História Beauty and the Beast - Capítulo 8


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


CHEGUEI


*Lembrando que cenas escritas em itálico se tratam do tempo passado*

Boa leitura, meus anjos! 💙

Capítulo 8 - The beast


Fanfic / Fanfiction Beauty and the Beast - Capítulo 8 - The beast




        A neve que esbranquiçava as folhas das árvores da Robson Street, era palco para a caminhada vespertina do casal canadense que resolvera sair um pouco dos altos muros do Castelo de Vancouver.

    A garota loira parecia extremamente encantada ao observar cada pontinho do lugar, sorrindo quando um bando de aves em formato de seta passou por ali, trazendo vida à rua silenciosa. Ao seu lado, o príncipe não parecia tão satisfeito com o passeio. Já tinha vindo aqui tantas vezes que a beleza do local não mais lhe era distração. Em contraste, fitava a dama de companhia da filha do conde James Apatow.

    Jane Hopper era uma garota muito bonita para ser a simples filha de padeiro, e chamava a atenção aonde quer que fosse. Mesmo não sendo mais bonita que a própria Íris, ela tinha algo bastante intrigante. Seus olhos, de um castanho claro, olharam Finn de cima a baixo, e ao notar o interesse do rapaz, seus lábios pintados numa suave tonalidade de rosa, repuxaram para cima.

    O príncipe se demorou em seus passos, deixando a empolgada Iris ir na frente. Ela parou ao ver que o quase namorado não a seguia, e virou-se para questioná-lo.

      - O que há, Finn? Perdeu a vontade de tomar Capuccino descafeinado? - interrogou de maneira engraçada, lembrando do tanto que o rapaz insistira para que eles fossem na Confeitaria do centro da cidade. Lá, eram vendidos os melhores doces e cafés da região.

         - Hã, pode ir na frente, linda. Eu vou só trocar umas palavrinhas com o cocheiro, e não demoro. - respondeu.

      A esta altura, Jane já tinha se retirado de perto do casal com a permissão de sua superior.

        Iris choramingou, se aproximando do príncipe manhosamente. Suas mãos foram para o colarinho do rapaz, e ela entretou seus grandes olhos azuis ali, brincando com o tecido.

     - Eu nem queria sair de casa hoje, e você me arrastou pra cá. Por mim, tínhamos aproveitado a tarde fria de uma forma bem mais aconchegante. - falou, ficando na ponta dos pés para beijar um ponto abaixo de sua mandíbula.

    Ele sorriu ao perceber as intenções dela, beijando a mais baixa na bochecha, antes de recuar um passo.

     - Não vou demorar, prometo. Pode ir escolhendo aquelas rosquinhas de chocolate com caramelo que você tanto gosta. - disse.

    A loira bufou, se separando para tomar o rumo da Confeitaria.

    - Te espero lá dentro então.

    Finn a observou se afastar, e logo após caminhou até a carruagem que os trouxera, deixando os passos de sua nota neve marcados na neve fofa.

      Iris era uma garota legal, mas ele não pretendia firmar o compromisso sério que ela queria. Alguns beijos e noites que passaram juntos não foram capaz de domar o coração livre que o Wolfhard mais jovem tinha. Já tinha-a dito que não pensava em se casar nem tão cedo, nem mesmo namorar alguém, mas a loira estava perdidamente apaixonada por ele, e tentava a todo custo ganhar o seu amor.

   - Pensei que não viria. - uma voz feminina falou, assim que o príncipe abriu a pequena porta da carruagem.

    Ele riu pelo atrevimento no timbre da morena, sentando ao lado de Jane no assento de veludo vermelho. A dama de companhia de Iris sorriu, soltando os cabelos que estavam presos em um coque alto. Eles cascatearam até o fim de suas costas, e ela se inclinou para deixar o rosto mais próximo do príncipe, em sinal de provocação.

     - Você fica linda com o cabelo solto assim, sabia? - elogiou ele, descendo os dedos pelos fios castanhos da moça.

      Ela riu atrevida, levando os lábios para o pescoço do cacheado, onde passeou com a ponta da língua. Ele se arrepiou por inteiro, prendendo a mão grande e pálida na nuca de Jane, e selando seus lábios naqueles tão convidativos. O beijo evoluía de uma forma tão intensa que não demorou muito para que as coisas começassem realmente a esquentar.

      Um minuto depois a garota estava em seu colo, ofegante, empurrando o corpo bem delineado contra o do jovem, impressando-o no encosto do assento. Finn soltou um gemido de frustração por não poder fazer o que queria com a morena ali. Iris não gostaria nada de saber daquilo, e uma carruagem balançando mesmo estando estacionada, com certeza chamaria a atenção de outras pessoas.



      Ao longe, Iris os observava pela janela do estabelecimento. Um meio sorriso se formou em seus lábios ao ver a dupla que se beijava loucamente dentro do meio de transporte, jurando que ela, tão ingênua, não poderia vê-los.

    Mexeu o seu chocolate quente devagar, observando as deliciosas ondinhas mescladas que se formavam com o movimento circular feito pelo canudo transparente.

      Finn Wolfhard não perdia por esperar.










     Naquela noite, o príncipe Vancouviano acordou sobressaltado com o pesadelo que o atormentava há três noites seguidas. Era sempre tão real, tão nítido, que Finn não conseguia dizer ao seu subconsciente que se tratava apenas de um sonho. Como de costume, o dia em que Iris o amaldiçoara ficava indo e voltando em sua mente, como um loop sem fim.
      Empurrou as cobertas para o lado, e virou o corpo para a cômoda. Uma careta surgiu em seu rosto fortemente traçado, quando notou a falta do copo de água que costumava deixar acima do móvel antes de dormir.
   Resmungando com irritação, se ergueu da cama e pegou um casaco de moletom no cabideiro, passando-o pelos ombros na tentativa de diminuir os calafrios em seu corpo causados pela brisa noturna. Se seu coração não estivesse tão acelerado, deixaria a água para a manhã seguinte. Pôs a máscara na metade do rosto, e se retirou do aposento solitário, indo em direção à cozinha.
    Como era de se esperar, o quarto do príncipe ficava longe dos outros, do outro lado da bifurcação presente na escada principal.
   Finn desceu os degraus sonolento, bocejando tantas vezes que sentiu a musculatura de sua boca doer. Detestava ter que sair das cobertas tão quentinhas no meio da noite para ir buscar algo, mas pela hora, seus amigos já estavam dormindo.       Se arrastou até o centro do cômodo amplo, e encontrou o recipiente de vidro que guardava o líquido o qual necessitava. Ergueu a mão para o armário posto acima do balcão da pia, e retirou um copo, despejando água em seu interior.

O único barulho no lugar inteiro, adivinha do crepitar das chamas na lareira da sala principal.

O príncipe observou o crucifixo pregado na parede, grande o bastante para chamar a atenção dos curiosos que resolvessem analisar o local. Pequeninas pedras de turquesa estavam juntas à jadeite que formava o objeto em formato de cruz, com uma estatueta do Cristo ao meio. Aquele havia sido um presente do Bispo Karl para a Família Real, tendo em vista também a carestia do jadeite, isso tornava o acessório um presente muito importante.

O rapaz baixou o copo dos lábios, segurando-o entre os pálidos dedos, fitando o sofrimento talhado no rosto de pedra do Cristo, e refletindo sobre as histórias religiosas sobre o homem tão imensamente bondoso que um dia pisou na Terra. Finn não era beato, muito menos ia a todas às missas da cidade, mas possuía imenso respeito pelas coisas celestiais. Lembrava de como as orações feitas com sua mãe, o acalmavam nas noites em que estava mais agitados.

Sendo assim, ainda mexido pelo horrível sonho que tivera, benzeu-se perante o crucifixo, e balbuciou algumas palavras para que o verdadeiro Cristo pudesse ouví-lo.

Raiva dos céus pela maldição que tinha lhe sido lançada? Teve, por algum tempo de revolta, porém a verdade o fez aceitar as coisas da forma que realmente eram: ele merecia tudo aquilo. Estava pagando por seus pecados, e não devia culpar outra pessoa se não a si mesmo.

- O príncipe de Vancouver em um momento religioso? Por essa, eu definitivamente não esperava. - falou uma voz feminina, com uma pitada de diversão no tom, fazendo o rapaz dar um pequeno pulo de susto.

- Jesus! - exclamou.

Millie sorriu, se aproximando de onde ele estava. Vestindo um robe rosa claro, coberto por um grosso sobretudo de lã marrom, ela parecia ainda menor do que já era.

- Na verdade não sou ele, mas o aprecio bastante. - brincou, elevando os olhos para o objeto que tinha roubado tanto a atenção do cacheado. - É incrível!

Finn olhou-a de soslaio, notando, mais uma vez, o brilho de curiosidade que surgia em seus olhos quando via algo que a interessava. Chegava a ser impressionante o modo como suas emoções podiam ser lidas apenas no brilho de seu olhar.

- É, é muito bonito. - concordou ele.

- Que pedra é esta? - a menina ficou na ponta dos pés para tocar o crucifixo, passando a ponta dos dedos delicadamente em cada detalhe que pudesse ser encontrado a olho nu.

- Chama-se jadeite. É um mineral raro de se encontrar. - explicou ele, pondo o copo em cima do balcão. - Foi um presente do Bispo para a minha família. Veio diretamente do Vale de Motagua, na Guatemala. Lá é uma das jazidas mais importantes do mundo, e pertencia à igreja católica na época.

- Não pertence mais?

Ele negou com a cabeça, fazendo um cacho escuro recair sobre a testa.

- O rei de Portugal conseguiu comprá-la. Pelo que sabemos, o bispo não pensou duas vezes quando viu a quantidade de ouro que o rei lhe trouxe como garantia do acordo. Era o ouro pela jazida, e o bispo não foi esperto o suficiente para escolher.

Millie arqueou as sobrancelhas em concordância com a opinião de Finn acerca do assunto. Era perceptível uma leve palidez em seu rosto, e o modo como suas pupilas estavam dilatadas aparentavam que ela estivera assustada. Isso o fez pensar em algo.

- Você...não conseguiu dormir bem?

- Não muito - respondeu, um pouco mais baixo do que tinha falado antes - Vim buscar um copo d’água, não costumo ter pesadelos durante a noite, mas hoje foi exceção.

Wolfhard se inclinou para pegar mais um copo no armário, oferecendo-o à garota. Ela aceitou com um meio sorriso e se virou para enchê-lo com água.

- Vejo que não fui a única. - comentou, após alguns goles - Você quer, não sei, conversar sobre? - sugeriu.

O mais velho deu de ombros, cruzando os braços sobre o peito.

- Acho que não. Não quero ficar revivendo as cenas. - olhou para ela - Você quer?

Ela balançou a cabeça negativamente.

- Deixa quieto. - a castanha pôs o copo na pia, limpando o canto da boca com uma mão.

Os dois seguiram em silêncio até a sala, ambos ansiando por um contato com o calor que vinha das chamas. Sentaram-se de frente um para o outro, em grandes poltronas de madeira e veludo preto que ficavam numa proximidade suficiente da lareira.

Millie fitou o príncipe com atenção, percebendo como ele parecia mais humano agora, do que da primeira vez que se viram. Aos seus 24 anos, Finn era alto e tinha um corpo magro, porém com alguns músculos delineados. Sua pele era pálida como o pó de arroz que Paige costumava usar algumas vezes.

- Escuta - pigarreou ela, trazendo os olhos escuros do mais velho para si novamente - você conheceu uma garota chamada Paige?

Finn fez uma careta de confusão, esfregando uma mão na outra para aquecê-las.

- Eu conheci muitas garotas, bela, não lembro o nome de todas elas. Uma mais bonita do que a outra, vale acrescentar. Bons tempos!

Brown estalou a língua ao perceber que sua pergunta tinha sido interpretada de uma maneira totalmente diferente da qual tivera intenção.

- Não estou falando nesse sentido, seu idiota. - ignorou os olhos arregalados do príncipe ao ser xingado, prosseguindo com sua fala. Seu semblante ganhou traços que não estavam presentes  antes, estes sempre apareciam quando o assunto era Paige. - A minha irmã mais velha se chamava Paige. Ela saiu em busca de trabalho por aqui, e nunca mais voltou para casa. Pensei que você pudesse tê-la visto.

Finn pensou por uma porção mínima de segundos, antes de responder, friamente:

- Sinto muito. Nunca a vi.

A prisioneira ergueu o rosto para ele. Algo em seu tom a chamou a atenção, só não sabia bem o quê. Sob seu olhar avaliativo, o príncipe se remexeu em seu assento, desconfortável.

- O que há, agora? - perguntou ele, a rispidez estava voltando a sua voz.

- Você está escondendo alguma coisa de mim - disse ela, mas aquilo não era uma pergunta.

- Não pode dizer isso. Você nem me conhece direito! - reclamou.

- Não importa. Eu sempre fui boa em saber quando as pessoas estão mentindo pra mim. E você, alteza, está! - Millie assumiu, com determinação na postura.

Finn se levantou no minuto seguinte, como se tivessem colocado fogo em sua poltrona. Seu rosto estava tão rubro, que Millie também se pôs de pé, atenta à possibilidade dele estar se sentindo mal.

 - Finn, você está bem? - indagou, analisando o rapaz.

 Ele passou uma mão pelo rosto, na tentativa de amenizar a vermelhidão em sua face, mas de nada adiantou. Pequenos tremores sacudiam-lhe as mãos e o corpo.

- Eu já disse que não conheci ela, e não gosto de ficar repetindo as mesmas coisas. - fugiu da pergunta sobre  seu estado de saúde - Agora vê se me deixa em paz com isso. Você sente falta da sua irmã, é óbvio, mas eu não posso te ajudar. Nunca conheci garota nenhuma chamada Paige.

Millie lhe arqueou uma sobrancelha.

- Não foi você mesmo quem disse que não lembrava do nome das garotas que já tinha conhecido?

- Caramba, você é impossível! - ele irritou-se. Estava agitado demais para uma conversa simples. - Não vou ficar aqui perdendo o meu tempo. Se não quiser acreditar em mim, o problema é seu. - vociferou, e saiu da sala a passos largos.

Millie o observou sair com os olhos cheios de lágrimas. Talvez ela estivesse mesmo enganada com a relação de Finn e Paige, talvez um nunca tivesse conhecido o outro, de fato. Afinal, ele era o príncipe, não deveria se preocupar em conhecer tantos serventes que trabalhavam no castelo.

Será que sua irmã ainda estava viva em algum lugar por aí? Ela não tinha a resposta, e isso a destruía por dentro. Quanto mais o tempo passava, mais sua esperança em um dia poder rever a mais velha, diminuía desanimadoramente.







Finn chegou ofegante ao seu quarto, e trancou a porta o mais depressa que pôde.

Seu coração batia forte dentro de peito, e não seria tanta surpresa se ele desse um jeito de pular para fora de sua caixa torácica, pelo ritmo que bombeava o sangue.

O cacheado derrubou alguns frascos de remédio de cima da cômoda, transtornado pela queimação em suas veias. Não importa quantos anos passassem, a dor sempre era a mesma. Dilacerante e alastrante como fogo num pedaço de algodão. Seus membros tremiam, e ele fechou os punhos ao redor do espelho pendurado na parede, olhando seu reflexo neste. Os cabelos negros grudavam-se na testa, suados como o restante de sua pele.

Abriu a boca em um grito silencioso ao sentir as unhas ganhando formas de garras monstruosas, forçando seus dedos a se transformarem em peças que pudessem lembrar uma pata de lobisomem. Encostou a cabeça na parede, inspirando e expirando tão rapidamente, que seus pulmões mal podiam acompanhar.

Pelo menos conseguira chegar ao quarto sem que Millie visse o estado deplorável em que se encontrava agora. Ela, com certeza, ficaria ainda mais assustada se o visse na forma quase bestial que começava a dominá-lo.

Seus joelhos encontraram o chão frio quando seus pés alongaram, se adaptando ao corpo da fera que carregava dentro de si. Finn sentiu as lágrimas escorrerem com vontade pelo seu rosto. Às vezes, a transformação era mais dolorosa que o normal, como agora, quando foi causada por emoções que no momento não podia assimilar. Culpa e medo andavam lado a lado com o seu psicológico naquele exato momento que Millie tocou no nome de Paige. Como não lembraria dela quando a própria Millie era extremamente parecida com a parenta? O formato dos olhos, o jeito de ser, o sorriso… sim, ele poderia não lembrar de muitas garotas, mas Paige com certeza não fazia parte da sua lista de esquecimento, por mais que gostaria.

 Não estava preparado para enfrentar aquilo. Ainda não.










A floresta que emoldurada o castelo o chamou, como uma dose de paz em meio a todo caos, e ele foi ao seu encontro, deixando para trás a humanidade que um dia possuira por completo.










Notas Finais


Ah, mas este tal de Finn ainda tem muita coisa p explicar p gente!
deixem seus comentários, lerei e responderei a todos com o mesmo carinho de sempre. 😊
Desculpem a formatação do texto, é que eu usei um app diferente do Spirit para escrever o capítulo e acabei tendo um probleminha com o formato; desculpem também pela demora, vou fazer o possível para não demorar tanto na publicação do próximo. See ya! ❤


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