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História Beauty Party - One shot - Capítulo 1


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Notas do Autor


Só queria avisar uma coisa, os meninos NÃO SÃO filhos biológicos dos deuses, esses deuses foram escolhidos apenas para, além de ajudá-los na vida, ser a base da personalidade deles também.

Capítulo 1 - Capítulo único


É verdade que Afrodite escolhe bem seus filhos, a dedo. Ela tem seus preferidos, mas é uma mulher agradável, inclusive, um de seus filhos preferidos é mortal. Ele é alto, ombros largos e andava como um modelo dos anos 90, muito bonito se quer saber, cursava música com especialização em violino, já que piano ele já sabia desde os 10 anos de idade. Sua personalidade era forte, mesmo assim, ainda um homem atencioso e educado. Prazer, Ko Shinwon, acabei de me descrever.

Se você está pensando que eu sou filho biológico da grande Deusa Afrodite, está enganado. Ela me escolheu por puro ego, e naturalmente, para aumentar o meu também. Além disso, todos têm seus próprios deuses, não necessariamente gregos, mas nórdicos, egípcios, celtas e tibetanos também.

Conflitos acontecem quando pessoas com deuses que já tiveram alguma coisa no passado se encontram, minha mãe me disse em um chá da tarde que eu tive com ela, e isso pode ocasionar várias coisas: discussões, brigas sérias, ou até pior, paixão.

Eu não tive o prazer de me encontrar com tais pessoas durante os tempos de escola e secundário. Não até entrar naquela, me desculpa a palavra, porra de faculdade. Há mais de 2 anos e meio que eu venho sendo perseguido pelo filhinho de Dionísio. E como me irrita. Me irrita muito, me irrita pra caralho. 

Eu acho que ele não entende que minha diversão é falar mal dos outros e sobre a nossa querida vida com a minha mãe, não ir em festas e beber até perder toda a dignidade que você tenta ter. Ah vai, não sou um cara de festas, já tentei ir em uma festa que esse tal de Lee Hwitaek deu. Boas lonjuras às minhas roupas que pareciam trapos velhos depois daquela festa. Ele conseguiu estragar minha blusa com bebida alcoólica doce, não era só limpar. Ficou uma mancha gigante no meio do peito, nunca vou perdoar ele por ter feito aquilo, pelo menos, não era na minha blusa preferida. 

— Você parece irritado, algo te incomoda? — ouço Afrodite, minha mãe, dizer. A hora do chá é uma hora onde conversamos sobre tudo e eu, sem querer, desviei meus pensamentos para quaisquer coisas.

— Não, Vênus, eu só lembrei do que aconteceu com minha camiseta no dia daquela festa que contei pra você. 

— Eu sei o quanto você gostava daquela blusa. Filhos de Dionísio não usam muito a cabeça quando não convém. — Ela dá um gole em seu chá.

— Sim, mãe. Mas aquele cara me persegue, me irrita, me incomoda. Nunca vi pessoa tão cansativa de se lidar.

— Talvez ele goste de você Shinwon, não há quem não goste. — Eu ri e ela começou a rir também.

— Claro, claro, se ele gosta de mim, por que não me deixa em paz? Eu já disse mil vezes que eu não quero ir nas festas que ele faz, que eu não quero ficar com ele em nada.

— Você pode o afastar, conversarei com Dionísio sobre isso, você estará livre dele.

— Ah, mamãe, você me mima tanto. — Eu disse sorrindo e tomando um gole do meu chá. — Seria ótimo.

— Guarde suas palavras, Shinwon, você está querendo o afastar quando eu sei que vai o querer por perto.

— Mamãe, Hui é uma pessoa que incrivelmente me aborrece fácil, e eu odeio ficar assim. Eu prefiro que ele se afaste do que ficar perto de mim.

— Se vier em prantos para cima de mim eu não irei fazer nada a respeito.

— Sei que faria se pedisse. Mas não vai ser o caso.

— Cuide-se, até a próxima, irei falar agora com Dionísio, boa sorte.

— Até mais, mamãe. — Lhe disse antes de desaparecer, eu finalmente iria me livrar dele. Não fiz isso antes porque eu não me importava, mas as coisas estão fora de controle, eu não sei o que esse homem vai querer fazer comigo. E sinceramente, não estou afim de saber.


[Mais tarde-Casa de Hwitaek]


— Vamos Dionísio, apareça, você me disse que tem uma coisa importante para me falar, já é hora de falar.

— Boa noite pra você também Hui. Estou com péssimas notícias pra você.

— Ah, é? Que tal me contar? — Falei cruzando os braços, eu estava irritado o dia inteiro, acordei de mau humor, acho que o tanto de garrafas jogadas no chão do meu quarto me expõe. Não fico bêbado facilmente, gosto de fingir nas festas, isso é um ponto positivo.

— Antes, uma oferenda para seu querido pai. — Eu revirei os olhos e peguei o vinho em minha geladeira, colocando uma coroa de Hera em minha cabeça e entregando uma para Dionísio. Coloquei o vinho nas taças, colocando uma música para o acomodar.

— E então, melhor assim? — Ele acenou com a cabeça e resmungou algo que não ouvi. — Você podia me contar, né? — Depois de dar dois goles, ele olha para mim e espera um pouco para começar.

— Afrodite conversou comigo. Shinwon diz que não quer que você fique mais perto dele, ele reclama todo dia de você pra ela e sempre diz que te odeia.

— Quem me odeia é você por me contar essas coisas como se não fosse nada pra mim. — Me levantei sentindo um aperto no peito. — Por que ele não resolveu isso diretamente comigo? Ele quis que a mãe dele me afastasse dele?

— Na verdade, Afrodite não interviu na escolha dele. Ela jura que não queria fazer nada com vocês, mas foi o filhinho dela que pediu.

— Grande bosta. — Eu dei um suspiro profundo com os olhos fechados, com minha taça sendo segurada entre meus dedos. 

— É só um cara, Hwitaek. Eu jurava que era só uma paixonite de festa, mas pelo visto…

— Não é que gosto dele, é que eu só queria me aproximar dele. — Eu menti, tá bom? E eu sei que ele sabe. 

— Sabe o que pode te animar? Uma festa. — Revirei os olhos rindo e debochando da ideia balançando a cabeça em negação. — Falo sério! Convida seus amigos, amigos de amigos e deixe camisinhas na sua vista. Faça ser incrível, certeza que você esquece rapidinho desse mimado.

— Ele não é mimado, pelo contrário, ele às vezes é uma pessoa muito boa, ele foi assim quando eu o conheci.

— É eu sei toda a história de vocês terem sentados e feito um trabalho juntos. Mas é melhor que você fique com outras pessoas. Shinwon é filho de uma mulher sedutora então é óbvio que ele é sedutor e lindo seis vezes mais para você quando começou a ter sentimentos por ele. — Ele balançava o vinho que tinha na taça e eu ergui uma das sobrancelhas em questionamento. 

— Vou fazer essa festa amanhã depois da faculdade. 

— Ótimo. Boa sorte. — Ele se foi e eu tentei dispersar meus pensamentos daquele assunto. Meu foco estaria na festa.


[19:10h Biblioteca da Faculdade, {Shinwon}]


Eu fui para a biblioteca para entregar um livro que eu tinha terminado de ler, jurando ser o último lugar onde veria aquela pessoa irritante da qual eu não quero dizer o nome para não a atrair, mas já atraindo. Ele era amigo de Hyunggu, estagiário da faculdade, área de letras e essas coisas. Não queria ter prestado atenção na conversa deles, então devolvi o livro e andei até a saída, indo para a sala.

As próximas horas foram entediantes o suficiente para eu começar a passar o olhar pelos rostos alheios. Até alguém me chamar.

— Shinwon, você está nesse mundo? — Era Changgu, eu rapidamente olhei para ele passando a mão no meu rosto.

— Sim, estou, só estava entediado. — Ele é um ótimo amigo, sabe quando conversar comigo e quando não, por isso acho que nossa amizade durou por esses dois anos, quase pra completar três.

— Você precisa se animar, vamos na festa que todo mundo está falando amanhã.

— Festa? Não ouvi nada sobre isso. — Não tô com vontade de ir se for festa de sir Hwitaek. 

— Eu vou procurar saber e vamos lá sim, você vai pôr sua melhor roupa e vai chegar arrasando como sempre faz.

— Dá pra parar com isso? — Eu ri pelo comentário. — Se for em um lugar que eu queira ir, eu vou.

— Hmm… Por quê? Está fugindo de algum lugar? — Eu neguei com a cabeça e ele aumentou seu sorriso que já estava até antes de me fazer a pergunta. — Fugindo de alguém então?

— Ei Changgu, chega. Não estou fugindo de ninguém.

— Toth não está me dizendo isso. — Mimimi de filho de deus da sabedoria.

— Diz pro seu pai que eu não estou fugindo de ninguém.

— Algo me diz que é daquele cara que está sentado do outro lado da sala chamado… 

— Não é, não quero saber. — Interrompi ele antes que me diga o nome desse desmiolado. Não deveria, pois agora ele tem certeza quem é.

— Você sempre teve algo contra ele, Shinwon. E nem eu sei o porquê.

— Irritante, chato e me aborrece, desinteressante, fútil, não tem nada pra oferecer a não ser festa, bebida e sexo.

— Calma lá, você não é assim, de encontrar só defeitos nas pessoas.

— Ele me deixa assim! É desagradável.

— Ah, Shinwon… Você é tão lindo, porém é tão bobinho.

— Bobinho? Por quê? — Eu dei um sorriso de desentendimento. 

— Por nada. Eu vou apenas esperar que sua mãe te diga. Ou que você perceba por si só. — Balancei a cabeça como afirmação e olhei para o lado.

— Estou me sentindo adorável sem ele me enchendo o saco pra fazer coisas com ele ou explicar coisas que ele já sabe. Eu agradeço minha mãe por isso. — Agora foi a vez dele de balançar a cabeça como um sim. 


[No outro dia, Casa de Shinwon]


Como sempre, minha mãe vem me visitar hoje e eu tenho que falar muitas coisas com ela. Sinto que hoje meu dia vai ser muito bom. Falei com Changgu e ele comentou sobre a festa, ele disse que me levaria para onde estava marcado, se eu quisesse ir. Eu disse que sim porque eu vou poder usar um visual novo que eu comprei, nada demais. Eu estou pensando em não beber também, bebida alcoólica me deixa muito instável.

— Boa tarde, filho. — Olhei para mamãe, ela já estava sentada em sua cadeira. — Como foi ontem? 

— Ótimo. Só o Changgu que veio conversar comigo sobre isso, mas depois desviamos o assunto para uma festa. Eu estou pensando em ir, mas não quero beber, eu fico mole. — Dei uma pequena risada colocando algumas oferendas na mesa: suas frutas favoritas e um pedaço de bolo de morango. 

— Muito bom, porém se ir em festa e não se divertir, qual vai ser a graça? Seu amigo não vai ficar sempre com você nessas situações. Não estou dizendo para você beber, mas sim para se divertir. Sei como você é, quieto e na sua nas festas, você precisa mudar isso.

— Odeio isso, mas se você acha que é o certo a fazer, eu vou tentar. Talvez eu possa gostar, certo? — Falei com desânimo, essa coisa de festas era só… coisa daquela pessoa. 

— Vamos mudar de assunto, como vai Changgu? Faz tempo que não vejo ele.

— Ah sim, ele está bem, mãe. Sempre descobrindo coisas que eu não quero.

— Hm, e ele descobriu sobre o quê? — Olhei para ela, tomando meu chá, com os olhos semicerrados.

— Sobre eu querer me afastar de Hui. — Revirei meus olhos e ela acenou com a cabeça.


[Mais tarde, após a faculdade]


— Shinwon, eu te disse qual era o tema da festa? — Disse com a cabeça que sim. — Então vamos pra sua casa que minha roupa tá alí atrás.

Nós fomos para minha casa, como ele disse, e eu comecei a me trocar. Coloquei uma blusa branca por baixo de uma camisa de zíper com manga apertada azul com algumas listras na frente, logo colocando uma calça preta e um sapato social. Como meu cabelo estava grande, eu apenas penteei, arrumando minha franja e a parte de trás.

— Discoteca, lá vamos nós. — Changgu chega no meu quarto sorrindo e eu sorrio de volta.

— Você colocou maquiagem? — Eu pergunto olhando para o rosto dele, umas partes dos olhos estavam marrons, eu até tinha gostado.

— Sim! Qual o problema? — Eu neguei com a cabeça, rindo.

— Faz em mim também. Eu gostei bastante disso em você, então talvez fique bom em mim.

— Ah ótimo, faço sim. — Ele pega uma bolsinha cheia dessas coisas dentro e eu me sento em um sofá. Ele passa vários pincéis no meu olho até que finalmente eu vejo o resultado. — E então? Como ficou?

— Combinou com minha roupa, amei. — Falo olhando o espelho e saio de casa indo junto com Changgu até o local da festa.

O caminho foi meio longo, meus pensamentos estavam longe e foi então que eu me toquei de onde estávamos.

— Chang, quem que ia dar essa festa…? — Eu o olhei depois olhei para a casa onde iria acontecer o evento. 

— Hã… não sei, vim por endereço que um amigo me passou. 

— É a mesma pessoa de quem eu quero me afastar.

— Shinwon, trinta minutos se arrumando, maquiagem dessa pessoa aqui gasta e chegar aqui para falar que não quer entrar por causa de um homem que você não tá afim de ver? — Ele olha para mim, como se lesse meus pensamentos, isso às vezes me coloca medo. — É isso ou estou enganado?

— Ah Changgu, esquece. O que poderia dar de errado também, não é? Vamos sim. — Sempre que alguém fala isso em algum filme, a merda já está pronta. Não estou dizendo que se eu encontrar com aquela pessoa vai acontecer alguma coisa, mas estou dizendo exatamente isso. Tem algo nele que me faz ficar irritado, além de que ele fica me estressando também.

— Você não acha que isso é amor encubado? — Changgu disse me olhando e saindo do carro e eu, claro, me assustei.

— O que…?

— Essa coisa de você querer se afastar de alguém que está te dando atenção, você não é assim, adora quando te dão atenção.

— Não Chang, com ele essa atenção é diferente, não estou com vontade de ficar com uma pessoa que tem um nome quase sujo pelas pessoas dessa faculdade, andando por aí como se não estivesse acontecendo nada em volta dele, não se importa com os estudos, nem com o futuro, só pensa em bebida, festa, sexo, festa, bebida, festa, entendeu?

— Entendi muito bem, Shinwon, vamos entrar logo? — Ele me olhou com aquele olhar que eu conhecia muito bem. Mas não irei falar nada sobre isso.

Logo que entramos na casa dele, percebemos o tanto de pessoa que havia lá, estava pior que um cabaré. Me sentei em um dos sofás com Changgu, já que lá estava o grande estudante de medicina veterinária do outro campus, Yanan. Eles até tinham um papo bom, mas percebi que estava sobrando, dei qualquer desculpa que eu ia no banheiro e essas coisas para deixar eles a sós como percebi que queriam ficar. Fui para um balcão que tinha vários bancos e algumas pessoas sentadas em uns. Não estava percebendo o tanto de horas que estava passando, mas algumas pessoas já estavam indo embora, parecia que o final daquela bagunça estava próximo. Também me pergunto o quanto eu bebi, minha mente não está funcionando mais e eu estou vendo tudo ao meu redor girando. Estou vendo ele, ele está cada vez mais perto e ele não para. Sinto minhas pernas doerem, sou eu que estou andando?


[Mudança de visão; {Hui}]


Shinwon está vindo em minha direção, eu tento manter a calma, mas eu não paro de olhar para ele, eu tenho certeza que ele quer ir para a mesa de petiscos e eu estou na frente. Tentei dar um passo pro lado, mas ele se virou para vir para mim e, do nada, ele cai em cima de mim, na forma de um abraço. 

— Shinwon? O que aconteceu? Você está bem? — Coloquei as mãos em seu ombro pra tentar tirar ele de cima de mim, mas não deu certo. Ele não colocava todo seu peso em mim, mas também eu não conseguia tirar ele de perto.

— Quando eu vi você de longe, eu precisava vir para cá. Você é lindo, sabia? — Ele falava com uma voz fraca, mas como estávamos meio longe do som, eu consegui ouvir. Só podia ter acontecido uma coisa.

— Você bebeu demais? Colocaram droga na sua bebida ou o quê? Essas festas estão cada vez mais parecidas com bailinhos de adolescente… me desculpa, Shinwon. Me desculpa mesmo, você não merecia isso.

— Hui… — Ele disse com a voz bem fraca, eu preferi levar ele para meu quarto, já que ele estava mal. Odiei ver ele daquele estado, espero que ele durma logo. Deixei ele em cima da cama, deitado e fui para a porta, porém ele me parou de novo. — Hui, eu quero dançar com você.

— O quê?

— Dançar músicas lentas com você. Podemos? Só nós dois… — Eu fiquei olhando para ele, essa é a coisa mais fofa que eu já ouvi dele. Eu afirmei, saindo do quarto e vendo a hora. Os convidados estão indo embora e o som já está ficando mais lento, falei para o resto do pessoal que já estava acabada a festa e que podiam ir embora e então minha casa ficou vazia, avisei o DJ que estava tocando as músicas para ele continuar pois ainda tinha um restinho de música lenta para Shinwon e eu dançarmos.

Voltei para meu quarto e vi Shinwon deitado com os olhos fechados, pensei que tinha ido dormir então fui até ele para ter certeza.

— É, está dormindo, vou falar que o dj já pode ir embora… Eu estava tão feliz.

— Eu estou escutando tudo. — Ele abre os olhos e sorri, se levantando.

— De que adianta se você não vai lembrar de nada quando amanhecer? — Eu sussurrei, levando ele até perto da pista, onde eu abracei sua cintura e ele meu pescoço, deitando sua cabeça em seu próprio braço. Nossos corpos estavam juntos e acompanhando a lenta melodia. Era como um sonho. E então, no meio da música, ele levantou a cabeça e ficou olhando para mim, com aquele cabelo bagunçado, com a franja no olho e com um sorrisinho.

— Você é maravilhoso. — foi tudo o que eu ouvi, a única coisa que minha cabeça ecoava era essa frase com essa voz dele. "Você é maravilhoso". O que me dói é que ele não está em sua mente sã, não está falando isso verdadeiramente e esse momento é uma lembrança só minha, apenas minha que vou guardar para sempre. Eu queria que isso fosse verdade, Shinwon, eu queria que você falasse isso com seu coração. Mas nada é real. Nada disso é real, com seus sentimentos reais.

— Você é mais, Shinwon. — Ele aproximou nossos rostos e eu deixei ele me beijar. Foi mágico, mesmo com o gosto da bebida, ele conseguiu deixar aquele beijo perfeito. Mas foi com esse gosto que eu me lembrei que aquele beijo também não era sentimental. Não ia haver mágica pra ele quando acordasse e soubesse disso, não vai haver mágica para ele quando levantar e souber que dormiu na minha casa, na minha cama. Eu deveria aproveitar mais o agora e deixar esse futuro próximo para quando virar o presente.

Continuamos a dançar mais um pouco, dando alguns selinhos até que nós nos sentimos cansados e fomos para o quarto dormir.


[No outro dia, campo de visão {Shinwon}]


Minha cabeça doía e eu sentia meu corpo pesado, e eu estava numa cama que não era minha. Eu sabia que não podia ter bebido tanto na noite passada, mas mesmo assim eu fiz e estou…

Onde eu estou?

Meu quarto não é assim, o quarto do Changgu não é assim, os quartos que eu conheço não são assim. Então… onde eu estou?

Ouvi alguém lá embaixo fazendo alguma coisa, talvez eu saiba quem é se eu for atrás, mas meu corpo… eu me sinto mal. Eu ouço alguém entrar no quarto e fecho meus olhos, fico esperando até essa pessoa chegar em mim.

— Shinwon, você está bem? Eu vim trazer remédio para você, sei que deve estar muito mal. Também acordou muito tarde… fiquei preocupado. — Não olhei para a pessoa e nem me toquei de quem é a voz, eu só peguei o remédio e tomei. E então olhei seu rosto.

— O que eu estou fazendo aqui!? 

— Calma, você só dormiu aqui, nada demais. Bom, talvez você também pediu pra dançar comigo… — Eu desacreditei, neguei com a cabeça e me levantei.

— Não, eu não faria isso nem bêbado, eu não acredito, eu nem gosto de você. — Ele abaixou a cabeça e sussurrou algo. — O quê? Eu não te ouvi.

— Então o que você prefere!? Dormir na casa de um desconhecido e depois ver que ele abusou de você não estando sóbrio!? Você prefere desmaiar e se machucar enquanto o resto das pessoas da festa não dariam a mínima porque estão muito bêbadas e às vezes até drogadas!? O que você prefere!? — Ele falou se levantando e olhando para mim nos olhos, aquilo me cortou de um jeito que era pior do que se fosse dor física. Foi aí que eu percebi o peso das minhas palavras, o que eu disse sem pensar sobre ele. O tanto que eu falei mal dele e mesmo assim ele cuidou de mim.

Agora eu penso por quê? 

Por que eu falava tanto mal dele? Por que ele me assusta tanto? Por que a presença dele afeta tanto o meu humor? Eu tenho que falar com ele.

— Hui, me perdoa, mas eu preciso ir. — Meu corpo começou a andar para fora da casa dele, eu fechei os olhos e fui tentando me guiar até a minha casa. Eu não queria sair dalí, mas por que eu fui? Eu não queria, mas eu fui e eu não entendia isso. Eu preciso falar com a minha mãe, eu preciso que ela apareça agora. 

— Eu ouvi alguém pedindo uma ajuda? — Eu ouço sua voz doce ecoar pela sala onde eu estava. — E esse alguém é um bebê chorão, não é? — Eu estou chorando? É, eu estou. Passei a mão em meus olhos para parar de lacrimejar. Era horrível limpar as lágrimas e engolir o choro sendo que tem culpa entalada em minha garganta. Eu não consigo parar de chorar. — Shinwon, não fique assim. Vem aqui. 

Eu a abracei. Fechei os olhos e continuei chorando, e eu nem sei qual o motivo.

— O que é isso? Por que eu estou assim?

— Se eu te explicar, você vai ficar pior, não quero ver você pior do que já está. — Eu olhei para ela, mas depois desviei o olhar para o chão.

— Pode me falar, tanta coisa já me deixou mal hoje e eu sei que é tudo culpa minha, então, mais uma coisinha dessas não vai mudar muita coisa.

— Depois do beijo você não vai poder fazer nada pra voltar com ele. Nada, exatamente como pediu. Você disse que queria se afastar dele e foi claro que queria muito isso, então, o feitiço que fiz foi para que quando vocês se juntassem por uma vez, os dois iriam começar a se afastar como dois ímãs de polos iguais, um querendo se afastar do outro. Me desculpa, eu não posso voltar esse feitiço. — Senti a mão dela no meu cabelo, acariciando-o.  

Mas eu continuei desesperado. Por que ela fez isso? Não. Por que eu fiz isso? Continuo me perguntando por que eu falei para me afastar dele? Por quê? 


[Mudança de visão, {Hui}]


Depois que ele saiu, deitei em minha cama e deixei tudo o que meus olhos queriam deixar sair, além das lágrimas, o sentimento de tristeza e o amor por aquele homem. Eu quis dar tudo para ele, eu queria ter mostrado o melhor de mim para ele, mas ele não me vê assim. Ele me vê como alguém inútil e eu juro, isso me mata. Falam que é só você parar de pensar na pessoa que você ama, falam que se você querer, você esquece aquela pessoa, e eu sei que não é assim. Três anos. Foram três anos gostando da mesma pessoa, três anos sabendo de tudo o que ele fala de mim, sabendo do ódio que ele tem por mim e eu ainda gosto dele.

Coloquei uma música para tocar, já estava tudo ruim mesmo. Eu sei que vou ficar pensando em várias coisas enquanto toca, mas a intenção é essa, colocar tudo para fora.

I hope I'm not the only one that feels it all

Are you fallin'?

Center of attention

You know you can get whatever you want from me

Whenever you want it, baby

Eu te daria tudo, eu podia te dar todo meu amor, eu iria fazer de tudo para ter você, mas por que você me trata assim? Eu só tentava chegar perto de você, mas você só me ignorava, eu tentei de tudo, minha intenção sempre foi boa com você e eu não entendo porque você faz isso.

Am I falling in love

With the one that could break my heart?


[Quebra de tempo (1 mês e meio){Shinwon}]


Tudo o que passou comigo naquele tempo foi culpa, eu não conseguia mais chegar perto dele ou ele de mim, assim como eu pedi e isso fica na minha cabeça repetindo, repetindo como tortura.. Eu não aguentava mais ir para as aulas e ver ele alí, tão triste quanto eu, talvez até mais. Eu não suportava ver a cara de choro que ele tinha quando olhava para mim e não suporto o fato que eu descobri. Depois de tudo aquilo, eu fui conversar com Changgu. Ele me disse coisas que abriram não só meus olhos, como a minha mente, como se fosse para eu aceitar tudo aquilo, eu chorei mais quando eu tinha percebido que eu me enfiei em uma enrascada pior que, sei lá, sem ânimo para inventar alguma história. Eu tinha me apaixonado. Isso que descobri. Tudo ficou claro quando Chang me disse que meu medo não era dele e sim de me apaixonar por ele, o medo de ser motivo de piada e o preconceito próprio por gostar de homens. 

Mas hoje não é assim, hoje não vai ser assim.

Eu implorei para que minha mãe aparecesse, eu precisava dela, só ela pode me ajudar. 

— Meus Deuses, o que houve, Shinwon? Você está tão desesperado.

— Mãe, eu imploro, desfaz o que você fez, eu não quero mais isso, meu pedido foi sem pensar, foi quase a morte pra mim, era tortura em todos os lados da minha mente, eu preciso falar com ele. Você disse que não pode desfazer, eu lembro, mas não dá pra dar um jeitinho? Por favor eu preciso falar com ele.

— Meu filho, eu não posso, só você pode reverter isso.

— Mas como? Eu não sei o que fazer, eu estou desesperado, mãe… — Dei um suspiro longo e olhei para ela. meus olhos estavam brilhando pelo choro que eu estou segurando e eu estou vendo tudo embaçado. — Eu amo ele, eu me apaixonei pelo Hui e eu não lembro quando isso aconteceu, por favor, dá um jeito para eu poder falar isso para ele, eu só preciso dizer isso, me confessar. — Dei uma pausa para eu conseguir completar o que eu queria completar, mesmo eu não acreditando que eu estava assim, eu tive certeza do que eu ia falar. — Eu amo o Hui. 

— Muito bem, agora que confessou, irei explicar tudo certinho para você. — Fiquei surpreso, não havia entendido o que ela disse, até que ela começou a explicar, então, fiquei mais chocado ainda. — Eu planejei isso tudo. Esse afastamento, essa confissão, tudo. Eu fiz você abrir sua mente para si próprio e parar de negar todos os sentimentos que você tem, claro, com uma ajuda de Changgu.

— Mãe…

— Você sabe que no domingo é aniversário dele, não sabe? De Hui. Ele fará uma festa e é bom que você vá conversar com ele, mas antes, converse primeiro com Chang. Agora, preciso ir. Até mais, Shinwon.

Ela sai e eu continuo parado onde eu estou, eu não parava de pensar Era tudo planejado, era para eu me confessar, era para eu abrir minha mente. Aquilo fez muito sentido. Até que eu comecei a procurar desesperadamente pelo meu celular para ligar para o Changgu.

— Alô?

— Changgu como assim era tudo planejado, Changgu, por que você não me contou nada Changgu, você acha que eu sou o quê?

— Calma aí, eu não entendi nada, fala direito.

— Você sabe do que eu to falando.

— Eu achei certo o que sua mãe quis fazer, então eu apenas fui cúmplice. Não contei porque… oras, não podia contar.

— Você sabe que a festa é amanhã, não sabe? Domingo é amanhã! 

— Imagina o seu presente de aniversário para ele… nossa seria o melhor presente da vida dele.

— Changgu! ...Eu preciso que você me leve até lá. E que me ajude a me arrumar também.

— Ok, Ok, amanhã vai ser às nove da noite, eu fui convidado pelo Hyunggu, eu vou estar aí às sete e meia e espero que já tenha tomado banho essa hora.

— É claro que eu vou tomar banho. Ah, até amanhã.

— Até, tchauzinho, Shinwon.

— Tchau. — desliguei e comecei a ficar ansioso.

Não sabia o que fazer. O que eu levaria de presente? Com que cara eu vou entrar lá? Eu não sei mesmo o que fazer.

A não ser que… bêbado! Foi assim que eu me aproximei dele, ficando bêbado. Eu tive a melhor ideia do mundo, por favor não faça burrada, Shinwon, não dessa vez, você não pode fazer.


[No outro dia, 19:26, {Shinwon}]


Quando Changgu entrou na minha casa, eu ainda estava no banho, ele teve a coragem de abrir a porta do meu banheiro.

— CHANGGU, PELO AMOR, VOCÊ NÃO TEM MAIS RESPEITO NÃO? SEU MALUCO. — Ele começa a gargalhar e eu desesperado cobrindo meu corpo.

— Ai Shinwon, eu já te vi assim muitas vezes. 

— SAI DAQUI. — Ele continuou rindo e saindo do banheiro. E eu? Eu estava me precavendo do que poderia acontecer naquela noite, ok eu estava prestes a me limpar, se me entendem.

Eu precisava estar preparado para qualquer coisa, não é? 

— Está preparando seu presente para o Hui ou o quê? — Fiquei quieto segurando a risada. Talvez seria, mas esse não era meu plano, eu já tinha tudo em mente.

Saí do banho como se nada tivesse acontecido, olhei pra Changgu sorrindo e ele sorrindo de volta.

— Você vai na intenção de dar, não vai? — Ele diz e eu me viro para o meu guarda-roupa, ainda sorrindo. — Sem vergonha! Nem esconde.

— Ei, eu não disse nada, você só supôs. E outra, não sei se vai dar certo o meu presente verdadeiro, se isso acontecer, vai ser uma consequência do presente.

— Bom, então boa transa para os dois. — Revirei os olhos e comecei a procurar uma roupa com a ajuda dele.


[Mais tarde, casa de {Hui}]


Eu estava minimamente preocupado com quem viria para minha comemoração. Eu disse que ia convidar apenas pessoas próximas, mas deixei Hyunggu convidar alguns amigos dele também, como o Wooseok, Yuto, Changgu…

Changgu, será que ele vai trazer o Shinwon…? Eu não deveria, ele me machucou muito, mas estou com tanta saudade… de pelo menos chegar perto dele. De pelo menos olhar para ele e não me sentir triste e eu tenho medo que isso fique pelo resto do curso. Eu não deveria me entregar tão fácil assim para as pessoas, assim como eu fiz um dia no passado com… Isso é história para outro momento.

— HUI! — O Hyunggu grita e eu me assusto, o olhando. Ele quer me matar? — Olha quem está vindo. — Ela dá um sorriso e mostra com a cabeça para a porta. Era ele.

— Shinwon? — Eu sussurrei para mim mesmo, sim, Changgu o trouxe. Ele estava a pessoa mais linda do mundo. Eu juro que não sei o que faz ele ser tão maravilhoso, a cada passo que ele dá parece que ele ocupa um espaço maior dentro de mim. Fiquei tão hipnotizado pensando essas coisas que não percebi que ele estava se aproximando mais de mim.

— Parabéns, Hui. — Ele deu um sorriso como se nada tivesse acontecido, mas era o sorriso mais lindo do mundo. Por que eu tive que ficar tão apaixonado por ele?

— Obrigado, Shinwon. — Eu sorri de volta, e ele veio para me abraçar, meu rosto já estava vermelho antes, agora parece que esquentava cada vez mais, nesse abraço de míseros três segundos. Eu havia esquecido tudo e eu odeio isso. Ele deve ser um ser mágico, não tem outra explicação para ele me deixar assim.

Depois de chegar os convidados, eu o perdi de vista. Ele e Hyunggu, porém esse eu sei que está com seu quase namorado. Eu fiquei na pista dançando com algumas pessoas e parecia que meu dia estava ganho. Quem eu quero enganar? Ele me abraçou, estou feliz demais, meu dia estava ganho sim.

Tudo estava ao meu favor naquele dia, tudo mesmo. Eu senti Shinwon vindo para meu lado e eu quis ter a certeza que era para mim, então, comecei a me aproximar aos poucos e ele começou a sorrir, mais e mais quando me aproximava e então eu lembrei… daquele dia que ele tinha bebido e não seria diferente hoje. Ele apenas tinha passado de seu limite de álcool e vindo atrás de mim, mas está tudo bem. Quando nos aproximamos ele chegou perto do meu ouvido e falou:

— Você está lindo hoje. — Senti meu corpo arrepiar e ele olhou para mim sorrindo. — Quer ganhar seu presente? Então vamos ao seu quarto. — Ele falava de um jeito mole, assim como no outro dia, mas essa voz… Está me deixando diferente.

Mesmo achando errado, eu o levei para meu quarto, eu não ia fazer nada com ele nesse estado, é óbvio.

Mas em segundo ele estava em cima de mim, passando a mão em meu rosto e eu apenas paralisado por aquela droga de toque.

— Hui, eu quero que me escute pois eu vou ser direto. — Sua voz estava mais forte e ele parecia confiante no que iria dizer, não parecia bêbado, e ainda, eu estava parado, mas ouvindo tudo o que ele dizia. — Há um mês e pouco eu estava aqui, com você, nessa mesma cama. Nesse mesmo quarto onde eu disse palavras horríveis para você. Eu quero me desculpar por tudo o que eu fiz de mal pra você, tudo o que te afetou de um jeito ruim, o que eu queria dizer é que eu tive um carinho por você desde quando nos encontramos pela primeira vez. Mas à medida que você se aproximava de mim, eu ficava mais longe de você e agora eu sei o porquê. Eu tive medo e preconceito comigo mesmo. O que eu queria te falar é que, Hui… eu te amo, eu percebi isso tarde demais. — Ele pega em minha mão e passa alisando seu rosto e logo entrelaça nossos dedos. Eu não pude acreditar no que ouvi. — Eu amo seu rosto, seu corpo pequenininho, seu sorriso… eu nem me lembro de quando tudo isso começou, eu só queria que você soubesse que minha mente está totalmente aberta agora e principalmente meu coração para você.

— Shinwon… 

— Eu sei que é muita coisa, mas… — Eu coloquei a mão em sua nuca acariciando e o puxando para um beijo, um beijo demorado e calmo que começou a se tornar quente. Ele desceu seus beijos até meu pescoço, começando a retirar nossas blusas. Eu me sentei na cama e ele veio para cima, se sentando em meu colo. Ele fazia pequenos movimentos e eu começava a ficar mais excitado, às vezes nós roubávamos selinhos um do outro, passando a mão nas costas alheias nos juntando ainda mais.

Agora era a vez das roupas de baixo, as tiramos e voltamos como estávamos, mas Shinwon ainda estava com medo de fazer aquilo, dava para ver que ele estava preocupado.

— Você não precisa fazer se não quiser, Shinwon. — Eu falei acariciando seu rosto e ele deu um sorriso colocando uma mão dele em cima da minha em seu rosto, e a outra usando de guia. Ele começou devagar, gemendo baixinho e, como estava com vergonha, apoiou seu rosto em meu ombro. Eu passava a mão em suas costas para dar mais conforto à ele, até que sinto seus movimentos ficarem menos lentos. 

Eu soltei um gemido baixo com aquilo, mas ele parecia estar focado no que estava fazendo, pois seus gemidos aumentavam cada vez mais. Senti beijos no meu ombro e subindo pelo meu pescoço até ele chegar em minha boca, uma de suas mãos, tocavam todo o meu braço até chegar em minha mão e ele entrelaçou nossos dedos. Estava perfeito tudo o que ele estava fazendo, tão perfeito que eu tinha esquecido que ele se confessou para mim há alguns minutos atrás. 

Ele continuava os movimentos e nossos gemidos ficavam mais altos juntos. Ele teve seu orgasmo primeiro, depois eu tive o meu, no momento, não me importei com meu peito sujo e aparentemente, ele também não. Ficamos parados do jeito que terminou por um tempo, até que ele se levantou e foi ao banheiro.

— Você está bem, Shinwon? — Eu me levantei e fui até a porta que ele não tinha fechado.

— Estou bem, eu… só vim me limpar.

— Por que não tomamos um banho juntos, então? — Sugeri e ele aceitou na hora. Comecei a encher a banheira e eu entrei primeiro, logo depois ele entra também, se sentando entre minhas pernas, de costas pra mim. Não fizemos nada demais além de ficarmos nos acariciando. Teve uma hora que ele se deitou em meu peito e eu pude olhar para seu rosto, ah, esse rosto… Tão adorável. Por que tive que me apaixonar pelo dono desse rosto?

— Aconteceu algo, Hui? — Ele me olha e eu nego com a cabeça. — Você está todo bobão olhando para mim. — Ele dá um sorriso e em consequência eu solto uma risada leve, deixando meu sorriso no rosto. A verdade é que eu não conseguia parar de sorrir com o que ele disse.

— Eu sempre olhei assim para você. — Eu dei um beijo rápido nele. Em seguida, ficamos só mais alguns minutos ali e nos levantamos, nos enxugamos e fomos para meu quarto dormir.


[No outro dia, {Shinwon}]


Eu me sentia aliviado de ter contado tudo o que eu queria ontem para Hui. Era um sentimento muito bom de que agora eu podia contar qualquer coisa para ele. Eu me pergunto o que nós somos agora. Estamos ficando? Namorando? Quem sabe? Eu só sei que ontem foi o melhor dia da minha vida, pode não ter tido nada demais como sexos normais porque o nosso foi bem… como posso dizer… fofo? Mas eu amei cada segundo. 

Eu fiquei muito ansioso ontem, não sabia como chegar perto dele, nem sabia o que falar, eu estava super nervoso, mesmo não querendo demonstrar. Minha atuação foi bem ruim, porém acho que foi o suficiente para ele cair direitinho para pensar que eu estava bêbado. Acho que toda vez que eu for lembrar dessa noite, eu vou ficar sorrindo que nem um idiota, isso é tão estranho… nunca fui de me apaixonar tão profundamente por uma pessoa, parecia tanto apenas uma paixão de colégio quando eu descobri, mas quando eu fiquei perto dele depois de expressar todos os meus sentimentos, isso mudou. Agora é uma coisa muito mais forte. 

Percebendo que ele não estava na cama, decidi me levantar para ver o que estava acontecendo, ou melhor, para ver o que ele está fazendo. Me troquei e fui atrás dele, não sabia por onde começar a procurar, então apenas comecei a andar pela casa esperando me esbarrar nele. E foi o que aconteceu.

— Shinwon, o que houve? Você está bem? — Não muito quando minhas costas não param de doer, mas tudo bem.

— Estou muito bem, só minhas costas que estão doendo. E você? Acordou bem?

— Sim, mas eu fiquei preocupado com você. Bem… Você quer sair pra comer? Ou podemos pedir também você que sabe.

— Por mim podemos sair, sim, mas… antes vou fazer uma ligação para Changgu, ok?

— Claro. — Ele respondeu e eu voltei para o quarto pegando meu celular para ligar para Chang que precisava saber de tudo o que aconteceu ontem, não posso deixar ele sem saber disso.

— Changgu! Você não acredita! Quer dizer… eu não acredito…

— Nossa, o que houve para você estar tão feliz? Conseguiu “dar” seu presente ontem?

— Para de pensar que eu só queria transar com ele. Bom consegui, mas você tem razão, eu e ele transamos ontem. Mas foi muito… fofo.

— Desculpa, no meu dicionário não existe a junção “transar fofo”, troque de palavra por favor. — Eu sorri lembrando de ontem e procurando uma palavra para substituir, eu pensei em mais um menos....

— Fazer amor?

— Muito a cara de vocês mesmo, brega e fofo. E aí? Quando você vai me apresentar ele como namorado? Eu tenho que te dar a benção sabia?

— Primeiro que sou mais velho que você, segundo, parece que eu estou falando com a minha mãe e terceiro… Não teve um pedido oficial.

— Shinwon? Desliga agora e vai lá pedir ele em namoro agora mesmo! Vai, agora!

— Está bem, já estou indo. — Não estava nervoso para perguntar, mas só com medo de sua resposta. Eu deveria estar com esse medo idiota? Não, porque ele já demonstrou mais do que eu que gosta de mim então eu deveria apenas perguntar e parar de enrolar.

Desci as escadas do quarto para a sala, encontrando ele sentado com a mão no rosto. Parecia cansado, ou triste, não sei, algum dos dois.

— Hui? Você está bem? — Fui até ele e me sentei ao seu lado, me virando para ele, acariciando seus cabelos.

— Estou ótimo, Shinwon. Eu só… recebi uma visita inesperada.

— Ah, tudo bem então… Eu só queria falar algo.

— Pode dizer. — Ele fala me olhando e me deixou com um pouco mais de medo.

Eu esperei um pouco, nós estávamos olhando um para o outro, mas eu não conseguia deixar meu olhar no dele por muito tempo. Mas era como ele já sabia, ele colocou a mão em meu cabelo e começou a fazer carinho.

— Hui, tudo o que eu disse ontem era verdade, eu te amo. Tudo o que aconteceu ontem eu quis que acontecesse, foi incrível principalmente porque era com você. — Comecei a enrolar para fazer a pergunta, mas ele deu um sorriso, deu um sorriso lindo para me acalmar e segurei as mãos dele. — Bom, o que eu quero perguntar, é que… Ah, Hui, você quer namorar comigo?

— Shinwon, eu não sei se vai gostar da resposta, mas faz algum tempo que eu quis me aproximar de você e você não deixava, não gostava de mim, por alguma razão, me odiava, e agora estamos aqui, no sofá da minha sala, você me pedindo em namoro e esperando que eu aceite… — Ele vai dizer um não, não era o esperado, mas já estava preparado. — …Eu não poderia estar mais feliz ouvindo tudo o que você fala com seu próprio coração. É claro que eu quero, Shinwon, como eu poderia negar uma coisa dessas!? — Ele me abraçou e eu fiquei paralisado, sorrindo que nem um idiota, mas logo o abraço também.

— Você me assustou, sabia!? 

— Era o meu objetivo. — Ele olhou para mim e nos aproximamos, dando um beijo longo com vários selinhos no final.

O resto do dia, eu passei um pouco com ele, mas logo tive que voltar para minha casa para me arrumar para a faculdade. Quando cheguei em minha casa vi alguém em cima do meu sofá e fiquei assustado. Fui ver e era Changgu, deveria ter imaginado, ele sempre fazia isso, nunca entendia o porquê.

— É hora de acordar, Changgu. O que você está fazendo no meu sofá? Aliás, são duas da tarde. Você comeu alguma coisa?

— Sim, fiz o almoço, estava esperando você voltar. E você, almoçou? — Fiquei pensando em tantas outras coisas que esqueci de comer, mas como Changgu fez comida, era melhor, assim não perdia meu tempo fazendo.

— Não, obrigado por fazer, vou ir comer agora.

— Meu cunhado não está cuidando de você direito, não? Já começou assim? Não gostei.

— Ele cuidou muito bem, eu só não estava com fome lá. E aliás, ele é realmente seu cunhado agora, ele aceitou meu pedido.

— Eu sei. Você nem imagina como está sua cara agora. Quandos as pessoas ficam apaixonadas elas ficam tão idiotas assim? Eu nunca vou querer ficar assim, com um sorriso besta e com pensamentos sobre só uma pessoa na minha cabeça.

— Você sabe que você já está assim. — Ele deu um sorriso e desviou seu olhar pro chão. — Viu?

— Para com isso, eu não gosto de ninguém.

— E você continua pensando nele toda vez que você fala isso. Não fica? Eu te conheço, Changgu. E é pelo menino chinês da área de medicina veterinária, não é? — Ele cada vez parecia mais constrangido, mas não parava de sorrir.

— Ok, você ganhou, ele é a pessoa mais linda do mundo e eu estou completamente na dele, contente? É isso.

— Já deu um primeiro passo? — Falava enquanto esquentava as coisas, estavam geladas do tempo que eu demorei para voltar.

— Sim, um bem grande, já dormi na casa dele e no outro dia ele ainda se lembrava de mim.

— Vocês…?

—  Não, ainda não, mas ele disse que gostou da minha companhia e queria que eu fosse mais na casa dele. Ele também disse que se sente sozinho, por isso vai em festas que o convidam, Hui deve ter feito amizade com ele, ou Hyunggu, não sei.

— Hm, que interessante, quando vai me apresentar ele como seu namorado? Eu preciso dar a benção, sabia? — Imitei ele de quando fizemos a ligação algumas horas mais cedo.

— Haha muito engraçado, estou morrendo de rir. — Deixei aquela conversa de lado e fui comer.

Depois disso, eu sentei em um sofá junto com Changgu e começamos a conversar sobre qualquer coisa e então minha mãe chega, sem ter avisado, claro, ela também faz isso como o Changgu.

— Vim aqui dar meus parabéns ao meu filho que agora está namorando, não é Shinwonnie? — Eu realmente não gostava tanto daquele apelido desde criança, mas está tudo bem, até porque eu estava de bom humor. Ela falava me abraçando muito apertado e eu apenas olhando para Changgu pedindo socorro, ele ria da minha cara.

— Tudo isso porque eu comecei a namorar?

— “Tudo isso”? Você está dizendo que não quer meus parabéns? Então eu vou embora.

— Mãe? Que ataque de drama é esse? Calma, eu só estava falando que é só um namoro. — Ela aceitou com a cabeça e cruzou os braços.

— Eu estou feliz pelo seu namoro. — Revirei meus olhos sorrindo e abracei ela.

— Obrigado, Afrodite. — Às vezes eu esqueço que minha mãe está longe. Muito longe, mas eu estava melhor com essa mãe. Era como se eu fosse adotado pela mulher mais graciosa do mundo. Nem queria ver como seria se minha mãe soubesse que estou namorando… um homem.

O tempo passou e era hora de ir para a faculdade, peguei uma carona com Changgu e quando chegamos lá, Hui estava no estacionamento, seria muito egoísta se eu pensasse que ele estava me esperando? Provavelmente, porém não ligo, gostei desse pensamento.

Saí do carro de Chang dando tchau para ele e comecei a me aproximar de Hui, ele parecia um pouco avoado.

— Hui, você está bem?

— Sim, meu amor. — Meu sorriso ficou maior depois que falou isso, é a primeira vez que ele me chama assim depois do pedido. — Eu só… estava te esperando.

— Então vamos indo, meu amor. — Fiz questão de falar isso também e ele sorriu, pegando em minha mão e se encostando mais em mim. Fomos para a classe e ficamos no fundo, Changgu estava lá com a gente, ele não parecia incomodado.

Algumas horas se passaram e chegou o intervalo. Saímos da sala nós três juntos, fizemos nossos pedidos e sentamos em uma das mesas da cantina.

— Posso sentar junto com vocês? Estou esperando uma pessoa. —  Um homem de cabelos claros chegou sorrindo, e como o resto das mesas estavam lotadas, decidimos que ele podia ficar até Hyunggu chegar, já que era de costume ele e Hui comerem juntos assim como eu e Changgu. — Eu me chamo Hyojong. Posso saber os nomes de vocês? 

— Esse é Shinwon, meu namorado e Changgu, o amigo dele. — Hui falou antes de nós e ele respondeu com um “prazer”.

— Então você está namorando, Hui? É realmente muito tempo que a gente não se fala. Minha namorada está aqui cursando música, no segundo ano, eu estou esperando ela. 

— Fico feliz por você, Hyojong. — Hui dá um sorriso e Changgu e eu também.

— Bom, acabei de ver ela, vou indo, tchau pessoal, qualquer dia nos vemos novamente. — Respondemos todos com um tchau e vemos Hyunggu se aproximar com uma cara séria olhando para a escada onde o menino estava subindo e depois encarou Hui, que olhava para ele com os braços apoiados na mesa, as mãos juntas tampando a boca e balançando a perna.

— O que ele estava fazendo aqui? — Hyunggu deixa sua bolsa em cima da mesa e continua com uma expressão séria. O clima estava pesado e parecia que qualquer um dos dois iriam explodir, Chang e eu nem sabíamos o porquê.

— Eu não sei. — Hui balança os ombros enquanto fala. Estou achando que tem alguma coisa de errado acontecendo que eu ainda não sei, isso é óbvio, mas eu estou afim de saber.

— Depois daqui nós temos que conversar bastante senhor Lee Hwitaek. — Ele desfaz sua cara séria, agora em um sorriso e continua a falar. — Parabéns pelo namoro! Finalmente, depois de três anos, heim, Hui?

— Cala a boca. — Ele ficou envergonhado, com o rostinho vermelho. Eu adoraria ver esse rosto assim muito mais vezes.


[Algumas horas mais tarde; {Hwitaek}]


— Ok, agora, o que foi aquilo na cantina hoje, Hui? —  Hyunggu diz e eu apenas sentei em meu sofá colocando as mãos no rosto.

— Eu não sei, eu juro que não sei como ele foi parar na mesma faculdade que nós, quais eram as chances de seu lugar estar vazio bem quando ele chega com a cantina lotada? Quais as porras das chances? —  Eu estava ficando nervoso e Hyunggu sabe por que. 

— Hui, nós dois sabemos que você nunca ia superar esse Hyojong, mas por favor, agora você namora com Shinwon, tenta esquecer da existência do outro. Você continua com esse amor parado que não tem mais sentido.

— Mas o que você faz com seu ex que você amava tanto e que voltou mais bonito que nunca? Eu sei que eu namoro o Shin, eu gosto muito dele, sei que Hyo também tem sua namorada, mas mesmo assim… Eu ainda acho que tem um restinho de sentimento por ele aqui.

— Então mata. Estou dizendo sério, mata esse sentimento. Se não, você vai perder, além do Hyo, o Shinwon e em consequência, Changgu, mesmo que sejam apenas colegas.

— Eu tento, mas se ele aparecer mais vezes, não sei o que vou fazer.

— Segura a mão do seu namorado e deixa ele preencher você, ele vai saber o que fazer se você apertar a mão dele.

— É confuso, mas vou tentar. 

— Não tem essa de “tentar”, Hui. Se você não fizer o possível para apagar isso de você, é porque você não é a pessoa certa para o Shinwon. — Que facada, mas é difícil. É claro que não vou ficar correndo atrás do Hyojong, ele só me atrai. Shinwon, eu prometo que eu não vou te deixar, porém vou estabilizar meus sentimentos com você. Depois disso, quem sabe se não ficará mais forte? — Vamos comer alguma coisa?

— Claro, Hyunggu.


[Alguns dias depois; {Shinwon}]


Estou começando a ficar preocupado. Hui está agindo diferente, está mais quieto que o normal, quando eu pergunto se ele está bem, ele apenas diz que gosta de ficar comigo daquele jeito. O problema é que ele não é quieto assim e eu estou começando a achar que ele está se cansando de mim.

Eu sei que só fazem alguns dias desde que começamos a namorar, mas, não sei, ele pode estar se cansando mesmo assim, não pode? Eu só queria entender por que ele está tão estranho.

— Hui, meu amor, vamos sair hoje para um restaurante ou algo assim? Estou com vontade de comer fora hoje com você.

— Sim, claro, tudo o que quiser, Shinwon. — Ele fala de uma forma que não está se importando, eu só me pergunto uma coisa.

— O que eu fiz de errado? — Ele olhou para mim confuso. — É sério, o que eu fiz? Você não está dando importância a nada do que eu falo e sempre está parado feito um idiota olhando para o ar, isso está me deixando triste, sabia? Você está se cansando de mim, não é? Por que não me fala isso logo de uma vez? — Eu não me contive, como estava em minha casa, fui para meu quarto e me joguei na cama, me cobrindo. Passou alguns minutos e Hui apareceu na porta.

— Wonnie… — Eu senti ele chegando mais perto de mim até que se sentou na cama, colocou as mãos em meu cabelo e começou a acariciar. — Wonnie, me desculpa, eu estou um pouco inseguro com algumas coisas, mas não quis que isso te afetasse, por favor, me perdoa, eu te levo para comermos algo, se quiser. Não fica assim, eu te amo, eu juro que amo. 

— Hui, você pode me contar o que quiser, você sabe, eu só não entendo por que você ficou assim comigo. 

— Eu te prometo que quando isso acabar eu te falo, mas é uma coisa tão besta…

— Pode ser a mais besta que for, Hui, se está te machucando ou algo assim, eu não vou te julgar. — Ele balançou sua cabeça como um sim e deu um pequeno sorriso, fazendo eu sorrir também.

— Você está pronto para ir? Tenho um lugar especial para você.

— Claro, onde você quer me levar? — Me sentei em minha cama e fiquei de frente para ele.

— Surpresa. 

Depois que saímos de casa, fomos até o “lugar” que Hui quis me levar e eu realmente fiquei impressionado quando ele soube o lugar que eu mais apreciava de comer na cidade seja em dias de semana ou finais de semana, o Mac.

— Como você…?

— Hyunggu perguntou para Changgu e depois disse pra mim certos… meses atrás. Mas esqueça isso, apenas pegue o que você quiser, eu vou pagar. — Entramos no lugar e fomos direto para o caixa fazer o pedido. Enquanto nós esperávamos vimos Hyojong e sua namorada lá também. Dei um oi para os dois e eles nos chamaram para sentar com eles. Senti Hui apertar mais minha mão, seu rosto estava com uma expressão nervosa. Tudo o que ele estava fazendo aconteceu depois que esse Hyojong apareceu e agora ele está assim quando encontramos ele. Pensando bem, eles já se encontraram antes, como Hyo disse, se tudo estiver encaixando como eu estou achando, então eles são ex um do outro.

Changgu estaria orgulhoso de mim se soubesse. Então, Hui, você está inseguro com seu ex namorado que voltou? Ou ele fez alguma coisa para você? Fique tranquilo, eu vou fazer você parar de ser inseguro por causa disso.

— Oi Shinwon, oi Hui. — Ele deu um sorriso junto com a garota que estava na frente dele e nós respondemos nos sentando. Para concluir minha teoria, sentei do lado da garota para ele sentar do lado de Hyo. Era como eu pensei, ele estava mais nervoso ainda.

— Olha, nosso pedido! Vou lá pegar. — A garota, que ainda não foi apresentada, se levantou e foi pegar as coisas para eles.

— Hyuna, conheci ela no ensino médio, namoramos desde aquela época.

— Ela é muito bonita, Hyo, parabéns. Desculpa a pergunta, mas… ela é sua primeira namorada? É que, sabe, Hui é meu primeiro. — Falei um pouco baixo para só ele ouvir e ele balançou a cabeça que não. Olhei para Hui, que continuava quieto, me desculpe, Hui, mas eu tive que fazer essa pergunta.

— Não, eu tinha um namorado no ensino médio antes de conhecer Hyuna, ele era perfeito, mas não era para mim, entende? Uma pessoa incrível, mas ele não era para ser meu, nem eu dele. Fiquei muito feliz quando soube que ele estava namorando e espero que ele não guarde mágoas do passado quando tive que terminar com ele, mas, pelo visto, do jeito que ele está agora, ainda está com medo, porque eu ainda o conheço, nem que for o mínimo. Não é, Hui?

— É. — Eu sorri pensando que eu estava certo, então era isso que ele estava com insegurança, sobre ex. Eu não sou muito bom no assunto, mas mesmo que ele não me respondia como deveria, eu via que ele estava preocupado com alguma coisa. E o mais importante, ele não me deixou em nenhum momento. Por que eu estou pensando isso aqui no Mac?

Hyuna voltou e eles foram embora, eles pediram para viagem para comer em uma praça ou sei lá, eu não tinha entendido direito. Hui ainda estava de cabeça baixa, então fui eu buscar nossos lanches e me sentei na cadeira do lado dele.

— Hui, você não vai comer? Está muito bom, eles sempre fazem lanches ótimos.

— Você não está bravo comigo?

— Vamos conversar sobre isso em casa, pode ser? Eu quero passar um tempo com você aqui. — Peguei um pouco do ketchup e passei na bochecha dele. — Sua cara está da cor do ketchup! — Ri e ele começou a rir também, passando um pouco em mim também.

— Melhor pararmos com isso, estamos gastando molho à toa. — Passei um guardanapo no molho que estava na minha bochecha e continuamos a comer.


[Casa de Shinwon; {Hwitaek}]


Eu, particularmente, estava com medo do que Shinwon iria dizer para mim naquele momento. Eu não sabia como eu iria lidar com ele dizendo alguma coisa ruim ou algo do tipo, sei que ele não é assim, mas todos temos medo quando é assuntos que estamos escondendo por preocupação.

— E então? O que iria falar comigo? — Me ameacei começar o assunto, ele só olhou para mim e se sentou no sofá. — Não vai falar nada?

— Sobre?

— O que aconteceu lá… com o Hyo.

— Para mim já está mais que conversado. — Eu fiquei confuso, não tínhamos conversado nada nem resolvido nada. Estava parado, em pé, olhando para ele, e ele continuou a falar com um sorriso. — Me diz, por que você ainda está aqui esperando que eu fale algo para você?

— Quero saber o que você acha… disso tudo. Eu sem querer parei de falar certo com você, te deixei triste. — Eu falava e ele se levantou, chegando perto de mim, continuando a sorrir. — Eu não me perdoaria se essa insegurança te afastasse de mim.

— Você está se escutando? Hui, não há nada para temer. Você continua aqui comigo, você nunca me deixou na mão, eu te pedia para vir ficar comigo, e você vinha mesmo estando assim, preocupado com essas outras coisas. Se você quisesse ter se afastado de mim de verdade, você não teria feito nada disso.

— Me desculpa, Shinwon. — Eu o abracei, deixando algumas lágrimas saírem e logo nos beijamos. — Eu prometo que isso nunca mais vai acontecer, porque eu estou aqui com você agora.

— Eu sei que não.

Então era isso. Esse sentimento que não me fez sair de perto de Shinwon é o amor, e toda a culpa que eu pensei que tinha desapareceu. Todas as coisas ruins que vieram foram para nos fortalecer, fortalecer nosso amor, que naquela noite, estava tão forte quanto nunca. Deitados juntos no quarto, como o casal maravilhoso que éramos, nossas mãos trocavam carícias no rosto um do outro. Essa montanha-russa que tínhamos em nossa vida não iria acabar, mas uma coisa é certa: ficaremos juntos até o final.

— Eu te amo, Hui.

— Eu também te amo, Shinwon.



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