História Beauty and the Beast - Adaptação Jikook - Capítulo 8


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags A Bela, A Fera, Conto, Jikook, Jimin Bottom, Jungkook Tops, Kookmin, Meg Cabot, Mistério, Namjin
Visualizações 30
Palavras 3.873
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Mistério, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Spoilers
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hey Kookmins ❤️

Chegamos no final 🤧🤧

Boa leitura 💋

Capítulo 8 - Capítulo 08- O FIM




Capítulo oito




O modelo e o monstro. 




No início pensei que o navio tivesse sido atingido por um raio, provocando uma interrupção


na energia, mas não tinha ouvido trovão algum. A única luz era a que se infiltrava pelas


janelas, o céu cinzento pairando sobre um mar cor de carvão.


Depois ouvi a porta do quarto se abrir e fechar, e percebi que a falta de energia não tinha


nada a ver com a tempestade. Tinha sido ele.


Senti uma estranha onda de emoções: medo mesclado com pena, mas com uma saudável


dose de raiva; tudo ao mesmo tempo.


— Não precisava apagar as luzes. — A minha voz saiu um pouco mais alta do que eu


pretendia no ambiente silencioso. — Já sei como você é. Eu vi, lembra?


Ele era uma silhueta alta perto do carrinho de serviço de quarto. Apesar da precaução de


apagar todas as luzes na suíte, eu distinguia muito bem os detalhes do rosto dele, porque


daquela vez eu estava de costas para a janela e o Enchantment of the Seas agora navegava


pela beira da tempestade tropical.


— Sei que me viu — disse ele, naquela voz grave de que me lembrava muito bem. — Mas


pensei em poupá-lo ao máximo de reviver aquele momento, uma vez que lhe causou tanta


angústia antes.


Seu tom não era amargurado nem sarcástico. Ele declarava o que lhe parecia um fato.


— Isso não é justo — falei. — Você mesmo disse que, segundo o médico, eu sofri uma


leve concussão. Eu não estava me sentindo bem e tinha acabado de passar por uma


experiência assustadora, e você deixou todas as luzes apagadas por pura vaidade...


— Vaidade? — ecoou ele, indignado.


— Você me ouviu bem. Ficou tão preocupado de eu não gostar de você pela sua


aparência que nem me deixou vê-lo.


— Ora essa, e eu tinha razão, não tinha? No segundo em que viu meu rosto, você desmaiou.


— É verdade, porque você estava tão estranho e misterioso, mantendo tudo às escuras por


aqui, que pensei que fosse uma espécie de...


— Monstro.


Agora ele estava amargurado. Como se já tivesse ouvido essa palavra.


Não foi preciso nenhuma imaginação minha para deduzir que ele provavelmente a ouvia


de crianças pequenas — e talvez outras nem tão pequenas assim — aonde quer que fosse. Eu


podia ver as cicatrizes no lado direito do rosto e do pescoço, feias e dolorosas, mas estava


claro que ele tinha deixado o cabelo crescer para tentar escondê-las.


Agora, porém, eu sabia o que elas eram e também o que as causara, então não me davam


mais medo. E como finalmente pude ver seus olhos — gentis e castanhos, quando não


faiscavam para mim ou alguém de quem ele sentisse raiva —, eu sabia que ele não era mais


monstro do que eu.


— Você não é um monstro. — Aproximei-me dele para pegar sua mão. — Venha se


sentar no sofá comigo por um minuto. Quero conversar com você.


Ele recuou, quase derrubando o carrinho de comida.


— O Sr. Worth disse que só queria se despedir. — Os olhos castanhos estavam cheios de


apreensão enquanto ele tentava endireitar as travessas que tinha virado.


— Sim, bom, o Sr. Worth é um completo mariquinhas — falei, e peguei sua mão,


segurando-a com firmeza. Também tinha cicatrizes, como o lado direito do rosto, mas a pele


parecia completamente normal, embora meio áspera.


No minuto em que meus dedos tocaram os dele, Jungkook ficou paralisado, olhando para


mim de cima como se eu fosse uma ameaça muito, mas muito pior para ele do que Raul era.


Talvez, de certa forma, fosse, mas não era a minha intenção. Dava para ver a pulsação


batendo forte na veia do seu pescoço. Esperava que ele não pudesse ver a minha. Se visse,


saberia que, apesar da frieza com que agia, eu estava morto de medo.


— O que é um mariquinhas? — perguntou ele, por fim.


— Não sei — admiti. — Mas o famoso Park Jimin está lhe pedindo para se sentar no


sofá e conversar com ele. E ele devia estar de repouso absoluto, lembra? Toda essa agitação


pode não fazer bem a ele. Então, acho melhor fazer o que ele quer, não?


Ele sorriu — só um pouco. Quando fez isso, pude ver uma sugestão do garoto bonito que


devia ter sido antes do acidente que o havia desfigurado.


— Eu seria um tolo se não obedecesse. — Ele me levou pela Suíte Real até o sofá que


desocupei quando ouvi o Sr. Worth entrar.


Ao ver o livro que tinha caído no chão, porém, seu sorriso se desfez.


— Ah. Vejo que esteve lendo durante minha ausência.


Sentei-me, dando um tapinha no lugar ao meu lado, mas ele não aceitou a oferta.


— Eu não me chamaria de especialista no assunto — comentei com leveza. — Pelo menos ainda não. Mas estou supondo que você sofre de algo chamado queloide. São crescimentos


anormais na pele que ocorrem em torno de áreas que foram cortadas ou machucadas. Até


agora estou certo?


Ele assentiu lentamente, com os olhos castanhos parecendo avermelhados na luz mais


forte, agora que estávamos perto da janela. Seu olhar para mim era muito intenso, e os dedos


seguravam o encosto do sofá.


— Sim — disse ele. — Foi um acidente de carro há algum tempo. Meus pais me deram


uma Ferrari quando fiz 16 anos. Deviam ter esperado até eu ser um pouco mais maduro...


tipo com uns 60. Felizmente só eu me machuquei.


Estremeci.


— Lamento muito.


Ele deu de ombros.


— A culpa foi minha. Eu estava me exibindo. Tive sorte de não morrer.


— Mesmo assim — argumentei, me sentindo mal por ele. — Não é justo. Li no livro que


os médicos não sabem por que algumas pessoas formam queloides e outras não. Algumas


famílias... e grupos étnicos... parecem mais predispostos geneticamente a eles, não é isso?


Ele sorriu de novo, mas daquela vez parecia amargurado.


— Sim. Outro dom transmitido pelos bons e velhos mamãe e papai.


— E a cirurgia para removê-los é...


— Só é eficaz em 15 por cento dos casos, sim, porque a cirurgia provoca tecido cicatricial,


e o tecido cicatricial pode levar a uma reincidência do queloide. — Ele enfim contornou o


sofá para se sentar ao meu lado. — Puxa, você gosta mesmo de ler. Provavelmente tem


memória fotográfica também, não é?


— Na verdade, não. Bom, só quando o assunto me interessa.


— O famoso Park Jimin está me dizendo que eu sou do interesse dele? — perguntou ele,


ansioso, inclinando-se para mim.


Coloquei a mão aberta em seu peito largo e o empurrei.


— Eu não ficaria animado tão rápido, se fosse você. Ainda temos que discutir a questão


do seu pijama.


— Meu pijama? — Ele ficou perplexo. — O que meu pijama tem a ver com isso?


Peguei o folheto que Tae me dera do chão, onde eu o deixara cair, e li em voz alta.


— “A Royal Jeon Cruise Lines foi fundada pela família Jeon de Busan, Coreia do sul, uma


das poucas empresas que restaram na Ásia atual que ainda pode afirmar ser orgulhosa e


independentemente de propriedade familiar.” E, como deve saber, há uma foto da família


Jeon na contracapa.


Mostrei-lhe a foto. Era antiga, mas o menino que abria um grande sorriso entre um


homem e uma mulher bonitos — e outro casal mais velho, certamente seus avós — e


dezenas de outros parentes, todos com camisas polo com a letra J elegantemente costurada


no lado esquerdo, era claramente Jungkook.


Ele xingou em voz baixa.


— O pijama — disse ele. — Esqueci do pijama. Então ele me entregou.


— Não, Jeon Jungkook — retruquei, sério. — O pijama foi a única coisa que não entregou


você. Como pode ter saído do elevador no exato momento em que eu era atacado por aquele


porco? Estava me observando pelos monitores de segurança, a que certamente tem acesso


porque seus pais são donos do navio?


Ele parecia estar abalado... um pouco demais para ser sincero.


— Eu nunca abusaria dos meus privilégios dessa maneira. Mas... Bem, sempre há alguém


observando os monitores de segurança dos corredores e, naquela noite, quando você parecia


ter problemas para encontrar o caminho de volta a seu quarto, eles me chamaram...


— Arrá! — exclamei. — Eu sabia! E imagino que chamem você para ajudar qualquer


garoto neste navio que pareça ter problemas para encontrar o caminho de volta ao seu


quarto.


Ele agora encarava o chão. Não me olhou nos olhos.


— Não — disse ele em voz baixa. — Só no seu caso.


— Bom, isso é... É simplesmente... — Eu não conseguia pensar em nenhuma palavra que


resumisse meu completo horror ao ouvir isso. Eu desconfiava. Mas ele admitir? — É loucura.


Você nem me conhecia.


— Talvez não — confessou ele, ainda olhando fixamente para o chão. — Não tão bem


como agora. Mas não pretendia deixar que você me visse. Só ia segui-lo para ter certeza de


que voltaria ao seu quarto bem. Só que, quando estava a caminho, eles ligaram e disseram


que você estava sendo atacada. Não poderiam fazer com que ninguém da segurança chegasse


a tempo. Eu estava mais perto. Não tive alternativa a não ser fazer o que fiz. Fiquei com tanta


raiva quando vi o que aquele animal fez com você.


Sua voz era cortante, quase dolorida, como o hematoma nas minhas costas — Eu pensei... Pensei... — Ele se interrompeu, batendo o punho de leve no joelho. — Sei


que agora parece ridículo. Fui um tolo. Mas, na hora, quando estávamos rindo juntos aqui


no meu quarto sobre você ter batido seus sapatos em Raul, eu quase pensei que podia me


safar. Pensei que você poderia realmente gostar de mim.


Eu gostei, eu queria dizer. Gostei de você. Mas não agora, quando ele provava que o Hoseok


tinha razão. Ele era mesmo um stalker.


— Mas você nem me conhecia. Não antes. A não ser...


Jimin. Ele disse meu nome. Sabia muito bem quem eu era.


— Você estava me olhando da varanda no primeiro dia, quando zarpávamos das docas,


não estava? Ah, meu Deus. — Uma nova ideia apavorante me ocorrera. — Você me deu o


upgrade. Para a Suíte Presidencial. Foi você, e não a empresa, não foi?


Seu sorriso era triste.


— Sim. E você deu o quarto para seu pai. Eu devia saber que faria algo assim. É o tipo de


coisa que você sempre faz. Eu devia ter separado dois camarotes. Quando pensei nisso, já


havíamos vendido tudo. Mas não pode me acusar de não tentar.


— Jungkook. — Meneei a cabeça, mal o escutando. Estava tão confuso. Só queria ligar para


Taehyung e pedir para ele me buscar, então voltar a nossa cabine padrão e morrer de tanto


chorar. — Desculpe. Mas não vê como isso é horrível? À sua própria maneira, fazer essas


coisas por mim é tão doloroso quanto eu gritar ao ver você. Eu não mereço receber upgrades


por parecer um modelo mais do que você merece ser maltratado por parecer... bem, um


monstro. A aparência não significa nada. Não representa o que a pessoa é por dentro.


— É o que você acha? — perguntou ele, horrorizado. — Que eu fiz essas coisas por causa


de sua aparência?


— O que mais devo pensar? — Eu era incapaz de reprimir as lágrimas, fraca por causa da


minha suposta concussão, sem dúvida, e enterrei o rosto nas mãos para escondê-las.


Mas, a uma alteração na voz dele, levantei a cabeça, e vi que ele me olhava com uma


expressão tão cheia de consternação que era de se pensar que eu o havia esfaqueado.


— Jimin, sei que não mereço nem mais um minuto de seu tempo — disse ele —, e você


provavelmente nunca acreditaria nisso, mas tenho que dizer assim mesmo. Tive muito tempo


para ler no hospital enquanto me recuperava do acidente e das muitas cirurgias que fiz


depois disso, e digamos que leio muito rápido, então às vezes ficava sem livros. Quando


meus pais não conseguiam me abastecer com rapidez suficiente, eu lia o que as enfermeiras


tinham à mão... Em geral revistas de moda e beleza. Não era o material mais empolgante do


mundo, especialmente para um garoto, mas uma coisa que sempre me fascinou, e pela qual comecei a ansiar, eram as matérias sobre você. Um garoto que só começou a ser modelo


porque um dia foi descoberto por um fotógrafo na rua, depois largou a escola e foi trabalhar


porque era a única maneira de pagar as contas da família, uma vez que o pai tinha sido


demitido enquanto cuidava da mãe, que morria de câncer no cérebro?


Eu o olhei, atordoado. Nem acreditava no quão mal o julgara. Quando ele disse que “leu


sobre mim”, supus que era uma espécie de stalker — e não um garoto se distraindo do tédio


em um leito de hospital, disposto a ler artigos bobos sobre mim nas revistas de moda...


“Banalidades”, costumávamos chamar.


Mas, para mim, a triste história da morte da minha mãe não era nada banal, e


aparentemente também não era para ele.


— Jimin, sabe que tipo de idiota eu me sentia — continuou ele —, lendo sobre o que você


passou nos últimos anos, tendo que largar a escola, que sei que você adorava, para trabalhar


e sustentar sua família, fazendo um trabalho que você detesta, enquanto eu ficava correndo


e batendo Ferraris, depois com medo de assustar criancinhas com minha estúpida cara de


monstro?


Não pude deixar de sorrir um pouco com seu tom, apesar das minhas lágrimas.


— Não — respondi. — Que tipo de idiota se sentia?


— Um bem grande. Enorme... Sempre que lia outro artigo sobre você... E olha que foram


muitos, porque você nunca tirava uma folga. Tenho certeza de que são suas primeiras férias


em uns três anos... eu me sinto o maior idiota do mundo.


— Bem. Que bom. Porque você é meio idiota mesmo.


Ele colocou a mão no peito e pestanejou.


— Ai, isso foi cruel. Não tem nenhum queloide no meu coração, sabia? Está inteiramente


desprotegido.


Semicerrei os olhos para ele. Eu ainda não sabia se o perdoava ou não. Era tudo muito


estranho.


— Seus pais sabem alguma coisa sobre isso? — perguntei, desconfiado.


— Claro que sabem — disse ele. — Tive que explicar a eles por que parti para São Paulo


tão de repente em um dos nossos navios. Em geral usamos aviões... Particulares, é claro, para


eu não assustar os outros passageiros.


— Pare de falar coisas assim. — Eu estava pouco à vontade.


— O quê? Que assusto as pessoas? — Ele me olhou, surpreso. — Mas é verdade. Eu


assustei você.


— Sim. Mas talvez não assuste mais. E talvez, se não insistisse em ficar na sombra, não


assustaria.


— Hummmm — disse ele, com o mais leve dos sorrisos. — Talvez toda essa história não


tenha sido em vão, afinal. — Antes que eu pudesse protestar, ele apontou para o exemplar


de Correção de cicatrizes e queloides no chão. — Há um médico em São Paulo que seu pai diz


que eu devia procurar. Ele usa uma técnica a laser. Supostamente, o laser produz um


resultado ligeiramente melhor na remoção de queloides do que a cirurgia.


— Peraí um minutinho — interrompi. — Você falou com o meu pai?


Ele hesitou, provavelmente notando o ceticismo na minha voz.


— Bom, você não tira férias há anos. Sempre está correndo para uma sessão de fotos em


algum lugar. Tive que conseguir que parasse de algum jeito.


— Então ofereceu a lua de mel de graça ao meu pai em um dos cruzeiros de sua família.


— Agora eu já ouvira tudo.


— Em troca do que ele soubesse sobre os últimos avanços na correção de queloides —


disse Jungkook, na defensiva. — Sim. Ele foi um dos maiores pesquisadores no campo, você


sabe. O trabalho de laboratório dele com radioterapia é considerado um dos mais avançados


do mundo. É uma pena que o tenham demitido. Estou montando um laboratório novo, com


o dinheiro dos meus pais, é claro, para o seu pai continuar a pesquisa.


Eu o olhei sem acreditar. Agora sabia que meu pai nunca pretendeu me juntar com Jung


Hoseok. Era Jeon Jungkook o tempo todo.


Eu não sabia se ia sacudir ou beijar meu pai assim que ele se recuperasse o bastante para


sair da cama. Provavelmente as duas coisas.


— Não sei se a cirurgia a laser dará certo, é claro. — Jungkook deu de ombros. — Ou a


radioterapia de seu pai. Mas nenhuma das duas pode piorar nada. E é estranho, mas estou


começando a não me importar tanto como antigamente. De qualquer modo, meus pais


vieram nessa viagem. Querem ver como tudo vai acontecer. Estão na Suíte Imperial, aqui ao


lado.


Meu queixo caiu.


— Estão?


Ele pareceu se divertir.


— Onde acha que eu estava quando me convocou?


Senti meu coração parar um segundo. Os pais dele estavam na suíte vizinha o tempo


todo?


— Você disse a eles que desmaiei quando o vi?


— Como você mesmo falou, havia circunstâncias atenuantes. E não, eu nunca contaria a


ninguém algo tão deselegante sobre você


— Bom. O Sr. Worth sabe. Parece que ele me reprova.


— O Sr. Worth só sabe que eu disse que você queria sair da Suíte Real — disse Jeon.


Era minha imaginação, ou as nuvens de tempestade começavam a se dissipar, permitindo


que um pouco de sol enfim nos alcançasse?


— Pode ser — falei, devagar. — Pelo menos... na hora.


De repente, Jungkook, assim como o céu, começou a parecer um pouco menos sombrio.


— Como meus pais e o restante da tripulação deste navio — disse ele —, o Sr. Worth só


me quer feliz. E desde o acidente eu me esforço para merecer a boa vontade deles. Estive


tentando ao máximo parecer menos o velho Jeon Jungkook egoísta e mais o famoso Park


Jimin. Pode não ter consciência disso, mas, segundo tudo o que li e vivi, ele é


extremamente gentil e, mais importante, muito compreensivo.


Foi só então que percebi que seu braço tinha se esgueirado para minha cintura. Pensei em


afastá-lo, mas a sensação era boa... Como se fosse onde sempre deveria ter estado, na


verdade.


— Sim — disse eu. — Bom, da próxima vez que quiser conhecer um garoto, pode tentar


simplesmente se apresentar em vez de criar toda essa confusão.


— Não vai haver uma próxima vez. — Seu abraço ficou mais forte. — Vai?


Olhei para ele. Não era minha imaginação. O sol sem dúvida aparecia. Um raio tinha


rompido as nuvens e iluminado o rosto dele, mas Jungkook não pareceu perceber. Não estava


mais no escuro.


Mas ainda era meu, e só tinha olhos para mim.


Toquei seu rosto.


— Espero que não — respondi, e o beijei.


Nossos lábios mal haviam se separado quando a porta do quarto de Jungkook se abriu de


repente e ouvi Taehyung chamando, sua voz carregada de alarme.


— Jimin? Jimin, onde você está?


Fiquei de joelhos para ser visto acima do encosto do sofá.


— Estamos bem aqui. O que houve?


— Ah, Jimin, graças a Deus. — Tae, aliviado, veio correndo pela lateral do sofá, com


Hoseok em seus calcanhares. — O mordomo de Jungkook ligou e disse para a gente vir agora


mesmo, que havia algum problema. Você está...


Ele se calou, parando tão abruptamente ao ver Jeon que Jung esbarrou nele. Ele estava


prestes a reclamar quando seu olhar também se fixou nele. Então seus olhos se arregalaram.


— Mas que...


— Gente — falei, com rapidez suficiente para abafar qualquer palavrão que com certeza


Hoseok diria. — Eu estou bem, como podem ver. Este é o Jungkook.


Ele ainda estava com o braço direito ao meu redor. Retirou-o para estender a mão na


direção deles.


— Oi — falou, com um sorriso. — É um prazer finalmente conhecê-los.


Taehyung foi o primeiro a retribuir o cumprimento, embora estivesse em uma espécie de


torpor.


— Oi. — Ele olhou, hesitante, de Jungkook para mim e de volta para ele. — Eu sou... Sou o


Taehyung.


— Eu sei. — Jungkook ainda sorria. — Reconheci sua voz do telefone. E você deve ser o Hoseok.


— Estendeu a mão para ele depois que Tae a largou. — É um prazer. Sou um grande fã


seu.


— Tá — disse Hoseok, pegando a mão de Adam e dando um aperto forte demais, no estilo


Jung Hoseok. — E aí. O que houve com a sua cara?


— Hoseok — sibilou Tae, mortificado.


— Está tudo bem — disse Jungkook gentilmente para Tae. — Estou acostumado. E


lamento se o Sr. Worth assustou você. Ele tende a ser meio superprotetor. Jimin e eu tivemos


um... desentendimento antes, mas, como pode ver, nos acertamos. — Ele olhou para mim e


sorriu. Em resposta à pergunta de Hoseok, disse: — Sofri um acidente de carro.


Hoseok, que olhava duro para Jungkook, comentou:


— Queloides, né? Um cara do meu time também tem, mas não são tão feios quanto os


seus. Deve ser um saco.


— É mesmo — disse Jeon. — É um saco. — Senti seu braço direito voltar à minha


cintura. — Mas ultimamente as coisas começaram a melhorar.


Tive que morder o lábio para não soltar uma gargalhada.


— Bom — disse Hoseok, virando-se para Tae. — Parece que está tudo bem por aqui.


Podemos ir agora? Vamos chegar atrasados para nossa reserva na tirolesa.


Tae ainda olhava de mim para Jungkook, como se não conseguisse acreditar no que via.


— Não, não podemos ir agora — respondeu ele a Jung. — A tirolesa pode esperar. Não


perguntamos à Jimin o que ele quer... Jimin, quer ficar aqui? Porque podemos levar você de


volta à cabine, sem problemas. Ou a qualquer outro lugar. Pode ir na tirolesa com a gente. É


o que você quer?


— Olha, obrigado por perguntar, Tae — falei, incapaz de tirar o olhar dos olhos


escuros, e agora também divertidos, de Jungkook. — Mas acho que vou ficar aqui com Jungkook


um pouco mais, se não tiver problema para você. Eu ainda tenho que ficar de repouso


absoluto, sabe?


— Ordens médicas — concordou Jeon, com falsa solenidade.


— Ah — disse Tae, chocado. — Bom, se é o que realmente quer...


Hoseok pegou a mão dele e começou a puxá-lo para fora do quarto.


— Pelo amor de Deus, Tae, é claro que é isso que ele quer! Jimin achou o namorado rato


de biblioteca dos sonhos dele. Olhe para eles, foram feitos um para o outro. O modelo e o


monstro.


— Hoseok! — Tae ficou vermelho. — Gente, sinto muito, sinto muito de verdade...


Observei Jungkook para ver se parecia chateado, mas ele encarava os dois com um sorriso


alegre.


— Jimin, me liga depois — pediu Taehyung, enquanto Hoseok o puxava para a porta. — Tá?


Quem sabe a gente pode jantar um dia desses...?


Jung fechou a porta antes que eu tivesse a chance de responder.


Preocupado, olhei para Jungkook.


— Tudo bem com você? Sinto muito por isso. O Hoseok tem a sensibilidade de uma colher


de chá.


— Claro que estou bem — disse ele, apertando-me mais. — Por que não estaria? Acabado


de ser convidado para jantar com a seu meio-irmão, que parece estar namorando Jung


Hoseok, um dos cinquenta melhores jogadores de futebol do mundo.


Franzi a testa para ele.


— Sabe muito bem do que estou falando. Do que ele nos chamou... O modelo e o


monstro?


— Ah, isso — disse ele, e curvou-se para beijar meu pescoço. — Preciso admitir que


estava prestando mais atenção na outra coisa que ele falou... Algo sobre eu ser seu namorado


rato de biblioteca dos sonhos.


Tentei não rir, mas parece ser surpreendentemente difícil se conter quando um cara de


quem gosta está beijando seu pescoço.


— Não me lembro dessa parte — menti.


— Não lembra? — perguntou Jeon, recostando minhas costas gentilmente no sofá. —


Então, talvez eu tenha que ser o tipo de namorado que faça as coisas por você até que sua


memória melhore. Talvez seja bom que as pessoas me confundam com um monstro, se terei


que proteger você de imbecis como aquele do corredor. Agora, por onde começo? Por aqui?


— Ele me beijou de novo, desta vez no rosto. — Ou por aqui? — Seus lábios encontraram os


meus.


Coloquei a mão no rosto dele quando me beijou, tomado de amor por ele. Meu Sombrio


Misterioso, pensei, feliz, enquanto meu coração batia junto ao dele.


Meu monstro.




"A verdadeira beleza está dentro de nós, em nossos gestos e atos. A maçã mais bonita da cesta pode estar podre por dentro, no entanto a mais opaca e sem brilho, aparentemente feia, pode ser a mais suculenta em seu interior. Enxergar além do exterior, a verdadeira essência das pessoas, são para poucos. "


Notas Finais


Meus Kookmins
Este é o final, realmente espero que tenham gostado e entendido o propósito do conto. Eu estou com um projeto de adaptar várias histórias para shipps yaoi e já iniciei outra adaptação.
O link estará abaixo. Muito obrigada por todo carinho e apoio 💕🤧❤️

Link : https://www.spiritfanfiction.com/historia/a-probabilidade-estatica-do-amor-a-primeira-vista--jikook-13932798


PS: Então amores, eu repostei nesse meu segundo perfil, para proteger o outro, como avisei, no perfil oficial.


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