História Beauty and the Beast - Capítulo 33


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Categorias Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Afrodite, Annabeth Chase, Atena, Charles "Charlie" Beckendorf, Frederick Chase, Hades, Hefesto, Júniper, Katie Gardner, Luke Castellan, Nico di Angelo, Percy Jackson, Poseidon, Rachel Elizabeth Dare, Sally Jackson, Silena Beauregard, Thalia Grace, Travis Stoll, Will Solace
Tags Annabeth, Percabeth, Percy Jackson, Romance, Solangelo
Visualizações 104
Palavras 3.987
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Queridos, sei que demorei uma eternidade para postar. Acreditem em mim quando digo que a demora me incomodou tanto quanto a vocês, mas aconteceu. Infelizmente, a faculdade andou tirando meu couro e eu ando apanhando para conseguir entregar tudo em dia e manter a minha média nas alturas.
Estou aproveitando para postar agora que é feriadão na minha cidade. Espero que gostem
Não desistam de mim, por favor. Não fiz por mal.
Espero que vocês gostem mesmo.

Capítulo 33 - Armadilha


Fanfic / Fanfiction Beauty and the Beast - Capítulo 33 - Armadilha

Annabeth

Na antiguidade, na Grécia, os deuses eram celebrados com festividades, orações, oferendas e demais demonstrações de devoção do povo que honrava esta religião politeísta. Os deuses, pelo que sei, se mantiveram vinculados às sociedades que melhor se desenvolviam, a fim de se manter no centro do mundo, ainda que isso implica se manter em lugares em que não se honra mais os deuses da antiguidade, hoje chamados de pagãos, em nome de uma nova forma de religiosidade. Desta forma, os deuses não alimentam mais sua força de homenagens e preces em seu nome, mas de feitos que não são de cunho religioso, mas acabam por fortalecer os deuses, de maneira indireta.

A navegação e a expansão marítimas acabam deixando Poseidon mais forte, por estarem em contínuo contato com o elemento controlado por este deus; da mesma forma, o desenvolvimento contínuo de maquinário industrial acaba honrando Hefesto; os casamentos, o amor e as paixões alimentam o poder de Afrodite; A poesia, a literatura e a música fortalecem Apolo e assim sucessivamente.... No caso de minha mãe, no entanto, sua força vem de coisas que fogem à materialidade que residem unicamente no campo abstrato, tais como ideias, sabedoria, conhecimento. A razão em si, em outras palavras.

Ao que parece, o fato de pessoas estarem deliberadamente “perdendo a razão”, abrindo espaço para um movimento quase patogênicos de loucura, além de ser evidentemente prejudicial às pessoas, acaba indiretamente afetando de maneira negativa minha mãe

É por isso que suponho que ela esteja aqui. Ela não detalha os motivos de sua visita, mas de alguma forma eu sei que ela não visitaria o mundo mortal apenas por preocupação com meu pai ou mesmo comigo. Algo mais poderoso e mais importante deve estar agindo sobre ela. Uma deusa prudente como ela não quebraria as regras que separam deuses de suas proles em nome de uma leviandade.

–Parece uma epidemia. – Ela diz, parecia aflita. Ver a Deusa da sabedoria aflita é motivo óbvio de apreensão para qualquer mortal. –Está se alastrando rápido. Algumas pessoas estão sucumbindo muito rápido, como seu pai.

–Haviam me dito que ele estava assim em decorrência de preocupações para comigo. Eu não suspeitei de que pudesse se tratar de algum tipo de doença. – Eu me apresso em dizer. Eu sinto-me culpada em ter deixado que a situação chegasse a este nível. É terrível ver meu pai apático, cercado de desenho e escrita sem sentido ao longo do escritório bagunçado e fedido.

–Não é uma doença. – Ela diz enfaticamente. – Isto está sendo causado. Tem traços de magia antiga. – Ela diz de maneira sombria. Suspira profundamente. Sinto meu coração pesar.

–Mãe, – o título que dou a ela treme em minha voz – eu entendo o que está dizendo e percebo o perigo disso, mas eu preciso saber... Por que está me contando tudo isso? Achei que o contato com a prole, especialmente face a face, era proibido. – Eu pergunto. Espero não ter ofendido minha mãe. Mas eu não poderia guardar esta curiosidade em mim. Havia algo naquela visita que estava longe de parecer uma visita cordial. Eu sabia disso. O não dito entre nós duas estava começando a ficar ensurdecedor.

–Muito perspicaz esta observação, filha. – Ela comenta. Ouvi-la me chamar de filha causa estranheza e orgulho ao mesmo tempo. Eu nunca tive uma mãe, a nostalgia da falta da presença materna enche meu peito por um segundo. Preciso prender a respiração para me concentrar nos delineamentos da conversa. – Pois você está correta. Eu não poderia estar aqui. Regras que eu mesma institui estão sendo violadas. Mas foi necessário. Extremamente necessário. – Ela reitera solenemente. – Entenda, esta não é uma visita ordinária. Eu estou aqui para lhe pedir ajuda. – Ela declara. Pela primeira vez durante aquela conversa difícil percebo Atena frágil. Nunca imaginei que a sabedoria pudesse ser frágil.

–Como eu poderia ajudá-la? – pergunto mais confusa que curiosa. Penso em minha vida e mentalmente listo minhas limitações mortais. Não imagino por qual razão uma deusa como minha mãe poderia precisar da ajuda de uma semideusa insignificante como eu.

–Você é minha filha. – Ela declara como se isso explicasse tudo. Mas não explica e eu a aguardo continuar. – O que faz de você uma extensão de mim. De certa forma, meu poder no mundo dos mortais é representado em minha prole. Acredite, eu não tenho muitos outros filhos. Você é a mais jovem e saudável dentre minhas proles. – Ela afirma. Ouvi-la falar de mim de maneira tão demasiadamente objetiva me faz sentir algo próximo de azia na boca do estômago.

–Então...? – pergunto como uma débil. Ela parece não se irritar com minha falta inicial de compreensão. Minha mãe ainda que agitada, mantinha um tom sereno aliado à postura rígida.

–Então, no momento, sua sanidade é provavelmente o elemento de catalizador de minha força. -Ela explica pausadamente, tomando cuidado para que cada palavra seja dita frequentemente e que o devido peso seja fornecido em cada colocação.

–Mãe, se sua força depende da manutenção de minha sanidade... Eu lamento informar que há algum tempo eu não sou capaz de confiar nela. – Ele eu confesso. Sou obrigada a apoiar-me em uma das pilastras do escritório, pois sinto-me envergonhada e até insignificante ao revelar isto. A pior parte de tudo isso era saber que de um jeito ou de outro estou decepcionando-a de maneira desastrosa.

Eu nunca tive nenhuma convivência real com minha mãe, embora eu tenha dedicado boa parte de minha vida infantil imaginando a figura que eu projetava de Atena com base nas esculturas que via legadas em seu nome. Eu as vezes me imaginava conversando com ela durante o chá e imaginava como ela estaria vestida nas poucas festas de aniversário que me ofereceram. Apesar de sempre criar expectativas quanto ao momento em que a conheceria, eu nunca de fato o tive até agora. E por mais que eu não soubesse nada sobre a deusa a minha frente que não houvesse sido escrito em um livro antigo... Eu sentia que devia me apresentar a ela enquanto o tipo de prole capaz de fazê-la sentir-se orgulhosa de mim.

Mas não é assim que me sinto. Sinto que a desapontei. E tal sensação é como o golpe de uma faca afiada cravada no peito.

–Eu creio que isso tenha relação com a maldição que Percy carrega. – Eu confesso. – A senhora bem deve saber sobre esta. – Minha fala soa sombria ao narrar a situação de meu marido – Eu vi seu rosto sem a máscara e creio que... Que há coisas estranhas acontecendo comigo, as quais me fazem duvidar que eu... – Minha voz falha no meio da frase. Sou incapaz de seguir falando. Um nervosismo beirando à histeria conta de mim. Detesto a sensação de imponência mediante a soberania da presença dela. Atena me olha concentrada e impassível, mas nada diz sobre o assunto.

–Não pense que estou alheia à situação, Annabeth. E eu preciso que saiba que há coisas sobre as quais não posso e nem devo comentar sobre este assunto em particular, ainda que você seja minha filha. – O enigma abstrato que permeia suas palavras me deixa confusa e sobressaltada. Temo estar me tornando incapaz de compreender o que é dito na íntegra. – Mas saiba que eu tenho minhas razões para acreditar que isso não tem relação com a maldição. – Ela diz rapidamente. – Muito menos com a loucura.

–Mas eu estou vivendo meu maior medo: a perda da razão. Fruto do contato com o rosto dele...

–Exatamente. A loucura dos demais pode não ter a ver com seu marido. Tampouco, suas visões. Não me questione quanto a isso, Annabeth. Não posso oferecer nenhuma explicação sobre o assunto. Eu sequer devia mencioná-lo. Mas trata-se de uma questão de sobrevivência. Para nós duas. – Ela ressalta. Olha para os lados da sala e parece sobressaltada. É como se temesse que alguém pudesse estar nos ouvindo. Talvez ela esteja certa. Os deuses sabem sobre as vidas dos filhos mortais, então o que impede os deuses de saberem sobre as atividades dos demais olimpianos?

– Mãe. Eu não entendo. – Digo, rendida à minha própria insignificância.

–Você é minha filha. Ninguém melhor que você pode descobrir o que está acontecendo aqui. – Ela se apressa em dizer. – Quanto ao outro assunto, eu creio que sua busca pela verdade irá revelar as nuances de sua condição. Mas acredite em mim, Annabeth: você não está ficando louca. Eu saberia, eu sentiria se estivesse – garante, com veemência.

–Quer que eu investigue. – Eu digo feliz por ter compreendido algo concreto. – Sabe por onde devo começar?

–Ele – ela aponta para o corpo desfalecido de meu pai.

–Então assim irei fazê-lo – comprometo-me. Mas estou confusa com minha própria missão. Não estou consumada a ser intimada por deuses. Quanto mais por minha mãe. Mas se há algo sobre o qual as histórias de heróis tratam é que os semideuses jamais negam os pedidos dos olimpianos. Eu não seria a primeira a fazê-lo. Algo me diz que em situações como esta, as consequências da missão são muito melhores do que as possíveis consequências de sua rejeição.

–Isso não é apenas por mim, Annabeth. Ainda que eu peço que lute em meu nome, a situação também põe em risco sua sobrevivência e a de seu marido também – a menção de Percy me trás ardência ao peito. Até o momento não me pareceu que ele estava sob ameaça.

–Mãe, eu...

–Estamos ficando sem tempo. – Ela olha para o teto, parecendo quase em pânico. – Ouça-me bem, minha filha – ela assume um tom de alerta assustador – Eu não posso garantir sua segurança, quanto mais a minha, mas posso garantir que ao menos não duvides que pode prosseguir com isto que acabo de pedir a você – ela fala rapidamente. – Poucos heróis tiveram a chance de receber o presente que estou prestes a lhe conceder. Acredite em mim quando digo que é o melhor que posso fazer por nós duas no momento – ela chega mais perto de mim, agarrando meus ombros no processo.

Minha mãe deposita suas mãos em minha cabeça e fecha seus olhos cinzentos, concentrando-se. Sinto uma onda de energia espalhar-se por meu corpo que parte de minha cabeça em direção aos meus membros superiores e inferiores. Minhas mãos tremem um pouco ao receber esta espécie de descarga. A energia é acompanhada de calor e luminosidade. Fecho meus olhos para proteger-me do brilho que começa a se apoderar da pequena sala. De alguma maneira simplesmente sei que ela está partindo. Mesmo tendo-a conhecido esta noite, sinto-me mal por estar perdendo-a outra vez. Sinto algo ser pressionado em minha testa. Imagino que sejam os rígidos lábios maternos dela. O gesto de afeição me comove mais do que eu estava esperando. Tenho vontade de pedir que ela fique me explique mais sobre a situação, mas não consigo e nem tenho o direito de lhe pedir isso

–Fique bem. – A voz dela soa distante. Quase que como desaparecendo.

Após um forte clarão abro meus olhos assustada, temendo que eu tenha delirado aquela conversa e que nada daquilo tenha acontecido. Minha mãe não está mais na sala, porém meu pai permanece deitado no lugar onde eu o encontrara. Eu ainda sentia a mesma energia intensa meu corpo. Não parecia haver nada diferente em meus braços e pernas, mas eu tratei de fiscalizá-los minuciosamente por um momento. Confesso que demoro a perceber a coruja dourada pairando acima de minha cabeça brilhando durante alguns poucos segundos antes de desaparecer totalmente.

Eu sabia muito bem do que se tratava: a bênção de Atena. “Poucos heróis tiveram a chance de receber o presente que estou prestes a lhe conceder”, ela dissera. A mítica bênção da deusa da sabedoria, concedida apenas aos heróis que ela amou, como Ulysses – aquele que ela acompanhou e torceu durante toda sua aventura de retorno para casa. Era uma honra receber dela a mesma bênção concedida ao herói dos heróis, o mais inteligente de todos.

–Obrigada, mãe – eu rezo em seu nome. Não recebo resposta, mas simplesmente sei que ela ouviu.

Aguardo alguns momentos para me recompor. Quando o faço, volto minha atenção para meu pai, real motivo de meu retorno. Caminho até ele e me ajoelho diante de seu corpo magro e maltratado. Toco-lhe o ombro delicadamente. Busco acordá-lo com cuidado, uma vez que não quero assustá-lo com minha presença.

–Frederick... Digo, pai... Pai. – Chamo-o em um tom baixo. – Pai...

–Annabeth – ele diz em tom baixo, sem abrir seus olhos. – É mesmo você? – sua voz soa fraca e pesarosa.

–Sim. – Garanto-o – Estou aqui. Estou mesmo aqui.

–Eu achei que pudesse ter perdido você. Que pudesse estar morta. – Ele levanta-se abruptamente e agarra meus braços. – Eu achei que ele pudesse tê-la matado! – ele grita, me assustando.

–Não... Ele não me machucaria – garanto, tentado manter minha voz firma e doce ao mesmo tempo. Ignoro o fato de que não cabia a meu pai cogitar o tratamento que Percy dedicava a mim a esta altura, uma vez que eu estava casada a muito tempo com ele e não fora sequer cogitada as intenções de Perseu comigo antes do casamento. Meu pai deveria ter se preocupado com tais coisas antes, não agora.

Dei sorte de casar-me com Percy. Não apenas pelo fato de termos bis apaixonados e nossa vida juntos ser minha referência de lar, mas porque antes mesmo de termos alguma convivência, Percy garantiu minha segurança e conforto. Não impôs sua soberania matrimonial sobre mim, ainda que a lei garanta a ele todo e qualquer direito sobre minha pessoa. Não me forçou a nenhuma suposta obrigação legada às esposas. Ele deixou-me ter privacidade, uma rotina e autonomia. Tais coisas deveriam ser legadas obrigatoriamente a qualquer mulher, mas não é bem assim que acontece. Somos patrimônio nessa sociedade. Moeda de troca para nossos pais e geradoras de filhos para nossos maridos. Nada além disso. Há momentos em que sequer nos veem como seres humanos, pensantes e sentimentais.

Eu sei sorte porque casei com um homem que se dispôs a me ver assim no matrimônio, ainda que tenha invariavelmente me comprado. Por mais que as circunstâncias que me levaram até ele não tenham sido dignas, eu tenho certeza que não haveria outra alternativa para uma vida feliz para mim ao lado de outro homem. Eu mesma não conheço outros homens como ele, capazes de respeitar e amar uma mulher pelo o que ela é, e não pelo que ela pode oferecer.

Algumas das damas com as quais convivi não tiveram tanta sorte. E agora os sorrisos forçados das mesmas que eram motivo de admiração nos bailes causavam a mim arrepios. Pois as mesmas moças cheias de sonhos carregavam vários filhos no colo ao passo que disfarçavam a angústia de ver os maridos flertando com jovens mais novas que elas em público (sendo saudados por isso e nunca repreendidos).

–Ele é um monstro! – afirmou meu pai com veemência, pegando meus ombros com certa brutalidade. – Como pode defendê-lo? – ele questiona-me aos berros.

–Porque eu o conheço! – digo me desvencilhando dele. Meu pai parece fora de si. Parece assustado e nervoso, tal como descreviam as pessoas sob o efeito de entidades demoníacas em livros religiosos. – Eu convivo com ele. Sei do que estou falando. – Afirmo segura. Quero fazê-lo ver a razão

Esta conversa foge completamente às minhas expectativas. Eu esperava vir até aqui, falar com meu pai e acalentá-lo com notícias positivas sobre mim. E isto era tudo. Eu esperava que ele compreendesse que estou bem, saudável e feliz. Eu voltaria logo para casa e me comprometeria em escrever-lhe com mais frequência. E isso é tudo. Mas não era nada disso que estava acontecendo. Meu pai está visivelmente transtornado e fora de si. Eu o chamaria de louco se o visse agir assim na rua. Talvez seja exatamente isso que ele tenha se tornado, como minha mãe temia: um louco.

Meu pai levanta-se cambaleante, ergue o corpo com tão pouca tenacidade que chego a me assustar. Ele olha para mim de maneira cética e quase homicida. Não o reconheço daquele jeito. Ele parece bufar pelos lábios finos entreabertos. Olhando-o assim melhor posso compará-lo a um animal que a um homem. Eu me vejo obrigada a recuar. Seja lá o que estiver de pé agora a minha frente está longe de ser meu pai.

–Acho que é você quem está insana e não eu, como dizem. – Meu pai ri, escuto em sua risada e leio em seu rosto a mais pura irracionalidade. Começo a me perguntar os motivos de ter sido convocada até aqui. Meu pai não parece ter me chamado para verificar minha segurança, mas sim, para reiterar ideias convictas a respeito de como ele acredita que fosse meu marido. De maneira violenta e desesperada. É a primeira vez desde de que cheguei que começo a cogitar a possibilidade de estar sendo enganada.

–Pai, o que está acontecendo com você? – Eu pergunto, incapaz de entender o que está acontecendo com ele e começado a me preocupar com minha própria segurança.

–O que está acontecendo comigo? O que está acontecendo com você, Annabeth? Eu consigo resgatá-la da prisão em que vive com um mostro e é assim que me agradece? – ele grita, derrubando uma pilha de papéis pela sala. Meus olhos se pousam em algumas das folhas espalhadas e tudo o que eu consigo ver é uma mesma frase escrita repetidas vezes: Mate a fera!

A fera... O “monstro” ...

Ah, não... Percy!

Quando finalmente consigo identificar o que está contido nas folhas, meu coração simplesmente para de bater em meu peito. Sinto como se o ar de meus pulmões tivesse sido roubado. Um pânico toma conta de meu corpo e eu percebo, finalmente, o que aquilo realmente parece se tratar: uma armadilha. Fui atraída até ali. Estava tão claro agora que chego a me sentir burra mediante a armadilha que eu mesma me coloquei. Os pensamentos em minha mente começam a fazer mais sentido. Sou tomada por um sentimento de alerta que parece espalhar por meu corpo uma tensão que me prepara para lutar contra meu mais novo inimigo: meu pai (ou seja lá o que aquele homem fosse agora).

–Por que estou aqui, Frederick? – pergunto cautelosamente, tomando uma certa distância de meu pai, andando lentamente de costas, até que eu conseguisse me aproximar da porta.

–Para que eu possa te salvar – Ele diz sem olhar para mim. Meu pai não foca seus olhos azuis em nenhum ponto especifico. Seus olhos passeiam de um lado a outro sem parar. Seu corpo mal se ergue, como se seus músculos fossem pesados demais para que ele mesmo possa sustenta-los. Aquele homem poderia ser um demônio, pois certamente não era mais meu pai.

–Eu não preciso ser salva. – Afirmo. Minhas costas encostam-se na parede e eu finalmente sinto a maçaneta da porta próxima à minha lombar. Só preciso girar a chave e sair o mais rápido que eu puder. Com alguma sorte, conseguiria roubar um cavalo e pegar o caminho de volta para a mansão, de onde eu jamais poderia ter saído.

Tateei a maçaneta atrás de mim, enquanto meu pai me encrava como se eu fosse uma espécie de presa encurralada, o que eu chegava a ser, de certa forma. No entanto, ainda que aquele homem parecesse meu pai, eu não hesitaria em lutar conta ele da mesma forma que lutara contra qualquer monstro que ousasse me ameaçar. O sorriso de meu pai chegava a parecer sádico, suas feições estavam tão distorcidas que ele sequer parecia o homem que me criou, mas uma caricatura assustadora de uma face conhecida. Consigo abrir a porta e usar o peso de meu corpo para empurrá-la para trás, bem na hora que Frederick parte em minha direção.

Fecho a porta e ouço o corpo de meu pai se chocar contra a estrutura. Preciso segurar a maçaneta antes do lado de fora para que ele não pudesse abri-la por dentro. Ele se lança contra a porta mais algumas vezes, chegando a deformar a madeira um pouco. Ele insiste mais alguma vezes, mesmo que eu insistisse em prender a maçaneta, é bem provável que ele conseguisse colocar porta a baixo se eu não corresse. Então me ponho a correr pelos corredores familiares de minha casa. Acostumada com a disposição da estrutura da mansão, acabo me atrapalhando ao correr pelo lugar estreito, o que me faz derrubar a maioria do porta-retratos de família pendurados nas paredes.

Chego à sala de estar escura e não encontro minha madrasta empoleirada na cadeira como esperado.  A casa escura lança sobre mim uma sensação mais forte de perigo. Ouço os passos apressados de meu pai me seguindo e rapidamente me dirijo à porta. Preciso usar toda a minha força para conseguir retirar as enormes trancas de madeira atravessadas sob a porta de carvalho. São pesadas, mas a adrenalina em meu corpo não me permite desiste, os gritos de meu pai vindos do corredor soam como motivação consistente à minha tentativa de sobrevivência.

Quando saio pela porta, preciso sufocar um grito que se forma em minha garganta.

Minha casa está cercada. Parece que a cidade inteira está presente. Passo meus olhos pelas faces conhecidas, tomadas agora por feições duras. Algumas das pessoas parecem sentir pena de mim. Eu não entendo o motivo. Meus reflexos da vida em sociedade me impedem de continuar correndo, por impulso apenas lhes face um pedido comovido:

–Ajudem-me. Meu pai não se encontra bem. – Eu grito. Ninguém se mexe. Deixo de escutar os passos de meu pai atrás de mim. Olho para a porta aberta atrás de mim e não o vejo sair. Não vejo nada além da escuridão.

–Não, Annabeth. – Ouço a voz de minha madrasta no meio da multidão. Algumas pessoas abrem espaço para que ela venha à frente, imponente e com um sorriso similar ao que eu vira no rosto de meu pai, diferenciando-se apenas pelo fato de que ela lhe parecia incrivelmente natural e não uma deformação maligna, tal como fora com ele. As pessoas não olham em meus olhos, chego a ouvir uma senhora à minha esquerda murmurar algo como “pobre menina”. Eu não entendo. –É você quem não está bem.

Homens vestidos com roupas brancas irrompem da multidão. Eu não entendo sua presença e o motivo pelo qual parecem estar aqui por mim. Os homens, cerca de dez deles parecem trocar um demorado olhar com minha madrasta.

–É esta? –Pergunta um deles.

–Receio que sim. – Ouço-a responder.

–Podemos leva-la.

–Agora mesmo.

–Do que está falando? Quem são esses? – Questiono. Procuro em minha manga uma velha adaga que grado para momentos de emergência. Exatamente como aquele. O problema é que o metal da adaga fora feito para destruir possíveis monstros da matada de meu mundo permeada por seres míticos, provavelmente não serviria para ferir os mortais. Ainda que eu começasse a temer mais os mortais do que monstros a partir de agora.

–Sinto muito, minha querida. É lamentável ter que fazer isso com alguém que eu criei como se fosse minha própria filha. Mas é para o seu bem – Várias pessoas demonstram compaixão por minha madrasta. Ninguém entende a quantidade de mentira a ser despejada em meus ouvidos. – Podem levá-la.

Eles avançam em minha direção. Eu corro, é claro. Para longe deles e de minha Por um segundo ou dois tenho certeza de que isto é apenas mais de um pesadelo meu. Eu bem queria que fosse. Se for um pesadelo, então eu osso acordar a qualquer momento. Provavelmente eu despertaria ao lado de Percy na segurança da mansão. Lembro-me da conversa que tive com minha mãe, teria sido sonho também? Não, não poderia ser um sonho. Em um sonho eu não seria alertada do perigo por minha mãe. Em um sonho, eu não estaria sentindo a força do peso das mãos de um homens corpulentos segurarem meus braços. Eu não sentiria a picada em meu braço...

Eu não sentiria a consciência me deixar aos poucos e dar lugar a uma sonolência extrema.

-Levem-na para a área especial do hospício - ouvi um deles dizer. - Esta deve passar muito tempo por lá, tadinha.


Notas Finais


Eu preciso avisar a vocês que Annabeth vai passar por poucas e boas agora.
Prometo que ainda teremos romance e Percabeth pela frente.
Rezem pela nossa menina, queridos. Ela vai precisar. Além disso, o momento da nossa loirinha preservar sua sanidade vai ser exatamente no momento em que ela vai começar a ser radicalmente testado.


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