História Beca e Nick - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Tags Amizade, Amor, Casal, Comedia, Drama, Musica, Ódio, Recomeço, Rivalidade, Romance, Termino
Visualizações 6
Palavras 1.827
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Seguinte, faz um tempinho que escrevi essa história e sempre que eu leio ela me parece promissora, PORÉM, eu dei uma empacada. Queria saber se poderiam me dar sugestões de como posso proceder, talvez kkkk não sei nem se posso pedir isso

Capítulo 1 - Prólogo


 – Beca, eu acho que... Não sei como dizer isso. Nós não damos mais certo. Quer dizer, fiquei pensando, se não seria melhor a gente acabar com esse noivado. Cancelar o casamento. Acho que eu preciso de um tempo. Vai ser melhor assim.

Uma vez, aos dez anos, achei que seria uma boa ideia me pendurar de cabeça para baixo em uma árvore. Acontece que foi uma péssima ideia. Eu estava com as pernas dobradas enganchadas em um galho relativamente grosso, os braços balançando abaixo da minha cabeça, meus cabelos balançado feito uma bandeira. Inicialmente, me senti quase como se estivesse flutuando, estava feliz e ria alto comigo mesma. Então, veio a queda, e eu quebrei o braço direito. A dor de quebrar um osso era uma coisa excruciante, angustiante e me fez gritar a plenos pulmões, gritar tanto que assustei a rua toda.

Foi a maior dor que já senti na vida. O osso não apenas se partiu, como também se deslocou e, antes de engessarem, o médico teve que colocar no lugar. Três enfermeiras tiveram que me segurar de tanto que eu esperneava, me debatia e gritava, cheguei até a morder o médico. Depois disso meu braço ficou inchado e roxo, tiveram que esperar para engessar, porque o braço precisava voltar ao “normal”, senão depois o gesso ficaria frouxo e isso não podia acontecer, meu braço precisava ficar imobilizado.

À partir daí, toda vez que eu esquecia que meu braço estava ferido e o mexia, uma dor aguda e intensa me atingia como um soco e eu gritava, chorava e gemia. Levou quatro dias para desinchar e eles finalmente me engessaram. Então, após isso, o braço só coçava e só doía quando eu o batia acidentalmente. Levei um mês e três semanas para recuperar o braço totalmente.

Essa lembrança veio à mim naquele momento, porque tinha sido a maior dor que senti em toda minha vida. Uma dor física. Mas essa dor, a dor que eu sentia agora, superava completamente o braço quebrado.

Rick era meu namorado desde meus dezessete anos. Nos conhecemos no fundamental, por causa de um desenho que eu fiz do Pikachu que, modéstia parte, ficou muito bom. Ele veio me elogiar e disse que adorava o jogo e eu fiquei confusa, só conhecia o desenho, sequer sabia que existia um jogo que não fosse de cartas. Ele ficou abismado comigo por causa disso e, no dia seguinte, trouxe seu game boy para mostrar o jogo e me deixou jogar. Fiquei viciada e, todo recreio, nós ficávamos sentados juntos jogando.

E, desde então, nos tornamos melhores amigos. Íamos na casa um do outro jogar e brincar, passávamos os recreios juntos, sempre éramos dupla nos trabalhos de escola, no verão ele me chamava pra nadar na piscina de plástico que tinha na casa dele e, no inverno, eu o chamava para ver filmes alugados na minha casa. Eu contava tudo pra ele e ele confiava os segredos mais estranhos à mim. Nós nos comunicávamos com olhares, riamos de piadas internas, podíamos entender perfeitamente um ao outro nos expressando com pouquíssimas silabas ou, às vezes, com silêncio. Ele me compreendia como ninguém mais conseguia e eu o completava. Éramos almas gêmeas.

Quando eu tinha dezesseis anos, descobri – ao ver Rick beijando outra garota e sentir um ciúme inominável – que gostava dele bem mais do que só como um amigo. Eu não tinha coragem na época para dizer como eu me sentia e, por isso, continuamos nossa amizade por mais um ano.

Aos dezessete anos, fomos a um parque de diversões. Rick sempre teve imenso medo de altura, mas naquele dia ele foi em todos os brinquedos que eu queria, mesmo que ele estivesse totalmente apavorado. Quando já era noite, fomos a roda-gigante e, o tempo todo, ele ficou olhando pra baixo com as mãos firmemente agarradas a barra de ferro de segurança.

Eu me lembrava perfeitamente daquele dia. Lá do alto, eu podia ver o parque todo, iluminado com diversas cores, piscando, totalmente lindo. Ao redor estava a cidade, manchada com as ruas escuras cercadas pelos pontos brilhantes dos postes, que pareciam estrelas formando constelações. Acima de nós, tinha apenas o manto escuro do céu, pontilhado com pequenas estrelas brancas. Estava tudo muito lindo e meus olhos se enchiam de luz e cor.

Virei a cabeça para olhar Rick, para dizer para ele como tudo lá de cima parecia magico. Mas, ao olhar para ele, encontrei um garoto com o rosto lívido, os olhos arregalados que iam de um lado a outro sem parar. Totalmente em pânico.

Peguei o queixo de Rick e o forcei a olhar para mim.

 – Não olha pra baixo. Olha só pra mim.

Ele balançou a cabeça, assentindo, enquanto eu ainda segurava seu queixo.

Enquanto eu encarava seus olhos castanhos cor de chocolate, algo dentro de mim estalou, como se fosse uma espécie de sinal. É agora, Beca! Não seja covarde!

Inclinei-me para frente e, timidamente, encostei meus lábios contra os dele. Meu corpo enrijeceu completamente, assim que eu senti o toque úmido da boca dele. Inicialmente, eu não me mexi, porque estava esperando ele retribuir, mas Rick estava tão pasmo quanto eu. Eu estava começando a recuar, quando ele me segurou pelos braços e me beijou. Foi como se fogos de artificio estivessem explodindo dentro de mim. Aquilo que era beijar!

 – Hum... Vocês tem que sair agora. – disse o operador da roda gigante quando o nosso banco parou na plataforma.

Rick olhou para mim, um tanto constrangido, e então, começamos a rir.

Dois dias depois, ele me pediu em namoro e eu aceitei.

Namoramos por seis anos, seis anos maravilhosos, até que, no ano novo, Rick me pediu em casamento na frente de todos os meus familiares. Ele fez um discurso vergonhoso de como eu era a mulher da vida dele, gaguejou à beça enquanto dizia as palavras, mas achei a coisa mais adorável do mundo, então, ele ficou de joelhos, segurava uma pequena caixinha de veludo e meu coração parou. A única resposta possível era sim. Eu fiquei totalmente radiante por dois meses, contemplando o delicado e lindo anel de noivado que ele me dera – um pequeno anel de ouro branco com uma pedra brilhante.

Planejamos o casamento por um ano, escolhendo os convidados, os convites, um local para o casamento e a decoração simples. Não seria uma grande cerimônia e não seria na igreja, já que nenhum de nós dois era religioso – o que era o fim para minha mãe. Iria ser um evento mais casual em uma chácara com um lago, apenas para amigos e familiares íntimos.

A cerimônia seria em duas semanas. Mas, aparentemente, não seria mais.

Rick estava sentado no sofá sobre uma de suas pernas para ficar de frente para mim, segurando minhas mãos e me olhando intensamente.

Quando era mais novo, Rick tinha um queixo fino e braços magrelos, além de ser ligeiramente desengonçado. Agora, com vinte e quatro anos, ele perdera o jeito de menino, embora ainda fosse magro, seu corpo era mais rijo e bem formado, um corpo de homem. Também tinha perdido o queixo fino, já que agora sua mandíbula era mais larga. Seu cabelo castanho estava mais curto e arrepiado, costumava ser mais comprido, formando cachos. Mas os olhos castanhos curiosos e alegres ainda eram os mesmos. Mesmo que agora estivessem angustiados.

Eu abri a boca, mas nenhuma palavra conseguia sair da minha garganta. Senti-me tremendo e um frio opressor invadiu todo o meu corpo. Uma sensação angustiante tomou conta de mim e, eu tive que manter todas as minhas forças concentradas em não chorar. Meus olhos ardiam com o esforço de conter as lágrimas.

Não conseguia entender. Eu amava ele, estava apaixonada por ele há tanto tempo. Ele era o amor da minha vida! Isso estava tão claro pra mim como cristal, então por que para ele não? Será que...

 – V-você... V-você tem... – engoli em seco, incapaz de verbalizar meu maior temor – tem outra pessoa?

Rick suavizou a expressão e apertou mais as minhas mãos. Embora eu soubesse que deveria querer me afastar dele, depois do que ele disse, eu era incapaz. Tudo que eu queria era abraça-lo e impedi-lo de se afastar. Queria agarra-lo e nunca mais soltar.

 – Não, Beca, eu não tenho outra pessoa. Eu só... Não sei se isso é o certo. Já faz um tempo que eu tenho dúvidas, mas com todos os preparativos com o casamento, eu pensei que não fosse a hora certa pra dizer. Mas então eu pensei, iriamos nos casar! Eu não podia adiar mais.

Dúvidas? Ele tinha dúvidas?

 – Você não me ama mais? – falei tão baixo, que achei que ele não tivesse ouvido.

 – Eu ainda te amo, Beca, acho que nunca vou deixar de amar você. Mas... – Por que aquela palavra tinha um gosto tão amargo? Era abominável como um simples “mas” podia arruinar tudo. – Eu não estou mais apaixonado por você.

Foi naquele momento que soltei as mãos dele. Aquilo fora um golpe tão profundo no meu peito, que sequer tive consciência de ficar em pé. Dei alguns passos às cegas, até perceber que, minhas pernas tremiam tanto que eu não conseguiam me manter em pé. Minhas pernas cederam e eu caí de joelhos no piso frio. Uma dor aguda subiu pelo meu corpo me fazendo gemer, mas não fazia diferença, eu já sentia tanta dor.

Abracei meu próprio corpo e comecei a chorar. Não, na verdade, eu já estava chorando antes de cair, mas só tinha reparado naquele momento. As lágrimas rolavam em abundancia pelo meu rosto, molhando totalmente tinhas bochechas, chegando aos meus lábios, me fazendo sentir o gosto salgado do meu próprio sofrimento. Sentia como se minha garganta estivesse sendo comprimida, como se alguém me sufocasse e não pude me impedir de soluçar.

Senti as mãos de Rick no meu ombro, quando ele se abaixou na minha frente. Olhei pra ele, vendo sua silhueta borrada pelas lágrimas, mas ainda assim pude ver como ele estava preocupado, seu rosto contorcido em... agonia e dor. Uma onda de raiva me invadiu. Como ele ousava ficar chateado?

 – Beca, eu sinto muito. Eu não queria...

 – Sai daqui. – eu sussurrei.

Ele tirou as mãos dos meus ombros e me encarou.

 – O quê?

 – Sai daqui! – gritei, histérica.

Rick se levantou de súbito. Morávamos juntos e não havia muitos lugares para ele ir sem ficar na minha vista, já que era um apartamento pequeno. Ele se dirigiu para a porta de entrada, abrindo-a. Antes de sair, ele me olhou por cima do ombro.

 – Eu te amo tanto, Rick. Por quê? Por quê!? – minha voz estava totalmente embargada àquela altura.

Ele respirou fundo, encolhendo os ombros.

 – Me perdoa, Beca.

Então, ele saiu, fechando a porta atrás de si. O som do clique foi tão absurdamente definitivo, feito um ponto final. Mas não era pior que o silêncio opressor, que pesou sobre a sala no mesmo segundo, me deixando ao som de minha própria dor.

 Era isso, ele se fora. E eu estava sozinha.



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