquei no meu bolso. Na outra pobta da mesa, Macon tocou os dedos nos candelabros. Um a um, as velas na mesa acenderam de novo. O banquete todo tinha desaparecido.

À luz de velas, Macon parecia sinistro. E também estava em silêncio pela primeira vez desde que o conheci, como se pesasse suas opções em uma balança invisível que de alguma forma tinha nosso destino nela. Era hora de ir. (S/n) estava certa, isso era uma péssima ideia. Talvez houvesse uma razão para que Macon Ravenwood nunca saísse de casa.

-Desculpe, senhor. Eu não sabia que isso ia acontecer. Minha governanta, Amma, agiu como... como se o medalhão fosse realmente poderoso quando o mostrei a ela. Mas quando (S/n) e eu o achamos, nada de ruim aconteceu.

Não conte mais nada a ele. Não mencione as visões. 

Não contarei. Só queria descobrir se eu estava certo sobre Genevieve.

Ela não precisava se preocupar; eu não queria contar nada a Macon Ravenwood. Só queria sair dali. Comecei a me levantar.

-Acho que preciso ir para casa, senhor. Está ficando tarde. 

-Você se importa de descrever o medalhão para mim? -Foi mais uma ordem do que um pedido. Não falei uma palavra.

Foi (S/n) que realmente falou.

-É velho e está danificado, com um camafeu na frente. Achamos em Greenbrier. 

Macon girou o anel de prata, agitado.

-Você devia ter me contado que foi a Greenbrier. Não é parte de Ravenwood. Não posso mantê-la segura lá. 

-Eu estava segura lá. Dava pra sentir.

Segura de quê? Isso era mais do que um pouco superprotetor.

-Não estava. É além dos limites. Não pode ser controlado, por ninguém. Há muita coisa que você não sabe. E ele... -Macon gesticulou em minha direção na outra ponta da mesa -Ele não sabe de nada. Não pode proteger você. Você não devia tê-lo envolvido nisso.

Eu falei. Tinha que falar. Ele estava falando sobre mim como se eu nem estivesse lá. 

-Isso se trata de mim também, senhor. Há iniciais na parte de trás do medalhão. JJ. JJ era Jeon Jungwoon, meu tatara-tio. E as outras iniciais eram GKD, e estanos bastante certos de que o D representa Duchannes.

Jungkook, pare.

Mas eu não podia.

-Não há motivo para esconder nada de nós porque seja lá o que for que esteja acontecendo, está acontecendo com nós dois. E goste ou não, parece estar acontecendo agora.

Um vaso de gardênias voou pela sala e quebrou contra a parede. Esse era o Macon Ravenwood do qual falávamos desde que éramos crianças.

-Você não tem ideia do que está falando, rapazinho.

Ele me olhou bem nos olhos, com uma intensidade sombria que fez os pelos do meu pescoço se eriçarem. Estava tendo dificuldade em se controlar. Eu tinha passado dos limites. Boo Radley levantou e andava atrás de Macon como se estivesse vigiando a presa, os olhos assombrosamente redondos e familiares. 

Não diga mais nada.

Os olhos dele se apertaram. O glamour de astro de cinema tinha sumido, substituído por algo bem mais sinistro. Eu queria correr, mas estava preso no chão. Paralisado.

Eu estava errado sobre a casa e Macon Ravenwood. Estava com medo dos dois.

Quando ele finalmente falou, era como se estivesse falando consigo mesmo.

-Cinco meses. Você sabe até onde irei para mantê-la segura por cinco meses? O que vai custar a mim? Como vai em esgotar, talvez me destruir?

Sem uma palavra, (S/n) andou até o lado dele e colocou a mão em seu ombro. E então a tempestade nos olhos dele sumiu tão rapidamente quanto chegara, e ele recuperou a compostura.

-Amma parece uma mulher sábia. Eu consideraria seguir seus conselhos. Devolveria o objeto ao lugar onde o encontrou. Por favor, não o traga à sua inha casa de novo. -Macon ficou de pé e jogou o guardanapo sobre a mesa. -Acho que nossa pequena visita à biblioteca vai ter que esperar, você não acha? (S/n), pode ajudar seu amigo a encontrar o caminho de casa? É claro que foi uma noite extraordinária. Extremamente instrutiva. Por favor, volte, Sr. Jeon.

E então a sala ficou escura e ele sumiu.

*                *                *

Eu mal podia esperar para sair daquela casa. Eu queria me afastar do tio assustador de (S/n) e de sua casa de horrores. Que diabos tinha acabado de acontecer? (S/n) me apressou até a porta, como se tivesse medo do que podia acontecer se não me tirasse de lá. Mas quando passamos pelo hall principal, repais uma coisa que não tinha reparado antes.

O medalhão. A mulher com os assombrosos okhos dourados na pintura a óleo estava usando o medalhão. Agarrei o braço de (S/n). Ela viu e ficou paralisada.

Não estava aí antes.

O que você quer dizer?

Esse quadro está pendurado aí desde que eu era criança. Passei por ele milhares de vezes. Ela nunca esteve de medalhão. 


Notas Finais


Terminei. Esse cap demorou.
Meus dedos cansaram socorro.

Espero que tenham gostado. Até o próximo cap.


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