História Beauty Secrets Keepers - Capítulo 14


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Palavras 3.953
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Especial de Halloween parte II postado para minhas bitches no dia do nosso amiganiversário🖤
Aproveitem amoreeees

Capítulo 14 - Trick for you, bitch.


Fanfic / Fanfiction Beauty Secrets Keepers - Capítulo 14 - Trick for you, bitch.

Emma~> 

Acordei atordoada sobre uma madeira fria, minha cabeça estava girando e doendo e meu nariz ardendo muito. Uma música tocava do lado de fora, o  que me deixou mais confusa. Ok, isso definitivamente não é uma travessura de Halloweeen. Não tinha ideia se ainda estava na tal mansão que entrei com os meus amigos.

Fecheios olhos e tratei de revirar a memória tentando entender como cheguei até ali. Havia uma sala escura e aparentemente vazia, pelo que eu podia ver através da luz da lua. Lembrei de sentir uma mão na minha boca. A mão usava luvas de couro, pude sentir a textura. Não vi nada, estava escuro demais... Mas senti um cheiro... Fiquei tonta só de pensar, era um cheiro muito forte... Depois... Acho que depois disso desmaiei e fui acordar aqui neste... Armário

Me levantei tão rapidamente ao finalmente me dar conta de onde estava, que bati o topo da cabeça no teto com força. A dor me deixou mais tonta do que já estava e eu tive que me escorar na lateral do armário para não cair novamente, senti um filete de sangue escorrer para minha testae meu coração estava tão rápido que eu quase podia senti-lo na minha garganta. Mas eu começei a gritar desesperada por socorro enquanto poeira fazer meu nariz coçar e por mais que eu berrasse e batesse no armário, ninguém vinha me tirar dele.

–EEEEI! MARIA! HANNAH! ALISON! RYAN! RAFAEL... –lágrimas de desespero correram pelos meus olhos – Me ajudem... Por favor...

A música do lado de fora, como viera a perceber, era uma romântica e animada dos anos 70, 80, sei lá. De repente, pude também ouvir  passos abafados e uma porta abrir.

–EI! QUEM ESTÁ AÍ FORA? ME AJUDA!– E bati mais na porta do armário. Mas não houve resposta. Eu parei para ouvir, talvez eu tivesse me enganado. Não, havia sim alguém lá fora, eu pude ouvir então mais passos na madeira rangindo. – ME TIRE DAQUI! POR FAVOR! – não consegui não chorar.– POR QUE ESTÁ FAZENDO ISSO?– Quanto mais eu batia na porta do armário, mais dor e falta de ar eu sentia trancada naquele espaço tão pequeno. O desespero tomou conta de mim, junto com uma tontura que eu não sentia há muito tempo, minhas pernas nuas já não conseguiam sustentar o peso do meu corpo e eu não pode evitar de me sentar.

Passou muito tempo. Talvez horas. Minha voz já estava quase inexistente e eu me perguntava onde estariam os meus amigos. Será que deram falta de mim? Será que ficaram com medo e foram embora?

–EMMA! VOCÊ ESTÁ AQUI?
Levantei a cabeça rápido e minha visão girou. Usei meus pés já doloridos para dar mais alguns pontapés na porta do maldito armário.

–Emma? Você está aqui?– ouvi a voz abafada gritando do lado de fora.
Rouca, mas firme, me escutei pedindo:

–Me ajude!
–EMMA!– Uma porta foi chutada com força.

Me esforcei para me levantar e bater mais uma vez no armário.
–Ei! Me tire daqui!

Ouvi um clique na porta do armário e ela se abriu. Rafael me puxou para fora pelo braço e me sustentou quando minhas pernas bambearam. Seu rosto sugeria que ele estava lutando contra o impulso de me abraçar. Segurei seus ombros para me equilibrar olhando para qualquer canto que não fosse os seus olhos azuis-claros.

–Emma, você está sangrando! – ele tocou minha testa delicadamente– Ah, Emma... Como você chegou aqui!?
–E- eu não sei, algúem me fez desmaiar e eu acordei aqui...– as lágrimas quentes não pararam de sair dos meus olhos e escorrer pelas minhas bochehas.
–Te-te desmaiaram?!– Ele pareceu tanto perplexo, quanto confuso. –Emma, quem escreveu aquilo?
–O-o que?– perguntei fungando e olhei para trás, no ponto onde Rafa estava olhando. Uma mensagem fora escrita em grandes letras carmim na parede branca encardida.


ABRA A BOCA, VADIA, E EU MATO VOCÊ.
-J



–Vamos embora, por favor...– sussurrei tremendo.

Ele balançou a cabeça e me segurou de lado para descermos as escadas. J conseguira me levar para a ala leste da mansão, no quarto andar, o que era beeem longe de onde eu havia estado com os meus amigos. Saímos o mais rápido possível daquele lugar e só quando chegamos na calçada do lado de fora que Rafael sacou o celular para avisar a todos de que havia me encontrado. Ao desligar a ligação com a irmã, ele se sentou do meu lado no asfalto. Haviam retirado as asas da minha fantasia e meus saltos ficaram dentro do armário em que eu fiquei presa. Meu rímel devia estar muito borrado e mesmo consciente disto, eu não consegui me importar.
–Emma. – olhei para ele – Por favor me diga o que está acontecendo. Quem está ameaçando vocês?
–Ninguém está...
–Não adianta negar! Eu vi o que estava escrito naquela maldita parede, Emma!
–Eu não posso falar nada para você, Ok?
–Não, não está Ok! Eu te tirei de dentro de um armário trancado por fora! E eu preciso saber o que está acontecendo!

Eu voltei a me encolher e esconder a cabeça nos joelhos. Pensar que eu fui sequestrada por J, que me fizera desmaiar provavelmente usando clorofórmio, simplesmente provou o que esta pessoa é capaz. Pelo visto, não apenas de me incriminar para a polícia, mas também de sequestrar e provavelmente de matar.

–Emma... A Maria me contou que você foi chamada mais uma vez na delegacia... Isso tem alguma coisa haver?– pesquisou.

Meus olhos se encheram de lágrimas.
–Eu não sei mais o que fazer.– confessei ainda tremendo– A qualquer momento eu posso ser presa...
–Isso não vai acontecer– Rafael falou convicto.

Eu olhei para o meu colo desejando poder contar para alguém tudo o que eu estava sentindo. Berrar o quanto eu estava com medo em todos os sentidos que palavra se aplicava na minha vida. Mas a única pessoa à quem eu posso compartilhar meus medos é comigo mesma.

–Você não sabe de nada.– Olhei para ele. Sua cara dizia "Então me explica, caralho!" – Eu não posso te contar. Não é seguro.
–Emma, isto não é nenhum filme, Ok? Você não pode omitir as coisas só para parecer valente.

Em QUALQUER outra situação eu teria começado uma bela discussão ali mesmo. Teria me levantado e berrado com ele, assim como eu faço de vez em quando.

 Mas ali eu estava, com o coração acelerado de medo, um frio na barriga de medo e uma vontade de chorar que, por Deus, não pertencia a mim. Desviei o olhar para longe mais uma vez.
–O que está acontecendo com você?– perguntou ele baixinho.
Ao ouvir a pergunta, meus olhos apenas se encheram de lágrimas novamente, senti vontade de abraçar alguém. Eu funguei e depois voltei a olhar para ele, que parecia que não desgrudava seu olhar de mim.

–Obrigada mesmo por ter me encontado hoje, Rafael.

Antes que eu pudesse acrescentar alguma coisa ou que ele pudesse responder, finalmente ouvi as vozes de Hannah, Alison e Maria me chamarem juntas ao atravessarem o gramado escuro daquela casa medonha. Eu me levantei novamente e elas vieram até mim. Nós engatamos no abraço em grupo mais desajeitado do mundo enquanto elas me faziam perguntas eufóricas sem nem parar para respirar.
–Eu estou bem– menti– só... vamos embora...
–Desculpe a demora, Em...– pediu Ali.
–Tivemos que entrar para procurar os meninos.– Completou Maria.
–Eu estou tão aliviado por você estar bem...– ouvi a voz cansada de Ryan.

As meninas abriram caminho para ele chegar até mim. Nunca, nestas semanas em que estávamos saindo, Ryan havia me abraçado. Mas acredito que foi a sensação mais acalmadora que eu poderia experimentar naquela hora de tanto desespero. Neste exato momento foi que eu me dei conta de que eu havia contado para ele sobre o interrogatório do dia anterior, e mesmo assim ele nem pensou duas vezes antes de passar o Halloween comigo. Desfiz o abraço saindo da ponta dos pés e olhei para ele.
–Você machucou a cabeça...– ele começou, mas eu o interrompi.
–Não foi nada, Ryan.
–Vamos embora, pessoal?– Perguntou Shawn bocejando.
–Agora você quer ir, né?– perguntou Ali fazendo aquele draminha.
–Toma aqui, Em.– Ryan começou a tirar o sobretudo de Drácula.
–N-não precisa...–Gaguejei
–É claro que precisa, menina, você está usando lingerie!– falou Hannah. Só a Hannah mesmo para me fazer rir a uma hora dessas.

Continuamos a andar, agora não mais em fila, mas tomando a calçada toda mais metade da rua, um do lado do outro. Quem se importa com os carros, não é?
–Vamos andando para casa, não é, meninas?– perguntou Rafael olhando para as adolescentes bêbadas seguindo seus caminhos para casa.
–Ah nãaaao...– Maria protestou fazendo uma careta de preguiça misturada com aquele sorrisinho de ­me-leva-no-colo?
–Vocês querem carona?– Perguntou Shawn. Gente, mas esse menino é muito fofo, socorro. Por isso que a Alison está toda na dele!
–Meninas, na verdade...– intervi na conversa, fazendo todos olharem imediatamente para mim.– Eu não quero passar a noite sozinha... Não depois de tudo o que aconteceu...– minha voz se perdeu na noite. Ryan me abraçou com mais força.
–E a sua mãe?– perguntou Han.–Turno da noite de novo?
Balancei a cabeça. Hannah deu de ombros.
–Vamos para a minha casa, então.
Ao chegarmos no início da Fair Wind Avenue novamente, Ryan se despediu de mim com um selinho muito comportado pro meu gosto, e me deixou ficar com o sobretudo e entregá-lo depois. Seguimos Hannah em silêncio até chegar no carro dela e as três não esperaram nem dois segundos após fechar a porta do carro para começarem a me bombardear perguntas.
–O que caralhos aconteceu com você, Emma?!
–Ficamos tão preocupadas!
–Foi J... Não foi?

Respirei fundo e contei para elas o que havia acontecido durante o tempo em que sumi. Hannah parou o carro de susto duas vezes durante o processo, mas algum dia teríamos que chegar na sua casa. Contei sobre o cheiro horrível que me fizera desmaiar.
–Clorofórmio! – Exclamou Hannah.
–Acho que sim.– respondi– então... Acordei presa num armário... Estava trancado por fora e eu não fazia ideia de onde eu estava...
–Que desespero...– comentou Alison pasma.
–Foi quando eu ouvi alguém entrando...
–O Rafael, certo?– perguntou Maria.
–Não. Alguém que parece ter entrado só mesmo para ouvir meus gritos e socos na porta do armário.
–O que?!
–Que maldoso...
–Eu não fazia ideia de quem era.
–Mas você disse que foi J!­– falou Maria parecendo confusa.
–Foi. ­–respondi– Quando Rafa me tirou de lá... havia uma mensagem para mim na parede...
–Ah meu Deus, Em... O Rafa viu?
–O que dizia?
–Uma mensagem clara, falando que esta pessoa é capaz de, não apenas me sequestrar e me torturar, mas também de me matar caso eu conte algo para a polícia.

Elas ficaram realmente perplexas com o que eu havia passado e pareceram entender completamente o fato de eu não querer passar aquela noite sozinha, apesar de nunca recusarmos uma noite só de nós quatro. Hannah passou direto pelo grande quintal verde de sua família ao estacionar o sua HR-V prata em frente a garagem e nós a seguimos casa adentro pelo conhecido caminho até seu quarto.

Bom, Hannah era meio que a ovelha negra da família. Nunca se deu muito bem com a irmã mais velha, Julia, e nem com a sua mãe, que sempre achava que Julia estava com a razão em todas as suas brigas. Seu pai, por outro lado, sempre fora ocupado demais com o trabalho e nunca tirava muito tempo para suas filhas. Para não ter que cruzar com qualquer um nos corredores caso levantasse para fazer xixi à noite, faz uns dois anos que ela juntou suas coisinhas e se mudou para o terceiro andar, ou melhor, o sótão, um dos maiores cômodos da casa que, para o casarão dos Stark, não é pouco. Todo o chão e as paredes são revertidas por painéis de madeira e a parede principal é praticamente uma enorme janela de vidro coberta por cortinas grossas cinza-chumbo. Sua cama de casal com colcha roxa estava virada para uma enorme TV, que é rodeada por uma estante de vidro coberta de livros, uma grande armário branco e uma porta que dava para sua suíte. No meio da parede lateral branca, ficam pendurados enormes quadros de animais em mandala desenhados pela própria Hannah e ela ainda estava trabalhando em cobrir de lindas mandalas a parte branca livre da parede, que só é cortada por uma escrivaninha cheia de gavetas, luzes e apetrechos para desenho. A garota é uma artista.
– Estamos preocupadas com você, Emma.– confessou Maria.
–Não precisam, é sério.
–Nunca pensei que J seria capaz de fazer algo assim...– falou Ali– Pensava que eram apenas ameaças vazias de alguém que não gostasse da gente.
–Mas é alguém que nos odeia.– falei amarga.
–Eu preciso repetir minha opinião?– perguntou Maria.
–Já sabemos o que você pensa sobre a Louise Davies, Maria.– falou Hannah em tom de alerta.
–Então vocês ainda têm dúvidas? Ela também odeia a Emma!
–Tudo bem, Maria. Mas não podemos deixar de pensar que pode não ser ela– falou Ali cética.
–Podemos apenas ir dormir?– perguntei exausta– Acho que quero que esta noite acabe o mais rápido possível...

E recebi o que eu menos precisava naquele momento: olhares de pena. Fingindo não perceber a troca de olhares entre elas, simplesmente retirei minha maquiagem e fui dormir de qualquer maneira. Eu entendo a posição de Maria, Alison e Hannah, sabe? J soube muito bem como "começar por mim" infernizando a minha vida e matando minhas melhores amigas de preocupação, eu entendo que elas não saibam o que fazer para me ajudar, mas detesto quando me tratam como ma bonequinha de porcelana! Sem falarmos mais nada, fomos dormir muito caladas. Apesar disto, era bom demais estar com elas por perto.

Eu não sou uma garota que tem sono leve, nem que sonha. Eu nunca sonho. Porém, é claro que nesta noite houvera um. Começou por uma música abafada, como que por trás de uma porta. Depois escutei um rangido de porta e a música ficou mais e mais alta. O toca-discos antigo começou a funcionar sozinho, sem ninguém ter mexido. Porém, meu coração pulou ao escutar a porta do quarto bater com toda força, e a música ficar mais alta em meus ouvidos. Ao olhar para o resto da sala vazia, exceto pelo toca-discos, percebi que ela estava se movendo. Não, ela estava encolhendo. À medida que as paredes estavam chegando mais e mais perto de mim, meu desespero crescia descontroladamente; a sala já se tornara um armário à minha volta e nada que eu pudesse fazer me tiraria dali de dentro.
–SOCORRO! ME TIRE DAQUI, POR FAVOR! SOCORRO!
–Emma, acorde!

Já estava de manhã; eu podia saber pela claridade vinda de uma gretinha faltando da cortina cinza. Hannah, Alison e Maria rodeavam o colchão em que eu dormira com a Maria; elas pareciam assustadas e totalmente sem reação.
–Você está bem...?
–Si-sim, foi só um sonho...
–Pesadelo.– corrigiu Han.
–É...
Perdi a atenção no que elas falaram depois, tentando lembrar cada mínimo detalhe do pesadelo. Aquela sala... Eu não me lembrei de tê-la visto algum dia.
–Em?
–O que foi?– perguntei piscando lentamente.
–Perguntei se quer nos contar o que sonhou. – respondeu Ali mexendo no meu cabelo.
–E-eu acho que me lembrei de uma sala daquela casa... Que não é a que fiquei presa... Me desculpem por acordar vocês...
–Não tem problema, não, gata!– Maria sorriu  tranquila–Eu já estava acordada e você serviu para acordar as outras ao mesmo tempo.

O ocorrido foi praticamente esquecido durante a conversa do café da manhã. Eu apenas bebericava minha xícara de café enquanto ouvi algumas histórias do que acontecera na festa do dia anterior.
–Um mascarado?! –perguntou Alison ao ouvir Maria contar sobre um tal cara que a seguiu durante a festa.
–Sim, uma máscara de Jason, do filme Sexta-feira 13. Quase morri de medo!
–Será que é o seu "Cara Misterioso"?
–É assim que vocês o andam chamando?
–Sim, até você nos dar nomes.– Falei –Acha que era ele por trás da máscara?
Ela deu de ombros e nós– eu, Ali e Han nos entreolhamos.
–Ah qual é, Maria! É romântico! – falou, é claro, Alison.
–Não, é assustador.
–E vocês não se falaram mais, durante estas semanas?– perguntei.

Ela negou com a cabeça olhando para o seu croissaint e empurrando o prato. Ao terminar o café, troquei o pijama que Hannah me emprestara por um look inteiro e, apesar da insistência das meninas que eu ficasse por lá, eu precisava ir para casa. Nada como encher a banheira e passar meia hora sem pensar em absolutamente nada em nada; vestir um confortável conjunto de short, chinelos e camiseta cinza da Nike e deitar na minha cama para ler Harry Potter e o Cálice de Fogo pela enésima vez.

Não muito depois de Harry acordar respirando com esforço na rua dos Alfeneiros nº 4, a campainha da minha casa tocou. Por um segundo até pensei em pedir a minha mãe para atender, mas ela havia acabado de chegar de um plantão de 12 horas e já deveria estar dormindo, coitada.

Sendo assim, me levantei preguiçosamente da cama, calçei os chinelos e desci as escadas até o hall de entrada. Esperando a Maria, ou alguma amiga da minha mãe, me assustei em ver um moreno alto, vestindo sweater, jeans e vans pretos; e ainda por cima carregando um buguê de rosas cor-de-rosa na mão direita.
–Ryan!? O que você está fazendo aqui?!
–Eu queria saber como você estava... Fui na casa da Hannah, mas você já tinha saído... Então vim até aqui. Ah, e no caminho comprei isto. – Ele estendeu as rosas e eu peguei-as sentindo seu perfume.
–Obrigada, Ryan– Sorri e dei um passo a frente para beijá-lo – Vem, entra.
Nós entramos e eu arranjei um vaso da minha mãe para pôr as flores.
–Como você está?– ele perguntou.
–Estou bem.
–E sua testa?
–Vai melhorar.– sorri para ele.
Ele se aproximou e tocou meu rosto. Fechei os olhos involuntariamente.
–Sua mãe devia processar o dono daquela casa!
–A mãe da Alison irá cuidar disso.– Menti. Tive que contar uma pequena mentirinha para Ryan e Shawn ontem a noite... Disse que tudo aquilo fazia parte do "show de Halloween" do proprietário da casa que acabou falhando e me machucando. É que eu realmente fico nervosa em espaços pequenos, então eu não medi esforços para bater, chutar e tentar me livrar de qualquer maneira daquele armário, o que me rendera alguns hematomas.
–Bom, já que você está aqui... Que tal ficar um pouquinho?– Dei meu sorrisinho mais pidão.

Ele nem respondeu; Me puxou pela cintura e me beijou, como se estivesse esperando por tempo demais para o fazer. Não foi um beijo calmo nem urgente, mas o suficiente para me tirar chão. Literalmente. 
Vinha me sentindo tão bem com Ryan... Ele é engraçado, sexy, beija bem demais e é carinhoso como eu nunca pensara que ele fosse.

–Me diga que você gosta de filmes de terror... Só tenho desses no pen drive.– Ele tirou-o do bolso.
–Sim! Amo filmes de terror!– ri.

Então nos esparramamos no sofá hiper confortável da sala de estar para assistir um filme. Na verdade, nem consegui me lembrar do nome do filme duas horas depois, Ryan e eu não estávamos exatamente interessados nele. Minhas pernas se envolveram na cintura dele, e suas mãos não paravam em ponto nenhum nas minhas costas e percoço. E foi por muita, muita sorte, que minha mãe não levantou para jantar.

Lá para umas meia-noite pedimos uma pizza grande de pepperoni e comemos no sofá conversando.
–Como vão os treinos para o campeonato de basquete, hein?– perguntei mordendo a pizza.
–Vamos detonar, gata– ele bincou– Os Wild Pantherns ganham a estadual este ano.
–Bom mesmo. Não quero aprender todas aquelas coreografias loucas da Maria para animar a torcida atoa.– ele riu.
–Por favor não ria tão alto!– repreendi-o sussurrando –Minha mãe está dormindo lá em cima e não faz ideia de que você está aqui!
Desta vez ele riu baixo.
–Então eu já sou o namorado que você esconde dos seus pais?
Eu corei e pensei numa resposta que desviasse este tal assunto de "namorado".
–Tecnicamente é só a minha mãe. Meu pai mora na Suíça, lembra?

Ele fechou a cara e olhou bem sério para mim.
–As mães solteiras são as piores.

Fiz uma careta zangada e bati no braço dele enquanto ele ria mais uma vez. Então, levamos os pratos e copos para a cozinha e, para minha tristeza, Ryan disse que precisava ir embora e me lembrou do seu sobretudo do Drácula que ele me emprestara depois que saímos da casa. Corri no meu quarto e peguei-o no meu closet para devolvê-lo antes que fosse.

—Obrigada pelo casaco.

—Como a Hannah falou, você precisava, estava de langerie.— ele abriu seu sorriso branquinho com aquelas covinhas maravilhosas. Só o permiti entrar no seu Porsche novamente depois de mais meia hora de despedida.

Bom, depois de arrumar a sala e ter certeza que apagara todos os indícios de que eu estivera com alguém a noite toda, subi as escadas novamente para o meu quarto quando o relógio já apontava 4h da manhã. Meu livro de Harry Potter e o Cálice de Fogo ainda estava aberto de página para baixo sobre a minha penteadeira, então me apressei em pegá-lo. Ao pegar, ­por muita sorte ele escorregou da minha mão e caiu no chão. Se ele não tivesse caído, eu nunca veria o que vi em baixo da penteadeira. Uma luzinha vermelha refletia na página branca do livro aberto; tateei o tampo da penteadeira e arranquei dele um aparelhinho. Era um minimicrofone.
–Como isto veio parar aqui?– perguntei para o objeto.

Uma folha de papel que pareceu ter saído de perto de onde eu encontrara a escuta caiu no chão lentamente. Foi onde eu pude ler em grandes letras recortadas de revistas:

E u  O s S o  T e  o U V i r ,  v D I A .

 

Sem conseguir me conter, liguei o notebook e conectei-o ao minimicrofone para ouvir o que ali havia.
"–A merda está feita.– ouvi minha voz– Mas de qualquer jeito eu me decidi, meninas. Eu não aguento mais sofrer por causa destas mensagens. Preciso contar sobre J à polícia. Posso dizer que fomos coajidas a mentir por J. Vou acabar com isto de uma vez.
–Espera, o que?– foi Hannah
Me ouvi bufando.
–Fala sério, Hannah! Você não gostaria de que isso tudo acabasse? As mensagens, ameaças... Eu me cansei, ok? De ser ameaçada por coisas do meu passado, coisas que eu me arrependo e eu tenho certeza de que vocês também.­

Então a gravaçâo fez uma pausa bem maior do que eu me lembro de ter feito enquanto falava com as meninas."

 A gravação estava mudando.­ Foi substituída por uma música romântica antiga. Algo clássico, que eu já ouvira em algum lugar.

Então uma imagem começou a se formar na minha cabeça; fechei os olhos com força para me lembrar. Havia uma sala antiga, cheia de móveis velhos iluminados apenas pela luz da lua que vinha de uma janela pequena. E também tinha um rosto... Não, uma máscara. Era impossível ver seus olhos, mas senti seu toque de luvas de couro no meu braço. Abri os olhos rapidamente sentindo o coração pulsar dentro do peito. A música continuava a tocar no computador. Desconectei o aparelho fazendo-o parar; taquei-o com força no chão e pisei apenas para ter certeza de que ele se diminuíra a milhares de pedacinhos. Não sabia o que fazer; Acabara de me lembrar de breves momentos da noite anterior. De me lembrar sobre este desgraçado e mascarado J.


 


Notas Finais


Aviso aviso aviso!!
Vou ficar um tempinho ausente para poder organizar minhas idéias nessa primeira temporada!
Volto perto do Natal!
Beijinhoss


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